Like a Vampire 3: Lost Memories

30 Capítulo 30- Todos á bordo


Notas iniciais
MEU DEUS ESSE MOMENTO CHEGOU E É TODO MEUUUU! Final de LAV 3. Tô emocionada. Não creio que chegamos longe assim nessa história e parece que eu tô vendo um filho crescendo socorr Enfim, é isso. Espero que gostem do último capítulo da penúltima temporada.

Narração Brunna

Custei pregar os olhos a noite inteira.

Eu estava com o coração acelerado. Ansiosa. Com frio e com calor ao mesmo tempo. Eu basicamente estava contando os minutos pra noite passar e o dia chegar rápido.

E nem mesmo a figura quase angelical de Ruki dormindo ao meu lado foi capaz de me acalmar. O que era bem radical.

Quando o dia chegou, tentei fingir que tudo ia seguir normalmente. Tomei café com meu namorado. Li um pouco. Treinei um cado com a minha espada… E depois fui fazer minhas malas.

Não que eu tivesse muita coisa mesmo. Mas era… estranho. Eu passei um ano odiando aquele lugar, e logo quando eu aprendi a ter ele no meu coração… eu sou obrigada a ir.

Ruki foi umas duas vezes no meu quarto me oferecer um lanche. Eu recusei. Na terceira, ele me trouxe um chocolate quente com dois pãos de batata recheados com requeijão num prato. E deixou perto da porta.

Eu tinha consciência que ele também estava meio que sofrendo. Ok, talvez não tanto quanto eu. Mas Ruki nunca foi de deixar seus sentimentos aflorarem. Ele era mais discreto, e eu sempre gostei disso nele.

Mas aquela preocupação não era diária. E ele sabia que eu sabia disso. Mas nós dois preferimos não falar nada sobre o assunto. Sabíamos que ia doer mais.

Mas era cansativo. Ele sabia que eu ia embora. Eu sabia também. E a distância meio que me matava. Eu passei semanas fingindo que nosso lance era só "casual" até a gente se oficializar. Não queria passar mais tempo fingindo.

Mas talvez não fingir fosse me fazer sofrer mais.

Não tenho ideia de como os outros meninos estavam reagindo á nossa fuga.
Shu, Reijii, Ayato, Kanato, Laito, Subaru e até mesmo Yuma, Kou e Azusa. Eu não ouvi nada sobre eles o dia inteiro. As meninas eu vi um pouquinho durante as minhas pausas ou durante o treino. Pareciam esgotadas também.

Foi um ano cansativo pra todas, essa era a verdade.

E foi isso que me consolou enquanto eu fechava minha mala.

Me joguei na minha cama e fiquei olhando pro teto por uns dois minutos.

E se eu morresse nessa missão?

Ok, era o ápice do pessimismo esse pensamento. Mas não deixa de ser justo. As Creedley falaram: era uma missão suicida.

Nada impedia que uma de nós treze morresse nesse processo.

Ou as treze.

Arrepiei com esse pensamento. Credo.

—Parece cansada.- Ruki entrou silenciosamente no quarto.- Não deveria estar arrumando sua mala?

—Já terminei.- Me sentei na cama.- Vem cá.

Ruki fez uma expressão confusa, mas depois de um tempo se rendeu e se sentou do meu lado. Não demorei mais que dois segundos pra me jogar no colo dele, querendo conforto.

Ruki passou os longos dedos pelo meu cabelo.

—Você está bem?- Ruki me questionou.

—…O que você acha?- Virei meu rosto, pronta pra olhar diretamente pra ele.

—Foi uma pergunta estúpida. Tem razão.- Ruki continuou mexendo no meu cabelo.

Ficamos um tempinho em silêncio. A presença dele me confortava.

—Você acha que vamos conseguir passar por isso?- Perguntei com toda sinceridade.

—Tenho quase certeza que sim. Vocês treze são fortes e inteligentes, por mais que me doa dizer isso.- Ruki olhou pra mim.

—..Me deixa feliz de ouvir isso. Mas eu estava falando de nós dois.- Eu segurei a mão dele.- Sabe-se lá quanto tempo vamos passar separados. E com quase nenhum contato... E…

—Tudo bem. Meu amor não é frágil.-Ele me interrompeu. Senti meu coração parar.- Mas eu não quero te prender.

—Como assim?- Me levantei.

—Se você tiver que fazer algo… Por mais perigoso e arriscado que seja… Eu não quero que se impeça porque você só não consegue parar de pensar em mim.

Me apoiei no ombro dele de novo.

—Você é uma mulher maravilhosa, Brunna.- Ruki me olhou de canto- Eu posso tentar negar isso quantas vezes eu quiser, mas é verdade. E você está lutando por uma causa nobre. E mesmo que você não seja a heroína suprema que todos estão buscando… Você é uma heroína. E é especial.

Senti meus olhos encherem de lágrimas. Meu coração estava acelerado e ao mesmo tempo em paz.

—Eu te amo.- Eu disse sem nem pensar duas vezes.

Eu deveria ter me arrependido quando Ruki ficou tenso e arregalou os olhos, mas não fiz isso.

—Não precisa falar nada agora. Não se sinta pressionado.- Eu fui rápida em dizer- Eu só quero que saiba disso. Eu sei que você teve uma infância difícil, e que talvez as marcas nas suas costas sejam um símbolo disso… E eu sei que de vez em quando você é um canalha grosso. Mas eu também sei que está tentando mudar. E eu admiro isso. E sua inteligência, sua determinação… Só me fazem te amar mais.

Ruki continuou em silêncio, então eu respirei fundo e entrelacei meus dedos nos dele:

—Eu sei que você aprendeu a não mostrar seus sentimentos e que você não é lá muito bom em verbalizar eles... Eu só quero que entenda isso. Que eu… te amo. Simples assim.

Ruki limpou minhas lágrimas. E me abraçou. E me deu um beijo demorado na testa.

—Você é um anjo.- Ruki sussurrou no meu ouvido, e eu soltei uma risada triste:

—Com essas marcas na suas costas, eu acho que o anjo aqui é você.

Ficamos um tempo abraçados. Eu fui preenchida por uma emoção e paz que me fazia quase levitar.

Ouvi uma batida na porta.

—Entre.- Ruki falou.

Era Jackson e Yui.

—Ah!- Yui corou- Interrompemos alguma coisa?

Ri.

—Nada demais. Só uma despedida.- Eu comentei.

—Ah. Entendemos. Tem várias dessas rolando. Por toda a casa.- Jackson deu de ombros.- Acho que é normal. Mas eu vi Nikki quase chorando. Foi meio assustador.

—Eu imagino.- Ruki murmurou.

—Viemos só… pegar a mala.- Yui parecia ainda envergonhada quando passou por nós e pegou minha bolsa média preta.- ..Acho que você devia aproveitar e se despedir dos outros. Sol e Akira Jajá vão mandar a mensagem de embarque.

Concordei com a cabeça.

—Cadê o Mao?- Questionei.- Ele não devia ajudar vocês?

O casal se entreolhou.

—Digamos que Mao…. Está um pouco triste.- Jackson pegou minha mala das mãos de Yui.- Ele só despediu de algumas das meninas e foi embora. Mas mandou um beijo e um queijo pra quem não despediu.

Franzi a sobrancelha. Mao triste? Essa eu pagava pra ver.

—Então…- Yui acenou- Tchauzinho e boa viagem…!

Retribui o aceno pros dois, que quando saíram deixaram a porta aberta.

—Vamos?- Ruki me estendeu a mão.E eu a peguei com força.

Descendo as escadas, eu podia ver algumas malas ainda amontoadas no sofá. Algumas pessoas se despediam. No momento, as Herbert se despediam do irmão delas

—Vê se não esquece da gente, viu?- Marie brincou.

—Promete que se eu morrer na viagem e você tiver um filho com a Yui você vai chamar ela de Lua II? — Lua ajeitou os óculos de forma desengonçada.- Ah, e obriga o SubaSuba a cuidar bem do Papanicolau!

—E pega o Heisuke pra cuidar se tudo der errado?- Victoria questionou- Finge que ele é seu filho bastardo ou sei lá…

—Quando eu perguntei o que vocês queriam que eu fizesse... Eu quis dizer coisas mais automáticas.- Jackson suspirou- Mas tudo bem, eu aceito fazer tudo isso.

—Deixem o moleque respirar, gente!- Nikki revirou os olhos.

—Que nada! A gente vai sair e ele vai sentir muito a nossa falta!- Sarah brincou.

—De alguma forma eu duvido muito disso…- Sofie riu.

Todos os sete se abraçaram. O que deixou meu coração quentinho.

Do outro lado, minhas irmãs se despediam de Yui.

—Eu queria muito te conhecer melhor!- Priya faltava guinchar.- Você tem só cara de Santa! Já arrumou um boy daqueles e ainda fugiu de um monte de vampiros sanguinários!

—E ainda é linda!- Daayene bateu palmas.- Olha esse rostinho!

—Eu tento…- Yui ficou vermelha.

—O… o que elas querem dizer é… se cuida.- Anna sorriu.

Elas se revezaram pra abraçar a loirinha.

—Credo. Isso parece um funeral.- Kou reclamou do meu lado.

—É uma preparação do que pode acontecer com a gente.- Eu me virei pra eles.- Então orem pra que a gente voltem se não querem sofrer.

—Argh! Como se fossemos sofrer! Vocês são um saco.- Yuma bufou.

—Vamos…sentir… falta…- Azusa sorriu.- De vocês.

Pus a mão no coração:

—Ah. Eu também vou sentir falta de vocês. Quer dizer, de algumas partes. Vocês já despediram das minhas irmãs?

—Há. E como. Yuma quase chorou abraçando a Priya!- Kou zoou o irmão.

—Que nada!- Yuma grunhiu.

—E…a Victoria.- Azusa completou.

—Tenho quase certeza que os dois deram um beijo.- Kou sussurrou.

—Ele e a Priya ou ele e a Victoria?- Questionei.

—A Vic…- Azusa respondeu.

—Mas certeza que ele queria as duas, né Yuma?!- Kou riu.

—Ora seu…- Yuma brigou.

—É melhor deixá-los brigando sozinhos.- Ruki me deu um beijo na bochecha.- Vou me despedir das Herbert e das suas irmãs também.

Concordei com a cabeça. Vi Ruki indo na direção das minhas irmãs, onde agora Jackson estava. Enquanto isso, as Herbert berravam do lado de Yui.

— Parecem um monte de loucas.- Subaru bufou.

—É a família da sua namorada, não devia falar isso.- Reijii suspirou.

—Elas parecem um monte de loucas e acredite, estamos incluindo as nossas namoradas nesse título.- Shu suspirou.

Eu dei uma risada, e acenei pra eles de longe.

—Então quer dizer que as senhoritas vão embora?- Laito se aproximou de mim.- Uma pena, nem nos divertimos…
Dei um tapa no ombro dele:

—Respeite sua namorada que tá lá na frente, rapaz.

—Ele é idiota. Fica brincando assim. Depois fica solteiro e reclama.- Kanato estava logo atrás dele. Bufando.

—Vocês são pessimistas. Eu e Marie estamos melhores do que nunca~- Laito cantarolou.

—Mesmo sabendo que ela está indo numa viagem suicida fingindo que carrega seu filho?- Questionei.

Laito engoliu em seco.

—Enfim, queria me despedir de vocês.- Sorri.

—Por que? Sempre fomos lixos com você e suas irmãs.- Kanato pareceu suspeitar de algo.

—Vocês só me ensinaram uma coisa a mais.- Eu respirei fundo- Quando se tem confiança sobre o que construiu, não precisa destruir a dos outros.

—Oy, Chichinasi.- Ayato me puxou- Preciso falar com você.

Olhei abismada pra ele:
—Do que você me chamou?

—Não posso chamar mais minha namorada de Chichinasi sem levar uma bronca e é um apelido bom demais pra deixar passar.- Ayato respondeu.- Então só mudei de vítima.

—Ah.- Eu disse, olhando pro meu busto sem perceber. Desviei o olhar pouco depois.- O que queria me falar?

—Ah, boa sorte na viagem, não morra e esse tipo de coisa.- Ayato deu de ombros.- Mas principalmente… toma conta da Sofie por mim, ok?

O olhei confusa, e ele continuou:
—Ela se paga de forte, mas eu sei que ela tá nervosa e frágil... E você é tipo a melhor amiga dela. E sei que se importa com ela. Então... É isso.

—Pode deixar comigo.- Sorri — Prometo que trarei ela segura pra voce


—Pessoal!- Jackson chamou- Sol mandou o sinal. As Creedley vão buscar vocês jajá.

—Onde elas estavam?- Daayene questionou.

—Levando as malas pro navio.- Yui falou- Façam tipo uma fila no jardim. As meninas vão levar três de cada vez.

Nós dez nos apressamos em sair e formar a tal fila. Não pude deixar de olhar pra trás e deixar meu olhar se encontrar com o dos meninos uma última vez.

E a porta se fechou.

Cousie, Eliza e Haruka realmente não demoraram muito pra chegar. Elas se despediram de Jackson e Yui, e então Cousie disse:

—Sol e Akira estarão esperando vocês bem no porto. Elas vão levar as três primeiras pro barco, voltarem, depois mais três... Entenderam?

Todas concordamos.

As primeiras foram Victoria, Marie e Priya. Elas desapareceram em questão de segundos e as Creedley voltaram logo depois. Um minuto se passou.

—Ok! Mais três!- Eliza bateu palmas- Sarah, você vem comigo!

Cousie puxou Anna enquanto Haruka pegou Nikki pelo braço. E novamente, as três despareceram.

—…Só eu que tô começando a ficar nervosa?- Daayene questionou.

—Pode apostar que não.- Lua disse.

—Uma de nós vai ter que ir sozinha.- Sofie percebeu.

—Pode ser eu.- Me ofereci rapidamente- Eu sou a mais velha.

—…Eu sou a mais velha.- Sofie retrucou.- Eu literalmente nasci no segundo dia do ano. Você é de setembro!

—Virginiana?- Lua me perguntou, e eu concordei com a cabeça- Ui, sabia. Eu e Daay somos sagitarianas.

—Sabemos.- Eu concordei.

—E Sofie é capricorniana.- Daayene comentou.

—…Sabemos.- Sofie fez uma careta como se não entendesse o propósito daquela conversa.

As Creedley então voltaram.

—Beleza.- Haruka suspirou- Mais três com a gente agora, e depois uma vai sozinha comigo.

Fiz uma expressão pra Sofie, simbolizando que eu queria ser a última.

Suspirando, a gêmea mais velha deu o braço pra Haruka. Daay deu a mão pra Cousie e Lua se agarrou em Eliza.

As seis desapareceram. E eu me senti bem solitária.

Contei os segundos que passaram até Haruka chegar, claramente cansada e afetada.
Quarenta e cinco.

—Vamos.- Haruka estendeu o braço pra mim.- Está pronta?

Concordei com a cabeça.
Foi bem rápido quando eu fechei os olhos.
Naqueles teletransportes, eu sempre sentia um pouco de enjôo. Parecia que tudo estava girando.

Quando abri os olhos. Eu estava realmente no porto.

—Opa, a última chegando!- Akira e Sol estavam correndo.

Dei um abraço rápido nelas, e elas me desejaram boa viagem antes de se teletransportarem.

—Vamos logo.- Cousie me apressou.

—Opa, não tão rápido.- Uma voz odiosa chamou minha atenção e me fez virar pra ela.

Meg.

—Ai que saco, toda hora essa menina.- Haruka murmurou- Escuta, você não cansa de apanhar não?

—Não se preocupem, eu vim com um aviso.- Meg sorriu- Saiba que os profetas acabaram de publicar uma nota falando sobre Heisuke e sobre a maternidade das suas amiguinhas Herbert.

—Você é uma canalha mesmo ou só finge porque quer receber a atenção que não ganhou quando era criança?- Questionei- Porque claramente tem uma coisa meio de psicologia rolando aí.

—Ah, mas a nota não veio da gente.- Meg riu.- Não devem conhecer esse nome bem, mas Ricther Sakamaki foi achado morto no meio da floresta. Ele que foi responsável dessas descobertas.

Esse nome não me era estranho…

—Não é o príncipe Sakamaki?- Eliza questionou- O irmão do rei?

—Ah, até que a ruivinha não é tão burrinha.- Meg provocou.- Não é, Elizabeth?

O cabelo de Eliza ficou rosa e ela vermelha:
—Não me chame de Elizabeth.

—O que está acontecendo aqui?- Marie chegou correndo.- Ah não, essa diaba de novo?

—Foi o que eu falei!- Haruka brigou.

—Vocês são mesmo agressivas. Eu tinha mais recados pra dar, mas talvez eu tenha o prazer de dar pessoalmente pros meninos.- Meg estalou a língua.

—Se você chegar perto do meu namorado eu juro que eu eu pego meu fuzil e eu TE MATO.- Nikki a ameaçou.- E nem é por ciúmes, é dignidade mesmo.

—E vocês por acaso estarão aqui pra impedir alguma coisa de acontecer?- Meg provocou- Que eu saiba, nem saberão o que está acontecendo desse lado do mar.

—Ai por favor, você é um nojo. Reijii é livre agora, pode fazer o que quiser. Mas tenho certeza que se ele tiver o mínimo de noção, vai te rejeitar em um instante.- Victoria revirou os olhos.

—Exatamente.- Daayene contunuou- Agora vê se vaza.

—Se você ousar chamar seu exército eu vou te matar.- Sarah falou quando viu Meg querendo tocar sua marca no braço.

—Tá bom.- Meg parecia quase magoada. Então, seus olhos ficaram vermelhos e ela começou a levitar.

—Nossa, mas esses profetas adoram um showzinho né?- Sofie bufou.

Uma espécie de laço de energia surgiu das mãos de Meg, e foram percorrendo o chão até envolverem e amarrarem Maire.

—AI! ISSO QUEIMA, DIABO!- Marie gritou, se debatendo.

—Um minuto sem alguma merda acontecer.- Cousie olhou pro céu.- Só isso que eu queria. Um minuto.

—Marie Herbert.- A voz de Meg estava mais grossa.- Seu destino será como o de sua mãe. Sofrido. Sangrento. Sua maior mentira virará sua verdade.

E então ela caiu no chão e libertou Marie.

—Que mulher estranha.- Anna comentou.

—Vamos rápido pro barco.- Eliza nos instruiu, e fomos rápidas em correr até lá.

Quando subimos mas pequenas escadas, todas nós trabalhamos rápido pra recolher as cordas e soltarmos as velas.

—Haruka, se prepara pra guiar o mar até nossa casa.- Cousie ordenou.

—Sim!- Haruka estava sentada na beira do barco.

Cousie ergueu seu arco e sua flecha, e mirou perfeitamente pra que a flecha cortasse a corda que prendia o grande barco ao porto.
Quando começamos a navegar, percebi a maré mudando com o delicado movimento dos dedos de Haruka.

Me sentei apoiada na parede do barco. Sofie se sentou do meu lado.

—Nervosa?- Ela me perguntou.

—Não muito.- Respondi.- Mas já estive em situações melhores.

Ela se apoiou rapidamente em meu ombro. Lembrei da promessa que fiz a Ayato.

Do outro lado do barco, Sarah estava sozinha, olhando de um jeito bem sinistro pra Sofie.
Culpa, quase.

Do outro, Marie, Daayene e Victoria já tinham tirado papéis e canetas de sabe-se lá onde e estavam jogando stop.

Na proa, Cousie conversava com Eliza e Anna. Não estava acostumada a ver minha irmãzinha com as Creedley, mas fiquei feliz dela estar fazendo novos amigos. Anna parecia sonolenta, mas as duas mais velhas pareciam mais vivas do que nunca.

Nikki e Lua estavam olhando pro mar logo perto da gente.

—Sabe o que eu lembrei?- A de cabelos azuis disse- Quando a neve cai, e o inverno rigoroso chega, um lobo solitário morre. Mas a matilha sobrevive. Por isso ela deve sempre ficar unida, não importa o que aconteça.

Ela apontou com a cabeça pra nosso barco. Lua deu um sorriso:

—Papai.

Haruka se sentou ao nosso lado.

—O barco consegue se virar sozinho?- Sofie perguntou.

Haruka apontou pra própria cabeça.

—Ah. Magia.- Eu disse.

Silêncio.

—Foi boa a despedida de vocês com o namorado?- Haruka questionou, parecendo pensativa.

—É. Eu meio que chorei.- Comentei.

—Jura? O Ayato que chorou na minha.- Sofie riu.

—É porque o Ayato é o Ayato, né lindeza?- Eu brinquei.- E você, Haru?

Ela me olhou feio por causa do apelido, mas suspirou:

—Sei lá. Terminei com ele ontem.

Quase engasguei com a saliva.

—Você terminou com o Mao?- Sofie conseguiu falar o que eu não conseguia- Por que? O que rolou?

—Mao é maravilhoso. De verdade, ele é.- Haruka explicou.- Mas eu não sou a mulher pra ele, e esse relacionamento só ia o prender.

—Não entendi.- Brunna comentou.

—Eu gosto muito dele. Mas nunca senti amor por ele, sabe?- Haruka desabafou- Vejo vocês com seus namorados e sei que existe amor lá. Um bem estranho e claramente cego, mas mesmo assim amor. E eu me conheço. Se eu for pra batalha com uma pessoa cheia de expectativas comigo me esperando e sabendo que eu não vou completa-las, eu vou me destruir.

Quando não respondemos, ela continuou:

—Foi um término de boas. Ele ficou triste. Eu fiquei triste. Mas nós dois nos ouvimos e nos entendemos. Decidimos que era melhor assim.

—Eu sinto muito.- Respondi.

—Relaxa.- Haruka deu um pequeno sorriso- Ele é um namorado legal, vai arrumar outra fácil. Só buscar em bons lugares. Eu não sei o que vai acontecer comigo, mas eu não ligo tanto pro amor.

—Tenho certeza que vai achar alguém.- Sofie sorriu.

Haruka retribuiu o gesto.

—GENTE!- Lua gritou de repente.- OLHA O CÉU!

Me levantei e me escorei na borda. Haruka e Sofie seguiram meus passos.

De repente estávamos todas lá, observando.

Estava escurecendo. A parte de cima do céu já estava num azul escuro, mas ainda havia um mix de rosa e amarelo no resto. Juntando com o mar azul e o vento no meu cabelo…. Era…

—Perfeito.- Cousie suspirou.

E com o balançar do barco e um belo horizonte, seguimos viagem.

—________________________________________________________

Narração Shu

Tentei dormir no sofá cinco vezes. Não sabia por que não estava conseguindo.
Suspirei. Era difícil quando tinha outras nove pessoas na mesma sala, todas conversando ou fazendo outras coisas barulhentas.

E claro que eu também estava preocupado com Nikki. Nunca tive uma namorada com a qual realmente me importasse que fosse numa missão suicida.

—Será que elas já chegaram?- Subaru questionou.

—Com duas horas de viagem?- Ruki questionou- Eu duvido muito.

—Vocês são exagerados.- Suspirei.

—E você é chato.- Ayato bufou.

—Aqui tá chato.- Yuma resmungou- Vou subir.

Uma batida na porta nos impediu de qualquer coisa.

Ruki se levantou e abriu.
De lá, saiu um rapaz de aparência jovem. Bem pálido, roupas meio rasgadas. O cabelo era preto e longo, e seus olhos eram vermelhos.

Pelo cheiro, um vampiro.

—CADÊ ELA?- Ele gritou, enlouquecido.

O jovem tirou uma adaga do cinto e apontou pra todos nós.

—Quem é você?- Reijii questionou.

—PARA DE AMEAÇAR A GENTE NA NOSSA CASA!- Kou gritou.

—CADÊ ELA?- Ele continuou gritando.

—ELA QUEM, IMBECIL?- Kanato berrou.

—E quem é você?- Laito retrucou.

O jovem respirou fundo:

—Meu nome é Kino. Estou procurando minha irmã.

—..Quem é sua irmã?- Questionei.

Ele respondeu com ódio:

—Mun.

Notas finais
E... É isso. Temporada 3. Queria agradecer muito todos que leram e que deram apoio e queria que todos vocês se cuidassem aí em casa pra melhorarmos esse momento difícil que estamos passando. Obviamente não é o fim! Logo logo teremos a quarta (e última!) Temporada de LAV...e talvez uns extras... Enfim, não esqueçam de comentarem o que acharam e suas teorias pra oficialmente a última temp! Amo muito vocês, espero que tenham gostado e até a próxima! ♥
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!