Notas iniciais
Oi meus anjinhos, tudo bem com vocês? QUE SAUDADEEEEEEE! Argh... Bem, é muito chato vir até aqui para inventar um monte de desculpas pela demora da postagem do capítulo, mas quem me acompanha por essas redes sociais da vida sabe que me fodi com a faculdade... Na segunda-feira (dia que posto) eu estava apenas com 1000 palavrinhas parcamente escritas... Então, mil perdões! O que importa é que hoje tirei o dia de folga para escrever e postar esse capítulo novo para vocês o/ Como é transição de ambiente (Tóquio - Los Angeles), não esperem o melhor capítulo do mundo, hehehehe! Mas coisas importantes começam a acontecer... Sem mais delongas, boa leitura meus amores! Nos vemos lá em baixo!!!

~Kagami Taiga~

Los Angeles — 7h da manhã


Do I wanna know if these feeling flows both ways? (Eu queria de saber se esse sentimento é recíproco?)
Sad to see you go, (Triste em vê-lo partir)
Sort of hoping that you stay... (Meio que esperava que você ficasse...)
Baby we both know (Querido, nós dois sabemos)
That the nights were mainly made for saying things that you can't say tomorrow day (Que as noites foram feitas principalmente para se dizer coisas que você não conseguirá dizer amanhã).
Do I wanna know? (Eu quero saber?)

— Bem apropriado. — O ruivo ironizou de forma sombria, tocando o ícone do 'stop' na tela de seu celular, assim que a música se aproximava de seus rifes finais. — Eu quero muito de saber, na verdade. — Suspirou, olhando para o dispositivo, mas sem enxergá-lo realmente.

A melodia de Arctic Monkeys cessou, porém os pensamentos do ruivo continuavam em um turbilhão. Fora dessa forma durante a maior parte da viagem até Los Angeles — afinal, quase onze horas dentro de um avião (e mais três apenas aguardando a troca de escala no aeroporto) não davam espaço para outra coisa. O ruivo dormira durante um longo tempo, porém, nos momentos restantes do trajeto, a única coisa que perambulava sua mente era Aomine Daiki.

Era impossível não pensar nele, no entanto os devaneios oscilavam entre bons e ruins o tempo todo.

Sentado naquela poltrona não muito confortável do avião, Taiga sorrira como um bobo lembrando-se do cheiro gostoso que a pele morena exalava, do viciante gosto daqueles lábios, do calor confortável que abraçava seu corpo quando dormiam juntos, do sexo incrível que faziam, das horas seguidas que passavam conversando sobre qualquer coisa, da porcaria da saudade que já começava a aparecer... Em contrapartida, sentira uma gosma embrulhando seu estômago quando recordava-se da aparente indiferença nos olhos azuis, do ciúme inexistente, do silêncio irritante que sempre surgia em algum momento, e — principalmente — das malditas palavras insinuando que Taiga era só mais um cara que deixou sua cama suja de gozo. Essa foi a pior parte, com certeza.

Kagami não conseguiu chegar em outra conclusão, provavelmente era um sentimento unilateral — mesmo que algumas vezes não aparentasse, e mesmo Kuroko afirmando o contrário —, todavia não queria ficar longe Daiki. Gostava demais de Aomine e sentia-se extremamente confortável com ele ao seu lado, como não acontecia há tempos com outra pessoa, ou até mesmo com outra coisa... As vezes pegava-se pensando que nem mesmo o basquete o fazia sentir-se tão agradado, porém eram coisas muito distintas para criar um parâmetro de comparação. Não adiantava misturar as coisas.

O ruivo simplesmente não entendia como passara a gostar tanto de uma pessoa que um dia praticamente odiou. Havia realmente uma linha muito fina entre o gostar e o desgostar, entre o ódio e a paixão... Mas ainda era estranho pensar que mal passou um mês e já estava preso a ele de certa forma — parecia uma coisa quase ilógica, entretanto gostaria muito que a recíproca fosse verdadeira.

Daiki era ambíguo demais na opinião de Taiga. Em determinado momento ele estava todo 'gente boa' e até mesmo carinhoso, parecia corresponder... Já em outro, falava algumas merdas ou agia de formas desmotivadoras, que surtiam o mesmo efeito de um balde de gelo sendo despejado coluna abaixo. Aquilo de certo modo cortava toda a sua coragem... Nem se reconhecia mais. Sempre fora confiante e seguro em suas decisões, e agora estava aí se enrolando para falar que estava apaixonado por Aomine. Ridículo!

— Confuso... Muito confuso... — Murmurou aleatoriamente, balançando a cabeça como que para livrar-se de algo preso em seu cérebro. Eram pensamentos complexos demais para uma mente incapaz de digerir tanta informação. Precisaria deixar suas divagações para mais tarde, pois agora tinha muitas coisas a fazer.

A primeira delas era trocar o chip do celular e enviar uma mensagem para Daiki.

Com calma, Kagami jogou a mochila pesada em sua cama, sempre encoberta com a habitual colcha roxa e amarela dos Lakers. O tecido soltava um agradável cheiro de amaciante e limpeza, denunciando que ninguém entrava ali há tempos para dormir. Tudo estava exatamente como deixara no verão... Os pôsteres nas paredes azuis (ironicamente), a prancha de surf vermelha apoiada no canto do quarto, a escrivaninha praticamente vazia, o skate em baixo da cama. Era nostálgico, mas o ar monótono preenchia o ambiente... Infelizmente não se encaixava mais naquele lugar.

— Taiga, o café está pronto, amor. — Ouviu a voz firme da mãe ecoar pelo corredor, vinda da parte baixa da escada, assim que começou a substituir o chip do Japão por um de L.A., que sempre carregava na carteira.

— Estou indo, só um minuto. — O ruivo respondeu com um meio sorriso no rosto, ainda concentrado em sua ação.

Uma coisa Kagami precisava admitir para si mesmo: Sentiu uma puta falta de sua mãe, e revê-la no aeroporto foi o ponto positivo da viagem. Mal esperava para abraçar seu pai também... Esquecera-se da última vez que o viu em período de férias do trabalho, então com certeza teriam um pouco de tempo para conversarem. Era o que esperava, pelo menos.

Distraído, o ruivo reiniciou o celular — agora com o número novo —, imaginando o que Daiki estaria fazendo naquele instante. No Japão deve ser mais ou menos umas 23h agora, então ele provavelmente está vadiando em casa... Kagami ponderou, contando nos dedos as oito horas de diferença do fuso-horário. Era estranho pensar que seu voo saíra de Tóquio exatamente as 8h da manhã, e que, mesmo depois de 11h de viagem (e mais três de pura espera), ainda era 7h da manhã em Los Angeles.

— Já sei! Você deve estar assistindo pornô. Não é, idiota? — Taiga sorriu com o pensamento, enviando a mensagem no WhatsApp ao mesmo tempo que o cheiro de café chegava finalmente em seu quarto. A fome bateu instantaneamente.

~Aomine Daiki~

Tóquio — 23h12min

Sentado em sua cadeira, o moreno olhava impaciente para a sequência de números impressos em uma folha de papel, comparando os horário de Tóquio e Los Angeles. Estava complicado entender como lá poderia ser 7h da manhã e no Japão estar perto da meia-noite... Sua mente não acompanhava o processo, nem sequer lembrava o motivo de existir um fuso-horário. Geografia nunca foi seu forte.

— Pelos meus cálculos você já deve ter chego em Los Angeles, Taiga. — Daiki fitou o celular pela milésima vez, e então voltou o olhar distraído para os movimentos na tela do notebook, à sua esquerda, deixando a folha de lado.

Ah, o bom e velho pornô!

Como de praxe, uma mulher bem gostosa e peituda gemia como se sua vida dependesse disso, rebolando com o mesmo exagero cinematográfico por cima de um homem qualquer. Há anos Aomine notara que quase todos esses vídeos pornográficos eram praticamente iguais — repletos de fingimento, e sem nenhum tipo de química —, mas por alguma razão gostava de assisti-los. Eram como sua série preferida de televisão.

No entanto, mesmo com o silicone da loira balançando para cima e para baixo em sua frente, a mente de Daiki encontrava-se em outra dimensão, muito longe daquilo tudo. Estava pensando em Kagami — para variar. Será que ele iria lembrar de mandar um Whats quando chegasse em Los Angeles? Provavelmente não, já que estava demorando mais do que deveria.

— Aquele retardado sentimental deve estar se chorando, só pode. — Daiki cogitou sozinho, repreendendo-se mais uma vez por não ter resolvido a situação infeliz que causara na noite anterior, quando falara sobre a cama suja de gozo. O clima depois daquilo ficou muito esquisito, qualquer um perceberia. — Acho que a Satsuki têm razão. Sou um idiota. — O moreno continuou, segundos depois, olhando mais uma vez para o celular, com a expressão fechada.

Não era como se estivesse com remorso, mas não custava nada ter pedido desculpas pelas palavras erradas, ou até mesmo ter falado à Taiga sobre o quanto gostava dele — já que aquilo estava bem declarado em sua própria mente e até mesmo em seu próprio coração. Tudo bem que nunca fora de seu feitio esquentar a cabeça com essas coisas de relacionamentos, mas a sensação ruim chegava a causar uma leve ansiedade em seu âmago. Queria muito resolver aquilo e ficar de boa com Kagami o quanto antes... Tanto é que a hipótese de hibernar tornou-se mais tentadora ainda. Quanto mais rápido as horas passarem, melhor!

— Puta que me pariu, estou parecendo uma menininha desesperada. — Aomine brigou consigo mesmo, percebendo o rumo infantil e inseguro de seus pensamentos. — Nós estamos praticamente juntos, droga. Chega de remoer essas caraminholas inúteis... Posso me virar muito bem até ele voltar.

Decidido, Aomine tomou o celular em mãos, levantou-se da cadeira e jogou-se na cama logo em seguida. Era hora de perder-se em seu próprio universo paralelo. A sensação de mente vazia sempre era boa, exalava tranquilidade e preguiça... No entanto, particularmente hoje, a quietude gritava muito alto em seus ouvidos e não o deixava descansar de forma apropriada.

— Saco...

A sensação que perambulava o interior de Aomine não era bem uma culpa, estava mais para um pressentimento estranho... Provavelmente porque as coisas que Momoi dissera ainda estavam bem claras em sua mente, passeando por ali como um verdadeiro mantra. Ou quem sabe porque aquele Himuro Tatsuya estaria em Los Angeles também, rodeando seu Taiga como um abutre. Ou ainda porque realmente percebera que deveria ter aberto o jogo antes de ele viajar...

Quem era o burro agora?

O aparelho vibrou em sua mão minutos depois, anunciando — finalmente — um sinal de vida de Taiga. O moreno abandonou seu desagradável mundo de divagações e praticamente voou para ler a curta mensagem deixada em seu WhatsApp, por um número desconhecido com código internacional.

Kagami Taiga: E aê, Ahomine? É o Taiga. Cheguei em L.A.

— Jura que é você Bakagami? Nem suspeitei. — Aomine sorriu de canto, sentando-se de imediato na cama, com as pernas cruzadas, já deslizando os dedos avidamente pela tela.

Aomine Daiki: Demorou p/ chegar. Se perdeu no caminho, idiota?

Kagami Taiga: Mas então você estava me monitorando?

O moreno precisou rir ao perceber a presunção de Taiga, no entanto foi necessário pensar por alguns segundos antes de encontrar uma réplica. Realmente olhava para o relógio há cada minuto... Mas não estava monitorando ninguém. Começou a digitar novamente.

Aomine Daiki: Vai se foder! Como foi a viagem?

Kagami Taiga: Demorada.

Aomine Daiki: Ñ me diga :O

Kagami Taiga: Morra _|_ Estava dormindo ou assistindo pornô?

Aomine Daiki: Porn :D

Kagami Taiga: Sabia. Você é um pervertido.

Aomine Daiki: Mas vc gosta q eu sei.

Kagami Taiga: Claro que gosto.

A resposta causou um leve comichão no baixo ventre de Aomine, materializando assim um largo sorriso em seu rosto. O alivio veio de imediato... Estava tudo bem entre eles — mesmo que se encontrassem à meio mundo de distância. Por essas e outras Aomine não curtia a ideia de gastar energia pensando em problemas sentimentais, geralmente era paranoia pura e inútil.

Aomine Daiki: Ei, q dia vc volta?

Kagami Taiga: Não sei, não conversei com meus pais ainda.

Aomine Daiki: Saquei. Me avise qdo souber.

Kagami Taiga: Claro. Já está com saudades de mim, idiota?

O moreno pensou alguns segundos antes de mandar a resposta que escrevera, mas decidiu apertar o 'enviar'. Não sabia por que diabos ficava tão hesitante naquelas situações... Não era como se fosse ficar preso em uma jaula se Taiga finalmente soubesse dos seus sentimentos — seria na verdade uma libertação para ambos.

Aomine Daiki: É chato ficar sozinho, então acho q tô sim.

Kagami Taiga: Eu também estou...

A resposta de Taiga demorou alguns segundos para chegar, mas quando as três palavras apareceram na tela do seu celular, o estômago de Daiki revirou-se de uma maneira bem agradável — o sorriso de canto foi o reflexo. Aomine tinha certeza absoluta de que ele gostava de si, meio que podia sentir. Apesar de Taiga nunca ter dito 'as palavras', o jeito dele falava por si só... As frases, os olhares, os sorrisos espontâneos, tudo. Ele era bem aberto, mesmo exibindo aquela fachada mau-humorada por aí.

Daiki gostaria que ele lesse as entrelinhas e percebesse seus sentimentos com a mesma facilidade. Porém, como Momoi vivia repetindo, era uma pessoa muito fechada, e até mesmo egoísta em seus sentimentos... Dessa forma, tornava-se impossível as pessoas saberem como se sentia, a menos que demonstrasse. Essa era a parte difícil, algo sempre o bloqueava na hora H.

Aomine Daiki: Claro que tá. Sou seu ídolo.

Kagami Taiga: Vai se foder, convencido de merda.

Aomine Daiki: Um dia vc ainda vai admitir.

Kagami Taiga: Morra _|_

Daiki precisou rir, conseguia visualizar perfeitamente a expressão fechada que Taiga fazia naquela situação.

Kagami Taiga: Preciso ir agora. Minha mãe está me esperando para tomar café.

— Ok então... — Daiki desfez o sorriso, soltando um leve suspiro desapontado. Poderia ficar enchendo a paciência de Kagami o tempo todo, no entanto as horas trocadas e os compromissos familiares não permitiriam isso. — Saco. — Reclamou sozinho, arrastando os dedos pela tela mais uma vez.

Aomine Daiki: Ok. Vai lá Bakagami.

Kagami Taiga: A gente se fala Aho.

Aomine Daiki: Sim. Até.

Kagami Taiga: Até.

— Idiota. — Murmurou aleatoriamente para o aparelho, esperando qualquer coisa, menos o silêncio que veio em seguida. — Volta logo. É bem chato sem você aqui...

Segundos depois, Aomine soltou uma breve risada nasal, debochando intimamente de seu próprio comportamento. Mudara em vários aspectos, e em pouquíssimo tempo. Chegava a estranhar as atitudes e os pensamentos viajados que surgiam em sua mente de forma esporádica, porém já estava quase se acostumando. No começo foi bem tenso conviver com isso, mas agora tinha a certeza de que Taiga valia a pena. E muito. Ele era a única razão de estar abandonando seu egoísmo aos poucos.

— Só me resta dormir então... — Daiki murmurou para si mesmo, olhando do 'Até' para o a tela de seu notebook, onde ainda rodava o vídeo da loira exagerada. O pornô estava na metade, mas a vontade de assisti-lo diminuiu mais do que drasticamente.

A verdade é que preferia estar 'atuando' com Taiga naquele momento. Nesse caso teria muita química envolvida, e nenhum gemido falso... Apenas a voz grave e gostosa de Kagami cortando o silêncio de vez em quando, falando obscenidades tímidas em seu ouvido, pedindo por mais... Arranhando suas costas, beijando sua boca, abrindo cada vez mais as pernas para que fosse mais fundo...Gozando contra seu tórax, mordendo os lábios daquele jeito sexy e espontâneo...

Ou simplesmente dormindo apoiado em seu tórax, mostrando os caninos enquanto assistiam um filme engraçado, xingando os Lakers de todos os nomes feios existestes... Chamando-o de 'convencido de merda' após o moreno fazer uma de suas piadas nojentas e egocêntricas... Tentando incansavelmente vencer nos mano a mano — que não disputavam há tempos...

— Caralho, não é hora de ficar pensando nessas coisas. — Suspirou fundo com as lembranças que praticamente arrombaram sua mente, levantando-se em um pulo para escovar os dentes. — Vou precisar hibernar mesmo. Vai ser mais fácil.

~Kagami Taiga~

— Então você realmente sente minha falta, Ahomine? — O ruivo ainda desfrutava da sensação que a tsunami de alívio trouxe ao seu corpo, relendo a curta conversa que tivera com o moreno.

Kagami não achou que seria respondido de imediato no WhatsApp, e muito menos que Daiki reclamaria de sua demora para mandar a primeira mensagem. Será que ele o estava monitorando mesmo? Pensou, franzindo a testa, imaginando se o moreno seria capaz de fazer tal coisa. Se sim, talvez não fosse um sentimento tão unilateral quanto imaginava...

— Você gosta de mim, não é? — Sussurrou para o celular, com um sorriso bobo brincando nos lábios. — Deve gostar. Não ficaria agindo como um retardado se não fosse por isso... Não é, idiota?

— Taiga? — O inglês com sotaque nipônico de Kagami Cho ecoou às suas costas, fazendo-o virar imediatamente, um pouco alarmado. — Tudo bem?

— Ah, sim, só avisei a um... Amigo... Que eu cheguei. — O ruivo enrubesceu e sorriu sem jeito ao agitar o celular em suas mãos, encarando os olhos vermelhos e profundos de sua mãe. Eram iguais aos seus, mas naquele momento estava sendo um pouco perturbador fitá-los.

— Amigo é? — Ela balançou a cabeça negativamente, com um sorriso pequeno surgindo nos lábios finos. — Você não sabe mentir, amor. — Cho maneou o rosto com delicadeza, para que a lisa franja ruiva saísse da frente de seus óculos ovais. — Vamos? Seu pai quer muito te ver. Ele acabou de chegar.

— Vamos sim. — O ruivo assentiu sem graça, colocando o celular no bolso ao acompanhar a mãe pelo corredor. Poderia ficar conversando com Daiki por incansáveis minutos, mas sabia que por enquanto não seria bem assim... As horas trocadas não permitiriam.

***

A discreta decoração verde, branca e vermelha de Natal já tomava espaço nos cômodos amplos e claros da antiga casa de Taiga, dando ao local um ar menos futurista e frio. Desde criança o ruivo sempre achara o lar desnecessariamente grande para apenas três pessoas morarem, mas com o tempo começou a entender o patamar onde seus pais se encontravam. Eles eram bem influentes, ocupavam altos cargos que praticamente exigiam aquele tipo de exagero.

Taiga demorou alguns anos para se dar conta, mas ambientes assim não faziam muito seu estilo — era uma pessoa largada demais para se enquadrar ali. Gostava mesmo é de seu apartamento pequeno e vazio no Japão. Não que morar sozinho do outro lado do planeta fosse comum para alguém com apenas 16 anos de idade, no entanto, mesmo ali em Los Angeles, ficava solitário praticamente o tempo todo, então quase não fazia diferença... Seus pais eram sempre muito ocupados com o trabalho, raramente paravam em casa.

Exatamente como agora, no café da manhã...

As férias de seu pai, Kagami Ichiro, nunca foram um tempo de descanso, já que ele estava à frente do departamento internacional de vendas em uma grande exportadora de Los Angeles. Ele mal chegara de uma breve viagem nacional e já precisou sair novamente, para uma reunião de última hora — à qual ele fora convocado apenas por ter grande influência e conhecimento sobre certos assuntos internos. Em resumo, quase nem tiveram tempo para conversar durante o café da manhã. Apesar de inesperado, aquele não foi um fato incomum na vida de Taiga, então já não ficava mais tão incomodado.

Sua mãe, Kagami Cho, trabalhava na mesma empresa de seu pai e exercia uma função parecida, no entanto ela conseguira — misteriosamente — arranjar um tempo para passar apenas com o ruivo. Taiga perguntava-se até quando seria assim, mas realmente ficou feliz ao ver o esforço da mãe.

E assim era a vida de sempre em Los Angeles.

— Amor, você deve estar bem cansado, não é? — Cho perguntou, com os dedos entrelaçados, repousando ao redor da xícara.

— Sim, o fuso-horário... — Kagami confirmou, pegando seu oitavo donuts de chocolate, mesmo após comer uma grande leva de ovos com bacon. Não era a toa que sua filosofia de vida era: 'Coma bem, viva bem'. — Lá no Japão deve ser perto da meia-noite agora, então estou com bastante sono.

— Eu imagino. — Ela assentiu, olhando para o relógio de pulso. — Tome um banho e durma um pouco, ainda é cedo. Sei muito bem como viagens internacionais são cansativas.

— Com certeza são. Parece que joguei uma partida de basquete por horas seguidas. — O ruivo comparou, de boca cheia, olhando brevemente para o celular que deixara em cima da mesa. Não era como se estivesse esperando, mas bem que Daiki poderia mandar um Whats falando qualquer merda.

— Ah, sabe quem ligou aqui em casa ontem a tarde? — Cho o questionou de uma forma levemente agitada, como se tivesse acabado de lembrar do fato.

— Quem? — O ruivo perguntou, distraído, deixando o celular de lado para prestar atenção em sua mãe.

— O Himuro-chan. — Ela respondeu com a feição séria.

— Jura? — Kagami parou de mastigar brevemente, um pouco surpreso. — E o que ele queria? — Franziu as sobrancelhas bifurcadas.

Será que Tatsuya se enganou com as datas? Estranho...

— Bem, ele foi muito gentil, como sempre. — Ela comentou, passando o dedo despreocupadamente pela borda da xícara. — Conversamos sobre coisas irrelevantes, como a escola, sua habituação com o Japão... Mas em resumo ele queria o número do seu celular de Los Angeles. E eu passei. — Cho acrescentou, erguendo o olhar para avaliá-lo.

— Não faz mal. — O ruivo sorriu de canto, tomando o último gole de seu café, que já estava frio à essa altura. — Vamos nos encontrar no Jimmi's, dia 26. Ele deve querer conversar a respeito.

Após terminar a frase, Kagami finalmente se deu conta do quão contente estava com aquilo tudo. O sorriso foi inevitável.

Nos últimos tempos sua mente encontrava-se tão focada em Daiki e em suas próprias dúvidas, que praticamente deixara o irmão de lado. Praticamente não, deixara ele completamente de lado, e de uma forma bem egoísta ainda por cima. Himuro era uma pessoa de grande importância em sua vida, e não apenas por terem sido grandes amigos na infância e adolescência, mas também porque ele o ensinou infinitas coisas — a jogar basquete, inclusive. O ruivo sabia que tinha um sentimento gigante por Tatsuya, mas fraterno, completamente diferente do que nutria por Aomine. Agora tinha certeza disso.

Estava feliz demais por terem decidido recomeçar.

— Você dois...? — Cho começou a pergunta de forma lenta e cautelosa, encarando-o, séria.

— Não, não! — Taiga apressou-se em responder, balançando a cabeça para reforçar a negação. Não precisava ser muito esperto para saber onde sua mãe queria chegar. — Tatsuya e eu somos apenas amigos agora. Eu... Eu realmente estava enganado naquela época. Confundi as coisas, amizade com... 'paixonite'. — Franziu a testa, incomodado, ao usar a palavra. Era brega demais.

— Eu já sabia desde quando você me contou, mas o deixei caminhar com suas próprias pernas. Assim você pôde crescer. — Ela sorriu de canto, com um ar sábio pairando em seu semblante de meia idade. — Fico satisfeita em saber que vocês dois resolveram a situação de forma madura, e que ainda se falam. — Cho olhou brevemente para o próprio celular, que vibrou uma única vez em cima da mesa, mas logo voltou-se para o ruivo. — Porém, mesmo assim, acredito que você ainda é novo demais para namorar, Taiga. Deve focar nos estudos agora... Já te disse isso antes, mas parece que você não seguiu meu conselho. Suas notas estão bem baixas. — A última frase soou um pouco mais severa.

— Eu sei. — Taiga suspirou com pesar, procurando raciocinar rapidamente para desviar o assunto. A última coisa que queria agora era comentar sobre seu horrível desempenho em sala de aula. Por que ela não falava sobre o basquete? Se fosse assim, com certeza a deixaria orgulhosa. Ou será que deveria contar sobre Daiki?

No final das contas Kagami nada disse, foi interrompido pelo próprio bocejo.

— Vai deitar, amor. — Cho sorriu gentilmente, acariciando suas madeixas vermelhas ao levantar-se da cadeira. — Quando seu pai voltar, nós conversaremos mais sobre isso tudo. — Ela continuou, já se dirigindo até a porta branca e grande da cozinha, com o celular em mãos. — Vou deixar uma toalha limpa em seu banheiro, ok?

— Ok. Obrigado mãe. — Taiga sorriu de canto, realmente agradecido. Ela também sorriu como resposta, encarando-o por poucos segundos antes de continuar seu trajeto.

Assim que os ecos dos passos de Cho sumiram pela sala, o ruivo levantou-se preguiçosamente e roubou um último donuts de chocolate, colocando-o inteiro na boca. Era estranho olhar pelo vidro da janela e ver o sol de inverno iluminando a cidade desperta, quando na verdade estava ali morrendo de sono, como um zumbi... Se ainda estivesse no Japão, com certeza estaria dormindo. Talvez até mesmo com Aomine roncando baixo em seu ouvido.

Com um suspiro de evidente cansaço, o ruivo saiu da cozinha de azulejos cerâmicos e impecáveis, caminhando pacientemente até o pé da escada. Nesse pequeno trajeto, percebeu que costumava andar mais rápido antigamente... Provavelmente pegara o costume daquele idiota preguiçoso. Sorriu com o pensamento, balançando negativamente a cabeça.

***

Los Angeles — 3h da manhã

Ficar como um idiota encarando o teto durante a madrugada... Outro motivo que levava o ruivo à odiar o fuso-horário. E o pior, a casa era enorme, fantasmagórica, soltava alguns barulhos e estalos estranhos, ecos desconhecidos provenientes da cozinha, gotas do chuveiro pingando no azulejo do cômodo ao lado... E por aí vai.

Após dormir até perto das 18h, todo o sono de Kagami se extinguira, como era de se esperar. Agora, enquanto sua mãe repousava tranquilamente no térreo da casa (sozinha também, pois seu pai tivera outra viagem de última hora), Taiga estava ali, acordado, passando um grande incômodo com os ruídos estranhos. O único ponto positivo era que Daiki estava acordado também — no Japão deveria ser aproximadamente umas 19h agora —, então estavam trocando alguns Whats esporádicos há um longo tempo.

Kagami Taiga: O que você está fazendo agora?

Aomine Daiki: Lasanha. Descobri que sou bom nisso tbm.

— 'Também'. — O ruivo repetiu a palavra, de forma irônica. — Você é um metido, isso sim. — Começou a rir, mas controlou-se para não acordar sua mãe. A última coisa que queria era levar outra bronca. As palavras severas que Cho soltara durante o jantar, sobre suas baixas notas, já foram o suficiente por um dia.

Kagami Taiga: Vai morrer só comendo essas coisas congeladas.

Aomine Daiki: A Satsuki vm jantar aki. Melhor comer coisas congeladas dq a comida envenenada dela.

Kagami Taiga: Hm. Entendi.

Não era como se estivesse com ciúmes da Momoi, mas sentiu uma conhecida pontada chata no interior de seu estômago. Essa bosta estava ficando cada vez mais comum, e não gostava nem um pouco da sensação... Entretanto, foi inevitável. Ela e Daiki eram bem próximos, estudavam juntos há anos, estariam sozinhos em casa — provavelmente no quarto dele —, ela tinha peitos enormes e ele gostava de peitos... Claro que era ciúme!

— Porra Taiga, pare de ser ridículo. — Irritou-se consigo mesmo, fechando os olhos com força. A última coisa que queria era ser inconveniente, possessivo e viajar com paranoias bestas. Não era nem um pouco de seu feitio agir dessa forma... E nem sentir-se tão inseguro. Porém, isso também estava se tornando muito comum.

Aomine Daiki: Fez o q hj?

Kagami suspirou fundo para se livrar da sensação e dos pensamentos. Agradeceu mentalmente por ele mudar de assunto, e então começou a responder.

Kagami Taiga: Só dormi e jantei com minha mãe. E você?

Aomine Daiki: Dormi, comi, caguei o q comi e joguei video-game.

— Meu. Deus. — O ruivo revirou os olhos mais uma vez, sentindo os lábios repuxarem-se suavemente enquanto deslizava o dedo sobre a tela mais uma vez.

Kagami Taiga: Detalhes desnecessários não precisavam ser ditos.

Aomine Daiki: Ah é, esqueci q vc eh evoluído demais, então ñ caga.Rsrsrs.

— Meu caralho, por que diabos eu gosto de você? — O ruivo riu sozinho, escondendo o rosto com um das mãos. Não tardou a voltar para seu celular.

Kagami Taiga: Seu grau de cultura é invejável.

Aomine Daiki: Falou o grande conhecedor dos segredos do universo...

Kagami Taiga: Vai se foder. De onde você tira tanta merda pra falar?

Aomine Daiki: Sei lá. Só falo essas bostas c/ vc mesmo.

Kagami Taiga: Não sei dizer se isso é bom ou ruim.

Aomine Daiki: É bom. Poucas pessoas merecem minha atenção integral, vc sbe.

— É. Sei sim. — O ruivo sorriu de orelha a orelha, satisfeito com a resposta. Já se acostumara com o jeito arrogante, então aquelas frases não tão ambíguas eram sempre bem-vindas.

Aomine Daiki: A Satsuki chegou. Vou sair.

— E pelo jeito a Momoi também merece sua atenção. — Ironizou com a voz desanimada, mas logo repreendeu-se por uma atitude tão ridícula. Não era Kagami Taiga falando ali, e sim uma menininha de doze anos de idade. — Por que amigos não podem jantar juntos? Claro que podem! — Tentou se convencer, já escrevendo novamente.

Kagami Taiga: OK, boa janta pra vcs.

Aomine Daiki: Só ñ fique com ciúmes, blz?

Kagami Taiga: Morra. Mas antes saiba que não sinto ciúmes de você.

Aomine Daiki: Assim como eu tb ñ sinto d vc, idiota. Rsrsrs.

Kagami Taiga: Eu sei. Até.

Aomine Daiki: Té dps, Bakagami.

Kagami Taiga: _|_

Aomine Daiki: _|_

— Bem que você podia estar mentindo assim como eu, não é? — Kagami perguntou para o celular, encarando o aparelho por alguns segundos. — Claro que tenho ciúmes, idiota... Boa noite.

Com um suspiro, o ruivo colocou o celular em baixo de seu travesseiro e deitou-se de bruços na cama — era a posição mais confortável. Agora era só esperar o sono chegar, ou a Satsuki sair de lá para voltarem a conversar. Ou os dois... Ou nenhum.

***

~Himuro Tatsuya~

Impaciente, Himuro abriu os olhos e fitou o escuro de seu quarto, revirando-se na cama em busca de uma posição melhor para deitar. Como esperado, não estava encontrando. Se virasse para o lado direto não era capaz de respirar normalmente, se fosse para o lado esquerdo seu braço de apoio doía, de barriga para cima era pouco confortável, de bruços sentia muito calor...

Fuso horário é um saco! Pensou, irritado, pela milésima vez. Após alguns segundos de reflexão silenciosa, sua insônia o levou à uma ótima conclusão, que o fez sorrir satisfeito. Agradeceu mentalmente por sua sapiência.

— Provavelmente não sou o único que está estranhando as horas trocadas. Não é, Taiga? — Tatsuya perguntou ao ar com um leve sorriso, sentando-se na cama e apoiando-se à cabeceira. Como reflexo, seus dedos finos apanharam o celular que sempre ficava em cima do criado mudo, desbloqueando a tela já em seguida. — Hm... — Murmurou com desgosto, fechando os olhos assim que a luz o cegou momentaneamente.

Quando se acostumou com a claridade, abriu o WhatsApp e começou a digitar uma breve mensagem para Kagami. Enquanto procurava as palavras certas para iniciar a conversa, Himuro vibrou mentalmente por ter tido a coragem de ligar para a residência da mãe do ruivo, pedindo o número de seu celular. Sua breve estadia em L.A. tinha tudo para valer a pena.

— Hm, é... Acho que vou ligar para ele também. — Mudou de ideia na última hora, fechando o aplicativo e discando para o ruivo. Bastou chamar duas vezes.

— A-alô? — O tom alerta de voz soou de uma forma engraçada, ainda mais com um inglês recheado de sotaque nipônico. Himuro precisou segurar a risada, imaginando a feição dele naquele momento. Provavelmente Kagami assustou-se ao receber uma ligação de um número estranho no meio da madrugada.

— Oi Taiga, sou eu. — Tentou tranquilizá-lo, falando em japonês.

— Tatsuya? — A voz soou menos alarmada, ao reconhecer a sua.

— Isso. — Confirmou com um largo sorriso, colocando o travesseiro como apoio para suas costas. — Desculpa ligar há essa hora, mas o fuso-horário não me deixa dormir... Então pensei em te ligar. Fiz mal?

— Claro que não. Pode me ligar quando quiser — Kagami respondeu, soltando um suspiro, nitidamente aliviado. — Eu estava acordado também. Sem sono.

— Dormiu a tarde inteira, no mínimo? — Himuro perguntou, brincando com o anel em seu pescoço. Essa ação tornara-se um verdadeiro hábito, quase um cacoete.

— Sim. Como uma pedra. — O ruivo concordou. — Acordei perto das 18h, só para jantar.

— Ah, foi assim comigo também. — O rapaz afirmou, mal conseguindo camuflar a animação por estar conversando com Taiga de uma maneira tão natural e agradável. Lembrava muito os velhos tempos.

— Enfim... Tudo certo com você? — Kagami perguntou, com a voz baixa, provavelmente para não acordar ninguém.

— Tudo sim, só estou impaciente com a insônia. — Tatsuya comentou, franzindo a testa. — E o pior de tudo é saber que amanhã a tarde estarei andando por aí como um zumbi, cheio de olheiras.

— Estaremos, você quis dizer! — Kagami sorriu do outro lado da linha, levando Himuro a fechar os olhos, satisfeito.

Como podia gostar tanto de Kagami? A verdade é que tinha milhões motivos para simplesmente deixá-lo para trás, para se depreender, procurar outra pessoa e seguir em frente... Mas não conseguia. E não queria. Tinha que ser ele, seu coração queria ele!

— Ei Taiga, quer fazer alguma coisa amanhã, ou prefere esperar pelo dia 26 mesmo? — Sugeriu, num impulso, mal escondendo o quanto almejava vê-lo. Estava com muita saudade, droga! Que se dane tudo.Não precisavam ficar se enrolando para começar do zero...Quanto antes, melhor.

— Sinceramente... Não tenho muito o que fazer aqui em casa. — Ele disse com a voz pausada, um pouco hesitante de início. — Por mim pode ser, eu acho.

— Ótimo! — Himuro não conteve o sorriso, pensando rapidamente no que poderiam fazer no dia seguinte. — Hm... Você ainda tem o seu skate por aí ou levou para o Japão?

— Ai ai ai... Fodeu. Ele está aqui em baixo da minha cama. — O ruivo riu, fazendo com que o sorriso de Tatsuya aumentasse ainda mais. — Só preciso pegar a manha do equilíbrio novamente, mas acho que consigo andar de boa.

— Podemos ir naquela pista menor, perto da quadra de basquete. É mais vazia... O que acha? — Himuro questionou, lembrando que o local era coberto, e por isso a neve não iria atrapalhar. Apesar de que em L.A. não era tão frio ao ponto de nevar sempre.

— Acho que sim. — Kagami concordou, fazendo uma breve pausa antes de continuar. Parecia estar pensando. — Depois a gente pode ir na cafeteria que tem ali do lado... Né?

— Verdade! Tem a cafeteria! — Tatsuya mordeu os lábios, recordando-se do bolo de chocolate que comeram uma única vez no local. — Só sua mente de obeso para lembrar daquilo.

— Comer nunca é demais.— O ruivo disse com um ar orgulhoso na voz. — E, na boa... Eu jamais esqueci aquele bolo. Foi o melhor que comi na vida.

— Concordo. — Himuro confirmou, quase sentindo o gosto do doce em sua boca. — Ok, então amanhã te espero lá na praça, como a gente sempre fazia?

— Isso. — O ruivo concordou, evidentemente animado, mas mantendo o tom baixo de voz. — Vai ser legal.

— Vai sim. — Himuro concordou, fechando os olhos, satisfeito com tudo o que estava acontecendo. Era bom demais para ser verdade, sentia inclusive as borboletas perambulando por seu estômago.

— Então acho que a gente deveria tentar dormir. — Kagami sugeriu, com a voz mais vagarosa. — Nunca vi zumbis andando de skate.

— Idiota. — Tatsuya obrigou-se a rir da piada, balançando negativamente a cabeça. — Por mim tudo bem. Darei um jeito de pegar no sono então.

— Eu também vou tentar. — Taiga afirmou, decidido. — Bem, boa noite para você Tatsuya!

— Boa noite. — Suspirou, sentindo o corpo relaxar completamente. Isso acontecia apenas quando estava muito feliz ou realizado com algo. — É bom saber que estamos voltando a ser amigos... Como antes. Fico contente.

— Estou bem feliz com isso também. — O ruivo comentou, um pouco sem jeito. — Bastante mesmo.

— Sei que sim. Você é uma pessoa muito importante para mim Taiga, e isso nunca mudou... — Himuro acrescentou, mordendo os lábios em um sinal de apreensão. Não queria apressar as coisas e estragar seus próprios planos, mas decidiu ser um pouco transparente dessa vez. Gostaria que Kagami conhecesse, aos poucos, cada um de seus sentimentos, um por um — os sentimentos que não revelou quando teve a chance.

— Você também é importante para mim, Tatsuya. Sempre foi. — O ruivo admitiu com timidez, em um tom baixo de voz. A frase deixou Himuro tão eufórico que poderia simplesmente levitar naquele instante. — Bem... A gente se fala melhor amanhã então. — Ele finalizou com uma breve risada nasal.

— Sim. — Tatsuya concordou, mal controlando o sorriso que se abria em seu rosto. — Até mais, Taiga!

— Até. — A voz grave de Kagami foi substituída pelos bipes da linha caída em poucos segundos.

Apesar de a conversa ter sido mais breve do que o planejado, uma sensação boa dominava todo o âmago de Tatsuya, como se um pressentimento positivo o invadisse com mais intensidade a cada minuto. Estava tão feliz por ter arrancado sorrisos de Taiga, por terem dialogado abertamente com ele, por estarem se dando bem mais uma vez... Com certeza passariam uma tarde muito agradável. A primeira delas!

Com parcimônia, revelaria à Taiga cada um dos seus sentimentos, e mostraria à ele também o seu verdadeiro lugar: Ao seu lado. Por algum motivo, Tatsuya sentia que tudo daria certo dali para frente, mesmo que Kagami estivesse de rolo com aquele Daiki maldito.

Superara tanta coisa até chegar àquele ponto, então com certeza pularia mais esse obstáculo de quase dois metros de altura... Seria mais fácil do que aparentava.

Sonhador, Himuro recolocou o celular em cima do criado-mudo e pôs-se a fitar o teto, acostumando-se gradativamente com a pouca luz que entrava pela janela. Agora a ansiedade seria outro empecilho para seu sono, mas não se importava... Só queria que as horas passassem mais rápido, e que o dia seguinte chegasse instantaneamente.

— Boa noite, Taiga... — Murmurou, acariciando o anel uma última vez antes de fechar os olhos. — Eu te amo.

***

~Aomine Daiki~

Tóquio — 20h28min

— Eu ouvi direito? Você vai pedir o Kagamin em namoro? — Satsuki franziu a testa, desviando o olhar da TV pela primeira vez. Passava um show ao vivo da banda The Gazette em um canal pago da televisão japonesa, do contrário ela não teria ido até sua casa naquela noite.

— Sim. Vou pedir quando ele voltar. — O moreno murmurou, despreocupado, jogando a quarta partida de Fruit Ninja em seu celular. — Decidi agora a pouco.

— Como assim 'decidi agora a pouco'? — Ela questionou, incrédula, voltando toda sua atenção para Aomine. — Dai-chan, olha para mim.

— Hm? — O moreno murmurou impaciente ao parar o joguinho, levantando o rosto para encará-la. Era evidente a surpresa na face da amiga... Chegava a ser cômico.

— Dai-chan, você vai mesmo namorar com o Kagamin? — Ela perguntou com os olhos estreitos, como se estivesse esperando uma risada de Daiki, ou um aviso de que ela caíra em uma pegadinha. Porém nada disso aconteceu. — Mas namorar do tipo: Sair na rua de mãos dadas, dar chocolates no White Day, usar alianças e assumir para todo mundo... Ou apenas vai ficar entre vocês dois como um segredo.

— Não sabia que haviam classificações para namoro. — O moreno levantou uma das sobrancelhas, confuso. Ironizou em seguida. — No Google não falava nada sobre isso.

— Ah, idiota, você me entendeu! — Ela inflou as bochechas, irritada, encolhendo melhor as pernas no sofá, que antes estava coberto por várias peças de roupa e objetos aleatórios de sua mãe.

— Olha Satsuki, não sei de que 'tipo' vai ser, se é que tem tipo. — Aomine suspirou e deu de ombros, desviando o olhar para a tela inanimada de seu celular. — Só quero que o Taiga saiba que gosto dele de verdade. Fim.

— Nunca imaginei que ouviria você falando essas coisas. — Ela soltou um suspiro suave, falando com a voz levemente afinada. — Ainda mais a respeito do Kagamin.

— Nem eu. — O moreno soltou uma risada nasal e debochada, voltando ao Fruit Ninja, no qual conseguiu cortar seis frutas de uma só vez, já de primeira. — É estranho pensar que isso foi acontecer justo com o Bakagami... Não sei como explicar, mas de todas as pessoas que conheço, ele é a minha preferida.

— Ai meu Deus, Dai-chan! — Satsuki escandalizou de forma repentina, com a voz mais fina ainda, chamando imediatamente sua atenção. — Mande uma mensagem, ligue, viaje para Los Angeles, qualquer coisa... Mas fale isso para o Kagamin nesse exato momento. — Ela pediu, com os olhos brilhantes, segurando a manga de sua jaqueta. — Sério, foi muito fofo.

— Ah, cala a boca Satsuki. — O moreno revirou os olhos, livrando-se imediatamente do contato. — Lá vem você com seus exageros. Sabe que não gosto disso.

— Mas deveria... Seu lado romântico é muito bonitinho, sabia? — Ela sorriu radiante, apoiando o rosto em sua mão fechada em punho.

— Não sou romântico. — O moreno exasperou-se, cortando uma bomba no jogo. — Ah, merda, perdi. A culpa é sua. — Ergueu o olhar irritado para a amiga. — Pare de me olhar assim. Assista lá sua banda e me deixe jogar aqui. — Disse de forma ríspida, apontando o dedo indicador para o rosto dela, de forma acusatória. — E pare de me fazer falar essas coisas.

— Seu bobo! — Ela riu, balançando a cabeça. — Eu não fiz você falar nada, foi seu coração. Você gosta dele há tempos, não é?

— Ah, me poupe, Satsuki! — O moreno franziu a testa, sentindo o rosto esquentar. Voltou a atenção imediatamente para o joguinho do celular.

— Acha que não te conheço? — Ela riu de sua reação, abraçando as pernas dobradas. — Sei que você gosta do Kagamin desde o dia em que emprestou o tênis para ele... Desde quando veio me falar sobre o destino ter colocado ele no caminho da Geração dos Milagres... Desde quando você se levantou no meio da arquibancada e gritou como um doido para incentivá-lo, na final da Winter Cup.

— Nada a ver. — Daiki engoliu em seco, cortando mais uma bomba e perdendo outra partida do Fruit Ninja. — Foi bem depois disso tudo. Só quando a gente começou a jogar juntos na quadra do Maji...

— Acho que nessa hora você só decidiu admitir para si mesmo. — Ela apontou, voltando a atenção para o show que era transmitido. — Mas antes o sentimento já estava aí dentro, tanto é que você o convidou para jogar todas as vezes. E ainda por cima falou de sua claustrofobia!

— Argh, chega de melosidade, ok? — O moreno levantou-se em um pulo, derrubando o celular no sofá. — Quer suco? — Perguntou irritado, olhando para ela.

— Quero sim, Dai-chan. Meio copo está bom. — Satsuki virou o rosto e o encarou com uma típica expressão bonitinha, que quase fez o moreno querer chutá-la.

Por que diabos ela o conhecia tanto? Pensou, dando passos largos até chegar à cozinha. Bufou, tentando não pensar na grande quantia de verdades que Momoi falara em tão pouco tempo. Mas não era bem assim também... Taiga com certeza o chamara atenção desde a vitória na Winter Cup, no entanto isso não significava que começou a gostar dele naquele momento. Só passou a adimirá-lo um pouco.

Mas sim, precisava admitir que Kagami entrou em sua vida de forma bem espontânea, tipo destino mesmo... Começou como um nada no basquete, e agora provavelmente se tornaria seu namorado em poucas semanas. Daiki precisou sorrir discretamente, pensando no quanto queria que as horas passassem mais rápido. Não era como se dependesse dele para seguir com sua rotina, mas a presença do ruivo com certeza o deixava mais a vontade.

— Pronto... A melosidade de Satsuki é contagiante, só pode. — Rosnou, percebendo o rumo de seus pensamentos.

Com um suspiro, tateou o bolso para mandar um maldito Whats de boa noite para o ruivo. Mas, para seu alarme, não o encontrou ali.

— Não ouse mexer no meu celular, Satsuki! — O moreno berrou, voltando apressado para a sala, sem sequer pegar o suco que fora buscar. Não queria nem imaginar as palavras açucaradas e gosmentas que ela mandaria para Kagami se estivesse com aquilo em mãos.

Apesar de que nada do que ela dissesse seria uma verdadeira mentira... Apenas não condizia com sua forma de se expressar.

Notas finais
Uhhh... Capítulo corrido e cheio de acontecimentos simples!!! Mas aí está /o/ Espero que tenham gostado! ~Novamente, desculpe pela demora! Em resumo, Bakagami sempre Bakagamiando com seus pensamentos inseguros e inocentes, Ahomine sendo um Aho egoísta e secretamente apaixonado... E o Himuro com seus romances maquiavélicos em mente xD Capítulo 13 vem por aí... O que será que vai acontecer em L.A.? Música do dia: Wonderwall - Oasis: https://www.youtube.com/watch?v=bx1Bh8ZvH84 Bem... Escrevi o dia todo e estou bem exausta por causa disso! Amanhã darei uma nova conferida no capítulo... Qualquer erro me avisem, ok? Vejo vocês nos comentários (sim, agora que minha vida está retornando ao meu corpo, poderei respondê-los *o*) OBRIGADA por terem chego até aqui! Sério mesmo *o* Um beijão enoooooooooooooorme da Lana-chan! ;**********************************************