Limiar entre intrigas, desejo e o amor
25 Capítulo 25
Notas iniciais
POV JESSE
...dois meses depois...
Emma se recusou a falar comigo e pior viajou sem nem ter a consideração de me deixar explicar tudo. Eu estava sofrendo e queria poder arrumar toda a minha cagada, mas depois que ela fugiu como se eu fosse um mostro, e deixou apenas um bilhete com o anel de noivado me senti despedaçado.
“Preciso de um tempo. Não posso ficar perto de você. Nesse momento a sua proximidade me faz mal. Sinto muito.”
Então percebi que ela desistiu de nós, que foi incapaz de acreditar no meu amor. Levei o maior sermão do meu pai e minha mãe. Do que é certo e o que é errado. Eu nunca neguei que errei, mas implorei o perdão dela, eu já havia mudado por ela. Mas ela foi incapaz de me perdoar. E eu não estou sabendo lidar com a dor que isso me causa. Parei de tentar falar com ela, e procurar saber dela. Voltei a ser Jesse Grey, o mulherengo. Estou sem companheiros já que meu irmão Edu se casou com nossa prima Ella e Christopher com minha irmã Sophie. O jeito é sair com Eric mesmo. Apesar que a obsessão dele de ficar falando de Sophie me incomoda muito. Mas é assim, bebemos juntos, eu tentando esquecer Emma e ele amaldiçoando Chris. E ocasionalmente pego uma mulher, mas só me faz sentir pior. Emma não sai da minha mente, do meu coração. E eu me odeio por amá-la tanto.
Já faz dois meses que Emma viajou. Samuel depois de discutir com meu pai pelas ações de tia Phoebe que agora me pertencem, está bem mais tranquilo, não nos falamos muito, mas também não estamos tentando nos matar. Um dia desses a fossa foi tão grande que nos encontramos em um bar e acabamos nos embriagando juntos e pegando umas mulheres também. Primeira vez que temos alguma proximidade fora da empresa.
Estou completamente dedicado aos negócios. Emma fez a escolha dela ao ir embora. Eu? Cansei de implorar pelo seu perdão.
—_ Jesse eu vi pelos tabloides que você estava com outra mulher ontem no evento beneficente.
—_ E o que tem isso mamãe?
—_ É assim que quer reconquistar Emma? — Seu olhar é intimidador.
—_ Eu não quero. Acabou. Assim é melhor. Não quero ser fraco por uma mulher.
—_ Você me acha fraco por causa do amor que sinto pela sua mãe? — Meu pai entra na sala me questionando.
—_ Não papai. Mas mamãe não desistiu de vocês em nenhum momento. Ela te ensinou a ser forte. Emma fugiu de mim. Ela não quis me fazer forte. Então estou desistindo dela.
—_ Filho, mas você não a ama?
—_ Não. Entendi que apenas gostava do sexo. –minto descaradamente.
Minha mãe se aproxima e me abraça. __ Você está sofrendo meu menino. Faria tudo para que isso não estivesse acontecendo.
Sorrio para ela. __ Será que existe uma Alexa para mim?
—_ Eu torço para que sim. Você merece uma mulher tão intensa e maravilhosa quanto a minha. –meu pai diz se juntando ao abraço.
Eu sou muito sortudo pela família que tenho. Meus pais são meu alicerce. E eles ainda me fazem acreditar em almas gêmeas.
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Hoje é o concerto do meu irmão Edu. E toda a família estará lá. Além disso, a esposa dele já está com quatro meses de gravidez. Sophie e Christopher irão também. Ella não os perdoou, mas não poderá fazer nada, mesmo porque Edu é apaixonado pela irmã.
Edu reservou um camarote para nós. Assim ficaremos todos juntos e em um lugar privilegiado.
Ao entrar no camarote do Paramount Theatre tive a maior surpresa. Emma sentada ao lado dos pais. Quase não consigo sair do lugar. Ela está com o cabelo mais comprido e repicado, está usando um vestido justo ao corpo. Está simplesmente linda. Sinto meu coração disparando em meu peito. As lembranças dos dois últimos meses vem a minha mente e sinto a raiva me consumindo. Emma é coisa do passado. O camarote é muito grande, tem uma mesa com comida e bebida e as pessoas estão um pouco dispersadas por família.
—_ Vai ficar babando ai? — Samuel aparece me provocando.
—_ Não enche. –digo azedo.
Ele rir e entra. Vou logo atrás. Vou em direção de Ella e meus tios Phoebe e Daniel.
—_ Ella você está linda. –digo acariciando seu ventre já evidente. __ já sabe de quem eu serei tio?
—_ Não. Na próxima consulta tentaremos ver.
—_ Tia a senhora está uma gata. O que acontece com essas mulheres da família que sempre estão dignas de um Oscar? — Pergunto sinceramente.
As mulheres da minha família são lindas mesmo, tia Phoebe conserva um corpo esbelto, um olhar cinza penetrante como do meu avô Christian, a idade não chegou para ela, ela praticamente não tem marcas de expressão. Simplesmente linda!
—_ Jesse Bajulador. — Tio Daniel fala abraçando a esposa. __ Mas tenho que concordar, mulheres lindas. A minha então perfeita.
Sorrio para eles. É uma bela família.
Dou um beijinho neles e sigo para cumprimentar Sophie e Christopher.
—_ Jesse. – Sophie diz me abraçando. __ Viu quem apareceu aqui hoje?
—_ Maninha linda. – beijo seu rosto. __ Eu vi.
—_ Jesse. – Chris me cumprimenta.
—_ fala cunhado.
—_ Emma está de volta.
—_ Eu vi. –digo azedo. __ falta um pouco para começar, vou lá no camarim dá uma abraço no meu irmão. – digo olhando no relógio.
Saio sorrateiramente do camarote. Vou até o camarim ver Edu.
—_ Preparado? — Pergunto ao meu irmão assim que entro em seu camarim.
—_ Eu sempre fico nervoso.
Solto uma risada.
—_ Não se preocupe você é bom.
Ele sorri.
—_ Todos estão ai?
—_ Sim. Um ótimo camarote.
—_ Você viu Ella?
—_ Sim. Está lá por que?
—_ Ela vinha direto da butique e eu não a vi desde manhã.
Solto uma risada.
—_ Saudades da esposa.
Ele rir junto.
—_ Fico feliz de saber que ela já esta ai. Mas por que estou te sentindo agitado?
—_ Por que Emma voltou. – Samuel entra falando.
Faço uma careta para ele.
—_ Vocês dois se comportem. Hoje é um dia importante para mim não quero brigas aqui. Estamos entendidos? — Edu nos repreende.
—_ Por mim não haverá discussões. Não tenho mais nada com Emma e nem quero. O caminho está livre para você Samuel.
—_ Obrigado Jesse. Você está se transformando em um bom irmão. –ele diz de forma teatral.
Edu balança a cabeça. Abraça cada um de nós e nos expulsa. Já vai começar as apresentações.
Saímos os dois sem nem nos olhar. Quando chegamos ao camarote a orquestra sinfônica já começou a abertura.
Entro e já vou me servindo de uma bebida. Fico avaliando os camarotes ao lado e estudando as mulheres bonitas.
—_ Jesse. – escuto a voz suave que venho tentando apagar da minha mente.
Viro-me.
—_ Emma.
—_ Você não foi me cumprimentar.
—_ Desculpa a falta de delicadeza. Como vai?
—_ Bem. Cheguei hoje.
—_ Espero que sua viagem tenha sido agradável. – falo com uma pitada de ironia.
—_ Foi interessante. –ela diz casualmente. __ Você está bem?
—_ Ótimo. Por que não estaria?
—_ Jesse eu...
—_ Edu vai começar a tocar. –digo interrompendo-a e me virando para sair.
—_ Podemos conversar depois? — Ela pergunta pelas minhas costas.
—_ Acho que não temos nada para conversar Emma. Você deixou tudo muito claro no bilhete. Não me interessa saber nada de sua viagem e minha vida não há nada de novo para ser compartilhado. –digo sem me virar e saindo.
Durante toda a apresentação fiquei perto dos meus pais e ignorei completamente a presença dela. Quando vi que ela se aproximou para conversar com Sophie, eu virei e inicie uma conversa com meu pai sabendo que ela estava ouvindo, mas acabei visualizando pelo canto dos olhos uma mulher linda. Seus cabelos são da cora da areia. Meu Deus. Quem é essa?
—_ Pai quem é aquela que está ao lado daquele empresário de rede de Hotéis? — digo apontando uma bela mulher no camarote da frente. Que por sinal chamou minha atenção desde o momento que nossos olhares se encontraram.
—_ Ela é a filha do magnata Duncan Stephan Cavendish. Eles estão em Seattle porque ele irá expandir os hotéis para essa região e eu consegui que ele fechasse negócios com a empresa de sua irmã Sophie para os projetos de arquitetura e engenharia.
Sorrio malicioso. Então o magnata fará negócios com minha família. Interessante. Mas esse sobrenome não me é estranho. Penso muito. Claro eles tem hotéis de luxo quase no mundo todo. Mas eu me lembrava de que o proprietário se chamava James.
—_ Duncan é o herdeiro de James Cavendish? — Pergunto tentando entender melhor quem é essa família.
—_ Sim. Ele se casou com a comissária de bordo Bianca e tiveram Duncan como único filho. Duncan deve ter aproximadamente minha idade e assumiu os negócios da família como eu quase na mesma época. Já fiquei hospedado em muito dos hotéis deles e são muito luxuosos. Inclusive em Las Vegas quando fui me casar com sua mãe. Ele se casou com Elisabeth Benes e aumentou a rede de Hotéis. A herdeira deles é essa ao lado dele. Isabelle Cavendisk.

—_ Caramba ela é linda. Gostaria de conhecê-la. Poderia arrumar as apresentações?
—_ Sim. Mas Jesse não acredito que uma Cavendisk seja alguém para você se divertir. E não é assim que se cura as feridas.
—_ Não se preocupe com isso papai. Só quero conhecê-la. Faz isso por mim. Eu preciso de alguém que não seja para se divertir. E estou realmente impressionado com a beleza dela.
—_ Vamos ao camarote deles então.
Saímos os dois e percebo que Emma nos acompanha com os olhos.
Se ela esta pensando que fiquei sofrendo por causa dela, se enganou. Minha vida continua. Eu ainda a amo, mas assim como aprendi a amá-la, aprenderei a esquecê-la. Sua presença me deixou agitado e triste. Queria abraçar e beijá-la, mas meu orgulho é maior. Preciso seguir enfrente.
—_ Boa noite. Vi vocês no camarote e não pude deixar de vim cumprimentá-los. –meu pai diz ao senhor Duncan Cavendisk.
Isabelle já me viu e nossos olhares se conectaram. Nem estou mais ouvindo a conversa do meu pai com o pai dela. Só consigo encarar esses olhos azul turquesa. Meu Deus é muito mais linda pessoalmente.
—_ Jesse gostaria que conhecesse minha filha. Isabelle Cavendisk. – Uma voz me tira do meu transe. Olho a primeira vez para o senhor Duncan e agora entendo de onde vem a cor de olhos tão eletrizante.
Demoro um segundo para perceber que ele está me apresentando a filha.
Olho bem no fundo dos olhos dela. Pego sua mão e levo aos meus lábios roçando-os. Um arrepio percorre meu corpo.
—_ Encantado em lhe conhecer. Sou Jesse Grey.
—_ Prazer. –ela diz com um sorriso aberto.
—_ Olha que interessante estava pensando em procura-lo Theodore. Isabelle irá ser a representante da minha empresa perante a empresa de sua filha, mas ela ainda é inexperiente e quer aprender um pouco antes das obras realmente começarem. Gostaria que você a ambientasse e se fosse possível já a inserir nesse estilo de trabalho. Ela é designer de interiores e formada em arquitetura e urbanismo. Por mim ela não trabalhava, mas ela insiste. Essa menina é muito independente. – Duncan fala com meu pai.
—_ Acho uma ótima ideia. Além de minha filha Sophie que é Engenheira Civil e proprietária da empresa que assumiu seu contrato, a minha irmã tem uma butique de arte e sua filha agora minha nora também é design de interiores e poderá orientar bem Isabelle.
—_ Senhor Grey quero uma entrevista com sua nora. Não quero que o emprego seja garantido por eu ser filha de um parceiro seu de negócios. Se ela achar que eu mereço uma oportunidade então sim aceitarei e procurarei aprender para desenvolver um bom trabalho com sua filha. –ela diz olhando para meu pai. Sua voz é firme. Caramba essa mulher me fez admirá-la agora. Ao vê-la de longe, apesar de achá-la bonita, achei que seria uma mimada, já que é filha única e o pai sempre se referiu a ela como uma princesa.
—_ Muito bem Isabelle. Ella não iria querer que fosse diferente. – Meu pai diz se virando para mim. __ Por que não leva à senhorita Cavendisk para conhecer sua prima cunhada?
—_ Claro papai. Você aceita me acompanhar Senhorita Cavendisk?
—_ Apenas Isabelle. Sim Jesse. Posso te chamar pelo primeiro nome?
—_ Faço questão. –digo pegando seu braço e pedindo licença aos cavaleiros e seguindo para nosso camarote.
Logo na entrada me deparo com o olhar inquisidor de Emma. Por um momento tinha me esquecido de sua presença. Sinto-me desconfortável.
—_ Jesse algum problema? — Só então percebo que fiquei estático.
Mas ao ouvir a voz doce e firme de Isabelle voltei ao planeta.
—_ Desculpe Isabelle. Estava procurando minha prima. Ah sim ali está ela. Vamos?
Ela assente com a cabeça e seguimos para o canto onde minha mãe está conversando com Ella.
—_ Desculpa interromper as belas damas, mas queria apresentar uma pessoa a você Ella, e também a senhora mamãe.
Elas me olham com um sorriso. Apresento Isabelle a elas e imediatamente elas iniciam uma conversa. E nem é necessário pedir nada para Isabelle. Ella a convida para ir à butique e quem sabe fazer alguns trabalhos juntas.
Minha mãe é incrível ela fez que o clima pesado do lugar não fosse percebido por Isabelle. Afasto-me para pegar uma bebida.
—_ Jesse o que você esta fazendo¿ — a voz rouca e grossa do meu padrinho chega pelas minhas costas.
—_ Seguindo com a minha vida padrinho.
—_ Achei que amava Emma.
—_ E muito. Tanto que passei os últimos meses me destruindo na bebida. Mas percebi que ela desistiu de nós e tenho que respeitar sua decisão.
—_ Jesse ela precisava de um tempo. Assim você só vai piorar a situação.
—_ Eu até posso entender que ela precisava de um tempo. Mas não entendo e nem aceito ela ter devolvido a aliança. Sinto muito padrinho por tudo. Mas agora eu não farei mais Emma sofrer.
Ele assente com a cabeça e vejo contrariedade em seu olhar.
—_ Eu gosto de você como um filho Jesse. E estava muito feliz de você estar com Emma. Eu e Ava estamos sentidos que tudo tenha acabado assim.
—_ E eu amo vocês padrinho. Mas se tem uma coisa que eu aprendi observando seu relacionamento com madrinha, de meu pai e minha mãe, é que amor não pode machucar, que por mais obstáculos que tenha, ele tem que ser a morfina. Estou errado?
—_ Não meu afilhado. Só posso torcer que vocês dois encontre seus caminhos. E se tiver que ser juntos o tempo dirá.
Abraço forte meu padrinho. Eu gosto demais dele e me magoa ver que fiz ele e a dinda sofrerem pelo meu comportamento.
Volto para buscar Isabelle.
—_ Algum problema Jesse? — Minha mãe pergunta me encarando com uma suavidade no olhar que só me faz pensar que sortudo meu pai é de ter encontrado-a.
—_ Não mamãe. Apenas estou constrangido de não ir jantar com vocês e Edu. Acha que ele ficará chateado? -Digo me virando para Ella.
Ela sorri para mim. __ Acredito que não. Mas pergunte a ele no final da apresentação.
—_ Sim. Agora posso pegar Isabelle de volta?
—_ Claro meu amor. Foi um prazer te conhecer Isabelle. –Minha mãe diz se despedindo de nós.
—_ O prazer foi todo meu Alexa. Você é muito encantadora. – Ela diz e se vira para Ella. __ Obrigada Ella. Acho que irei gostar de passar um tempo com você.
—_Eu também acho que nos daremos bem. E na segunda te espero na butique.
Eu e Isabelle nos afastamos para um canto reservado do camarote.
—_ Aceita jantar comigo? Ou estou sendo muito pretensioso?
—_ Está sendo muito pretensioso. Mas eu ficaria frustrada se não me convidasse. –ela diz com um sorriso.
Caramba quanta sinceridade. Eu gosto disso.
Sorrio de forma sexy para ela. Eu não sei o que estou tentando, ou o que quero, além de tentar arrancar Emma do meu coração. Sinto minha pele responder a presença dela, claro que como homem meu corpo responde a sua beleza. Será suficiente para esquecer Emma? Espero que sim.
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