Like I'm Gonna Lose You
34 Capítulo 30 - PROM
Notas iniciais
— Terra para Clary! – Pisquei os meus olhos ao me assustar com os dedos da Isabelle. A Lightwood estava os dedos na frente dos meus olhos, pela sua expressão ela já me chamava há um tempo. – Pensando no meu irmão? – Senti as minhas bochechas esquentarem.
Eu e o Jace havíamos retornado de Idris naquela manhã e desde que chegamos, a Isabelle havia se instalado no meu quarto. Afinal, segundo ela mesma, ela era a minha melhor amiga e tinha direito de saber, com detalhes, tudo o que ocorrera na ilha. E bom, por mais que fosse um tanto quanto vergonhoso, eu acabei por contar para ela tudo o que acontecera.
— Na verdade não. – Murmurei e ajeitei-me nos meus travesseiros.
— Agora que eu já estou satisfeita com o que você me contou, eu vou para casa. – Ela rolou para cima de mim e beijou a minha testa. – Te vejo mais tarde. – Franzi o cenho. – Simon deve me pegar por volta das 18:00. Nos vemos às 19:00?
— Ah... Sim? – Isabelle me encarou e no segundo seguinte eu senti uma almofada bater contra o meu rosto. – Ai!
— Eu não acredito que você esqueceu! – A vi levantar-se furiosa da cama. – Noite do baile de formatura, Clary!
— Ah... Isso. – Suspirei. Eu não iria aquele baile, mas a Izzy não precisava saber. – Sim, eu te vejo às 19:00 não se preocupe. – Ela estreitou os olhos em minha direção, como se desconfiasse de algo.
— Nem tente me enganar, Clarissa! – Dito isso Isabelle atravessou a porta e me deixou sozinha com meus próprios pensamentos.
Eu não iria para aquele baile.
Com aquele pensamento em mente, virei-me para o lado me ajeitando na cama e fechando os meus olhos junto a suspiro. Dormir seria bom, dormir seria muito bom. Eu estava sozinha, minha mãe havia saído para a resolver não sei o que com a Maryse, enquanto o Sebastian deveria estar na casa da Seelie. Ou seja, eu tinha paz. Eu poderia usar aquela paz para pintar em paz, mas ainda estava com o corpo cansado da viagem. Dormir seria perfeito.
Acordei horas mais tarde com batidas insistentes na porta. Resmungando e muito a contra gosto, eu me levantei, ainda sonolenta, para ir atender quem quer que estivesse tentando derrubar a porta.
— Já vai! – Ralhei para o visitante insistente. Abri a porta mal humorada e estanquei ao ver quem era. – O que...
— Escolha de roupas interessante para um baile. – Encarei o meu pijama e depois voltei a olha-lo. – Eu tinha certeza que você não iria. – Ele encostou o corpo no batente da porta e colocou as mãos no bolso.
O Jace estava lindo. Os cabelos bem penteados e o terno que lhe caia muito bem. Ele tinha uma flor presa na lapela, que combinava com a flor que estaria em meu pulso, e que ele segurava em mãos.
— Eu... Eu não me sinto bem para ir ao baile. – admiti. – Desculpa.
— Não é para mim que você precisa pedir desculpas. – Isabelle. Aquele baile significava tanto para ela. – Você pode ter 700 anos. Mas a minha irmã só tem 18, e, ela pode ser uma sereia, mas ela ainda é uma adolescente americana que sonhou com esse baile por um ano inteiro. E eu aposto que ela está contando com a presença da melhor amiga. – Encarei seus olhos claros.
— Okay. Você venceu. – Ela sorriu. – Eu fico pronta em meia hora. – Ele assentiu. – Você já é de casa, só não coloque os pés na mesa da minha mãe.
Corri para o meu quarto. Eu tinha um vestido claro que tinha. Um vestido de duzentos anos. Mas eu tinha. Tomei um banho rápido, e passei uma maquiagem leve, meus cabelos já chamavam atenção o suficiente. Abri o meu armário e vi que havia uma sacola de papel com o nome de uma loja escrito de forma pomposa.
Abri a sacola e sorri para o vestido que eu vi. Mamãe. O vestido era lindo. Tinha um tom claro e era todo bordado, mas não deixava de ser simples. As costas eram quase nuas, apenas o entrelace dos fios que o amarrava devoravam as costas. O vestido tinha um cumprimento bom. Não era nem muito curto, nem muito longo para me deixar mais baixinha do que eu já sou.
Deixei o vestido esticado sobre a cama, e parei na frente do espelho para pentear os meus cachos. Quando terminei de arrumar os meus cabelos em uma trança elaborada, eu me vesti e encarei o meu reflexo. Não estava tão ruim.
— Jace! – Chamei pelo loiro enquanto calçava meus saltos do mesmo tom do vestido. Não demorou muito para que o loiro entreabrisse a porta com cuidado, e me procurasse com o olhar. – Eu não consigo fechar sozinha. – Ele assentiu e caminhou aos meu encontro.
Me coloquei na frente do espelho, deixando minhas costas amostra para ele. O deslizar dos dedos dele pela minha pele fez arrepios atravessarem o meu corpo de uma maneira gostosa. Quando terminou de amarrar o Jace beijou o meu ombro e me ofereceu um sorriso pelo reflexo do espelho.
— Obrigada. – Retribui o sorriso e me virei de frente para ele. Beijei seus lábios rapidamente e me afastei apenas para me perfumar.
—-Espera. – O encarei. – É que... Eu gosto do seu cheiro de maresia. – Encarei o vidro em minhas mãos. Devolvi o perfume ao lugar e voltei a encara-lo.
— Posso passar desodorante, pelo menos? – Ele riu e assentiu.
Em menos de dez minutos, eu e o Jace estávamos a caminho do baile. Ele dirigia calmamente pelas ruas praticamente vazias, e deixava a mão sobre a minha coxa depois de passar a marcha. Eu intercalava o olhar entre ele e a noite que caia e pingava o céu de estrelas.
A frente da escola estava praticamente toda ocupada, e ele precisou estacionar o carro, pelo menos, uma rua depois. Ele me ofereceu o braço e eu não recusei. Andamos juntos até a escola, eu estava praticamente colada a ele, já que batia um ventinho gelado e os meus braços estavam descobertos.
Reconhecemos algumas pessoas enquanto caminhávamos até o ginásio, e eu não pude evitar corar diante de alguns olhares. Era a primeira vez que eu e o Jace estaríamos juntos na frente de tantas pessoas. O Jace riu da minha tentativa falha de esconder o meu rosto contra o peito dele, e eu lhe acertei um tapa.
A música podia ser escutada pelos corredores, e quando finalmente chegamos ao nosso destino, vimos o quão cheio estava. Felizmente não demoramos a encontrar os nossos amigos, e eu precisei lidar com uma Isabelle irritada. Com razão. Mas toda aquela irritação não demorou muito a passar, afinal, ela estava com o Simon, e nada estragaria a felicidade dela.
Fiquei surpresa por ver o Magnus presente na festa, e o Alec parecia estar feliz com ele. Ignorando os olhares direcionados a eles. As pessoas ainda eram muito preconceituosas. Mas o Alec parecia estar lidando bem com a situação. O jogados estava com as costas encostadas no peito do feiticeiro, e eles tinham as mãos entrelaçadas, e trocavam sorrisos e alguns selinhos vez ou outra.
Meu irmão estava a parecendo um novo apaixonado encarando a Seelie, que estava deslumbrante em um vestido verde brilhante. Seus fios vermelhos estavam presos em um coque alto bem feito, e o vestido apresentava uma fenda na lateral, estava linda.
Isabelle estava usando o vestido que compramos juntas, ele era vermelho, um pouco decotado, decorado com pedrinhas brilhantes por todo o busto, e tinha uma saia rodadinha que batia acima do joelho. Ela estava sentada no colo do Simon e ambos se encaravam com sorrisos bobos no rosto.
Depois de algum tempo, a Izzy me puxou para pista de dança. Nós somos e dançamos por muitas músicas, até que uma música calma começou a tocar, e não demorou muito para casais serem formados. A Isabelle pegou a minha mão e começou a dançar comigo, ela vez ou outra me girava, e chegou até a me inclinar para um lado ou para o outro fazendo graça. Até que o Simon apareceu atrás dela para tira-la para dançar.
Sorri para os dois, e avistei o meu irmão sorrindo para a Seelie enquanto dançava com elas e o Alec com a cabeça encostada ao peito do Magnus enquanto eles dançavam num ritmo calmo e só deles.
Virei-me para a pessoa que tocou o meu braço e ri da posição formal que o Jace fazia para me tirar para dançar. Ele enlaçou a minha cintura e uniu a minha mão com a dele, e começou a guiar os meus passos enquanto nós dançávamos. Em determinado momento eu soltei a sua mão e o envolvi em um abraço, sentindo o cheiro dele e me acomodando em seu calor. Senti a carícia de seus dedos em meus fios e quase suspirei em satisfação.
— No que está pensando? – Perguntou em um tom baixo, para apenas eu e ele ouvirmos.
— Lilith. – Ele suspirou. – Ela vai vir atrás de você Jace. – Ergui o meu olhar para ele. – Não posso perder você de novo. Não dessa vez.
— E eu não posso perder você. – Eu suspirei. – Vamos encontrar um jeito de acabar com a maldição.
— E se não tiver? E se o único jeito de acabar com a maldição de uma vez por todas for matando quem a lançou? – Ele me prendeu com mais força em seus braços.
— Amanhã. Amanhã nós pensamos nisso. Se você quiser, vamos até o fundo do oceano atrás dela, mas amanhã. Deixe as preocupações para amanhã. – Pediu. Eu suspirei e assenti.
— Amanhã. – Murmurei.
Nós ficamos por mais algumas horas no baile. Na verdade, eu e o Jace sentamos nas arquibancadas, e observamos todos os outros se divertindo. Era como se aqueles momentos fossem ficar para sempre na minha memória. A IZZY dançando com o Simon, sorrindo sem parar. O Alec olhando apaixonado para o Magnus. O meu irmão abraçando a Seelie e dançando com ela no próprio ritmo deles.
Eles sorriam bobos um para o outro, o Sebastian não tirava os olhos dela, nem mesmo o brilho no olhar. E a fada não estava diferente.
Quando a festa terminou, nós fomos caminhando até a praia, e nos sentamos na areia com nossos vestidos caros e ternos bem cortados. Isabelle ria das piadas ruins do meu irmão, que recebia tapas da Seelie quando falava algo sujo.
Já devia ser perto da meia noite, e eu estava deitada nas coxas do Jace, usando o paletó do mesmo. A Isabelle estava sentada, com as pernas jogadas para o lado, dentro do abraço do Simon. Meu irmão abraçava a Seelie, que estava sentada entre as pernas dele. Magnus e Alec tinham a mesma posição da irmã dele, mas era o Magnus que se apoiava no Alec.
Quando decidimos por ir em bora, acordamos em nós encontrar na minha casa no dia seguinte para poder decidir o que faríamos em relação a Lilith. Alec, foi com o Magnus, a Isabelle com o Simon e o meu irmão levou a Seelie para casa.
E eu fui para a casa do Jace.
Os beijos que trocamos no quarto dele foram mais intensos e mais saborosos do que o que havíamos trocado na ilha. Seus do que incendiaram a minha pele, e me fizeram suspirar. Seu corpo se encaixava ao meu de maneira única, era certo. Nossos gemidos se misturavam e soavam como música aos ouvidos. E nosso orgasmo foi intenso como ondas se chocando contra as pedras.
Depois de um banho, que dividimos, nós deitamos na cama e sorrimos bobo um para o outro até dormimos. O Jace foi o primeiro a se entregar ao sono, a respiração serena dele me acalmava e me fazia acreditar que poderíamos ter um futuro junto. E eu queria acreditar naquilo.
Clarissa.
Aquela voz. Aquela voz me acordou quase ao amanhecer. Lilith.
Venha até mim, sereia.
Ainda usando a camisa do Jace eu procurei por algo que pudesse vestir e encontrei uma calça de moletom. A vesti rapidamente e beijei seus lábios antes de sair. Descalça, e em meio ao frio daquela manhã que nem sequer havia raiado. Caminhei até a praia, mesmo que não fosse perto, mas aquela voz me chamava.
Quando meus pés pousaram na areia eu a avistei. Diferente da aparência das Esquecidas, Lilith era linda. Tinha longos cabelos escuros que chegavam na altura de suas coxas, a pele nua e leitosa que fazia um contraste com o tom dos cabelos. Mas seus olhos, seus olhos eram o que mais chamavam atenção. Eram cinzas. Cinza como prata derretida e transbordavam tristeza e dor.
— Lilith...
— Você veio até mim, menina. – Engoli em seco. – Você me afrontou de tantas formas, pequena sereia.
— Você me amaldiçoou! – Me aproximei dela.
— Eu fiz o que precisava ser feito! – As ondas quebraram com mais força. – Amar é destruí, e ser amado é ser destruído. As Sereias precisam aprender isso, antes que seja tarde demais. O amor nos deixada vulneráveis. E você... Você se apaixonou por um humano! Essa raça que só sabe poluir nossos oceanos, e assassinar nossos animais. Está na hora de revidar. – Dezenas de Esquecidas começaram a emergir e se posicionar por toda a extensão das águas.
— Não... – Murmurei quando a primeira nota alcançou os meus ouvidos. Elas estavam cantando. – NÃO! PARE COM ISSO! – Lilith sorriu. O primeiro humano apareceu segundos depois. Uma mulher adulta, não devia ter mais de trinta anos. – Não! – Eu corri até ela, a jogando no chão e cobrindo seus ouvidos, lutando contra ela para mantê-la deitada na areia. Do lugar em que eu estava, eu fiz uma das minhas lâminas aparecerem e a arremesso contra Lilith.
O sangue escuro escorreu e manchou a lâmina e a água. O olhar que Lilith me lançou era de puro ódio e indignação. Quando ela puxou a lâmina pelo cabo, e a jogou na água, eu vi o sangue continuar a escorrer e pela ferida aberta.
Contudo, mais seres humanos começaram a aparecer, dezenas. E todos caminharam cegamente para a água. Todos caminharam cegamente para a morte. Eu observei quando cada um deles foi atacado, quando o sangue manchou as águas, e quando os gritos ecoaram. Eu observei Lilith sorrir com a pele pálida manchada com o sangue inocente. Eu observei tudo sem conseguir fazer nada.
Quando elas voltaram para o Mar, eu ainda ouvia o som da risada de Lilith ecoando na minha cabeça. A mulher que eu segurava já havia parado de se debater e agora olhava para o Mar com horror nos olhos. A praia inteira estava manchada de sangue, e os corpos boiavam decorando aquele cenário horroroso.
Eu soltei a mulher depois de algum tempo e a mesma correu para algum lugar. Eu faria o mesmo se conseguisse. Mas eu não podia. Não era da minha natureza. A minha natureza era predadora, mas eu fui criada para proteger aqueles que eu amava, fosse em terra ou no Mar. Então, eu nadei.
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