Light
3 Death Companion
Meu maior medo é morrer. Tenho pavor. Embarquei no avião hoje cedo, o avião é um avião de passageiros com umas mil poltronas, porém apenas eu e Falco entramos. Eles vão me levar para outro país, esqueci o nome agora, não, eles não disseram pra onde vamos. Sinto um suor frio escorrer pela minha testa, meu coração bate acelerado, estou com medo. Entrei no avião a passos curtos para aproveitar o máximo que podia antes de morrer, porque certamente vou morrer. É muito bom escrever em um avião. Calmo. Mas eu não estou calmo, prefiro muito mais saltar do avião a permanecer aqui.
Porém, eu não sei. A história de ser agente. O sorriso meio falso... Ele tinha me compreendido, nós conversamos por uma hora e meio, mais ou menos. Mas como ele me achou? Tinha eu escondido muito bem a lata de lixo, minha casinha, gostaria de estar lá agora. Levantei e fui para o banheiro.
Do banheiro consegui escutar uma conversa entre dois homens de preto, que me encararam antes que eu entrasse. Eles estavam falando de uma tal de Death Companion, mas eu não entendo muito de inglês, mas death eu conheço bem, já vi muitos amigos meus morrerem. Death Companion... Eu já ouvi esse nome.
Mas o que eles estavam fazendo no avião? Acho que pensei alto, pois os homens de preto pararam de falar. Permaneceu-se um silencio mortífero no ar, preferia ter morrido antes disso.
Eu não podia sair do banheiro agora, eles iam me matar, eu também não poderia ficar, porque Falco, que estava a meu lado no assento do avião, ia perceber minha ausência. Comecei a suar muito e eu não estava mais aguentando segurar o fôlego, estava eu respirando com a boca aberta tentando fazer o mínimo barulho possível. Escutei passos vindo em direção ao banheiro. Era agora. Não sei se conseguirei terminar essa obra, mas enfim, dedico à... ao... não tenho a quem dedicar essa....
– Ice?
Meu Deus, que alívio, era Falco, meu salvador da pátria. Limpo meu suor, tento parar de ofegar tanto e escondo que estou tremendo.
– Ah, Falco. Tudo bem? – Eu ainda estava ofegante
– Comigo está, mas eu quero saber de você. Está aí já faz uma meia hora!
– Me desculpe Falco, perdi a noção de tempo. Já estou saindo.
– Está bem, te espero lá fora. Nós já chegamos. – É incrível como ele fala corretamente. Talvez Falco não conheça a linguagem coloquial.
– Não, me espere por favor.
Abro a porta de olhos fechados, porém quando os abro não vejo mais os homens de terno preto, ainda bem. Falco me acompanha até a porta do avião. Acho que eu fui nocauteado, não lembro bem. Só me lembro que fui parar em uma sala branca, do mais puro branco que existe no mundo. Preferia ficar escrevendo a ficar queimando meus olhos com esse branco.
Bem, se isso não for o céu, espero estar em um lugar um pouco pior, porque não conheço lugar melhor do que o céu, não porque já morri, mas, não sei, eu acho que é melhor. Já vivi tanta coisa ruim, espero que eu não viva mais uma.
Andei prestando atenção na sala, com os olhos quase fechados, e parece ter umas três ou quatro câmeras, e nenhuma porta. Como que eu entrei? Se eu entrei! Talvez eu esteja morto mesmo. Escuto passos de novo, parece de mulher, porque o barulho do salto batendo no chão é inconfundível. Abre-se uma porta do nada e entra uma sombra vermelha, não sei explicar, mas não tinha corpo, era fumaça. Porém ele conseguia segurar um facão, acho que dá para cortar um boi inteiro com aquilo.
Ele fala algumas palavras, não entendi nenhuma. Ele falava outra língua, talvez russo, não sei. Será que eu estou na Rússia? Meu Deus! Preciso de respostas imediatamente. Eu não estava prestando atenção nele, e acho que ele percebeu, pois ele emitiu um som inaudível, mas minhas orelhas começaram a sangrar loucamente, meu nariz também. Ele ergueu o facão e atirou em mim, mas por muita questão de sorte, ele errou, pois duvido que ele tenha errado de propósito.
A fumaça vermelha, ou sombra, não sei, fugiu. Sai correndo atrás dele, tem um corredor enorme entre a sala em que eu estava e o salão principal, onde fica os computadores e a maioria das pessoas. Chegando nessa sala ele sumiu. E logo após descobri que ele fazia parte da tal da Death Companion, porque todos tinham suas cabeças separadas do corpo. Tive certeza que realmente era sobre a Death Companion que os senhores de terno preto estavam falando. Sim, meus sonhos haviam ido para o lixo depois disso. Sentei e chorei.
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