Like I'm Gonna Lose You
16 Capítulo 14 - A Complete Mess
Notas iniciais
P.O.V Clary
— Terra para Clary! — Pisquei os meus olhos para espantar o sono que pesava em meus olhos. — Vai babar sobre as folhas. — Cocei os meus olhos enquanto endireitava a minha postura na carteira. — Dormiu tão mal assim?
— Nem fala, Simon. — Cobri a boca quando bocejei. O professor Luke olhou para mim com uma das sobrancelhas arqueadas; abri um pequeno sorriso para ele em um pedido silencioso de desculpas. — Isabelle caiu sobre mim durante a madrugada, de alguma forma ela continuou dormindo e me chutou várias vezes. — Ele riu e consertou os óculos.
— Eu sei que ela é agitada quando dorme. — Meu amigo sussurrou, e naquele momento suas bochechas adquiriram uma tonalidade rosada. — Sebastian te abandou novamente? — Balancei a cabeça em afirmação.
— Acho que algum momento ele vai se lembrar que eu existo e preciso de carona; ou eu vou roubar o carro dele. — Dei de ombros no fim da minha declaração.
— Por que não usa o carro da sua mãe? — Fiz uma careta.
— Não preciso do carro dela se o meu irmão pode me levar para os lugares, ou eu posso simplesmente pegar um ônibus.
— Mas seria prático, não? Não precisa alugar o carro dela, mas pode pegar as vezes, como, por exemplo, no sábado, que ficou a pé depois do aniversário da Izzy.
— É, pode ser. — Comentei enquanto voltava a copiar o que estava no quadro.
— Mas… Com quem você foi para casa se não foi com a Isabelle? — Senti as minhas bochechas esquentarem, o que fez o Simon rir.
— Não foi nada. Só sentamos na praia conversamos por algumas horas.
— Estranho. — Parei a caneta e o encarei. — O Jace não gosta de ficar na praia a noite, ele até fica quando nós fazemos algum luau ou coisa do tipo, mas nunca fica muito confortável.
— Por quê?
— Por causa do acidente. — Foi a minha vez de franzir o cenho. — Os pais dele morreram em um acidente de carro naquela avenida, à noite.
— Os pais do Jace estão mortos? — Algumas pessoas que estavam próximas de nós nos olharam por alguns segundos.
— Sim. Sofreram um acidente há seis anos. — Se eu estivesse de pé eu, com certeza, teria caído.
— Seis anos?
— É. Ele não gosta de falar sobre isso, mas… Fez seis anos na semana passada. — Engoli em seco.
Seis anos atrás…
Aquela praia era sem dúvida alguma uma das mais belas que eu já tinha visto. Um dos paraísos ainda não tocados pelos humanos. Eu gostava de saber que aquele cantinho ainda teria alguns anos antes de começar a ser explorado.
— Descansou o suficiente? — Balancei a minha cabeça ema firmação diante da pergunta da mulher ao meu lado.
— Nunca vou descansar o suficiente, Tessa. — Ela riu e balançou a cabeça em afirmação. — Will e Jem já estão no Mar?
— Ainda não, estão resolvendo alguma coisa com seu irmão. — Balancei a cabeça em afirmação. Respirei fundo encarando a imensidão azul a nossa frente. Minha casa.
Estava prestes a começar a me despir quando algo dentro de mim doeu. Levei a minha mão ao meu peito sentindo aquela dor sem fim se instalar ali dentro. Lágrimas começaram a escorrer pelo meu rosto sem que eu permitisse. Deixei um grunhido de dor escapar pelos meus lábios chamando a atenção da mulher ao meu lado.
— Clary. — Ela tentou me tocar, mas recuou o toque antes mesmo de encostar os seus dedos em mim. — Você está queimando Clary.
— Eu não sei… AAAAhhh… — Levei a minha mão a lateral do meu corpo, como se algo tivesse perfurado aquela área, mas não havia nada ali, apenas a minha pele normal.
— Jem! Will! Sebastian! Rápido! — Minha gargante e minhas narinas começaram a coçar, como se eu tivesse inalando fumaça. Aos tropeços eu cheguei ao Mar e me ajoelhei as margens dele. Respirar ficava cada vez mais difícil, e eu já me sentia fraca o suficiente para não ter certeza se permaneceria acordada por muito mais tempo.
— Clary. — Ouvi a voz do meu irmão ao meu lado. Mas assim como a Tessa ele se afastou de mim, como se eu estivesse tão quente que poderia queimá-los. — Clary, o que está acontecendo?
— Não… Não consigo… Não consigo respirar… — Tentei respirar fundo, mas era como se não houvesse oxigênio suficiente. Com o resto de consciência que me restava eu me joguei na água, engatinhando pela água, sentindo a mesma entrar em ebulição a medida que entrava em contato comigo. E então… Tudo parou. Respirei fundo, dando ao meu pulmão o ar que ele precisava.
— Clary… — Eu senti os meus lábios se moverem, e uma única palavra sair por eles, mas não consegui ouvir a mim mesma; não consegui ouvir porque a escuridão me engoliu antes mesmo que eu pudesse perceber.
— Clary! — Olhei para o Simon ao meu lado. — Seu celular. — Olhei para o aparelho que vibrava sobre as folhas do meu fichário. Felizmente eu havia colocado-o no silencioso. Ergui a minha mão, e o professor fez uma careta antes de me liberar para sair da sala.
Encarei o visor brilhante e franzi o cenho. Não era uma pessoa conhecida que estava me ligando, mas era a terceira vez que eu recebia aquela chamada. E mesmo que algo me dissesse para ignorar, eu resolvi atender aquela chamada.
— Alô.
— Clary? É a Maryse. — Desde que eu havia descoberto sobre o segredo da Maryse, ela passou a se dicar mais na minha maldição. E toda vez que ela falava comigo, o meu sangue gelava e o meu coração disparava.
— Oi, Maryse.
— Quando sair da escola hoje, por favor, vá direto para a praia.
— Por quê? — Perguntei enquanto olhava para os lados a procura de alguém no corredor que pudesse me entregar para o Hodge. Ele já não gostava muito de mim, se eu ficasse usando o telefone no corredor, ele provavelmente ficaria mais do que satisfeito em me dar uma detenção.
— Por que eu vou descobri o que está acontecendo com você. — Engoli em seco.
— O que quer dizer com isso?
— Você vai ver. — Ela encerrou a ligação. Guardei o meu celular no bolso; não conseguiria voltar para a sala depois daquela ligação.
Caminhei em silêncio pelos corredores em busca do único lugar que encontraria a privacidade que precisava naquele momento. O único lugar que eu sabia que ninguém iria me encontrar. Até porque era o único lugar da escola que eu tinha tomado para mim. O telhado seria uma boa opção, mas o Sebastian poderia me encontrar lá, até mesmo o Jace. E eu não queria ver ninguém no momento. Precisava pensar no que a Maryse tinha dito, e precisava fazê-lo sozinha.
Abri a porta que dava acesso à piscina da escola, onde o time de natação treinava quatro vezes por semana. Eu sabia que na quarta-feira ali estaria vazio, mas menos sendo segunda-feira, eu iria até lá. Estariam todos em aula mesmo. Eu cogitei a ideia de entrar para o time, mas não tinha certeza se seria uma boa ideia, ou se minhas vitórias seriam justas. Então, apenas arte por enquanto.
Sentei-me ao lado da piscina encarando a água tranquila. Eu gostava de lá porque me lembrava o Mar, e como eu não podia ir até ele no momento, a piscina da escola teria que servir. Havia descoberto aquele lugar há algumas semanas, e havia gostado. O time de natação não se importava com a minha presença, desde que eu não atrapalhasse os treinos. Então, nós tínhamos um acordo.
A água da piscina estava calma e limpa. Tão limpa que era possível que eu visse o fundo dela com clareza. Eu sabia que a profundidade era um pouco mais de três metros na parte mais funda, mas se comparasse com a profundidade do Oceano, aquilo não era nada. Havia me aventurado por todo aquela imensidão azul, e jamais me cansaria dela, ou deixaria de me surpreender.
Mas em relação à minha maldição, a história era bastante diferente. Mais cinquenta anos haviam se passado, e eu ainda não tinha ideia de como parar aquilo; não tinha ideia de como aquilo aconteceu, ou por quê. Eu queria respostas, mas eu tinha muito medo delas. Eu sabia que quem tinha feito aquilo comigo era alguém poderoso, e não tinha certeza se queria descobrir quem era.
Encarei o meu celular, que estava sobre o meu colo, o mesmo havia vibrado com uma notificação. Era uma mensagem do Simon perguntado onde eu estava, digitei uma resposta dizendo que já estava retornando para a sala e bloqueei a tela. Precisava me preocupar com tudo aquilo mais tarde, tinha uma aula de história para assistir.
(…)
— O que acha que ela vai aprontar? — Perguntei ao meu irmão enquanto ele estacionava o carro. Os seus olhos encararam o Mar por alguns segundos antes que ele os desviasse para mim.
— É o que vamos descobrir. — Ele respondeu enquanto soltava o cinto de segurança. Balancei a minha cabeça em afirmação enquanto fazia o mesmo. Antes de saltar do carro eu tirei os meus tênis, não precisava que eles ficassem cheios de areia.
A medida que caminhávamos pela areia era mais da minha tensão que aumentava. Eu estava receosa quanto ao que a Maryse poderia fazer, mas principalmente ao que ela poderia descobrir. Se ela descobrisse alguma coisa, seria a primeira vez 700 anos que eu teria uma pista, um porquê de tudo isso estar acontecendo.
Me despi e entrei na água junto com o Sebastian. Depois de alguns séculos você se acostuma com o fato de estar pelada às 16:37 da tarde em uma praia, ao lado do seu irmão, que também estava nu. Com a idade que tínhamos, ficar nu um na frente do outro, era o menor dos nossos problemas.
Nadamos até o ponto aonde sabíamos que a Maryse estaria. Conseguíamos encontrá-las porque éramos parte do Cardume, o Cardume mais antigo que existia. E por sermos parte de um todo, conseguíamos sentir a presença do um do outro, principalmente quando estávamos em nossa verdadeira forma. Era como um radar interno de Sereias.
Avistei o Cardume há alguns metros e lancei um olhar para o meu irmão. Quando se transformava o Sebastian ficava assustador. Tritões, eram simplesmente predadores, não precisavam seduzir as suas presas humanas, nós fazíamos para eles, e eles nos protegiam. Mas isso foi há muito tempo. Pela beleza das Sereias, nós éramos mil vezes mais letais, e nosso veneno matava um humano em questão de segundos. É, nós tínhamos veneno.
Mas o fato de não precisarmos da proteção dos Tritões, não alterava em nada a aparência deles. Enquanto as Sereias eram temidas pelo simples fato de serem Sereias, os Tritões eram temidos porque eram fisicamente assustadores. E o meu irmão era uma prova disso.
Quando se transformava, os cabelos do Sebastian ficavam mais compridos, e o platinado deles ficavam assustadores na luz de sua calda, além da forma que balançavam de acordo com os movimentos que ele fazia. Seus olhos ficavam totalmente negros, não haviam uma luz sequer ali. Escamas prestas cobriam seus ombros, como uma armadura, e elas refletiam o brilho de seus cabelos. A calda do Sebastian era negra, totalmente negra, e ainda assim emitia uma luz prateada, como os seus cabelos. Ele também tinha garras longas e compridas, que eu já vira rasgar gargantas com facilidade. Assim como as presas. Seus rosto ficava tão marcado que lembrava uma caveira, e o seu abdômen definido ficava assustador, pois a pele pálida ganhava um sombreado negro, exatamente como ossos sujos.
Ele era um belo Tritão, mas tinha uma beleza assustadora.
— Não me olhe assim. — Ele riu. — Você também pode dar pesadelos em alguém, Clarissa. — Revirei os meus olhos. Eu sabia que a Isabelle tinha medo dos meus olhos, eu me perguntei se por acaso um dia ela visse o meu irmão, como ela reagiria. — Temos companhia. — Ele disse e acebou para frente com a cabeça.
Era verdade. Nosso Cardume era grande, mas haviam Sereias e Tritões demais ali. Reconheci a minha mãe e a Maryse no meio deles, como líderes de Cardume que eram; elas dividiam a liderança do nosso Cardume, minha mãe pediu por ajuda quando a minha maldição começou a piorar. E é claro que a Maryse não pensou duas vezes antes de se apresentar para o cargo.
Avistei o Will, o Jem, e a Tessa parados entre todas aquelas Sereias. Quando me aproximei do grupo, eles abriram caminho para mim até o centro do círculo. Encarei a minha mãe, mas ela ignorou a minha pergunta silenciosa que estava estampada em meu rosto: O que estava acontecendo?
— Clarissa, se aproxime, por favor. — Parei na frente da Maryse.
— Maryse, o que estava acontecendo?
— Medidas desesperadas, Clary. — Engoli em seco. — Cada uma dessas Sereias presentes, e cada um desses Tritões, concordaram em estar presente. Concordaram em realizar essa cerimônia. — Olhei em volta, eu reconhecia aqueles rostos. Eram Sereias de todos os Cardumes espalhados pelo mundo.
— Que cerimônia? — Perguntei com cautela.
— Eles vão permitir que eu canalize a energia deles por algum tempo, assim, vou conseguir atravessar as barreiras da sua mente.
— O que? — Arregalei os meus olhos. — Maryse, não! Isso é… Não pode fazer isso!
— Clary. — Ela tocou o meu ombro. — Ninguém está sendo forçado, e todos concordaram com isso, e todos estão cientes dos riscos. — Haviam vários riscos, mas o principal deles era que todas nós ficaríamos expostas. Elas estariam acordadas, mas estariam fracas para fazer qualquer coisa para se defender caso precisassem. E Esquecidas poderiam se aproveitar daquilo. — Seu pai e os Tritões dele estão monitorando, Clary. Ninguém vai se aproximar sem passar por eles. — Balancei a cabeça em afirmação, e desviei os meus olhos para o Sebastian.
— Sebastian. — Minha mãe o chamou. — Seu pai te espera. — Meu irmão ficou ainda mais pálida. Eu sabia que ele tinha uma relação ruim com o nosso pai, e odiava encontrar com ele.
Meu pai era um Tritão que ninguém gostava de ter por perto. Valentim Morgenstern era um carrasco, e seguia as leis como ninguém. Ele e Robert, marido da Maryse, e juntos eles controlavam o Ciclo, uma espécie de esquadrão formado em sua maioria por Tritões que estavam espalhados pelo mundo monitorando todas as criaturas sobrenaturais, principalmente as Sereias.
E todas as vezes que se encontravam, meu querido pai tentava transformar o meu irmão em um membro do Ciclo. Coisa que Sebastian jamais faria, e por isso, eles não tinham uma boa relação, e sempre brigavam quando se encontravam. O que piorava tudo.
— Obrigada. — Disse com a voz mais firme do que eu esperava. — Obrigada a todos vocês por virem até aqui, e… Eu não sei como agradecer. — Todos continuaram com as mesmas expressões neutras e sérias de antes, mas fizeram um pequeno aceno com a cabeça em reconhecimento.
— Pronta? — Minha mãe perguntou. Balancei a minha cabeça em negação. É claro que eu não estava pronta, mas permiti que a Maryse se aproximasse e colocasse as mãos ao redor do meu rosto.
— Não me impeça de ver nada, Clary. — Engoli em seco e balancei a cabeça em afirmação.
— Não se distraia com as minhas memórias sobre eles. — Ela balançou a cabeça ema afirmação.
— Você vai me guiar, a maldição vai me guiar, então… Só vou ver aquilo que ela quiser. — Balancei a cabeça em afirmação. — Não resista e vai acabar antes que perceba.
— Hey, Clarissa. — Olhei para o meu irmão. — Você está com a parte fácil. — Ele piscou para mim. — O que foi? Pode falar, estamos em um instante.
— Estou com medo. — Admiti. — Mas eu preciso fazer isso. — Ele assentiu enquanto se aproximava e beijava a minha testa carinhosamente. — Sebastian. — Segurei a sua mão. — Não o deixei entrar. — Pedi. Ele sorriu e piscou para mim antes de desaparecer na imensidão azul. O instante acabou no segundo que ele sumiu do meu campo de visão.
— Clary. — Olhei para a Maryse. — Isso vai doer. — O grito que escapou pelos meus lábios provavelmente pode ser ouvido por todos os sete mares. Foi como ter a cabeça partida ao meio, e depois esmagada diversas vezes por um martelo.
“— Hey, Clarissa. — Olhei para o meu irmão. — Você está com a parte fácil. — Ele piscou para mim. — O que foi? Pode falar, estamos em um instante.
*
— Estranho. — Parei a caneta e o encarei. — O Jace não gosta de ficar na praia a noite, ele até fica quando nós fazemos algum luau ou coisa do tipo, mas nunca fica muito confortável.
— Por quê?
— Por causa do acidente.
*
— Você vem, Herondale?
*
— Porque eles são seus filhos. — Completei a frase por ela vendo-a balançar a cabeça em afirmação, seus longos cabelos escuros e pesados, tão parecidos com o da Isabelle, cobriram a lateral de seu rosto, lembrando uma cortina.
— Eu… Eu vou te contar o que aconteceu.
*
— Clary, sai da água agora!
*
Caminhei até o banheiro e encarei o espelho. O meu reflexo quase reluzia, e aquilo não era nada bom. Tratei de escovar os dentes e lavar o rosto, e quando ergui a cabeça, senti toda a minha felicidade se esvair. Não era mais o meu reflexo que estava no espelho, e sim o Jace.
Seus olhos estavam um pouco inchados e ele ainda estava sonolento, o que significava que ele havia acabado de acordar. Observei enquanto ele repetia o mesmo processo que eu havia feito há pouco, e quando terminou, ele ficou encarando o espelho, como se também conseguisse me ver. Mas eu sabia que não.
*
— EU ESTOU CANSADA! — Me pus de pé. Aparentemente a minha reação surpreendeu aos dois, pois simplesmente ficaram calados, então eu continuei a falar. — Eu não aguento mais isso! — Senti as minhas lágrimas queimarem em meus olhos. Não eram lágrimas apenas de tristeza, eram lágrimas de raiva também. — Estou cansada de vê-lo morrer! Estou cansada de ser uma marionete controlada por essa maldição! EU ESTOU CANSADA DE VIVER EM FUNÇÃO DISSO! EU TENHO DIREITO DE VIVER A MINHA VIDA! E se beijá-lo for um erro, é um erro que cometerei mil vezes! — Respirei fundo sentindo as lágrimas escorrerem livremente pelo meu rosto. — E se eu tiver que pagar por esse erros com a minha vida… Que seja assim, então! — Peguei a minha mochila e comecei a caminhar em direção ao meu quarto no mais completo silêncio.
— Clary. — Minha mãe chamou quando eu abri a porta. — Filha…
— Quando vocês vão entender que eu o amo? — A cortei. — Quando vão perceber o quanto isso dói?
*
— Jace. — Arfei ao senti-lo escorregar os lábios pelo meu pescoço. Sua cabeça se encaixou na curva do meu pescoço e mais arrepios voltaram a percorrer o meu corpo.
Seus lábios voltaram aos meus com a mesma rapidez que os deixaram, e novamente aquele beijo avassalador se iniciou.
*
— Se eu estou bem?! Você tem uma calda, Clary! — Ela apontou para a parte em questão do meu corpo. Deixei que um suspiro escapasse pelos meus lábios, e voltei a olhá-la. Fiz os meus olhos humanos voltarem, ela parecia estar assustada com os meus olhos reais. — O que está acontecendo?
— Você se afogou. Na verdade, foi atacada por uma Esquecida.
*
*
— Você o que?! — Suspirei, sabia que ele ia ficar maluco.
— Ela estava sendo atacada, a culpa não foi minha. Ainda estou tentando entender o motivo de uma esquecida atacá-la.
— Você podia ter sido morta!
— A Izzy também.
*
1— Se o Hodge sabia sobre mim, por que a Isabelle não fazia ideia que Sereias sequer existiam? 2— Por que uma Esquecida atacaria a Isabelle?
*
— Então, me explica o por quê de ele está sonhando com você? -Arregalei os olhos e engoli em seco. -Já começou, Clary!
— Mas…
— Trate de se despedir.
*
— Não confio nela. — Minha mãe me olhou. — Ela vai tentar fazer algo contra ele.
*
— Mataria alguém da sua própria espécie por um humano?
— Sim. Quantos forem preciso.
*
— Espero vê-la novamente, senhorita Fray.
— Digo o mesmo, senhor… — Minha frase foi interrompida pelo som do mosquete, senti o meu peito arder e olhei para baixo, havia um mancha de sangue manchando o meu vestido, aquilo não me mataria, mas eu não podia simplesmente sair andando. Senti os meus joelhos fraquejarem e minha cabeça rodar.
— É ferro puro. — Minha mãe disse e abaixou-se ao meu lado. — Clarissa.
— Senhorita Fray. — Vi seus olhos marejados e cheios de preocupação. — Meu Deus!
— Senhor temos que ir. — Vi um homem o puxar.
— Não vou deixá-la…
— Jonatham! — Ele saiu o puxando e a última coisa que eu vi foram seus olhos perdendo mais uma parte do perfeito dourado.
*
— Vai acontecer novamente, Sebastian. Eu não vou suportar perdê-lo novamente. — Funguei.
— Você não vai. — Ele acariciou os meus cabelos.
— Tem razão. — Eu o olhei. — Foi o que eu sonhei, dessa vez eu vou morrer. — Limpei minhas lágrimas. — Mas não vou voltar.
— O que?
— A voz do meu sonho disse que essa seria a última vez que eu o veria, que um não poderia viver enquanto o outro estivesse vivo, e se eu quisesse vê-lo feliz eu deveria morrer. — Ele não disse nada apenas me observou. — Sebastian, me mata.
— O QUE?!
— Não vou suportar vê-lo morrer novamente, então me mata e isso acaba.
*
— Obrigada. — Agradeci e me virei para sair, acabei virando tão rápido que acabei esbarrando em alguém, e a minha água virou em cima de mim, molhando todo o meu vestido.
— Me desculpa, eu não… — Reconheci aquela voz no mesmo instante, ergui o meu rosto torcendo para estar enganada, mas não estava, era ele, meu pesadelo havia retornado.
— Jonathan.— Sussurrei.
— Como sabe o meu nome?
*
— Jonathan… — Ele me jogou contra a parede com força e segurou o meu pescoço com força.
— Quebre a maldição. — Ele disse enquanto me enforcava. Em desespero acabei usando mais força que o necessário para afastá-lo, ele escorregou e bateu com a cabeça. Uma grande poça de sangue começou a ser formada no chão.
— JONATHAN! -Me ajoelhei ao seu lado. — Não, por favor… — Ele abriu os olhos.
— Você vai morrer, Clarissa. — Não era a voz dele. — Essa será a última vez que você o verá.
*
— Mar e terra, sereia e humano, patético. — Sua risada era fria. — Um não poderá viver enquanto o outro estiver vivo. — Ele disse, sua voz estava grossa e grave, como se não fosse ele quem estava falando. — Se quer vê-lo feliz, você deve morrer. — Eu estava tão apavorada que não sentia mais a faca em meu peito.
— Jonathan… — Ele fechou os olhos e balançou a cabeça de um lado para o outro.
— Clarissa. — Ele olhou em meus olhos. — Quebre a maldição. — Ele disse pouco antes de me beijar.
— Jonathan! — Me sentei na cama ofegante.
*
— Por que fazem isso? — Ele perguntou com a espada apontada para mim. — Não fizemos nada. Nem sequer cantamos a maldita canção. — Curvei um pouco a cabeça para o lado e olhei melhor em seus olhos. Eram dourados, não castanhos, dourados de verdade, como se ouro derretido tivesse sido colocado ali. — ME RESPONDA! — Ele gritou. Me apoiei no bote com cautela e continuei a olhá-lo. — O que…
— Não vou machucar você. — Eu disse. — Meu nome é Clarissa. — Ele abaixou a espada lentamente e continuou a me olhar. — Seus olhos. São lindos. — Eu continuava a olhar em seus olhos.
— Por que me olha tanto?
— Você é diferente. — Ele sentou-se e me olhou. — É bonito. — Ergui a minha mão em sua direção, mas ele se afastou rapidamente. — Me desculpa.
— O que você quer? — Ele perguntou ainda afastado.
— O que é isso? — Perguntei me referindo ao objeto estranho aos seus pés.
— É um diário. — Eu franzi o cenho. — Serve para anotar fatos importantes das minhas viagens. — Eu olhei intrigada para o objeto. Ele pegou o diário e o abriu, pegou um outro objeto pontudo e começou a passar sobre ele. — Viu? — Haviam desenhos estranhos no diário.
— O que seria isso? — Ele riu.
— Eu acabei de escrever que conheci uma Sereia. — Eu sorri. — Sinto muito, Clarissa. — Eu franzi o cenho. No segundo seguinte a espada atravessou o meu peito. Eu me afastei do barco e o olhei. — Perdoe-me. — Ele começou a remar em direção à praia.
Abri os meus olhos abruptamente e me sentei. Eu estava no meu quarto, segura na minha casa. Foi como despertar de um pesadelo, pior! Foi como vivenciar um pesadelo. Eu estava presa dentro daquelas memórias, assistindo tudo de longe, como se fossem um filme. E eu senti cada uma delas. Cada um dos sentimentos. Eu havia sentindo a maldição.
Ela estava lá em cada segundo. Uma presença sombria que cercava as minhas memórias, como se controlasse cada segundo da minha vida, como se… Como se fosse uma parte de mim. Eu sentia a forma como ela se agarrava ao meu corpo, como se alimentava da minha essência, como controlava a mim.
E lá no fundo, eu podia sentir aquela… Coisa. Algo tão poderoso que eu não sabia dizer o que era, e que, junto comigo, havia revivido cada um daqueles momentos e se deliciado com cada um deles. Era como se eu pudesse ouvir sua risada fria e sombria ecoando sem parar na minha cabeça, e não tinha fim.
— Clary. Clary! — Não percebi quando, mas eu estava me debatendo, passando as minhas mãos pelo meu corpo como se de alguma forma pudesse tirar aquilo de mim. Eu precisava tirar aquilo de mim. — Clary! — Senti braços me envolverem. Relaxei ao sentir o tão conhecido cheiro de maresia e a fragrância amadeirada do perfume do meu irmão. Me encolhi em seus braços, sentindo as lágrimas escorrerem pelo meu rosto. Ele me apertou ainda mais em seu abraço. — Está segura.
— Por favor. Faz isso parar. — Pedi em um sussurro. — Eu não quero mais ouvir. — Cobri as minhas orelhas com as mãos, mas a risada só ficou pior.
— Clary. — Ele segurou o meu rosto entre as mãos. — Por favor, olha para mim. — O encarei. — Mãe! — Minha mãe se aproximou de nós dois. Percebi que ela ficou tensa ao olhar em meus olhos. — O que… — Ela colocou uma das mãos no ombro do Sebastian.
— Não. — Ela balançou a cabeça em negação. — Me dê o seu telefone. — Ele a entregou.
— O que vai fazer?
— Algo que eu nunca achei que fosse precisar.
P.O.V Jace
— Você pode me dizer o que nós estamos indo fazer na casa da Clary? — Perguntei enquanto passava a marcha. A Izzy apenas tinha me arrastado de casa e dito que precisava ir até a casa da ruiva. — Isabelle?
— Jocelyn disse que ela está doente, e que seria bom se nós fossemos até lá vê-la.
— Izzy, eu a vi hoje na escola, e ela estava perfeitamente bem. — Minha irmã bufou no banco ao meu lado. — Tudo bem! Não tá mais aqui quem perguntou.
— Obrigada. — Quando parei em um sinal percebi que a minha irmã estava apertando as mãos em um sinal claro de nervosismo. Eu queria perguntar, mas sabia que seria em vão, ela não me daria resposta alguma.
Depois de mais ou menos dez minutos eu estacionei o carro na frente da casa da Fray e nós saltamos do mesmo. Eu nunca tinha vindo a casa dela antes, bem diferente da ruiva que passava pelo menos dois dias da semana na minha casa.
Isabelle bateu na porta e uma mulher de cabelos ruivos a abriu. Embora os fios da mãe dela fossem mais escuros, a Clary era idêntica a ela. Os mesmos olhos verdes, até mesmo a altura, elas eram extremamente parecidas. E aquilo me assustava. Mas, a mãe da Clary nem de longe parecia ter idade para ter dois filhos de 17 e 18 anos. Ela mal parecia ter chego aos 30.
— Olá, Jocelyn. — A mulher abriu um sorriso para a minha irmã, e quando seus olhos encontraram os meus ela mudou a expressão. Parabéns, Jace, desde 1998 causando boas impressões para pessoas. — Esse é o meu irmão…
— Jonathan. — A mulher a cortou. Até mesmo a Isabelle franziu o cenho.
— É. Jace é melhor. — Comentei abrindo um sorriso. — Prazer em conhecê-la, Senhora Fray.
— Eu gostaria de poder dizer o mesmo. — Ela murmurou enquanto se afastava. Isabelle me encarou por alguns segundos.
— Você me trouxe aqui! — Disse em minha defesa. — Acha que é por causa do ex?
— Provavelmente. — Ela respondeu enquanto atravessava a porta.
Além da mãe da Clary, haviam mais cinco pessoas. Três que pareciam ter a minha idade, um homem sentado em uma poltrona me fuzilando com os olhos, e uma mulher de cabelos negros de costas para nós, encarando a janela. Aquilo estava muito esquisito, mas quem era eu para falar alguma coisa.
— Ela está no quarto, vamos. — Seguimos a mãe da Clary pelo corredor.
Avistei a ruiva deitada na cama e o Sebastian ao seu lado segurando a sua mão. A Clary usava um pijama de seda azul claro, e estava mais pálida do que de costume. Minha irmã começou a se aproximar dela a passos rápidos, mas algo a fez parar. Ela simplesmente congelou.
— O que aconteceu?
— Agora não. — O Sebastian a respondeu. Ele me encarou e começou a se aproximar, me pegou pelo braço me puxando para o corredor. — O quanto você quer beijar a minha irmã? — Arregalei os meus olhos.
— Boa noite para você também. — Murmurei.
— Jace. — Seus olhos encontraram os meus. — O quanto você quer beijar a minha irmã? — Você não vai responder essa pergunta! Isso é ridículo! — Minha consciência ralhou.
— Bastante. — O que?! Por que você respondeu?!
— Ótimo! — Ele se aproximou de mim o suficiente para me fazer recuar um passo. — Eu preciso que a beije, Jace. — Voltei a arregalar os meus olhos. — Por favor. Eu respondo todas as suas perguntas depois. Só a beije.
— Sebastian… Que merda está acontecendo? — Encarei-o. — Vou beijá-la, assim que me responder. — Ele pareceu ponderar a ideia por alguns segundos.
— Okay. — Ele cruzou os braços antes de começas a falar. — Minha irmãzinha é apaixonada por você; no momento ela precise que alguém a faça despertar porque alguma coisa voltou a entrar na cabeça da Clary, e está a mantendo enfeitiçada. Ela aparenta estar normal, mas não está. Está ouvindo algo que ninguém mais ouve, e revivendo momentos ruins. Tudo isso porque já faz dois meses que vocês dois se encontraram e ambos continuam vivos; então essa bendita maldição a está enfraquecendo. Então, por favor, se existe uma parte de você que se importa um pouquinho com o bem-estar da minha irmã, entre naquele quarto e a beije. — Ele respirou fundo, parecia ter desabafado algo que a muito estava preso em sua garganta. — Eu poderia muito bem forçá-lo, mas não seria justo com nenhum dos dois.
— Eu vou beijá-la. E quando eu saí daquele quarto, você vai me contar essa história direito. — Ele estreitou os olhos.
— Por que você não está surtando? — Pensei em tudo o que eu havia lida nos últimos dias.
— Eu conto se você contar. — O empurrei e entrei no quarto. Minha irmã estava sentada junto com a Clary na cama, e a Isabelle tinha uma expressão preocupada no rosto. — Izzy, o Sebastian está te chamando. — Ela balançou a cabeça em afirmação e beijou a cabeça da Clary antes de se afastar.
— Jace? — Encarei a ruiva que estava sentada encolhida na cama. — O que está fazendo aqui? Achei que a Izzy tinha vindo sozinha.
— Eu… Eu vim ver você. — Ele me encarou enquanto eu me aproximava. Sentei-me na cama a sua frente. Os lençóis estavam estranhamente frios. Frios até demais. — Como está?
— O que o Sebastian disse? — Ela perguntou sem rodeios. — Não preciso medir palavras, eles vão fazer você esquecer assim que sair daqui. — Engoli em seco.
— Disse que preciso beijar você. — Respondi. Diferente do que eu esperava, ela não corou. Na verdade ela gargalhou. — Clary…?
— Então, aquele Tritão está achando que fazê-lo beijá-la vai fazer com que eu me afaste? Patético. — Ela revirou os olhos. — Você realmente quer beijá-la? Clarissa está aqui dentro pedindo para que eu não o machuque. O coraçãozinho apaixonado dela é tão patético quando o a ideia que vocês poderiam ficar juntos. — A Clary engatinhou pela cama e aproximou o rosto do meu. — Se eu não pude ter um humano, ninguém poderá. — Ela mordeu os meus lábios. — Faça o que quiser, beije-a, não vai fazer diferença. Ela vai morrer. — Sua mão se aventurou pela gola da minha camisa, passando um dos dedos pelo meu peito. — E você também, Jonathan Herondale. — Ela sorriu. Um sorriso que não se encaixava em suas feições, como se fosse o sorriso de outra pessoa. — Porque eu já matei vocês antes, e ela sabe disso… — Seus olhos encontraram os meus por alguns segundos. — E você também, não é?
— Do que está falando?
— Você sabe do que eu estou falando. — Os diários que eu havia encontrado na minha antiga casa vieram a minha mente. — Eu matei vocês todas as vezes, e dessa vez, será definitivo. — Ela riu, uma risada fria que não combinava em nada com a delicadeza da Clary. — Você quer saber como essa história termina, Jace Herondale? —A forma que ela pronunciou o meu nome fez um arrepio atravessar a minha espinha.
— Prefiro descobri por mim mesmo. — Segurei o seu rosto entre as minhas mãos e a beijei. Sua boca tinha um gosto amargo. Quando a beijei pela primeira vez, ela tinha um gosto de algum doce na boca, mas daquela fez, era tão amargo que eu não conseguia dizer o que era. Uma de suas pernas me atravessou e logo ela estava em meu colo.
— Hum… — Ela murmurou contra os meus lábios antes de se afastar e me empurrar na cama. — Você é melhor que os anteriores. — Murmurou enquanto se deitava sobre mim, uma de suas mãos segurou o meu pescoço com força antes de seus lábios deslizarem pelo meu pescoço. — E ela sabe disso. — Sussurrou em meu ouvido. — Esse é meu presente para você, Jace. — Roçou os lábios nos meus e abriu um sorriso. — Farei com que sonhe com esse momento, e se pergunte se aconteceu ou não. — Seus lábios voltaram aos meus, me beijando com mais força que o necessário como se fosse para marcar aquele presente em mim.
Suas mãos escorregaram pelo meu corpo, enquanto seus lábios devoravam os meus. Senti suas unhas arranharem a pele do meu abdômen, com força demais para ser sexy. Um gemido de dor escapou pelos meus lábios, o que a fez rir e usar ainda mais força. Segurei seus ombros tentando afastá-la, mas ela era muito mais forte que eu.
— Clary…
— A Clary não está aqui no momento. — Murmurou contra o meu pescoço antes de mordê-lo. Apertei a sua cintura devido a dor que senti. Foi naquele momento que eu percebi que ela estava tentando me machucar, mas não para apenas me ferir, para ferir outra pessoa também. "Minha irmãzinha é apaixonada por você."
— Clary, está tudo bem. — Murmurei entredentes. — Só volta para mim. — Segurei os seus cabelos enquanto voltava a unir nossos lábios. Acariciei a base de sua nuca, onde tinha percebi que ela gostava da primeira vez que a tinha beijado. — Volta para mim. — Ela tentou se desvencilhar de mim, mas eu a segurei. Agarrei a sua cintura a mantendo perto de mim. Escorreguei os meus lábios para o seu pescoço e a vi estremecer. — Por favor, Clary.
— Sai da minha cabeça. — A ouvi murmurar e algo dentro de mim se aliviou. — Agora. — Voltei a unir nossos lábios e só parei quando gentilmente ela empurrou os meus ombros. — Jace… — Seus olhos estavam marejados.
— Está tudo bem. — Garanti, embora sentisse o meu abdômen arder um pouco. — Está tudo bem.
— Me desculpa. Por favor, me desculpa. — Limpei as lágrimas que escorregavam pelo seu rosto. — Me desculpa.
— Vem cá. — Beijei os seus lábios com delicadeza. Ela deslizou os braços pelo meu pescoço enquanto entreabria os lábios para mim. Voltei a segurar sua cintura e acariciá-la. Deslizei os meus lábios para o seu pescoço a ouvindo suspirar e relaxar em meus braços. — É só você?
— Sim. — Murmurou enquanto acariciava os meus cabelos. A dei um selinho e a encarei. — Obrigada. — Ela abriu um pequeno sorriso. — Me perdoa.
— Por o que? — Seus olhos encontraram os meus, e suas lágrimas escorreram pelo seu rosto.
— Você nunca veio até aqui. Não vai se lembrar de nada dessa noite. Passou o dia inteiro fazendo tudo o que faria em uma segunda-feira normal. — Outras lágrimas escorreram de seus olhos. — E agora, você está com sono. Com tanto sono que vai dormir agora. — E como em um passe de mágica, eu adormeci.
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