Capítulo 28: Sky without sun.

Foram três meses até tomarmos uma decisão real com relação a situação do Josh. Na verdade demorou mesmo foi para convencer o pai dele de autorizar arriscarmos uma cirurgia.

O tempo era o pior inimigo. Quando mais tempo se passava, mais eram as chances dele nunca voltar a acordar. E essa era uma chance da qual tentávamos todos os dias tirar de nossas cabeças.

Era tarde de sexta feira quando Sam nos avisou que estava tudo pronto para a cirurgia. Estava nas mãos dele e de uma equipe de médicos especializados, então tentamos não nos preocupar com relação a dedicação dos médicos.

Decidi ficar em casa, só pioraria ficar no hospital esperando por noticias. Então, Kevin foi para esperar por noticias, e dessa vez o pai dele o acompanhou.

Ficar com as crianças era uma boa distração, mantinha minha mente ocupada.

Comecei a reparar no quanto Jon cada vez mais apresentava ser mais parecido com o Josh. E a Clara não muito diferente.

– Sabe o que eu acho? – Mel disse enquanto brincava com o Thomas e a Alice com algum bonequinho. – deveríamos contar histórias bacanas.

– Histórias bacanas? – Thomas disse – Ninguém fala mais assim tia.

– Juro que não fui eu que o ensinei a falar assim. – Ash disse com Nicholas no colo.

– Tudo bem então, mas precisamos nos distrair. – Mel disse. – Não tem nada de bom na TV e está caindo o mundo lá fora de tanto que chove.

De fato, aquela chuva parecia não ter fim. E também parecia não agradar o Axl a cada trovão que ele ouvia.

– Bom, eu tenho uma história legal. – Ash disse. – Já contei pra você de quando a Bells colocou fogo na cozinha?

– Serio mesmo que você quer revelar isso? – eu ri.

– Logico, quero ouvir essa história. – Mel disse.

– Essa é uma das minhas preferidas. – Liz disse.

– Ela devia ter uns 14 anos. Ela estava tentando fazer alguma coisa que não foi identificada no incêndio... – Ash começou

– Hambúrguer – eu disse.

– Isso mesmo. – ela continuou. – Ela se equipou toda, com aquelas luvas e essas coisas de cozinha. Disse que ia fazer pra todo mundo, e deixou todo mundo na expectativa. Alguns minutos depois, começou a fazer uma fumaça absurda, e só a vimos sair correndo da cozinha e bater a cabeça na parede e desmaiar. Conseguimos apagar o fogo, e quando ela acordou ela disse “eu vi o inferno!”

– Na verdade era só uma luva que tinha pegado fogo, eu que acidentalmente esqueci perto do fogo... – elas me olharam – tudo bem, eu coloquei em cima do fogo.

– Parabéns amor, você é um gênio! – Mel riu.

– Essa foi a parte fácil. Difícil foi convencer os bombeiros que os vizinhos chamaram, de que já estava tudo resolvido. Porque a fumaça realmente era absurda. – Liz disse.

– Vocês são muito ingratas, eu tentei fazer algo legal pra vocês comerem. – eu ri.

– Eu queria comer um sanduiche agora. – Thomas disse.

– Isso foi uma indireta não foi? – eu disse.

– Pode ser que sim. – ela fez biquinho pra mim.

– Tudo bem baixinho mimado. – eu fui pra cozinha fazer o sanduiche dele.

A Mel foi atrás de mim.

– Você está tensa não é? – ela se sentou em cima do balcão me olhando.

– Tensa é pouco. – eu disse. – Me preocupo com o que está acontecendo, me sinto responsável para que ele se saia bem.

– Ei você fez tudo o que podia fazer, ficou meses atrás de algo que pudesse ajudar. Conversando com ele, mesmo sem respostas. Ta na hora de deixar na mão do destino agora.

– Você está certa, só espero que tudo seja do melhor jeito possível. – eu disse, e ela me abraçou.

– Vai ser meu amor. – ela beijou meu rosto.

Passamos a tarde daquele jeito, contando histórias, brincando, cantando e essas coisas. Já poderíamos formar uma creche com tantas crianças naquela casa. Mas era bem divertido, e muito melhor do que ficar se deprimindo e deprimindo a todos a minha volta.

Era bom ter um tempo em família. Fingir que todos os problemas foram deixados do lado de fora da casa.

...

Já era começo noite quando Jon, Clara e Nick estavam dormindo. Estávamos apenas Tom, Mel, Liz, Ash e eu na sala, ao som do Axl ainda enlouquecendo por causa da chuva.

– Tia toca um pouco de piano pra mim? – Tom disse indo em direção ao piano.

– Tudo bem, mas só se você tocar comigo. – eu disse e fui me sentar com ele.

– Tudo bem! – ele sorriu.

Comecei a tocar algum das musicas que tinha começado a ensinar a ele, ele ajudava complementando em algumas notas.

Ficamos um bom tempo tocando, e ensinei algumas outas musicas pra ele. Com um pouco de dificuldade ele começava a pegar o jeito.

Até que o baixinho tem talento!

– Cansei de tocar já. – ele disse cruzando os braços.

– Mas já? Eu disse que tinha que se dedicar. – baguncei o cabelo dele.

– Eu sei, mas já cansei. Toca você algo agora pra mim.

– O que você quer que eu toque? – perguntei.

– Alguma coisa legal.

– Tudo bem então.

Comecei a tocar Summertime Sednesss da Lana Del Rey. Gostava de tocar essas musicas mais calmas.

E aparentemente Thomas tocou. Não só ele, mas as meninas na sala começaram a prestar mais atenção na melodia. Então comecei a cantar baixo junto com a musica.

Eu nem percebi quando o telefone tocou. Ash quem foi atender.

E quando eu terminei os exatos versos “I think I'll miss you forever. Like the stars miss the sun in the morning skies.” Ash apareceu ao meu lado.

– Bells...