Limiar entre o amor e o desejo
30 Problemas e Angustias
Notas iniciais
POV PHOEBE
Estou chateada, meus hormônios vão me enlouquecer, passo o dia todo em casa, estou me sentindo uma princesa engaiolada. Para piorar meu humor, sinto dores nas costas e cólicas, o que tem me feito ficar mais tempo deitada. Estou com quase seis meses e minha barriga resolveu aparecer agora, me deixando uma gorda e mal humorada. Não posso negar que sinto uma emoção indescritível quando minha pequena mexe. Ando conversando bastante com ela já que o pai dela esta meio ausente. Ele esta trabalhando muito, e chega em casa cansado e carrancudo. Estou parecendo uma gata no cio de tanta vontade de fazer amor, mas não podemos e com essas cólicas que estou sentindo estou evitando meu marido. Não quero contar que estou com dores, ele iria ficar maluco. Mas isso nos afasta e nem brincamos para nos aliviar.
O Theodore e a Ava assumiram o namoro na casa dos meus pais, gostei muito, na verdade sempre achei que eles se olhavam diferente. O jantar podia ter sido ótimo se aquela vagabunda da Amanda não estivesse o tempo todo grudado no Daniel e ele ter tido um ataque de ciúmes e ameaçar o coitado do Renan. Esse comportamento dele me irritou tanto que agora estou o evitando mesmo, quando ele chega fecho os olhos e o ignoro completamente. Minha vontade é de beijá-lo e dormir agarradinha nele, mas ele não esta merecendo.
Sinto minha princesinha chutando forte. __ Oi meu amor! A mamãe esta aqui. Esta sentindo falta do seu papai neh? Tem dias que ele não conversa com você. Mamãe também esta com saudades dele.
Fico acariciando minha barriga e lembrando de tudo que vivi ate agora com o Daniel, passamos por muitas provações mas estamos juntos cumprindo nossos votos. Estamos agindo como duas crianças, nos amamos e não justifica continuar nesse clima por bobagem. Ele já fez minha vontade e colocou a piranha para trabalhar na filial, então acho que posso dar o primeiro passo e perdoa-lo.
Olho as horas e vejo que esta quase na hora do almoço.
__ Acho Juju que vamos almoçar fora. Que tal fazermos uma surpresinha para o papai?
Sinto um chute forte, o que me faz acreditar que ela ficou feliz com a ideia.
Tomo uma ducha, visto um macacão com sandálias baixas e desço para avisar o motorista que iremos sair.
__ A senhora vai sair? – Marta me pergunta olhando curiosamente para mim.
__ Sim Marta, vou almoçar fora.
__ E se o senhor Cross ligar o que devo dizer?
__ Não diga nada com meu marido eu me resolvo.
Ela assente, olho em seus olhos e sinto um arrepio. Ignoro esse sentimento e saio para o escritório Crossfire.
Chego a recepção e vejo a Vanessa secretaria do meu marido entretida com alguns papeis.
__ Bom dia Vanessa. –digo sorrindo
Ela se assusta. Se arruma na cadeira.
__ Bom dia senhora Cross. Deseja falar com o senhor Cross?
__ Sim. Ele esta em reunião?
__ Não. Apenas a senhorita Amanda que há pouco chegou e esta com ele. Vou anuncia-la.
O que? Essa vagabunda esta aqui?
__ Não precisa Vanessa se não é uma reunião. Somos todos família. –digo com um sorriso falso e sigo para a sala do meu marido.
Decido não bater na porta, a empurro suavemente e o que vejo me faz ficar sem reação. Meu marido esta sentando na sua cadeira com a cabeça jogada, enquanto a Amanda esta praticamente de joelhos, beijando seu pescoço. Reparo na reação do Daniel ele parece relaxado e esta curtindo o momento. Se eu não chegasse agora provavelmente isso terminaria no sofá. Meu coração dói. Sinto uma angustia. Penso em sair correndo mas não antes de dar uma lição nessa vagabunda loira.
__ Atrapalho marido? –meu tom de voz é frio, nem acredito que saiu sem choro.
Ele dá um pulo da cadeira me encarando.
__ Pho.. Phoebe? –mal consegue falar meu nome.
Antes que ele fale alguma coisa vejo o sorriso sínico da Amanda. Isso faz meu sangue ferver. Minha filha chuta forte. Atravesso a sala ate onde ela esta e meto a mão na cara dela.
__ Vagabunda. Não tem vergonha? Ele é um homem casado e vai ter uma filha. –ela me olha espantada e antes que tenha alguma reação meto a mão na sua outra face. A pego pelo cabelo e ela grita.
__ Para sua louca.
Há derrubo e fico por cima estou com tanta raiva que saio desferindo tapas para todos os lados. Sinto braços fortes me pegando e me puxando.
__ Phoebe calma, não aconteceu nada aqui, isso é um mal entendido e eu posso explicar.
Olho para meu marido e meto a mão na sua cara. __ É assim que irmãozinhos se comportam Daniel? Que interessante.
Ele me encara e vejo angustia em seus olhos. Amanda se levanta e começa a se ajeitar.
__ Sua louca. Olha o que você me fez.
__ E farei mais sua puta, atravesse meu caminho de novo.
__ Chega Phoebe! Me deixe explicar e você vera que não tem motivo para isso tudo.
__ CHEGA VOCÊ DANIEL CROSS! –digo gritando. __ Eu vi muito bem, não sou cega e não perca seu tempo me explicando nada. Eu te odeio.
Digo e saio correndo da sala liberando as lagrimas.
__ PHOEBE! –Ele grita atrás de mim.
Dou sorte tem um elevador saindo entro nele e o Daniel não chega a tempo, as portas se fecham. Pego no meu ventre e choro. As pessoas me olham assustadas. Não me importo dói demais.
O elevador se abre e saio correndo pelas ruas, nem olho para trás, não quero vê-lo nunca mais. Caminho por um tempo ate chegar em um parque. Choro ate não ter mais lagrimas. Ligo para meu pai e menos de dez minutos ele para seu carro.
__ O que foi princesa?
__ Pai me leva para casa.
__ Sim. Quer que eu ligue para o Daniel?
__ Não papai, quero ir para sua casa.
Ele me abraça forte. Me coloca no banco e beija minhas bochechas.
No caminho vou chorando e meu pai respeita meu silencio e não faz perguntas. Meu celular toca incansavelmente mas o ignoro. O celular do meu pai começa a tocar, ele atende no viva voz.
__ Christian Grey. –ele é ríspido
__ Senhor Grey aqui é o Daniel Cross. Preciso saber se a Phoebe lhe ligou, e se sabe onde ela esta? Estou ficando louco aqui.
Ele me olha e eu balanço a cabeça.
__ Você que deveria saber da sua esposa Cross. Por que ela ligaria para mim?
__ Porque tudo ela recorre ao senhor, ainda é a menina do papai, parece que nunca vai crescer sozinha. –ele fala rispidamente com meu pai.
__ Ela sabe que pode ser a princesinha do papai. Porque eu nunca a decepciono.
__ Se ela ligar me avisa estou preocupado, tivemos um pequeno problema e preciso esclarecer tudo com ela. Por favor?
__ Ok Cross. –e desliga sem mais delongas. Se vira para mim __ Quer me contar filha?
Balanço a cabeça negativamente e meu pai continua guiando sem mais perguntas.
Quando chegamos em casa, meu pai me pega no colo e entra me levando para o meu quarto.
__ O que foi? Phoebe? Christian? –minha mãe aparece confusa com a cena.
__ Vou colocar nossa filha no quarto dela, ela precisa descansar baby e mais tarde ela nos contara o que aconteceu de fato.
Minha mãe assente e nos segue ate o quarto. Meu pai me coloca na cama, me cobre e beija o topo da minha cabeça.
__ Descansa princesa. Eu e sua mãe estaremos lá embaixo, quando estiver pronta conversaremos.
__ Obrigado papai.
Minha mãe me beija e sai com meu pai. Revivo a cena e sinto a dor no meu peito aumentando, em meio a soluços entro em um sono cheio de angustia. Acordo de uma vez escutando gritos.
__ EU QUERO VÊ-LA AGORA. ELA É MINHA ESPOSA. –É a voz do Daniel.
__ Ela esta mal por sua causa Cross, não sei o que aconteceu. Mas se você tiver feito algo que esta fazendo minha filha sofrer você se entendera comigo.
__ Ela precisa aprender a resolver os problemas dela sozinha ou comigo senhor Grey, parar de correr para o papai toda vez que acontece algo. –a voz dele é fria e sem emoção.
Chego ao topo da escada a tempo de ver meu pai o pegando pela gola da camisa.
__ Ela é a minha vida Cross, e sempre poderá correr para mim, eu sempre vou resolver os problemas dela. Coisa que você como marido é incapaz.
__ Papai! Para por favor. –digo com uma voz fraca. Apesar de tudo não quero que meu pai agrida o Daniel, eu o amo.
__ Phoe, por favor, me escuta? Não aconteceu nada. Nunca iria acontecer, eu te amo.
O encaro com frieza, mesmo com tanta magoa eu o amo e tenho vontade de correr para seus braços. Mas ele me humilhou eu não posso perdoá-lo.
__ Eu sei o que vi Daniel. Por favor vai embora não quero conversar com você.
__ Você escutou Cross, fora da minha casa. –meu pai esta no seu limite.
__ Baby vem deixa os dois resolverem isso. Se precisar Phoe só chamar. –minha mãe diz puxando meu pai que está inconformado de sair.
Em um segundo o Daniel sobe as escadas ficando diante de mim.
__ Meu anjo, me deixe te explicar, não é o que você pensa.
O encaro estou ferida.
__ O que tem para ser explicado Daniel? Que você esta sem sexo há meses e estava aproveitando um momento intimo com a sua quase irmã.
__ Phoe estou sim angustiado, com falta de sexo, mas não quero com outra só com você. Errei porque deixei a Amanda fazer uma massagem em mim, quando ela beijou meu pescoço ia mandá-la parar quando você chegou. Eu nunca menti para você meu anjo.
O olho e vejo sinceridade em seus olhos, mas preciso ter certeza de suas palavras.
__ Então me fala a verdade Daniel. Você ficou excitado com o toque dela? Em um segundo você a imaginou chupando seu pau?
Ele fica calado e isso é suficiente para eu saber que ele a desejou.
__ Foi só por causa da carência amor, apenas um momento, eu sou homem e tenho reações a toques assim, mas passou rápido me lembrei de você, do nosso amor, nada iria acontecer. Eu juro.
__ Vai embora.
__ Phoe por favor não faz isso. Vamos passar por isso também. Vamos para casa, lá é seu lugar, ao meu lado. Eu te amo tanto, não duvide disso.
__ Não. Eu cansei, essa foi a gota d’água. Vai embora eu não quero te ver. Meu lugar é com pessoas que me respeitam.
__ Você precisa enfrentar isso como adulta, parar de recorrer ao seu pai. Seja uma mulher de verdade.
__ Me atacar não vai me fazer te perdoar. Gostaria de não ter que envolver meus pais nisso, mas eles nunca me decepcionam e posso sempre contar com eles.
__ E comigo meu anjo, estou nervoso não quero te atacar. Só quero fazê-la ir comigo, não quero que me deixe.
__ Pensasse nisso antes de enfiar aquela vagabunda na sua sala de trabalho.
__ Eu juro não deixá-la se aproximar de mim mais se você voltar para casa comigo.
__ Não Daniel. Preciso ficar um pouco longe de você. Nos apaixonamos muito rápido, engravidei mais rápido ainda, mal estamos casados e só tivemos problemas ate agora. Se eu não tiver paz não vou conseguir chegar ao final da gravidez. E se eu perder nossa filha eu nunca vou me perdoar nem a você.
__ Eu vou te dar esse tempo Phoebe, mas não estou desistindo de vocês. Eu vou lutar pelo seu perdão ate o fim da minha vida.
Viro e volto para meu quarto, onde desabo chorando. Não sei quanto tempo fiquei chorando.
__ Filha trouxe esse chazinho para você. –levanto e olho os olhos tão azuis da minha mãe, ela tem tanta ternura.
Tomo o chá e como algumas torradinhas. Não sinto fome, mas penso na Julia e me esforço para comer.
__ Agora eu quero saber tudo Phoebe. –meu pai entra no quarto como um raio. Ele está angustiado eu vejo, ele detesta ver os filhos sofrerem.
__ Papai, mamãe eu não quero contar. Eu só quero o apoio de vocês caso eu decida me separar e por enquanto ficar aqui em casa com vocês me sentindo amada.
__ Não gosto disso princesa, mas ficarei do seu lado, e essa é a sua casa. –meu pai diz me abraçando.
__ Filha não sei o que aconteceu para você pensar em separação, mas eu acredito que o Daniel te ama, e problemas sempre existem em um relacionamento. Fique aqui o tempo que quiser, nós te amamos e vamos cuidar de vocês. –minha mãe diz se juntando ao abraço. Ficamos alguns minutos os três abraçados e chorando.
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Os últimos dias tem sido uma tortura, só choro e mal consigo me alimentar. O Theodore me pressionou e acabei contando para ele o que aconteceu desde que ele prometeu não fazer nada e não contar para ninguém. Ele ficou furioso e se não tivesse prometido teria matado o Daniel. Falando nele, ele me liga todos os dias, umas mil vezes e em nenhuma eu atendo. Chegou flores e cartões todos os dias com pedidos de perdão. Ignorei todos. Há dias não saio de casa, hoje resolvi ir com a Ava as compras. Ela não sabe o que aconteceu, mas sabe que eu e o Daniel estamos quase nos separando, olhei nos olhos dela para saber se ela estava satisfeita com isso e o que vi me emocionou, ela esta triste por mim. Ela esta mesmo feliz com o Teddy.
Fomos ao shopping e compramos muitas coisas fofas para minha menininha e claro para nós também. Decidimos almoçar em um restaurante que já fomos muitas vezes, e a comida é perfeita.
Em dias consigo sorrir, a conversa esta agradável e a comida divina. Ava toma um vinho branco e eu fico apenas na água. As minhas dores estão mais fortes esses últimos dias, acho que por causa da tensão e da angustia.
__ Phoe porque não volta pra sua casa? –Ava me pergunta timidamente.
__ Eu ainda não consegui perdoá-lo Ava. Vou te contar tudo que aconteceu e, por favor, não quero que mais ninguém saiba.
Relato resumidamente os últimos acontecimentos para ela e lagrimas vem aos meus olhos.
__ Phoe eu sabia que aquela era uma vadia. Mas você não pode desistir do seu marido. É tudo que ela quer.
__ Ainda dói e não sei se vou consegui perdoá-lo um dia.
__ Vai sim, vocês se amam e você não ira dar o gostinho a essa piranha de separar do seu marido. Isso tudo é provação. Se lembra dos seus votos de casamento? Eu me emocionei com o que vocês disseram. Faça valer esses votos Phoe.
__ Eu me lembro de cada palavra. “Eu me comprometo a ajudá-lo a amar a vida, a sempre abraçá-lo com ternura, e ter a paciência que o amor exige. Para falar quando as palavras forem necessárias, e compartilhar o silêncio quando não forem. Para discordar em concordar com concordar. E viver no calor de seu coração. E sempre chamar de lar. Eu me comprometo acordar todos os dias ao seu lado e receber seus beijos. Há dividir minha vida, meus medos, meus anseios e minhas esperanças. Prometo compartilhar minhas alegrias, tristezas e amor incondicional. E quando você falhar estarei ao seu lado para encontrarmos o caminho certo juntos. E me comprometo a desvendar o mundo a seu lado, e amar-lhe assim como você é arrogante, lindo, e perfeito pra mim. Eu amo você e amarei pela eternidade.” Meu Deus Ava eu não estou acordando do lado dele e nem recebendo os beijos, estou quebrando um juramento.
Ava sorri.
__ Não você não esta. Acho que está na hora de cumprir os votos não é?
__ Sim Ava. Obrigado por me lembrar disso. Hoje mesmo voltarei para casa. Vou ao toalete. Pede a conta por favor.
__ Sim cunhada.
Sorrio para ela e sigo para o banheiro. Estou com o coração leve, me lembrar dos votos me fez perceber que dificuldades serão virão mas precisamos estar juntos e firmes. Estou lavando minhas mãos quando vejo pelo espelho o reflexo da vadia loira.
__ Olha só se não é Phoebe Cross? Ou devo dizer Grey, já que o seu marido esta na minha cama e não na sua.
Viro a encarando com ódio.
__ Esta querendo mais uma surra vagabunda?
__ Não. Eu queria o Daniel e agora eu já tenho.
__ Você esta mentindo eu não vou entrar no seu jogo. –digo indo sair.
Ela me puxa pelo braço.
__ Na verdade Phoebe estamos usando sua cama, tenho que reconhecer um belo quarto. –ela diz com um sorriso falso.
__ Seu sonho piranha. –vou puxar meu braço de suas mãos quando ela me empurra e bato contra a parede de um Box.
__ Idiota, isso é pela surra que você me deu. E pode apostar que o Daniel será meu, ainda não é, por causa dessa criança estúpida, mas será quando ela não existir mais.
__ Ai ai ai ai. – Só consigo gritar de dor.
__ Tomara que você morra também. –ela diz e sai me deixando jogada no chão.
Seguro minha barriga e tento respirar para acalmar a dor. __ Vai da tudo certo Juju, a mamãe vai te proteger.
Dói tanto, não consigo me mexer, tento gritar mais alto, mas me falta voz. Respiro ate que me vem a escuridão, a completa escuridão.
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