Limiar entre o amor e o desejo
62 Um novo Grey
Notas iniciais
POV PHOEBE
Estou tentando pintar uma tela, mas está difícil de me concentrar. Eu quero muito engravidar de novo, mas meu marido é um teimoso. Ele não quer correr o risco de minha gravidez seja de risco novamente. Meu humor está péssimo.
__ Oi Phoe.
__ Lice! -digo levantando e abraçando bem forte.
__ Por que veio trabalhar hoje?
__ Estou bem Phoe. Ficar em casa só ia me fazer pensar ainda mais no que aconteceu.
__ Você esta bem mesmo?
__ Sim. Juro. Eu tenho sorte de ter um marido como Theodore. Tenho ate medo de não merecê-lo.
__ Para com isso Alice. Você merece sim. E meu irmão te ama muito. Sabe estava pensando em como essa vida é irônica. Há um tempo atrás estávamos em Chicago curtindo baladas. Agora sou mãe, e estamos casadas. –digo rindo.
__ E eu tenho uma novidade para você. Ainda não contamos para ninguém. Mas quero que seja a primeira, a saber. Deus me abençoou com mais um milagre na minha vida.
__ Oh Meu Deus é o que eu to pensando?
__ Sim Phoe. Você vai ser madrinha.
Pulo nela de felicidade a abraçando ainda mais forte. __ Eu sabia que você ia conseguir. Temos que comemorar.
__ Eu quero esperar. O medico disse que nos três primeiros meses é decisivo para garantir a gravidez. Tenho medo de abortar de novo.
__ Hei para. Vai dar tudo certo. Não viu por tudo que eu passei e ainda assim deu tudo certo. Você pelo menos não tem uma louca atrás do seu marido.
Ela concorda com a cabeça.
__ Cadê a Juju?
__Está com a Eva. Você sabe, eu não consigo deixá-la com baba. Ou a trago comigo ou deixo com minha mãe ou sogra.
Ela ri. __ Por que disso?
__ Não sei Lice. Tenho um pressentimento ruim quando penso em deixá-la com estranhos.
__ Entendo Phoe. Vamos trabalhar então.
__ Lice convidei a Ava para almoçarmos. Tudo bem?
__ Claro. –ela diz e sai para sua sala.
Tento me concentrar, mas hoje realmente estou sem cabeça. E tudo isso porque o Daniel também está bravo comigo. Desde que falei em engravidar seu humor está negro.
Ava chega. Chamo Alice e vamos ao restaurante do lado almoçar.
__ Conte-nos Ava como está a vida de casada.
__ Ótima. Eu não sabia que era possível ser tão feliz.
__ E a gravidez como está? Sua barriga esta enorme. – Alice pergunta a ela.
__ Está próximo agora. Falta menos de dois meses para pode ver a carinha do meu anjo. Sinto dores nas costas e meus pés faltam me matar. O Cristo está meio abobado de tanto que esse bebê chuta. Ele conversa mais com minha barriga do que comigo.
Rimos todas. __ Você não nos contou o sexo. -Eu pergunto curiosamente.
__ E nem vou. Nem nós sabemos. Decidimos que será surpresa. Mandei fazer a decoração do quarto neutro.
__ Eu quero ter mais filhos. Mas o Daniel está irredutível. Ele tem medo de ser de risco de novo.
__ Phoe porque não consulta um médico para saber os riscos. Isso pode acalmar o Cross. – Alice sugere.
__ Isso é uma boa ideia Phoe. Mesmo porque eu concordo com o Daniel, se for de risco é melhor parar na Julia. – Ava completa.
__ Eu sei meninas. Também pensei nisso. Mas queria passar por todo o processo da gravidez de novo. Foi tão emocionante sentir minha filha dentro de mim. Olharei com um médico.
Elas assentem e começam a falar trivialidades. Nosso almoço é agradável. Não sei como estamos as três muito unidas. Isso é muito bom. Mas saber que as duas estão grávidas só aumenta a minha vontade de engravidar de novo. Se prepare Daniel Cross, vou tentar de novo.
POV ALICE
__ Vamos meninas voltar ao serviço? – Digo chamando Ava e Phoebe. Já terminamos o almoço há tempos, mas ficamos batendo papo.
__ Vamos. Preciso terminar uma tela hoje. Apesar de estar sem concentração. – Phoe diz.
Pedimos a conta, pagamos e saímos. Nos despedimos da Ava que entrou em um táxi. Começamos a voltar andando a butique que é do lado. Estou concentrada na conversa que não percebo quando um garotinho se aproxima e tenta pegar minha bolsa. A Phoebe solta um grito de susto. Olho para o garoto e meus olhos se encontram com grandes olhos azuis. Um segurança da boate segura o menino e o impede de levar minha bolsa. Fico olhando para ele impressionada. Ele é tão pequeno, magrinho, sujo e tem um olhar triste.
__ Seu moleque como se atreve? – O segurança grita com ele, o sacudindo. Meu coração dói.
__ Vamos entrar logo Lice. – Phoe diz me puxando.
__ Não. –puxo meu braço e vou até o garoto. __ Para de sacudi-lo. – digo ao homem que o segura com força. Olho nos olhos do menino. __ Quantos anos você tem?
Ele me olha com medo. __ Não sei.
__ Aonde está seus pais?
__ Não tenho. Sou sozinho.
__ Por que estava tentando pegar minha bolsa?
__ Se eu não levar nenhum dinheiro, ele não vai me deixar comer. Eu estou com fome.
Meu coração dói tanto.
Phoe se aproxima. __ Ele quem?
__ O homem que trabalho.
__ Trabalha?
Olha para a Phoe. __ Vem conosco lhe daremos comida.
O menino nos olha desconfiado. Levo minha mão a sua. Ele aceita.
__ Compre um hambúrguer, batatas fritas e refrigerante para o garoto e leve a minha sala. – digo ao segurança lhe entregando algum dinheiro.
Subimos com o menino. Ele está agarrado a minha mão como se fosse a sua salvação. Levo- a minha sala. Ele se senta e fica olhando tudo ao redor com encanto. Encara a mim e a Phoebe com olhos arregalados. Ele está com medo.
__ Qual o seu nome? –Phoebe pergunta .
__ Samuel.
__ Que nome bonito você tem. –eu digo emocionada. Esse era o nome do meu pai.
O segurança trás o que pedi e dou ao menino. Ele come com desespero. A Phoebe me puxa de lado enquanto o observamos.
__ Alice o que você esta pretendendo?
__ Phoe ele tem o nome do meu pai. Não posso deixá-lo na rua.
__ Alice ele é um pivete. Tentou te roubar.
__ Não Phoe, ele é uma criança. Estava com fome. Alguém o manda fazer isso. Ele nem sabe distinguir certo do errado.
Ela concorda. __ Mas você não pode salvar todas as crianças que passam por isso.
__ Mas eu posso salvar esse. Vou levá-lo para casa comigo.
__ O Teddy vai pirar com você.
__ Eu o enfrentarei se precisar.
__ Então conte comigo. Também estou mal de vê-lo assim. E vejo que se apaixonou por ele.
__ Obrigado Phoe. Vou sair mais cedo. Preciso levá-lo para tomar banho e enfrentar seu irmão.
__ Tudo bem. Vou mandar comprar roupa para ele e entregar na sua casa. Ele parece ter uns quatro anos, apesar de estar tão magrinho.
Ele acaba de comer. Vou até ele. __ Samuel vou te levar para minha casa. Vou cuidar de você.
__ Mas o Tião vai me matar. Preciso levar o dinheiro do dia para ele. – ele diz em um fio fino de voz.
__ Ele não vai te fazer nada. Ele nunca mais vai nem te ver. Eu e meu marido vamos te proteger.
Ele concorda e vamos para casa. quando chegamos o levo para o quarto de hospede e preparo a banheira. Ele olha minha casa com fascinação. Quando vê a banheira arregala os olhos.
__ Vou tomar banho aqui?
__ Sim. Eu lhe darei banho. Pode tirar a roupa.
Ele me olha assustado. Me aproximo com um sorriso e o ajudo a tirar tudo. Ele tem marcas no corpo. Parece queimaduras, fivelas. Não sei ao certo.
__ Ele te bate?
__ Sim.
O coloco na banheira e dou um banho caprichado, lavo seus cabelos lisos e preto. Enquanto dou banho nele chega as roupas que a Phoe mandou. O visto com uma calça e blusinha pólo. Ele ficou parecendo um homenzinho. Ele é bonito. Ele até parece um pouco meu marido. Com olhos azuis e cabelos lisos. Mas ele não é tão branco.
__ Deita aqui. –digo mostrando a cama e ligando a TV em um desenho animado.
Ele se deita. E fica concentrado na TV com um sorriso tão grande. Me emociono.
Me afasta e ligo para o meu marido.
__ Oi amor. Esta tudo bem com você e o nosso filho? – ele atende o celular já preocupado.
__ Estamos bem amor. Só que preciso que venha para casa. preciso conversar com você.
__ Eu ia jantar com uns investidores hoje. Mas se for importante pedirei ao meu pai para ir.
__ Sim amor é importante. Quero muito lhe falar logo.
__ Pequena você esta me deixando preocupado. Esta tudo bem mesmo?
__ Está sim lindo. Só venha o quanto antes.
__ Tudo bem. Estarei logo ai.
Desligamos e eu me deito com o Samuel na cama. Acho que pegamos no sono. Acordo com a voz do meu marido.
__ Pequena onde você esta?
Levanto-me, deixo o Samuel dormindo e saio. O encontro no corredor. __ O que você esta fazendo no quarto de hospedes?
O puxo para a sala. __ Fala baixo. – digo para ele.
__ Porque tem alguém aqui? –diz enquanto descemos as escadas.
Me sento no sofá e faço sinal com a mão para ele se sentar também. Ele se senta e pega minha mão. __ Pequena o que está acontecendo?
__ Acalme-se amor. Não é nada demais. – digo e começo a relatar tudo que aconteceu depois do meu almoço com minha cunhada.
__ Ele está aqui em casa? –ele pergunta atônico.
__ Sim. E eu quero ficar com ele. – digo de uma vez. __ Quero que seja nosso filho.
__ Mas você já esta grávida.
__ Eu sei amor. Mas quando meus olhos encontraram com os dele, o que senti foi inexplicável. Uma dor por imaginar tudo que ele passou, uma emoção e no final amor.
Ele me olha impassível. __ Alice ele deve ter pais.
__ Pais que marcam o corpo dele? Então não são pais são monstros.
__ Ele tem marcas no copo?
__ Sim. Não sei ao certo, mas parece queimaduras e fivelas.
Ele faz uma careta. __ Por favor, Theodore fique do meu lado. Eu prometi que ele não voltaria para esse homem. Que nós iremos protegê-lo.
__ Alice não sabemos nada desse menino. De seus antecedentes. Se não trás doenças da rua. Uso de drogas. Não sabemos nada. E se ele te transmitir alguma doença? E se fizer mal a nosso filho?
Eu não acredito que ele esta falando isso. Perco a paciência e me levanto de uma vez.
__ Theodore estou te pedindo que me ajude a criá-lo. Se ele tiver doença cuidaremos dele. Realmente não sabemos nada, mas para isso você tem muito dinheiro e espero que o use para algo realmente importante. Ele será meu filho, assim como o que eu carrego. Você aceitando ou não. – digo e vejo o Samuel no topo da escada. Subo as escadas rapidamente e o puxo pela mão ao quarto. Espero que ele não tenha ouvido as baboseiras que meu marido falou. Entramos no quarto.
__ Ele não me quer. –isso não era uma pergunta. Vejo lagrimas em seus olhos.
__ Samuel não é isso. É que é uma novidade para ele. Digamos que ele está assustado.
__ Posso entrar? – Theodore me pergunta da porta.
Assinto com a cabeça. Ele entra e olha o menino. Vejo que seu olhar brilha quando encontra do garotinho.
__ Eu sou Theodore.
Samuel o olha desconfiado. Sorrio para ele para incentivá-lo.
__ Sou Samuel.
Teddy estica a mão para ele. Samuel retorna o cumprimento.
__ Theodore você vai me mandar de volta para o Tião?
Ele me olha como se perguntasse quem é “Tião”. Não digo nada.
__ Pode me chamar de Teddy. E não. Eu não o mandarei a lugar algum. Você agora irá morar conosco. Seremos seus pais e cuidaremos de você.
Libero as lágrimas presas. Meu marido me emociona sem igual. Hoje eu consegui amá-lo ainda mais.
O olho e sorrio em agradecimento. O Samuel pula em seu colo. O Teddy fica meio ressabiado, mas acaba abraçando-o. E eu abraço os dois.
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