Limiar entre intrigas, desejo e o amor
52 Capítulo 52
Notas iniciais
POV SOPHIE
Ás vezes eu me pergunto se magoei alguém nessa vida a ponto de Deus me castigar tanto. Eu sei que fugi com Chris no momento de seu casamento com Ella, mas eu o amo, o amei a vida toda. Será esse amor o meu castigo?
Eu não consigo engravidar e isso é uma grande frustração, e o pior se reflete em meu casamento tão perfeito. A uma semana foi o casamento de Emma e Eric, ela está gravida de gemeos, claro que sinto inveja, mas não foi isso que me tocou e sim ver a reação do meu marido diante de Ella. É como seu eu pudesse ler nos olhos dele a pergunta que eu mesma me faço: Como seria se eles tivessem se casado? Chris ficou emocionado com a bebê, ele chegou a me confessar que sentiu uma emoção estranha. Eu estou em fragalhos. Ella amava Chris e ele apesar de ter se casado comigo, sentiu algo forte por ela. Ás vezes é dificil as pessoas entenderem porque a minha necessidade de engravidar e pior porque o Chris quer tanto um filho, além de nossos proprios instintos como pais, já que fomos criados em uma familia feliz, precisamos de herdeiros, temos uma fortuna e imperio a dar continuidade.
__Soph?
A voz do meu pai me tira dos meus desvaneios. Me viro para olhar o homem que mais me entende e provavelmente mais me ama nesse mundo.
__Por que está aqui princesa? O seu marido está como louco te procurando.
__ Precisava fica um pouco sozinha papai. –digo já me atirando em seus braços. Ele me aperta forte em seu peito e eu libero a enxorada de lágrimas que estava prendendo.
__ Qual o motivo dessa tristeza? –sua voz é suave e me faz chorar ainda mais.
__ O de sempre.
Ele se senta comigo na cadeira e fica em silencio, só me embalando como fazia quando eu era apenas uma menina.
__Não quero adotar. –digo após um tempo.
Meu pai faz cafuné em minha cabeça e beija meu rosto.
__ O que posso fazer pra te fazer feliz minha princesa? Para não ver essa dor em seus lindos olhos?
__ Continue me amando como sempre fez e me protegendo do mundo. – digo entre lágrimas.
__ Sempre!
Ficamos abraçados, eu como uma menina pequena e ele como o pai que enfretará o mundo pra não ver a filha sofrendo.
__ Reunião particular?
A voz da minha mãe penetra na nevoa da minha dor.
__ Só relembrando os velhos tempos. – Meu pai diz sorrindo para ela. É um amor tão grande.
__ Ás vezes eu me sinto excluida. –ela diz se sentando do meu outro lado e beijando minha face.
__ Eu gosto de vim para cá, olhar o mar, é meu refugio. –digo abraçando-a.
__ Eu sei Soph. E essa vai ser sempre sua casa. Mas o Christopher é seu marido, te ama, e está louco por não ter noticias suas. O que aconteceu?
__ Ele me confessou que ver a bebê de Ella mexeu com ele.
Minha mãe suspira e levanta meus olhos para encontrar com os dela.
__ Você é a princesa do seu pai, minha, jesse e de Christopher, e faremos qualquer coisa por voce. Mas ás vezes é tão egoísta. Tão insegura. Um relacionamento se faz a dois. Se voce permitir seu marido vai se afastar gradualmente de voce. O amor ele acaba, por falta de cuidado. Não é a falta de um filho que vai impedir voces de serem felizes. Mas depende de voce para garantir essa felicidade.
Minha mãe sempre foi assim, de falar, de incentivar a agir, nunca passar a mão na cabeça. Olho para ela desalentada. Não sei o que dizer.
__ Vai Soph cuidar do seu casamento. – Ela diz beijando meu rosto e se levantando.
Olho para meu pai que balança a cabeça em sentido positivo. Me levanto beijo os dois e saio correndo.
Preciso começar uma vida nova, desencanar de filhos. Mas primeiro preciso tirar uma culpa de mim.
Pov Ella
A volta para Seatle não foi a melhor ideia. Eu e Edu estamos nervosos, distantes e até Alicia sente o nosso medo.
O casamento do meu irmão foi lindo, mas também foi dificil, foi a primeira vez que o verdadeiro pai de Alicia a viu. Ele a olhou encantado, e por um momento pensei em como seria se tivessemos nos casado, ele seria bom pai? Bom marido? E então a voz do meu marido Eduard Grey me trouxe de volta a realidade, nunca ninguem poderia ser tão bom comigo e para Alicia como ele. Eu devia agradecer Christopher por me abandonar, e ter tido a chance de me apaixonar por Edu.
Estou brincando com Alicia no tapete quando uma visita inesperada faz meu sangue gelar.
__ Desculpa te incomodar, mas preciso falar com voce. — Sophie Vidal diz ao entrar na sala acompanhanda pela empregada.
Me levanto, pego minha filha, entrego a empregada e encaro Sophie.
Com um movimento meu a empregada sai da sala. Não quero Alicia tendo contato com esse povo.
__ Diga Sophie. – sou brusca.
__ Ella eu me sinto culpada por tudo que aconteceu entre voce e Chris. Eu nunca te pedir desculpas pela humilhação que te fizemos passar. Eu preciso saber se voce é feliz.
Solto um suspiro de alivio então é isso.
__ Isso já passou Sophie. Sou muito feliz. Eu deveria até agradecer voces por isso.
__Consegue nos perdoar?
__ Sim. Mas isso não signifique que queira ser amiga de voces. Mas já não tenho magoa.
__ Obrigada Ella. Era só isso.
Ela se vira para sair, quando a baba volta com Alicia chorando para a sala. Sophie a encara com interesse. Se aproximando e olhando com cuidado.
Pego a minha filha e a embalo com cuidado, ate ela se acalmar.
Sophie me olha intensamente. E ali eu sei que ela sabe. Não sei como. Alicia não tem nenhum traço de Christopher, além dos olhos. Mas ela sabe. Ela sempre soube.
__ Você é muito melhor do que eu pensava. Obrigada. – Ela diz emocionada e vira para sair.
Fico estática sem saber o que isso significa.
__ Sophie! – digo fracamente.
Ela se vira me encara com um pequeno sorriso.
__ Ella só precisava saber se você é feliz. Me alivia saber que você encontrou seu lugar no mundo e que meu irmão finalmente tenha criado raízes.
Deixo uma lagrima escorrer. Não consigo dizer nada, apenas apertar minha filha em meus braços.
__ Não se preocupe. Tudo é como deve ser. Obrigada. –ela diz e sai.
Não sei o que pensar. Por um momento tive medo dela contar ao marido, mas eu entendi que ela sempre soube, e foi egoísta a ponto de pensar só em si e não revelar nada. Mas e agora o que essa visita significa?
Passo uma tarde agitada. Angustiada. E não quero viver assim. Edu é o pai de alicia e ponto. Não posso viver com medo de esse segredo venha a tona. Christopher escolheu Sophie e eu escolho Eduard.
___ Ella?
__ Aqui no estúdio amor.
Segundos depois ele entra. Me jogo nos braços dele.
__Tudo bem carinho?
__ Melhor agora que você chegou. Então foi aonde tão cedo? Nem me esperou para tomarmos café.
__ Fui providenciar nossa volta.
Respiro profundamente.
__ E por que a pressa?
__ Ella!- seu tom é ameaçador.
Encaro seu olhar duro.
__Acho que aquele encontro com Christopher diz tudo.- sua voz é fria;
__ Diz o que? Que meu irmão casou com a irmã dele? Que você tem medo? Ou que esconde alguma coisa de mim?
Ele me encara com frieza.
__ Talvez diga que você está vendo a chance de voltar com ele.
__ O QUE?-grito indignada.
__ Afinal você tem o que ele tanto quer e minha irmã não consegue dar.
Eu não posso acreditar que ele está falando isso. Então essa é a questão, esse é o medo.
__ Seria delicioso destruir aquele castelo de conto de fadas da sua irmã, mas não a base da felicidade da minha filha. E você é idiota por pensar isso.
__ Acha que não percebi sua tensão perto dele? E a comoção dele com Alicia? Viu ali sua chance Ella? –seu tom de voz é tão frio que me penetra como espada.
Sinto tanta raiva que minha reação me assusta. Dou uma bofetada nele.
__ Quem você acha que eu sou? Não deveria esta casado com uma pessoa que você tem em tão baixo conceito.
Digo saindo e batendo a porta.
Sinto tremores de raiva. O Edu está louco? O que ele está pensando?
Subo para o nosso quarto e tranco a porta, preciso de um momento sozinha para me acalmar. Ele bate na porta e eu ignoro.
Em minutos a porta está escancarada.
__ Ella...
__Não diga mais bobagem. – sou fria.
__ Eu... você não quer ir embora... Alicia tão perto do pai...
__Meu Eduard a única coisa que quero é ser feliz sem medo, sem me esconder, ter outros filhos com você, aqui ou no fim do mundo.
Ele fica ainda mais tenso.
__O que há de errado Eduard?
__Eu não posso ter filhos. –sua voz sai baixa.
__ Como?- eu acho que não entendi.
__ Eu tive caxumba e fiquei estéril.
Essa revelação cai como um tapa e minha face. Agora entendo essa devoção a Alicia. Não por mim, nunca eu. Apenas um filho legitimo. Por que é isso que alicia é já que ninguém sabe que ela é filha de outro.
Ele se aproxima. Eu me afasto.
__ Ella...
__não toque em mim. Tenho nojo de você.
__ Ella... – sua voz é desesperada.
__ Sai.
Ele tenta se aproximar, me afasto mais.
__ Sai.
Ele abaixa os braços e sai do quarto batendo levemente a porta. Desabo no chão chorando. Mal consigo pensar. Eu aprendi a amar tanto esse homem e a única coisa que importa para ele é que pude dar uma filha para ele.
Doi tanto que é desesperador.
Fale com o autor