Light&Shadow - Interativa
1 Introdução
Notas iniciais
— Alteza, ambos os prisioneiros já foram interrogados. Tentei a todo custo fazer eles falarem alguma coisa, mas não pareciam estar mentindo...
— É claro que estavam! — Lummine, a atual rainha da tribo Alfa, interrompeu o soldado que falava ao bater a mão na mesa e levantar de sua cadeira, mas logo em seguida, respirou fundo, e sentou-se novamente. — Quero dizer, o que mais jovens Ômegas estariam fazendo na floresta próximo ao reino? Malditos espiões da escuridão...Bom, já que não falaram nada, retire a memória de ambos sobre o interrogatório e jogue-os na floresta.
Luminne observou o soldado ir embora, e em seguida, levou seu olhar até a janela, enquanto apoiava-se na mesa, suspirando. Não era a primeira vez que jovens Ômegas eram encontrados na floresta, próximo ao reino, mas nunca encontrava nenhuma resposta. Algumas vezes eles conseguiam fugir, o que aumentava ainda mais as suspeitas da rainha. Para a mulher, o rei Ômega andava tramando alguma coisa, e se ela não descobrisse logo o que era, certamente ficaria na desvantagem na próxima batalha.
— Não fazem nem dois meses desde nossa última batalha, Taric. Você não perde tempo mesmo, seu...
Apesar de falar suavemente, deixando as palavras flutuarem no ar como vento, o punho de Luminne estava cerrado, e sua expressão claramente apontava a irritação não presente em sua voz. Assim era a rainha da tribo Alfa: Serena, mas extremamente expressiva e irritada.

Não muito longe do palácio, o promissor grupo de soldados Alfa estavam em seu treinamento. Os jovens, considerados da Elite, sabiam que a qualquer momento poderiam ser convocados para uma batalha, onde teriam de arriscar suas vidas para defender a tribo.
— Sabe o que não faz sentido? A gente ter de lutar contra pessoas que mexem com escuridão. Tipo assim, fala sério?! Qual a graça? Todo mundo sabe que a tribo, se é que podemos falar assim, pois Reino se encaixa muito melhor, é muito mais forte que os Ômegas. Dã, somos luz. Não temos como ser fracos.
— É por esse tipo de pensamento que muitos homens e mulheres morreram em batalhas. Temos de dar o melhor em todas as batalhas, por menores que sejam.
— É bom ir se preparando então, Kyle. Eu ouvi, em uma das expedições ao palácio, que a tribo Ômega está tramando uma invasão. Estão achando vários escondidos na floresta, tentando invadir aqui. Seu momento de brilhar chegou.

Os dois jovens, Ayla e Kyle, soldados em ascensão, considerados por quase todos como a Elite dos jovens, estavam sentados no muro, esperando os outros jovens chegarem. Naquela manhã, o treinamento dos jovens Alfas finalmente iria começar. Apesar disso, os dois, que mais parecem irmãos, pois conviveram juntos a vida toda, já estavam ficando impacientes, pois, desde pequenos, foram treinados juntos para a tão esperada e temida guerra. Todos do mundo sabem que as tribos (ou reinos) Alfa e Ômega estão em constante guerra, embora prefiram chamar de batalhas, para colocar à prova quem é o criador mais forte. E todos sabiam que a data da próxima batalha estava próxima, devido aos rumores espalhados pelo palácio, e por isso, o treinamento estava prestes a começar, não só na tribo Alfa.
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Karthus andava de um lado para o outro, inquieto. Estava nervoso? Não de raiva, mas de nervosismo mesmo. Muitos diziam que o rei, apesar de valente, forte e inteligente, tinha sérios problemas ao tentar controlar sua ansiedade, e sempre acabava nervoso por nada. Além dele, na sala também se encontrava sua assistente pessoal, a garota cuja as pessoas desconfiavam ter um caso com o rei. Ambos discutiam um possível ataque da tribo Alfa.


— Você está bem? Eu nem ao menos perguntei isso, me desculpe.
— Estou sim, alteza. Foi apenas uma pedra, nada demais. O importante é pensarmos no que faremos a seguir. Devo pedir para que os jovens comecem o treinamento imediatamente?
O rei parecia absorto em pensamentos, mantendo seu olhar preso ao sangue que escorria lentamente pelo rosto de Mirai, que havia sido atingida por crianças Alfa numa tentativa de capturá-las, uma vez que estavam rodeando a floresta. Isso havia chamado a atenção da garota, que de imediato foi reportar ao rei. Agora estavam ali, criando teorias sobre os planos da tribo Alfa.
— Hã? Ah sim, por favor. Devemos iniciar o treinamento juvenil o quanto antes. Quanto mais cedo estivermos prontos para a batalha, menos vantagem aquela mulherzinha vai ter sobre mim. Se é que ela vai ter alguma. Vamos deixar nossas defesas escondidas, para parecer que não estamos esperando nenhum ataque, mas assim que algum daqueles soldadinhos pisar no solo Ômega, vamos dar a eles o que eles merecem.
Havia um certo entusiasmo nas palavras de Karthus, o que involuntariamente fez Mirai sorrir de canto. Logo voltou ao estado normal, se retirando dali e indo falar com os supervisores do treinamento.
— O rei autorizou o início do treinamento imediato. Quanto antes, melhor. Vamos amassar aquelas luzinhas de uma vez.
Seu olhar era firme, como o de uma autoridade, uma vez que ela era, de certa forma, o cargo mais alto depois do rei. Mas Mirai estava preocupada com outra coisa. Outra pessoa. Sentado embaixo de uma árvore, um garoto estava lendo seu livro, em um estado de paz absoluto. Com um sorriso agora travesso no rosto, Mirai se aproximou por trás, tomando o livro das mãos dele em um ataque surpresa. Demorou alguns segundos até ele perceber que seu livro não estava mais em suas mãos, o que o fez levantar seu olhar para a garota, que ria.

— Você tem que prestar mais atenção ao seu redor, ou não vai durar um dia em batalha, irmãozinho.
— Eu não quero ir para a batalha. Você sabe disso, Mirai. Estou bem organizando os dados do reino, e ajudando fora do campo de luta.
— Eu sei, eu sei. Mas você sabe, todo mundo tem que ir para o treinamento. É lá que eles vão ter certeza de que meu querido irmão não tem capacidade para lutar, e aí você finalmente vai se ver livre das espadas.
O garoto, Gwuan, apenas bufou, tomando seu livro de volta. Mirai também suspirou, mas de preocupação. Temia ver seu irmão desajeitado e distraído em um campo de batalha, por pura graça dos soldados para com ela. Mas ela estava convicta de que, se fosse o caso, ela iria falar diretamente com o rei para impedir seu irmão de lutar. Iria protegê-lo a todo custo. Era seu bem mais precioso, a única família que lhe restara. Sem que pudessem continuar a conversa, uma trombeta podia ser ouvida por toda a tribo.
— É Gwuan, está na hora. Boa sorte.
Gwuan apenas se levantou, caminhando rumo aos grandes portões da academia de treinamento. Em breve, mais especificamente dali a alguns minutos, o treinamento juvenil dos Ômegas estava prestes a se iniciar.
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