Limiar entre intrigas, desejo e o amor
45 Capítulo 45
Notas iniciais
POV ELLA
Essa foi a nossa primeira noite na Itália. Edu alugou uma casa para o próximo mês que é nosso tempo aqui. Mas estranhamente trouxéssemos roupas e objetos pessoais para uma vida. Estou um pouco de mau humor, sinto como se Edu me escondesse algo. Ele tenta parecer tranquilo, mas só relaxou quando pousamos aqui. Eu precisarei procurar novos médicos para me acompanhar, estou agora com seis meses de gravidez e minha barriga cresceu consideravelmente.
___Bom dia carinho.
Meu marido entra no quarto com uma bandeja. Sorrio. Além de ser nossa primeira noite aqui foi também a quebra de jejum de sexo depois de mais de um mês. Ele está apenas de cueca, expondo seu definido abdômen e músculos. Esse homem é mesmo muito bonito. Seu cabelo está molhando, evidenciando um banho recente.
___Bom dia. –digo preguiçosa.
Ele coloca a bandeja na mesa ao lado e me beija com ardor.
___Já marquei uma consulta com um medico que me recomendaram aqui. Iremos lá e depois preciso ensaiar, amanhã começa a turnê.
Sorrio para ele. Sempre tão cuidadoso.
__Obrigado. Eu irei assistir seu ensaio.
___Ella. –ele diz asperamente.
__Sem chances. –digo passando sob ele e pegando o suco de laranja.
___Primeiro vamos escutar o que o médico vai dizer.
___Nada do que ele disser vai me impedir de ficar perto de você.
Ele faz uma careta. ___Amo você ciumenta, mas não quando isso é tão irracional.
___Irracional? Você está brincando não é? Estamos no território da italiana.
__E o que tem isso? Estou casado e Mirna sabe disso. Você não poderá ir comigo em todos os lugares, ficar me vigiando. Terá que confiar em mim.
Olho para ele indignada. ___Você me faz parecer uma maníaca por controle agora. Não estou indo te vigiar, apenas te acompanhar. –me levanto indo em direção ao banheiro. Viro-me antes de entrar. ___E isso Eduard Grey não é tópico para discussão.
Entro no banheiro, mas posso sentir seu sorriso ás minhas costas.
Como prometido vamos ao medico primeiro. Depois de escutar mil recomendações, saímos para uma volta pela Itália. Estamos na linda região da toscana, exatamente em Florença. Eu conhecia Milão, Veneza, Roma, mas não aqui. Por isso fizemos um tour por Catedral de Florença, Palácio Velho, Galleria degli Uffizi, Palazzo Pitti, Palazzo Strozz, Ponte Vecchio (Ponte Velha), Basílica de Santa Maria Novella, Centro Histórico de Florença, Piazza della Signoria, Museu Nacional de San Marcos, Piazza della Repubblica, Duomo de Santa Maria del Fiore e finalmente Galería de la Academia de Florencia que é onde meu marido irá tocar.
Não fico surpresa de avistar Helena e Mirna conversando animadamente. Puxo meu marido antes de aproximarmos.
___Acho que vou tomar um suco.
Ele me olha intrigado.
___Eu busco para você.
___Não estou invalida Edu.
Ele faz uma careta e me beija suavemente nos lábios. ___Tão mimada.
___E sua. –digo sorrindo.
__Minha. Não queria que ficasse circulando sozinha, mas já estou atrasado. Não demore.
__Ok. –Dou-lhe um selinho e saio.
Na verdade aproximo-me e me escondo atrás de uma pilastra. Fico observando meu marido se encaminhando para o palco, onde está uma aglomeração de músicos. Helena e Mirna se encaminham para ele todas sorridentes. Trinco meu maxilar de raiva. Controlo minha ansiedade. Preciso esperar o momento certo. Eles trocam algumas palavras. Edu fica olhando para o lado, ele parece perceber minha presença perto.
Já estou alguns minutos assim e isso está começando a me incomodar. Meu bebe está se agitando.
___Calma amor. Paciência é uma virtude. –digo acariciando meu ventre.
O ensaio começa. Percebo a ansiedade do meu marido com minha demora em aparecer. Acho melhor tranquilizá-lo mando watsapp informando que estou sentada relaxando no quiosque para ele não se preocupar. Observo ele lendo e sorrindo contrariado.
Mirna senta-se na primeira cadeira e fica o tempo todo com um sorriso. Fico aguardando o momento que parece nunca chegar. Já estou quase desistindo quando ela se levanta e caminha para os toaletes. Ótimo! Oportunidade perfeita.
Espero ela entrar no banheiro, aguardo um minuto e entro.
Sorrio por dentro. Ela está retocando a maquiagem.
Aproximo-me sem fazer barulho. Ela me vê pelo espelho. Deveria ter como registrar o pânico do seu rosto.
__Olá Mirna. –digo com um sorriso diabólico.
Ela sorri recuperando a compostura.
__Veio vigiar o marido?
__Não. Vim lhe ver. – me aproximo ainda mais.
__E qual a honra da visita? — seu tom é irônico.
A minha resposta é uma bofetada em sua face esquerda. Antes que ela reaja a puxo pelo cabelo.
__Retribuir a visitinha que você me fez em Seattle. –digo puxando mais. __E lhe dar um aviso: Eu fui complacente uma vez e não serei de novo. Eduard Grey é meu marido, pai do meu filho e não vou permitir que uma vadia como você tente destruir meu lar.
Ela resmunga e eu puxo seu cabelo até sua cabeça despender para baixo.
___Isso não vai ficar assim. Sua louca. — sua voz é um gruindo.
Sorrio malevolamente. __Não vai mesmo. Esse é só o começo. Chegue perto do meu marido de novo e você vai conhecer a fúria de uma Cross. O recado está dado. –digo empurrando-a.
Sorrio para ela de novo e saio. Sento-me na cadeira que ela estava. Edu sorri ao me ver.
Estou aguardando o show começar. E ele não demora. Mirna vem toda despenteada, com a blusa meio rasgada e com um sapato na mão.
___Olha o que essa louca fez comigo. –ela grita me apontando.
O ensaio para na hora. Faço cara de espantada.
As pessoas olham de mim para ela. Edu desce do palco em uma fração de segundos.
___O que está acontecendo aqui? -ele pergunta confuso.
__A sua esposa me atacou.
Continuo sentada. Acaricio minha barriga.
__Ella?
__Você tem outra esposa? -ela está praticamente gritando.
Ele se vira para me olhar com um semblante interrogativo.
___Ella? Carinho?
__Eu não sei do que ela esta falando. Nem tinha a visto ainda.
Um guarda se aproxima.
__Está tudo bem por aqui?
___Não. Fui atacada. –Mirna diz furiosa.
__Não por mim. Olha o tamanho da minha barriga. Como eu ia conseguir fazer isso com alguém? Você é atriz¿?-pergunto descaradamente.
Ela começa a andar em minha direção. Edu a para no caminho.
__Mirna não se aproxime da minha esposa. –sua voz é calma, mas está repleta de ameaça.
__Olha o que ela me fez.
__ Eu não fiz isso. –me viro para o guarda. __Olha para mim. O senhor acha que eu ataquei essa mulher? Que estou em condições de fazer isso?
Ele nos olha e avalia. __Acredito que não. A senhora está grávida. Acho melhor irem para casa e esquecerem esse incidente.
___Não vou esquecer nada. Vou te denunciar. – Mirna diz agitando os braços.
___Ótimo. Você tem alguma testemunha? Porque eu também irei te denunciar pelo que me fez em Seattle e eu tenho testemunha.
__O que você está dizendo Ella? — Edu me questiona se aproximando feroz.
__Ela é culpada pelo quase aborto que sofri.
As pessoas ao lado começam a se aglomerar.
Ele se vira e caminha para Mirna. E está irado.
__Edu...
__Calada! Juro que se te tivesse acontecido alguma coisa com meu filho você estaria perdida.
___É mentira dela. –Mirna diz se defendendo.
__ Não é. Eu sabia que tinha algo errado. A sua sorte foi que Ella não me contou. Só um aviso a você: fique longe de mim e da minha esposa. Eu te repudio.
Ele se caminha de volta a mim e me abraça forte. __ Vamos para casa. –ele diz pegando minha mão e me puxando suavemente.
___EDU NÃO FAZ ISSO EU TE AMO. VOCÊ NÃO PODE FICAR DO LADO DESSA MULHER QUE ENGRAVIDOU PARA TE PRENDER. –Ela grita descontroladamente.
Edu a ignora e continua andando.
___IDIOTA! ELE SÓ ESTA COM VOCÊ PELA CRIANÇA. ELE NÃO TE AMA. ELE ME AMA.
Ela continua a falar mais, só que já não escuto. Entramos no carro em silencio. A coisa mais rara é vê-lo furioso e nesse momento eu sei que ele está. Então o melhor é ficar calada.
Em casa eu vou para o quarto e ele para a biblioteca. Ele está com raiva. Eu sei. Preciso lhe dar espaço.
Passamos o resto da tarde e metade da noite sem nos falar. Não posso mais com essa agonia. Desço para falar com ele.
Entro no ambiente sem fazer ruídos. Ele está com um copo na mão e a metade da garrafa de uísque já se foi.
__Continua chateado? -pergunto incerta.
Ele levanta a cabeça. Seus olhos verdes expressam cansaço.
__ Desculpe pela cena de hoje. –digo me aproximando mais.
Ele continua calado.
__Edu está tão chateado assim por aquela mulherzinha?
__Estou chateado pela sua negligencia Ella.
Fico espantada com sua resposta. Antes que diga algo ele continua.
__Estou sim furioso. Comigo. Com você.
__Eu não fiz aquilo tudo com ela. Apenas tive uma conversa amigável com ela.
___Quieta Ella. Você não se preocupa com sua gravidez? Com seu filho? Queria ter outro estresse hoje? Queria passar mal?
__Eu... Não... Meu Deus eu só queria afasta-la de nossas vidas.
__Se colocando em risco? Já pensou se ela te agride fisicamente? Já pensou se você cai, se machuca?
__Sinto muito.
__Não sinta. Seja mais responsável. Você carrega outra vida.
__Eu só queria resolver essa pendencia com ela. Eu não pensei bem.
Ele balança a cabeça.
__Quando você vai entender que está casada? Quando você vai entender que você não tem que lutar sozinha? Estou aqui para você. Para enfrentar o mundo com você. Eu quero cuidar de você, te proteger, mas preciso que você permita isso.
__Só vou entender isso Edu quando você dividir o que te aflige também. Acha que não percebi que anda angustiado? Acha que não percebi que trouxemos praticamente todas as nossas coisas? Você está falando de companheirismo, mas não divide nada comigo.
__Por que quero te deixar tranquila. Quero te proteger.
__Então não me proteja. Só posso confiar em você se você confia em mim.
Digo saindo em disparada para o quarto. Lagrimas descem pela minha face. Malditos hormônios. Antes que eu chegue nas escadas ele me alcança e me puxa. Bato em seu peito. Não quero que ele me veja tão vulnerável.
Ele me abraça e eu paro de resistir. Libero o choro.
Ele me pega no colo e se senta comigo no sofá.
__Desculpa. –ele fala baixinho.
Aconchego-me mais nele.
__Me desculpe também.
__Vai ficar tudo bem. Vamos aprender a lidar com nossas diferenças. –ele diz acariciando meus cabelos.
... Dois meses e meio depois...
Depois do meu episodio com Mirna, a minha vida com Edu melhorou consideravelmente. Conversamos mais e nos aproximamos mais. Eu sei que ele ainda me esconde algo. Desconfiei disso quando ele me convenceu a morar no Canadá. Entendo que ele queira ficar longe de Christopher. Eu também quero, mas sei que há ainda uma razão mais forte para termos mudado já. Da Itália fomos para uma viagem de lua de mel em ilhas Dominicanas. Há poucos dias nos instalamos em nossa nova casa. Minha mãe chegou ontem, já que meu parto está previsto para a próxima semana. A vida no Canadá é muito boa, apesar que sinto falta do meu trabalho. Mas optei por uma nova vida e no momento só penso em ver o rostinho do meu bebe. Irei me dedicar a ele nesses primeiros anos e só depois voltarei a trabalhar. Estou ansiosa. Sei que está se aproximando a hora do parto, já sinto o cansaço e o peso da barriga.
__Está tudo bem carinho?
Sorrio. Meu marido entra em nosso quarto e ao me ver quieta se mostra preocupado.
__Só cansaço.
__Quer que lhe faça uma massagem?
__Não. Quero que se deite aqui comigo.
Ele sorri e faz o que peço.
__Minha mãe já se recolheu?
__Sim. Ela ainda esta cansada da viagem.
Assinto com a cabeça.
__Estou te achando ansiosa. –ele fala beijando minhas temporãs.
__Eu estou. Quero ver logo nosso filho. E também tenho medo.
__Medo?
__Edu se acontecer alguma coisa no parto...
__Xiii. Não vai acontecer nada. Vocês estão ótimos. E eu vou está lá.
Suas palavras me tranquilizam.
Aconchego-me nele. Em minutos pego no sono.
Acordo sentindo pontadas na barriga. Olho o relógio da cabeceira. 02:30 da manha. Ótimo horário para nascer bebe e uma semana antes.
__Edu... –digo suavemente.
Ele da um pulo da cama.
__Oi carinho. Quer alguma coisa?
__Preciso de você calmo.
__Por que? — Sua voz soa aflita.
__Estou sentindo pontadas na barriga.
__Ah meu Deus. –ele pula e começa um alvoroço.
Eu já não consigo dizer mais nada. Em instantes a casa toda esta acordada e dispersada. Minha mãe está aflita. Ela e meu marido recolhem minhas coisas e saem alvoroçados. Sento-me tranquilamente na cama. Respiro para controlar a dor. Troco de roupa, penteio meu cabelo.
__ELLA. –Edu entra no quarto transtornado.
Sorrio para ele.
__Achei que ia me deixar aqui. –digo delicadamente.
Ele me pega no colo. Eu ainda não sei como ele aguenta o peso.
__Até na hora de parir você consegue me tirar do serio. –ele resmunga. Eu só posso rir.
Ele e minha mãe fazem um alvoroço no hospital também. Só que aqui eles não são os donos e precisam seguir as regras, o que para um Grey e uma Cross são coisas difíceis. Se não estivesse com tanta dor eu acharia graça.
Já na sala de parto choro emocionada pela expectativa e por ter meu marido, o homem que eu amo ao meu lado segurando a minha mão. A dor pareceu sumir. Eu só consigo pensar em quão abençoada eu sou por ter um homem desse ao meu lado. Com ele eu não tenho medo. Ele aperta minha mão e beija meus lábios.
__Obrigado! –ele diz entre nossos lábios.
Ficamos nos olhando com admiração e amor. Ainda que não declaramos amor ele resplandece em nossas vidas e nessa sala.
O choro do nosso bebe irrompe pela sala.
Lagrimas descem. Mal escuto as felicitações dos médicos. Meu coração parece que vai romper no meu peito ao sentir esse pequeno ser nos meus braços. Meus olhos cinzentos encontram os pequenos olhinhos da minha vida.
Edu está em pé. Lagrimas rompem em seus olhos.
__Venha carinho conhecer seu bebe.
__É menina ou menino? — ele pergunta emocionado e se aproximando.

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