Limite dos mundos

1 Capítulo 1- Paralelos


Notas iniciais
Olá, sejam bem vindos a essa nova Fanfic.

Quem me acompanha sabe que geralmente só escrevo textos do gênero Yaoi e Sobrenatural, mas baseada em um sonho meu, resolvi arriscas desta vez no mundo da magia e aventura.

Gostaria de agradecer a todos desde já, a leitura e o acompanhamento de vocês é muito importante para um escritor.

Quero agradecer também a minha Beta ^^

Espero sinceramente que todos gostem muito e se divirtam o mesmo tanto que eu me divirto escrevendo.

Um beijo e boa leitura ^^

Mais uma vez, esta semana levantei da cama sem precisar acordar. Refém de pesadelos estranhos e obscuros, nem o banho nem o café puro fazem com que meus olhos pesem menos.
Isso já virou uma rotina insuportável. Há mais de um mês sofro com a insônia que meus pensamentos e sonhos vêm me causando. No começo achei que era apenas uma fase, um efeito tardio à maratona de filmes de terror, mas depois da décima noite em claro e das reclamações que antes nunca havia tido no colégio, comecei a me preocupar.
O que mais me incomoda nisso tudo é que sempre sofro com o mesmo pesadelo, o mesmo lugar, os mesmos detalhes e o mesmo sentimento de perda e nostalgia. É como um filme em lup eterno, com pequeninos detalhes que raramente mudam. O fato de saber e sentir quando até mesmo uma árvore muda de lugar em relação ao sonho anterior mostra o tanto que já estou saturada.
Recosto a cabeça em meus braços cruzados sobre o balcão da cozinha, soltando um longo suspiro alguns segundos depois.


— Estou farta... — sussurro comigo mesma, relembrando o último detalhe novo e intrigante de meu sonho.


— Éris, querida — mamãe diz adentrando a cozinha com seus saltos ruidosos — Termine seu café, o ônibus já está para passar.


— Tudo bem, mamãe — respondo, bocejando em seguida e tomando meu último gole de café.


— Pela sua carinha vejo que não dormiu de novo, não? — simplesmente aceno um sim com a cabeça, com sono demais para responder — Ainda tendo pesadelos estranhos? — novamente, apenas movo a cabeça em um sim, indo até a pia para lavar minha xícara. — Vou ligar para Rachel, ela pode te passar algum remédio para essa insônia.


— Não quero, mamãe, já tentamos isso há duas semanas e o resultado foi nenhum. Fique tranquila, eu vou melhorar. — os olhos dela denunciam sua insatisfação e dúvida com minha resposta, mas ainda sim ela assente e se aproxima, beijando minha testa.


— Tudo bem, querida, só lembre-se de me pedir ajuda caso precise — retribuo o beijo, indo até o balcão e colocando minha mochila sobre os ombros. — Filha — ela chama, fazendo-me virar para vê-la. O ônibus buzina lá fora. — Lembre-se que nada do que vê em seus sonhos é real, tudo bem?


— Eu sei, mamãe — respondo acenando e saio de casa, apressando o passo e subindo no ônibus já quase lotado.


Mamãe sempre me diz o mesmo quando conversamos sobre meus pesadelos. Talvez o que me conforte um pouco sejam as palavras dela.


Sentada no último banco do ônibus, puxo minha mochila do chão para fechar direito o zíper. O barulho de plástico vindo dela me chama atenção e, ao abri-la, encontro um saquinho com biscoitos e um bolinho. Sorrio lendo o pequeno papel preso junto ao saquinho: “alimente-se no intervalo, não será perdoada se não comer.” — Mamãe.


Mamãe trabalha em um escritório como assistente de uma famosa estilista. Apesar de ter os dias sempre lotados com o trabalho, ela nunca deixou de dar atenção a mim. Sempre conversamos quando ela chega, e aos finais de semana ela arranja algum programa legal para fazermos.
Perdi meu pai há dois anos... Tudo foi muito difícil já que o carro caiu no lago e o corpo nunca foi encontrado. Muito foi especulado, até que eles finalmente desistiram. O caso foi reaberto depois que o lago foi drenado e alguns pertences de meu pai foram encontrados, mas mamãe não quis que isso acontecesse, entrando até com um processo para que o caso ficasse fechado e inconclusivo. Desde essa época minha mãe tem feito o papel de pai também, não permitindo que eu desistisse da vida.
“Você é incrível, Mary Dave Turner” — penso com um sorriso sincero nos lábios.

O ônibus para em mais um ponto, os últimos alunos entram e logo posso ver Lilian se jogando no banco ao meu lado, colocando os braços em volta do meu corpo e apoiando sua cabeça no meu ombro.


— Lil? — chamo rindo quando ela finge estar roncando.


— Só mais dez minutos, Eri — resmunga quando a empurro para o lado.


— Daqui até a escola são só cinco minutos, Lil, ande, me conte as novidades. — perturbo, ganhando um rosnado em troca. Rio quando ela recosta a cabeça no banco e, contando nos dedos, começa a enumerar os acontecimentos.


— Mamãe brigou com Drake, Drake foi embora, eu comemorei, mamãe brigou comigo, Dragon comeu meu peixinho dourado e eu passei o dia caçando ele. Chega? — pergunta enquanto eu seguro o riso.


— Acho que já está bom. Se seu gato vive comendo seus peixes, por que você simplesmente não tampa o aquário?


— Porque eu ainda confio que ele irá mudar — ela resmunga fazendo cara de choro.


Lil é minha melhor amiga. Nos conhecemos quando eu mudei de escola, há quatro anos. Por sermos bem diferentes das outras pessoas, sempre fomos isoladas de todos, e graças a isso talvez sejamos tão unidas hoje em dia.


— Mas então, e quanto ao Drake, o que houve dessa vez? — pergunto, já imaginando o que o aspirante a padrasto fez.


— Ah, nem sei por que minha mãe ainda está com ele, o cara é um mala! Sem falar que ele não ajuda em absolutamente nada desde que mudou lá pra casa. Ontem a briga foi por uma conta de água não paga, mamãe surtou, mandou ele embora e depois se arrependeu, dizendo que não era pra tanto e que ligaria hoje para se desculpar. O que você acha que vai acontecer? — pergunta, sarcástica.


— Os dois vão voltar pela milésima vez.


— Bingo, minha querida Éris Turner! — fala batendo sobre a mochila em seu colo.


Nos entreolhamos por uns segundos e depois rimos juntas. Geralmente nossas conversas sobre assuntos mais sérios sempre acabam assim: as duas se entreolhando e rindo.


O ônibus finalmente para na sua vaga em frente à escola. Todos os alunos se levantam e se apertam no estreito corredor. Eu e Lil ficamos para trás, evitando a bagunça e os empurrões. Em seguida descemos, seguindo para a sala. Como sempre, as primeiras a adentrar a escola antes do sinal.


— Você está com uma cara de zumbi, Éri, só tinha percebido agora — ela fala enquanto eu bocejo e me jogo na cadeira.


— Não é nada demais, só não tive uma noite muito agradável graças aos meus malditos pesadelos — respondo ouvindo o sinal soar do lado de fora, logo a sala estará cheia.


— Você precisa de um médico, desse jeito você vai acabar pifando!


Os alunos começam a entrar na classe e nós paramos de conversar. Já somos consideradas estranhas pelas roupas e cabelos que usamos, imagina se nos virem falando de um pesadelo sombrio e contínuo que atormenta minha mente?
Lil sabe de tudo sobre mim, e obviamente também conhece meu recente problema com esses sonhos. Desde o primeiro dia que comentei sobre isso, ela vem tentando me acalmar e ajudar até com aqueles sites que decifram seus sonhos, mas sem sucesso.
A sala toda se cala quando o professor de química entra na sala. Joshua é um rapaz bonito de uns vinte e poucos anos, mas isso não impede que ele seja o professor mais rigoroso que tenhamos.


— Bom dia. Página 102, e eu quero a primeira dupla para apresentar o trabalho de hoje. — curto e grosso, ele fala enquanto os livros são jogados sobre a mesa. — Vamos, Andy, e o trabalho? — ele pergunta para a garota que se encolhe na carteira, olhando para o parceiro. — Já vi que é zero. Segunda dupla. — Lil mexe em sua mochila pegando os tubos de ensaio, enquanto eu separo as folhas do trabalho. Joshua é imprevisível, pode nos chamar a qualquer minuto apenas para surpreender, melhor já deixar tudo separado.


Enquanto o trabalho da segunda dupla é apresentado, eu encosto a cabeça na parede e, me certificando de estar em um ponto cego para Joshua, fecho os olhos um pouco, descansando a vista. Aos poucos as vozes vão ficando longe... Longe...


Longe...


* * *


Eu estou no mesmo lugar de todas as noites. Próxima às ruínas do que parece ser um castelo, suspiro, cansada de ver a mesma cena. Cruzo os braços andando pela única trilha que existe nas folhas, uma trilha de pedras grandes e lisas. Eu já sei onde isso vai dar...
Caminhando mais um pouco, avisto a margem de um rio escuro e agitado, e no horizonte, uma floresta devastada. Me agacho perto da margem, levando uma das mãos à água. O liquido não é cristalino, é mais grosso e prateado, o cheiro é forte, diferente de tudo que eu já senti um dia. Fecho os olhos por um segundo ouvindo o som que já me é familiar... Eu não quero ver essa cena novamente... Já sei que são corpos de animais e seres estranhos que caem na água a tingindo de um vermelho vivo.
Afasto-me da margem sem olhar para trás, ouvindo as três explosões seguidas e vendo o céu se encher de fagulhas coloridas. É estranho saber o que vem depois, é como assistir um filme mil vezes e o decorar... É como estar consciente dentro do sonho.
Tento mais uma vez fugir da trilha de pedras. Levo um dos pés para fora da trilha e, antes que eu perceba, minha pele se desfaz em mil pedaços, tornando-se pequenos pixels que se dissolvem. Cansada, suspiro e puxo a perna de volta às pedras, e meu pé, antes invisível, volta a aparecer, reconstruindo-se rapidamente. Por mais que eu queira, nunca consigo sair da trilha... E também nunca consigo ver o que tem atrás das grandes estacas de madeira logo à frente.
Impaciente, pego uma pedra pontuda do chão e a analiso, estudando curiosa os traços prateados que há nela. Volto a jogá-la no chão e chuto, vendo-a quicar até as árvores ao meu lado. Fico parada no mesmo lugar por alguns minutos, não era aqui que eu acordava?...
Intrigada, olho para trás vendo o rio e o caminho que percorri se dissolver lentamente. Isso nunca havia acontecido antes.
Um ruído me chama atenção e viro-me, mas não rápido o suficiente para desviar de uma pedra que atinge meu ombro com força.


— Ai! Mas que merda! — xingo, olhando para a pedra caída a poucos passos de mim. — Mas parece a que eu chutei...


Novamente o ruído me chama a atenção, dessa vez por três ou quatro vezes seguidas. O som é de folhas secas sendo pisadas. Encaro as árvores ao meu lado e forço os olhos para enxergar o que se movimenta por ali. Um grito sobe por minha garganta e levo as mãos à boca, o contendo.


— ÉRIS TURNER! — uma voz conhecida me arranca de meu sonho e eu solto o grito contido — Vejo que novamente não conseguiu dormir, não? — a voz de Joshua é alta, grossa. Finalmente percebo que eu estava dormindo na aula. Mantenho-me calada, envergonhada por ser o centro das atenções mais uma vez — Quero deixar claro uma coisa a todos vocês — ele começa afastando-se de mim, parando ao lado da porta — No dia que acordarem indispostos, não ousem botar os pés nessa escola! Fora da minha sala, Éris.


Sem discutir e já sabendo que meu destino era a diretoria, levanto-me arrumando as coisas dentro da mochila e caminho por entre as duas fileiras com a cabeça baixa.


— Éri, seu ombro! — Lil sussurra preocupada, mas antes que eu possa olhar para minha camiseta, um grito de Joshua percorre a sala, fazendo-me apertar o passo e sair de lá.


Recosto-me na parede, esperando que o professor venha para fora, me passe um sermão e chame o inspetor para me acompanhar até a diretoria.
Deixando minha preocupação com a possível suspensão de lado, encaro meu ombro direito que agora começa a latejar, tendo uma surpresa. Estou sangrando! Mas como?! Deus, será que aquela pedra... Não, impossível, foi só um sonho, não?! Antes que eu possa completar meu raciocínio, o click da porta sendo aberta me chama atenção.


— Eu nem vou perder meu tempo dessa vez — ele resmunga ao sair da sala e fechar a porta — Carter, olhe a sala por um minuto, vou levar essa senhorita até a direção — o inspetor apenas move a cabeça em um sim, adentrando a sala que parece estar uma bagunça — Vamos — ele resmunga e começamos a andar pelo corredor. Segundos depois ele para, me encarando — O que houve com você, afinal?! — ele pergunta, encarando o sangue aumentar em minha blusa.


— Eu... — o que eu digo?!


— Não interessa — diz estalando a língua nos dentes — Vá para a enfermaria rápido, quando terminar na direção vou até lá.


— Obrigada — sussurro ao sair em passos rápidos em direção à enfermaria. Assim que dobro o corredor, mudo minha rota e adentro o banheiro. Certificando-me de que não há ninguém, tranco a porta, corro até o espelho e com dificuldade retiro minha camiseta.


Por baixo da alça de meu sutiã azul-marinho, posso ver o ferimento... É como um pequeno corte... Um corte com o mesmo formato da pedra que havia me atingido...


* * *


No momento, eu estou dentro do carro com uma mãe totalmente carrancuda ao meu lado. Embora eu tente falar muitas vezes, só o olhar reprovador dela me gela a alma e me faz desistir.
Depois de alguns minutos no banheiro, fui para a enfermaria e fiquei quase vinte minutos lá, sendo interrogada e cuidada por Annie. Logo Joshua entrou na sala e me levou para diretoria, onde dei de topo com mamãe e o Diretor Sr.William. Ficamos mais meia hora discutindo minha situação até que o diretor optasse por me dar dois dias de "descanso", uma maneira mais branda de dizer suspensão.
Mamãe me tirou de lá diretamente para a casa de Rachel, que mesmo em seu dia de folga me levou para o consultório particular e me examinou, passando para mim, além de exames, um calmante fortíssimo.
E agora cá estamos, em um silêncio cruel onde nenhuma das duas partes tem vontade de dizer o quanto se sente mal, ou o quanto está decepcionada.
Mamãe estaciona o carro na garagem e eu desço, indo abrir a porta. Entramos em casa mudas, jogando as coisas sobre o balcão e encarando qualquer partícula de poeira para não olhar uma no olho da outra.


— Éris, amanhã vamos começar os exames. Por hora vá para o quarto, sem TV, sem computador, sem música. Entendido?


Apenas assenti. Sinceramente, pensei em protestar, mas acabei deixando pra lá; nada do que eu dissesse seria ouvido no momento.
Subi as escadas até meu quarto, fechando a porta atrás de mim. Joguei-me na cama levando uma das mãos até o rosto.


— Porcaria... — sussurrei a mim mesma apertando as têmporas.


Meu ombro já não doía, mas ainda sim o corte me lembrava de estar ali cada vez que tentava erguer o braço.
Expliquei o machucado para minha mãe da forma mais convincente que consegui. Disse que caí próximo demais às grades do colégio quando desci do ônibus. Como ela já estava nervosa, não fui questionada e a mentira colou. Pelo menos por enquanto.
Sentei-me na cama, puxando a pasta de desenhos mais recente da estante e folheando-os.
Antigamente eu desenhava muitas paisagens, coisas que via em uma foto, comercial, revista, qualquer coisa, mas de um tempo para cá passei a desenhar seres como fadas e vampiros, tudo sempre muito sombrio, com cores fortes e escuras.

Suspirei cansada ao ver que ainda eram duas da tarde. Como no caminho para cá mamãe já havia comprado lanche para nós duas, eu sabia que não haveria almoço.
Segui para o banheiro, me despindo e encarando meu ombro ferido.


— Mas foi um sonho apenas... Não foi? — falei comigo mesma, olhando minha imagem no espelho — Puxei o curativo devagar, sentindo uma pontada forte sobre o corte. Aproximando-me mais do espelho pude ver que ele era um pouco mais fundo do que eu imaginava. Abri o pequeno armário, pegando um novo curativo, e separei tudo sobre a pia. Antes de refazê-lo, queria um banho. Abri as torneiras para misturar a água quente e a fria, sentando-me na beira da louça fina e suspirando cansada.


Eu nunca havia tido problemas, nem em escola, nem em cursos, nem em nada, e agora, parece que tudo anda dando errado. Tudo por culpa desses pesadelos...
Retirei o resto da roupa entrando na água morna e relaxante, planejando permanecer ali por horas. Fechei meus olhos relembrando as últimas cenas de meu sonho...
Aqueles olhos laranjas... O que era aquilo?...O que era aquele rugido? Por que o ambiente do sonho se dissolveu? Por que fui atacada?... Eram perguntas demais sem resposta...


* * *


Depois de sair do banho e me vestir, fiquei no quarto tentando fazer mais alguns desenhos, tentativa falha, diga-se de passagem. Tudo que eu desenhava não estava bom aos meus olhos, ora sombrio demais, ora sem sentido. Joguei o lápis longe e deitei-me na esperança de conseguir um pouco de paz. Acabei cochilando e dessa vez não tive nenhum sonho.
Acordei por volta das dezenove e trinta. Levantei um tanto quanto atordoada e logo depois ouvi a voz da minha mãe vindo do andar debaixo. Era hora do jantar.
Desci com calma, meu ombro doía um pouco. Sentei-me no banco em frente ao balcão enquanto ela servia os pratos. Espaguete carbonara, meu prato predileto.
Olhei para o prato sorrindo minimamente, peguei o quarto e esperei que ela se sentasse para comermos juntas. Talvez a escolha do prato tenha sido uma forma de dizer que tudo ficará bem, que ela não me odeia e nem está tão decepcionada.


— Eri, querida... — ela começou, hesitando por um minuto — Vai ficar tudo bem, sim? — disse pondo uma das mãos sobre a minha — Agora você fará os exames, tomará o calmante e eu tenho a certeza de que tudo vai ficar bem — A voz dela estava calma, serena como sempre, mas algo me dizia que no fundo existia alguma coisa perturbando-a de mais.


— Perdão, mamãe... — respondi, recebendo um sorriso em troca.


— Tudo bem, querida, tudo ficará bem, sim?


Assenti e continuamos comendo. Mamãe vez ou outra puxava algum assunto aleatório sobre o que havia visto no trabalho ou na TV.


O jantar terminou e depois de lavar a louça me despedi de mamãe, dizendo que não estava muito bem. Novamente fui questionada sobre o machucado no ombro e reafirmei a mentira de antes, dando o assunto por encerrado quando ela finalmente pareceu aceitar minha explicação.
Cansada, subi para meu quarto e abri a janela. Deitei na cama e fechei os olhos, tendo a esperança de não sonhar com nada como havia acontecido no meu cochilo à tarde.
Meus olhos se fecharam lentamente, e ouvindo o farfalhar das folhas lá fora, eu consegui dormir.


* * *


Meus olhos estavam pesados, o cheiro conhecido por mim invadia minhas narinas, causando-me calafrios.
Abri os olhos devagar e suspirei de forma pesada. Eu estava encostada em uma árvore, sentada, de frente para a trilha de pedras novamente...
Levantei-me sem ânimo, abraçando meu próprio corpo e andando até a margem do rio lentamente. Tudo como antes... A água prateada, a floresta devastada do outro lado, as ruinas do castelo atrás de mim e logo em seguida a água tingindo-se de vermelho.

Me afastei em passos lentos da margem, parei novamente dentro da trilha de pedras, tentando entender porquê eu podia me aproximar da margem, mas enquanto estava naquele ponto da trilha, não podia avançar para nenhum dos lados, apenas para frente e para trás.

Caminhei mais alguns passos, apertando mais os braços em volta do meu corpo ao ver a mesma pedra de antes no mesmo lugar. Dessa vez eu não iria jogá-la nas árvores. A tensão me invadiu ao ouvir o primeiro ruído de antes, as folhas secas sendo pisadas e lá longe um leve rugido.


— Acorde, Éris... Acorde! — sussurrei comigo mesma, dando dois passos para trás ao ouvir o ruído novamente. Alguém estava andando para perto de mim, eu podia sentir... Eu veria aqueles olhos novamente.
As folhas no chão foram pisadas uma última vez antes dos olhos laranja saltarem da escuridão. Cerrei os punhos, afastando-me o máximo que pude daquele lugar. O rugido veio, gelando minha espinha.


— Acorde, Éris! — ralhei comigo mesma, ao ver uma figura desconhecida emergir da escuridão.


A silhueta continuou nas sombras, o que parecia um animal permanecia ao seu lado. Eu estava encostada no tronco da árvore e, pensando no que viria a seguir, fechei os olhos com força. Senti um calafrio ao perceber que o ser aproximava-se em passos lentos. Logo, pude sentir a respiração quente próxima de meu rosto.


— Por favor... — sussurrei, sentindo a primeira lágrima escorrer.


— Encontre-me no incêndio — o sussurro era masculino, imponente.


Antes que eu pudesse entender o motivo daquela frase, uma rajada de vento soprou. O ambiente quebrou-se como um espelho e eu acordei, saltando da cama.
Levei uma das mãos ao peito, tentando normalizar minha respiração.


— Incêndio... — confusa, senti uma forte pontada na cabeça — Droga... O que foi tudo isso?! — xinguei, levando a mão aos fios ruivos de meu cabelo, agarrando-os com força.

Notas finais
Este foi o primeiro capítulo, espero que vocês tenham gostado ^^
Por favor comentem, deixem críticas, elogios.

Quero avisar que o período de um capitulo a outro será provavelmente de 15 em 15 dias, ou de 20 em 20, mas caso haja mais atrasos eu deixarei um aviso no perfil.

Essa fanfic também está sendo postada no Social Spirit: http://socialspirit.com.br/fanfics/historia/fanfiction-originais-limite-dos-mundos-2684288

Um beijo e até o próximo capitulo!

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.