Lily Oliver e a Profecia Perdida
5 A Hora do Chapéu
Notas iniciais
Capítulo 05 — A hora do Chapéu...
P.O.V. Lily Oliver
Não demorou muito para os murmúrios começarem dentro da sala de como seria a seleção, mas não de como eles seriam selecionados, já que os mestiços e nascidos-trouxa tinham acesso aos livros da saga. Todos estavam preocupados com em que casa cairiam.
– D-desculpe. – disse uma menina loira ao trombar em mim.
– Não precisa se desculpar, não foi nada. – respondi com um sorriso. – Sou Lily, Lily Oliver e você?
– Meu nome é Alice, Alice Lux Longbottom. – ela respondeu sorrindo. – Mas pode me chamar só de Lice.
Então, algo nos fez pular de susto, bem como vários outros gritarem atrás de nós. Tive que revirar meus olhos, eu sabia o que era.
Cerca de vinte fantasmas passaram pela parede dos fundos, todos eles eram branco-pérola e ligeiramente transparente, exatamente como imaginei em minha mente. Eles deslizavam pela sala conversando entre si, mal nos vendo.
– Olhem! Alunos novos! – disse um fantasma com aquelas golas rufantes de antigamente, que logo reconheci sendo o Nick Quase Sem Cabeça. – Espero ver cara nova esse ano na Grifinória.
E, finalmente, quando a diretora voltou para nos levar para a seleção e os fantasmas voltaram para o salão principal, Minerva McGonagall nos organizou em uma fila e a seguimos para a seleção.
Eu estava nervosa, muito. Meu corpo estava pesado, mas me arrastei para ficar entre Lice e Fred II e segui a fila para o salão. E o lugar era ainda melhor do que imaginara.
As velas flutuavam por entre as mesas compridas, onde os demais estudantes nos esperavam sentadas. No outro extremo do salão, estava a mesa dos professores. Minerva se sentou em seu lugar e Hagrid veio em nossa direção, nos levando até o final das grandes mesas, nos deixando na frente dos professores.
Toda a escola nos observava, até mesmo os fantasmas espalhados entre os alunos. Para evitar os olhares deles fixos na gente, me peguei observando o teto estrelado, assim como muitos outros alunos.
– É enfeitiçado para parecer o céu lá fora, li em Harry Potter e a Pedra Filosofal. – me peguei comentando isso, fazendo os nascidos-trouxa e alguns mestiços rirem.
Mas era bem difícil de acreditar que o teto do Salão Principal não se abria para o infinito céu lá fora.
Sai dos meus pensamentos quando Hagrid depositou a nossa frente um banquinho de quatro pernas e, em cima do mesmo, um chapéu de bruxo todo remendado e sujíssimo. Tia Louise jamais chegaria perto de algo desse tipo.
Lembrar-me de minha tia, me fez voltar ao meu dilema? E se eu caísse na Sonserina igual minha prima? Não, isso não poderia acontecer, não mesmo.
Então, o Chapéu se mexeu e um rasgo próximo a sua aba se abriu como uma boca e ele começou a cantar.
“Ah, vocês podem me achar pouco atraente,
Mas não me julguem só pela aparência
Engulo a mim mesmo se puderem encontrar
Um chapéu mais inteligente que o papai aqui.
Podem guardar seus chapéus-coco bem pretos,
Suas cartolas altas de cetim brilhoso
Porque sou o Chapéu Seletor de Hogwarts
E dou de dez a zero em qualquer outro chapéu
Não há nada escondido em sua cabeça
Que o Chapéu Seletor não consiga ver,
Por isso é só me porem na cabeça que eu vou dizer
Em que casa de Hogwarts deverão ficar.
Quem sabe sua morada é a Grifinória,
Casa onde habitam os corações indômitos.
Ousadia, sangue-frio e nobreza
Destacam os alunos da Grifinória dos demais;
Quem sabe é na Lufa-Lufa que você vai morar,
Onde seus moradores são justos e leais
Pacientes, sinceros, sem medo da dor;
Ou será a velha e sábia Corvinal,
A casa dos que têm a mente sempre alerta,
Onde os homens de grande espírito e saber
Sempre encontrarão companheiros seus iguais;
Ou quem sabe a Sonserina será a sua casa
E ali fará seus verdadeiros amigos,
Homens de astúcia que usam quaisquer meios
Para atingir os fins que antes colimaram.
Vamos, me experimentem! Não devem temer!
Nem se atrapalhar! Estarão em boas mãos!
(Mesmo que os chapéus não tenham pés nem mãos)
Porque sou único, sou um Chapéu Pensador!”
O salão inteiro rompeu em aplausos após a canção. O Chapéu fez uma espécie de reverência para cada uma das quatro mesas e se calou mais uma vez. Enquanto o professor e Guarda-Caças se adiantou com um pergaminho, pensei que o Chapéu pedia demais, não me achava inteligente ou, principalmente, corajosa, nem qualquer outra coisa.
– Quando eu chamar seus nomes, se aproxime, sente-se no banquinho e coloquem o Chapéu para a seleção. – disse Hagrid com um sorriso encorajador. – Longbottom, Alice.
P.O.V. Alice Longbottom
Eu fui andando bem atrapalhada para o banquinho, levei até mesmo um tropeção, mas não cai, felizmente. Sentei-me no banquinho tremendo e Hagrid pôs o chapéu em mim.
– Hm, uma mistura um tanto interessante. – disse o Chapéu em minha cabeça. – Você tem muita inteligência e, igualmente, lealdade. Faria qualquer coisa pelas pessoas corretas e inocentes, sempre os defenderia não se importando se elas fossem seus amigos ou não. Vejo muita ambição também.
“E quem não tem?”, pensei um tanto quanto ignorante.
– Exato, quem não tem ambições? Sim, acho que você se daria muito bem na Sonserina. – ele prosseguiu com a minha seleção sem me permitir interrompê-lo novamente. – Entretanto, vejo muitos pensamentos marotos em sua mente. Sonserina, Grifinória, Corvinal ou Lufa-Lufa, eis a questão... Acho que tanto eu quanto você sabemos qual é o seu lar. – e, para o resto do salão, anunciou em alto som. – GRIFINÓRIA!
Sai cantarolando alegremente para a mesa vermelha e dourada, que aplaudia minha chegada. Sentei-me para ver o próximo selecionado.
P.O.V. Fred Weasley II
Ao ser chamado, após um tempo, segui para o banquinho com um frio na barriga. E se eu não fosse tão bom quanto meu pai e meu tio? E se eu fosse para a Sonserina? E se eu não fosse para a Grifinória?
Com a cabeça fervilhando de perguntas e dúvidas, me sentei no banquinho e Hagrid colocou o Chapéu em minha cabeça e vi tudo escurecer. Ah, não! Era só o chapéu mesmo.
– Sem dúvida o sangue maroto corre em suas veias, Sr. Weasley. Não há o que temer. – ele disse e já anunciou para o salão. – GRIFINÓRIA!
Sorri aliviado e logo me juntei a mesa dos leões para assistir o resto da seleção.
P.O.V. James Potter
Alguns outros nomes foram chamados e logo chegou a minha vez. Diferente de Fred e de Lice, eu não estava nervoso. Tinha certeza que iria para a Grifinória, era o destino. Até por que, eu sou um Potter, o sangue maroto corre em minhas veias e não haveria outro lugar para ir.
– Confiança demais nem sempre é bom, Sr. Potter. – disse o Chapéu tão logo me sentei no banquinho com ele na cabeça. – Tome cuidado com esse excesso de confiança, garoto. Mas de uma coisa tem razão, sua casa está destinada, é claro. – então, ele anunciou para o salão. – GRIFINÓRIA!
Enquanto andava para a minha mesa com um sorriso tenho trinta e dois dentes, eu torcia para aquela ruivinha da Madame Malkin e do expresso cair na casa dos Leões também. Não sei por que, mas ela mexeu comigo de jeito.
P.O.V. Lily Oliver
Estava distraída pensando em quem iria agora, pois estava claro que não seguia uma ordem alfabética, e me assustei ao ouvir meu nome, o que não deveria acontecer, afinal eu era a última.
– Oliver, Lily. – chamou Hagrid sorrindo para mim.
Caminhei nervosamente para o banquinho, e se eu fosse para a Sonserina? Não, Lily, foco. Lembre-se dos livros. Mas que eu não suportaria dividir o salão com minha prima, isso eu não iria. Sentei-me e logo tinha o Chapéu em minha cabeça.
– Ah, sim! Mente bem difícil a sua, mas sabe? Você me lembra alguém, uma das mentes mais brilhantes que já passou por mim, pode acreditar. – começou o Chapéu. – Mas bem, isso é passado, vamos falar de você. Vejo uma garota muito gentil, pelo menos com a maioria das pessoas. – ele me disse e riu, me deixando irritada por ser zoada por um chapéu. – Ok, calma Srta. Oliver. Tens uma boa linhagem... E agora estou em dúvida, Corvinal ou Grifinória? Grifinória ou Corvinal? Bem, tenho que dizer... – e, então, ele anunciou em alto e bom som. – GRIFINÓRIA!
O que ele quis dizer com “boa linhagem”? Não entendi nada, mas bem, quem liga? Agora é oficial, eu sou da Grifinória. Isso é tão demais! Mas ai eu lembrei quem também estava na minha nova casa...
– Ruivinha! – disse James tão logo eu me sentei-me à mesa.
“Merlin, o que fiz para merecer isso?”, quis gritar, mas me controlei. Ainda bem.
– Ah, então você é a ruivinha do James? – perguntou Lice a mim, já se servindo, assim como todos.
– Ahá! Tá vendo, meu lírio? Até a Licezinha concorda.
– Vocês já se conheciam? – perguntei para Lice, ignorando o Potter.
– Tá falando de mim e Jay? Sim, já nos conhecíamos
– Jay? – perguntei surpresa.
– Não precisa ficar com ciúmes, somos só amigos. – ela me deu um sorriso malicioso, que eu devolvi com um maligno.
– Eu? Ciúmes desse ser? Por favor, conte outra piada. – revirei meus olhos. – Nem meu amigo ele é.
Ela riu de mim e se virou para o idiota do Potter. — E não ouse me chamar de Licezinha de novo.
– Ou o quê? Vai fazer o quê, Licezinha?
Ela bufou e socou o braço dele, me fazendo rir e fazendo o idiota passar a mão no local com uma careta.
– Hey, isso doeu!
– Que bom, atingi meu objetivo. – ela sorriu e voltou para seu pavê de chocolate e para seu livro.
– Que livro é esse, Lice? – eu perguntei curiosa.
– Jogos Vorazes, é um ótimo livro.
– Já ouvi falar, já leu Percy Jackson?
– Já sim! – ela respondeu animada. – Qual o seu preferido?
E assim começamos uma conversa animada sobre livros que durou todo o jantar, paramos apenas quando Minerva se pôs de pé e todos, inclusive nos duas, ficaram em silêncio.
– Bem vindos alunos novos e alunos não tão novos. Espero que tenham apreciado o jantar tanto quanto eu. – disse Minerva sorrindo e começando seu discurso. – Agora, aos avisos: Como todo ano, devo ressaltar que a Floresta Proibida é terminantemente proibida a todos os alunos.
Pode ter sido apenas mera impressão, mas Lice, Potter, Fred e outros ruivos, que acredito serem Weasley, sorriram marotamente ao mesmo tempo.
– E temos uma lista de artigos proibidos pregado à porta do nosso zelador, o Sr. Argus Filch, que não hesitará em confiscar qualquer item dessa lista que ele encontrar nas mãos de alunos. Sem mais, desejo a todos uma boa noite e que sigam para seus dormitórios, seus pertences já se encontram lá.
– Alunos novos, comigo. – gritou Victória assim que Minerva terminou o discurso.
P.O.V. Victória Weasley
Após o discurso da diretora McGonagall, tentei juntar os primeiranistas com a ajuda inútil de Teddy, afinal tinha que levá-los para o nosso Salão Comunal.
– Anda, Teddy. – puxei meu namorado. – Me ajuda.
– Calma, Vicky. – disse o meu metamorfo. – Sem estresse.
– Não ficaria estressada se fosse me ajudasse, cabeção! – disse batendo de leve no mesmo.
Aos poucos, conseguimos reunir os novatos e seguimos nosso caminho. Enquanto eu explicava algumas coisas básicas, como as escadas que se movem, o idiota do meu namorado falava sobre marotices. Ain que raiva! Depois não sabe por que apanha. Mas o que posso fazer, filho de maroto, maroto é.
Não demoramos muito para chegarmos ao quadro da Mulher Gorda e eu falar a senha não só para ela, mas para os novatos também, pedindo para eles a memorizarem.
– Fortuna Major. – disse bem claro para não haver problemas depois.
No salão, deixei que eles olhassem bem para o local, que já tinha alguns alunos, afinal a primeira vista sempre é a mais surpreendente.
– Muito bem, alunos, dormitórios femininos é subindo por aqui. – indiquei uma das escadarias. – Masculinos é na outra.
– Meninos não podem subir a escada para o dormitório feminino, por isso nem tentem. Vai por mim, experiência própria. — disse Teddy com uma careta e ganhando outro tapa meu. – Ai Vicky!
– Pois bem, vocês receberão os horários amanhã no café e qualquer dúvida, procure-nos ou a outro monitor da Grifinória. – disse para os pequenos, ignorando meu namorado. – Boa noite.
Logo me dirigi para o meu dormitório, mas antes olhei bem discretamente para a aluna nova, a Lily. Não sei por que, mas ela me é muito familiar. Mas coitada dela, ao que parece James está na cola dela.
Bom, o problema não era meu, ainda. Sem mais demora, fui me deitar, amanhã meu dia seria cheio.
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