Light
1 Terror
Notas iniciais
Light
Respirei fundo e passei a mão nos cabelos mais uma vez naquela noite. Tudo estava pronto para a seção de filme hoje. Os baldes de pipoca em cima da mesinha de centro, duas garrafas de refrigerante, dois copos e balas. Muitas balas.
Olhei para o pacote de balas de goma e ri soprado. Era bala demais. Açúcar demais. Lembranças demais. Sentei-me no sofá e puxei ar levemente. Só de pensar que daqui a alguns minutos eu estaria na companhia do pequeno eu já me arrepiava por completo. Dobrei os joelhos e levei a mão à nuca. Ele iria chegar às 20h e já era 19h33min. Eu estava nervoso demais para uma seçãozinha de filmes com Takanori.
Matsumoto Takanori. Ele iria chegar às 20h. Com aquele sorriso suave nos lábios rosados e cheios. A franja repicada ia tapar parte dos olhos azuis-lente que eu tanto gostava e eu poderia me atrever a tirar os fios de lá. Poder tocá-lo e sentir a pele quentinha debaixo dos dedos e ser presenteado com a face corada dele. Sorri para mim mesmo ao pensar em como cheguei à conclusão de que o amava tanto que já até gravara seu modo de agir em determinadas situações. Ri soprado novamente.
Eu estava nervoso. Não conseguia pensar nem agir direito. Isso sozinho. Imagina quando o pequeno chegasse. Eu ia ficar paralisado. Eu nunca sei o que fazer quando estou perto dele. Ele me faz pensar coisas absurdas quando não está perto e eu nunca consigo parar de olhá-lo quando estou com ele. Chutei a mesa levemente e puxei ar, tentando me acalmar.
Eu não tinha porque ficar nervoso ou naquele estado que eu estava. Eu devia agradecer. Depois de tempos tentando sair com o baixinho, sem mostrar meus sentimentos, claro, eu havia conseguido convidá-lo para ver filmes em minha casa. Eu não podia querer nada mais. Quer dizer, eu quero algo a mais, mas isso para mim já está de bom tamanho.
Levantei-me, mas voltei a sentar. Eu tinha, basicamente, meia hora para conseguir me acalmar, colocar os pensamentos em ordem e ensaiar não entrar em pânico quando ele chegasse. Corrigindo: eu tinha meia hora para entrar em pânico e surtar à vontade enquanto o baixinho não chegava. Coloquei as mãos no rosto e puxei ar, escutando leves batidas em minha janela. Virei o rosto, vendo que começava a chover. Fechei os olhos e me levantei, indo até a janela, fechar as cortinas.
Assim que toquei no pano áspero escutei como a chuva engrossara rapidamente. Assustei-me, afastando a cortina e vendo como ventava e chovia lá fora. Acendi outra das luzes da sala, sendo que só uma estava acesa até agora. Ia me afundar em pânico no sofá novamente quando minha campainha tocou. Olhei no relógio. Não eram 20h ainda. Parei um pouco tentando lembrar se havia pedido algo para ser entregue aqui em casa.
Bom. Eu não havia pedido pizza nem mais doces e nem mais nada. Escutei a campainha tocar novamente, começando a ser insistente agora. O sonzinho chato me enchendo o saco. Suspirei indo até a porta – Já vai! Calma! – gritei. Calma? O mundo tava quase caindo lá fora e eu ainda falava para pessoa esperar. Você é uma boa pessoa, Akira.
Olhei pelo olho mágico e não vi ninguém. Somente a chuva caindo lá fora, quase arrancando as minhas árvores do jardim. Eu plantei com tanto carinho. Escutei a campainha tocar novamente, mas eu não via ninguém. Resolvi abrir. Vai que era um fantasma, alguma coisa meio macabra assim e me ajudava a ficar mais em pânico do quê eu já estava.
Assim que abri a porta eu quis muito, mas muito mesmo, me bater. Lá fora, parado na minha frente, se abraçando contra o frio, tremendo e batendo os dentes, com a roupa toda encharcada, estava o chibi. Os olhinhos prateado-lentes me olhando e a maquiagem, que antes devia deixar seu rosto completamente fofo, estava toda borrada. Riscos pretos finos caíam por sua bochecha e os lábios tremiam, dando para ver os dentinhos branquinhos batendo uns contra os outros. As pequenas mãozinhas, com suas unhas pintadas de preto apertavam os braços tentando passar calor para o corpo vestido com a roupa encharcada.
E eu quis me bater mais ainda por ter ficado pelo menos uns 5 minutos só o olhando. Observando todo seu ser ali na minha frente. Em um estalo eu pisquei os olhos e coloquei as mãos na frente do corpo, como se o agarrasse – R-ruki, o que aconteceu? – o olhei, enrugando o cenho.
Não esperei que respondesse, somente o puxei para dentro, sem me importar de que ele estava molhando todo o meu chão e meu tapete. Agachei-me, tirando seus tênis e meias ensopadas. Levantei-me o olhando e vendo seus lábios se esticarem em um sorriso, começando a rir suavemente.
- T-tá tudo bem. – começou a passear as mãozinhas pelos braços ainda vestidos – Eu só tomei chuva. – tremeu e o vi rir novamente. Não pude deixar de sorrir. Ele era um doce.
- Mas como tomou chuva? Eu sei que tem um guarda-chuva. – coloquei as mãos na cintura. Me perguntava porque ainda não havia feito ele ir para o banheiro e tomar um banho quente.
- É. Eu tenho, mas só que acontece que eu ‘tava na casa do Uru. – riu suave – E eu ‘tava vindo para cá a pé, já que ficava longe e ele não podia me trazer. No meio do caminho eu peguei chuva. – riu e espirrou levemente, fungando em seguida.
- Ah, chibi. – suspirei e o peguei no colo, começando a sentir meu coração bater forte contra o peito – Você vai tomar um banho quente agora e depois vestir uma roupa minha. Meu Deus. Vê se da próxima vez saí pelo menos com uma blusa grossa com capuz. – suspirei e ele somente riu suave, se abraçando mais e me fazendo suspirar leve novamente.
O coloquei no chão do banheiro e sorri para ele suavemente – Tem toalha aqui no armário de baixo e pode colocar as roupas dentro daquele baldão ali. – sorri suave e apontei para o balde de roupa suja – Eu vou lá separar uma roupa para você e venho aqui te entregar, ok? – o vi assentir e eu saí do banheiro, fechando a porta atrás de mim e suspirando novamente, colocando a mão em cima do peito. Eu ia ter sérios problemas cardíacos.
Fui para o quarto e abri o guarda-roupa, procurando uma roupa quente para o pequeno. Nada como um conjunto de moletom dos antigos, né Akira? Ri sozinho e procurei uma roupa íntima nova que eu sabia que minha mãe havia me mandado ano passado. Ela acha que eu não tenho dinheiro suficiente para uma roupa de baixo? Encontrei-a no fundo da gaveta, dentro do plástico. Se olhasse bem dava para ver que era pequena. Acho que minha mãe pensa que ainda sou uma criança pequena. Ri soprado e peguei um par de meias grossas também.
Voltei para a porta do banheiro e bati levemente nesta – Entra. – a vozinha abafada e o som do chuveiro vinham lá de dentro.
Abri a porta levemente, controlando os impulsos de olhar para o pequeno corpo que estava do outro lado das portas do box e puxei o ar abafado do local para os pulmões.
- As roupas tão aqui em cima da pia, ok? – coloquei-as lá e escutei um leve ok vindo dele. Fechei a porta do banheiro e me encaminhei para a sala, sentando-me no sofá e esperando ele sair.
Devo ter ficado uns dez a quinze minutos só vendo o que passava na televisão. Eu mudava de canal e de posição sobre o sofá. Colocava os pés para cá e para lá. Olhava para trás às vezes para ver se o pequeno estava vindo e nada.
Cocei os olhos levemente e bocejei. Ia coçar os olhos quando mãozinhas pequenas me taparam a vista e a voz doce dele estava próxima ao meu ouvido, me fazendo arrepiar levemente.
- Adivinha quem é. – riu suave e apertou os dedos gordinhos em meus olhos.
- A criança que bateu na porta da minha casa pedindo doce semana passada? – ri e suas mãos saíram de cima de meus olhos. Virei-me para trás.
- Ah, Akira. Aquilo foi no dia das bruxas. – colocou as mãos na cintura e me olhou, quase fazendo bico.
- Uma semana depois do dia das bruxas, Taka. – ri e o vi corar levemente, desviando o olhar e dando a volta no sofá, se jogando do meu lado. Virei-me para seu lado, para poder irritá-lo um pouquinho mais quando parei para observá-lo.
A gola da blusa parecia querer tapar-lhe a boca, já que roçava em seu queixo e hora ou outra ele a puxava levemente para baixo. As mangas deviam passar das mãozinhas, já que se encontravam emboladas em seus pulsos e a calça passava de seus pés quando sentava. Deve ter vindo tropeçando durante todo o caminho até a sala.
Sorri suave e afaguei seus cabelos – Então... – pegou um dos baldes de pipoca – Que filme veremos primeiro ? – olhou levemente para mim e comeu uma porção generosa de pipoca.
- Que alugou ? – olhou para a mesinha novamente, procurando as capas dos filmes e eu me levantei, pegando-os em cima da televisão. Voltei para seu lado e o mostrei os filmes.
- Apartment¹, Dark Water e Naked BLood. – falei os títulos com o meu inglês mais fail que eu tenho e o vi observar as capas dos filmes quase tremendo. Peguei os filmes novamente e os senti bater uns contra os outros levemente. O baixinho estava tremendo de medo. Eu sabia que havia pegado pesado alugando aqueles filmes, mas a consciência de machão falou mais alto e acho que acabei esquecendo que eu ia assistir filmes com uma quase criança de 17 anos de idade. Parabéns, Akira.
- N-não. Tá tudo... Bem. – suspirei e o vi coçar o queixo – A gente pode ver qualquer um deles. Pode escolher. – abraçou-se e pude jurar que não era de frio. Escutei um barulho meio agudo e fui até a janela, afastando a cortina. A chuva castigava o mundo lá fora.
- A gente pode ver Apartment então? – me virei para ele e depois andei até o DVD, abrindo a capa e colocando o CD ali. Escutei um leve pigarreio e me virei, o vendo chupar o nariz e a pele das bochechas se avermelharem.
- Bode ser. – ri suave, terminando de arrumar o filme no DVD e indo até ele. Coloquei a mão em sua testa e sorri suave.
- Chibi, você não devia ter pegado chuva. Ficou gripado. – baguncei seus cabelos e sorri – Eu vou lá dentro pegar uma coberta para você. Sorte que não ficou com febre. – ri soprado e me caminhei para o quarto. Pelo jeito que o menor estava ele devia estar com medo. Uruha já me dissera como o menor fica quando com medo. E não é nada legal.
Corri para poder um cobertor para ele e acabei me atrapalhando com as cobertas que caíram em cima de mim, já que a que eu queria estava por baixo de todas elas. Arrumei tudo novamente e peguei uma coisa que eu não queria que ninguém visse nem em alucinações causadas por LSD.
Voltei até a sala e encontrei-o encolhido no canto do sofá e suspirei – Taka. – falei baixo e passei o cobertor por seus ombros, sentando-me ao seu lado novamente. Passei os dedos pelos cabelos e suspirei – Hey, pequeno. – o olhei de canto, mas logo me virei – Pode abraçar isso se quiser. – tentei sorrir gentil, mas somente consegui sorrir algo como compaixão.
Estendi-lhe uma das pouquíssimas pelúcias que havia sobrado comigo depois que saí da casa de meus pais. Um pandinha meio surrado e com o olhinho quase saltando. Entreguei-lhe o bichinho e suas mãos tocaram as minhas, tremendo e logo ele tomava o bicho entre os braços, o apertando forte e encolhendo-se mais. Como uma criança pequena e frágil. Frágil demais.
Mesmo sabendo que eu ia, praticamente, traumatizar o menor eu dei play no filme. E só de ver as frases de início eu tive certeza que seria uma noite tempestuosa.
~*~
Assim que os filmes haviam acabado eu podia jurar que não era mais Takanori do meu lado e sim um zumbi prestes a espumar pela boca e meter a testa contra a parede tantas vezes que iria fazer um buraco.
Os olhos estavam concentrados em um ponto à sua frente que ele não piscava. Parecia que iria fazer buracos, com os dedos, em meu panda de tanto apertá-lo. A coberta havia caído durante o segundo filme e eu podia ver como ele se encolhia no sofá e os dedos dos pés se apertavam, procurando apoio.
Eu nunca o escutei gritar tanto.
E nunca quis me bater tanto a ponto de fazer meus miolos saltarem para fora ou morrer. O que viesse primeiro estaria ótimo.
Passei a mão nos cabelos e puxei ar. O filme havia acabado e agora as letras subiam na tela negra. Estapeei meu rosto levemente e me virei para o menor – Taka... – encostei em seu ombro com os dedos e sua cabeça virou, quase que em câmera lenta, para mim – D-daijobou?
Ele não se moveu ou fez qualquer outra coisa. Simplesmente virou o rosto para frente novamente e abraçou o panda como se agarrasse o próprio corpo. Como se ali estivesse toda a coragem suficiente para não ficar com medo. E eu não pude deixar de sentir um quentinho se espalhar por meu peito. Afinal, o panda era meu. E só de pensar que ele buscava coragem em um objeto meu me dava esperança de algo que eu não sabia bem o que era.
Olhei no relógio da parede e vi que já passava de pouco mais da meia-noite. Ele teria que dormir aqui em casa. Eu nunca deixaria que ele fosse embora naquele estado. Ele poderia ter um colapso achando que algo estava atrás dele ou que aconteceria alguma coisa quando chegasse em casa. Eu estava com medo por ele.
- Chibi. – segurei seu ombro e ele tremeu mais. Seus lábios se crisparam e escutamos um estrondo forte. De repente todas as luzes se apagaram e ficamos no mais completo escuro.
- Ah, ótimo. A luz acabou. – me apoiei em seu ombro e me levantei – Fica aqui. Eu vou buscar velas lá na cozinha, ok? – eu não enxergava nem um palmo à frente do meu nariz. Nada mesmo. Suspirei e soltei seu ombro, mas logo minha mão fora agarrada e meu braço puxado para baixo. Olhei para o pequeno e enruguei levemente o cenho.
- F-fica... fica a-aqui... – a voz meio chorosa, trêmula – O-on-onegai. – suspirei e sentei-me ao seu lado. Sentia seu medo quase palpável quando o abracei pelos ombros e o senti se encolher contra meu corpo e seus braços se apertarem. Ele devia estar sufocando minha pelúcia. Sorri suave e acariciei seus fios.
- Vem comigo então. – sussurrei – A gente não pode ficar no escuro. – ri suave e me levantei. Ele tremia e se encolhia contra o próprio corpo. Parecia procurar apoio e tentar manter-se firme sem demonstrar quanto medo sentia. Sorri e passei os braços por debaixo de suas pernas e por suas costas, segurando-o no colo e deitei o queixo em sua testa – Vai ficar tudo bem. Eu te protejo. – beijei esta e sorri indo até a cozinha. Meu coração quase explodindo dentro do peito. Como eu tinha coragem de fazer essas coisas? Eu quase não conseguia respirar.
Chegamos à cozinha e eu, com alguma dificuldade, peguei a vela dentro da gaveta e suspirei. Seria difícil acender aquilo com o pequeno no colo – Taka fica aqui rapidinho, ok? – soltei-o levemente e o deixei ali perto da pia para que pudesse acender a vela. Feito isso, cheguei perto dele e passei o braço por seu ombro – Vem.
Ele se encolhia por completo e achava que ele acabaria caindo em posição fetal de tanto que tremia e se encolhia, tentando se abraçar e buscar apoio.
Assim que chegamos ao andar de cima, ele se agarrou ao meu braço e apertou o panda como pôde. Estava gelado no corredor e a vela quase se apagara. Parei um momento e suspirei – Consegue dormir sozinho? – Claro que ele não consegue Akira! O rapaz ‘tá quase chupando o dedo de tanto medo, sufocando seu panda e arrancando seu braço para buscar apoio e você ainda pergunta se ele consegue dormir sozinho? Faça-me o favor!!
Nem esperei sua resposta e quis queimar meu rosto com a vela – Vem. Vamos pro meu quarto. – suspirei e o levei até lá.
Eu havia deixado a janela aberta e lá fora estava completamente escuro. Tive sorte que a chuva não molhara meu chão e minha cama. Andamos até esta e pedi que o menor esperasse sentado ali. Coloquei a vela no cinzeiro que fica em cima da escrivaninha e fechei a janela. Conseguia ver as costas do menor e como ele estava encolhido. Ficando menor do que já era.
- Taka. – passei a mão nos cabelos e subi na cama, sentando-me e tocando seus ombros – Vem cá. – seus cabelos ficavam ligeiramente vermelho-alaranjados com a luz da vela – Quer deitar comigo?
E eu senti meu coração bater como um louco quando ele se virou e jogou-se sobre mim, me apertando com os bracinhos e afundando o rosto fofo em meu peito. Circulei seu corpinho e coloquei o queixo no alto da sua cabeça, afagando os fios com uma das mãos.
- Vai ficar tudo bem. Não precisa ter medo. – fechei os olhos e o tecido da minha blusa fora apertado nas costas. Conseguia ouvir uns chiadinhos e leves fungadas. O que me cortava o coração ao saber que ele estava chorando. Eu odiava ver aquela face infantil molhada por lágrimas. Acariciei suas costas e beijei o alto de sua cabeça – Shh... eu ‘tô aqui, ok? Não precisa chorar. Eu te protejo.
- H-honto? – a vozinha abafada e chorosa contra meu peito. Ele levantou a cabeça levemente e me olhou. A vela fazendo suas lágrimas brilharem levemente.
Levei o dedão até ali e enxuguei seu rostinho – Mesmo. – sorri suavemente e o olhei nos olhos. Estes brilhavam levemente — Para sempre, pequeno. – acariciei seus fios, tirando alguns de sua testa.
Mas nada no mundo. Nada mesmo me surpreendeu mais do que aquele movimento do menor. Eu senti meu coração palpitar rapidamente, como não fazia há tempos ao lado dele. Minhas bochechas entrando em chamas e meu peito querendo explodir pelo modo como esquentara e como meu coração batia forte contra este. Tão forte que chegava a doer.
Seus lábios vieram de encontro aos meus em míseros segundos. Suas mãozinhas haviam subido para minha nuca e ele estava sentado em meu colo com uma perna de cada lado. Eu não sabia nem mais o que era respirar.
Levei minhas mãos para sua cintura, tentando não parecer nervoso demais. Como não parecer nervoso? Eu estava tremendo. E eu não gosto nada de tremer. Senti suas mãozinhas acariciarem minha nuca delicadamente e eu só consegui sorrir com aquilo.
Ele parecia muito mais calmo do que eu. Ele estava muito mais calmo do que eu. Suspirei, sentindo seus dedos emaranharem em meus fios e sorri mais com aquilo tudo. Quanto tempo eu esperei para ter seus lábios juntos aos meus? Quanto tempo eu esperei por aquele momento?
E o melhor de tudo é que não passamos de um simples encostar. Eu poderia ter pedido mais daquele beijo. Ele poderia ter iniciado algo mais ousado, mas o bom, o gostoso, o especial foi somente ser um encostar de lábios. Eu podia sentir o coração dele bater tão forte quanto o meu. Mas eu sabia que o meu ganhava naquela ‘competição’ de batimentos. Ele não sabia o quanto eu esperava por aquilo.
- Aki... – o sorriso leve que se desenhou em seus lábios e me fez suspirar ao vê-lo corar suavemente. A vela acabou por se apagar quando ele me olhou.
Tive o pescoço agarrado novamente e sorri sutil contra seu pescoço, beijando-lhe ali, sem malícia. O senti tremer levemente e agarrar-se mais em mim – Eu ‘tô aqui, pequeno. – acariciei suas costas novamente e suspirei levemente – Sempre.
Os dedos dele desceram novamente por minha nuca e pude sentir sua respiração bater contra a minha. Mesmo que eu não conseguisse enxergá-lo eu já estava feliz demais. Só de tê-lo por perto. Em minhas mãos, literalmente. Sorri e ousei-me, selar os lábios novamente. Somente o encostar novamente. Eu só queria senti-lo ali comigo. Notar que não era falso aquilo que acontecia naquele momento. Que eu não acordaria com o despertador tocando em minha cabeça e notasse que estou sozinho, sem Takanori ali.
Quando nos separamos novamente escutei as palavras que desejei escutar por muito tempo:
- Eu te amo, Aki. – a vozinha suave, constrangida, calma fazendo meu coração pular no peito e doer mais do que doía anteriormente. Abaixei a cabeça e puxei ar, afundando o rosto ali, escutando o quanto seu coraçãozinho batia também. Tão ou mais rápido que o meu.
Sorri mais uma vez naquele dia ao ter os seus dedos em meu cabelo e o apertei entre os braços – Eu também te amo, baixinho. Tanto. – eu não conseguia parar de sorrir. Eu não conseguia mais sentir meu peito e meu coração. Eu estava mais do que feliz. Eu não sabia o que sentia mais naquele momento.
Eu o amava e ele me amava. E naquele momento nem mesmo o medo dele de escuro, nem mesmo meu nervosismo.
Tudo estava mais do que perfeito naquele momento.
Notas finais
Como podem ver e como eu disse lá em cima *aponta* o final está meio estranho.
Mas se quiserem ver como o final vai ficar diferente e ~muito~ mais melhorado quarta ou quinta eu chego com algo ~muito~ melhor para vocês <33
Mas o mais importante : espero que tenham gostado dessa one que eu terminei às pressas. x33 Q
Merece review ? *-* ~~ q
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