Like I'm Gonna Lose You
27 Capítulo 25 - Tsunami Effect
Notas iniciais
P.O.V Clary
Isabelle estava radiante em seu vestido do tão esperado baile de formatura. Ela havia me arrastado para o centro para podermos comprar os sonhados vestidos. Enquanto a Lightwood já havia provado algumas dezenas de peças, eu ainda não havia provado nada.
Ela havia escolhido um vestido vermelho, bordado com brilhos pratas por todo busto, e a saia descia lisa até um pouco acima de seus joelhos. O vestido era lindo por si só, mas no corpo da Isabelle havia ficado incrível. Abri um sorriso ao vê-la fazendo várias poses com o vestido na frente do espelho, colocando o cabelo para cima, para o lado, deixando solto, havia até mesmo feito uma trança. Por fim ela se virou para mim, que estava sentada, em uma área propícia para tal do provador, e passou a mão sobre a sair que se ajustava perfeitamente em sua cintura.
— E então, o que achou? — Perguntou com as mãos na cintura fazendo caras e bocas.
— Está perfeito. — Ela sorriu, mesmo que eu tivesse dito aquilo das últimas dezenas de vestidos. A Izzy voltou a encarar o espelho por alguns segundos, chegou até mesmo abaixar um pouco a cabeça, antes de perguntar timidamente:
— Acha que o Simon vai gostar? — Abri um pequeno sorriso e caminhei até ela. Segurei os seus ombros e apoiei a minha cabeça no mesmo.
— Primeiro, ele estaria com os óculos embaçados se não gostasse. Segundo, por que ele não gostaria, Isabelle? O Simon te ama. — Ela passou um as mãos novamente pela saia com um pequeno sorriso no rosto.
— Não acha que ele vai… Sei lá… Reclamar do decote, ou do comprimento da saia? — Notei a insegurança em sua voz.
— Simon jamais reclamaria disso, talvez ele até se incomode, mas jamais imporia que você mudasse a sua roupa porque ele quer. Ele te conheceu usando as roupas no comprimento que você gosta, e usando o decote que gosta, não cabe a ele querer mudar. Mude se você quiser, não porque um homem pediu. — Acariciei os seus ombros. — E o Simon não é esse tipo de cara. Ele não é o Hodge. — Sussurrei a última frase, ela abriu um sorriu. Na primeira vez que havia visto a Isabelle, o Hodge havia reclamado das roupas delas, mas a minha amiga havia o provocado e o homem saíra; eu imaginava como aquilo deveria ser corriqueiro.
— Eu te amo, ruiva. Sabe disso, não é? — Depositei um beijo em sua bochecha; obviamente precisei ficar na ponta dos pés para tal. Isabelle sorriu com o meu ato e acabou fazendo o mesmo em mim.
— Eu também te amo, Izzy. — Ela voltou a olhar para o espelho. — Temos um escolhido? — Ela assentiu. — Graças a Deus! — Ela riu.
— E quanto a você? — Virei para pegar a minha bolsa. Será que a Isabelle ficaria chateada se eu dissesse que não estava planejando ir ao baile?
— Eu ainda tenho tempo para pensar nisso. — Dei de ombros como se não se fosse nada. — Vamos?
— Eu só vou trocar de roupa. — Balancei a minha cabeça em afirmação.
Voltei a me sentar no sofá de espera enquanto a Izzy trocava de roupa. Senti o meu celular tremer e o peguei para olhar, acabei abrindo um sorriso involuntário ao ver uma mensagem do Jace.
De: Amor da minha vida
Para: A Pequena Sereia
Isabelle já provou quantos mil vestidos até agora?
Quando finalmente trocamos os nossos números, o próprio Jace salvou o contato dele. E quando eu vi o nome do contato tive uma crise de risos que durou vários minutos. Pelo menos nós, agora, fazíamos piada com aquela maldição.
De: A Pequena Sereia
Para: Amor da minha vida
Perdi a conta depois dos sete mil. Mas, acredite, ou não, ela acabou de escolher o vestido, e logo estaremos indo para casa.
Ao final da mensagem, enviei um emogi com as mãos unidas, como se estivesse agradecendo em oração por aquele feito da Isabelle. Esperei alguns segundos antes do Jace mandar outra mensagem.
De: Amor da minha vida
Para: A Pequena Sereia
E você?
Escolheu o seu?
Encarei aquelas mensagens por alguns segundos.
De: A Pequena Sereia
Para: Amor da minha vida
Não encontrei nada que me agradasse.
Mas ainda tenho alguns dias para encontrar algo.
…
Assim como ainda tenho alguns dias para encontrar um par.
Ao final daquela mensagem, enviei um emogi revirando os olhos. Eu havia recebidos alguns convites, mas acabei dispensando todos eles, pelo simples fato de não ter certeza se realmente gostaria de comparecer ao evento. Não tinha cabeça para pensar em escola, não quando tinha um ataque para a acontecer.
De: Amor da minha vida
Para: A Pequena Sereia
Achei que já havia conseguido um par. Você mesma me disse que havia recebi alguns convites.
Suspirei e encarei o provador da Isabelle. Por que ela estava demorando tanto?
De: A Pequena Sereia
Para: Amor da minha vida
Recusei todos eles.
A verdade é que não sei se quero ir ao baile. Não ando com cabeça para isso.
— Pronta! — Respirei aliviada e guardei o meu celular. Ela saiu com o vestido em mãos, e nós duas fomos até o caixa pagar pela peça.
Antes de irmos embora, ela me convenceu a parar para comer. O que quase foi uma tortura, afinal, a Maryse ainda não havia me liberado para comer normalmente, e eu ainda passava mal se comece qualquer coisa. Não bastava estar morrendo, eu também precisava ficar privada de carboidrato!
Isabelle me deixou em casa antes de seguir para a sua. O fim de semana se aproximava, e nós estávamos planejando-o passar no Mar, para que Isabelle e Alec se acostumassem a passar dias dentro d’água, saber lidar com tubarões, arraias e tudo o que o Mar escondia. Além de precisarem aprender como lidar com os humanos, e o lixo que eles produziam. Os esgotos das grandes cidades, os lixos acumulando, a água poluída, as grandes empresas despejando produtos químicos nos rios que desembocavam no Mar. E por aí ia.
Quando a quinta-feira chegou, a minha mãe e a Maryse saíram para um encontro com o Ciclo, e foi naquele momento que eu percebi que eu precisava falar com o meu irmão sobre aquilo. Não só ele, como com todo o resto também.
Enviei uma mensagem para todos eles pedindo para que me encontrassem em casa, já que não nenhuma das duas estava em casa. Isabelle chegou durante a tarde, e ficou comigo, Alec e Jace haviam saído para ver, acreditem ou não, a roupa deles para a formatura. Isabelle apostava ter um dedo do Magnus na escolha, afinal, palavras delas não minhas, os irmãos eram terríveis para escolher roupas finas.
O meu irmão havia saído cedo para encontrar a namorada, e eu sabia que ele não voltaria tão cedo. Na verdade, Sebastian havia saído de casa antes mesmo do amanhecer, e havia deixado um bilhete avisando. Seja lá o que fosse, era importante.
Ou seja, eu e Isabelle passamos a tarde inteira fazendo maratonas de filmes na Netflix, assistimos três filmes até sermos interrompidas pelos seus dois irmãos. Alec proibiu o irmão de nos dizer qualquer coisa sobre a roupa, disse que, já que nós estávamos fazendo surpresa, eles faziam o mesmo. Depois daquilo, Isabelle teve certeza que tinha um dedo do Bane; e apostou que a roupa de um deles teria brilho.
Quando o Sebastian chegou, nós já havíamos comido cinco pizzas, que me renderia enjoos durante a noite, mas eu comi muito feliz, e três garrafas de refrigerantes. Tínhamos uma Sereia e um Tritão em fase de crescimento presentes, e os dois se encarregaram, basicamente, de duas pizzas cada um. Eu não os julguei, se eu mesma estivesse em perfeitas condições, teria os acompanhado, mas acabei dividindo uma pizza com o Jace. Pelo menos o loiro já parecia ter se acostumado com o novo apetite dos irmãos.
— Então… — Isabelle bebeu um gole de seu refrigerante antes de continuar a falar. — O que tinha para nos dizer? — Mordeu outro pedaço de pizza.
— Estou esperando o Sebastian. — Disse. E nesse momento a porta se abriu.
Meu irmão nos encarou, e pareceu um pai pegando os filhos no flagra. E me fuzilou com o olhar por eu não ter guardado para ele, mas seu olhar se suavizou quando eu disse que havia uma pizza na cozinha esperando por ele. Enquanto o Sebastian ia para a cozinha eu fiquei pensando no brilho que havia visto em seus olhos. Era um brilho que transmitia a mais pura felicidade, chegava a ser bobo.
— Pode falar. — O meu irmão disse enquanto mordia uma fatia da pizza.
Comecei a narrar desde a noite que havia discutido com a minha mãe. E contei o que havia descoberto até então. Aparentemente o apetite dos três que ainda comiam, acabou de repente. Sebastian havia afastado a pizza e ficado de pé. Respirei fundo esperando a sua declaração.
— Não vou tentar impedi-los. — A surpresa foi geral, o Sebastian sentou-se no banco que havia pego em algum lugar da casa. — Clary, isso já está durando tempo demais. Podemos estar em menor número, mas você sabe que nós dominamos o Mar. Temos a vantagem. — Garantiu.
— Sebastian, é arriscado demais. — Argumentei.
— Nós já sabemos quem fez isso com você, por que não podemos simplesmente ir até lá e matar aquela maldita? Já matamos Esquecidas antes, não seria diferente agora. — De certa forma o Sebastian estava certo, porém, havia um pequeno grande problema.
— Não sou forte o bastante para brigar com ela, Sebastian. Mamãe disse que entrar em guerra novamente poderia nos custar muita coisa. Bem isso foi antes, agora ela está desesperada e não vai se importar com as baixas. — Ele passou as mãos pelo rosto em um claro sinal de estafa. Todos estávamos cansados de tudo aquilo; depois de 700 anos qualquer possível solução que aparecesse poderia ser "A" solução.
— Tudo bem. — Ele me encarou, por alguma razão seus olhos estavam brilhando em divertimento. — Você precisa ficar mais forte, correto? — Assenti, mesmo sabendo que aquela conversa tinha tudo para tornar-se estranha. Com um pulo o meu irmão ficou de pé e bateu uma palma, aquele som ecoou por alguns segundos e então eu soube que estávamos em um Instante. — Qual a forma mais rápida de uma Sereia ficar mais forte?
— Ganhando a calda permanente. — Respondi.
— Exatamente! E como Sereias ganham a calda permanente?
— Sendo beijada por aquele que ama dentro d'água.
— Sim, sim… — Balançou a mão como se aquilo fosse banal. — Mas eu estou falando da outra forma, aquela forma que se vira um tsunami. — Arregalei os olhos ao entender perfeitamente a sua linha de pensamento. Aquela ideia era terrível! Com certeza o Sebastian estava desesperado ou achando que eu estava desesperada.
— Não! — Ele sorriu ao perceber que eu havia entendido o que ele estava sugerindo.
— Ah! Vamos, Clary! O que há de errado nisso? Vai dizer que você não quer?
— A questão não é essa, Sebastian! — Protestei irritada vendo-o revirar os olhos. — Não dá para forçar isso, e você sabe.
— Clary… — Eu devia ter reparado que a Isabelle voltou a mexer nos cabelos, mas ignorei aquele fato e disse com convicção:
— Eu não vou transar com o Jace! — O sorriso satisfeito que ele abriu me fez querer amaldiçoá-lo até a última vida. Ele havia encerrado o Instante e me feito ficar em uma situação extremamente embaraçosa pois o citado estava presente, além de seus dois irmãos. Nota mental: Matar o Sebastian quando tiver oportunidade. — Eu vou matar você. — Murmurei enterrando o meu rosto em minhas mãos morta de vergonha.
— É a melhor solução! E é só sexo, Clary! — Disse com naturalidade voltando a se sentar.
— Sebastian, você sabe que não é só sexo! Você sabe o que está envolvido! E você sabe o que é preciso para que funcione! Então, não me venha com essa história de "É só sexo", porque não é! — Cruzei os meus braços sentindo o olhar dos presentes sobre mim. — Explique você! — Afundei no sofá.
— É bem simples. — Ele direcionou o olhar na direção dos outros presentes. — A Clarissa precisar ficar mais forte, a melhor forma de fazer isso é conseguir a calda permanente, e para tal ela precisa ser beijada pela pessoa que ama em forma de Sereia. — Todos olharam para o Jace, e este parecia estranhamente interessado no que o meu irmão falava. — Mas, se uma Sereia se deitar pela primeira vez com a pessoa que ama, ela fica mais forte. E com isso quero dizer forte de verdade. Eu chamo carinhosamente de “Efeito Tsunami”. — Revirei os olhos diante de sua idiotice.
— Está pedindo para o Jace tirar a virgindade da Clary? — Quem perguntou foi o Alec, e sua expressão deixava claro que ele estava confuso.
— Nunca achei que diria isso, mas sim. É exatamente o que eu estou pedindo. — Ergui os meus olhos para o Jace, e o mesmo retribuía o olhar sobre mim. Se a situação era constrangedora? Talvez muito.
— O que o seu irmão não está contando? — Perguntou com o olhar cravado no meu. Mesmo que o Sebastian quisesse responder, era da minha boca que ele queria a resposta.
— Precisa ter sentimento. Não pode ser uma simples atração, é intenso demais para ser só isso. — Cruzei os meus braços. — As duas partes precisam estar em sintonia com os sentimentos.
— E se não estiverem?
— Não funciona. Não vai passar de uma simples transa casual. — Ele assentiu. Parte de mim queria sair dali o mais rápido possível, talvez ir até a praia, ou até o meu estúdio; na verdade, era uma grande parte de mim. — É por isso que não vai funcionar. Não dá para forçar. — Levantei-me do sofá que estava sentada. -Eu… Eu vou… Eu preciso de ar. — Murmurei ao me afastar.
Caminhei em silêncio até o meu estúdio. Fechei a porta dupla atrás de mim e caminhei até a janela que tinha uma visão perfeita da praia, e naquele momento, me daria uma perfeita visão da Lua.
Sentei-me no grande e confortável sofá. Ele era redondo e acomodava três pessoas com folga, além de ser extremamente confortável. Era uma das poucas coisas que eu fiz questão de comprar e faço questão de levar para todos os lados.
Abracei os meus joelhos e apoiei a cabeça sobre eles. A Lua estava em sua fase crescente, e brilhava lindamente no céu noturno, e as próprias estrelas faziam seu espetáculo à parte, embora a Lua roubasse bastante a atenção.
Eu gostaria de dizer que estava tranquila quanto a ideia do Sebastian, mas seria mentira, uma mentira tão grande e dolorosa que eu conseguiria senti-la há quilômetros de distância. Eu sabia que o Jace não tinha aquele tipo de sentimento por mim, e sabia também que não adiantaria insistir, por isso estava fazendo o meu melhor para respeitar o espaço dele.
Havia trabalhado arduamente para estabelecer aquela amizade entre nós, e que estava se tornando mais forte a cada dia, surpreendendo a todos; e diferente do que eu imaginava, ou qualquer pessoa imaginaria, eu prezava por aquela relação, pois ela me fazia bem. Mesmo que a minha alma chamasse por ele de uma forma romântica, e o meu coração disparasse toda vez que ele sorria, a minha cabeça sabia que a amizade que havíamos criado e a presença dele eram o suficiente para me manter sã. Era o suficiente para que eu não me tornasse uma Esquecida.
Mesmo que doesse vê-lo com outra pessoa um dia.
— Hey. — Olhei para trás vendo-o parado na porta do estúdio. Arregalei os olhos e me levantei, pronta para expulsá-lo dali; por dois motivos: 1º Eu, geralmente, não gostava que ninguém visse as minhas pinturas e desenhos; 2º 70% do que havia pronto ou no esboço, era ele ou sobre ele, ou ele fazia parte. Porém, antes que eu pudesse me aproximar ele desviou o olhar para olhar o cômodo, e deu de cara com o rosto dele pintado. — O que é isso?
— Jace, não…
— Sou eu. — Ele murmurou enquanto se aproximava do quadro. — Uma versão mais bonita de mim, com certeza. — Ele me olhou sobre o ombro. — São todos recentes?
— Ah… Na verdade, não. — Abri um sorriso sem graça. — Faz um tempo que eu desenho você.
— Quanto tempo? Desde que eu cheguei na Califórnia? 10 anos? — Acabei rindo.
— Está mais para 400 anos. — Ele arregalou os olhos ao se levantar. — Nem tudo é você. — Dei de ombros.
— Entendi. — O desconforto era papável no ambiente, e ambos sabíamos disso. Afinal, é super normal um irmão pedir para uma pessoa que tire a virgindade da irmã, mas não em, pelo menos, uma conversa privada, mas sim na presença da mesma e de mais três pessoas, e em alto e bom som só para o caso de alguém que passe perto poder ouvir. — Podemos conversar? — Assenti e apontei para o local que estava sentada antes.
— Não se preocupe com aquela história, okay? Vou descobrir um jeito. — Dei de ombros e olhar para o lado de fora. Se continuasse à olhá-lo ficaria com vontade de desenhá-lo, o que não seria uma boa ideia no momento.
— E existe um outro jeito? — Acabei rindo e balançando a cabeça em negação.
— Sempre damos um jeito. — Dei de ombros. Algo me dizia que o Jace estava mais perto do que estava há alguns segundos, mas poderia ser apenas uma impressão. — Eu vou pensar em alguma coisa.
— Sebastian falou alguma coisa sobre ser beijada em forma de Sereia. — Virei o meu rosto para poder olhá-lo e tive a certeza de que ele havia se aproximado, pois eu precisei afastas a minha cabeça alguns centímetros para não deixar a situação pior do que estava. — Seria uma solução?
— Seria. — Murmurei. — Se a maldição não tivesse me enfraquecendo. — Sua respiração serena batia contra o meu rosto, deixando claro que não adiantaria me afastar, pois era ele quem estava se aproximando.
— Nem se eu beijá-la, assim? — Fechei os olhos ao sentir os seus lábios sobre os meus em um beijo casto. — Ou assim? — Abri um sorriso ao sentir os seus lábios em meu queixo. Um arrepio atravessou o meu corpo ao sentir o primeiro beijo em meu pescoço. A cada beijo que ele me dava era uma arrepio diferente e mais o meu sorriso que abria. — O que você acha desse? — Agarrei os seus cabelos ao senti-lo dar um beijo delicioso em meu pescoço, com língua e tudo. — Clary? — Abri os meus olhos e vi que ele tinha uma expressão satisfeita no rosto, além de seus olhos brilharem em divertimento. — O que você acha? — Fazia um tempo desde a última vez eu havia sentido os lábios dele pela última vez, e ao senti-lo novamente, foi como se a minha pele tivesse virado brasa. Eu precisava dele, mesmo que fosse momentâneo.
— Acho que você deveria continuar testando. — Ele sorriu e segurou o meu rosto antes de me beijar. Eu sentia falta dele, ninguém no mundo conseguiria negar aquilo, e se naquele momento ele estava disposto a estar comigo, eu deixaria; jogaria tudo o que construí nas últimas semanas no lixo, sem me preocupar se algo poderia ou não ser reciclado.
Segurei os seus cabelos entre as minhas mãos o puxando para perto, fazendo seu peito colar contra o meu. Coloquei as minhas pernas sobre o móvel em que estávamos sentados, e antes que eu pudesse pensar em fazer algo com elas, o Jace mordeu o meu lábio inferior e o puxou, tirando a minha concentração das penas por alguns segundos.
Antes que eu conseguisse perceber ele colocou as minhas pernas para o lado e se ajoelhou no sofá; sua mão tocou o meu ombro em parte para fazer com que eu me deitasse, e em parte para me deixar tranquila quanto aquilo.
Deslizei as minhas mãos até que encontrasse a sua nuca, e passei a acariciar o local, vez ou outra deslizando uma delas para as suas costas. Os beijos do Jace eram inconstantes, variavam do doce e delicado ao intenso e selvagem, e todas as formas me deixavam inerte ao que acontecia ao meu redor.
Deixei um suspiro escapar pelos meus lábios quando ele voltou a beijar o meu pescoço, e daquela vez ele também mordia a pele sensível, fazendo com que eu me sentisse ainda mais quente.
E mesmo se eu quisesse acreditar que eu era a única a aproveitar e ficar presa àquele momento, eu podia sentir que não era verdade. A mão que o Jace não usava de apoio deslizava pela lateral do meu corpo, ora apertando a minha cintura e me puxando contra si, ora acariciando os meus cabelos para tirá-los do caminho de seus lábios. O coração dele batia tão rápido quanto o meu, e os seus beijos transmitiam muito mais além de atração e desejo carnal.
— Jace… — Afastei-me alguns centímetros para poder respirar e tentar colocar um limite no que estávamos fazendo. -Respira. -Ele assentiu e respirou fundo, e seguida riu. — O que foi?
— Está vermelha. — Senti as minhas bochechas esquentarem, o que o fez rir ainda mais. — Eu posso não amar você, Clary, mas, com certeza, tenho sentimentos fortes por você. — Olhei em seus olhos, naquele momento eu podia dizer que ele estava sendo sincero e verdadeiro. O Jace não me amava, ou não sabia o que sentia por mim?
— Jace… — Ele uniu nossos lábios em um beijo casto e breve.
— Eu gosto de estar com você, Clary. Eu gosto do que sinto quando estou com você. Eu gosto do eu que vem à tona quando estou com você. E me sinto muito mal por não conseguir retribuir os seus sentimentos, qualquer cara se apaixonaria por você, qualquer cara que não fosse um cafajeste como eu. — Acabei rindo de sua última declaração. — Nós podemos tentar.
— Não é tão simples.
— Você disse que precisa ter sentimento, que não pode ser uma simples atração, e eu, com certeza, não sinto uma simples atração por você; se fosse esse o caso eu não estaria aqui, acredite em mim.
— E se não funcionar? — Ele acariciou o meu rosto com carinho. — Isso é muito importante, Jace. Não teremos outra chance, ou…
— Eu sei. Só estou pedindo para nós tentarmos, o máximo que vai acontecer é nós termos transado e você não vai querer me olhar por uns dias. — Acabei rindo. — Vamos tentar?
— Não tentaria com outra pessoa. E também não tenho outra ideia em mente. — Abri um pequeno sorriso ao vê-lo fazer o mesmo.
— Clary… — Olhamos para a porta do estúdio, onde o meu querido irmão estava parado, e ao nos ver naquela situação abriu um sorriso malicioso. — Estavam se pegando, não é? — Revirei os olhos e me afastei do Jace.
— O que você quer, Sebastian?
— Vim saber se precisava de um ombro para chorar as mágoas. Mas parece que você encontrou alguém para tal serviço, então… Estou indo.
— Espera! — Ele sequer tinha dado um passo quando eu me aproximei dele. — Preciso de um favor. — Pedir algo ao Sebastian significava devê-lo pela próxima década, e por isso eu nunca pedia, ou sequer cogitava dizer aquelas palavras para ele; logo, ele só pode ter concluído que o meu pedido era algo sério. — Preciso do seu barco.
— Para quê? — Olhei para o Jace e em seguida o lancei um olhar sugestivo. — Tem certeza? — Assenti enquanto colocava as mãos em meus bolsos. — Tudo bem. Eu te empresto o meu barco e te dou cobertura, dona Jocelyn não precisa saber que você deu uma saída para perder o cabaço.
— SEBASTIAN! — Ele gargalhou enquanto caminhava de volta para a sala. — Eu vou matá-lo um dia. -Murmurei para mim mesma, e acabei pulando de susto ao sentir as mãos do Jace em meus ombros.
— Mate-o depois que ele conseguir o barco. — Ele franziu o cenho analisando a própria frase. — Para quê precisa de um barco?
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