Like a Bad Dream
6 Verdades que ferem o orgulho
Notas iniciais
De manhã,Anne acordara sozinha na cama de um hotel.Então nada tinha acontecido?Que pena!No sonho tudo parecera tão fácil!Ella havia entendido,ambas haviam se acertado!Como fora tão bom!
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Lá fora,debaixo de uma chuva torrencial,um suspeito carro preto virara a noite na porta do Riviera Palace.Dentro dele,um homem mais suspeito ainda e ao lado,uma mulher.Estava bem vestida e tinha os traços fortes,a expressão marcada por uma constante decepção.Seus olhos azuis,gélidos,penetrantes.Os cabelos,jogados estratégicamente para trás em mechas onduladas traziam uma moldura a seu rosto.Retirou um celular da bolsa,com uma voz insípida ordenou ao homem que telefonasse para um número.
-Avise-o de que ela está no Riviera Palace,e diga-lhe que está encurralada.
-Não acha melhor...
-Só faça o que ordenei.Ele saberá o que fazer depois.-Por fora trazia uma imagem fria,uma antártica constante,mas por dentro seus sentimentos eram de culpa,arrependimento e principalmente rancor.
Ruth Steiner não era exatamente o tipo de mulher suave,tinha certa selvageria comercial no olhar.Rica.Bem sucedida.Independente.Amarga.Por quê mesmo estava fazendo aquilo com Anne?Não fora ela uma de suas melhores amigas?Sim,fora.Mas também fora ela quem decidiu abandonar-lhe para viver loucuras insanas.Fora exatamente Ann quem dividira o grupo.hoje em dia,nem Julia e nem Lia a perdoavam,mas o que dissera anos atrás era ou não verdade?Ela tinha ou não razão?Estava começando a achar que não.
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-Anne?Onde você estava ontem?
-Isso não te interessa.
-É claro que sim,não combinamos de sair?
-Eu não combinei nada.Foi você quem não cumpriu sua parte no acordo.
-Ah,mas o que é isso?Bom,achei que te encontraria na RockSoul.Quando cheguei lá...Onde você estava?Como não havia aparecido ainda resolvi vomeçar a festa sem você,mas a garçonete me trouxe o pedido errado,e tive de conversar com a gerente e...Quem era a gerente?Para a minha surpresa era a nossa amiga:Ella Francy!
-O quê...você...fez?
-Ah,nada demais.Conversamos muito,relembramos nossos tempos de adolescência e,sabe amorzinho,ela me disse que estava muito chateada com você.Disse que não entendia por que vocês tinham brigado.Aí ela concordou em,depois do expediente sair comigo.Levei-a até em casa,mas ela disse que teria problemas em dormir sozinha,então fiquei por lá mesmo.
-Seu mentiroso.Gustav,eu não vou te perdoar se fizer uma única coisa à ela.Nem que seja um café...
-Está com ciúmes?Não era essa a minha intenção.
-...envenenado.
-Bom aí continuando...Hoje resolvemos sair um pouco,esclarecer e tomar novos ares,seguir a vida em frente...Ela está comigo.
-Você...
-Exato,e a menos que queira que ela deixe de existir...Apareça aqui para dar uma alôzinho!!!
-Seu canalha!#@$%¨&*()#$¨##%&
pi_pi_pi_
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-Por que você está fazendo isso?
-Por que não me conformo.
-Com o quê?
-Com a sua existência.
-rsrsrs!Cínico.
-Como você tem algo que eu quero muito mas não posso ter...Destruo a fonte.
-Sabe que não pode me matar.
-Por quê?
-Porque precisa de mim.
-Para...?
-Para chantageá-la.Precisa de mim porque,se eu não estiver na jogada,sabe que ela nunca mais vai sair com você.
-É mesmo?*tom sarcástico*
-É.
-Como é convencida!!!Por que simplesmente não consegue crêr que ela te abandonou por que quis?
-Porque se fosse assim você não teria me sequestrado.
-Você é esperta.Mas acha mesmo que,se ela te amasse de verdade,e não só achasse isso,ela teria te abandonada à minha mercê?
-Sabe que ela não vai te perdoar.Muito menos se fizer dessa forma.
-Eu juro que tentei de tudo para fazê-la me amar novamente.
-Ela nunca te amou.*sorriso de vitória*E você sabe disso.Não sabe?
-Não,não sei.Houve uma época em que éramos só nós.Em que o Universo era nosso.
-Ela só deixava transparecer isso,pois no fundo estava sufocada por uma relação sem futuro,sem sentido...
Gustav levantou-se do lugar onde estava sentado,posicionou o copo de whisky na mesinha de centro e dirigiu-se até a cadeira em que Ella estava amarrada.Estapeou seu rosto uma única vez,porém com tanta força a ponto de fazer-lhe sagrar a boca.Ella riu,doloridamente,mas riu sarcástica como ela só.Nesse instante,domado por uma ira sem igual,Gustav não se conteve,começou a espancá-la,Ella não soltava um gemido sequer,não que quisesse se passar por durona,pois aquilo doía à beça,mas porque não sentia necessidade.E quanto mais ela suportava seu \"calvário\"(N.A.:à aqueles que se sentiram ofendidos pela expressão,peço desculpas.),mais ele batia.Por fim,não se sabe se por cansaço ou se por reconhecimento de derrota,ele deixou-se cair.E prostado no chão permaneceu quieto por alguns instantes.
-Por que pensa assim?
-Porque a Anne é muito mais do que a que você queria que fosse.Do que a que você tentou modelar para si.
-Nunca a tentei modelar a meu gosto.
-Tentou sim,e sabe disso.Talvez tenha se apaixonado pela mesma Anne que eu:a indomável que se escondia por trás a face de boa moça.Talvez tenha se apaixonado pela mesma personalidade,os mesmos olhos,grandes e expressivos,o mesmo jeito de falar,a mesma rebeldia...
-Pára...Pára que você não sabe o que está falando.Você pode ter se apaixonado por isso,mas por que quando percebeu que gostava dela ela já estava doente.
-Então admite que eu a ame mais que você?E por isso não suporta a minha existência?
-Você quer levar outra surra?
-Não.Só quero te compreender.Adquiri isso...esse traço...essa capacidade,de tentar compreender os outros mesmo quandosabe que está certo,com o passar do tempo.Com a Anne.
-Me explica por que você está fazendo papel de analista?
-Eu não sei do que está falando!
Gustav saiu da sala.Raivoso,espumando e derrotado.Enquato isso,Ella,permaneceu na sala,óbvio,sentada desconfortavelmente na cadeira que lhe fora designada,sentindo dor,muita dor e caimbra.Seus músculos estavam retesados pelas cordas.Observava cada ponto de seu cárcere.O sofá na outra extremidade da sala,puído pelo tempo,as paredes nuas,descascadas permitiam vislumbres de que,um dia,foram pintadas num verde musgo deprimente.O chão,tacos de madeira,gastos pelo tempo e recobertos por um tapete roído de traças.na mesinha de centro,junto ao copo de whísky metade sorvido,acumulavam-se embalagens de comida pronta.
Um camundongo espiara de sua toca para ver se o perigo já passara.Correu em direção à mesinha de centro,lambiscou um pouco o conteúdo do copo e dirigiu-se às embalagens,realmente muito mais atrativas,se você for um rato.
\"hm!A que ponto chegamos Ella Francy!A que ponto chegamos!Sequestrada pelo ex-namorado daquela que só lhe proporcionou felicidades nos últimos cinco anos!Dá até para fazer um filme!!!Meu consolo é que,se voltar e bebericar do restante de whísky,Gustav vai encostar os lábios exatamente onde passou um rato!\"
-Pode deixar,ratinho:não conto para ele que esteve a experimentar-lhe uma dose de seu \"hidromel\"*-Sussurrou,com cumplicidade para o distraído camundonguinho.
Há quanto tempo estava ali?Não sabia.Não gritava por socorro por saber que seria impossível alquém ouvir-lhe os apelos.Sabia que estava em um prédio alto e abandonado,no vigésimo andar,no elevador Gustav lhe esplicara suas intenções,quando a porta se abriu,apenas sentiu um baque surdo na cabeça e perdera a conciência.Não tinha medo de morrer.Se morresse estaria feliz,não extamente,mas saberia que se morresse,e fosse ao inferno,levaria consigo Gustav e sua quadrilha.
O tempo passou.Ella cansou-se de observar,ao lado,na janela os insucessos de uma pequena borboletinha,talvez até mariposa,mas que tentava desesperadamente achar a fresta por onde entrara no puído e ressecado plástico preto que substituia a vidraça.O ambiente era carente de luz,úmido e seus músculos estavam entorpecidos.Resultado?Adormeceu!
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