Lights
1 Parte um.
Provavelmente o mundo é injusto com os invisíveis.
Luzes nos ofusca a cada instante de nossas vidas vazias e sem brilho.
Sou apenas uma estudante de arte, curso no qual as pessoas dizem que é um dos mais fáceis e menos rentáveis, mas não me importo se essa é a minha verdadeira paixão.
Cores, luzes, sons, gestos, imagens. É disso que vivo. Não tenho luz própria, mas a construo com o meu trabalho duro.
Em um dia frio de dezembro, no caso hoje, recebi um folheto de uma exposição de artistas amadores, me interessei ao saber que é a partir deste sábado.
E meus dias até sábado passaram como se fossem horas, sou apenas uma garota sem brilho, sem luz, solitária. Apenas estou focada em meu futuro.
Sai interessada pelas obras de amadores, cheguei excitada por ver tantas pessoas admirando arte de pessoas desconhecidas.
Contemplei cada obra tentando sentir o que o artista sentira no momento em que fazia a obra.
Mas quando me deparei a uma pintura, pintura na qual senti meu coração tremer.
" Dance In The Dark — No Lights"
Senti um nó enorme em minha garganta ao ver que a pintura era de uma garota. Olhos vazios e sombrios em volta de tantas cores brilhantes e uma natureza incrível.
Primeiramente pensei que o titulo estava equivocado, mas olhei com os sentimentos, tentei sentir os sentimentos do artista, apenas nomeado "REN".
Parece que a garota da pintura está brilhando em meio a tantas cores vibrantes, mas em sua alma, está no escuro. Parece que ela não enxerga que ela emite uma luz tão linda e brilhante como as cores ao seu redor, mas se sente no escuro..
Ofuscada.
Um estralo em minha mente fez os meus cabelos da nuca eriçar.
Pensei em consultar alguém para perguntar desse artista, então sai a procura de quem promovera essa exposição.
Mas foi em vão.
Voltei para casa pensando em "REN", queria conhece-lo.
No dia seguinte voltei à exposição, e novamente clamei quem promovera essa exposição.
E dessa vez encontrei uma senhora, na qual promovera essa exposição. Seu nome é Matsumoto Umi.
- Com licença, senhora Matsumoto? — Me aproximei educadamente da senhora que de longe parecia gentil e jovial, e de perto apenas se confirmou.
- Sim? Sou eu. — Ela sorriu, enrugando mais ainda suas rugas dos olhos.
- Me desculpe, sou Matsuoka Nanami. Gostaria de fazer uma pergunta sobre um artista em que sua obra está em exposição aqui. — limpei a garganta antes de falar e continuei. — Seu nome está apenas como REN, e seu quadro é o Dance In The Dark — No Lights.
Ela abriu os olhos assustada, mas logo se relaxou e soltou um suspiro pesado.
- Mori Ren, este é seu nome. Porem você não pode entrar em contato com ele.
Engoli em seco pela tristeza.
- Mas, por quê? — Perguntei meio receosa.
- Desculpe-me criança, mas Mori falecera há poucas semanas. — Ela abaixou seu olhar pesaroso.
Engoli em sego, no qual não conseguia de jeito algum fazer aquela bola de saliva descer pela garganta seca.
Apenas me desculpei e voltei a frente do quadro.
Esse quadro pode ser algo? Um pressentimento, um sentimento?
Apenas relei na obra, senti um arrepio percorrer minha nuca novamente, mas como se alguém me tocasse suavemente.
Deve ser a sensação de pensar que ele já não existe mais nesse mundo.
Dei a ultima olhada em algo que tocará meu coração e suspirei por nunca poder falar com quem o fez.
Mas por que morrera?
Cheguei em casa e pesquisei seu nome no facebook, na verdade só sei os kanjis de Ren, mas tentarei o mori.
Achei vários, mas um me chamou a atenção.
Um garoto um pouco mais velho que eu, de olhos vazios de sentimentos.
Soltei um sonoro: Eureka!
Mas logo me sentei, com vergonha das paredes. Ou vergonha de mim mesma.
Cabelos negros, olhos negros, pele pálida. Professor de artes.
Olhando as publicações de pessoas em seu mural, pude notar que ele já não estava mais entre nós. Então eu realmente achei o cara certo.
Ele era muito atraente, mas mesmo por foto posso ver seus olhos vazios.
Ele adorava fotografar, pintar e dar aulas para crianças.
Cliquei no álbum de suas fotos tiradas aleatoriamente por ele. Fiquei admirada ao ver como ele sabia combinar as pessoas com o lugar. Sempre lugares cheios de luz e cor.
Mas então sinto meu coração parar ao ver uma foto minha em meio a praça.
Petaías de cerejeiras e folhas secas me rodeava com o vento, meus cabelos soltos ao vento, e meus olhos vazios de sentimentos.
Um estralo em minha cabeça, veio a pintura. A pintura está idêntica a foto.
E a legenda me fez tremer.
"Não sei se foi amor, paixão ou eu apenas querendo salvar sua alma que não vê o quanto de luz pode emitir e se destacar em meio as cores, mas sinto a escuridão em seus olhos."
Quase cai da cadeira, tantos sentimentos se passaram por mim.
E por fim: Por que não o conheci antes?
Cheguei a essa conclusão sentindo meu peito apertar. Não se se é amor, não sei se é paixão ou eu apenas me iludindo com palavras de alguém que já se fora.
Ou se me apaixonei por uma pessoa que não habita mais esse mundo.
Acho que as lagrimas escorrendo pela minhas bochechas quentes são uma consequência, mistura de emoções.
Dor, tristeza, decepção, surpresa, angustia. Quero que o tempo volte, quero saber como ele se fora.
Pesquisei mais em seu mural, e achei minha resposta.
Ele se matara.
E na segunda, depois do trabalho, corri para o local da exposição para conversar com a senhora Matsumoto.
Ela estava de saída, mas consegui alcança-la.
- Senhora Matsumoto, um minuto.
Ela me olhou e sorriu.
- Sobre Mori? — Ela disse em um tom suave.
- Sim, eu acabei achando o facebook dele...
Ela me olhou e suspirou.
- Vamos tomar um café?
Apenas assenti e a segui.
Nos sentamos em uma mesa de uma cafeteria popular, ela me olhou com os olhos brilhantes.
- Parece o destino, não? Você era a unica coisa que o movia.
- A senhora o conhecia?
- Sim, um de meus alunos. Vinhamos muito aqui depois que descobri que ele estava com depressão.
- Oh, imaginava.
Ela me olhou e sorriu gentilmente novamente.
- Ele criou aquela pintura pensando em você, a moça da melhor foto que ele dizia que havia tirado. Pensou que poderia te alcançar de alguma forma. Mesmo não sabendo quem e de onde você era.
Não sou boa em lida com esse tipo de emoções.
Não sou uma pessoa que se apaixona fácil.
Não choro fácil.
Mas as lagrimas seguiam o seu rumo natural, eu não conseguiria conter nem se eu tentasse muito.
Ela me olhava, com uma tristeza enorme em seu olhar.
- Por que não o conheci antes? Acho que eu que estou sentindo que queria poder salvar uma vida.
Ela assentiu, silenciosamente.
- Não sei se é isso, ou se acabei me apaixonando, algo realmente impossível neste momento.
Minha voz estava falha, fraca. Não estou ligando se estou em um lugar publico, e pelo que vejo, ela também não se importa. Mas me contive.
Ela apoiou gentilmente a mão em meu ombro e disse, numa melancolia.
- Acho que ambos se salvariam... Ele cometera suicídio pelo estagio avançado de depressão. Sumiu, e quando resolveu aparecer, já era tarde...
Acho que meu coração não aguenta.
- Posso ver a pintura pela ultima vez?
- Ultima vez? — Ela perguntou assustada.
- Sim, não quero mais me ligar a isso. Mesmo sendo tarde demais, acho que quanto mais eu me apegar a essa história, mais angustia sentirei.
Ela concordou e voltamos ao lugar da exposição.
Ela abriu as portas, tateei o escuro, tentando achar minha luz.
E quando ela realmente acendeu a luz, eu pude ver a obra.
Ele me trouxe a luz da vida que eu precisava, queria mostrar isso a ele.
Quem dera eu pudesse salvar uma vida como ele fez.
Uma pessoa que já estava sem esperança, acho que encontrei minha luz. Olhando pra essa obra, posso senti-lo tão bem aqui.
Não sei se almas existem, mas o sinto tão vivo aqui, nesse momento, que posso sentir seu toque em minha pele, fazendo meus cabelos na nuca eriçar.
Me faz sentir amada, verdadeiramente amada, pela primeira vez.
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