Lilly — Seth Clearwater
9 ፠ Capítulo VII ፠

“When your legs don't work like they used to before
And I can't sweep you off of your feet
Will your mouth still remember the taste of my love?
Will your eyes still smile from your cheeks?
And darling I will be loving you till we're seventy
And baby, my heart could still fall as hard at twenty-three”
▬ Thinking Out Loud, Ed Sheeren. ▬
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O final da semana não foi muito diferente da segunda-feira. Eu fui para escola, fiquei muito com Renesmee e sempre visitava meu irmão em seu estúdio de tatuagem, era relativamente próximo de minha escola, bem na rua principal de Forks, então sempre estava muito movimentado. Ele estava se adaptado muito bem e seus desenhos eram muito lindos e delicados, eu o via trocar olhares com a recepcionista do lugar, mas preferi não perguntar, se fosse algo importante, com certeza ele me contaria e eu não queria atrapalhar em nada, John merece ser feliz.
Troquei mensagens com Seth por todos os dias, não nos vimos mais porque ele sempre estava ocupado, seja trabalhando na oficina ou em suas rondas. Tinha dias que ele chegava pela manhã em casa e isso me preocupava, ele mal dormia. Sempre que nos falávamos por facetime, seu lindo rosto aparentava cansaço e ele sempre estava fazendo alguma coisa em casa, já que morava sozinho. Não posso negar que a cada dia que passava eu me sentia mais envolvida com ele, me fazendo ansiar ainda mais por nosso encontro.
A sexta-feira se iniciou com uma saga para a roupa ideal: eu vesti várias e nenhuma parecia perfeita. O inverno havia chegado, mas a neve não estava tão acumulada assim, então optei por colocar um vestido de lã vermelho, com meias longas e uma bota de couro que ia até minhas coxas. Para ficar mais agasalhada, coloquei um casaco grosso. Passei um pouco de maquiagem e prendi meus cabelos em um rabo de cavalo frouxo.
O nervosismo não me deixou comer no café da manhã, então quando minha melhor amiga chegou, eu já a aguardava na varanda, coisa que nunca acontecia, normalmente ela que precisava me esperar. Antes que eu entrasse no automóvel ela me olhou de cima a baixo e abriu um largo sorriso.
“Olha, o Seth precisa te chamar mais vezes para sair.” Disse me fazendo revirar os olhos, fingindo indignação.
“Bom dia Renesmee Carlie! Dormiu comigo?”
“Ninguém mandou me dar intimidade, eu perco a educação muito rápido quando isso acontece, Lillian.” Disse e eu não me segurei, gargalhei alto.
Renesmee tinha se tornado uma das pessoas mais importantes dessa minha nova fase, eu nunca tinha tido uma melhor amiga antes, mas tinha certeza que nenhuma outra pessoa iria me entender tão bem. Ela era engraçada e divertida, mas eu ainda conseguia sentir que ela me escondia alguma coisa. Ela dirigia e cantarolava Wannabe da Spice Girls enquanto eu olhava pela janela.
“Eu estava pensando em fazer uma festa do pijama, o que acha?” Perguntou e eu a olhei.
“Assim, do nada?” Não entendi.
“Bem, não é assim tão do nada. Meus pais querem te conhecer, eu falo de você o tempo todo, então minha mãe está curiosa.” Disse e eu sorri. Percebi que nossa amizade estava atingindo outro nível, já que minha amiga ruiva não era de falar de sua família. Na verdade, ela não falava deles, tudo o que eu sabia era por meio de boatos.
Eu sabia que ela havia sido adotada por Esmee e Carlisle Cullen, o principal médico da cidade e que tinha muitos irmãos adotados também. Percebendo que não falei nada, ela prosseguiu.
“Eles não são o tipo de família comum, preciso que você tenha a mente aberta, ok?”
“Ei, pode parar já com isso! Renesmee, você tem uma família, uma mãe e um pai que amam você, você faz ideia do quanto eu gostaria de ter um momento a mais com minha mãe ou ter a chance de conhecer meu pai?” Suspirei enquanto ela estacionou o carro.
“Me descul-“ Tentou dizer mas eu a interrompi.
“Não precisa se desculpar, mas os valorize. Se existe alguém que não ame e aceite sua família do jeitinho que ela é, não pode ser considerado um amigo Ness. Eu sei que você não gosta muito do John, mas o aceita e o trata bem e eu não serei diferente. Então não se preocupe, ok?” Disse e ela assentiu.
Caminhamos juntas para nossa primeira aula, biologia, que eu não era da mais fanáticas, mas precisaria encarar. Ficamos até a hora do intervalo estudando o processo de meiose, sua importância e a diferenciar suas fases. Comemos nosso almoço rapidamente e quando nos encaminhamos para a última aula do dia, tomei coragem e perguntei o que passava em minha cabeça há muito tempo.
“Ness, por que você e Jake nunca saíram?” Perguntei subitamente, fazendo a minha melhor amiga parar de andar na hora. Ela suspirou e olhou pro chão, percebendo que não adiantaria negar.
“Eu tenho poucos amigos Lill, na verdade, só considero você, o Jake e o Seth. Tenho medo que o que eu sinto possa mudar alguma coisa.” Colocou o cabelo atrás da orelha, com uma feição de preocupação.
“Mas e se ele começar a namorar? Se ele seguir em frente?” Ela tentou responde, mas não deixei, continuando meu discurso. “Ness, fala pra ele. Eu passei dez anos amando o Noah e em boa parte desse tempo eu estava sofrendo, principalmente quando eu o via trocar de namorada como quem trocava de roupa. Por favor, aprenda com os meus erros, diga como você se sente.”
“Mas e se ele não me amar de volta?” Perguntou e eu sorri. Como ela podia não ver o que estava escrito na testa de Jacob?
“Então ele vai ser um completo idiota.” Disse e ela sorriu pela primeira vez. “Jake é um homem bom, leal e excelente amigo, dizer como se sente não mudaria a amizade de vocês, eu tenho certeza disso.” Começamos a caminhar quando eu continuei. “Não quero que se sinta pressionada, mas pense sobre ok? Não seja uma Lillian Alison.” Disse entrando na aula de literatura.
A professora Flinn falava sobre a importância do Renascimento na literatura moderna e como o movimento que surgiu principalmente na Itália nos influencia até nos dias de hoje. Eu não posso dizer que estava prestando atenção, minha ansiedade estava atingindo níveis alarmantes, eu suava, tremia as pernas e sentia meu coração bater tão forte que parecia que iria levantar voo. Ness tocou em minha mão algumas vezes para tentar me acalmar, mas não funcionou.
Quando o sinal do fim da aula tocou, guardei meus materiais e segui com minha melhor amiga até o estacionamento, onde tinha marcado de encontrar o cara de cabelos longos. No meio do caminho eu parei de andar e ela parou ao meu lado.
“Lill, não precisa ficar nervosa. Ele te chamou pra sair mesmo depois de te ver naquele pijama horrível do Star Wars”
“Não está ajudando, Ness.” Disse ainda mais nervosa, começando a comparar meu pijama infantil com a bela mulher de coxas grossas de segunda-feira.
“Ele já gosta de você, minha amiga. Ele só quer te conhecer um pouco melhor, continue sendo a Lilly que encanta a todos, vai dar certo.” Disse ela e eu abracei, ela retribuiu me apertando forte.
“Eu te amo Ness, você foi um presente na minha vida.” Desabafei e a senti sorrir.
“Eu também te amo Lill.” Disse me puxando pela mão e me forçando a andar.
Quando chegamos ao estacionamento, não foi muito difícil encontrar o Sr. Clearwater. Ele havia parado seu carro na primeira vaga mais próxima da saída principal de Forks High School, ele estava escorado no capô e mexia no celular, o que foi uma ótima oportunidade para o olhar melhor. Seus longos cabelos estavam soltos, ele usava calça e camisa jeans e diferente de domingo passado, estava usando tênis. Ele era lindo demais e eu era sortuda.
Renesmee despediu-se de mim e se adiantou para dar a ele um curto abraço e se dirigir para seu carro. Quando Seth me olhou ele sorriu amplamente, aquele tipo de sorriso que Taylor Swift descreveu em You Belong With Me, um que iluminaria uma cidade inteira. Eu me aproximei em lentamente e quando mais estava perto dele, mas envolvida por seu cheiro amadeirado eu estava.
“Ei” Disse timidamente e ele ainda conseguiu ampliar ainda mais seu sorriso.
Ele não me respondeu, mas fui recebida com um abraço de urso, seus braços fortes me envolviam por completo e eu me encaixei em seu peito esculpido. Seth era composto de músculos e meus hormônios adolescentes borbulharam, fazendo com que eu lembrasse de como ele era sem camisa. Eu me senti confortável e protegida por ele, poderia estar ali para sempre.
“Ei” Finalmente respondeu ele, me dando um beijo na testa e abrindo a porta do carro pra mim, um cavalheiro.
O caminho até Port Angels foi gostoso, conversávamos sobre o dia dele no trabalho, sobre minha adaptação a nova escola, falei sobre meu irmão e ele até pensou sobre apresenta-lo a Leah com a desculpa que ela precisava conhecer alguém novo, mas eu sabia que ele queria que sua irmã mais velha ficasse um pouco mais feliz, por isso, concordei.
“Não sei como você consegue gostar de química” Disse quando comentei que o Sr. Tunder me convidou para fazer parte do clube de química que participaria do decatlo acadêmico.
“Eu amo química, sempre gostei, não sei como começou isso, mas sempre fez muito sentido pra mim.” Disse não me importando com seu julgamento.
“Você é um E.T.” Gargalhei.
“Eu sou pior que um E.T., eu sou uma nerd.” Ele gargalhou comigo.
Quando ele finalmente estacionou o carro, decidimos que iriamos ver um filme primeiro, já que estava muito cedo. Quando chegamos no cinema, apenas havia um único título em exibição, antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, Seth se adiantou e me explicou que era a sequência de um dos seus filmes favoritos. Assim que compramos os ingressos, ele me explicou que o filme era basicamente carros e tiros, coisa que eu não escolheria, mas ele pareceu tão animado, que eu não consegui negar.
Compramos um balde enorme de pipoca e muitos doces, quando nos encaminhamos para a sala, ele entrelaçou nossos dedos e eu sorri olhando em seus olhos. Seguimos assim até que o filme começasse. Na primeira cena de ação, ele passou seu braço por meus ombros, no primeiro tiro, eu me acomodei em seu peito. Era perfeito. Seth facilmente poderia se tornar minha casa.
O filme durou muito mais do que eu esperava, foram três longas horas e muitas perguntas da minha parte, que sempre eram respondidas com muita paciência por ele. Seguimos andando pela cidade com os dedos entrelaçados, ele sempre me explicava tudo: o melhor restaurante para comer, onde comprar os melhores HQs, uma livraria com muitos livros sobre a história Quileute e o píer. Port Angels não era uma cidade muito grande, mas era linda.
Quando passei o jantar, por ainda estar muito cheia dos doces e pipoca, ele resolveu que faríamos um passeio de barco pela baía, era uma atração muito comum por aqui. Entramos em uma enorme balsa branca, nos acomodamos na sacada, onde eu poderia olhar toda a paisagem. Seth me abraçou por trás, acomodou seu queixo em meu ombro e não deixou seu trabalho de guia por um único segundo.
“É muito lindo, eu não fazia ideia do quão lindo era.” Disse encantada com as paisagem verde e cinza que observava.
“Realmente, é incrível.” Disse suavemente e quando eu olhei em seus olhos percebi que ele não estava falando de Port Angels ou sua baía magnífica, ele olhava pra mim e eu como a boba que sou, sorri.
“Obrigada por me trazer, eu amei.” Disse me virando e o olhando em seus olhos.
Agora eu estava entre ele e a sacada. Seu corpo forte e alto estava colado ao meu, sua pele morena fazia um belo contraste com a minha pálida. Quando toquei em seu rosto, seus olhos se fecharam. Senti suas mãos apertarem minha cintura e fiquei na ponta dos meus pés para chegar ainda mais próximo, mesmo assim, ele se inclinou para que estivesse ainda mais próximo de mim. Nossos lábios estavam quase se encontrando, quando Seth apertou os lábios e se afastou, me deixando sem entender.
“Antes que você se envolva comigo, eu preciso lhe contar uma coisa.” Ele disse pausadamente e eu não consegui responder, ainda estava digerindo o que havia acontecido há poucos segundos. “Vamos voltar.” Disse pegando em minha mão e caminhando comigo assim que o barco atracou.
Não falei nada mais, Seth também não puxou assunto. Ele parecia incomodado e eu estava magoada. Toda a felicidade que foi a ida, não foi o bastante para completar a volta. Já estávamos a caminho de La Push quando voltei a falar.
“Eu fiz algo errado?” Perguntei e ele desviou o olhar da estrada por alguns segundos para me olhar e sorriu fraco.
“É claro que não, meu amor. Eu só quero cumprir nossa promessa, ok?” Eu assenti.
Seth saiu da rodovia, tomando uma estrada de trilha pela floresta. Precisamos sair do carro quando a quantidade de árvores se intensificou, nos impedindo de passar. Eu fiquei com medo de estarmos entrando na floresta, já havia ouvido uivos muitas vezes e havia visto na televisão que alguns ursos foram vistos há pouco tempo. Seth percebeu minha hesitação, pois estendeu sua mão pra mim.
“Confia em mim?” Perguntou e eu assenti. “Não vamos fazer um caminho muito difícil, quero que preste muita atenção por onde estamos andando, caso queira ir embora sem mim, não irei te impedir. Só te peço que me escute e que preste atenção.”
“Tudo bem.” Disse assustada.
Começamos a caminhar pela densa, úmida e verde floresta de Forks. Fomos recebidos por lindos pinheiros de copa alta, pela terra marrom e molhada. Ao longe conseguia ouvir alguns pássaros cantando, ainda lutando contra o inverno. Como Seth havia me falado, o caminho não era muito difícil. Prestei muita atenção em tudo, para gravar o caminho. Só paramos quando chegamos a uma bela campina.
Nevava um pouco quando entramos nela, dando uma beleza quase etérea. A grama era rasteira e verde clara, as árvores a circulavam perfeitamente. Era lindo, imaginei como seria na primavera, com flores por todo lado.
“Lilly, eu espero que você não se assuste, mas é uma parte de mim.” Ele suspirou. “Não é nada que você precise se preocupar, ainda serei eu, ok?”
“Tá bom.” Respondi sem entender.
“Eu vou entrar e sair por ali.” Disse apontando para o lado sul da clareira e se aproximando de mim. “Ainda serei eu, não se esqueça disso, por favor.” Disse como em uma prece beijando minha testa.
Ele se afastou rapidamente, entrou por entre as árvores e saiu de meu campo de visão. Eu mordia meu lábio inferior, não conseguindo negar meu nervosismo. Agora que Seth havia se afastado, o frio judiava de meu corpo desprotegido, o vestido e as meias não estavam sendo o suficiente para lidar com o vento que corria pela clareira. Quando olhei para a parte da clareira onde Seth havia sumido, me assustei.
O que eu temia estava na outra extremidade: um lobo enorme. Seus pelos tinham cor de areia e eram muito longos, eu fiquei apavorada. Aquele animal poderia ter feio algum mal a Seth ou até mesmo o matado, ele podia me matar. Comecei a pensar em como conseguiria fugir ou o distrair, mas nada me passou pela cabeça. Quando ele andou em minha direção, quis correr, mas o medo não deixou, eu estava presa.
Ele agora estava a alguns passos de mim. Eu nunca havia visto um lobo tão grande, em quatro patas ele conseguia ser mais alto que eu. Eu tinha mais de 1,60 cm de altura, ele era enorme. Eu super ventilava e tremia, mas quando olhei nos olhos do lobo eu me lembrei ‘ainda serei eu, não se esqueça’, os lindos olhos negros estavam ali.
“Meu deus, que eu não seja uma maluca suicida.” Sussurrei quando dei um passo em direção ao lobo, ele recuou um pouco, mas quando estiquei minha mão par tocá-lo, ele se deixou levar. “Oi Seth.” Disse sorrindo e ele se aninhou em mim. Fiz carinho em suas orelhas e sorri, ele era uma caixinha de surpresas.
Quando ele se afastou novamente, não demorou muito para que voltasse. Ele estava usando apenas os jeans e trazia sua camisa na mão. Tive a visão do paraíso, o presente conseguia ser ainda melhor do que a lembrança, Seth parecia ter sido esculpido.
Ele correu até mim, não disse nada quando enlaçou minha cintura e me beijou. Nossos lábios se encontraram como nunca havia encontrado com o de ninguém, era perfeito. O meu lobo me beijava com fome e sem qualquer cerimônia, suas mãos desciam e subiam por minhas costas e as minhas estavam concentradas em seu belo cabelo, nossas línguas tinham a sincronia perfeita. Eu me sentia quente, não sabia se era por Seth estar pegando fogo ou se era apenas eu.
Em um movimento rápido ele me pegou no colo, e avidamente enlacei com minhas pernas sua cintura. Ela passava a mão por todo meu dorso e pernas enquanto eu arranhava seus braços musculosos. Eu nunca havia tido essa intimidade com ninguém, mas eu não me importava, eu me sentia dele e eu o sentia meu.
Não sei se ficamos minutos ou horas nos beijando, mas eu sabia de duas coisas: Seth era um lobo e eu estava apaixonada por ele.
Quando o beijo terminou, sorrimos um para o outro. Antes que eu pudesse perguntar sobre qualquer coisa ele disse para sentarmos e aproveitar um pouco daquela linda clareira. Ele se sentou encostado em uma árvore e eu me sentei entre suas pernas, encostando em seu peito musculoso e quente enquanto brincando com seus dedos longos e com calos.
“Como assim você é um lobo?” Perguntei com uma voz engraçada e ele gargalhou.
“É uma coisa da nossa tribo. Desde sua fundação seus guerreiros se transformavam em lobos, para fornecer proteção para todos. Foi passado por geração em geração, até o dia de hoje” Disse agora mexendo em minhas unhas pintadas de azul.
“Mas então existem outros?” Perguntei e antes que ele respondesse eu tinha resposta. “Oh meu deus! Todos os meninos. Paul. Jared. Quill. Embry. Jake?” Perguntei e ele assentiu. “Então só existem homens? Que machista!” Reclamei e ele gargalhou.
“Você está realmente preocupada com isso?” Perguntou e eu assenti. “Você acabou de saber que seu namorado é um lobisomem e está preocupada com igualdade de gênero?”
“Não existe um momento para ser feminista!” Disse empoderada e ele me olhou orgulhoso. “Peraí, namorado?”
“Se você quiser.” Me roubou um selinho e eu sorri.
“Eu quero.” Ele me apertou em seus braços.
“E tem uma mulher na matilha. Leah.” Ele disse e eu comemorei.
“Sabia que ela é maravilhosa. Leah quebrando paradigmas, amo sua irmã.” Disse e ele gargalhou.
“Você é inacreditável” Sorri.
Ficamos um tempo calados e apreciando o momento de estarmos juntos. Parecia uma loucura muito grande, como eu poderia estar apaixonada por alguém que conheço a uma semana?
“O que você pensou quando olhou pra mim a primeira vez?” Perguntei e ele acomodou melhor seus braços ao meu redor.
“Eu me lembro de cada detalhe daquele dia. Em um primeiro momento eu pensei ‘nossa, ela é linda’ e depois pensei ‘Wow, ela gosta de cozinhar e de star wars? É a mulher da minha vida’” Disse beijando o topo de minha cabeça. “Sobre isso eu preciso te contar uma coisa.” Ele pausou e suspirou. Eu me desvencilhei de seus braços e o olhei.
“Vamos fazer o seguinte: você me conta um segredo e eu te conto um meu, como você já começou, é a minha vez.” Sorri e ele assentiu me olhando nos olhos. “Eu fiquei com ciúmes quando te vi com a peituda-“ sua gargalhada me interrompeu. “Eu pensei em formas de mata-la ou de te passar o couro só por me fazer sentir daquele jeito. Pronto, meu segredo.”
“Não precisa se sentir enciumada, só existe você.” Eu sorri.
“Ela sabe sobre seu lado peludo?”
“Não, só você sabe.” Disse fazendo carinho no meu rosto. “Meu próximo segredo também tem relação com o meu lado peludo.” Eu ri quando ele repetiu minhas palavras. “Você sabia que quando um lobo comum encontra sua parceira, eles ficam juntos pra sempre? Ele fica ao lado dela o resto da vida?”
“O seu segredo é que você gosta de Animal Planet? Eu posso lidar com isso.” Disse para quebrar o clima e ele sorriu entendendo minha tática.
“Com lobos como eu não é diferente. O nome que damos pra isso é imprinting, quando um lobo encontra sua parceira de vida. Não necessariamente precisa ser um relacionamento amoroso, mas na maioria das vezes é. O lobo se torna cada vez mais presente na vida da parceira, cuidando dela, a respeitando, sendo amigo. Tudo isso se torna a base de um relacionamento eterno.” Suspirou sem me olhar. Meu coração batia acelerado e machucado, eu poderia perder Seth a qualquer momento quando sua impressão aparecesse.
“E você já teve a seu imprinting?”
“Eu tive sim e ela é linda.”
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