Lilac Tarvie

1 Um garoto bode me dá noticias de mamãe


Notas iniciais
Espero que gostem, leiam também a fanfic Middle Gods, o lado da Kat da história.

Eu me considero normal... Está certo que eu, apesar de ser desconcentrada e desperta, sou um pouco mais inteligente do que os outros, mas tenho amigos, saio para me divertir e estudo coisas normais para uma garota de 14 anos. Eu acho que minha aparência também é normal: cabelos curtos loiro-escuro, olhos acinzentados, estatura mediana, razoavelmente magra. Vivo com meu pai em um apartamento de tamanho médio. Nada de diferente até aí. Bem, teve aquela vez que eu vi um monstro, mas hoje tenho quase certeza que foi um sonho... Acho que vou fazer uma lista de prós e contras, listas me ajudam a me organizar mentalmente, listas e gráficos...

–Lilac! Lilac?

–Estou ouvindo... -digo ainda levemente distraída

–Os resultados não foram totalmente conclusivos, mas achamos que é provável que você tenha dislexia e TDH

–Humm...- isso não foi uma grande surpresa para mim, na verdade, eu sempre achei que tivesse um pouco de dislexia. Quando eu era pequena confundia as letras e as vezes leio outras palavras ao invés das que estão escritas. Eu não esperava ter TDH, mas isso explicaria alguns traços de personalidade- Deve ser verdade, sabia que canhotos tem mais chances de serem dislexos? Eu sou canhota.

Meu pai pega os papéis e agradece o psicólogo. Ele estava um pouco estressado, não pelos resultados, mas sim por estarmos atrasados, acontece que pegar os resultados demorou um pouco mais do que nós esperávamos e já eram 7:48. Ele me segura pelo pulso e descemos para o carro, meu pai detesta estar atrasado. Ele me deixa na entrada para alunos e estaciona na garagem para funcionários, nada de estranho já que ele é professor de artes marciais na minha escola.

Eu corro para a sala e chego antes que o sinal bata, sento (como sempre) na mesma mesa que Luna e Caio, mas dessa vez um novo garoto senta no quarto lugar da mesa:

–Qual é seu nome, mesmo?- eu pergunto e Caio responde pelo garoto

–Lilac, eu já tinha percebido que você é esquecida mas não é possível que você não lembra do nome do garoto que senta na nossa mesa desde o início do mês passado!

–Er... Desculpa?- eu estava confusa, poderia jurar que nunca tinha visto esse menino

–Aí meu deus! Você ainda não lembrou do nome dele! Cara, é Teo!

–Teo...- esse nome não me invoca nenhuma lembrança, olho para o garoto: ele tinha cabelo compridos e uma touca por cima desses e parecia (aos meus olho fushoshis treinados) um pouco gay- Okay, não vou esquecer de novo- E então começamos os nossos estudos.

Eu planejava comer meu lanche com Lana e o novo garoto (não vou assumir meu erro, mesmo porque não estou errada ), mas Katarine faz um sinal indicando para que eu a encontrasse na salinha do descanso (que é para onde te mandam da enfermaria). Intrigada corro para lá, onde ela já me esperava:

–Bom dia, Kat

–Bom dia, aqui, quem é aquele garoto que sentou com você?

–Você também não conhece ele?! A Caio jura que ele é tipo bê-efe-efo nosso desde sempre, mas eu sei que eu nunca vi ele!

–A Alicia também diz que ele sempre andou com você...

–Eu nunca vi a porra do garoto!

–Nem eu, calma!

–... Ah é! Parece que eu tenho TDH e dislexia...

–Você é muito aleatórias, e o outro assunto super interessante? Morreu?

–Foi enterrado vivo. Será que a aleatoriedade é coisa do TDH?

–Não é, é coisa sua mesmo, maluca!

–Como você sabe, sonsa?

–Porque eu também tenho TDH e sei disso desde os 5, dãh!

–Ah, é! Parece que a maioria não é inteligente o bastante para disfarçar... Hahaha, indireta pesada!

–Magoei!

–To zuando, calma flower!- nós rimos juntas, Kat sabe como ninguém (assim como Luna ou Caio) que eu não sou tão fria e racional como pareço a primeira vista!

–Vou lanchar, nós falamos depois, Kat!- eu falo e desço para a cantina

Vejo Luna conversando com Teo um canto, ela parece um pouco confusa, bem se todos estão fingindo ou sei lá o que eu também posso entrar na brincadeira:

–Me desculpe Teo, como pude esquecer do nome do meu migo!-eu rio e ele parece surpreso. Talvez ele saiba, afinal, o porque de tudo isso, interessante...

–Luna eu preciso falar com o Teo por um momento, pode...

–Anh? -ela me olha confusa e eu faço um gesto de cabeça para "cai fora" -Okay...

Eu espero até que sua silhueta desapareça, ela provavelmente foi conversar com a Isabela:

–E então?- eu pergunto para o garoto -Eu acho que você me deve uma explicação...

Ele olha para os lados um pouco nervoso e ao constatar que não havia ninguém por ali ele retira a toca revelando duas pequenas protuberâncias: chifres...

–Um demônio?- eu estava intrigada, provavelmente estaria apavorada se minha curiosidade não superasse o medo

–Não!- ele parece um pouco ofendido -Um sátiro!

–Hum... Mitologia grega.- Okay agora eu estava curiosa de verdade- Como? Como a ciência deixou isso escapar?

–...- ele deixa escapar um risinho entre os lábios — Você é definitivamente uma Atena...

–Deusa da sabedoria grega... Tá você tem muito o que me explicar!

–Você deve saber um pouco sobre a mitologia grega...

–Modéstia a parte eu sei mais do que um pouco, eu li a Ilíada com 10

–Ótimo! -ele diz um pouco irônico e passa para um tom frio em seguida- Então vai gostar de saber que a mitologia grega é toda real

–Como isso tem sido mantido em segredo?

–Pela a névoa, que é o efeito que fez todos os seus amiguinhos acharem que eu já estudava aqui e não virem isso — ele aponta para as pernas que eu agora tinha percebido que tinham um formato estranho

–Pernas de bode, não é? -ele concorda com a cabeça- E aonde eu entro nisso tudo?

–Acontece que você é uma semi-deusa. Uma filha de Atena!

–Se isso é verdade então eu presumo que o que meu pai contou sobre minha mãe é mentira...

–A menos que ele tenha te contado que ela é Atena sim

–E você quer que eu passe a acreditar nisso só porque um garoto de cosplay falou? Aonde você quer chegar com isso?

–Você vai acreditar em mim quando outros seres se mostrarem, monstros mais precisamente. E para te defender deles que eu pretendo te levar para o acampamento meio sangue!- ele fala como se estivesse muito orgulhoso por se pertencer a esse acampamento

–Acho que eu vou esperar até os outros seres se mostrarem... Sátiro- digo a última palavra de um jeito irônico que irrita o garoto

–Você quem sabe...

No dia seguinte me sento novamente com Teo, hoje ele parecia mais preocupado com conversar com uma Luna do que comigo então tive um pouco de paz até o recreio:

–Lilac! Nós temos que ir!- o garoto estava apressado e puxava Luna pelo pulso, a garota loira parecia perturbada e estava mais quieta do que o normal

–Não me enche, eu não acredito nas suas bobagens!

–Eu estou falando sério! Temos que ir agora!

–Aham!

Ele pega algumas coisas de dentro da sua mochila e joga para mim, era uma carta e a minha mala pequena para viagens. Investigo primeiramente a mala: algumas mudas de roupas minhas, um agasalho consideravelmente grande, algumas comidas num saquinho, uma nesceceire, uma carteira e (aí que as coisas ficavam interessantes) moedas de ouro de aparência desgastada. Antes de perguntar decido ler a carta, era de meu pai e dizia algo como: o garoto bode está falando a verdade, vai com ele que você vai bem, eu te amo, só que ocupando duas páginas frente e verso.

–...- fico sem palavras e o sátiro parece satisfeito pela minha reação

–Acredita em mim agora?

–Minha vida toda acabou de despedaçar... Dá pra mostrar um pouco mais de respeito, garoto bode?!

–Okay, okay, já temos que ir para o acampamento meio sangue. Luna também é uma semideusa, ela vai com a gente. -eu olho para ela e a garota se dá de ombros, como quem diz "eu não sei de nada" -Eu espero que possamos não encontrar com o que está se aproximando de nós pelo caminho...

–E o que seria isso? -...- ele se dá de ombros- Eu não sei, e sinceramente espero que não cheguemos a descobrir.

–Certo, como chegamos no acampamento?

–O jeito mais prático seria pelo ar, mas vamos ver que tipo de carona arranjamos- O sátiro faz um sorriso dúbio e eu quase assumo que provoca-lo foi um erro.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.