Like Never Before.
3 Tudo Como Sempre Foi
Notas iniciais
Finn passou pela porta e entrou em seu carro, indo pra casa. Sem demora logo chegou no condomínio onde morava e estacionou o carro na sua vaga. Entrou em casa e viu sua mãe e uma mulher conversando na sala. Se aproximou e cumprimentou a mulher educadamente.
- Boa tarde. – Finn falou.
- Boa tarde meu filho! – Carole sorriu. – Essa é Patrice. Ela vai ajudar na organização do seu aniversário! – Carole estava bem empolgada.
- Mãe, eu falei que não queria nada grande demais. – Finn sempre fora discreto.
- Que bobagem! Só se faz 18 anos uma vez na vida Finn! – Patrice se pronunciava pela primeira vez.
- Tudo bem. – Se deu por vencido. – Mas quero algo simples. Nada muito extravagante. Ouviu mãe?
- Sim, sim. — Carole concordou.
- Ótimo. Vou fazer uns exercícios da escola. Com licença. – Finn dali e se trancou no seu quarto.
Apesar de realmente ter alguns exercícios de química pra fazer, ele não fez. Ficou pensando em Rachel. O que faria uma menina rica, bem educada e bem instruída, fugir de casa e viver na pobreza? Porque vivendo bem ela não estava. Pra chegar ao ponto de ser pega roubando uma loja de conveniência algo devia estar muito errado. Não pode deixar de perceber como ela estava linda. Quando ele era mais novo não se lembrava dela dessa maneira. Parece que agora os hormônios estavam ajudando a formar uma imagem diferente dela. Mas aquilo era assunto pra outra hora. Ligou o videogame e foi jogar o jogo que tinha pegado emprestado com Puck mais cedo. Ficou horas jogando e nem percebeu, até que ouviu os gritos de Kurt e viu no relógio que já eram 6 horas. Droga! Perdeu a hora. Levantou-se rapidamente e como um foguete entrou no banheiro. Tomou banho, escovou os dentes, barbeou o pouco de pelo que tinha no rosto e foi procurar uma roupa, mas não sabia o que vestir. Foi até o quarto do irmão e bateu na porta.
- Kurt! – Finn o chamava.
- Que é? – Kurt gritou do quarto.
- Vem cá. Preciso de ajuda! – Finn abriu a porta e viu ele terminando de se arrumar.
- Vai jantar assim? – Kurt perguntou debochado ao ver ele com a toalha enrolada na cintura.
- Não! – Finn falou suplicando. – Me ajuda a escolher uma roupa?!
- Que pergunta idiota. – Kurt se levantou e passou direto por ele.
Kurt pegou uma blusa de botão social preta e um colete da mesma cor. Depois escolheu uma calça jeans, também da cor negra e entregou pra ele.
- De nada. – Saiu dali antes mesmo do irmão poder agradecer.
Finn se vestiu com a roupa que o irmão lhe deu e quando olhou no relógio, já eram 7:04h, ouviu a campainha tocar. Desceu as escadas correndo, devia ser Santana! Abriu a porta e viu a própria ali, lhe dando um dos sorrisos mais lindos que ele tinha visto na vida.
- Cheguei cedo? – Ela perguntou.
- Não. Bem na hora. – Sorriu e lhe deu um selinho. – Você esta linda.
- Você também. – Sorriu e entrou na casa. – Quem te vestiu? Kurt?
- Como sabe? – Perguntou surpreso e Santana apenas riu.
- Oh Santana! Como você esta linda! – Carole falou, ao chegar ao cômodo.
- Obrigada Carol. Você também está linda. – Santana sorriu simpática.
- Oh, não canso de dizer que vocês dois fazem um belo casal
- Mãe... – Finn ruborizou ficando extremamente envergonhado.
- Tudo bem. – Santana se virou pra ele e falou rindo. – Nós somos apenas amigos. – Voltou a falar com Carole.
- Amigos... Sei... – Carole falou desconfiada e saiu dali após uma empregada chamá-la .
- Então... Como está Noah? – Santana perguntou.
- Ah... Fui lá depois da aula. – Finn contava. – Não vai acreditar... – Santana fez cara de interrogação. – A irmã dele voltou.
- O que?! – Ficou perplexa. – A irmã que fugiu? – Finn concordou. – Nossa, deve ta um clima bem pesado por lá né?
- Acredito que sim. – Finn disse comendo um pãozinho que estava numa cesta.
E realmente o clima estava bem pesado na residência dos Berry. Shleby como qualquer mãe logo fez questão de acolher a filha, a abraçando, chorando e dizendo que não queria perdê-la de novo. Já Hiram se mostrava imparcial. Claro que estava feliz e aliviado de saber que a filha estava bem. Sentia falta da sua filha primogênita, mas não podia simplesmente apagar os últimos cinco anos e alguns meses de sua vida. Rachel parecia uma menina assustada ao ver os pais cruzarem a porta de casa. Ao ver a mãe, seus olhos se encheram de lágrimas e as duas ficaram minutos chorando abraçada uma a outra. Hiram olhava a cena com um misto de perplexidade e alegria. Sua filha por fim voltara pra casa. Mas ainda devia algumas explicações.
E a noite foi um verdadeiro programa de talk show, desses que resolvem casos familiares. Após muito choro, abraços, pedidos de desculpa, até mesmo gritaria, Rachel resolveu contar o porque ela fugiu sem nem ao menos se despedir.
- Não foi só Jesse que não foi aceito na faculdade. – Falava com os olhos vermelhos de tanto chorar. – Eu também não fui.
- C-como? – Hiram não entendia. — Eu recebi sua carta de aprovação.
- Era falsa. – Falou olhando pra baixo. – Um primo de Quinn forjou pra mim.
- O que?! – Hiram se exaltou. – E isso é motivo de fugir de casa Rachel?
- E-eu fiquei com vergonha. Não sabia como olhar pra vocês depois de tudo. Vocês sempre me deram tudo do bom e do melhor. A melhor educação da Califórnia, as melhores roupas, os melhores carros, uma ótima vida. E eu retribuí como? Não conseguindo passar pra universidade?
- Minha filha, isso é besteira. – Shelby falava com a voz fraca. – Você poderia ter tentado entrar no próximo ano, ou seu pai poderia falar com um dos amigos del...
- Não! – Rachel falou rapidamente. – Não. Eu quero ter as coisas por mérito próprio, não pelos contatos do meu pai.
- E você conseguiu ótimas coisas não? – Noah descia as escadas com um sorriso debochado no rosto.
- Filho, por favor. – Hiram pedia paciência.
- Eu to indo na casa do Finn. – Falou pra quem quisesse ouvir. – Vou jantar por lá mesmo.
- Puck... – Shelby o chamava pelo apelido, que só os amigos chamavam.
- Depois a gente conversa mãe. – Saiu daqui deixando Rachel mais desolada. Seria difícil reconquistar o amor e a confiança do irmão.
Já na casa dos Hummel as coisas não poderiam ser mais diferentes. Burt chegara de Nova York cheio de presentes. Roupas caríssimas para Kurt, jogos e alguns instrumentos musicais para Finn e jóias e mais jóias pra Carole.
- Adorei esse casaco. – Dizia Kurt alisando um casaco de couro
- Realmente, é lindo demais. – Santana dizia.
- Pai, esses jogos nem lançaram ainda. – Finn falou perplexo segurando alguns CDs de videogame.
- Tenho um conhecido que testa jogos. – Burt falou. – São todos versão beta...
- Obrigada meu amor. – Carole lhe dava um rápido beijo.
A família estava sorridente na sala de estar, até que a campainha tocou e logo Puck aparecia na sala um pouco abatido.
- Tio! – Puck foi até Burt e o abraçou.
- Oh como está Noah?
- Bem. – Sorriu. – Como foi de viagem?
- Excelente! – Sorriu de volta – Trouxe uns jogos pra Finn, vá la escolher algum pra você.
E assim foi a noite. A verdade é que Puck se sentia mais em casa com os Hummel do que com os próprios pais, e agora a irmã. Depois de um jantar maravilhoso entre amigos, ele voltou pra casa esperando um grande espetáculo, mas se enganou. As luzes já estavam apagadas. Ele entrou em casa e não ouviu nada. Apenas silencio. O que aconteceu? Os pais descobriram que Rachel foi presa e a colocaram pra fora de casa? Subiu as escadas e viu Rachel dormindo tranquilamente em sua cama. Suspirou fundo. Será que por fim voltariam a ser uma família feliz? Mordeu os lábios e entrou em seu quarto, tirou a camisa e deitou em sua cama, esperando o sono vir.
Na casa dos Hummel, tudo corria extremamente bem. Carole e Burt tinham dois filhos ótimos. Ambos de boa índole, simpáticos, humildes – Kurt nem tanto. – e o mais importante, saudáveis, como Carole mesmo dizia. Burt tinham chegado de Nova York a quase 1 mês, e a família estava completa para a alegria de Burt. Já na casa dos Berry a situação era parecida. Após uma longa conversa, Rachel pareceu ter conseguido reconquistar a confiança dos pais, mas não a do irmão. Noah se mostrava um pouco incomodado com tudo aquilo. Preferia não falar nada para não magoar a mãe, mas sentia que Rachel não estava sendo sincera ao dizer que queria voltar a viver com a família.
Era sábado e o tempo não estava lá dos melhores. Finn, Santana, Sam, Brittany, Mike foram até uma locadora alugar alguns filmes. Sessões de cinema na casa dos Evans eram lendárias. O pai de Sam era dono da maior rede de cinemas dos EUA, então o rapaz tinha sua própria sala de cinema em casa. Os amigos riam ao ver Brittany fazer mais uma de suas palhaçadas. Até que Finn viu alguém conhecido. Estreitou os olhos e sim. Conhecia aquela menina.
- Já volto. – Finn falou pra Sam que concordou. Foi andando e viu que era Rachel. – Escolhendo filmes de romance pra ver nessa chuva?
- Oh! – Rachel pulou – Que susto!
- Desculpe. – Falou rindo. – Não era minha intenção de assustar.
- Tudo bem – Ofereceu-lhe um sorriso forçado.
- Então, como você esta?
- Bem.
- Sério? – Apoiou o braço gigante na prateleira.
- Sim. E você? – Rachel continuava a escolher o filme e falava sem olhar pra ele.
- Estou ótimo. – Finn sorriu, achando graça da situação.
- Que bom. – Parou de sorrir e de falar, deixando o menino na merda.
- Você esta de carro?
- Não. Taxi. – Falou rapidamente.
- Quer uma carona pra casa? Essa chuva ta matando.
- Não é nada demais. – Rachel disse seca e Finn riu incrédulo.
- Sabe... Não ia te matar se você fosse um pouco mais simpática.
- Como é que é? – Rachel não parava de se surpreender com aquele pivete.
- Você é muito antipática. Estou tentando ser educado com você, mas fica bem difícil.
- Não pedi pra você ser educado comigo. – Rachel encarou ele nos olhos e quando ele foi responder, foi interrompido.
- Hey Doc, estamos indo. – Santana falou chegando perto dos dois. – Oh desculpe. Interrompo algo?
- Não. – Finn falou ríspido. – Não interrompe nada. Vamos embora. – Finn colocou a mão direita na cintura de Santana e dois saíram dali, deixando Rachel sozinha e com uma expressão estranha no rosto.
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