Notas iniciais
Sinceramente, esse é o meu capítulo favorito. E é aqui que a história realmente vai começar. Vamos saber a verdade por trás dos Quase-Anjos.

Meus dedos tamborilavam na minha mesa, indicando o meu desconforto. Observava os alunos á minha frente fazendo os seus deveres e suspirei olhando para o relógio acima da porta. A hora parecia passar tão devagar para os humanos, que era quase angustiante. Tirei meu queixo da mão e ajeitei minha postura na cadeira, olhando para os trabalhos á minha frente.

Eu sabia que não conseguiria me concentrar, mas não queria que meus alunos reparassem que sua professora de religião estava com problemas, na segunda semana de aula. Mesmo que os meus problemas não fossem nada do que eles poderiam imaginar. Não era algo que eu pudesse lidar nessa vida.

Olhei para Aliel e reparei que ela estava tão dispersa quanto eu. Passava as mãos pelos cabelos cacheados e apenas assentia e sorria para Jeremy, esperando que ele não notasse o que estava acontecendo com sua guardiã. Eu também não queria que ele soubesse. Seriam muitas pessoas envolvidas. Eu ainda tinha que atualizar Adriel. Pressionei os lábios em uma linha reta. Ele poderia ter estado lá. Me pouparia de falar sobre um assunto que eu queria evitar.

Vi que Mellany estava sentada no fundo da sala ao lado de Harper. Mas, diferente da minha primeira aula, ela realmente parecia estar fazendo o trabalho. Isso me fez sorrir. Finalmente uma mudança. Havia sido súbita, mas tinha certeza que ela estava evitando problemas para o irmão. E também não queria ser arrastada pela escola bêbada novamente.

Mas o seu relacionamento com Austin ainda era o meu maior problema. Porque aquele garoto exalava encrenca. Ele estava no último ano, por isso que eu não o via muito. Apenas quando me aventurava á sair nos intervalos e os via sentados conversando juntos. E percebia como todos tratavam Mellany com respeito. Não apenas por estar saindo com um dos principais jogadores de futebol. Também pela sua personalidade forte e rebelde. E por ninguém ter coragem de enfrenta-la.

Quem a observasse com cuidado – ou durante os seus momentos sozinha – iria perceber que Mellany era tão frágil e sensível quanto qualquer outra garota. Lembro-me de ter sorrido no dia anterior quando a vi usando sua escova de cabelo com microfone enquanto cantava e dançava pelo quarto. Como seus olhos brilhavam sem a pesada maquiagem e o pijama cor de rosa.

O que fez Mellany me ver mais do que a professora que poderia pisotear, tinha sido o fato que eu a tinha enfrentado. Uma coisa que ninguém naquela escola tinha feito, apenas passando a responsabilidade para Nicolas e esperando que ele tomasse as providências necessárias para que nada daquilo se repetisse novamente.

Tinha medo que aquilo pudesse abalar o relacionamento fraternal deles, ainda mais depois que Nicolas se casasse. Meu estômago se revirou novamente com aquele pensamento. Se eu soubesse de tudo o que sabia hoje, desde o início da missão, talvez eu estivesse mais pronta. Ou talvez nem a tivesse aceitado. Passei as mãos por meus cabelos loiros, enquanto lembrava o dia anterior.

O dia em que tudo havia aprendido durante esses longos anos celestiais, havia se dissipado.

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“Será que Daniel irá demorar?”, perguntei pela terceira vez.

Aliel estava sentada no sofá, as mãos cruzadas em cima das coxas cobertas pelas longas saias brancas. Eu estava andando de um lado para o outro, impaciente, enquanto aquele sentimento estranho tomava conta do meu peito lentamente. Sabia que, independente do que Daniel dissesse tudo mudaria. Me sentei na poltrona em frente á Aliel e peguei sua mão.

“Você ainda pode aliviar a sua alma e me contar o que está te incomodando.”, ofereci. Aliel abriu a boca, mas a interrompi. “Sei que não é apenas o medo sobre o céu estar literalmente desmoronando diante de nossos olhos e que não podemos fazer nada. Tem mais alguma coisa.”

Aliel desviou o olhar e suspirou. Me peguei pensando em como ela era frágil comparado com outro anjos que havia conhecido. E, ao mesmo tempo, muitos deles não tinham a metade de sua determinação. Quem iria arriscar tudo por um humano e esperar que o céu não fizesse nada para impedir? Ela vivia como se fosse o último ao lado de Jeremy. Sua mão apertando o colar era uma prova bastante eficiente disso.

“Eu prometi, Caliel.”, ela sussurrou. Então suspirou. Eu sabia que uma promessa angelical era mais sagrada para os anjos dos que os humanos. Porque não conseguíamos realmente quebrá-la. “Mas, tem uma coisa que eu descobri depois que conversei com Daniel e que não prometi contar.”, ela continuou. “Só não sei qual vai ser a sua reação.”

Comecei a me preocupar com o avanço daquela conversa. Aliel sempre foi um anjo direto, que dizia o que a incomodava. Claro que isso havia sido modificado depois que conheceu o humano, mas não o suficiente para que ela deixasse de fazê-lo. Então, aquela atitude tinha me surpreendido.

“Aliel, apenas diga.”

Ela assentiu devagar e olhou para cima, parecendo procurar as palavras certas. Oh, Criador. Encarei a janela, querendo que Daniel aparecesse. Por um segundo, não queria que Aliel dissesse o que quer que fosse. Mas, eu tinha que saber. Algo dentro de mim dizia que eu tinha que saber. Mesmo que não fosse gostar.

“Nicolas é um Quase Anjos.”

Não sei ao certo que parte de mim demonstrou o meu choque primeiro. Meus olhos azuis se arregalaram, enquanto minha boca pendia aberta – com inúmeras palavras confusas que eu não conseguia pronunciar – e minhas mãos tremiam. Meu cérebro tentava colocar tudo em ordem, procurando por evidências que Aliel estava correta naquela afirmação.

Eu havia conhecido três Quase-Anjos em toda a minha existência. E ainda me lembrava muito bem de como eles conseguiam atrair os anjos, como se fossem imãs. Fechei os olhos, me lembrando de Avery Town, a primeira Quase-Anjo que conheci, quando ainda era um anjo de asas cinzentas.

A conheci em uma escola para meninas, em 1820 na França. Ela era irmã da minha missão, Amanda Town. Tinha que juntá-la com seu vizinho á 10 anos. Foi incrível como Avery e eu nos conectamos e viramos grandes amigas. Sem que percebesse, ela acabou me ajudando á completar minha missão com mais rapidez do que eu havia planejado.

O segundo Quase-Anjo, conheci em 1895, na Colômbia, durante a guerra. Dorian Castello foi um grande soldado e eu trabalhava como enfermeira. Tinha que juntar seu colega de tropa com outra enfermeira. Dorian foi um ótimo soldado. E fiquei muito triste com o seu falecimento em um dos confrontos. Novamente, foi como se tivéssemos conectados. E eu senti a sua dor com mais intensidade do que qualquer anjo deveria.

Abby Carter foi a terceira e última Quase-Anjo que conheci. Eu já era uma anja da guarda e já estava sofrendo da dor de ter perdido Dareel. Faziam apenas 20 anos desde a última que a tinha visto. Tinha sido Guardiã da mãe de Abby, Allison, e estive presente em seu nascimento.

Sabia que seria uma pessoa especial. Mas só tive a real certeza quando a vi crescendo e me tornei sua confidente. Parecíamos ler os pensamentos uma da outra e eu sempre sabia quando ela estava com problemas. Senti sua dor quando Allison faleceu. E fiquei temorosa em ir embora, mas minha missão já havia sido cumprida.

Então, eu sabia o que sentir em relação á um Quase-Anjo. Mas estava surpreendida pelo fato de Nicolas ser um Quase-Anjo. Eu estava sendo impulsiva ao atribuir todas aquelas sensações á um sentimento que estava proibida de sentir. Abri os meus olhos, vendo que Aliel estava esperando uma resposta minha. Só que eu realmente não sabia o que dizer. Porque, no fundo, tinha algo me dizendo que tudo o que eu sentia não era só por causa daquela característica especial de Nicolas.

Havia algo mais e logo eu iria descobrir.

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“Erin já foi.”

Pisquei algumas vezes, desviando meus pensamentos da noite passada e encarando o rosto determinado e desafiador de Mellany. Ela puxou uma cadeira e se sentou á minha frente. Cruzei as pernas e entrelacei as minhas mãos, pousando-as na mesa. Tentei manter a minha expressão neutra, ao mesmo tempo em que meu coração se acelerava e minha boca ficava seca. Tive que pigarrear duas vezes antes de respondê-la.

“E por que você está me contando isso, Senhorita Brown?”, perguntei, usando meu tom de voz mais suave e desentendido. Mas, no fundo eu realmente não entendia o motivo dela dizer aquilo.

Mellany revirou os olhos azuis. Senti todos os meus pelos se arrepiando por conta da semelhança quase que absurda com Nicolas. Seus cabelos escuros estavam presos em um rabo de cavalo, deixando as mexas azuis em destaque. Estreitei os olhos, percebendo que os seus estavam mais aparentes. Ela não havia passado maquiagem hoje. Não quis comentar nada. Mellany se inclinou na minha direção, abaixando a voz para um sussurro.

“Eu falei sério ontem, Caliel.”, ela estava séria. Pressionei os lábios juntos, segurando o impulso de corrigi-la para que me chamasse de Senhorita Crista, mas permaneci em silêncio. “Prefiro que você fique com Nick, do que aquela vadia sem escrúpulos da Erin.”

“Veja seu palavreado, Senhorita Brown.”, a repreendi. Ela revirou os olhos novamente enquanto bufava. “E eu e seu irmão somos apenas colegas de trabalho. E você deveria respeitar mais a noiva dele. Afinal, vocês serão uma família em breve.”

Mesmo que aquelas palavras estivessem saindo da minha boca, era como se todos os meus membros estivessem pegando fogo enquanto pronunciava cada uma delas. Mellany estreitou os olhos e ficou me encarando, como se me estudasse para ver se eu estava falando a verdade. A ausência da coceira em meu couro cabeludo era um indício que eu não mentira.

“Não adianta vir com esse papo de Autoajuda.”, Mellany continuou como se eu não tivesse dito nada. “Eu vejo o jeito que vocês se olham, Caliel. Parece que vão arrancar as roupas ali mesmo e se atacarem. Na verdade, eu tenho pena que isso um dia aconteça.”, ela assentiu com um meio sorriso. Meu rosto corou. “Você tem namorado?”

“Não”

Ela jogou as mãos para o alto, atraindo a atenção de alguns alunos. Dei um pequeno sorriso na direção deles e eles retribuíram antes de voltar ao que estavam fazendo. Mellany esperou que eu voltasse á prestar atenção nela para retornar ao assunto. Meu desconforto era bastante visível, mas ela continuava á me cutucar.

Pensei que aquilo poderia ser um tipo de vingança por tê-la feito passar vergonha na frente de seus amigos. Mas quando encarei seus olhos azuis novamente, vi que ela estava sendo sincera. Não havia real maldade além do normal nos humanos. Ela, de fato, queria que eu ficasse com seu irmão.

“Então não tem problema você investir em Nick.”, ela continuou. Abri a boca para lembrá-la do fato mais importante daquela conversa, mas ela me interrompeu. “Esqueça que ele tem noiva. Isso é só um detalhe sem importância.”, ela gesticulou como se estivesse afastando alguma coisa. “Não vai me dizer que nunca roubou um homem de alguém?”, essa pergunta me fez ficar ainda mais corada. Mellany sorriu. “Então, eu tenho um ponto.”

Antes que eu pudesse dizer tudo o que estava na minha cabeça – e mais um pouco – o sinal tocou e minha pupila se levantou, passando as mãos pelas calças jeans escuras. Então, como se nunca tivesse dito nada, caminhou até Harper e saiu da sala. Meu olhar foi atraído até Aliel, que tinha o cenho franzido com a cena. Apenas dei de ombros.

Jeremy tinha um sorriso brincalhão e me olhava com diversão. Eu sabia exatamente o que se passava em sua mente. Nossa conversa da semana passada. Senti-me envergonhada por ter perdido o foco com Mellany. Ela havia tocado em um assunto que, no momento, era muito delicado para mim.

Esperei que todos saíssem da sala e voltei a me sentar. Olhei ao meu redor, para ter certeza que as únicas paredes que estava desmoronando, eram as do meu bom senso e da minha sanidade. Passei a mão por meus cabelos curtos e soltei o ar. Minhas memórias pareciam um ioiô com o vai e volta de lembranças. E a conversa com Daniel, estava dominando totalmente os meus pensamentos.

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“Então você achou o último Quase-Anjo de Nova Jersey?”, Daniel perguntou á Aliel, realmente impressionado.

Suas asas eram semelhante á asas de falcão, o que tornava á sua insegurança com a nossa conversa um pouco insensato. Consegui fazê-lo mudar de ideia sobre nos encontrarmos na lanchonete. Queria um lugar que ele pudesse se seguir confiante e seguro. Então estávamos na sala da humilde casa do Padre Joseph. Ele tinha sido muito gentil em nos dar privacidade, depois do seu breve momento de deslumbramento ao ver as asas de Daniel.

“Foi sem querer.”, Aliel disse, parecendo cansada. No fundo, eu sabia que ela queria estar longe dali, com Jeremy. “Ele é meu professor de história. Deveria ter te contado antes, mas você disse tantas coisas que...”, ela hesitou, balançando a cabeça. “Achei melhor não arriscar.”

Daniel fechou as asas atrás das costas e as recolheu, pondo a jaqueta. Eu permanecia em silêncio, esperando que ele dissesse tudo o que deveria. Senti-me cega. Mesmo que fosse quase um Arcanjo, estava desenformada sobre o que estava acontecendo ao meu redor. Estava sendo atraída por um Quase-Anjo.

Aliel pegou minha mão, tentando me passar confiança. Sorri, mas tinha certeza que ela poderia sentir que eu estava tremendo. Daniel se sentou, pousando as mãos os cotovelos nos joelhos e sua cabeça afundou em suas mãos. Era como se ele estivesse desesperado. E precisasse aliviar tudo o que estava escondendo á tanto tempo.

“Meu pupilo, Simon Burke é um Quase Anjo também.”, ele começou e levantou os olhos azuis para mim, respirando fundo. “Estou tentando protege-lo de todos os anjos que, consequentemente são atraídos até ele.”

Reconheci o sobrenome do pupilo de Daniel e olhei para Aliel.

“Burke?”, questionei.

Ela assentiu.

“Irmão de Sarah.”, ela confirmou. Então encarou Daniel e gesticulou para que ele continuasse. “Me desculpe pela interrupção.”

Ela sorriu.

“Tudo bem.”, me olhou. “Será bom deixar todos os pontos esclarecidos para que não ajam dúvidas mais tarde. O fato é que, minha missão não é apenas proteger Simon, como qualquer outro Guardião. Tenho que me certificar que ele não atraia nenhum Anjo Caído.”

“Anjos Caídos?”, perguntei, franzindo o cenho. Senti a mão de Aliel apertando a minha, deixando seu medo em evidência. “Pensei que eles tivessem extinguido desde que Miguel resolveu assumir a situação. Quero dizer, essa é a história que todos os anjos escutam, assim que começam a existir.”

Daniel balançou a cabeça antes que eu tivesse a chance de terminar a minha última frase. Era como se ele não tivesse acreditando que eu estava dizendo aquilo. No fundo, estava começando a me sentir como Aliel. Com medo. Por ver tudo o que sempre consistente e simples na minha existência, desmoronar bem diante dos meus olhos.

“Todos pensam que as coisas são assim.”, Daniel continuou, mesmo que meus olhos quase implorassem por seu silêncio. “Eu pensava assim antes de pegar essa missão. E é assim que o céu quer que continuemos pensando. Eles não querem que pensemos que estão perdendo as rédeas da situação. Mas a verdade é que estão. Porque temos mais baixas do que em toda a existência. Anjos se envolvendo com humanos e caindo.”

“Por isso que você cuida do Quase-Anjo?”, perguntei.

No fundo, fiquei um pouco incomodada com aquela definição de Anjo Caído. Porque, anos atrás, eu seria um deles. Percebi que desviar o assunto era o melhor no momento. Para que eu pudesse manter a sanidade. Olhei para Aliel e a vi encarando as mãos entrelaçadas na saia.

Ela estava no mesmo barco que eu estava há 450 anos. Sempre no limite, sempre cuidadosa. Sempre andando na corda bamba. Planejando cada movimento. Mas eu sabia que ela preferia isso, a ficar sem nada. E fiquei impressionada com o fato dela ter guardado todas aquelas verdade para si, durante todo o mês passado. Aquilo deveria pressioná-la. Ainda mais sem puder conversar com ninguém.

“Você sabe o que são os Quase-Anjos, Caliel?”

Franzi o cenho com a pergunta de Daniel. Mas seus olhos estavam sérios e duros como gelo. Então eu sabia que mais uma das minhas fés e ensinamentos seriam subjugados pela realidade. Mordi o lábio inferior, hesitando em responder.

“Humanos que nos atraem e conseguem nos identificar com mais facilidade.”, eu disse a definição mais comum. “Eles são raros. 1% da população mundial.”

Daniel assentia com as minhas palavras, como se já esperasse por elas.

“É mais do que isso, Caliel.”, ele suspirou e olhou para a anja ao meu lado. “Aliel, naquele dia na lanchonete, eu omiti algumas coisas, mas acho que esse é o momento certo para contar.”, respirou fundo. Senti todos os meus ossos congelando. “Os humanos são chamados de Quase-Anjos não só por nos atrair. Eles nos atraem por serem parecidos conosco. São tão imortais quanto nós. Sei que está confuso, mas vou tentar explicar.”, ele hesitou, parecendo procurar as palavras certas.

“Almas imortais?”, Aliel perguntou expressando a mesma dúvida que eu.

Uma ideia inusitada começou a surgir em minha mente, mas fui rápida em expulsá-la.

“Eles são cascas, assim como nós.”, Daniel continuou explicando. “Mas, diferente de nós, eles morrem. Apenas para renascer em outras cascas. Mas a mesma alma os acompanha. Conseguiram me compreender?”

Aliel franziu o cenho, ainda sem entender. E, por um segundo eu também fiquei assim. Mas quando a verdade me atingiu, foi como um tiro. Dei um pulo do sofá com todas as peças do quebra cabeça sendo montadas bem á minha frente. Aquilo não poderia ser possível. Só que quando meu olhar caiu em Daniel, percebi que era.

“Quase-Anjos são reencarnações.”

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Alguém bateu na porta, me despertando dos pensamentos. Só tive tempo de me levantar antes que Nicolas abrisse a porta. Tudo dentro de mim se agitou e me segurei para não desmaiar. Porque mesmo que não fosse humana, tinha a impressão que depois de ontem, seria capaz de fazê-lo. Meu coração se acelerou quando ele sorriu.

Era óbvio que ele havia reconhecido a reencarnação de Dareel.

Notas finais
Então o que acharam? Caramba, o que nossa anjinha vai fazer? O que vocês fariam? Comentem.