Like I'm Gonna Lose You
11 Capítulo 9 - Raziel
Notas iniciais
P.O.V Sebastian
A boate estava da mesma maneira que eu me lembrava, lotada e barulhenta. Naquela noite as pessoas também usavam tinta neon em seus corpos, e dançavam ao som das batidas eletrônicas.
Ainda que houvesse centenas de pessoas naquele lugar, eu conseguia dizer exatamente onde ela estava. Era a única pessoa que realmente me importava. Eu conseguia ouvir as batidas de seu coração, sua risada, o movimento que o seu corpo fazia de acordo com a música; conseguia sentir o suor que escorria pelas curvas de seu corpo. Eu sempre só teria olhos para ela.
Eu via a maneira que ela se movimentava entre o grupo de amigos. Parecia feliz, relaxada, e eu não me permitiria estragar aquele momento. Ela merecia aquele momento, precisava esquecer um pouco de tudo o que estava acontecendo; seria bom para ela.
Então… Eu me mantive ali. Observando-a à distância, esperando um momento para me aproximar dela. Eu saberia quando seria o melhor momento; e, talvez, eu nem precisasse ir até ela… Não conseguiríamos ficar longe um do outro por muito tempo de qualquer maneira. Alguém ia ceder mais cedo ou mais tarde.
Um movimento repentino na cama fez com que os meus pensamentos fossem interrompidos. Seus cabelos ruivos estavam espalhados pelo travesseiro, fazendo um belo contraste com o tão claro dos lençóis. Felizmente ela não havia acordado, não queria ser pego ali a observando.
Deixei um suspiro cansado escapar pelos meus lábios enquanto me aproximava da cama. Acariciei os seus cabelos macios e depositei um beijo em sua testa. Não queria ter discutido com ela na noite anterior. Odiava brigar com ela… A minha irmã era uma parte vital de mim. Sem aquela ruivinha… Sem ela eu não era nada além de um Tritão infeliz.
— Sebastian? — Ela perguntou sonolenta enquanto se sentava na cama. — Onde estava? Mamãe ficou preocupada. — Ela murmurou enquanto se sentava na cama e coçava os olhos.
— Eu precisava respirar. — Ela me fitou por alguns segundos. — Eu só fui nadar, Clary. — O que não era totalmente mentira. Antes de voltar para casa eu havia nadado por algumas horas.
Caímos em um silêncio um tanto quanto desconfortável. Observei enquanto ela abraçava os próprios joelhos e apoiava o queixo sobre eles. A Clary desviou os olhos para a janela e o reflexo da luz lunar que os atingiu deu um tom lindo de verde à eles.
Eu sabia que a minha irmã havia chorado por conta do que ocorrera na escola e pela nossa discussão. Mas ainda assim, eu via aquele leve rubor em sua face, o brilho nos olhos e as batidas aceleradas do coração; a Clary, por um momento, esteve feliz. E eu ajudara a arruinar aquilo.
Não me leve a mal. Eu já havia visto aquela história se repetir mais de dez vezes. O que eu pudesse fazer para deixar a minha irmã fora de perigo, ou impedisse que o seu coraçãozinho sofresse ainda mais, eu faria.
— Odeio discutir com você. — Admiti. Vi seus ombros relaxarem em questão de segundos. — Me desculpe, Clary. — Ela finalmente olhou para mim. Seus olhos encontraram os meus e elas os manteve ali por vários segundos; e quando as lágrimas os nublaram, foi como receber um soco no estômago.
— Não consigo mais fazer isso, Sebastian. — A abracei e relaxei ao sentí-la retribuir ao abraço. Seu choro foi silencioso, mas as lágrimas eram grossas contra o pano fino da minha camisa. — O que foi que eu fiz, Sebastian?
— Clary…
— Por favor. — Ela me cortou. — Pode cobrir todos os espelhos? Eu não quero…
— Fique aqui, okay? — Beijei sua testa. — Eu não vou demorar. — Caminhei até o banheiro do quarto dela e joguei uma toalha sobre ele. Voltei ao quarto e cobri o espelho de corpo inteiro com um edredom. O som de notificação do celular dela me fez congelar… — Clary, não… — Mas já era tarde demais. Ela encarava o celular com concentração, mas além disso, havia mágoa e raiva. — Clary… — Sua mão se fechou contra o aparelho com tanta força que o mesmo quebrou. Sangue começou a pingar de sua mão sobre as cobertas, mas ela não se importou. Uma lágrima solitária escorreu pelo seu rosto, e então ela me encarou com um sorriso amargo no rosto. — O que você viu?
— O suficiente. — Murmurou. — Não posso fugir disso, não é? — Ela fungou e colocou os restos do celular sobre a cômoda; olhou para a mão machucada e fez uma careta.
— Nós vamos dar um jeito nisso, Clary. — Ela abriu um pequeno sorriso e voltou a deitar-se. — Não vou deixar você morrer. — Disse e me dirigi à porta do quarto.
— Sebs. — Abri a porta e parei no batente da mesma antes de virar-me para olhá-la. Fazia bastante tempo que a Clary não me chamava por aquele apelido. — Aonde você, realmente, foi? — Fechei os meus olhos por alguns segundos antes de respondê-la.
— Eu só fui nadar, Clary. — Menti. Não era uma mentira total, mas era um omissão. E ambos sabíamos disso.
— Boa noite, Sebastian. — Ela murmurou enquanto ajeitava os travesseiros. Entendi aquilo como uma deixa para que eu fosse finalmente embora para o meu próprio quarto e a deixasse em paz pelo resto da noite.
Ninguém precisava saber o que eu estava fazendo durante a noite… Pelo menos não ainda.
P.O.V Clary
Abri os meus olhos e automaticamente passei uma das mãos pelo cabelo enquanto usava a outra para coçar o olho. Sentei-me na cama e me espreguicei, abrindo um sorriso involuntário ao terminar.
Caminhei até o banheiro e encarei o espelho. O meu reflexo quase reluzia, e aquilo não era nada bom. Tratei de escovar os dentes e lavar o rosto, e quando ergui a cabeça, senti toda a minha felicidade se esvair. Não era mais o meu reflexo que estava no espelho, e sim o Jace.
Seus olhos estavam um pouco inchados e ele ainda estava sonolento, o que significava que ele havia acabado de acordar. Observei enquanto ele repetia o mesmo processo que eu havia feito há pouco, e quando terminou, ele ficou encarando o espelho, como se também conseguisse me ver. Mas eu sabia que não.
Antes que eu pudesse fazer alguma coisa, uma pessoa passou os braços pelos ombros dele, o que o fez abrir um pequeno sorriso, no segundo seguinte a pessoa parou ao seu lado. Eu conhecia aquela menina, era a Lydia. Seus cabelos, ainda que presos, estavam bagunçados e caiam sobre o seus ombros, ela tinha um sorriso no rosto, e eu percebi que ela usava um lençol para cobrir os seios.
O Jace aproximou os lábios dos dela e eu senti o meu coração quebrar em trilhões de pedaços ao assistir aquele beijo.
Passei a mão no espelho e a imagem dele se distorceu e a minha voltou a aparecer. Meus olhos estavam marejados e eu não tinha mais o sorriso de minutos atrás, e sequer sentia a mesma felicidade e leveza de antes. Balancei a cabeça em negação e tratei de tomar um banho. Precisava pensar e tentar colocar a minha cabeça no lugar. Quanto menos eu pensasse no Jace melhor.
O som do meu celular tocando foi o suficiente para me fazer pensar em outra coisa que não fosse o Jace. Pelo menos, durante os segundos que levei para alcançá-lo no criado mudo ao lado da minha cama. Mas, quando vi a palavra "Isabelle" brilhando na tela, não consegui conter uma careta.
...
—Se eu molhar você, você se transforma? -Acabei rindo da sua pergunta. Estávamos sentadas na varanda da casa dela enquanto apreciávamos o nosso sorvete. -O que foi?
—Você está vendo muitos filmes, Isabelle.
—Realmente estou. Tenho procurado por tudo que se relaciona à Sereias nos últimos dias. Livros, filmes, tem até seriados sabia? É verdade que vocês conseguem atrair um homem cantando?
—Sim. -Ela me encarou. -Quer que eu cante? -Sua cabeça balançou em afirmação. -Isabelle, estamos em 2016, não em 1430! Pelo amor de Deus!
—Ah! Outra coisa! Vocês tem alguma divindade ? Tipo, nós aqui do mundo ocidental temos, por exemplo, Deus. E vocês? Tem algum específico? Ou seguem de acordo com o lugar que estão?
—Poucas Sereias, pelo menos que eu conheço, seguem uma religião. A maioria não se prende à nenhuma por opção, ou por respeito àqueles que vieram antes de nós. -A Isabelle tinha o cenho franzido. -Bom, o mito das Sereias começa há séculos atrás. Um dos primeiros seres humanos que foram corajosos e estúpidos o suficiente para tentarem descobrir o que havia no Mar, o que havia além da linha do horizonte; foi um homem chamado Raziel. Mas naquela época, não haviam muitos deuses para qual pedir salvação. Então, Raziel pediu ao Mar; em sua prece ele pediu para que o Mar o perdoasse por tê-lo ofendido quando entrou nele sem permissão, e implorou, para que se fosse morrer ali, que não o deixasse morrer sozinho. E atendendo ao pedido daquele homem, o Mar criou um ser que atenderia ao seu pedido. Uma mulher com calda de peixe; rápida como uma correnteza e forte como as ondas que quebram contra as rochas; bela como a Lua que refletia nas águas durante a noite, e iluminada como o Sol; feroz como um tubarão e tranquila como a espuma que as ondas deixavam na praia; a perfeita definição do Mar, bela e tentadora. -Olhei para a Isabelle. -E ao mesmo tempo, fria e letal.
—E como vocês chegaram até aqui?
—Raziel se apaixonou por aquele ser fantástico. E juntos tiveram um filho, Jonathan, o primeiro Tritão. O sangue do Mar sempre prevalece. -Desviei os olhos para a rua à nossa frente, algumas crianças estavam brincando por ali. -Jonathan, por ser um Tritão, tinha uma incontrolável fome por carne humana. E assim, aquela Sereia, para não arriscar o amor de sua vida, tomou a decisão de nunca mais deixar o filho ter contato com humanos novamente. E assim, nós nascemos. Obviamente, Jonathan e a mãe procriaram em algum momento.
—Vocês… Quero dizer, os Tritões ainda comem carne humana?
—Infelizmente sim. Tritões precisam comer carne humana pelo menos uma vez por ano. Se não comerem viram Esquecidos, e se isso acontecer, nós com certeza teríamos um baita problema.
—Então, vocês matam humanos?
—Por favor, não nos julgue. Não atacamos ninguém inocente. Agora que passamos os dias na terra, escolhemos as pessoas. Não melhora muito, mas é melhor do que antes. -A lembrança de como eu conheci o Jonathan veio em minha cabeça. -Mais alguma pergunta?
—Um milhão delas. -Sorri peguei o sorvete que estava na mão dela.
—Pode continuar.
—Por que vocês vieram para a terra?
—É uma boa pergunta.
400 anos atrás…
—Venha, Clary! -Sorri ao pegar as mãos do meu irmão. Era a primeira vez que eu iria à terra.
Demorei pelo menos dois meses tentando aprendendo a transformar a minha calda em pernas humanas, a primeira vez que consegui foi doloroso, e eu não soube usá-las, o que quase fez com que eu me afogasse. Mas aquela seria a primeira vez que eu usaria as minhas pernas em terra.
—Está equilibrada? -Assenti ao ser colocada de pé. — Okay. Tende dar um passo. — Assim que tirei um dos meus pés do chão eu quase foi de encontro ao mesmo, felizmente o meu irmão me segurou. — Vamos com calma. — Assenti. Respirei fundo e comecei a tentar novamente. Incontáveis vezes eu tropecei e o Sebastian me segurou. Eu mesma já tinha perdido a paciência quando finalmente consegui dar cinco passos sozinha.
— Por que estamos fazendo isso? — Perguntei enquanto me sentava na areia, e logo o Sebastian fez o mesmo. — Não entendo. — Comentei enquanto desviava o olhar para o mar e para o sol que começava a nascer. — Por que temos que sair do Mar?
— Está vendo aquelas redes? — Ele apontou para um emaranhado de fios próximo ao cais. — Estão ficando mais frequentes. Não podemos correr o risco de um de nós ser pego por uma delas.
— É só evitarmos as praias. — Argumentei. Não gostava nem um pouco da ideia de sair do Mar. O meu irmão riu diante do que eu falei.
— Se fosse tão simples assim, nós faríamos. — Ele me ofereceu um sorriso. — Infelizmente os seres humanos estão em constante avanço. O medo é que um dia, exista algo que possa nos ver dentro d’água, e bom, isso só despertaria a curiosidade dos homens. E logo, nós passaríamos de caçadores à caça. O melhor é estarmos preparados para tal.
— Vocês estavam certos. — A Izzy disse depois que eu terminei de contar a história do meu primeiro dia em terra.
— Eu ainda sinto falta do Mar. — Dei de ombros enquanto dava uma colherada no sorvete. — Sinto falta de passar os meus dias dentro d’água e descobrir as mais incríveis criatura. Criaturas que o ser humano sequer pensa existir.
— Eu deveria ter medo disso?
— Eu li em um lugar uma vez algo que dizia mais ou menos assim: se o Mar fosse tão claro e visível quanto o Céu, as pessoas jamais colocariam os pés nele. E é verdade. — Dei outra colherada no sorvete. — O que mais te dá medo, tenho certeza que existe algo dentro do Mar muito pior.
—Pior que uma Esquecida? — Ela perguntou em um tom mais baixo e levou discretamente a mão até o braço, onde havia sido ferida há poucos dias atrás. Eu a havia curado, um dos dons das Sereias, podíamos usar a água para curar feridas leves. Não que isso fosse legalmente permitido.
— Okay. Talvez você tenha ganhado. — Ela riu. Um carro prata parou na frente da casa nos chamando atenção, de dentro dele saltaram o Jace e o Alec, ambos suados e dando risada de algo.
— Vocês estão nojentos. — A Isabelle comentou fazendo uma careta. — O que aconteceu com o vestiário?
— Manutenção. — O Alec respondeu enquanto se abaixava para depositar um beijo na bochecha dela, Izzy o afastou rapidamente, nos fazendo rir. — Vamos tomar banho, o Hodge está aí? Estou morrendo de fome.
— Não, ele disse que ia encontrar uma amiga. — Ela deu de ombros. — Talvez se ele arrumar uma namorada, ele pare de pegar no meu pé.
— Eu cozinho! — O Jace anunciou. — Vocês são uma completa catástrofe gastronômica. — Acabei rindo. O que o fez me olhar.
Desde o dia que eu o tinha beijado, eu meio que não falava com ele. E aquela situação não estava nem um pouco confortável, principalmente pelo fato de eu tê-lo visto com outra menina na manhã seguinte ao ocorrido. Não que eu pudesse falar com ele sobre aquilo.
— Só vou tomar uma chuveirada.
— Eu cozinho. — A Isabelle protestou. — E a Clary me ajuda. — Ela sequer esperou uma resposta e saiu me puxando para dentro da casa.
Optamos por fazer uma coisa prática, rápida, e que dificilmente ficaria ruim: massa. Isabelle começou a separar os ingredientes enquanto eu pegava as panelas necessárias. Até que nos demos bem na cozinha por alguns minutos.
Os minutos que ela levou para analisar a troca de olhares entre mim e o Jace quando ele anunciou que cozinharia. E o fato dela ter se voluntariado para cozinhar me deixava com a leve suspeita de que ela queria me interrogar em um local de onde sabia que eu não poeria correr.
—O que foi? Clarissa, você não consegue me enganar. -Desviei o olhar para a janela da cozinha. -Definitivamente aconteceu alguma coisa! -Deixei um suspiro derrotado sair pelos meus lábios.
—Eu beijei o Jace. -Murmurei. Ergui os olhos e vi que a Izzy tinha os olhos arregalados. Será que a Isabelle estava irritada por eu ter beijado o irmão dela? Eu sabia que algumas pessoas ficavam irritadas com o fato de seus amigos terem uma relação mais íntima com seus irmãos, mas não esperava aquela reação da morena à minha frente. -Izzy…? Você… -Ela deu um gritinho e começou a rir.
—Eu sabia! Sabia que você tinha gostado dele! -Respondeu enquanto ria. -Eu sabia que o Jace iria tirar uma casquinha sua. -Revirei os olhos. -E então?
—O que?
—Não é porque o Jace é meu irmão que eu não queira saber sobre o seu primeiro beijo! -Arregalei os olhos.
—Não foi o meu primeiro beijo! -Rebati irritada, fazendo com que ela risse. -E se quer tanto saber… Foi bom. -Voltei a me concentrar na comida que fazíamos. Por incrível que parecesse a Isabelle ficou em silêncio por um tempo. Eu optei por fazer o mesmo, afinal, eu ainda era a responsável pelo molho da espaguete que comeríamos no jantar.
Meus pensamentos estavam divididos entre a panela à minha frente, e o dono dos meus pensamentos, este que se encontrava à poucos metros de mim, trancado dentro do próprio quarto, provavelmente tomando banho, e permitindo que pensamentos nada puros tomassem a minha mente.
Ignorei a Isabelle, quando a mesma encostou o quadril no mármore ao meu lado com os braços cruzados. Seus olhos estavam sobre mim, como se me analisasse e tentasse entender alguma dúvida interna. Quando não aguentava mais ignorá-la, respirei fundo e apaguei o fogo, olhando para a minha amiga em seguida.
—O que aconteceu de errado? -Franzi o cenho. -Querida, eu conheço muitas meninas que já tiveram o prazer de desfrutar da presença do meu irmão, e nenhuma delas teve a mesma reação que você. Então, só tem uma única explicação… Alguma coisa saiu errado.
—Não saiu nada errado. -Cruzei os meus braços. -É só que… Eu o beijei e então saí correndo, e antes que pense, eu não estava fugindo dele… Só que desde então, nós sequer conversamos. É estranho! Pelo menos, eu acho estranho.
—Entendi. -Ela me lançou um olhar sugestivo. -E você ainda diz que não foi o seu primeiro beijo. -Revirei os olhos, fazendo a rir. -Eu falo com ele. -Me preparei para repreendê-la, mas fui impedida. -Só vou pedir à ele que converse com você. Prometo.
—Tudo bem.
(...)
Encarei a porta de madeira a minha frente e tive vontade de derrubá-la. Aquilo não tinha nenhuma graça, e eu a mataria quando ela abrisse a porta.
—Isabelle! -Bati na porta irritada. Mataria aquela maluca com quem eu resolvi criar amizade. -Isabelle!
—O que foi? — Ouvi a voz do Jace e me virei para ele enquanto soltava um suspiro cansado. O quarto dele ficava na frente do da irmã, era óbvio que ele acabaria me escutando.
—Sua querida irmã me trancou do lado de fora do quarto! -Ralhei irritada enquanto voltava a bater na porta. -Isabelle!
—Vai acordar a casa inteira assim, Clary. -Suspirei derrotada e cruzei os braços enquanto virava para encará-lo novamente.
—E onde é que eu vou dormir?
—Você tem duas opções: Ou dorme comigo, ou dorme na sala.
— Sala. -Falei rapidamente. Percebi que ele se controlou para não abrir um sorriso o que, provavelmente, me deixaria corada. -Eu prefiro a sala. -Murmurei.
— Tudo bem. Vem cá, eu vou te dar algo para se cobrir. -Assenti e o acompanhei até o quarto. Caminhei olhando para o chão para poder não reparar no quarto dele, não seria saudável ficar imaginando coisas que jamais aconteceriam. — Aqui. -Aceitei o cobertor que ele me estendia, e quando estava pronta para agradecer, a porta pela qual havíamos acabado de passar, foi bruscamente fechada, mas antes que ela se fechasse eu vi o balanço dos longos cabelos negros da Isabelle. -O que…
—Isabelle! -Quando tentei abrir a porta a mesma estava trancada. -Isso não tem graça!
—Resolvam-se! -Ela rebateu e eu pude ouvir os seus passos em seguida, provavelmente ela estava voltando para o próprio quarto.
—Eu vou matá-la. -Murmurei para mim mesma, mas pela risada que o Jace deixou escapar, eu entendi que ele provavelmente ouviu o que eu havia dito. — Ah… bem...
Será que a noite poderia ficar pior?
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