Like a Happy Family

8 Ninguém gosta da comida da escola – 14 de Fevereiro, 2012


Notas iniciais
Ninguém gosta da comida da escola. E isso não é dúvidas. Agora, até onde seis (ou melhor, oito) pré-adolescentes podem ir para conseguirem o que querem? E se conseguirem, quem sairá prejudicado? OI GENTEEEEEEN Aqui é a Loh ♥ Capítulo imperdível procês.... Muitas tretas ocorrendo, capítulo demorado, esse. Enfim, espero que gostem. E que não matem o Josh (ele é tão mozão) Um beijo, um queijo e até a próxima. Não se esqueçam de comentar, minhas frôres :* SPOILER ALERT: Alice não apareceu mas ahazzou. Dona dessa fic.

Farkle caminhava junto a Maya e Josh até uma mesa do refeitório onde se encontravam Riley, Lucas e Charlie. Os seis estavam com comida em suas bandejas: Maya estava com sanduíche de carne; Josh e Charlie com torta de morango; Riley e Farkle com torta de frango; e Lucas com sanduíche de carne.

Era a hora do almoço e como todos os dias, eles se sentavam em alguma mesa da cantina e saboreavam a comida da escola. Mas aquele dia era diferente, faltava Sam para completar, porém ele tinha dado a desculpa de que estava doente a semana inteira. Claro que todos eles sabiam o real motivo de Sam não estar indo a escola mas ninguém se atreveu a contar aos Matthews que Sam não estava, de fato, doente, então agiam como se nada tivesse acontecido.

— Então, novidades? – Maya perguntou sentando ao lado de Riley.

— Nenhuma, Charlie?

— Fora meus pais nunca prestarem atenção no que eu faço ou digo, não tenho nenhuma novidade. – respondeu Charlie comendo mais um pouco de sua torta de morango, fingindo que era normal ser ignorado pela sua família.

— Alguém já percebeu que essa comida é horrível? – declarou Josh.

— É, eu não aguento mais comer as mesmas coisas todos os dias. – concordou Lucas.

— Seria legal se algum dia o diretor se enganasse e mudasse o cardápio da escola. – comentou Maya sorrindo.

— Seria legal se algum aluno dessa escola entrasse na sala do diretor e hackeasse o computador da escola. – Josh disse.

A ideia de Josh parecia interessante, porém seria impossível. Nenhum dos alunos daquela escola teria coragem de fazer aquilo. As regras da escola eram muito rígidas: ninguém pode correr nos corredores, não podiam chegar atrasados, não podiam usar roupas coloridas – isso foi um pesado para Riley, já que ela adorava usar roupas com cores do arco-íris e fingir ser um unicórnio -, e não podiam faltar a escola, a não ser que tenha um motivo muito grave – como estar doente, sofrer um acidente, ou ter sua família morta -, se fizessem uma dessas coisas ou todas elas, seriam expulsos.

— Eu acho que sei como fazer isso — afirmou Farkle.

Todos olharam para ele, deixando de comer por uns segundos até assimilarem o que tinham acabado de ouvir. Exceto Charlie, que não deixaria de comer sua torta de morango por nada.

— Mas você não vai fazer, porque se fizesse seria suspenso — disse Riles, e a expressão de felicidade de Josh murchou.

— Eles não precisam saber o que ele fez, Riles! — protestou Maya — Ninguém nunca descobriria. Só por um dia, ou uma semana. Não faz mal a ninguém, faz?

— Não, Riley está certa — disse Farkle — Eu posso ser suspenso. Eu não vou mudar o cardápio — completou para Riley, que sorriu. Mas depois, quando a garota baixou a cabeça para comer mais um pedaço da sua torta de frango, Farkle piscou para os outros quatro amigos.

Ele mentiu para Riles. Já era um grande avanço para quem nunca conseguia dizer não a aquilo que ela pedia. Mas mesmo assim havia a culpa: ele havia mentido para Riles.

Podia imaginar a fúria que a garota ficaria ao ver brigadeiro e batata-frita na cantina da escola...

— Você mentiu pra mim? — perguntou Riley, naquela visão de Farkle em que a morena parecia muito mais bonita.

— N-Não, eu só... Omiti a verdade — tentou Farkle, com um meio sorriso.

— Nunca mais fala comigo, Farkle! Amigos não mentem uns para os outros! — Riley estava quase chorando.

“Para com isso, seu idiota” pensou Farkle. “A Riley vai adorar se você colocar as comidas que ela gosta. Ela nunca deixaria de ser sua amiga...”

— FARKLE! — gritou Maya, tirando o garoto de seus pensamentos.

— O que foi, o que foi? — perguntou, saindo de seu transe.

— O sinal tocou e todo mundo já foi, mas você ficou parado aí que nem um doido — disse Maya, Farkle olhou para os lados e não viu sinal de mais nenhum aluno por ali.

— Ah, é, então... Vamos? — perguntou e a garota afirmou com a cabeça. Farkle se levantou e começou a andar junto com Maya, mas foi parado pela loira quando mais alguém se aproximava.

— É o diretor — sussurrou. — Ele não pode ver que a gente tá fora da sala! Vem, corre — e entrelaçou sua mão na de Farkle, correndo pelos corredores e o puxando para que o diretor não os vissem.

Conseguiram chegar a tempo na sala, mas não antes que a professora reclamasse do atraso deles e a turma inteira ficasse sussurrando sobre eles estarem segurando as mãos um do outro.

— Olha só, a Maya trocou o galinha pelo nerd — alguns cochichavam e davam risinhos maldosos.

Lucas e Riley se entreolharam e baixaram suas cabeças para o livro de matemática, antes que pudessem dizer alguma coisa.

[...]

“It's time to begin, isn't it?

(É a hora de começar, não é?)

I get a little bit bigger but then I'll admit

(Fico um pouco maior mas, depois, admitirei)

I'm just the same as I was

(Sou o mesmo que eu era)

Now don't you understand

(Você não entende?)

That I'm never changing who I am

(Que nunca mudarei quem eu sou)

— Posso entrar? — perguntou Zay, abrindo uma fresta da porta.

— Pode, mas eu estou muito doente — disse Sam, deitado em sua cama. Sua escrivaninha estava lotada de caixas de remédio e sua cama tinha mais cobertas do que o necessário. Zay entrou, com uma xícara na mão e sentou-se ao lado de Sam na cama de casal.

— Eu fiz café — disse Zay, apontando para a xícara.

— Obrigado, Zay — Sam sorriu.

— Eu fiz pra mim — corrigiu, não imaginando porque Sam achava que era para ele.

— Então por que disse que tinha feito? — perguntou.

— Foi um jeito de começar uma conversa.

— É um jeito idiota de começar uma conversa.

— Mas nós estamos conversando, xeque-mate! — finalizou Zay.

Sam riu.

— Mas para um doente até que você canta bem — afirmou Zay. Sam se ajeitou na cama.

— Você gostou?

— Muito — revelou Zay.

Sam sorriu mais uma vez.

— Parece que você tava certo quando me perguntou se eu era gay — sua voz enfraqueceu.

— É por isso que você faltou à aula? — perguntou. Sam afirmou com a cabeça e Zay esticou o café para Sam — Você pode ficar pra você se quiser — Sam riu.

— Não, obrigado — recusou, se virando para Zay. — Por que você tá aqui? Não deveria estar com a minha irmã e os amigos dela?

— Queria saber o que tinha acontecido. Queria te falar que não importa o que aconteça, eu sempre vou ser seu amigo. Queria te ajudar.

— Eu sou gay, Zay — repetiu, dando ênfase na palavra gay. — Se você for meu amigo, as pessoas vão começar a te zoar também, e é horrível, eu não quero que outras pessoas passem por isso que eu passei.

— Mas eu continuo aqui, e eu não me importo de quem você gosta, porque não vai definir quem você é — disse Zay. — E eu gosto de você como você é, não quero te ver triste assim. Tenho certeza que vai continuar tudo normal, você não é diferente dos outros garotos.

— Obrigado, Zay — Sam deu um abraço nele. — É muito bom ouvir isso.

— Por nada — disse Zay, mas separou do abraço ao ouvir o celular tocando e perceber que Maya havia mandado uma mensagem.

— O que foi? — perguntou Sam, assim que Zay acabou de ler tudo o que dizia no texto.

— Eles tiveram a ideia de hackear o computador da escola e mudar o cardápio da cantina...

— O quê?!

— ...e disseram que o Farkle se ofereceu para hackear, mas que precisavam de o máximo de ajuda possível pra que ninguém visse o que eles estavam fazendo. Já levaram sua irmã junto, mas pelo que a Maya disse ela não sabe muito bem porque tá lá.

— E você vai ir ajudar? — perguntou Sam, triste.

— Você quer vir junto? Ah, mas os seus pais...

— Eu saio pela janela — Sam se apressou. — Nunca viu Riley e Maya fazendo isso? Todo mundo vive entrando aqui em casa pela janela da Riley, mas até se esquecem que eu também tenho uma — e escolheu a primeira roupa que viu pela frente.

— Você vai mesmo se trocar na minha frente? — perguntou Zay.

— Claro que não! — Sam jogou uma almofada na cara de Zay, que começou a rir. Era engraçado ver Sam de pijama naquela situação.

Sam nunca se vestira tão rápido como daquela vez, mas mesmo assim foi o tempo de Zay morrer pelo menos três vezes no jogo da cobrinha.

Maya chegou na casa dos Matthews junto com Charlie e Lucas, pois Riley, Farkle e Josh já estavam na escola colocando seu plano em ação. Bateu duas vezes na janela de Sam, que abriu-se com um estrépito, saindo de lá um Sam totalmente não-doente e um Zay ansioso pelo que viria a frente. (N/L: RIMOU!!! N/D: Ai meu Deus...)

— A gente vai ir a pé até a escola? — reclamou Sam.

— É aqui perto, seu folgado — brincou Maya, fazendo cócegas nele. — A propósito, você não tava doente?

— Nunca estive, loirinha. Agora vamos logo antes que a gente perca mais tempo.

— Na verdade a gente até pode ir a pé — começou Charlie. — Mas como a gente tá fazendo tudo com emoção, vocês não querem roubar um carro?

— Hum, era uma boa — afirmou Maya.

— Tá doida? — perguntou Lucas — Claro que não! Tá querendo ser presa? — Maya deu de ombros — E aliás, tanto eu quanto você e o Zay temos doze anos, e o Charlie e o Sam tem treze. Ninguém aqui não tem idade pra dirigir, você sabe bem disso.

— Mas eu sei dirigir — afirmou Charlie. — E muito bem, aliás.

— Vamos logo a pé que eu não quero demorar mais e meus pais desconfiarem de alguma coisa — disse Sam, e então todos seguiram seu caminho, enquanto Maya explicava a parte deles do plano para distrair aqueles que poderiam atrapalhá-lo.

Era estranho saber que estariam fazendo alguma coisa daquelas correndo todos os riscos, quando no final, iriam ganhar apenas comida melhor na cantina, mas todos tinham aquele mesmo pensamento de que seria legal fazer algo de diferente.

Eles adentraram a escola, com muito cuidado para não serem vistos e aquilo ser julgado como suspeito, e seguiram pelos corredores até uma sala vazia, sem ser por Riley, Josh e Farkle que estavam ali esperando, ou pelo menos era o que deveriam estar fazendo.

Esperando, em outras palavras, Farkle estava sozinho na sala jogando algumas bolinhas de papel no quadro, enquanto não havia nem sinal de Riley e Josh.

— Onde estão eles? — perguntou Maya.

— Não faço ideia. Riles disse que ia ao banheiro e Josh disse que iria ver se a barra estava limpa, mas já faz um tempo e eles ainda não voltaram — respondeu Farkle. — Fiquei com medo de sair daqui e algum professor acabar me vendo, mas também fiquei preocupado que os dois pudessem ter sido descobertos.

— Que droga... — murmurou Maya — E agora? Você acha que a gente espera?

— Eu acho que se eles tivessem sido pegos, já teriam falado que a gente tá aqui também, ou então tentado mandar uma mensagem — concluiu Charlie.

— Ou teriam ligado no walktalk — completou Lucas.

— Verdade — disse Maya, pensativa.

— Sério que vocês têm aqueles radinhos pra se comunicar? — perguntou Zay — Que maneiro!

— Pois é, mas eu me pergunto onde aqueles dois possam estar — Maya deu um longo suspiro. (N/L: O estar da Maya rimou com o comunicar do Zay, aquele abraço.)

*~/~*

— Com quem foi seu primeiro beijo? — perguntou Josh. Farkle lançava alguns aviões de papel pelos ares, enquanto Riley e Josh estavam conversando em cima das mesas.

— Eu nunca beijei ninguém — afirmou Riley, com as bochechas coradas.

— Não? Mas você tem doze anos, não tem?

— Mas isso não significa nada! — disse Riley — E você, com quem foi seu primeiro beijo?

— Não muda de assunto — ordenou Josh. Riley bufou. — Com a sua idade eu já tinha beijado metade das meninas da minha idade.

— E eu queria ter beijado alguém, mas... Simplesmente não tem ninguém que queira me beijar! Por exemplo, você tem a Maya e a Missy. Elas te amam. Pode beijar elas quando quiser. Mas eu não, ninguém gosta de mim. Bem, não desse jeito — completou Riley, com uma careta.

— Não é questão de alguém gostar de você, é questão de alguém ficar com você — disse Josh.

— Mas eu não queria que meu primeiro beijo não significasse nada — afirmou Riley.

— Você quer mesmo beijar, né? — Riley afirmou com a cabeça e Josh tornou a diminuir o volume da voz, quase num sussurro — Então não quer ir lá no banheiro comigo pra gente se beijar? — Riley arregalou os olhos.

— Tá doido?! Você é meu primo e... O namorado da minha melhor amiga! — disse Riley, surtando.

— É, você tem razão, melhor não — afirmou Josh, mordendo o lábio.

E lá estavam eles. No banheiro, se beijando.

Riley nunca poderia imaginar que estaria fazendo aquilo com alguém da sua própria família, ainda mais o namorado da Maya, e era estranha aquela sensação, mas no fundo, ela estava gostando de mais para reclamar.

(N/L: VAI NO BANHEIRO, PRA GENTE SE BEIJAR, BEM LÁ NO ESCURINHO PRA NINGUÉM DESCONFIAR)

Josh a prendeu contra a parede e a beijou com mais intensidade, enquanto Riles não parava de pensar no quão errado era aquilo. Riley tirou suas mãos do pescoço de Josh e usou-as para afastá-lo, respirando fundo.

— Isso... Josh, isso é muito errado — disse Riles.

— Você quer voltar? — perguntou Josh e Riley fez que sim com a cabeça — É melhor sim, os outros já devem ter chegado.

— Ah, e a propósito, você beija muito bem — disse Riles, saindo do banheiro.

Josh riu e seguiu a garota.

*~/~*

— Finalmente vocês chegaram, eh! — reclamou Maya.

— Onde estavam? — perguntou Lucas.

— Érr... Não interessa onde a gente tava — disse Riley, grossa. — O que você faz aqui, maninho?

— Eu não estou doente, vocês sabem disso.

— Tá, vamos começar com o nosso plano — ordenou Maya. — Cheguem mais.

E todos se fecharam em uma rodinha, como jogadores de futebol. Maya explicava tudo o que iriam fazer: o papel de cada um na distração ou na execução do plano, o que fazer em caso de emergência, o que falar nos rádios walktalk.... Maya tinha todo o plano preparado. Ela era a melhor naquilo, não havia dúvidas.

Charlie, com o tempo, foi demonstrando que seria a pessoa perfeita para ajudar Maya com os planos. Por ter pais que eram muito rígidos com ele, sabia exatamente os perigos que poderiam correr, e então, fez Maya criar outras regras para que nada pudesse dar errado.

No final, era quase como se todos ali fizessem parte de um só, e todos fossem contribuintes para que aquilo desse certo. Como se um não conseguisse fazer aquilo sozinho, mas a soma de todos que ali estavam fazia toda a diferença.

Os oito saíram da salas já cientes de todos os planos. Charlie e Lucas iriam distrair o diretor e alguns alunos enquanto fingiam que estavam brigando. Josh, Maya e Riley cuidariam de verificar se nenhum professor desconfiaria de algo. Já Zay e Sam ficariam na porta da sala do diretor, cuidando para que ninguém entrasse e visse Farkle no flagra, hackeando o computador.

— Seu idiota! — gritou Charlie, extremamente do nada, mas fingindo que começara uma briga e acabara de empurrar Lucas contra os armários. Lucas revidou e logo várias pessoas começaram a chegar, gritando “briga!” e apostando quem venceria.

Maya correu para o diretor e avisou o que estava ocorrendo, que ficou perplexo e correu para tentar amenizar. Não havia sido uma ideia lá muito inteligente, pois não pensaram que o diretor poderia expulsar Charlie e Lucas por causa disso.

— Ei, pode ir parando! — gritou o diretor, tentando separar os dois garotos.

Riley, no entanto, era a única que não se esforçava. Sua consciência estava pesada pelo que acabara de fazer com Josh e trabalhar junto com ele e Maya não era a melhor coisa a se fazer para sua cabeça parar de dizer constantemente que ela era uma traidora.

— Será que eu devo contar a ela? — murmurava baixinho.

Pensou várias vezes em contar a Maya, mas lembrou-se que ela ficaria muito triste ao saber daquilo, e talvez até terminasse seu namoro por culpa dela. Então, deixou que Maya ficasse sem saber mesmo. Mas não mentiria, apenas omitiria a verdade.

Riley, Josh, Maya, Zay e Sam tinham conseguido despistar todos os professores, e os garotos iam bem no andar de baixo falando com o diretor.

— Não, é que eu queria te perguntar uma coisa a respeito da aula de matemática... — Maya dizia. E era mais ou menos isso que repetiam para todos os professores.

Farkle estava quase acabando de escrever o que queria, quando, com um baque, Zay e Sam ouviram o diretor se aproximando com dois professores as suas costas carregando Charlie e Lucas. Haviam falhado, e falhado feio ao pensar que o diretor apenas se distrairia com uma briga.

— Corre, Farkle, se esconde! — gritou Zay, enquanto Sam tentava informar alguma coisa no rádio, até descobrir que o mesmo estava sem pilhas.

E então o diretor adentrou a sala.

— O que pensam que estão fazendo?!

— Ferrou... — foi a última coisa que Zay conseguiu dizer antes de se virarem e verem um diretor furioso e seus dois amigos atrás.

[...]

— Como você pôde mentir para o diretor? — Riley perguntou a Farkle entrando no Topanga’s.

— Eu não menti, apenas omiti a verdade, Riley — disse Farkle, com um sorriso falso.

— Farkle, não fale comigo de novo, tudo bem?

— Riley, eu...

Farkle levantou-se da cadeira, mas já era tarde, Riley já tinha saído do restaurante de sua mãe.

— Você fez a coisa certa, Farkle — Maya tentou confortá-lo, enquanto se deitava no ombro de Josh. Farkle olhou para ela com os olhos atentos à quando Josh e Maya começaram a brincar, rindo um com o outro. — Pelo menos você se livrou de uma detenção, ou até pior.

— Não, Maya, eu fiz a coisa errada — Farkle abaixou a cabeça. — E eu preciso consertar isso — completou, saindo do Topanga’s apressado.

— Ele gosta mesmo dela, né? — perguntou Charlie. Maya apenas ignorou continuando a brincar com a mão de Josh, enquanto Lucas fitava o nada, pensativo.

— O que pensam que estão fazendo? — Lucas fora arrastado para dentro da sala do diretor por um daqueles professores capangas dele.

— Ferrou... — disse seu irmão adotivo, se virando com Sam. E então Lucas se lembrou, ainda tinha muita coisa do ano passado para tratar com o irmão de sua melhor amiga. Não que tivesse esquecido, muito pelo contrário: sempre que via Sam lembrava-se daquele beijo roubado.

Farkle se levantou para o diretor com um sorriso no rosto. Fora muito estranho. Se estava encrencado, por que sorria?

Mas Maya sabia: tinha armado tudo com Farkle para que, por mais que as coisas dessem errado, de alguma maneira poderiam se safar de alguma punição.

— Sinto muito, senhor — começou o garoto. — Houveram boatos de que haviam alunos hackeando o sistema da cantina... — Sam e Zay concordavam com a cabeça, mesmo sem saber o que viria a seguir — Então decidimos investigar a respeito, e descobrimos várias suspeitas apontando para Missy Bradford e Alice Underwood.

Charlie congelou por um momento. Alice Underwood, onde tinha ouvido esse nome antes?

— Senhoritas Bradford e Underwood? Mas como...?

— Não se preocupe, diretor, eu já troquei o cardápio para como ele era antes — avisou Farkle. — Sou seu aluno de ouro, não sou? — ele esboçou um sorriso grande e o diretor inclinou a cabeça.

— É, sim, Farkle. Mas eu...

— Então acabamos por aqui — disse Farkle, praticamente mandando no diretor. — Vamos, garotos? — perguntou para os quatro que se encontravam ali, eles afirmaram com a cabeça, sem dizer nada, e saíram depressa da sala do diretor.

— Maya, você conhece alguma Alice Underwood? — perguntou Lucas. Josh engoliu seco. — Que foi, Josh?

— É... Quem não conhece ela? — Josh disfarçou.

— Hmm... É, eu conheço sim, Lucas — afirmou, desconfiando do que Josh acabara de dizer. — Por quê?

— Você quem disse pro Farkle culpar ela e a Missy?

— Culpar quem?! — exclamou Josh, Maya o encarou com os olhos semicerrados.

— Tá de brincadeira, Josh? Nós já conversamos sobre isso! — disse Maya. Josh mordeu o lábio — Você namora comigo, não com a Mis-vadia-sy — Charlie riu e Lucas fez força para não sorrir. — E o que você tem com a Alice?

— Nada, ela é... — Josh parou de falar antes que dissesse algo que não deveria. Porém tarde demais.

— É o que, Josh?

— Vai, conta pra sua namoradinha o que a Underwood é — disse Charlie, imitando uma voz fininha. — Conta que o que ela é começa com ‘gos’ e termina com ‘tosa’ — Josh colocou o dedo do meio para ele, fazendo Lucas não conseguir aguentar e acabar rindo.

— Fala logo! — ordenou Maya, batendo no braço de Josh.

— Ela, érr... O dia tá tão lindo hoje, né?! — Josh levou mais um soco de Maya — Ai! Okay, eu conto... — e sabendo que não iria conseguir se livrar de Maya, revelou — Ally é lésbica.

— Nah, eu peguei ela na última festa — revelou Lucas. Josh arregalou os olhos. Charlie riu. Maya estava furiosa.

— Se você continuar de conversinha com esse tipo de garota, considere-se um homem morto, Joshua Matthews — murmurou Maya.

Josh levantou os braços.

— Eu não tenho nem catorze anos ainda!

— Pois nem vai ter.

[...]

Farkle entrou no Topanga’s e foi até Maya, Lucas e Riley. Sentou-se perto deles e Maya perguntou:

— Então, por que demorou tanto? Eu até matei o Josh no meio do caminho.

— Eu estava na diretoria, falei que fui eu quem hackeou o computador da escola. Eles falaram que eu iria ser suspenso por uma semana.

Riley levemente virou sua atenção para Farkle.

— Eu estou bem. Não quero mentir de novo — Farkle olhou para Riley. — Ser um mentiroso me afastou das pessoas que amo.

Riley se levantou e deu um abraço apertado em Farkle.

— Eu te amo, Riley. E eu prometo nunca mais ter nenhuma mentira entre nossa amizade.

— Eu também te amo, Farkle — disse Riley, ainda abraçada no garoto.

— É assim que tudo acaba? — perguntou Lucas.

— Como assim, Huckleberry? — Maya não havia entendido que pergunta aleatória era aquilo.

— No final do dia, todos nós sempre amamos uns aos outros — Maya olhou nos olhos de Josh e suspirou.

— Seria bom se fosse assim.

E então olhou para Josh, conversando com algumas garotas pelo restaurante.

Josh conversava animadamente, até que percebeu que seu celular vibrava intensamente e várias mensagens estavam chegando em conjunto. Pegou para conferir e o seu maior medo tornou-se realidade.

“Obrigada, Josh.

“Graças a sua turminha, eu e Missy estamos na detenção.”

Matthews não entendeu: Farkle não havia explicado tudo?

“Eu ia te dizer que não precisava mais fingir que namorava a Maya, já que não iria dar certo as coisas comigo e com a Missy mesmo.

“Mas sinceramente?

“VAI SE FERRAR

“EU MESMA VOU CONTAR PRA MAYA QUE VOCÊ TÁ FINGINDO SE VOCÊS NÃO ME TIRAREM DA DETENÇÃO

“Ou isso, ou vocês vêm pra detenção junto

“Sua escolha.

“- A(lice Underwood)

“P.S.: Você é um idiota.”

— Nós precisamos falar pro diretor que todos nós participamos! — disse Josh, sem fôlego.

— Tá doido? — perguntou Maya.

— Precisamos ir junto com o Farkle, não seria justo — disse Riley. — Ele fez a coisa certa por mim e eu tenho que fazer o mesmo.

Josh suspirou aliviado.

“Eu te amo, priminha...”

Notas finais
No próximo capítulo... O que a detenção pode causar? Será que ficaremos loucos aqui dentro até as duas horas acabarem? Doidos não sei, mas tenho certeza que tinha algo naquela água que bebemos.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.