Linha Tênue

10 Procrastinar.


Notas iniciais
Olá bando de pessoinhas lindas do meu coração, tudo bem? Nha, eu sei, estou atrasada... Hahahah! Bem, creio que agora a minha frequência de postagens vai variar de cinco a sete dias, ok? Vida social está me comendo viva .-. A prova disso são os comentários AINDA não respondidos... (Mas eu estava doente e em semana de provas, por isso, MIL PERDÕES :PP) ~Outro detalhe! Para evitar confusão, o ano letivo deles vai ser como no Brasil, ok? Ok! Sem mais enrolation dessa autora chata, aí vai outro capítulo para vocês!!! Nos vemos lá em baixo *o* Boa leitura meus anjos!

Segunda-feira * Terça-feira

~Himuro Tatsuya~

Frio.

Apesar de a janela do seu quarto estar bem fechada, o vento gelado e incômodo parecia entrar por alguma fresta secreta, apenas com a intenção de penetrar todos os osso do corpo de Himuro. No entanto, mesmo que seus pés estivessem congelando dentro da pantufa, o rapaz precisava estudar.

Concentrado, Tatsuya lia continuamente suas anotações de Biologia, buscando entender melhor as diferenças entre as monocotiledôneas e as dicotiledôneas. Odiava matérias sobre plantas.

— Nunca vou usar isso na vida... — Resmungou com um suspiro cansado, virando a página do caderno, olhando distraidamente para o relógio em seu pulso.

Já era tarde. 00h17min. O sono começava a bater violentamente.

Suas pálpebras quase fechavam-se sozinhas enquanto lia as palavras que escrevera em algum momento de brisa durante a aula, entretanto não podia dar-se ao luxo de descansar — pelo menos não enquanto o conteúdo continuasse vago em sua mente. As provas finais começaram com um grau exagerado de dificuldade, e o resto da semana prometia ser bem pior. Precisava se esforçar, para então ser recompensado com as tão esperadas férias.

Porém, o sono vinha com força total. Dando-se por vencido, Tatsuya apoiou a cabeça em seus braços e fechou os olhos. Um cochilo não faria mal, não é? Bem rapidinho...

Não! Acorda! Repreendeu-se, abrindo os olhos ao levantar o rosto, desapontado consigo mesmo. Imediatamente sua atenção foi desviada para o celular ao seu lado, que estava com a luz da tela acesa. Havia recebido uma mensagem de texto.

— Taiga? — Franziu a testa ao ver o remetente. — Oh, ele me respondeu. Temos uma vitória. — Ironizou com um sorriso de canto. — Dois dias depois.

Oi Tatsuya. Mals aí pela demora...Vou pra L.A. dia 22, e você?

Himuro levantou-se e começou a digitar uma resposta naquele exato instante, eufórico com as breves palavras que chegaram assim, tão repentinamente. No entanto, aos poucos a realidade foi batendo e seus dedos pararam de se mover... Sabia que não haveria retorno depois que enviasse. Suspirou fundo e sentou-se na cama, olhando para a tela, pensativo.

Era extremamente triste correr atrás de alguém tão importante sem receber uma reposta adequada, um olhar afetuoso ou um simples sorriso espontâneo em troca. Himuro sentia muita falta dos velhos tempos... Com certeza doía muito ficar remoendo e relembrando cada passo que deram quando estavam juntos, mas isso tornou-se uma certa forma de autodefesa, algo tão espontâneo e comum que quase nem ligava mais para o incômodo que causava.

Mesmo assim, Tatsuya precisava resolver esse clima chato antes da viagem para os EUA. Não gostaria de ter aquele ar pesado por lá também, queria apenas afeto de alguém que um dia foi tão próximo — e até mesmo íntimo. Desejava ver mais uma vez os caninos saindo pelo canto dos lábios de Taiga, entretanto queria que o motivo de tal sorriso fosse ele, e não o idiota do Aomine.

— Que se dane tudo. — Exclamou para si mesmo num ímpeto de ciúme e saudade, clicando no número de Taiga e iniciando uma chamada. — Não tenho mais nada a perder nessa merda. — Suspirou, colocando o aparelho no ouvido.

~Kagami Taiga~

A primeira reação foi a surpresa, a segunda foi a apreensão. No ato o ruivo dirigiu o olhar para o relógio — já passava da meia-noite. Era estranho demais ele ligar naquele horário. Repentino demais. Assustador? Talvez.

— Ai, ai, ai... O que você quer? — O ruivo murmurou, voltando-se para o celular em sua mão. Após chamar mais uma vez, suspirou fundo e resolveu atender, andando até a sala. — Tatsuya?

— Boa noite Taiga, beleza?

— Tudo certo, e com você? — O ruivo respondeu um pouco tenso, largando-se pesadamente no sofá.

— Tudo certo também. — Himuro disse simplesmente, fazendo uma breve pausa. — Hm... A gente pode conversar um pouco ou você está ocupado agora?

— Teoricamente eu estava estudando para as provas de amanhã... Mas... Você sabe... — Kagami deixou a frase no ar, olhando preguiçosamente para os cadernos em cima da bancada.

— Você? Estudando? Pff, claro! — Himuro riu ironicamente, trazendo um pequeno sorriso para o seu rosto também. — Aposto que só está procrastinando, jogado aí no sofá.

— Acho que sim. — Kagami riu, olhando para si próprio. — Mas... O que é procrastinar?

— Ai Taiga, você não muda! — Ele abriu um grande sorriso, foi perceptível pelo som de sua voz. — Você está se enrolando, adiando as coisas, como sempre.

— É, pior que estou! Fiz isso o ano todo. — O ruivo soltou uma curta risada nasal, feliz por estarem conversando quase que normalmente. — Kuroko até tenta me ajudar com a matéria, mas eu não entendo nada.

— Ele está aí? — Tatsuya perguntou.

— Não. — Kagami murmurou, olhando para o banco onde o amigo estava há menos de uma hora. — Saiu faz algum tempo. Estou sozinho agora.

— Hm... Ok. — Ele soltou uma curta risada abafada. — Eu também estava estudando aqui, sozinho. Biologia, e plantas... Argh. Odeio.

— Eu sei que odeia! — Kagami riu com as longínquas lembranças, mas decidiu pensar em outra coisa. — Eu estava tentando estudar Matemática, mas preferi... Procrastinar? — Finalizou, na dúvida.

— Isso! — Himuro disse.

— Pois é...

O silêncio veio aos poucos e tornou-se cada vez mais barulhento, afinal, era com Tatsuya que estava conversando. O clima estranho sempre aparecia... O maldito clima estranho! O ruivo percebeu que até começava a sentir-se mais seguro em relação ao irmão — devia isso ao fato de estar apaixonado por Daiki —, mas uma conversa no meio da noite não era algo nada comum entre os dois, nem mesmo no passado.

— Hm... Taiga... — Ele começou receoso, após alguns segundos. — Acho que a gente precisa esclarecer algumas coisas antes de nos encontrarmos de novo.

— Hm... — Kagami engoliu em seco. Não soube o que responder, a mudança de assunto foi drástica demais. — Como assim?

— Vou ser direto. — Himuro disse, sério. — Eu quero saber porque você ainda está agindo dessa forma tão distante comigo.

— Eu... — O ruivo começou a balbuciar, porém não conseguiu terminar a frase. Não sabia o que dizer, na verdade. — Sei lá.

— Sabe, não é como se fossemos desconhecidos ou algo assim. Somos irmãos, droga. — Ele suspirou de forma cansada. — Eu realmente achei que depois de termos feito as pazes a nossa amizade voltaria. Ou pelo menos uma pequena parte dela.

— É... — Kagami resmungou, sentindo uma leve pontada de culpa ao ouvir aquilo. — Eu também.

— Sei que fiz uma cagada enorme em L.A., mas já te pedi desculpas e você disse que estava tudo bem, que seríamos amigos novamente. Como antes. — Tatsuya continuou, com a voz calma e compassada de sempre. — Mas ambos sabemos que não está sendo bem assim. Agimos quase como estranhos em nossas raras esbarradas por aí... Não é?

— Sim. — Kagami foi obrigado a concordar. — Parece que ficou algo pesado entre a gente. — Arriscou, fazendo uma careta.

— Na verdade ficou, afinal nosso passado foi bem... Hm... Confuso? — Soltou uma breve risada cheia de significado, mas ao mesmo tempo vazia. — No entanto é diferente do que vivemos agora, e tenho certeza que a gente não vai voltar a ser o que era antes. A gente mudou, amadureceu, sei lá... — Himuro respondeu, franco. — Não tem motivo algum para remoermos algo que já foi. Pelo menos eu penso assim.

— Ahn, vou ser sincero com você, Tatsuya. — Kagami começou, movendo-se desconfortavelmente no sofá. Era complicado conversar sobre aquelas coisas, mesmo que por telefone, mas uma hora ou outra teria que falar. — Não foi nem uma e nem duas vezes que me peguei pensando no passado, e isso me deixa meio... Sei lá. Não sei dizer. Tipo... Éramos muito próximos na época e isso acabou do nada. Foi bem foda. — Suspirou, escolhendo melhor as palavras para ele não entender da forma errada. — Quer dizer... Na terça-feira passada, quando a gente se encontrou lá no Maji eu juro que fiquei feliz por estarmos de boa, conversando com o Kuroko e com o Murasakibara, agindo como sempre. Como amigos. Mas foi só tocar no passado que o clima voltou. — Fez uma breve pausa antes de concluir. Agora vinha a parte difícil. — E geralmente quem volta no assunto é você... Isso meio que me incomoda, eu acho.

— Eu sei, eu percebi. Me desculpe, Taiga. A última coisa que quero é que você se sinta desconfortável ao meu lado. — Himuro murmurou triste. — Então vamos deixar o passado pra trás... O que acha?

— E tem como? — Kagami perguntou irônico, mas percebendo uma leve onda de esperança invadir seu âmago.

Tudo o que Taiga queria agora era superar o passado "confuso" que tiveram, para poder seguir livre e leve consigo mesmo — e com Daiki, lógico. Conversar sobre o assunto diretamente com Himuro tornava essa vontade muito menos utópica. Se seguissem em frente, com o propósito de deixar tudo aquilo embaixo de uma pedra, as coisas poderiam funcionar. Seriam irmãos novamente.

— Esquecer eu acho que não tem como, mas superar sim. Eu espero que sim! — O sorriso de Tatsuya transpareceu pela linha. — A gente vai se encontrar lá na América, e então recomeçaremos a partir daquele ponto. — Ele fez um breve pausa. — Acho que vale a pena tentar... Eu realmente sinto sua falta, Taiga.

— Eu... Eu também sinto a sua! — Kagami admitiu, soltando o peso do corpo tenso no sofá. — Você nunca deixou de ser meu irmão, mesmo estando longe... Sabe disso.

— Então chega de procrastinar. — Himuro disse decidido, arrancando um leve sorriso de Kagami. — Irmãos novamente?

— Irmãos novamente! — O ruivo sorriu, aliviado e consideravelmente feliz.

— Você vai para L.A. dia 22, não é? — Tatsuya continuou. — Então vamos nos encontrar por lá depois do Natal, dia 26... Pode ser?

— Acho que sim! — Kagami sorriu de canto, franzindo levemente a testa. — Onde?

— Você ainda consegue comer um Big Joe inteiro no Jimmi's Pub? — Himuro perguntou, fazendo-o lembrar do local onde iam quase todos os finais de semana. O ruivo sempre aceitava o desafio da lanchonete e pedia o maior hambúrguer da casa, pois se comesse até o final não precisaria pagar por mais nada durante um ano inteiro.

— Aposto que consigo comer dois hoje em dia! — O ruivo respondeu com um ar orgulhoso.

— Seu estômago sem fundo sempre me assustou! — Tatsuya riu em voz alta. — Sua sobrancelha demoníaca também. — Acrescentou, sarcástico.

— Seu gosto musical também me assombra até hoje, ok? — Kagami riu da piada. — Como é o nome daquela banda de merda... Do clipe em que a mulher levanta do caixão para dançar balé no meio do velório?

— Não ouse falar mal de My Chemical Romance! — Ele o ameaçou.

— Isso, essa porcaria aí! — O ruivo assentiu com a cabeça. — Já disse que você é igual o vocalista? Já né?

— Se isso foi uma ofensa, tenha a certeza de que não me atingiu. — Himuro sorriu do outro lado da linha. — Mas enfim, estamos combinados?

— Sim! — O ruivo assentiu, realmente feliz por ver as coisas se resolvendo aos poucos, e sem a dificuldade imaginada.

— Nós vemos por lá então Taiga, conversaremos melhor. — O outro sorriu. — Sabe, isso era uma coisa que estava me deixando para baixo há algum tempo, então tive que ligar. Foi mal fazer isso tão tarde... E do nada.

— Relaxa Tatsuya. — O ruivo murmurou. — Isso me incomodava também, então foi bom você ligar. Vai ficar tudo de boa agora.

— Vai sim! — Himuro concordou. — Ok, vou voltar aqui para as minhas plantas chatas.

— E eu vou voltar para as porcarias das equações. — Kagami suspirou, olhando para as folhas em cima da bancada. — Poderia ser bem mais simples se não enfiassem letras junto com os números.

— Ai Taiga, matemática é só lógica. — Tatsuya riu. — O problema é decorar nomes como "monocotiledônias", "dicotiledônias", "briófitas", "pteridófitas", "xilema", "floema"... E o pior, todas essas porcarias tem mil particularidades.

— Nem me lembre, nossa prova de Biologia é na quinta-feira. — Kagami suspirou, tendo um leve calafrio. — Só sei o que são planárias.

— Já é um começo. — Himuro comentou. — Boa noite Taiga. Bons estudos.

— Para você também. Boa noite — Despediu-se, com um sorriso brincando em seu rosto.

O som da linha caída preencheu sua audição, fazendo seu sorriso ampliar ainda mais. Mal podia acreditar que Himuro ligou para conversarem sobre aquele assunto tão difícil. Kagami jamais teria coragem... Ficaria remoendo eternamente e jamais chegariam à uma conclusão. Tatsuya realmente era bem maduro.

É isso então? Simples assim? Finalmente resolverem aquela merda de clima que brotava sempre que ocupavam o mesmo espaço? Perguntou-se. Sim, era isso mesmo. Não tinha mais erro.

— Irmãos novamente. — Repetiu, segurando o anel com carinho, entre os dedos.

Era bom demais para ser verdade.

~Himuro Tatsuya~

— Tão doce e inocente, Taiga. — Ele sorriu olhando para o anel em seu pescoço, sentindo o coração quase explodir de tanta alegria. — É impossível não te amar. Você vai voltar para mim, sei que vai.

***

Sexta-feira

~Aomine Daiki~

O modo "soneca" do despertador de seu celular já tocava pela quarta vez, preenchendo o quarto com aquela melodia irritante, repetitiva e clássica. Todavia a cama estava tão gostosa, quente, convidativa, macia... Jamais sairia dali, por nada — não depois daquela semana sem fim, cheia de provas cansativas e difíceis. Aomine Daiki atingira seu limite como estudante.

— Não ouse apertar na "soneca" novamente. — A voz cantarolada de sua mãe surgiu de algum ponto em seu quarto, assim como a claridade infernal que veio em seguida. As cortinas foram abertas.

— Hm... — Resmungou no ato, apertando os olhos com mais força ao sentir as cobertas serem arrancadas com certa violência de cima de seu corpo.

— Levanta amor. — Yumiko continuou. — Fiz seu café da manhã. Olha como estou boazinha hoje. — Ela soltou uma risadinha teatral. — Te dou cinco minutos para lavar essa cara. — A voz tornou-se séria, sumindo pelo corredor. — Estou te esperando na cozinha.

— Não quero mais ir para a escola... — Murmurou, virando de barriga para cima no colchão.

— Quatro minutos e cinquenta e seis segundos.

É um pesadelo, só pode ser, não tem outra explicação. Daiki pensou ao levantar-se pacientemente, olhando para um ponto aleatório em seu quarto, mas sem prestar real atenção em nada. A semana inteira foi recheada de cálculos, datas, teoremas, fórmulas, regras gramaticais, decorebas, textos infinitos... E o pior, não pôde passar um minuto sequer ao lado de Taiga.

— Aomine Daiki! — Yumiko o chamou ameaçadoramente da cozinha. — Quatro minutos e meio.

— Tô indo... — Bufou, arrastando-se até a borda da cama. — Ok, último dia. Só falta História... Não... História foi ontem. — Corrigiu-se, coçando os olhos ao colocar-se de pé. — É Biologia? Sim, Biologia.

***

Apesar do silêncio, o clima ao redor da mesa de refeição estava leve, no entanto o cheiro de trama não enganava o sexto-sentido de Daiki. Era estranho demais Aomine Yumiko ainda estar acordada para preparar o café da manhã, pois seu costume era tomar banho e dormir assim que chegava do trabalho. Daiki não recordava-se da última vez que sua mãe juntou-se a ele em uma refeição durante os dias úteis — tinha de haver um propósito. Suspeito demais.

— À quê se deve tudo isso? — Aomine arriscou perguntar, um pouco receoso, comendo o último pedaço de seu peixe frito.

— Eu sabia que você não iria conseguir levantar sozinho hoje, é perceptível que está cansado. — Ela explicou, passando o indicador nas linhas abaixo de seus próprios olhos, indicando assim as olheiras de Aomine. — Fiz a comida para te dar energia.

— Obrigado. — O moreno sorriu conforme podia, com a boca cheia, sentindo-se realmente grato.

— Como estão as provas, amor? — Ela perguntou com um olhar gentil, mas ali no fundo a cobrança estava presente.

— Hm... Difíceis. — Admitiu, pegando mais um pedaço de omelete.— E bem cansativas.

— Acredito. — Yumiko comentou, ajeitando os cabelos atrás de sua orelha. — Hiromi comentou que Satsuki também está tendo uma semana turbulenta. Espero que vocês tirem boas notas. — Ela mudou seu semblante para algo mais leve. — Mas agora vamos falar de coisas diferentes para deixar sua cabeça descansada, afinal, hoje é o último dia de provas, não é?

— Sim, finalmente. — Daiki fechou os olhos, um tanto quanto aliviado.

— Então vamos falar a respeito do seu amigo. — Ela foi direta, encarando-o com os olhos azuis e intensos. — Não tivemos tempo para conversar sobre isso ainda.

— Sabia que tudo isso aqui tinha um propósito. — Aomine sorriu pela primeira vez nos últimos dois dias.

— Vai falando. — Ela o ignorou, apoiando os hachis na mesa. — Nome. Idade. Escola. Como se conheceram. Quando vou conhecê-lo de forma adequada. — Yumiko estreitou um pouco mais os olhos. — E quero saber principalmente se isso é sério mesmo ou se é só mais uma de suas brincadeiras.

— Calma. — Daiki pediu, piscando os olhos com a carga de informações. — Preciso raciocinar um pouco.

— Certo! — Ela assentiu, compreensiva, mas esperando.

— O nome dele é Kagami Taiga... Deve ter a minha idade. Sim, 16. — Fez uma breve pausa para lembrar o que a mãe solicitara. — Estuda na Seirin. Na mesma escola do Tetsu. Lembra dele?

— Como esquecer aquela gracinha de menino! — Ela sorriu de canto, ainda o encarando com o mesmo semblante. — Continue.

— Nos conhecemos no basquete, lógico. — Aomine deu de ombros, com a boca cheia. — Ele foi o cara que me venceu no campeonato. Sabe? Aquele lá que te falei.

— Ah sim. Mas se não estou enganada você deu a ele diversos apelidos carinhosos. — Yumiko sorriu de forma sarcástica, com as sobrancelhas levantadas. — De "maldito" para cima, não é?

— É, eu sei, eu não gostava dele antes. — O moreno riu das lembranças não tão distantes. — Mas depois a gente começou a jogar na quadra da lanchonete, só nós dois, e vi que ele realmente é um cara legal. Bem parecido comigo, aliás.

— Ih, já entendi tudo então. — Ela revirou os olhos, ironicamente. — Achou sua alma gêmea, ele é o amor da sua vida. Vai casar com ele?

— Mãe! — Daiki a repreendeu, franzindo a testa um pouco incomodado.

— Estou brincando amor. — Yumiko sorriu gentilmente, levantando-se para levar suas louças sujas até a pia. — Mas você gosta mesmo dele ou é só mais um relacionamento fútil? Quero saber apenas isso.

— Pois então... — Daiki suspirou fundo, ainda mastigando. — Eu gosto dele mãe. É sério dessa vez.

Ela parou o que estava fazendo e virou-se para encará-lo, com uma expressão duvidosa.

— Você me disse a mesma coisa com o Kise-kun. — Yumiko comentou gentilmente, cruzando os braços ao encostar-se à pia. — Daiki, você sabe o que penso sobre você ficar saindo com muita gente, não sabe?

— Eu sei. Que não é legal e tudo o mais. — O moreno assentiu com uma careta, colocando o último pedaço de omelete na boca. — Mas o Taiga não é qualquer um, ele é diferente. Diferente até mesmo do Kise. — Ergueu o olhar para o rosto da mãe. — Eu... Eu acho que estou apaixonado por ele.

— Mesmo? — Ela sorriu, satisfeita.

— Sim. — Admitiu, levantando-se também.

— Já falou para ele?

— Ainda não. — Comentou, colocando suas louças na pia. — Acho que não consigo falar algo assim por enquanto, até porque estamos ficando apenas por duas semanas. Não estamos juntos ainda.

— Entendi. — Yumiko sorriu. — Daiki, estou bem mais aliviada agora. Sabe, estranhei muito ao ver que você trouxe alguém para casa sem me avisar, mas fico feliz vendo você assim. — Ela estendeu a mão e acariciou seus curtos cabelos azuis. — Sua carinha até mudou quando falamos sobre ele. Antes parecia um zumbi, agora está aí com esse sorrisinho bobo.

— Ah, não é para tanto! — Aomine resmungou, torcendo o nariz.

— É sim! — Yumiko sorriu, dando um peteleco em sua bochecha antes de ir em direção à mesa, para recolher as outras louças. — Quando vou conhecê-lo de verdade, sem que ele esteja pelado na sua cama?

— A gente não estava pelado. — Aomine defendeu-se na hora, sentindo o rosto esquentar. — Não sei, qualquer dia desses aí... Nas férias, sei lá.

— Ele poderia almoçar aqui num domingo, o que acha?

— Mãe, por favor, não me apresse. — Daiki pediu, mordendo os lábios em um sinal de nervosismo. — Eu estou tentando fazer dar certo dessa vez, por isso não quero precipitar as coisas. Tenho medo de me pressionar, e pressionar ele também.

— Ok, eu entendo. — Yumiko assentiu, compreensiva. — Só estou curiosa para saber o que esse tal de Kagami Taiga fez com o meu filho irresponsável. — Ela disse assim que se aproximou. — E vou te apressar sim, do contrário você vai se atrasar para a escola. Escovar os dentes. Já.

— Ah, saco. — Daiki resmungou, olhando para o relógio. — Não quero ir.

— Só mais hoje.

— É. Só mais hoje. — O moreno sorriu fracamente. — Obrigado pelo café, madame.

— Bobo! — Ela deu um tapa em seu braço, assim que foi se afastando para o banheiro. — Anda logo ou vai se atrasar.

***

~Kagami Taiga~

Pela primeira vez em sua vida, o ruivo sentiu-se grato em não precisar treinar basquete depois da aula. Se apenas a caminhada da Seirin até sua casa já fora um martírio, quem dirá um treino massacrante de Riko Aida? Hoje não conseguiria chegar nem mesmo na metade.

Kagami estava simplesmente exausto devido às provas intermináveis que preencheram sua semana. Agora queria descansar, e seria ali mesmo, no sofá de seu apartamento. Seu cabelo ainda estava úmido do banho e provavelmente quando levantasse mais tarde os fios estariam virados em uma maçaroca, mas seus olhos já estavam fechando por conta própria enquanto assistia a reprise de alguns episódios de Game of Thrones.

Só faltava uma coisa para tudo ficar perfeito agora... O Daiki. Pensou sonolento, abraçando a almofada. Não o vira durante a semana inteira e isso era bem ruim, apesar de conversarem por WhatsApp até tarde quase todos os dias. Novamente vinha aquela sensação de que algo estava faltando... Não queria nem imaginar como se sentiria em Los Angeles.

— Preciso avisar ele da viagem. — Murmurou aleatoriamente, antes de adormecer. — Aho...

***

Um barulho estridente começou a ecoar ao longe, mas parecia se aproximar a cada instante. Sonolento, Kagami abriu os olhos e tentou assimilar tempo e espaço. Novamente o barulho preencheu a sala — era o interfone.

Em um pulo assustado, Kagami levantou-se e foi preguiçosamente até o dispositivo na parede.

— Alô... — Atendeu em meio a um bocejo, mantendo os olhos fechados ao apoiar a testa no cimento gelado.

— Boa noite Kagami Taiga, tem um amigo seu aqui em baixo. Hm... Aomine... — Fez uma pausa, esperando a confirmação do nome, que veio através de uma voz arrastada, conhecida e distante. — Aomine Daiki. — O porteiro repetiu. — Posso deixá-lo subir?

— Claro! — O ruivo sorriu incrédulo, abrindo os olhos de repente.

— Certo. Obrigado e boa noite.

— Boa noite Toshime-san. — Despediu-se, colocando o dispositivo em seu suporte. — Ai meu caralho... — Murmurou radiante, agora totalmente desperto. — Ele veio sem me avisar. Ai meu caralho, ai meu caralho, ai meu caralho.

Sem esperar mais, Kagami correu até o banheiro para escovar os dentes e lavar o rosto, escorregando propositalmente no assoalho do corredor, com as meias. Teria um considerável tempo para ajeitar sua aparência, afinal, Daiki era lerdo — ainda mais por ser claustrofóbico e usar as escadas.

— Verdade, preciso abrir uma janela... — Lembrou-se automaticamente.

Enquanto escovava rapidamente os dentes, o ruivo olhou-se no espelho e fez uma careta — estava com uma feição péssima, era a verdadeira personificação do sono. Dane-se! Pensou ao expelir a espuma de sua boca, ajeitando o cabelo desgrenhado com a mão restante. Assim que guardou tudo novamente na prateleira, olhou para as próprias roupas... Hoje era seu dia de estar com calça de moletom cinza. Pensou em trocá-las para ficar menos molambento, no entanto as duas batidas na porta alertaram-no de que não iria dar tempo.

Ok, ele foi mais rápido hoje. Então foda-se, vai assim mesmo! Deu de ombros, andando apressado e faceiro até o hall de entrada. Em um pulo, desviou de seu trajeto apenas para abrir um pouco a janela da cozinha, sentindo o vento gelado chocar-se com seu rosto.

Frio filho da puta.

O embrulho gostoso preencheu automaticamente seu estômago, crescendo mais ainda conforme se aproximava da entrada. Suspirou fundo e tentou deixar seu rosto sério ao abrir a porta, mas estava difícil — ainda mais vendo o rosto igualmente sonolento de Aomine.

— E aê. — Ele ergueu o braço, com o sorriso de canto de sempre.

— E aê! — Kagami o cumprimentou, dando espaço para ele passar enquanto trancava novamente a porta, para então jogar a chave de qualquer jeito no aparador azul.

— De boa? — Ele questionou, deixando o All Star preto na entrada. Assim como o cheiro delicioso de perfume.

— Aham, e você? — O ruivo respondeu, acompanhando-o com os olhos. Como sempre, Aomine atirou a jaqueta escura e a mochila em qualquer canto da sala.

— Cansado. — Daiki comentou, virando-se preguiçosamente para fitá-lo, já caminhando até o sofá. — Essas provas... Bem, tua cara tá uma bosta também, então você sabe do que eu estou falando. — Concluiu de forma divertida, jogando-se no estofado.

— Sei sim, mais do que você imagina. — O ruivo fez uma careta, andando até o sofá também. — Acho que me fodi nelas.

— Ah, eu tenho certeza! Mas as colas da Satsuki devem ter valido de alguma coisa. — Aomine disse com a voz arrastada, abrindo espaço para que o ruivo sentasse ao seu lado. — Você estava dormindo, né?

— Como uma pedra. — Kagami assentiu, encostando a cabeça no estofado, mas mantendo o rosto virado para o moreno. — Demorei para ouvir o interfone.

— Eu percebi. — O moreno riu, também apoiando a cabeça no sofá, um pouco mais perto. — Achei que você não estava em casa.

— E se eu não estivesse? — O ruivo perguntou, com as sobrancelhas levantadas.

— Eu ia te ligar e você voltaria para casa, para fazermos algo juntos. — Daiki deu de ombros, sarcástico. — Óbvio.

— Ah, claro. — O ruivo riu, irônico.

Puta merda, como você faz falta, seu imbecil. Kagami pensou sozinho, encarando-o com um leve sorriso. Não precisou de meio segundo para descer o olhar para os lábios de Daiki, denunciando sua maior vontade no momento. Quando voltou a fitar os olhos azuis pôde ver o mesmo anseio, e isso fez suas mãos suarem aos poucos.

— Bakagami. — Ele murmurou em voz baixa, aproximando um pouco o rosto de ambos.

O cheiro daquele maldito era tão bom... Por que tinha que ser tão bom? Por que tudo nele tinha que ser tão bom?

— Ahomine. — Sorriu.

Kagami não pensou muito mais, simplesmente elevou o braço e o puxou sem nenhum esforço pela nuca, enterrando suavemente os dedos em seus fios azuis e macios. Kagami não queria um beijo urgente ou lascivo, queria apenas suprir a falta que ele lhe fez, por isso selou os lábios de ambos de forma amena, entreabrindo-os apenas o suficiente para que a saliva facilitasse o movimento.

Seu peito começou a esquentar ao sentir que o moreno retribuía o gesto da mesma forma, sem pressa. Era o primeiro beijo "carinhoso" que davam, sem o indício de que transariam no próximo minuto. Soou como algo novo, e isso fez sua respiração falhar em diversos momentos. Se não cuidasse, Daiki seria capaz de ouvir as batidas descompassadas de seu coração.

Estava tão bom daquela forma que nem parecia real... Kagami conjecturou, acariciando a nuca do moreno de forma tímida e lenta com a ponta dos dedos, enquanto sentia a língua dele roçar de leve na sua.

Taiga desejou do fundo da alma que Aomine lesse seus pensamentos, percebesse que estava apaixonado e soubesse que o ruivo constantemente pegava-se agindo como uma menininha insegura, apenas por não saber se era um sentimento recíproco. Kagami era burro demais para ler entrelinhas e tentar adivinhar as coisas, mas depois desse beijo, seu palpite era de que não estava sozinho.

— Ahn... O que você quer fazer hoje? — O ruivo perguntou meio sem jeito, removendo a mão de sua nuca assim que se afastaram.

— Tanto faz. — Daiki sorriu de canto com a voz baixa, ainda com o rosto apoiado no estofado, próximo ao seu. — Nada para mim já está muito bom.

— Ok. — O ruivo não conteve o sorriso. — Vai... Vai dormir aqui? — Arriscou perguntar, mesmo não querendo soar de forma desesperada.

— Se você quiser... O plano era. — Ele deu de ombros, testando-o.

— É, acho que sim. — O ruivo fingiu indiferença, olhando de esguelha para a televisão, onde ainda passava Game of Thrones. — Pode ser.

— "Pode ser". — Aomine repetiu em um tom irônico, abrindo um sorriso. — Sei que você quer. Essa sua cara de zumbi não me engana.

— Convencido de merda! — O ruivo o empurrou com o ombro, também mostrando os caninos. — Quem veio correndo até aqui sem avisar foi você!

— Vim mesmo! Estava sozinho em casa... — Ele deu de ombros mais uma vez, olhando para a TV. — E descobri que você faz falta.

Kagami ficou sem reação, mal acreditando que aquelas palavras saíram da boca dele.

— Você... Também faz falta. — Admitiu em meio a um balbucio, observando o perfil do rosto de Daiki. O sorriso dele ampliou ao ouvir aquilo, assim como o seu próprio. — Mesmo sendo um idiota. — Acrescentou, arrancando uma risada curta do moreno.

— Idiota é você! — Aomine disse, bagunçando mais ainda seus cabelos ruivos, com a mão direita. — O que vai cozinhar para mim hoje?

—Teu cu que eu vou cozinhar! Estou mortão. — O ruivo riu incrédulo. — Vai ser pizza mesmo.

— Fechou. — Aomine assentiu, pegando o controle e já começando a procurar por outro canal. — Quatro queijos?

— Quatro queijos. — O ruivo concordou satisfeito, preparando-se para levantar.

— Taiga! — Daiki o chamou naquele instante, forçando-o a sentar novamente ao segurar a manga de seu moletom. — Tem uma coisa muito importante que preciso te falar, e tem que ser agora.

O ruivo congelou, fitando o rosto sério de Daiki. Não queria em hipótese alguma criar falsas esperanças, mas elas vieram automaticamente. Esses poucos minutos que passaram juntos já vieram com atitudes bem surpreendentes de ambos os lados... Seria essa mais uma?

— Hm? — Perguntou com as sobrancelhas levantadas, simulando desinteresse.

— Eu... — Ele começou, olhando um pouco incomodado para a TV e então novamente para seus olhos. — Eu não trouxe dinheiro para ajudar com a pizza.

— Ahn. — A tensão que sentiu simplesmente dissipou-se. — E daí? A próxima você paga. — Sorriu, tentando camuflar a minúscula decepção que teve. Jurou que o assunto fosse mais "sério"... Mas tudo bem, ninguém manda ficar imaginando coisas. — Vou lá ligar.

— Ok! — Ele sorriu de canto, olhando novamente para a TV. — Quer assistir filme ou jogo?

— Filme! Tem um especial do Wolverine no canal 23... Começa daqui a pouco. — Murmurou, procurando o número do Disk Pizza, ao mesmo tempo em que repreendia-se mentalmente por ser um débil. Ainda tomaria no cu com sua ingenuidade besta.

***

— O que você faz durante as férias, Daiki? — Kagami perguntou, comendo seu segundo quarto de pizza.

— Nada, como sempre. — Aomine deu de ombros, apoiando melhor a perna em seu colo ao ajeitar-se no sofá. Folgado uma vez, folgado sempre. — No verão a gente costuma treinar basquete, mas agora no Natal eu fico em casa. As vezes visitamos minha avó no meio do mato... Só.

— Hm... — Kagami ponderou, esperando o melhor momento para falar de sua viagem.

— E você? — Ele perguntou, com a boca cheia, olhando distraidamente para a TV.

— Eu costumo ficar na casa dos meus pais. — Decidiu ser direto, olhando o rosto de Daiki par analisar suas reações. — Em Los Angeles.

— E você vai para lá agora no inverno? — Ele perguntou de forma atropelada, virando-se para encará-lo.

— Vou, dia 22. — Comentou. Não pôde deixar de sentir-se satisfeito com a resposta exasperada que ele teve, mas não era uma coisa realmente agradável.

— Semana que vem... — O moreno murmurou, voltando a olhar para a TV, sério. — Bem, é Natal e Ano Novo. Faz tempo que você não vê seus pais. É normal.

— Vou por obrigação na verdade. — Kagami decidiu amenizar a situação, sendo sincero. — Na boa... Ficar aqui no Japão seria bem melhor.

— Também acho. — Ele sorriu de canto.

Ficaram se olhando por um longo tempo, em silêncio. Diversas palavras não ditas se perderam naquele instante.

— Vou tentar voltar antes. — O ruivo murmurou, sentindo o rosto esquentar enquanto ainda sustentava o olhar de Daiki. — Geralmente fico lá por duas ou três semanas, mas dessa vez quero ficar menos. Estava pensando em passar o Ano Novo para cá.

— Por...? — O moreno perguntou, sorrindo de forma desafiadora.

— Tenho meus motivos. — Kagami desviou-se da pergunta.

A vontade de dizer "Por causa de você, idiota!", foi enorme, mas não teve a coragem necessária.

— Sei. — Ele disse simplesmente, voltando-se para a TV. — Você vai fazer falta de novo, Bakagami.

— Você também vai. — Murmurou, sentindo novamente o peito esquentar. — Bastante. — Completou, olhando para o filme, um pouco alterado.

Aomine apenas virou-se rapidamente e sorriu, aproximando-se um pouco mais, com as pernas ainda em cima de seu colo. Nada falaram depois daquilo, apenas terminaram de jantar em silêncio, assistindo ao filme. Não era um silêncio desagradável, mas fez Kagami pensar que suas "procrastinações" começavam a se tornar um verdadeiro defeito. Era só falar... Droga!

***

Após terminarem de comer a pizza, deitaram-se no sofá — um em cada lado do "L" que o móvel formava — com as cabeças próximas, e permaneceram assistindo o especial de Wolverine, que se estenderia até perto das 23h. Não se sabe em que momento pegaram no sono, mas quando Kagami despertou assustado, devido à um barulho que veio da TV, já passava da meia noite.

— Meu pau... — Murmurou sonolento, percebendo que estava deitado de mal jeito no chão, por cima de algumas almofadas, com os dedos parcamente entrelaçados aos de Daiki.

O moreno ainda dormia em cima do sofá, de bruços, mas seu braço pendia pela borda do estofado — propositalmente, para segurar sua mão. Kagami precisou sorrir, ainda fracamente devido ao sono. Aquele estava sendo o melhor dia que passara com Daiki, melhor que os dias que transaram, melhor que os jogos de basquete... E simplesmente pela leve tensão gostosa que se formava quando estavam próximos.

— Eu gosto de você, idiota. — Sussurrou quase que inaudivelmente, olhando para Aomine. — Você sabe, não é?

Sorriu de canto com sua própria confissão besta e inútil. Lógico que o silêncio seria a resposta. Não esperava algo diferente de alguém que dormia como se sua vida dependesse disso. E outra, jamais teria coragem de dizer algo assim se ele estivesse encarando-o, ainda mais com aquele sorriso de canto.

— Enfim... Vou procrastinar. — Suspirou desanimado, lembrando vagamente de Himuro ao usar a palavra.

Vencendo a preguiça sobre-humana que teimava em puxar seu corpo na direção das almofadas, Kagami conseguiu colocar-se de joelhos no chão, soltando suavemente os dedos do moreno. Iriam acabar com um torcicolo se ficassem ali, então era melhor deitar na cama, com as cobertas e o colchão macio.

— Daiki! Acorda! — Chamou com a voz alta o suficiente para ele resmungar qualquer coisa ininteligível. Sorrindo, engatinhou com os joelhos e aproximou-se da orelha dele para sussurrar. — Vamos para a cama Daiki... Ehr, dormir na cama. — Corrigiu-se, sentindo o rosto esquentar com a própria frase.

— Baka-gami... — Ele grunhiu durante o sono, virando-se pacientemente no sofá, até ficar com a barriga para cima. O movimento levou cerca de quinze segundos.

— Anda, seu preguiçoso de merda. — Bufou incrédulo, vendo os olhos azuis o mirando por entre algumas piscadelas sonolentas.

Aomine nada disse, apenas o encarou por longos instantes, inexpressivo. Ou melhor, com cara de sono.

— Pare de se enrolar. — Kagami começou a falar de forma impaciente, revirando os olhos. — Tá ficando frio aqu-

O ruivo foi interrompido bruscamente ao ser puxado pela corrente de seu pescoço, em direção ao rosto de Daiki. Quando assimilou os fatos, percebeu que estavam em meio a um beijo simples, que tornava-se cada vez mais urgente e afoito.

A resposta de seu corpo foi imediata, como sempre acontecia quase se beijavam. Primeiro o calor tomou suas células, uma por uma; depois a respiração tornou-se pesada e falha... E por fim, assim que sentiu a língua do moreno praticamente implorar por passagem, vieram os arrepios — que teimavam em descer para o meio de suas pernas, deliciosamente.

Sem pensar duas vezes, Kagami jogou tudo para o alto e retribuiu o gesto com a mesma vontade, louco para ter o que viria em seguida. Apesar de o dia não precisar de sexo para ser bom, com ele se tornava perfeito. Uma semana sem era muito tempo!

— Hm... — Obrigou-se a arfar, sentindo uma leve mordida em seu lábio inferior. Aomine o puxava para si com os dentes, em um gesto carregado de erotismo. Não foi surpresa nenhuma sua ereção crescer cada vez mais.

Percebendo suas reações, Daiki interrompeu o beijo para sentar-se sofá, induzindo Kagami a subir em seu colo. Sem dizer nada, o ruivo obedeceu à ordem implícita e não se arrependeu. Muito pelo contrário... Seu tesão apenas aumentou com aquela posição insinuante. Obrigou-se a morder os lábios ao sentir o pênis dele roçar provocantemente o meio de suas pernas abertas. Nunca haviam tentado dessa forma antes.

Tudo ficou melhor ainda quando Daiki o puxou para outro beijo, apertando sua pele por debaixo do moletom, ao mesmo tempo em que guiava seu corpo para esfregarem-se um no outro. Era um movimento extremamente erótico e repetitivo. Seu corpo praticamente o fazia sozinho, como se já conhecesse a sensação... Kagami estava gostando tanto, queria senti-lo dentro de si enquanto movia-se naquele ritmo. Estava ficando todo molhado só de imaginar a cena.

— Daiki... — Gemeu baixinho em sua boca, sentindo sua própria urgência transparecer pela voz. — Eu quero você agora.

— Taiga... — O moreno ofegou, satisfeito, descendo as mãos para apertar suas nádegas, por dentro da calça, forçando-o a se mover mais rápido ainda contra seu pênis.

— Me fode assim... — Kagami disse, abraçando-o com força ao beijar-lhe os lábios de forma lasciva, mal acreditando em sua própria ânsia pelo sexo. — Na cama. — Murmurou com toda a malícia que conseguiu reunir naquele ímpeto coragem. — Eu não aguento mais. — Admitiu, sentindo o indicador do moreno se aproximar de sua entrada.

— Quem te viu, quem te vê... — O moreno sorriu de canto, incrédulo, com a voz embargada de desejo. Kagami podia sentir o pênis de Daiki latejar contra seu corpo. — Mas eu também não aguento mais. — Disse urgente, incitando-o a se levantar. — Eu quero muito te foder, Taiga.

Com um suspiro contido de excitação, Kagami ficou novamente em pé e juntos seguiram apressados pelo corredor. Não foi surpresa nenhuma pararem na metade do caminho para darem um novo beijo, no qual Aomine o pressionava contra a parede — como sempre.

— Daiki... — O ruivo gemeu, sentindo a mão dele passar com força por seu membro duro e latejante, subindo por seu tórax. — Vai logo.

— A gente vai... — Ele sussurrou em seu ouvido com a voz embargada, chegando novamente com os dedos na corrente em seu pescoço. — Mas isso aqui fica. — Aomine disse, elevando e removendo o objeto pelo topo de sua cabeça. — Você é meu, Taiga.

— Daiki...? — Murmurou após dois segundos de surpresa, vendo-o soltar o objeto de qualquer jeito no assoalho. — O que...?

Sua pergunta confusa foi interrompida por mais um beijo, agora lento e molhado, acompanhado de um carinho urgente e forte no pescoço. Os arrepios que sentiu em sua pele fizeram com que os pensamentos anteriores simplesmente virassem pó — afinal, era só ajuntar o anel mais tarde.

Daiki o deixava desorientado com aqueles gestos repentinos... Ele era tão intenso... Mas hoje tinha alguma coisa diferente.

Sem pensar em mais nada, empurrou o moreno para dentro do seu próprio quarto, mal contendo o tesão que sentia, percebia-se completamente molhado por debaixo da cueca... Isso sem falar que seu ego encontrava-se nas nuvens — acabara de presenciar um verdadeiro ato de ciúme vindo de seu Aomine Daiki. Jamais esqueceria isso.

***

Kagami guiou o sexo pela primeira vez, subindo e descendo pelo membro de Daiki de uma forma tão deliciosa e natural que nem imaginava ser capaz. As expressões de delírio do moreno eram excitantes demais, assim como os gemidos incotidos que ele soltava, sem receios, pela primeira vez... Aquilo deu uma liberdade enorme para que se soltasse também.

O sexo foi intenso demais, como nunca havia sido. Mas novamente terminou repleto de palavras não ditas... Na verdade elas não precisaram ser ditas, bastava compreender o que havia por trás do olhar. Como em uma despedida.

***

~Aomine Daiki~

— Eu gosto de você, Taiga... — O moreno murmurou para o ruivo, adormecido ao seu lado na cama. — Você sabe, não é?

Com um suspiro cansado, envolveu-o com os braços e o trouxe para cima de seu tórax.

— Espero que saiba. — Sussurrou, enterrando o rosto nos cabelos ruivos e desgrenhados que tanto gostava.

O cheiro bom e natural que ele exalava deixava seu sono confortável. Sentiria falta daquilo enquanto ele estivesse na América... Mas quando Kagami retornasse com certeza iria se abrir. Não teria mais motivos para procrastinar.

Notas finais
Argh... Acho que ficou meio corrido, hahahaha! Enfim minha gente, espero que tenham gostado *o* Na minha opinião, a música de hoje (apesar de feminina) passa intensidade que existe entre o Aomine e o Kagami, por isso fiquem com Crazy in Love (versão cover e MIL VEZES melhorada *o*): https://www.youtube.com/watch?v=Jl8fV1jUQPs ~Não, não sou fã de Fifty Shades of Gray .-. Sem mais delongas, espero vocês nos comentários, ok? Sei que estou demorando para responder, mas é MUITO gratificante saber o que vocês estão achando... Se está confuso, meloso, chato... É sempre bom saber xD Beijão enoooooooooooorme da Lana-chan e OBRIGADA por terem chego até aqui! ;***********************************