Notas iniciais
Mais um extra, yaaaaay, e dessa vez é pra comemorar o dia dos namorados que é amanha...

Espero que gostem dessa coletanea de contos, besos de luz e se divirtam ♥

"Pois tudo em mim ama tudo em você

Suas curvas e traços

Suas imperfeições perfeitas"

Sofie acordou exatamente ás nove horas da manhã naquele dia.

O que era estranho, considerando que costumava acordar tarde em dias de folga. Mas ao ver a data que ficava logo abaixo do horário no seu celular, ela entendeu tudo.

Doze de junho.

Também conhecido como "dia de ansiedade.".

Sofie nunca pensara muito do dia dos namorados antes. Tinha consciência que era apenas uma desculpa criada pelo capitalismo pra vender mais presentes e aumentar a presença em cinemas, restaurantes e outros ótimos lugares de encontros.

Mas também, era o primeiro dia dos namorados que ela passava com um namorado. O que era estranho, no mínimo.

Ainda assim, ela estava ansiosa demais pra voltar a dormir. E com fome demais também.

Foi isso que a motivou a descer pra cozinha.

Achou estranho quando viu que a casa estava absurdamente vazia. E silenciosa. Isso era um milagre, considerando que vivia na Mansão Sakamaki.

E achou mais estranho ainda quando viu a mesa posta na cozinha. Takoyakis, bolo de chocolate, biscoitos e garrafas de chá e suco enfeitavam a toalha vermelha.

—Ayato?- Sofie chamou, percebendo que havia alguém na dispensa da casa.

Uma carinha de cabelos vermelhos e olhos verdes foi erguida de lá. Ayato então correu até a menina:

—Oy, o que está fazendo acordada? Volte a dormir!

—Que? Por que voltar a dormir?- Sofie estava confusa enquanto era nada gentilmente empurrada até a porta da cozinha.

—Porque... Ore-sama acordou bondoso hoje.- Ayato pigarreou- E...é.

—Ah.- Sofie se virou pra ele de novo.- Então você acordou bondoso... justamente no dia dos namorados... e resolveu fazer café da manhã?

—Eu não fiz. Eu comprei.- Ayato olhou para o teto, irritado com a esperteza da Herbert.- Eu tentei fazer bolo, mas acabei queimando a massa e achei melhor não tentar de novo antes que eu acabasse queimando a cozinha inteira.

Sofie não estava surpresa dessa vez.

—Faz sentido.- Ela acenou com a cabeça.- Então por que você não senta e a gente aproveita esse lindo café da manhã nada caseiro juntos?

—Eu...não...posso.- Ayato hesitou.- Tenho que sair...é.

—Hm...- Sofie estava um pouco decepcionada- Vai pra onde?

—Eu tenho que... Tenho que...- Ayato hesitou e gaguejou, sob o olhar afiado de Sofie.- Pa...gar...contas. É.

—Ah. Não sabia que tinham boletos pra pagar aqui.- Sofie estralou a língua.

—Temos. Muitos.- Ayato concordou nervosamente com a cabeça.- Então... Tchau... Teamotenhoqueir!!!

Sofie não entendeu nada da sua última frase, mas soltou um "tchauzinho" quando o Sakamaki beijou sua cabeça e saiu correndo.

Com um suspiro, ela se sentou na mesa e se serviu de um pedaço de bolo de chocolate.

Enquanto isso, Ayato estava em pânico.

Não era o cara mais romântico do mundo. Nem de perto, na verdade.

Mas depois de ouvir Laito e Kanato conversando sobre seus planos pra hoje...E depois ainda percebendo que Shu, Subaru e Reijii não iam ficar de mãos abanando...

Ele percebeu que talvez tivesse que dar alguma coisa pra Sofie.

Não que fosse exatamente ruim. Sofie era uma ótima namorada, apesar de passar 90% do seu dia julgando os outros ou lendo algum livro chato. Ou, pior ainda, estudando.

E por isso ele estava disposto a dar o MELHOR presente de todos os tempos pra ela. Um dia lindo, perfeito e glorioso sendo aclamada por Ore-Sama. Não havia coisa melhor!

Estava tudo anotado nas primeiras páginas do caderno de matemática que nunca usou. O primeiro passo era fazer um café da manhã divino. Ele claramente não havia sucedido nessa missão.

Mas conseguiu correr até restaurantes e padarias e comprar tudo. E depois iria acordar Sofie com um bilhão de beijos como um "verdadeiro cavalheiro" faz, de acordo com Laito.

E Sofie havia estragado tudo acordando nada menos que duas horas antes do plano todo.

Então ele iria pra próxima parte do plano. Já havia encomendado um anel pra ela numa chique joalheria do mundo vampiro.

Ele voltaria pra ela, lhe daria o anel com uma linda declaração de amor. E então a levaria pra almoçar num restaurante.

E saindo, passearia com ela pelo parque e pelas ruas. Esse tipo de coisa brega que mulher gosta.

E quando estivesse anoitecendo... Eles teriam um picnic romântico no Jardim da Mansão Sakamaki, onde rolaria um beijo e tananã.

Ele chegava a estremecer com a breguice do seu plano. Mas se Sofie gostava, quem era ele pra criticar?

Ótimo. Então ele ia até a joalheria. Ia pegar o anel e... entregar pra sua namorada. Parecia simples. E útil, já que isso a marcaria pra sempre como sua.

Sofie decidiu se arrumar para o dia. Não sabia bem como seria, principalmente depois do sumiço do seu namorado.

Por isso, logo depois de comer uns três pedaços de bolo com uma xícara de café, ela foi no banheiro do seu quarto e escovou bem os dentes e os cabelos.

Pensou que o dia precisasse de um pouco mais de capricho do que numa data normal, então deixou de lado as calças jeans largas e moletons do armário e foi se trocar.

Colocou uma blusa preta tomara que caia que usara duas vezes na vida, além de uma jardineira curta que era numa cor inusitada de verde musgo. Prendeu os cabelos num rabo de cavalo baixo e calçou os tênis brancos mais novos que conseguiu achar...

Pra pegar um livro de suspense e ficar lendo no quarto.

—Melhor dia dos namorados.- Sofie murmurou enquanto abria o livro na página 47 e continuava a ler da onde havia parado.

Mas quando Ayato chegou em casa, esbaforido e cansado, quase uma hora e meia depois, ele se sentiu automaticamente culpado.

Estava tudo dando errado. E não "pouco errado". MUITO errado.

Foi até a joalheria como planejado... Apenas para descobrir que o anel que havia reservado tinha sido vendido por um erro nas anotações de reservas.

Que maravilha. Esplêndido.

Agora não tinha nada pra dar de presente pra ela.

Pensando na sua namorada, foi quando sentiu um cheiro absurdo de... sangue.

Foi então tomado por preocupação. Será que ele havia saído e ela havia sido atacada e então ele chegou tarde demais?

Será que ela tirou a própria vida?

Ayato se sentiu ser preenchido por um calafrio horrendo. Nunca sentira isso antes.

Apressou o passo e praticamente saltou a escada inteira, seguindo o cheiro até o quarto dela.

Chutou a porta. Estava irritado e estressado demais pra lidar com abrir ela como um ser normal...

E encarou Sofie, até que bem arrumada e meio encolhida na cama. Ela estava nas últimas páginas de um livro, e estava coberta por tantos edredons que Ayato quase a perdeu de vista.

—...Da próxima vez tenta usar a maçaneta.- Sofie comentou- É mais fácil.

—Eu não entendo.- Ayato estava sem fôlego. O que era chocante. Considerando que ele era um vampiro.- O cheiro de sangue....

Sofie cerrou o olhar pra ele, que foi tomado por súbita realização e vergonha:

—Ah! Sim! Não sei por que não pensei nisso antes.... Espera, era hoje?

—Não.- Sofie virou mais uma página.- Três dias adiantada.

Ayato entrou em colapso. Era só o que faltava mesmo.

—Você... precisa de alguma coisa?- Ayato pensou que talvez fosse o melhor a se dizer, considerando que ela parecia estar meio irritada.

—Sabe... É dia dos namorados e o primeiro do meu ciclo, então eu gostaria bastante de só ter o meu namorado por perto.- Sofie respondeu de forma afiada, o que o fez engolir em seco.

—Descul...pa?- Ele hesitou.- Posso ficar com você agora?

—Depende.- Sofie abaixou seu livro.- Você vai sair que nem um louco de novo?

Ayato se sentiu culpado. Merda, ela era boa de DR.

Mas ele negou com a cabeça.

Sofie deu um pequeno sorriso e foi pro lado.

Ayato não esperou nem mais um segundo pra pular do lado da Herbert.

—Você tem certeza que não quer nada?- Ayato questionou- Não tá... sentindo dor?

—Um pouco de cólica, mas é só.- Sofie respondeu- O primeiro dia é de boas.

—Você é muito aberta sobre esses assuntos comigo.- Ayato reparou.- Estranho. A maior parte das meninas que eu conheço tem vergonha de falar sobre isso.

—A maior parte das meninas tem vergonha porque foram ensinadas a terem vergonha, mas eu não vou entrar nessa questão com você.- Sofie deu uma pequena risada.- Além disso, você é meu namorado, é vampiro e moramos juntos a três anos. Não vejo porquê de esconder esses detalhes de você. E é só uma parte da vida.

Ayato pensava que nunca na vida ele ia encontrar alguém que o fizesse ter o sentimento de levitar.

Mas acabou de perceber que sentira sim isso, e que era com Sofie.

Estar com a Herbert era uma espécie de montanha-russa. Os dois eram extremamente diferentes. E ela era mais sensível que uma mulher comum por causa da sua condição.

Mas apesar disso, ele percebeu a bastante tempo que nunca conheceria alguém tão sábio e honesto como aquele ser ao seu lado. Muito menos um que conseguisse ser tão estranhamente atraente ao mesmo tempo.

—O que foi?- Sofie olhou pro ruivo, começando a ficar com vergonha.

Ele a estava encarando a bastante tempo. O que era constrangedor pra qualquer um.

Ayato suspirou, parecendo ainda perdido em pensamentos:

—Você é maravilhosa, só isso.

Sofie arregalou os olhos:

—Quem é você e o que fez com Ayato Sakamaki?

Ayato pareceu abismado.

—O que quer dizer com isso?

—Você está sendo fofo. Não seja fofo comigo. É bizarro.

—Você prefere que eu te chame de Chichinasi?

Não que ela precisasse de busto pra ser bonita, Ayato pensou. Ela já era maravilhosa do jeito que era.

Não que ela fosse tão Chichinasi quanto ele achava...

—Há. Essa piada não rola mais comigo.- Sofie se ajeitou na cama.- Você agora namora comigo, o que significa que você me acha atraente. Ou seja, você tem queda por Chichinasis.

—Absurdo!- Ayato ficou meio vermelho, mas disfarçou bem.

—Mas vou admitir que ainda é estranho você não me chamar de Chichinasi.- Sofie pensou alto.- Não veja isso como uma oportunidade de voltar a me chamar por esse apelido miserável.

—Posso chamar uma das suas irmãs disso então.- Ayato virou pra sua namorada- Que tal Lua?

—O namorado dela vai quebrar sua cara se você ousar a fazer um comentário sobre o tamanho do peito dela.- Sofie retrucou.

—Então Brunna.- Ayato concluiu,e Sofie riu:

—Não tem medo do Ruki?

—Até parece. E ele não tem coragem de quebrar a cara do namorado da melhor amiga dele.

—Eu tenho minhas dúvidas sobre isso.

Ayato se esgueirou um pouco e deu um beijo suave na Herbert. Foi calmo e paciente, bem o contrário do que ele era.

Os dois só foram interrompidos quando um grande temporal começou a cair do lado de fora.

—Nossa, que chuva do nada.- Sofie comentou bem baixo.

Era verdade. O dia estava belíssimo antes. E agora o céu já estava cheio de nuvens escuras, e as gotas batiam contra a janela do quarto com tanta violência que às vezes pareciam que iam quebrar o vidro.

—Merda...- Ayato reclamou.

—Aconteceu alguma coisa?- Sofie se sentou e se mexeu na cama até ficar bem de frente pra ele.

—É só que...- Ayato estava sinceramente com vergonha de contar isso pra morena.- Ah, que se dane. Não tem como esconder isso de você.

Sofie olhou pra ele atenta e soltou seus cabelos do rabo de cavalo.

E obviamente, a atenção de Ayato foi completamente desviada praquela onda castanha que ela chamava de madeixas.

Nunca achara cabelos uma coisa interessante. Mas algo no jeito que Sofie mexia no cabelo e o jogava pros lados... fazia algo estourar dentro dele.

Ele ficava arrepiado só de pensar.

Percebendo que estava encarando sua namorada em silêncio por muito tempo, ele se assustou e começou a falar:

—É que eu. Bem. Eu tinha o melhor plano de dia dos namorados do mundo. Mas o universo conspirou contra mim. Você acordou mais cedo que o planejado, o anel que eu ia comprar pra você já havia saído da loja, você ficou... nesse estado e não pudemos sair e agora... tá chovendo. E eu tinha planejado um picnic.

Sofie sorriu de canto:

—Você tentou fazer tudo isso por mim?

—Eu acho brega.- Ayato fez uma careta.- Mas eu sempre estou disposto a passar pelo ridículo se isso significa que você está sorrindo.

Os olhos de Sofie brilharam com as palavras de Ayato.

—Eu também acho essas coisas bregas, sabe.- Sofie segurou na mão do menino.- Talvez um dia eu aceite receber anéis de presente e... picnics ultraromanticos e passeios por parques. Mas por enquanto eu tô bem feliz de ficar o dia inteiro em casa num dia chuvoso comendo porcaria com o meu namorado.

—Sempre explicado como eu comecei a gostar de você.- Ayato apertou a mão dela.

—Porque eu sou legal?- Sofie apertou de volta.

—Muito metido da sua parte achar isso.- Ayato fingiu irritação- Talvez seja mais por você me deixar entrar em contato sobre o que é a velhice humana.

Sofie de um tapa na mão dele por esse comentário.

—Sabe o que a velha aqui quer fazer?- Sofie soltou um sorriso sapeca. Um que aparecia pouquíssimas vezes no seu rosto e que realmente a fazia parecer uma mulher de dezenove anos apenas.- Ela quer que a gente vá pra cozinha e tente fazer cookies, porque eu de repente estou com muita vontade de comer chocolate.

Ayato mordeu a língua pra não responder que ela sempre queria comer chocolate, e só se rendeu a sorrir:

—Tudo bem. Quem chegar por último lava a louça!

Quando Ayato saltou da cama, Sofie gritou:

—Não vale! Você é vampiro e eu estou morrendo!

Ayato revirou os olhos, não convencido por sua chantagem. Ele deu de ombros e começou a andar rápido.

—EI!- Sofie brigou- AYATO SAKAMAKI!

Sofie começou a correr atrás dele. O ruivo riu e correu mais rápido.

E assim se passou o resto do dia. O mundo inteiro caindo do lado de fora, e os dois sendo completamente bizarros e apaixonados do lado de dentro.

"Você é tudo que eu preciso e mais

Está escrito no seu rosto

Amor, eu sinto a sua auréola"