Like The Stars Miss The Sun In The Morning Sky

27 Capítulo 27: E então ele dormiu.


Capítulo 27: E então ele dormiu.

É incrível como minha vida parece mudar de um dia para o outro. Sério, me diz como é possível uma sequencia de coisas

acontecerem assim de maneira tão rápida? Bom, não sei sobre como o universo conspira contra minha vida, mas eu estava tendo uma das melhores noites da minha vida. E então, de repente, tudo virou de cabeça pra baixo.

Mel me acordou um pouco antes do amanhecer naquele dia. Não quis acreditar no que ela disse, mas precisávamos voltar e decidir o que fazer naquela situação.

Voltamos para casa, a maioria do caminho em silencio. O caminho pareceu mais longo do que realmente era. Até que finalmente chegamos.

– Vem, vamos ver as crianças e depois vamos direto ao hospital. – Mel disse quando abriu a porta para mim.

Entramos em casa e eu ainda não tinha dito nada.

– Ela está bem? – Liz perguntou quando me viu passar direto para pegar as crianças no colo.

– Acho que sim, – Mel respondeu – só meio em choque. E estava bem preocupada com as crianças, então melhor dar um tempo para ela.

Ela veio ver como as crianças estavam.

– Eles estão bem amor. Não tem com o que se preocupar. – ela colocou a mão no meu ombro.

– Eu sei. – eu disse baixo. – Apenas queira ter certeza disso.

– Se vocês quiserem ir ao hospital, eu fico com eles. – Liz disse. – Logo a Ash vem aqui também, mas acho que posso me virar com os baixinhos.

– Tudo bem Liz, eu vou ir tomar um banho e já vamos ir lá. – eu disse e entreguei as crianças no colo da Mel. – Mas obrigada irmã.

Até o momento da chegada do hospital, realmente não tinha caído a ficha. Como aquilo poderia acontecer assim de uma hora para outra? Mas eu tentei me acalmar e fui procurar pelo Sam no hospital, ele estava acompanhando o caso, e iria me informar de qual seria a situação real.

Ele estava na sala dele analisando alguns exames quando eu e Mel entramos.

– Eu preciso saber o que aconteceu. – eu disse. – Ninguém me diz o que houve de verdade.

– Ontem de madrugada, recebemos uma ligação do Kevin. Bom, vocês deixaram ele e o Josh cuidando das crianças, e o que acontece é que o Jon começou a chorar, e não sei ao certo mas Josh precisou passar na sua casa para buscar algo para ele. – Sam suspirou alto e tirou os óculos do rosto. – O exame comprova que pelo menos ele estava sóbrio, mas as testemunhas dizem que outro carro vinha na contra mão, e ele só teve tempo para desviar, e o carro capotou. A pessoa do outro carro não prestou socorro, mas alguns motoristas pararam e chamaram o socorro e o trouxeram para cá.

– E qual a situação dele? – Mel perguntou.

– Infelizmente, é grave. Estamos fazendo vários exames, mas ele não reage a nada. Ele está e ao que tudo indica, vai permanecer por um tempo em coma. Até que encontremos alguma solução.

– E você não pode fazer nada? – nesse momento já tinha caído a ficha, mas eu ainda não conseguia o imaginar nessa situação. – Faz alguma coisa, ele acabou de fazer 19 anos, ele não pode ficar em uma situação assim. Ele tem uma vida.

– Infelizmente, não temos muito o que fazer Bells, pode ser arriscado tentar uma cirurgia no cérebro e de qualquer maneira, o pai dele precisa autorizar. Ele está fraco demais para arriscar algo assim. Ele só está sendo mantido vivo pelos aparelhos.

– Eu posso ver ele? – perguntei.

– Se eu dizer que não você vai invadir o quarto do mesmo jeito não é? – ele disse.

– Eu não duvido. – Mel disse.

– Me leva até lá então. – eu disse.

Ele teve que me “roubar” um crachá de visitante, mas fora isso, era melhor que tentar invadir o quarto, com todos os enfermeiro e médicos por perto.

– Eu vou ficar aqui fora, tudo bem? – Mel disse quando estávamos em frente à porta do quarto. – É melhor você ir sozinha. Qualquer coisa estou aqui fora.

– Tudo bem mô. – dei um selinho nela, respirei fundo e entrei no quarto.

Era bastante chocante vê-lo daquele jeito. Aquele garoto bobo alegre, que fazia de tudo pra todos a sua volta rirem, que vivia cantando enquanto fazia comida, ou ficava se admirando no reflexo do carro apenas para se convencer de que seu cabelo estava bom do jeito que estava. Aquele Josh Parker, o que eu conheci, não era o que estava naquela cama.

Aquele era só um corpo humano ligado a tubos e fios de aparelhos que faziam aquele maldito bip. Nada, além disso. Era a pior cena que se poderia imaginar dele. Ele estava mais pálido do que o comum, com os olhos fechados, e era ruim pensar que por um bom tempo, não veria os olhos azuis dele.

Eu sei que não deveria ficar muito perto, mas sentei na cadeira ao lado. E segurei a mão dele. Estava gelada, com agulhas que levavam soro ate as veias dele.

– Você é um idiota mesmo não é? – eu disse, e percebi que eu estava chorando. – Por que você teve que sair? Por que você tinha que ser o pai babão que faz todas as vontades do filho? Deixei tudo o que eles precisavam, mas você é um teimoso Joshua.

Como já era esperado, não tive nenhuma resposta. É claro.

– Espero que você esteja me ouvindo te xingar. E esteja concordando, igual quando discutíamos e você sempre dizia que eu estava certa só para não gerar mais briga. – eu sorri de lado lembrando daquilo. – Mas mesmo você sendo um perfeito bobão, eu vou fazer de tudo para te ajudar, vou te tirar dessa. E enquanto você estiver aqui, vou cuidar do Jon e da Clara. E da Alice e do Kevin se for preciso. Eu sei que ficaria preocupado com eles. Mas eu te prometo, que cuido deles.

Fica bem, eu volto quando puder.

Afaguei o cabelo dele, e sai do quarto. Não aguentava ficar lá dentro vendo ele daquele jeito.

– Ei. – Mel me puxou pela mão e me abraçou quando sai do quarto. – Ele vai ficar bem amor. Já estão cuidando dele.

– Ele está horrível amor. – eu disse chorando no ombro dele. – Precisamos ajudar ele.

– Nós vamos ajudar. Mas você precisa ser forte, cuidar dos pequenos, e eu vou estar aqui com você para te ajudar mô. – ela beijou meu rosto. – Vamos para casa, e decidimos o que fazer direito.

Em casa eu consegui me acalmar direito. Tínhamos que decidir como ajudar o Josh, e o mais difícil, se o pai dele iria querer alguma ajuda.

Ligamos para o Kevin e ele veio até em casa junto com a Mah e a Alice.

– Como seu pai está com tudo isso? – perguntei quando estávamos todos na sala decidindo o que fazer.

– Bom, difícil dizer. Ele não deixa transparecer muitas emoções. Sempre conversa com os médicos sozinhos. – ele disse. –Mas acho que se você quiser ajudar financeiramente, o melhor é ele não saber. Ele ainda é um homem orgulhoso.

– Tudo bem. Irei falar com o Sam, e todas as despesas eu pago. Damos um jeito do seu pai não saber. O Sam pode ajudar nisso.

– E a Alice? – Mel perguntou.

– Ai é mais complicado. – Kevin olhou para trás para ver se ela estava perto, mas ela estava brincando com o Axl. – Ela não entende o que está acontecendo. Ela acha que o Josh está doente, e precisa ficar no hospital, e eu não sei como contar isso para ela.

– Se você quiser deixar ela aqui, ela pode brincar com o Thomas, e ficar mais com os bebês. E eu posso falar com ela. – eu disse.

– Seria bom. – Mah disse. – Nós dois não sabemos como lidar com isso, ela é criança e qualquer coisa dita errado pode fazer ela ficar mais triste do que deveria.

– Nós cuidamos dela, não se preocupem. – Mel disse. – Já estamos acostumando com crianças.

Naquele dia foi apenas isso o que discutimos, iriamos ter que falar com o Sam a respeito da cirurgia. O Kevin queria saber de todas as chances de ajudar o irmão.

A parte mais difícil foi de noite. Eu teria que conversar com a Alice sobre o Josh.

– Ei baixinha. – chamei ela, que estava vendo TV na sala. – Posso assistir com você?

– Pode sim. – ela sorriu como sempre muito fofa.

Eu não sabia direito como começar aquele assunto. Mas por sorte, ela começou por mim.

– O Josh tá doente não tá? – ela me olhou.

– Ele está sim. – eu disse.

– Mas ele vai ficar bom?

– Eu não sei. – admiti. – Mas precisamos torcer para que ele fique bom logo.

– E por que eu não posso ver ele? – ela perguntou.

– Ele está muito fraquinho, e ele está dormindo e ele não pode acordar por enquanto. Você entende?

– Eu acho que sim. – ela disse. – Mas se ele dormir para sempre? Ele vai para o céu, igual meu vovô?

– Nós precisamos torcer que ele acorde logo.

– Josh me disse uma vez que se ele fosse para o céu, ele ia ficar me olhando, lá das estrelinhas toda a noite, pra eu não ficar sozinha. – ela sorriu.

– Mas não precisa ficar sozinha, vou cuidar de você. Se você quiser.

– Eu quero. – ela me abraçou – O Josh dizia que você é especial. Eu gosto de você e estava com saudade.

– Também estava com saudade baixinha. – abracei ela. – Agora já para a cama. Hora de dormir, amanhã vou levar você e o Tom para a escola.

– Boa noite. – ela deu um beijo no meu rosto e foi para o quarto.

Fiquei impressionada de ver o quanto uma criança lidava melhor com a situação do que eu.

– Falou com ela? – Mel perguntou quando entrei no nosso quarto.

– Sim, acho que ela vai ficar bem. –me sentei de frente para ela na cama. – Você entende por que eu tenho que fazer isso não é? Ajudar eles, e o Josh.

– Ele era especial para você. – ela disse. – Então entendo. Além disso, ele nos deu dois pestinhas, para cuidarmos, e não poderia pedir presente melhor, por isso eu entendo.

– Obrigado amor. – abracei ela.

– Eu te amo tá? Estou aqui com você para te dar força. – ela me deu um beijo. – Agora dorme, descansa mô, amanha é um novo dia.

Foi difícil dormir naquela noite, mas foi uma noite sem sonhos. Meu desejo era que tudo aquilo fosse um pesadelo. Mas eu sabia que assim que acordasse, também teria que acordar para realidade e encarar aquilo, dia após dia.