Light & Darkness - HIATUS

9 Cerveja Amanteigada Para Duas


Notas iniciais
Oooi! Finalmente eu estou aqui com o capítulo 9. Eu estava muito querendo escrevê-lo, mas infelizmente está ficando complicado postar regularmente com a escola. Então, espero vê-los logo. Pequena curiosidade: o nome desse capítulo ia ser o título da fanfic, mas decidi mudar pq realmente não tinha nada a ver com a história hahaha Beijos e boa leitura :*

Eu e Brittany estávamos caminhando por Hogsmeade, observando as vitrines das lojas, que apresentavam todo o tipo de coisa. A mais lotada era a Zonko’s — Logos e Brincadeiras. Vendem um monte de tralha que serve para “travessuras” tipo xícaras que mordem o nariz, bomba de bosta, pó de arroto e etc. Eu nunca gostei dessas coisas, principalmente quando no terceiro ano Sebastian resolveu fazer uma pegadinha comigo com um chumbinho fedorento. Fiquei com tanta raiva que nunca mais me aproximei dessa loja.

Brittany percebeu o jeito que eu olhava, e perguntou:

— O que foi? Alguma coisa contra a Zonko’s? — ela riu da minha reação.

— Odeio. Não entendo por que alguém iria querer gastar seu dinheiro com coisas inúteis como essas… E já usaram uma objeto dessa loja para fazer uma brincadeira comigo. Foi péssimo.

— O que fizeram?

— Jogaram um chumbinho fedorento em mim. Tive que passar horas no banho pra tirar o cheiro terrível. Então, toda a vez que olho pra essa loja, tenho náuseas.

— Tudo bem. Acho melhor irmos para um lugar melhor. Bem longe daqui. — ela segurou em meus ombros e me guiou até a Dedos de Mel. Eu sempre gostei de vir aqui. Desde que eu era pequena, meus pais não compravam muitos doces para mim quando eu estou em casa nas férias, então eu aproveitava que não tinha eles para me proibirem e comprava vários. Agora que já sei meus preferidos, me tornei mais seletiva com quais eu compro. Feijõezinhos de Todos os Sabores? Eca. Os melhores mesmo são as varinhas de alcaçuz. Meus preferidos.

Enquanto eu olhava para as prateleiras, Brittany chegou do meu lado com um punhado de doces.

— Aqui, peguei algumas varinhas de alcaçuz pra você. — disse ela, gentilmente.

— Você lembrou. Obrigada. — como sempre, ela me surpreendeu com as suas atitudes. Mudar as minhas também não seria nada ruim. — Qual é o seu doce preferido?

— Não quero que você ria de mim, mas amo os ratinhos de sorvete. — ela me mostrou melhor os doces que estavam carregando. — E penas de algodão doce também.

— Quem sou eu para julgá-la? — nós duas rimos.

Ela se ofereceu para pagar os meus doces também, mas eu recusei. Senti o dever de pagar a minha parte.

Então nós voltamos a andar pelo vilarejo enquanto comíamos.

— Esse lugar é lindo. — comentei. E era mesmo. Adorava ver o movimento dos bruxos, as luzes dos lampiões na calçada quando anoitecia, e até o cheiro de comida do Três Vassouras. Eu me sentia bem ali, como em Hogwarts, mas sem o caos dos estudos. Nunca sentiria isso na minha casa, com todos os problemas familiares.

— Poucas pessoas enxergam isso. Mas, realmente é. Às vezes eu penso que seria legal viver aqui. Quando sairmos de Hogwarts.

— O que você quer fazer quando terminarmos a escola? — pergunto. Eu mesma nunca havia pensado muito nisso. Talvez eu seja obrigada a trabalhar como uma Comensal infiltrada no Ministério e dar informações pro Lorde das Trevas ou sei lá. Não é o que eu quero fazer, mas provavelmente o que eu terei que fazer.

— Eu gosto de dançar. — olhei para ela, um pouco intrigada. — Eu sei, isso é coisa de trouxas. Mas, talvez eu arranje um trabalho na St.Mungus, sabe, aquele hospital de bruxos. Gosto de cuidar de pessoas.

— Acho que você seria ótima nesse cargo. Digo, trabalhando no hospital. Mas, um dia eu vou querer vê-la dançando.

— Com certeza, um dia. Eu sou ótima, modéstia parte. Até dou algumas aulas de dança quando estou de férias. — contou. — E você, do que gosta de fazer?

Eu parei para pensar um pouco. Não era uma pessoa de muitos hobbies.

— Bom… Eu gosto de cantar. Desde criança, eu escutava escondida as músicas da Celestina Warbeck no rádio e cantava junto. Mas não tenho muitas oportunidades para fazer isso. Não acho que eu poderia usar como carreira, meus pais me matariam. Provavelmente vou ter que seguir qualquer coisa que eles me mandarem fazer. — decidi poupá-la da parte dos Comensais da Morte, isso provavelmente iria assustá-la.

— Nossa… deve ser difícil para você. Seus pais são muito duros?

Um silêncio desconfortável se alastrou por nós.

— Você não tem ideia.

— Sinto muito. — foi o que ela disse.

— Não, tudo bem. Acho que a vida é assim, não é? Ela ferra com você muitas vezes. Com o tempo eu parei de me importar.

— A vida não precisa ser assim. — ela colocou a mão em meus ombros, em forma de consolo. — Ela pode ser feliz. Você só precisa deixá-la assim. Tirar toda essa mágoa e rancor.

— É mais difícil do que você pensa. — segurei uma lágrima. Essa conversa acabou ficando bem mais triste do que eu gostaria que ficasse. Mas me senti bem com Brittany me consolando.

— Se você tentasse abrir os olhos para as oportunidades um pouquinho mais…

— Tudo bem, acho melhor mudarmos de assunto. Essa conversa está ficando bem deprimente. — interrompi ela. Se ela continuasse mais um pouco, eu seria capaz de desabar na frente de todo mundo. Não queria isso.

— Claro. Mas, sabe, um dia eu adoraria ouvir você cantar também. — ela sorriu. Um sorriso simples e verdadeiro. E foi nesse breve momento que eu deixei todos os pensamentos ruins de lado.

— Eu adoraria.

Andamos mais um pouco quando eu tive uma ideia brilhante.

— Está com sede? Podíamos beber uma cerveja amanteigada no Três Vassouras. Está um pouco frio aqui fora.

— Ótima ideia! Adoro cerveja amanteigada.

No caminho, vi Finn e Rachel rindo e tomando sorvete. Senti um pouco de inveja, meu encontro não estava indo tão bem assim. Eu precisava fazer alguma coisa.

— Eu gostaria de te pedir desculpas também. Te julguei muito fácil. Sei que você não fez por querer. — disse Brittany, de repente.

— Eu… ah… desculpas aceitas. — demorei um pouco para perceber sobre o que ela estava falando.

— Então… Você é uma amante de varinhas de alcaçuz e de cantar? E acha lugares como Hogsmeade bonitos? Estou aprendendo muitas coisas.

Não evitei, e comecei a rir. Poucas pessoas conheciam esse meu lado.

— Pois é, não sou muito de falar essas coisas para as pessoas logo de cara. — admiti.

— Por que não? Sinceramente, minha primeira impressão de você era que você era meio… durona. Mas também uma pessoa bem legal, quando começamos a falar sobre quadribol.

— Bom, minha primeira impressão de você também foi boa. Mas, não sei, acho que estou acostumada em só mostrar o meu lado durona. Assim eu não me machuco fácil. — dei de ombros.

— Se machucar fácil?

— É… Percebi que você tem um gato. Ele é muito fofo, qual o nome dele? — mudei de assunto rapidamente. Odiava falar sobre minha vida.

— Você acha mesmo que eu não percebi que você mudou de assunto? — ela cruzou os braços, mas ainda tinha um ar divertido. — Tudo bem, você não quer conversar.

— Não é isso, só acho que estamos falando muito sobre mim e pouco sobre você. — essa foi uma desculpa boa. Mas, também era verdade. Queria conhecê-la melhor.

— É Lord Tubbington. O nome do meu gato. — explicou.

— Nome interessante.

— Eu tenho ele desde criança. Acho que queria que o nome ficasse chique que nem o dos lordes britânicos.

Chegamos ao Três Vassouras, e nos sentamos nas mesas do fundo. Vi que Kurt e Blaine também estavam lá e conversavam alegremente.

Uma garçonete chegou e perguntou o que queríamos.

— Duas cervejas amanteigadas, por favor.