Like The Stars Miss The Sun In The Morning Sky
4 Capítulo 4: Tinha que ser a Liz!
Notas iniciais
Capitulo 4: Tinha que ser a Liz!
E mais uma vez eu acordo com alguém me gritando. E pior ainda, me mandandoeu ir pra escola.
– Bells acorda logo, agente tem que ir pra escola. – Pierre gritou entrando no banheiro do meu quarto
– Não quero não. – respondi jogando o cobertor em cima da minha cabeça
– Quer sim! Anda logo. – ele puxou o cobertor
– Ah, por favor, me deixa ficar em casa hoje, acho que eu to de ressaca. –eu disse e me sentei na cama... Foi a primeira desculpa que passou pela minha cabeça.
– É, deve estar mesmo. Sabe, você tem que parar de beber, isso não vai te fazer bem futuramente.
– Ai, cala a boca! – eu me joguei na cama outra vez
– Eu to falando sério. – ele se deitou ao meu lado – Você ta virando alcoólatra com 18 anos.
– Ta bom, depois você faz o papel de amigo preocupado com meus vícios porque agora eu quero que você cale a boca. – eu o abracei e ele colocou os braços em volta de mim
– Ta bom.
Ele permaneceu em silencio por uns 10 minutos, até que finalmente disse alguma coisa.
– Eu tenho que ir agora. Não posso chegar atrasado, alem disso alguém tem que estudar, não posso perder a bolsa de estudos.
– Eu já te falei que você não precisaria de bolsa de estudos se me deixasse pagar a escola pra você. Eu até tinha conversado com meu avô sobre isso e ele tinha concordado. – eu disse enquanto arrumava o cabelo dele que estava meio bagunçado
– Não quero que fiquem pagando as coisas pra mim. Pelo menos esse tipo de coisa, porque presentes eu aceito.
– Você não é nada bobo. Mas você não tinha que ir “senhor nerdinho que não pode perder aula”?
– Nossa! É mesmo, você fica me distraindo! Mas agora tenho que ir mesmo, não adianta querer ficar me levando para mau caminho da sua cama. – ele se levantou e eu fui atrás dele
Ele pegou a mochila e estava quase saindo do quarto quando eu o segurei pelo sinto da calça.
– Você não resiste ao mau caminho da minha cama. – ele se virou de frente pra mim e colocou as mãos na minha cintura.
– Eu acho que é melhor você ir por uma calça. Porque você assim só com uma camiseta do Nirvana, é demais para eu resistir. – ele começou a aproximar minha boca da dele, mas parou quando estava perto demais – Mas eu preciso ser forte.
– Chato! – eu mostrei a língua para ele
– Tchau coisinha mimada! – ele me deu um selinho e saiu do quarto fechando a porta
Fiz a única coisa que me restava, já que o Pierre me deixou para sozinha para ir naquela escola cheia de Barbie, –é impressionante como eu consigo ser dramática e malvada em uma só frase – eu fui para o mau caminho da minha cama, mas dessa vez para dormir, o que não era tão ruim assim.
Mas não demorou muito para alguém vir me acordar, outra vez!
Ashley chegou acendendo a luz do quarto.
– Eu preciso de um favor seu. – ela disse
– Não! – eu respondi sem nem querer saber o que era. Ninguém mais ia me deixar dormir naquela casa?
– É sério. Por favor, Bells. Eu tenho que ir pra São Paulo com o Sam para resolver algumas coisas e você vai ter que levar o Thomas para a escola.
– Eu não quero nem saber de escola, depois eu levo ele para um lugar bem melhor.
– Tudo bem, mas depois você liga para o Sam avisando aonde você levou o filho dele, e aposto que ele não vai gostar nada.
– Problema dele.
– Ótimo. Vocês que se entendam, mas o Thomas já está acordado e é melhor você ir ficar com ele porque eu já estou quase saindo.
– Ok, mas deixa eu ir tomar um banho porque eu ainda devo estar cheirando a bar.
– Vai logo então, e vê se para de beber mulher!
– Ai, não começa, por favor! – eu me levantei e fui tomar banho.
Depois do banho vesti uma roupa decente porque provavelmente iria sair com o Thomas depois. Olhei no relógio e ainda era 08h00 da manha! Tinha que ser a Ashley pra me acordar tão cedo.
Desci as escadas e fui até a cozinha para procurar alguma coisa para comer. Thomas estava lá comendo aquele cereal de chocolate que era muito bom por sinal, decidi comer a mesma coisa já que provavelmente aquilo era a coisa mais fácil e boa para se comer naquela casa.
– Bom dia titia. – Thomas disse sorrindo quando me viu
– Bom dia meu lindinho. – eu dei um beijo no rosto dele
– Ótimo já posso ir agora. Mon petit prince. – Ashley disse em francês para o Thomas e deu um beijo no rosto dele – E cuida bem do meu filho Bells.
Ela me deu um beijo no rosto também e foi embora.
– Por que eu não fui para a escola hoje tia? – Thomas me perguntou quando estávamos sozinhos
– Porque hoje você esta sobre minha responsabilidade e isso significa que vamos fazer coisas mais legais do que ir para a escola.
– Mas o papai me disse que eu tenho que ir para a escola, e que faltar é ruim para o meu futuro.
– Seu pai é um chato! – ele riu, ele sempre ria quando eu falava mal o pai dele, deve ser porque ele não podia falar mal, mesmo o Sam merecendo.
– E aonde agente vai? – ele perguntou
– Acho que no shopping, agente aproveita para comprar coisas legais, vai ao cinema e o melhor de tudo, faz bagunça!
– Eba! – ele disse e eu sorri
– Agora termina de comer, vai trocar esse uniforme da escola por uma roupa legal enquanto eu procuro meus óculos escuros porque minha cara não deve estar muito bela. – eu disse e ele começou a rir de mim
– Eu posso ir de óculos também tia?
– Bom, eu não vejo o porquê você teria motivos para esconder esse rostinho de anjo, mas até que pode ficar bonitinho. Agora vai se trocar, escovar os dentes, e pentear esse cabelo porque você ta a cara do seu pai com esse cabelo bagunçado.
– Ta bom tia, mas o papai sempre diz que ele é o gatão, então eu acho que eu sou o gatão jr.
– Thomas, pelo amor de Deus vai logo se trocar, porque eu já to perdendo a paciência com seu pai e ele nem ta aqui.
Ele foi se trocar. E eu procurei meus óculos pela casa toda, já estava quase desistindo quando entrei no quarto de jogos do Thomas e para minha surpresa meus óculos estavam na cara do Bob Esponja de brinquedo que a Liz deu pra ele quando ele era bebe. Preciso cuidar melhor das minhas coisas.
Peguei os óculos e desci as escadas, o Thomas já estava pronto me esperando na sala. Ele estava vestindo camisa xadrez, jeans escuro, tênis de skatista e o cabelo estava mais arrumado dessa vez.
– To bonito tia? – ele perguntou sorrindo
– Ta um anjinho sedução. Vamos? – eu perguntei e notei que ele estava com óculos escuros nas mãos iguais aos meus
– Vamos! – ele disse e nós dois colocamos os óculos ao mesmo tempo, o que foi meio bobo mais o Thomas achou hilário.
Fizemos varias coisas no shopping, assistimos filme de criança no cinema, compramos jogos novos, ganhamos um Pokémon de pelúcia na sala de jogos, passamos na loja de instrumentos musicais para conversar com alguns velhos amigos – e quando eu digo velhos, eu to dizendo dois senhores de uns 80 anos muito rock n’ roll – até tiramos algumas fotos, mas a melhor foi do Thomas tentando tocar bateria com os óculos escuros no rosto, era a coisa mais fofa do mundo!
Eu comprei alguns brinquedos novos que eu estava devendo de apostas que eu perdia pra ele... É eu perco aposta até pra um garotinho de cinco anos! Na hora do almoço fomos comer no Mc Donalds. E para resumir o nosso dia divertido no shopping, bom eu acho que o Sam não vai gostar nada da conta do cartão que vai chegar, até porque como eu não sou boba eu usei o dele para fazer tudo isso.
Chegamos em casa com algumas compras, tudo bem, muitas compras. Liz estava em casa assistindo TV na sala.
– Aonde vocês foram? – ela perguntou quando nos sentamos no sofá para assistir com ela
– No shopping pra bagunçar um pouco. – eu disse
– Foi muito legal tia! – Thomas disse para Liz entusiasmado, e eu fiquei feliz de ver que ele se divertiu
– Que bom meu amorzinho, mas sua tia Bells fica te levando para o mau caminho e não te levando para escola. Mas por favor, não vai ficar igual a ela. Você tem que ser um bom menino e não dar trabalho para o seu pai futuramente porque já basta essa ai pra ele sustentar. – Liz disse se lembrando de quando eu tive que pedir para o Sam pagar uma conta no bar pra mim.
– Isso já faz tempo! – eu disse em minha defesa.
– Um mês atrás não é tanto tempo Bells e sem contar as contas do cartão dele que eu sei que você pegou hoje.
– Se eu deixar você usar também dele você vai contar alguma coisa?
– Talvez não.
– Ótimo, a senha é 271350 e você não viu nada! – eu disse jogando o cartão para ela
– Acho que o papai não vai gostar disso. – Thomas disse olhando a cena.
– Ele não precisa saber, e depois eu consigo outro Pokémon de pelúcia para você se não contar pra ele.
– Ta bom. – ele concordou e voltou a prestar atenção na TV, é muito fácil conseguir o silencio dessa criança.
– O Pierre se comportou na escola hoje? – perguntei para Liz
– Igual a um anjo. Quando você não esta com ele, o coitado fica até desanimado. – ela disse – Fiquei até mais tarde para dar carona para ele depois da detenção, e te garanto que ele se comportou lá também, porque a cara de sono dele não era das melhores.
– É bem melhor do que ele ficar socializando com aquela... – eu ia chamar a Katelyn de vadia mais lembrei que o Thomas estava por perto e não era bom ele ouvir esse tipo de coisa – Com aquela garota, se é que você me entende.
– É eu também não gostaria de ver o Otávio perto dela. O Pierre disse que talvez venha pra cá hoje.
– Legal, enquanto ele não vem eu vou dormir.
– Meu Deus você só dorme!
– Ninguém me deixa descansar nessa casa! E me diz uma coisa, como você conseguiu ir para a aula hoje se ontem você bebeu até cair? – eu disse rindo
– Sacrifícios são precisos minha irmã! – Liz riu também
– Tudo bem, estou indo dormir. Você cuida do Thomas? Não se preocupa que aposto que daqui a pouco ele dorme também.
– Claro, pode ir. – ela não precisou dizer duas vezes, eu fui para o meu quarto e finalmente consegui ter um pouco de paz para dormir.
Finalmente consegui dormir, quando eu acordei já era por volta das 19:00 horas. Desci para a sala para ver se tinha alguém por lá.
Sam e a Ash já tinha chegado e estavam brincando com o Thomas.
– Já acordou? – Sam perguntou quando me viu na sala
– Não eu estou dormindo ainda, eu sou sonâmbula! – eu disse com sarcasmo
– Engraçadinha você. Eu já to sabendo que você não levou meu filho para a escola. Você acha que todo mundo tem que ser igual a você? Sem futuro na vida? – Sam como sempre muito dramático
– Para vai! Aposto que é bem melhor do que ele ser um chato que não sabe se divertir, igual a você. – me deitei no sofá já pegando o controle da TV e mudando de canal para ver se estava passando algo de interessante.
– Primeiro: Eu sei me divertir melhor do que você. E segundo: Ninguém mandou você trocar de canal. – Sam tentou pegar o controle da minha mão, mas eu o escondi atrás das costas.
– Não começa a querer mandar porque você não esta na sua casa!
– Não importa, eu estava assistindo primeiro.
– Você nem estava assistindo!
– Será que as duas criançinhas vão parar de brigar por coisa boba? Não me façam ir ai resolver. – Ashley disse
– Ele começou! – eu disse apontando para o Sam
– Ninguém mandou você trocar de canal. – Sam disse dando um tapa no dedo que eu estava apontando para ele
– Já não mandei parar? – Ashley disse e quando ela fala desse jeito brigando com o Sam e eu, bom isso realmente da medo e é melhor obedecer
– Já paramos. – Sam e eu dissemos ao mesmo tempo
– Ótimo. – ela disse voltando a brincar com o Thomas
– Então... O que tem para comer? – eu disse depois de alguns minutos em silencio
– O Sam pediu uma pizza já faz um tempo. Já deve estar chegando. – Ash disse
– Eu realmente não sei por que existe cozinha nessa casa. – eu disse inconformada por ninguém naquela casa quase nunca cozinhar
– Para a Ash fazer lasanha de micro ondas. – Sam disse rindo
– Mas até que a lasanha de micro ondas da Ash não é tão ruim. Deve ser porque é instantânea e ela não precisa fazer quase nada. – eu disse rindo também
– Bom, saber Bells. Na próxima vez você faz então. – Ash disse tentando fazer cara de brava, mas isso só nos vez rir mais.
– Não mana é brincadeira, sua lasanha pode não ser das melhores, mas eu ainda te amo. Não se preocupa.
– Para de ficar me esculachando. Além disso, meu macarrão é muito bom!
– Disso eu não posso discordar, seu macarrão é ótimo, mesmo sendo a única coisa que você realmente sabe fazer nada cozinha.
– Pelo menos eu sei fazer alguma coisa!
– Ei, não precisa humilhar também. – eu disse e Ashley riu de mim
– Que vergonha, as mulheres dessa família não devem saber nem ligar o fogão, mas aposto que caipirinha todo mundo sabe fazer. – Sam disse indignado
– Isso é um assunto completamente diferente, e particularmente melhor. – eu disse
– É quando envolve álcool o assunto fica melhor para você. – Ash disse para mim – Sabe precisamos ter uma conversa seria sobre isso.
– Não começa! Já basta o Pierre ficar tomando conta dos meus vícios. E você não tem que falar nada, porque você e eu bebendo é a mesma coisa. Duas bêbadas que não lembram nem o próprio nome no final da noite. – eu respondi e o Sam começou a rir igual a um retardado
– Isso é verdade. – ele disse tentando se recuperar – esse é o problema dessa família: o álcool.
– É bom termos entrado nesse assunto, porque eu queria saber quem foi que pegou a garrafa de whisky do meu carro? – eu disse olhando para a Ash
– Não sei de nada. – ela disse, mas a cara que ela fez a entregou.
– Bom saber...
Continuamos falando de bebidas por algum tempo. Até que a pizza chegou. Sam foi atender a porta no momento que recebi uma mensagem de texto no celular, e para variar era do Pierre.
“Não posso ir à sua casa hoje. Tenho que levar minha mãe no médico, mas não se preocupe, não é nada demais. Beijos e até amanhã, Pierre.”
– Droga. – eu disse quando terminei de ler a mensagem
– O que aconteceu? – Ash quis saber
– O Pierre vai levar a mãe dele não médico, ele disse que não era nada demais, mas ele não vai poder vir aqui hoje. – eu respondi
– Se ferrou, vai ter que dormir sozinha. – Sam disse trazendo duas pizzas.
– Sam já não passou da hora de você ir para sua casa dormir sozinho também? – eu disse
– Não, porque eu nunca durmo sozinho, e hoje eu vou dormir aqui e você terá o privilegio da minha presença deslumbrante.
– Que historia é essa de você nunca dormir sozinho? – Ash perguntou e pelo jeito era melhor o Sam tomar cuidado com o que ia responder
– Eu... Durmo com o Jão. – ele disse se referindo ao gato de estimação dele.
– É bom ser com o Jão mesmo porque se não, você vai dormir, e vai ser para sempre. – ela disse ameaçando ele – Bells vai chamar a Liz para comer antes que eu mate ele.
Fiz o que ela pediu, fui chamar a Liz. Bati na porta do quarto dela, ninguém respondeu, e a porta não estava trancada então eu entrei.
Ela estava no computador com o fone de ouvido tão alto que eu pude ouvir que ela estava ouvindo 30 Seconds to Mars. Não é a toa que ela não me ouviu bater na porta. Mas o que me chamou a atenção foi com quem ela estava conversando na internet. Minha felicidade do dia inteiro acabou quando eu li o nome Josh Parker.
– Porque você esta falando com esse cara? – eu perguntei alto o bastante para ela ouvir
– Você não sabe bater na porta? – ela tirou o fone de ouvido
– Eu bati, mas você não respondeu.
– Ta, mas o que você quer?
– Eu vim te chamar para comer pizza.
– Então chama.
– Ei, vamos comer pizza! – eu disse tentando parecer animada
– Isso foi estranho!
– Muito! Mas não importa, vai me dizer por que você estava falando com aquele cara?
– Porque ele é um cara legal. O que? Vai dizer que é crime agora?
– Como você pode dizer se ele é legal? Você nem conhece ele e, além disso, ele é do grupinho da Katelyn!
– Eu fiz um trabalho com ele hoje e ele é legal sim, só deve estar com as amizades erradas.
– Muito erradas!
– Qual é Bells? Eu só estou conversando com ele.
– Quer saber, não vou discutir com você por causa dessa gente. – sai do quarto sem nem querer saber o que ela ia dizer
Não conversei com a Liz pelo resto da noite. Pode parecer ciúmes, mas eu não queria minha irmã com aquele tipo de pessoas. Esse Joshua poderia até ser mesmo um cara legal, mas não demoraria muito para ele ficar igual ao resto da turma da Katelyn. Não queria nem imaginar minha irmã se envolvendo com eles e passando por tudo o que eu passei. As pessoas da escola que não são do nosso grupo, acham que sou muito implicante com o grupo da Katelyn. Outros que sabem só metade da historia acham que é infantilidade minha. Mas não é fácil esquecer o que aconteceu, ou melhor, o que fizeram comigo.
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