Light In The Darkness
3 O Idiota Da Contramão
Notas iniciais
Durante o trajeto, observo as pessoas pelas ruas de Forx. Todas parecem felizes; crianças brincando, pessoas passeando com seus animais de estimação… Pessoas agindo como se viver fosse a melhor coisa do mundo. Idiotas. No canto do parque rodeado por árvores e com um belo lago à sua frente, há um mendigo alimentando os patos com um sorriso maior que ele no rosto. Ótimo, até um mendigo é mais feliz que eu. Como ele é capaz de dar seu único alimento para os animais? Acho que finalmente a felicidade não tem nada a ver com o dinheiro. Queria que minha mãe visse essa cena.
Continuo meu caminho e, observando a cidade, devo admitir; ela é bem bonita. Um lugar bem diferente de Nova Jersey, mas mesmo assim… Ótimo. Por que diabos essa maldita cidade tinha que aparecer na minha mente logo agora? Eu acho que é porque sinto saudades. E porque tenho tendência autodestrutiva.
Tenho meus pensamentos abruptamente interrompidos por um Lhm Phoenix preto vindo em minha direção. Espera. EM MINHA DIREÇÃO?! FRUTA.QUE.PARTIU
Freio com todas as minhas (poucas) forças e consigo parar o carro ao mesmo tempo que o maldito carro da Era dos Dinossauros.
Tombo minha cabeça no volante e solto um suspiro de alívio. Quando escuto uma voz masculina berrando na porta do meu carro.
—Não sabe dirigir não cacete?!- diz a voz rouca -
O quê? Quem ele pensa que é? Era ele que estava na contramão! Olho pra cima pra responder o tapado a altura mas paro quando o vejo.
Fruta.Que.Partiu/2
Ele é lindo. Ok. Lindo é ofensa pra ele. Ele é alto. Mas não um poste, alto na medida certa. Seus cabelos são pretos e arrepiados em um topete desgrenhado; seus olhos são cor de mel; sua pele é tão clara quanto a minha; ele tem uma barba rala, quase imperceptível. Suas roupas são todas pretas e justas. Ao que me parece, ele tem um estilo meio… Punk? (Só que sem o cabelo escroto. / Na: Sem ofensas. ).
Ok, “babaca”, “idiota”, “folgado”. Se concentra Mônica.
Por sorte (ou não) , sua beleza exagerada só serviu pra aumentar minha raiva.
—Escuta aqui seu escroto!- gritei me levantando no carro- Eu não tenho culpa se você é um retardado mental que anda na contramão! Qual é a droga do seu problema? Você acha que só existe você nessa droga de cidade?!-
Quando ele ia abrir a boca pra retrucar, uma buzina nos avisa que o trânsito está parado por nossa causa. Legal, já sou odiada nessa cidade.
—Ela é louca! Quase bati meu carro por imprudência dela!- o idiota grita para as pessoas a nossa volta- Essas crianças deviam ser proibidas de colocar as mãos em um volante…- diz ele balançando a cabeça negativamente em um falso tom de desaprovação— Tome mais cuidado da próxima vez.- ele diz e dá uma piscadela antes de voltar pro seu veículo imundo-
—Otário, escroto, nojento, idiota, retardado, desgraçado- digo alto o suficiente pra ele ouvir. Que solta uma gargalhada irritante e entra no seu carro dando a partida.
Entro no meu carro ainda indignada com a cara-de-pau do sujeito que não sabe dirigir.
Sigo meu caminho amaldiçoando o débil da avenida.
—Quem ele pensa que é? Idiota…- susurro pra mim mesma. Empolgante, agora estou falando sozinha.
Quando dou por mim já estou na porta da escola.
Estaciono em uma vaga qualquer e desço do carro ajeitando meus cabelos.Olho pelo retrovisor e vejo um carro familiar estacionado logo atrás do meu . Ignoro esse fato e quando começo a andar, vejo alguém vindo na minha direção.
Espera. NA MINHA DIREÇÃO?! Oh, droga! Mil vezes droga!
Fale com o autor