Lilith e Noctis
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Estava no meio da aula quando me chamam na sala do diretor. Não fazia ideia sobre o que se tratava essa ida para lá. Chegando na sala o diretor me passou o telefone.
—Alô?- perguntei.
—Alô, Lilith Zinarcovitz?- respondeu uma voz doce.
—Sim, quem é?
—Aqui é do hospital, seus pais e seu irmão acabaram de chegar aqui -meus olhos se encheram de lágrimas, eu nunca quis que eles fizessem essa viajem, agora sei o por que- e estão em estado grave,eu sei que é difícil, para uma garota de 17 anos ficar sozinha assim de repente, mas você poderia vir para cá? Acho que a recuperação deles pode ser mais rápida se tiver alguém aqui com eles.
—OK.- falei em tom monótono, não deixando transparecer minha tristeza e desliguei o telefone.
O diretor já sabia disso e me liberou no resto do dia. Fui para a sala e peguei minhas coisas, quando estava prestes a sair Darius, meu melhor amigo, segurou meu pulso me impedindo de mover e perguntou:
—O quê aconteceu?- eu olhei para ele e não consegui segurar mais, acabei chorando, e ele me abraçou-Ei, calma -falou calmamente enquanto acariciava minhas costas- fala pra mim o quê aconteceu pra eu poder te ajudar.
Depois de um tempo, eu consegui acalmar, respirei fundo e acabei falando.
—Meus pais e o Noc, eles estão no hospital.
Darius ficou em silencio por um tempo, mas logo falou com carinho.
—Vai ficar tudo bem, eu tenho certeza que eles estão te esperando lá, depois da aula eu fico lá com você -e me deu um beijo na testa.
Logo que cheguei no quarto de meus pais desabei de novo, me falaram que o estado deles era sério, mas não pensava que era tanto, o papai estava cheio de cortes no rosto, o nariz quebrado, deslocou o ombro direito,quebrou três costelas e perdeu muito sangue, já a mamãe, perdeu um olho, duas costelas quebradas, mais as pernas e a mão esquerda.
Eles estavam horríveis, e toda vez que olhava para eles eu só conseguia ver os ferimentos. E parecia que pioravam cada vez que eu olhava, e eu não conseguia fazer outra coisa que não fosse chorar, Noctis não estava ali comigo,ele sempre foi a minha força, e agora ele está na cirurgia, se ele morrer, eu não sei o que vou fazer. Algumas horas depois, meu pai acorda.
—Liz — me chamou com muita dificuldade- Minha querida...Eu sei que.. Não vou conseguir superar isso, então por favor... Não desista de nada...Sempre vou estar com você..Mesmo não sendo fisicamente...filha...eu...te amo...não esqueça isso.
Depois que ele disse isso, eu comecei a chorar de novo, e ele fechou os olhos, dois minutos depois a maquina apitou anunciando que o coração dele e da mamãe já não batia mais. Chamei as enfermeiras, mas não tinha mais volta. Eles já tinham morrido, e não voltariam mais, e agora eu estou órfã, só não posso perder meu irmão, ou meu mundo realmente vai ter acabado.
Quando eles estavam levando papai e mamãe Darius chegou, e me abraçou forte, e ficou falando que tudo ia ficar bem, mas eu sabia que isso era uma mentira, mas seria tão bom se eu pudesse acreditar, nem que fosse por um segundo. Pouco tempo depois me liberaram para ver meu irmão. Darius entrou comigo no quarto, quebrava meu coração ver meu irmão naquele estado, o tubo no nariz, o soro no braço, os arranhões no rosto,a perna esquerda as mãos e o peito estavam enfaixados e ainda tinha alguns pontos na cabeça.
A esse ponto eu já não conseguia mais chorar, só mostrar uma expressão de indiferença, encarando o nada, sem pensar em nada e não conversar com ninguém. Para a minha sorte Darius estava lá, ele cuidou de mim, me fez comer e antes de ir embora me cobriu, fez isso no primeiro dia, no segundo, ele pediu para uma enfermeira me dar banho, e continuou o resto do dia me abraçando e cuidando de mim, o terceiro dia ele faltou a escola, por que a enfermeira avisou que eu não estava aceitando comida de ninguém, depois de um tempo eu acabei dormindo, quando acordei Darius não estava mais no quarto. Mas Noc tinha acordado também.
—Hey Lizzie -falou sorrindo e me fez despertar do meu transe- vem aqui, mano sentiu saudades.
Acabei correndo na direção dele e o abraçando, enquanto o abraçava as lágrimas rolavam por meu rosto mais uma vez, mas dessa vez eram de felicidade, que não perdi meu querido irmão.
Fim.
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