Like I'm Gonna Lose You

18 Capítulo 16 - Truth . Part 1


Notas iniciais
Atrasada estou, eu sei! Bom capítulo, Mermaids!

P.O.V Jace

Eu já estava quase caindo no sono quando comecei a sentir os desenhos invisíveis que ela fazia em meu peito. Seus dedos delicados e suas unhas faziam uma carícia gostosa contra a minha pele, e consequentemente me despertaram. Ela tinha a cabeça apoiada em meu braço, deixando assim os seus cabelos ruivos a minha vista, eles eram macios e tinham sempre cheiro de maresia.

A Clary ergueu a cabeça para e me lançou um sorriso encantador ao perceber que eu a observava. O verde de seus olhos, mesmo com a pouca luz que adentrava em meu quarto, estava brilhando, assim como eu tinha certeza que os meus estavam. E assim como ela eu abri um sorriso bobo.

— Não me olhe assim. — Ela ralhou rindo e apoiando o queixo em meu peito.

— Assim como? — Ela ergueu uma das mãos e afastou o meu cabelo do rosto.

— Você sabe.

— Eu a… — Ela me calou com um beijo antes que eu terminasse a frase.

— Patético! — Murmurou contra os meus lábios segurando o meu maxilar com força; quando olhei em seus olhos percebi que estavam completamente pratas. — Acha mesmo que eu vou deixar que isso aconteça? — O aperto em meu rosto estava começando a doer. — Eu vou matá-los antes que isso aconteça. — Sua mão deslizou pelo meu peito e quado chegou ao meu abdômen, apenas um dedo deslizou por ele, mas sua unha era tão grande e afiada que fez um arranhão no mesmo, e sangue começou a sair pelo mesmo. Era um corte superficial, mas era um corte. Ela gemeu dolorosamente e curvou o corpo, e quando voltou a me olhar, seus olhos estavam verdes novamente. — Eu preciso da sua ajuda, Jace.

— Como?

— Me faça sentir raiva. — Ela pegou a minha mão e levou até o próprio peito, exatamente sobre o coração. — Faça aqui dentro doer.

— Isso não faz sentindo. — Murmurei. Novamente ela gemeu, e os olhos pratas voltaram.

— Ela acha que você pode salvar aquela Sereia estúpida. — A Clary abriu um sorriso que me deu calafrios. — Vamos ver quem chega primeiro.

Abri os meus olhos rapidamente enquanto me sentava na cama. Enquanto a minha visão se acostumava com os raios de sol que entravam pela janela, eu percebi como a minha respiração estava alterada; meu peito subia e descia muito rápido e eu estava suado a ponto dos meus cabelos colarem na testa, além de molhar a camisa que vestia e a fronha.

— Só um pesadelo. — Murmurei para mim mesmo. Aquilo, com certeza, era fruto daqueles diários, que devido ao período de provas eu havia interrompido a leitura. E talvez não voltaria a ler, já que fazia mais de duas semanas que eu estava tendo aqueles pesadelos. E sempre com a Clary, e sempre naquele contexto. De todos, aquele foi o único que não fez com que outras partes do meu corpo reagissem. Eu precisava parar com aquilo.

— Jace! — Ouvi a voz do Alec segundos antes de batidas na porta. Desviei os meus olhos para o criado-mudo e percebendo que eu havia acordado antes mesmo que o meu despertador tocasse. Quando abri a porta encontrei o meu irmão com os cabelos amassados e o rosto um pouco inchado devido ao sono. — Bom dia.

— Bom dia. — Desejei. — Dormiu bem? — Ao fazer a minha pergunta eu cruzei os emus braços e abri um sorriso de canto, sabendo que seria o suficiente para provocá-lo.

— Você é ridículo. — Ele murmurou antes de revirar os olhos. Eu havia encoberto para que ele saísse com o Magnus na noite anterior, e mesmo que ele tentasse negar os olhinhos do meu irmãos brilhavam demais aquela manhã.

— Eu dormi muito bem, obrigado por perguntar. — Puzei levemente a gola da camisa que ele usava, conseguindo assim ver algumas manchas avermelhadas em sua pele. — Ah, o amor e suas marcas. — Ele empurrou a minha mão e saiu andando pelo corredor, em direção ao próprio quarto. — Eu também te amo!

— Vai se foder, Jace! — Ele ralhou antes de bater a porta, me fazendo rir.

Nada como uma manhã normal para esquecer um pesadelo ruim… Pelo menos por alguns minutos.

(…)

Eu sabia que eu havia ido muito mal no teste surpresa de Cálculo, e sabia que se não recuperasse a nota poderia ficar fora do time pelo resto da temporada. E isso era algo que eu não queria. O que eu não esperava era que o meu professor de Cálculo me parasse no fim da aula para uma conversa sobre aquilo. O que causou um pequeno atraso para a aula de química.

Ao chegar na sala, encontrei o meu parceiro, o Alec, sentado ao lado do Lewis. Ao me ver o mesmo deu de ombros e acenou com a cabeça para a única bancada com um lugar inocupado. Ao lado da Clary. Dia de rodízio. A ruiva me olhou rapidamente e com a mesma velocidade voltou a fazer o que estava fazendo antes.

Sentei-me ao lado dela e percebi que a mesma se afastou mais alguns centímetros. Respirei fundo tentando ignorar aquele fato, mas foi inútil. Depois de alguns segundos debatendo se eu perguntava ou não algo a ela, eu optei por simplesmente tirar o material da mochila.

— Temos que misturar essas substâncias para fazer com que mude de cor; e precisamos fazer um relatório sobre. — Ela me olhou. — O que você prefere fazer? — Pensei por alguns instantes. — Eu faço o relatório. — Murmurou. Ignorei o possível mal humor dela e comecei a misturar, depois que coloquei as luvas e os óculos.

De acordo com as instruções deveria ficar azul. Então, eu peguei o tubo, de acordo com o que dizia no papel e o que eu lembrava, e me preparei para misturar. Assim que aproximei um tubo do outro, a vi balançar a cabeça em negação.

— O que foi? — Perguntei.

— Tá errado, vai ficar verde. — Entreguei o tubo a ela.

— Então, faz você se é tão esperta. — Puxei o papel do relatório da mão dela.

— Você sabe fazer? — A encarei sério, parte de mim ofendido pela insinuação. — Tanto faz. — Ela trocou o tubo e realizou a mistura, esquentou e ficou azul.

No total eram cinco tubos, e sem dúvida alguma a parte mais chata era o relatório, e eu estava reparando que basicamente todas as duplas já estavam nos últimos detalhes do relatório. A Clary estava indo para o quinto tubo quando eu a parei.

— Vai ficar rosa, não laranja.

— Claro que não. — Eu respirei fundo. Irrite-a – uma voz no fundo da minha cabeça murmurou. Como?— me vi perguntado. Irrite-a.

— Claro que sim!

— Senhor Herondale, Senhorita Fray, está tudo bem? — A professora perguntou e nós a olhamos.

— Sim. — Respondemos juntos e nos encaramos novamente. — Não! — Ela bufou quando respondemos juntos novamente.

— O que está acontecendo? — A mulher perguntou enquanto se aproximava de nossa bancada.

— Minha parceira não aceita a minha opinião.

— Porque ela está errada. — Respirei fundo. — E além disso, todo mundo sabe que você entende mais de física do que de química. — Estreitei os meus olhos.

— O que quer dizer com isso? — Ela virou-se para me olhar, o movimento fez os seus cabelos balançarem o suficiente para bater em meu rosto levemente.

— Eletrização por contato, sua matéria preferida, certo? — Algumas pessoas de bancadas próximas soltaram alguns risinhos. — Quem sabe por atrito. — Ao entender onde ela queria chegar, eu abri o meu melhor sorriso cafajeste para ela.

— Você não faz ideia. — Como eu esperava, a Clary corou até o último fio de cabelo, mas eu não sabia dizer se era por conta da minha provocação, ou se ela estava com raiva. Ambos estávamos ignorando a professora parada a nossa frente. — Vamos fazer o seguinte: se ficar laranja, eu fico lhe devendo um favor, faço o que você quiser; mas se ficar rosa, — Aproximei o meu rosto do dela e sussurrei: — nós dois vamos relembrar o tipo de eletrização que praticamos no telhado. — A ruiva a minha frente ficou boquiaberta, e eu aproveitei o momento de distração para virar a substância dentro do tubo. Quando o processo finalmente acabou nós dois arregalamos os olhos.

— Vermelho? — Perguntamos ao mesmo tempo, segundos antes do sinal bater. A professora puxou o relatório de nossas mãos, e nos lançou um olhar severo antes de recolher os demais. Em questão de minutos nós dois ficamos sozinhos na sala encarando a substância vermelha. Era horário de almoço, e até mesmo a professora havia saído.

— Onde estava com a cabeça? — Ela perguntou enquanto começava a guardar o material. — Ficamos sem preencher o último tudo!

— Você acha que eu sou burro? — A Clary me olhou séria. — Eu preenchi antes, Clarissa! Nunca fez isso?

— Pelo menos burro você não é. — Murmurou enquanto passava a alça da mochila pelo ombro.

— Por que diabos está tão irritada? Achei que estávamos bem!

— Não estamos, Jace! — Percebi o quanto ela estava irritada quando fez gestos com os braços enquanto falava. — Okay?

— Por que não? O fato de você ter brigado com a Isabelle não altera em nada a relação em que tínhamos…

— Nós não tínhamos uma relação. Nunca tivemos, e provavelmente nunca teremos. — Seu tom era seco quando me cortou. — Faça como a sua irmã e me deixe em paz. — Ela começou a se afastar. Irrite-a.

— E a nossa aposta? — Sorri ao vê-la parar de andar. — Empatamos.

— Eu não fiz aposta alguma. — Ignorei-a enquanto parava a sua frente.

— Eu ganho um beijo e você um favor? — Ela revirou os olhos e deu um passo para trás.

— Não! Não vou ficar fazendo esse seu joguinho, eu tenho coisas mais importantes para me preocupar do que essas idiotices adolescentes. E não vou ficar para ser mais uma na sua lista. — Ela cruzou os braços irritada. Diga o que ela quer ouvir, e ganhe o que você apostou.

— É isso o que pensa? Que você é só mais uma? — Dei um passo em sua direção. Ela já estava apoiada contra a bancada. — Você é diferente, Clary.

— Eu não vou cair nesse seu papinho mole. — Ralhou, mas não se moveu.

— Eu estou falando sério. — Aquela altura eu já estava parado na frente dela novamente.

— Não brinque comigo, Jace. Você não tem ideia do que isso pode causar.

— Eu prometo que não vou brincar com você. — Ela finalmente voltou a olhar em meus olhos.

— Não faça promessas que não pretende cumprir. — Apoiei as minhas mãos ao lado do seu corpo, deixando-a presa entre mim e a bancada. Vi que ela engoliu em seco e umedeceu os lábios enquanto eu aproximava o meu rosto do dela.

— São as que eu mais gosto. — Eu uni os nossos lábios antes mesmo que ela pudesse retrucar. Suas mãos encontraram os meus ombros, e o menos sinal que ela fizesse para me afastar eu o faria primeiro, mas ela simplesmente as deslizou pelos meus ombros me puxando para mais perto.

— Não me faça arrepender. — Pediu contra os meus lábios. Balancei a minha cabeça em afirmação roçando os nossos lábios. Puxei a pela cintura antes de voltar a unir os nossos lábios.

Os lábios da Clary eram exatamente como eu me lembrava, macios e delicados. E embora a minha vontade de beijá-la fosse maior do que eu gostaria de admitir, e uma pequena parte do meu corpo implorasse para que eu perdesse o controle por alguns segundos, a forma que a Clary me beijava era mais do que o suficiente para que eu continuasse da forma que estava.

Se estivéssemos em um filme, aquele, com certeza, poderia ser o momento que o casal se despede. Era isso o que ela me passava durante o beijo. Eu conseguia sentir a dor dela, e por um momento me perguntei se ela realmente queria estar fazendo aquilo, e aquilo foi o suficiente para que eu me afastasse.

— O que foi? — Ela perguntou olhando em meus olhos. Abri um sorriso ao ver a preocupação estampada em seus olhos, e acariciei a sua bochecha.

— Eu estou forçando você a isso?

— Não. Eu só… Só estou preocupada com o fato de alguém poder entrar aqui a qualquer momento.

— Não se preocupe com isso. Estão todos almoçando. — Garanti.

— Nós deveríamos fazer o mesmo. — Fiz uma careta que a fez rir. — Mas eu acho que não estou com fome. — Segui o caminho de sua mão até a gola da minha camisa, que ela rapidamente puxou e me lançou um olhar sério. — Agora, pare de me tratar como se eu fosse algo prestes a quebrar. — Segurei-a pela cintura e a coloquei sentada sobre a bancada em que estudávamos antes; afastei os seus joelhos e me coloquei entre eles para só então voltar a beijá-la.

As unhas curtas da Clary deslizaram pelos meus ombros e os seus lábios chocavam-se contra os meus com mais intensidade do que antes. Deslizei os meus lábios pelo seu pescoço, sentindo-a estremecer em meu braços. O cheiro de seu perfume, somado ao leve cheiro de maresia que ela sempre tinha, me deixavam inebriado, e de certa forma me enlouqueciam. Mordi a pele sensível, e tive o prazer de ouvi-la gemer baixinho. Ao voltar a olhá-la vi que ela mordia o lábio inferior.

Ergui uma de minhas mãos e puxei o mesmo de entre os seus dentes. Quando ela abriu os olhos eu aproximei os meus lábios dos dela, com os olhos ainda abertos e mordi o lábio que ela mordia antes, o puxei e o soltei, com o mesmo deslizando entre os meus dentes. Ela sorriu, um sorriso que nunca achei que veira em seu rosto, um sorriso puramente malicioso; e repetiu o mesmo processo comigo.

— Eu também posso brincar. — Ela sussurrou e levou a boca até o meu pescoço. Como se soubesse exatamente o lugar que eu era mais sensível ela mordeu, e foi a minha ver de morder o lábio. O gemido que sairia pela minha boca seria embaraçoso.

Outro beijo intenso se iniciou, com mordidas por parte de ambos os lados, o que nos fazia rir de vez em quanto. Agarrei ambas as sucas coxas e a puxei para mim, a Clary arfou com o movimento, mas logo voltou a me beijar. Deslizei as pontas das minhas unhas sobre a sua calça jeans, para logo escorregas as minhas mãos até a sua bunda.

Gemi vergonhosamente quando suas mãos deslizaram por dentro da gola da minha camisa, pelos meus ombros e costas. Jace, respira fundo. Segurei os seus cabelos pela nuca com uma das mãos, aprofundando ainda mais o beijo. A Clary não tinha um lado doce e meigo, ou um lado mais safado; ela tinha ambos em um só, e isso estava me deixando louco.

— Você vai à festa do Alec? — Perguntei com os meus lábios próximos aos dela; o movimento que minha boca fazia para falar causava um fraco roçar dos lábios. Eletrização por atrito. Ela pareceu pensar a mesma coisa que eu pois riu antes de balançar a cabeça em afirmação. — Podemos terminar isto mais tarde? — Novamente ela balançou a cabeça em afirmação. — Okay, então. — Assim como eu não me afastei, ela não moveu um músculo sequer. Voltei a unir os nossos lábios com a mesma intensidade de antes.

— Nós precisamos ir. — Ela murmurou contra os meus lábios. — Jace…

— Eu sei. — Ela gargalhou com a minha resposta e afastou os lábios dos meus. — Entendi. — Ela sorriu e eu finalmente afastei-me dela. A Clary sorriu quando saltou do banco e me lançou um sorriso antes de pegar a mochila. — Seu cabelo está… — Ela soltou o mesmo do rabo de cavalo, e aqueles cachos caíram sobre o seu rosto, como uma cortina, e quando ela me olhou, em meio aquela cascata eu senti algo dentro do meu peito se manifestar. Enquanto Clary prendia os cabelos novamente, eu ignorei aquela pontada no peito.

— Sua camisa. — Ela se aproximou e ajeitou a gola, onde havia puxado. Segurei a sua mão e beijei a mesma, ergui o meu olhar para ela e percebi o quanto ela estava corada. Roubei-lhe um selinho e dei espaço para que ela passasse.

— Eu te vejo mais tarde. — Disse quando ela abriu a porta. Ela me lançou um olhar sobre o ombro, abriu um sorriso e finalmente saiu da sala.

Bom trabalho. - Aquela voz na minha cabeça disse. — Não a irritou, mas isso também serve.

Mas eu só havia a beijado por causa daquela voz, e por causa da aposta… Certo?

P.O.V Clary

— Você é maluca! — Ignorei o Sebastian enquanto colocava os meus brincos. — Clary, por favor, não vá. Vamos direto para a praia, por favor.

— Eu vou até lá, Sebastian. — Comecei enquanto ajeitava os meus cabelos sobre o suéter que eu usava. — O que você acha? — Perguntei o olhando pelo reflexo do espelho. Naquela noite eu estava quase com a mesma roupa que havia usado no aniversário da Isabelle, mas a saia era rodada e eu usava um suéter em vez da camisa preta; o suéter ficava caído em um dos meus ombros, mas felizmente os meus cabelos tampavam quase todo o ombro pálido.

— Está linda. — Abri um sorriso. — Eu vou esperá-la na praia, peça desculpa ao Alec por mim.

— Ainda não entendi porque você não vai. — Comentei enquanto passava a bolsa pelos meus ombros.

— Quando você estiver a duas semanas na seca, querida irmã, você entenderá.

— Estou em uma seca de 700 anos, Sebastian, eu acho que entendo. — Ele fez uma careta.

— São situações completamente diferentes.

— Talvez, talvez não. — Ouvi uma buzina do lado de fora da casa. — O carro chegou. — Murmurei. Ao passar pelo Sebastian senti sua mão segurar o meu braço delicadamente e soltar um suspiro.

— Por favor, não se atrase.

— Não vou. — Garanti e beijei a sua bochecha. — Eu te vejo em algumas horas.

Isabelle e Alec nasceram em datas com pouco menos de um mês de diferença, e a própria Marise havia me dito aquilo, embora o Alec ainda fosse um ano mais velho que a irmã. Pensar na Isabelle como irmã caçula era uma coisa que eu simplesmente não conseguia mais fazer, ou visualizar na minha cabeça. Toda vez que eu pensava no caçula dos Lightwoods eu só conseguia pensar no pequeno Max. Se um dia Isabelle descobrisse sobre ele, com certeza ela piraria; eu sabia que ela tinha um fraco por crianças.

Mas, o que me preocupava realmente aquela noite, não era com os Lightwoods em si. Quero dizer, ele, com certeza, era um Lightwood, mas eu preferia chamá-lo de Herondale. Era uma completa loucura o que eu estava disposta a fazer. Se me dissessem isso há meses, eu riria sem sombra de dúvidas.

Porém, quando se aceita a ideia de que está morrendo, e que aqueles são provavelmente os seus últimos dias de vida, você para de se importar com as consequências. A ideia de tentar ao com o Jace, mesmo sabendo que não tinha um possível futuro, era algo que eu estava disposta a fazer, mesmo que aquilo no fundo quebrasse o meu coração (mais uma vez).

— Obrigada. — Disse ao motorista quando o carro estacionou na frente da casa que eu conhecia muito bem.

Eu conseguia ver algumas pessoas no gramado da frente da casa, e outras dentro da mesma; e apostava que haviam outras na parte de trás onde havia um vasto quintal e uma piscina. Ao caminhar entre as pessoas, eu cumprimentei com um breve aceno alguns conhecidos da escola. Entrei na casa a procura do Alec, e o encontrei em meio a um grupo de homens que eu desconhecia.

Parei atrás do mesmo e toquei o seu ombro, fazendo com que ele virasse para mim. Abri um sorriso, mas ele não retribuiu, apenas ficou me encarando por alguns segundos, até que o meu sorriso morreu e eu soltei um suspiro. Talvez não tivesse sido uma boa ideia ter ido até lá.

— Se você não viesse, seria EU quem ficaria sem falar com você. — O encarei, e vi um sorriso brincar em seus lábios. Abracei-o, mesmo sabendo que ele não gastava muito daquilo.

— É seu aniversário, Alec. Eu briguei com a sua irmã, mas você não tem nada a ver com isso. — Murmurei contra ele. — A propósito, parabéns.

— Obrigado. — Ele se afastou e olhou em meus olhos ao dizer as palavras que fizeram uma parte de mim corroer: — Ela sente sua falta. — Engoli o bolo que se formou em minha garganta.

— Eu também sinto a dela. — Dei de ombros. — Mas, não é a noite para isto, Lightwood.

— Tem certeza? — Perguntou antes de bebericar o que estava bebendo.

— Não muita. — Minha resposta o fez rir. — Vou deixá-lo voltar para a conversa. — Apontei para os homens que nos observavam não tão discretamente. Mesmo na posta dos meus pés o Alec continuava sendo mais algo do que eu, então ele precisou se curvar um pouco para que eu beijasse a sua bochecha.

— Fique à vontade. — Balancei a cabeça enquanto me afastava.

Apoiei-me a uma parede que ficava na entrada da cozinha, onde havia pouco tráfego de pessoas, e fiquei parada ali, com uma lata de refrigerante em mãos observando as pessoas que passavam de um lado para o outro, e às vezes me lançavam sorrisos ou alguns olharem em cumprimento.

— Estava se escondendo de mim? — Ao ouvir a sua voz um arrepio atravessou a minha espinha e um sorriso brincou em meus lábios. Ao olhar para trás o encontrei encostado no arco da entrada da cozinha, com uma das mãos no bolso e um refrigerante da outra. Naquela noite ele estava particularmente encantador; usava um blazer azul-escuro, uma camisa preta sob ele e uma calça de mesma cor da blusa. Os cabelos, por algum milagre não estavam penteados ridiculamente para trás, como ele costumava usar. E, é claro, o seu perfume. — Eu espero que não.

— E por que eu me esconderia de você? — Perguntei voltando a olhar para frente, os meus cabelos fizeram cócegas nas minhas costas com o movimento.

— Me diz você. — Sua respiração bateu superficialmente em meu pescoço, me causando um arrepio. — Isabelle está mantendo todos do lado de fora para que não falem com você. — Suspirei. — Você deve ter feito algo muito sério para irritá-la a este ponto.

— Se essa é a sua tentativa de descobrir o motivo da nossa briga, saiba que ela é falha. — Ele bufou e parou na minha frente. — Não vou contar.

— Por favor. — Pediu com as mãos unidas. — Deixe-me tentar ajudar. — Balancei a cabeça em negação.

— Você está se arriscando muito vindo aqui falar comigo, não acha? — Ele abriu aquele maldito sorriso que faz com que tudo dentro de mim derreta antes de falar:

— Você vale o risco. — Acabei rindo da sua resposta. — O que foi?

— Suas cantadas são muito boas. — Ele riu também. — Você ganha muito mais se for direto. — Comentei antes de beber um gole do meu refrigera.

— O que eu ganho? — Encarei os seus olhos vendo a malícia que brilhava em suas íris.

— Isso depende do quão direto você for. — O Jace sorriu com a resposta e bebeu outro gole do refrigerante e se aproximou de mim, como se fosse entrar na cozinha, mas parou do meu lado, com o corpo colado ao meu, e abaixou um pouca a cabeça antes de sussurrar:

— Me encontre no meu quarto em quinze minutos, e eu te mostro como eu posso ser direto. — Novamente o aquele arrepio atravessou o meu corpo e aqueceu o mesmo. — Você sabe o caminho, Fray. — Meu rosto esquentou, e assim que ele saiu da minha frente eu bebi um longo gole do meu refrigerante para disfarçar. Vi que, ele pegou o corredor que levava para os quartos e me lançou um olhar sugestivo antes de sumir pelo mesmo.

— Calipso, me ajude. — Murmurei para mim mesma. Mesmo que eu não quisesse, continuava a encarar o relógio na parede a minha frente, contado os segundos até que desse os benditos quinze minutos.

A quem eu estava querendo enganar? Eu mal havia conseguido passar cinco minutos do dia sem pensar no momento que tivemos no laboratório de química. E eu não tinha como mentir, já que estava estampado no meu rosto, eu queria que acontecesse outra vez.

Por aquela razão, depois de vinte minutos que o Jace havia sumido pelo corredor, eu entrei na cozinha, pois sabia que tinha acesso ao corredor. As luzes de todos os quatro quartos estavam apagadas, mas eu sabia exatamente qual daquelas portas era o quarto do Jace. Então, apenas de três batidas na porta e abri a mesma.

— Lyd… — Os lábios de ambos se encontraram no momento que a porta foi aberta. No mesmo instante a minha garganta secou, e os meus olhos arderam. Não demorou mais do que dois segundos para o Jace afastá-la, mas não voltou a beijá-la, apenas a encarou, aparentemente irritado. Mesmo que eu não conseguisse entender o motivo dele estar irritado, afinal, havia uma mulher seminua no quarto dele, prestes a tirar a roupa dele.

— Jace… — A palavra escapou pelos meus lábios antes mesmo que eu pudesse impedir, e ambos olharam na minha direção.

— Clary… — Engoli em seco controlando as minhas lágrimas. — Espera… — Balancei a cabeça em negação e comecei a me dirigir ao lado de fora da casa, onde estava tendo a festa do Alec. — O que estava pensando Lydia? Some daqui! — Não me importei com a briga do casal, só continuei a segui o meu caminho, sentindo o meu coração ficar cada vez mais dolorido a cada passo. — Clary, espera! Clary! — Quando ele me alcançou eu já estava do lado de fora, onde todos podiam nos ver. Sua mão tocou o meu braço, e em um único movimento eu virei-me e acertei a minha mão contra o seu rosto, foi forte o suficiente para fazê-lo virar o rosto, e o estalado alto o suficiente para fazer os presentes nos olharem.

— Isso, é por ser um babaca cafajeste. Eu passei um bom tempo achando que eu te conhecia, mas, na verdade, eu não podia estar mais errada. Você não é quem eu conheço! O Jace que eu conheço pensaria em suas ações e realmente se importaria com as pessoas, mas você… Não passa de um estranho. — Os seus olhos brilharam, mas não era raiva ou mágoa pelo tapa, mas… entendimento. Ignorando aquele fato, eu peguei um copo que estava em uma mesa ao nosso lado e joguei o conteúdo do copo em seu rosto, molhando também a sua camisa azul. — E isso é por me fazer perder o meu tempo vindo até aqui. — Dei-lhe as costas e saí andando.

A medida que eu andava, as pessoas abriam o caminho para mim. Talvez a minha expressão não fosse a das mais amigáveis, exatamente como eu me sentia. Eu estava mal, estava me sentindo vazia… Meu coração demais dentro do peito, e, por um momento, eu desejei parar de sentir aquilo. Desejei desacreditar no amor para que não precisasse sofrer aquilo nunca mais.

— Clary. — Eu já estava quase na calçada quando a Isabelle me alcançou, como sempre, naquela noite ela estava maravilhosa, mas eu não estava com tempo ou humor para reparar nas roupas dela. Eu não devia ter ido até aquela festa.

— Agora não, Isabelle. Outra hora discutimos. — Murmurei tentando passar por ela.

— Espera, o Sebastian me ligou e…

— Eu já estou indo, disse a ele que o encontraria na praia. — Respondi tentando soltar o meu braço de seu apero.

— CLARY! — A encarei. — A Lua já está no ápice. — Olhei para o céu e arregalei os meus olhos; lá estava ela, linda e brilhante no céu noturno. No mesmo instante eu senti as minhas pernas fraquejarem e o meu corpo amolecer, caí sobre ela e a Izzy prontamente me segurou. — Oh, Deus! O que está acontecendo? — Eu não estava atrasada, eu tinha certeza daquilo; só se a Lua houvesse aparecido mais cedo do que o esperado.

— Você queria respostas certo? — Murmurei a pergunta e ela me encarou. — Me leve para a praia, por favor.

— SIMON! SIMON! — O meu amigo começou a abrir um sorriso enquanto se aproximava, provavelmente ele estava achando que eu e a Isabelle havíamos nos acertado, mas ao ver a minha expressão o seu sorriso morreu. — Segure-a. — Apoiei-me contra o peito do Simon e assisti a Isabelle sumir entre as pessoas murmurando algo sobre a chave. Ele, que havia entendido, começou a me arrastar para algum lugar.

— Lewis, você viu a … — Seus olhos caíram sobre mim e eu consegui notar o avermelhado em seu rosto. — O que aconteceu?

— Some daqui, Jace. — Consegui sussurrar. Ele apenas me encarava com certa preocupação em suas feições, e por isso ignorou o meu pedido.

— O que vocês ainda estão fazendo aqui? Falei para ir para o carro! — Voltei a ser arrastada pela festa. A cada minuto que se passava eu me sentia mais fraca, e mais tonta. Isabelle, abriu a porta do carro e o Simon me colocou deitada no banco de trás. — Clary, o que está acontecendo?

— Aguá. — Murmurei.

— Mas…

— ISABELLE! — A encarei séria. O meu corpo estava suando demais, e eu me sentia muito quente. Meu suéter colava em meu corpo, assim como os meus cabelos, todo o meu corpo suava, mas, ao mesmo tempo, eu tremia, como se estivesse presa no meio do Ártico. — Eu preciso da água.

— Entendi. — Ela fechou a porta e passou para a frente do carro. O Simon entrou no banco de trás e colocou a minha cabeça no colo dele. Meus cabelos estavam úmidos, e eu sabia que aquilo não era bom. E pior, aquilo não era para acontecer. — Jace, o que…

— Você não tem carteira, nenhum dos dois. Sai daí, eu dirijo. — A Izzy pareceu ponderar por alguns segundos antes de sair do carro e entrar no banco do carona. Em questão de segundos o Jace deu partida no carro. — Para…

— Nos leve para a praia. — Isabelle mandou. — E não faça perguntas.

Eu via que o Simon me olhava preocupado e eu tentava lhe lançar um sorriso tranquilo, mas eu duvidava que passasse de um esboço. Também conseguia sentir a mão da Isabelle segurando a minha, e notei também que o Jace me olhava de tempos em tempo pelo retrovisor.

Com um pouco de esforço eu comecei a puxar o suéter para fora da saia, e em seguida comecei a tirar as botas. Assim que os meus pés ficaram livres, eu fiz esforço para sentar no banco, e o Simon me ajudou. Mas assim que ele me colocou a mão em mim, eu vi sua preocupação aumentar.

— Você está queimando em febre. — Balancei a minha cabeça em afirmação. — Por que estamos indo para a praia? — O meu olhar encontrou o Jace pelo retrovisor, e mesmo que a pergunta fosse do Simon, eu respondi olhando para o Herondale.

— Porque eu preciso do Mar. — Respirei fundo sentindo o cheiro de maresia e abri um pequeno sorriso. — Procure o carro do Sebastian.

Em questão de minutos o Jace estacionou atrás do carro do meu irmão. Devido a frente fria que estava presente na cidade nos últimos dias, a praia estava deserta, ninguém fazendo uma caminhada noturna, nada. Apenas nós quatro, e o meu irmão parado no meio da praia. Assim que viu o carro parar ele correu em nossa direção. Ele mesmo abriu o carro e me pegou no colo.

— Ás vezes eu quero matar você. — Sorri com o seu comentário. O Sebastian só usava uma bermuda jeans e nada mais, suas roupas, provavelmente estavam jogadas em algum lugar na areia. — O quanto eles sabem?

— Nada ainda. — Ele me colocou sentada na areia. — Mas precisamos contar a eles Sebastian. — Ele olhou para um ponto atrás de mim e baixou o olhar antes de perguntar:

— Você tem certeza disso?

— Tenho. — Ele provavelmente havia olhado para o Jace. — Eles merecem saber, Sebastian. — Ele suspirou balançando a cabeça em afirmação.

— Eu te encontro na água. — Beijou a minha testa e se levantou. — Herondale, ajude a minha irmã a chegar na água. Isabelle, ajude-a a se despir. — Ambos os citados ficaram paralisados, até mesmo o Simon. — Agora! — Isabelle piscou e então se ajoelhou na minha frente, abriu a minha saia e a puxou para baixo. Levantei os meus braços para ajudá-la a tirar o suéter; com maestria ela abriu o meu sutiã e me lançou um olhar antes de retirar a peça do meu corpo. Quando a mesma olhou para a última peça que faltava eu acabei rindo, e tirei-a por mim mesma colocando-a junto às outras peças. Enquanto me despia eu vi o Sebastian mergulhar na água e sumir em meio as ondas.

— Jace, por favor, ajude-a a chegar na água. — Ele tinha a expressão séria antes de se ajoelhar e passar um dos braços sob os meus joelhos e o outro pelas minhas costas, e com facilidade me erguer. Encolhi-me em seu braços, tentando cobrir o máximo do meu corpo que eu conseguia, e em momento algum ele desviou o olhar do horizonte, ou mudou a expressão.

— Vocês são malucos. — Ele murmurou quando chegamos a água. Ele caminhou comigo até que a água começasse a cobrir o meu corpo, consequentemente encharcando-o. Nossos olhares se encontraram e lá no fundo, algo me disse que ele já sabia o que estava para acontecer.

— Você vai entender. — Foi a única coisa que eu disse antes de mergulhar.

Notas finais
E então???? Foi da forma que vocês esperavam? Eu espero que vocês tenham gostado, porque é um capítulo muito importante, então... Por favorzinho, me digam. Como vocês acham que o Jace vai reagir? Heiiiin??? Ah! Mermaids, uma coisinha séria agora. Eu finalmente em nome de Raziel, vou começar a fazer faculdade, e isso provavelmente vai interferir nas minhas atualizações de capítulos, já que eu vou ter menos tempo para escrever. Não vou abandonar vocês, okay? Mas é possível que eu demore a postar. P.S.: Só revisei o capítulo uma vez, se tiver qualquer erro grotesco podem puxar a minha orelha. Kissu Lightwood