Ligações Clandestinas
5 Capítulo 5
Notas iniciais
Por muitas razões as pessoas se unem, algumas dessas razões são nobres e bonitas, como amor, amizade, afeto, mas nenhuma dessas coisas era para Blake ou Raven. Elas duas preferiam os motivos mais feios e menos morais. A razão que as levou a se unirem foi a luxúria e o egoísmo, cada uma delas estava apenas interessada em satisfazer seus próprios desejos, e isso era uma via de benefício mútuo.
Agora que as dúvidas e meias-verdades haviam sido esclarecidas, não tinha nada as impedindo de se unirem e Blake estava mais do que ansiosa para isso. Foram mais de quatro semanas desde que ela esbarrou em Raven na casa de Yang e Ruby. Ela passou muito tempo fantasiando esse momento, e agora que estava prestes a acontecer Blake mal conseguia pensar em alguma coisa que não fosse seu estômago revirando de expectativa.
Cada passo que ela dava era como se o ponteiro do relógio ficasse mais lento. Raven andava alguns passo na sua frente, sem perceber Blake foi conduzida até o carro da mulher mais velha, e ela pensou em seu próprio veículo por um instante, ah, não importa, esse bairro era tão seguro quanto onde Blake morava com seus pais, depois ela voltaria para pegá-lo.
Raven parou com a chave enfiada na porta de seu sedã preto.
— Algum problema? — Blake perguntou confusa com o comportamento da mulher.
Ela se virou olhando para Blake por cima do ombro.
— Desculpe por ter gritado com você naquele dia, eu estava de cabeça quente. — Blake se surpreendeu com o pedido de desculpas. — Eu posso ter um temperamento terrível às vezes, não hesite em se defender caso eu esteja sendo uma idiota com você.
— Tá certo.
— Entra.
Blake deu a volta e entrou no lado do passageiro, ela ficou meio virada de lado e observou Raven entrar e colocar o cinto de segurança em um gesto automático, ela colocou as mãos no volante e os olhos de Blake se fixaram ali, estava acontecendo, logo ela poderia ter aquelas mãos a tocando, aqueles dedos lhe dando prazer.
— Tá me olhando com essa cara obscena por quê?
— Eu- eu não estava…
— Estava sim. — Raven afirmou com um sorriso presunçoso. — Tava pensando um monte de imoralidades, não negue, gatinha. — Ela levou uma mão ao rosto de Blake e acariciou a linha de seu queixo parando com os dedos roçando em seus lábios.
Blake fechou os olhos e seus lábios se separaram inconscientemente.
— Estava pensando em suas mãos. — Ela confessou sentindo seu rosto se aquecer, mas não era só o seu rosto que estava ficando mais quente.
Raven sorriu:
— Me conta o que você estava imaginando.
— Tava… — Blake queria ser confiante e ousada, se estavam indo fazer isso, queria ter a experiência completa. — Estava pensando em seus dedos dentro de mim.
Ela se sentiu bem ao ver o olhar de aprovação de Raven. Tudo era um grande jogo afinal, tudo com a QueenBird era um jogo de sedução e aqui estavam elas jogando novamente, mas não havia um telefone as separando, era tudo real e isso deixava Blake mais excitada que nunca.
Ela agora sabia jogar também, talvez não tivesse tanta experiência, mas pelo menos, ela sabia o caminho. Só precisava deixar suas inibições de lado.
— Estava imaginando você me tocando, me… — Blake reuniu sua coragem, ela precisava deixar sua libido lhe guiar, assim como fazia quando estava por telefone. — Me fodendo tão bem.
Raven deixou seu polegar adentrar a boca da mulher mais jovem e Blake fechou os olhos tomando uma atitude ousada, ela lambeu e chupou suavemente o dedo.
— Tão necessitada. — Raven disse com uma voz de falsa compaixão, ela deslizou a mão por seu rosto e acariciou sua bochecha com suavidade. — E pervertida, essa é a minha gatinha.
Blake se inclinou no toque.
— Eu sei como resolver seu problema. — Raven afastou sua mão dela e sorriu de um jeito meio maldoso.
— Você quer dizer… — Blake não terminou a frase.
— É só você se masturbar.
— Aqui? Agora? — Blake se assustou um pouco, mas tinha de confessar que a ideia de se tocar na frente de Raven era muito excitante, seria como uma versão ao vivo de suas ligações.
— Sim, vamos fazer uma aposta. — propôs Raven.
— Aposta?
— Eu moro perto daqui, se você conseguir gozar antes de chegamos em meu apartamento, eu vou te dar uma recompensa especial. — Ela fez uma cara astuciosa e sua voz tinha o mesmo tom aveludado sedutor que Blake se acostumou ao ouvir por telefone.
— Uma recompensa? Isso parece bem tentador, o que seria? — Blake sabia que a mulher não lhe diria, mas ela tentou de qualquer forma.
— Só vai saber se for uma boa garota e fizer direitinho o que eu te mandar fazer. — Raven colocou a chave na ignição.
— Você é minha dona agora? — Blake sorriu de lado provocando sua amante, ela agora estava visivelmente excitada com suas bochechas avermelhadas.
— Você não quer brincar assim? — Raven a olhou de lado quase como se fingisse estar magoada.
— Eu já deveria saber que você gosta dessas coisas. — Blake desviou o olhar, se focando no parabrisa escuro do carro, algumas gotas de chuva estavam começando a cair no vidro.
— Que coisas são essas que você se refere?
— Esses fetiches meio sadomasoquistas. — Blake sentiu seu rosto queimar de forma ainda mais intensa.
— Não nego, eu realmente gosto de algumas coisas do gênero, se você não se sente bem fazendo isso, vou entender. — Raven disse em tom mais sério.
— Não, eu… Na verdade, acho a ideia até bem atraente. — Ela sentiu seu lábio inferior tremer de nervosismo, Blake o mordeu e subitamente pensou que aquele pequeno gesto poderia soar bem erótico, então ela olhou para Raven ainda mordendo seu lábio e viu a mulher mais velha a olhando com uma leve expressão que beirava a admiração.
— Me deixe ser sua dona essa noite e se gostar, podemos fazer de novo, concorda? — Raven falou de forma que nem foi muito formal como um contrato, mas deixou claro a seriedade de sua palavra.
— Tudo bem… Hum… como devo te chamar? QueenBird ou Raven? — Blake só percebeu a questão do nome naquele momento.
— Os dois, ou de mestre, se preferir, mas eu prefiro mestre. — Raven sorriu de lado e ligou o carro, o motor fazendo um barulho mínimo indicando que estava em funcionamento, as luzes do painel acenderam e a mulher se virou para Blake levantando uma sobrancelha. — Se você quer sua recompensa, sugiro que comece a trabalhar.
Blake arregalou os olhos por um instante e alguns segundos preciosos se passaram enquanto o carro era manobrando para a saída do estacionamento. Ela se apressou a desfazer os botões de sua calça.
Inferno, por que uma calça precisava de três botões?
Quando ela enfim conseguiu abrir elas já tinham saído para a rua. Blake teve um súbito momento de pânico, ela não ia conseguir, não com toda aquela pressão. Não! Ela tinha de conseguir, ela tinha seu orgulho e ia mostrar que era capaz de jogar aquelas brincadeiras eróticas. Raven acreditava em seu potencial, Blake não ia decepcioná-la.
Blake deixou sua mão entrar em sua calcinha e seus dedos varreram seu clitóris em um ritmo já rápido assim como sua respiração que começou a sair em alçadas aceleradas. O carro parou em um semáforo vermelho e Raven olhou de lado para ela com uma expressão insatisfeita.
— Você não está gemendo por quê?
— Eu… Eu vou gemer agora.
Raven levantou uma sobrancelha.
— Depois de tantas ligações você ainda não aprendeu como eu gosto?
— Me-me desculpe!
O sinal ficou verde e o carro avançou.
— Bem, acho que você não está se esforçando tanto, será que estar pessoalmente comigo não te excita tanto?
Blake tentou não se sentir muito magoada com aquilo, até entender que Raven estava a testando de todas as formas que podia, a jogando em situações desconfortáveis para empurrar Blake até seus limites. O que ela faria? Recuaria ou transporia os limites? Com certeza ela seguiria em frente com tudo, foi assim com seus telefonemas, por que agora queria diferente?
— Você não está ajudando. — Blake disse.
— Quê? Você não é capaz de fazer isso sozinha? Use sua imaginação. — Raven debochou olhando de canto para ela. — Se fosse fácil, não seria um desafio. Lembre-se da recompensa, você não a quer?
Blake trincou os dentes, não havia margem para argumentar, ou ela faria ou não. Sem negociação ou meio termo.
Ela teria de fazer acontecer, Blake fechou os olhos e tentou esquecer tudo a sua volta, ela se imaginou na segurança e privacidade de seu quarto em sua casa. Blake se colocou em um ritmo um pouco mais lento, sem tanta urgência, ela jogou a cabeça para trás até bater contra o banco de couro preto do carro.
Não era o bastante, ela precisava de mais. Blake sentiu vagamente o carro parar mais uma vez, provavelmente outro semáforo. Ela aproveitou o momento e colocou sua mão esquerda dentro da camisa até alcançar um de seus seios, começando a tateá-lo por cima do sutiã mesmo. Blake deixou os gemidos saírem sem pudor por sua boca enquanto se estimulava com mais intensidade.
Ela precisava chegar mais rápido. Blake foi inundando sua mente com todas as imagens eróticas e sexualmente provocantes que ela podia. Ela pensou em Raven, pensou nela a tocando em seu lugar, imaginou que eram os dedos da mulher mais velha impulsionando sobre seu clitóris e a levando ao seu clímax. Blake sentiu o calor se acumular em seu ventre e soube que estava perto, ela acabou friccionando com mais vigor e sem delongas, seu gozo veio rápido e carregado fazendo seu corpo estremecer e seus olhos reviraram.
Blake voltou rápido de seu ápice momentâneo. Ela percebeu que sua respiração estava bem ofegante e uma fina camada de suor se formou em seu pescoço e nuca. Olhando em volta, ela percebeu que o carro estava parado e não estavam em uma rua. Ela olhou para o lado e Raven estava a observando com um sorriso pretensioso no rosto.
— Eu… consegui?
— Será que sim? — ironizou Raven.
Blake piscou, sua mente demorando para processar as informações depois do gozo.
— Sim ou não?
— Cuidado com o tom que usa comigo. — Raven ameaçou só para logo em seguida colocar uma expressão mais tranquila no rosto e encostar as costas de sua mão direita sobre a bochecha de Blake. — Conseguiu, não se preocupe, eu prometi uma recompensa e você a terá, agora vamos subir.
Raven se virou e abriu a porta do carro saindo. Blake ficou feito uma pateta piscando com uma expressão vazia, como se sua mente tivesse ficado em branco e seu corpo anestesiado. De repente ela pulou de susto, Blake olhou para o lado e Raven estava batendo no vidro da janela de uma forma impaciente.
Blake voltou de seu estado de inércia e abriu a porta saindo rapidamente do carro.
— Quer desistir? — Raven cruzou os braços sobre o peito, seu tom meio aborrecido.
— Não! — Só depois Blake percebeu que seu “não” saiu meio desesperado demais para seu gosto, infelizmente a mulher pareceu perceber.
Raven levantou uma sobrancelha e sorriu maliciosa, ela se aproximou e prendeu Blake contra a porta do carro pressionando seu corpo contra o dela.
Blake arfou surpresa quando suas costas bateram contra o metal frio do carro e o corpo quente de Raven contra sua pele. Sua nuca se arrepiou ao sentir a respiração da mulher em seu pescoço, ela suspirou sentindo suas pálpebras tremerem de prazer pelo contato.
A voz de Raven chegou a seu ouvido sedutora e indecente ao mesmo tempo.
— Parece que você está louca para ser fodida por mim.
— Siiim. — suspirou Blake se agarrando aos ombros de Raven enquanto suas pernas fraquejaram.
— Você ainda admite, sua gata pervertida. — Raven encostou seus lábios em seu ouvido, a fazendo estremecer ainda mais. — Mesmo depois se fazer essa sujeira no meu carro, você ainda quer mais? Que tal eu enfiar meus dedos dentro da sua buceta e fazer você gritar por meu nome? Hum? Gosta dessa ideia?
— Sim… — A voz de Blake saiu tão fraca e carente.
Ela não podia se controlar, as palavras não lhe eram tão estranhas, QueenBird falava aquele tipo de coisa, mas agora era muito mais intenso e real, Blake podia sentir os seios de Raven pressionados contra seu corpo. Uma parte dela estava envergonhada por parecer tão miseravelmente necessitada de prazer, mas, por outro lado, Blake passou muito tempo sozinha, e apesar de ela se tocar e das ligações nas últimas semanas, não era a mesma coisa que o sexo real.
Ela queria. Ela precisava daquilo. Blake precisava muito daquilo.
Mas enquanto Blake estava fantasiando, Raven se afastou rindo da cara patética que ela provavelmente estava fazendo naquele momento.
— D-do que você está rindo? — Blake gaguejou sentindo seu rosto tão quente quanto uma fornalha.
— Qual é o problema? Não posso brincar com meu gatinho? — Raven sorriu, provocadora, seus olhos vermelhos tão afiados como a faca de um assassino.
— Você só gosta de me provocar.
— Percebeu rápido, menina esperta. — Raven deslizou os dedos por seu rosto tão leve que pareciam penas acariciando sua pele. — Venha, vamos subir e, se eu fosse você, ajeitaria sua roupa, está dando para ver sua calcinha.
Os olhos de Blake se arregalaram tanto que eles poderiam saltar para fora de seu crânio. Ela olhou para si mesma e viu sua calça aberta com sua calcinha preta aparecendo na parte de cima. Engolindo seu constrangimento extremo, Blake ajeitou sua roupa olhando para os lados para se certificar que ninguém viu. O estacionamento do prédio estava vazio.
Blake correu para alcançar Raven, que estava segurando a porta do elevador, e ela entrou dentro daquela cabine de aço inoxidável se sentindo uma tola atrapalhada. As portas se fecharam e Raven apertou o botão do décimo sétimo andar e o elevador começou a subir.
O silêncio nunca foi tão desconfortável para Blake como naquele momento. Ela normalmente gostava da quietude, mas agora estava a assustando, suas pernas se mexendo inquietas.
— Nervosa? — Raven perguntou olhando de soslaio para ela.
— Só um pouco. — Blake não queria dizer que estava nervosa e parecer uma virgem indo para sua primeira transa, mas ela sabia que seria inútil fingir que não, uma resposta intermediária era a melhor saída.
Raven não reagiu a isso, manteve um rosto impassível e a postura tranquila. Blake engoliu a seco, e de repente ela ouviu um baque e olhou na direção do barulho, era um celular que caiu no chão, não era o seu, então só podia ser de Raven.
— Que irritante, pode pegar para mim? — A mulher mais velha falou com a voz artificial, Blake desconfiou imediatamente, mas mesmo assim ela se abaixou para pegar o aparelho no chão.
Blake se ergueu e entregou o aparelho na mão de Raven, que se inclinou para perto dela a fazendo se enrijecer quando os seios dela encostaram em seu braço direito e o hálito quente da mulher arrepiou seu pescoço.
— Obrigada, você é tão gentil. — Raven disse com uma voz sedosa, Blake sentiu a mão dela pousar bem na base de suas costas, perigosamente perto de seu traseiro, ela roçou a ponta dos dedos na fina camada de pele exposta entre sua camisa e sua calça. — Tão obediente, merece até um carinho.
Raven desceu sua mão abruptamente e apertou sua bunda veemente. Blake soltou um pequeno grito de surpresa, ela olhou meio assustada para a mulher que estava sorrindo divertida.
— O que foi? Vai dizer que não gosta disso? — Raven apertou ainda mais e esfregou os dedos bem no meio de sua bunda onde suas nádegas se encontravam.
Blake gemeu mordendo o próprio lábio para tentar se conter. Alguma coisa incompreensível escapou por sua boca.
— Hum? O que você disse, gatinha? — Raven se aproximou ainda mais, o aperto em seu bumbum nunca cessando. — Você não gosta disso?
Um som estridente e alto saiu por entre seus lábios quando a outra mão de Raven agarrou um de seus seios e se colocou a apalpá-lo com igual vigor como estava fazendo com seu traseiro.
— Ah, Raven, por favor… — Blake gemeu com a voz aflita.
— O que você quer de mim? — Ela encostou a boca na orelha de Blake e lambeu o entorno a fazendo estremecer ainda mais. — Diz o que você quer.
— Me… Me beije, por favor. — A voz de Blake saiu instável e carente.
Raven riu, mas resolveu ter piedade dela. Ela tirou a mão de seu seio e subiu para a nuca, virando seu rosto e conectando seus lábios. O beijo do corvo era ardiloso, como um ladrão negro que estava roubando a sanidade de Blake. Seus lábios eram uma confusão possessiva de desejos indecentes, Raven enfiou sua língua dentro de sua boca sem cerimônias, como uma invasora clandestina mais do que bem vindo.
Blake gemeu no beijo e sem mais se conter, se virou para passar seus braços ao redor dos ombros de Raven a trazendo para mais perto, seus corpos colados enquanto sua amante continuava a apertar sem pudor sua bunda.
Raven foi a única a quebrar o beijo, para a tristeza de Blake. A mulher puxou seu lábio inferior entre seus dentes com uma mordida atrevida que a fez soltar um gemido que era tanto de prazer como de lamento por ter terminado.
Seus rostos continuaram perto, sentindo a respiração quente e ofegante uma da outra, Blake estava visivelmente mais afetada.
— Isso foi incrível… — Ela disse entre suspiros.
Raven sorriu toda cheia de si, seus olhos brilhando em um vermelho orgulhoso.
— É só o começo, quero ver até onde você aguenta ir.
De repente o estômago de Blake se contraiu em inquietação com uma mistura inusitada de apreensão e excitação.
As portas do elevador estavam abertas e agora eram apenas poucos passos para concretizar seu maior desejo. E Blake não tinha dúvidas que seria uma experiência inesquecível.
~**~
Blake ainda era uma bagunça quente pelo amasso que trocou com Raven no elevador, por isso andou no automático atrás da mulher por um corredor de tapete preto e paredes cinza até chegar em uma porta de madeira.
Quando a porta abriu, se revelou uma sala de estar bem marcante aos olhos. Uma parede pintada de cinza-claro e a outra em um vermelho intenso com um quadro de cerejeira rosa florescendo bem no centro, no outro lado uma prateleira preta com vários objetos de decoração que Blake notou que remetiam ao oriente. A mesinha de centro era de madeira negra, combinado com o sofá de mesma cor.
Olhando em volta rapidamente, Blake notou o padrão na decoração, em tons sóbrios e o vermelho atraindo a visão aos detalhes por todos os lados que se olhava. Ela estudava no bloco de arte e filosofia, para um dia se formar em literatura. Blake lembrou-se de uma disciplina que fez sobre a subjetividade das cores.
Vermelho, ela lembrou de algumas coisas associadas àquela cor, coisas que imediatamente ligavam o vermelho a Raven: energia, paixão, perigo, poder, aventura, excitação, narcisismo, desejo, agressividade, cobiça, pecado.
Parando para pensar, Raven era tudo associado ao vermelho, sua aura que atraiu tanto Blake era vermelha. O vermelho que se entendia com facilidade e procurava sempre novidades excitantes, o rubro que ama estar no controle e ter o poder nas mãos, o escarlate que é repleto de vitalidade e energia para subjugar os outros pela força, o carmesim cheio de fogo que é ao mesmo tempo bonito e atraente como é perigoso e violento.
— Pode se sentir à vontade, só não quebre nada, essa é a única regra da minha casa. — Raven disse, o que faz Blake sair de sua viagem de pensamentos aleatórios sobre a cor vermelha. — O que foi?
— Eu estava admirando sua decoração. — Ela respondeu seguindo a mulher mais velha por um corredor onde molduras nas paredes tinham fotografias em preto e branco.
— Você gostou?
— Sim, você deve gostar muito do Japão. — Blake comentou no momento que chegaram na porta do final do corredor, Raven abriu.
— Não gosto. — A mulher parou e virou a cabeça para ela. — O Japão faz parte da minha história de vida.
— O que quer dizer? — Blake inclinou a cabeça com a curiosidade roendo suas entranhas.
— Eu morei no Japão por vários anos.
— Oh. — Foi a única resposta que Blake conseguiu articular enquanto entrava no novo cômodo.
Então quando Raven sumiu no mundo abandonado sua família ela foi para o Japão? Fugir para o outro lado do mundo é certamente uma prova que ela não queria ser encontrada.
— Gostando ou não, isso faz parte de minha história e criou o que eu sou hoje. — Raven disse tirando seu blazer vermelho e o jogando em um canto qualquer. — Eu mantenho essas coisas a vista, para que não esqueça, não importa se são coisas boas ou ruins, se foram erros ou acertos, todas elas fazem parte do que eu sou.
— Isso é bem significativo. — Blake disse e de repente ela percebeu que Raven estava desfazendo os botões de sua camisa, ela olhou em volta para notar que agora estavam dentro de um quarto.
Seguia a linha de design do resto do apartamento, paredes de cor cinza e os móveis em madeira preta, a parede atrás da cama era pintada em vermelho e a cama em si era baixa ao estilo japonês, com lençóis e travesseiros em vermelho.
— Você não vai dizer que eu sou misteriosa ou coisa do tipo, não é?
— Talvez um pouco. — Blake confessou sentindo suas bochechas se enrubescerem.
— Deve ser porque você me viu pouco, não é? — Raven puxou um sorriso provocador nos lábios e se virou para ficar de frente para ela, Blake arregalou os olhos ao perceber que sua camisa social estava completamente aberta a deixando ver seu abdômen liso e bem feito junto com parte de seu busto, um sutiã preto de renda apertando seus seios volumosos. — Talvez você queira ver mais.
Raven puxou a camisa pelos ombros. Blake pôde ver mais de sua pele leitosa contrastando com o sutiã tão escuro como o cabelo dela. O cérebro de Blake entrou em um frenesi estranho, ao mesmo tempo ela queria pular em cima da outra mulher, ao mesmo tempo ela queria fugir dali de pavor.
Foi com uma cara de quem estava hipnotizada que Blake ficou rastreando os movimentos de Raven. As mãos que foram para o cinto e desfizeram a fivela, depois puxando lentamente a saia para baixo mostrando os quadris firmes e generosos na medida certa. Blake não podia acreditar que a pessoa que foi o centro de toda sua libido nas últimas semanas, a mulher que ela achou impossível de alcançar, estava ali apenas de lingerie na sua frente.
Raven soltou o mesmo riso zombeteiro de antes, gozando de sua cara de tacho, provavelmente.
— Eu vou tomar um banho antes, afinal, vim do trabalho, pode me esperar um pouco, gatinha?
— Hum-hã-sim. — Ela gaguejou miseravelmente, mas parecia que isso não despertou nenhuma compaixão em Raven.
A mulher se virou indo em direção à porta do banheiro que ficava na suíte, Blake viu ela de costas levar as mãos ao feixe do sutiã e desfazê-lo. Raven deixou as alças caírem por seus ombros e a peça de roupa ficou pendurada em sua mão. Ela não podia ver nada, mas sabia que estava ali e isso era mais do que o bastante para atear fogo em Blake, ela sentiu que poderia desmaiar com desejo irresistível que lhe queimava por dentro.
Blake já estava pronta para se tocar outra vez. Mas quando Raven lhe sorriu por cima dos ombros e logo em seguida sumiu atrás da porta do banheiro, Blake só teve ação de sentar na ponta da cama com os olhos perdidos.
Ela ouviu o chuveiro e o som da água a fez se arrepiar. Blake pôde imaginar perfeitamente a figura esbelta de Raven completamente nua com a água caindo sobre seu corpo, o vapor cobrindo sua pele pálida, os olhos vermelhos se destacando no branco do banheiro, a silhueta de suas curvas parecendo ali e acolá, tão perto, e tão longe.
Blake sentiu aquele formigamento entre as pernas, como a necessidade de algo que ela mesma não podia se dar. Estava cansada de sempre se satisfazer, ou melhor, tentar, já que por mais que Blake se tocasse, nunca parecia uma satisfação completa. Ela precisava de outra pessoa, precisava de Raven.
Será que ela deveria ir lá? De repente Blake pensou em como seria excitante entrar naquele banheiro e transar com a água caindo sobre seus corpos nus. Ela podia imaginar com perfeição Raven a jogando contra a parede fria, a água quente caindo enquanto a mulher beijava seu pescoço e se abaixava indo na direção de seu sexo, a língua experiente e atrevida a provocando até que Blake fosse reduzida a uma massa ofegante e vermelha de prazer deixando seu corpo tremer com um orgasmo poderoso.
Sem perceber, a mão dela acabou entre suas pernas. Não! Blake não faria aquilo. Ela afastou seu braço, segurando a colcha da cama dos dois lados de sua perna e tentou estabilizar sua respiração.
— Tudo bem, gatinha?
Blake quase saltou de susto, ela não percebeu que Raven havia saído do banho por estar novamente perdida fantasiando coisas.
— Por que eu não estaria bem? — Nem de longe sua voz saiu firme como ela gostaria.
Em nada ajudava em sua estabilidade o fato de Raven caminhar em sua direção usando nada além de um short curto e apertado e uma toalha branca descansando em seus ombros de modo que cobriam seus seios, limitando a visão de Blake.
— Tem certeza? — Raven parou na sua frente e tocou suas bochechas com as mãos, Blake pôde sentir o cheiro cítrico que chegou ao seu nariz, parecia um perfume com notas de laranja e lavanda. — Seu rosto está vermelho e seus ombros tensos.
— Eu… eu estou bem. — Blake tentou manter sua sanidade, com a mulher tão perto dela ela podia ver até a mais fina pelugem clara em seu abdômen.
— Mentirosa. — Raven apertou seu queixo e o virou para cima e Blake a olhou nos olhos. — Diga a verdade.
— Eu… eu estou morrendo aqui! — Blake confessou. — Eu quero você agora! Por favor!
Raven a olhou por alguns segundos em silêncio, então voltou sua mão para cima e acariciou gentilmente seu rosto.
— Boa menina, vou te recompensar pela sinceridade.
Os olhos de Blake se iluminaram.
— Tire suas roupas. — Raven deu a volta na cama e abriu uma gaveta no criado-mudo. — O que está esperando para obedecer?
Blake balançou a cabeça e começou a se despir. Ela tirou sua camiseta e depois a calça, sua ansiedade a fez parecer tão graciosa como um pato velho e manco. Mas pelo menos ela conseguiu ficar em suas roupas íntimas. De repente ela ficou estranhamente consciente de seu corpo, as pequenas dobras que se acumularam nos últimos dois anos em sua barriga eram um especial incômodo. Blake as cobriu com os braços e sentiu seu rosto ficar enrubescido.
— Qual o problema?
— Eu tenho um pouco de vergonha. — Blake falou logo já percebendo que não importava o que fosse, Raven queria sempre saber a verdade nua e crua.
— De seu corpo?
— Sim… eu ganhei um pouco de peso depois do meu término, estava pensando em começar uma dieta ou algo assim.
De repente Blake sentiu seu braço ser pego, ela olhou para cima e viu Raven a estudando com cuidado. A mulher puxou seu braço.
— Já lhe disse que sua aparência não é essencial. Já saí com diversos tipos de pessoas, muitas delas não se pareciam em nada com os padrões impossíveis impostos pela mídia. — Raven acariciou seu rosto suavemente. — Minha atração por você veio por sua voz e sua dedicação.
Blake se sentiu emocionada, ela sabia que era verdade, não precisava sentir vergonha de si mesma.
— Mas eu acho que isso aqui vai te ajudar a se sentir mais confortável. — Raven disse erguendo aquilo que ela pegou na gaveta, um lenço preto.
— Isso é… — Blake não terminou a frase, não precisava, ela fechou os olhos e assentiu, Raven se inclinou e amarrou o lenço sobre seus olhos a deixando às cegas.
— Quando você quiser parar diga “vermelho”, essa é a palavra de segurança, entendido?
— Sim.
— Boa garota, você parece bem com isso. — Raven se aproximou e passou os braços por sua cintura, seus dedos roçando a pele logo acima de sua calcinha.
— Isso é um tanto injusto.
— Por quê? — Raven perguntou e Blake reconheceu seu tom divertido.
— Eu finalmente posso te ver e você tira isso de mim. — Ela respondeu meio nervosa.
— Você? — Raven sussurrou perto de seu ouvido a fazendo estremecer.
Subitamente Blake foi jogada na cama, suas costas caíram no colchão macio e antes que ela se recuperasse do susto, sentiu o corpo de Raven a prender ali sobre o próprio peso, as pernas da mulher mais velha em cada lado de seu corpo e as mãos prendendo seus braços. Blake sentiu a respiração dela contra seu rosto indicando que estava muito próxima.
— Me chame de mestre, na próxima vez que se referir a mim por “você” vai ser punida. Entendeu? — A voz de Raven era fria e inflexível.
— Sim…
— Sim o quê? — Agora soou como uma ameaça e por algum motivo, isso fez algo queimar dentro de Blake, um fogo selvagem e carnal.
— Sim, mestre.
— Boa menina. — Raven roçou os lábios ao longo da linha de seu maxilar, de um lado ao outro. — Agora vire-se.
Blake obedeceu imediatamente, ela ficou de bruços na cama, Raven ainda sentada sobre ela. O fantasma de um toque passou por suas costas, ao longo da coluna, para baixo e depois para cima, Blake sentiu os dedos da mulher enrolarem no fecho de seu sutiã, ela suspirou quando foi desfeito e a peça de roupa ficou frouxa, as mãos de Raven afastaram seu cabelo do meio e começaram a explorar sua pele agora mais exposta que nunca.
— Você gosta disso? — Raven disse passando suas mãos pelos ombros dela e descendo para as costas, os dedos roçando na laterais de seus seios.
— Hum… Sim…
— Sim? Que depravada você é. — Raven encostou a boca em seu ombro esquerdo e Blake sentiu os dentes dela tocando sua pele já sensível. — Uma gata promíscua no cio, é isso que você é.
Blake gritou ao sentir ela afundar os dentes em seu ombro, só para logo em seguida soltar um gemido ao passo que Raven beijou o exato local da mordida.
— Diga o quanto você é uma safada, diga o quanto você quer ser fodida! Diga! — Raven juntou um punhado de mechas do seu cabelo e puxou com certa truculência.
Blake sentiu seu rosto queimar de vergonha e excitação.
— Eu quero muito… ser fodida, por favor, mestre. — Ela disse respirando pesadamente.
— Tão obediente, gosto assim. — Raven deslizou os lábios pela sua nuca e mordiscou sua pele fazendo Blake suspirar e a distrair da outra mão da mulher que deslizou para baixo até alcançar sua bunda.
— Ah! Raven! — Blake gemeu alto sentindo a mulher apertando seu traseiro, ela se contorceu de prazer.
— Esses sons imorais que você faz são tão bons! — Raven enfiou a mão por dentro de sua calcinha, apertando a carne de sua bunda com força. — Diga mais, gema como uma prostituta.
Blake enterrou o rosto no travesseiro de tanta vergonha, porque ela simplesmente não conseguia conter os gemidos que escapavam de sua boca. Raven mordeu sua nuca e continuou apalpando impiedosamente seu traseiro.
— Não se esconda de mim, gatinha malcriada.
Raven se encostou em suas costas a deixando sentir seus seios contra sua pele, o rosto de Blake estava tão quente como uma fornalha. Ela apertou os lençóis com suas mãos ao sentir a mulher mais velha puxar um pouco de sua calcinha para baixo expondo uma de suas nádegas e sem aviso prévio uma palmada estalou em sua bunda.
— Aaah! — Ela exclamou enquanto revirava os olhos
— Você gosta disso não é? Tão pervertida. — Raven zombou perto de seu ouvido.
— Aaah, Raven, por favor. — Blake ofegou miseravelmente carente, ela chegou a se contorcer e levantar os quadris na direção da mulher na esperança que suas preces fossem atendidas.
— Que miserável, já está desse jeito. — Raven percorreu sua mão pelas pernas de Blake, seus dedos traçando padrões na dobra que separava sua coxa do seu bumbum. — Agradeça por eu estar bem benevolente hoje.
Blake suspirou sentindo os dedos de Raven entrarem por baixo do elástico de sua calcinha, a mulher começou a puxar a peça de roupa sem nenhum pudor, ela se ergueu para o tecido ser retirado de suas pernas.
— Sua calcinha está suja como uma vadia de rua, pena que você não pode ver, não é, gatinha safada? — Raven provocou puxando seu cabelo mais uma vez, fazendo Blake gemer alto.
Blake até queria responder algo, mas seu cérebro parecia tão derretido como seu corpo estava naquele momento. Todas suas capacidades cognitivas foram reduzidas a um emaranhado de luxúria e desejo. Ela só mordeu o próprio lábio sentindo tremores percorrerem por seu corpo.
Raven voltou a apalpar sua bunda deixando suas unhas arranharem sua pele.
— É assim que você quer ser fodida? — Raven disse aborrecida, Blake não entendeu de imediato. — Fique de quatro! — ordenou.
Se aquilo era possível, Blake ficou com o rosto ainda mais corado enquanto erguia os quadris e se apoiava em seus joelhos e cotovelos ficando na posição que Raven mandou.
Blake suspirou ao sentir a mulher se deitando sobre ela, os lábios foram para seu ombro e a mão para a parte posterior de sua coxa. Raven começou a beijar sua nuca ao passo que tirava o resto de seu sutiã, a deixando completamente nua.
— Você não se importa de eu te deixar marcada, não é, minha gatinha?
Ela tentou murmurar um “sim”, mas o som que saiu de sua boca era mais como um gemido indistinto. Era demais para sua pobre mente processar, Raven beijava e mordiscava sua nuca, ombros e parte das costas, uma das mãos da mulher correu para um de seus seios e começou a brincar com seu mamilo rijo, a outra mão apertava seu bumbum e ocasionalmente lhe dava um tapa fazendo Blake soltar gritos estrangulados.
— Você está tremendo, não aguenta mais? — Blake podia sentir o sorriso perverso na voz dela.
— Por favor, me toque. — Ela implorou se mexendo logo abaixo de Raven.
— Que tal você me agraciar com alguns dos gemidos deliciosos que você fazia por telefone?
Raven deixou sua mão deslizar pela lateral da cintura de Blake e traçar uma linha bem no seu ventre. Ela não podia mais esperar, começou a gemer tentando incentivar Raven a continuar. Pareceu funcionar, a mulher afundou sua mão entre suas pernas.
Todo o corpo de Blake sofreu um espasmo de choque assim que os dedos de Raven deram o menor toque em sua intimidade.
A mulher riu logo acima dela.
— Você está tão sensível. — Raven deslizou seu dedo médio sobre seu clitóris com movimentos suaves. — Tão molhada. — Ela deixou seus dedos escorregarem por entre suas dobras apenas brincando com a entrada de sua vagina. — Aposto como vai gozar rapidinho.
Era vergonhosamente verdade. Blake sentiu seu orgasmo se aproximando em uma velocidade assustadora, ela estava tão excitada que o menor dos toques estava a levando para a borda do precipício e ela queria pular nele mais do que tudo.
Os gemidos saíam altos e desavergonhados por sua boca enquanto o seu corpo tremia, instintivamente seus quadris começaram a se mover seguindo o ritmo dos toques de Raven. Ela sentiu a respiração rápida da mulher logo acima dele, beijos e mordidas mais fortes estavam sendo intercaladas maltratando suas costas.
Blake apertou os lençóis com suas mãos tão forte que ela poderia rasgar o tecido, o ritmo dos dedos de Raven friccionando seu clitóris estava fazendo sua cabeça girar. Seus olhos viraram para trás e sua boca abriu em um grito completamente surdo quando ela se sentiu ser penetrada por um único dedo e algo explodiu dentro dela, uma onda massiva e poderosa de prazer tão imponente que parecia que seu corpo inteiro havia derretido por tocar o sol.
Ela caiu na cama ofegante tentando se recuperar do orgasmo mais forte que já havia experimentado em sua vida. Ela nem percebeu Raven saindo de cima dela, estava ocupada demais tentando recuperar o fôlego.
A próxima coisa que Blake sentiu foi Raven subir beijos leves por suas costas. Ela sentiu a mulher movê-la e ela simplesmente se deixou virar-se. Blake ainda estava ofegante e tentou tirar a venda de seus olhos, mas algo a impediu.
— Não tire. — Raven falou segurando seu braço. — Eu ainda não acabei.
— Nã-não acabou?
Raven riu em algum lugar acima dela.
— Achou mesmo que eu já tinha terminado com você? — Raven passou os dedos por seu abdômen fazendo Blake se arrepiar. — Melhor ir se acostumando, porque sou do tipo que não se contenta com pouco.
Blake gemeu, ela estava coberta de suor e ainda sentia as sensações pós orgásticas percorrendo seu corpo. Ela realmente seria capaz de aguentar a sede de Raven? Ela não teve tempo para pensar a respeito quando sentiu a mulher mais velha distribuir beijos na sua barriga, lenta e calmamente.
Até chegar em seu pescoço, Blake podia sentir os seios de Raven contra os seus conforme a mulher deixou seu peso sobre ela, intuitivamente ela jogou os braços ao redor das costas dela arranhando a pele da mulher conforme seu pescoço era mordiscado.
— Hum… Raven… — Ela gemeu apreciando o carinho, aquilo parecia mais com um sexo comum, o que deixou Blake um tanto desconfiada.
Raven passou a noite lhe provocando de todas as formas possíveis, ela só estava esperando qual seria a próxima que a mulher aprontaria. Mas nada veio, Blake continuou sendo beijada e sua pele sendo acariciada preguiçosamente até sua respiração se estabilizar.
Era estranho a mudança de ritmo, do frenesi de seu ato sexual, para os suaves e pacientes movimentos que Raven estava fazendo. Blake sentiu as mãos dela passando levemente por sua pele, traçando linhas invisíveis ao longo do seu dorso, como uma massagem feita apenas com as pontas dos dedos.
Apesar de todas as emoções e sensações, aquilo estava acalmando Blake.
Ela sentiu Raven se erguendo e lamentou a perda do contato pele a pele.
— Parece que você está pronta. — Ela disse passando as mãos pelas laterais externas das coxas de Blake.
— Pronta para que? — perguntou, ela estava com vontade de tirar a venda e olhar o que Raven estava fazendo. — O que está havendo?
Blake ficou confusa ao sentir Raven sair da cama, um barulho que ela só pode identificar como uma gaveta abrindo, logo em seguida o peso da mulher voltou a ser sentido na cama.
— Para a sua recompensa, não lembra que eu lhe prometi isso? — Raven disse e Blake escutou mais sons baixos que ela não soube dizer do que se tratava. — Ou você não quer mais?
— Eu… — Blake teve um momento de hesitação, ela mordeu o próprio lábio em expectativa, por mais assustador que fosse não saber o que ia acontecer, Blake confiava em Raven. — Eu quero sim.
— Boa menina.
De repente, Blake sentiu algo frio e molhado em seu abdômen, levou alguns segundos para perceber que eram as mãos de Raven que estavam meladas com alguma coisa. Os movimentos mais firmes subiam e desciam por seu corpo, os dedos circularam seus seios e caíram pelas laterais fazendo uma linha na direção de sua cintura até chegar em suas coxas.
— Hum… — Blake zumbiu com prazer sentindo pela massagem que estava recebendo.
— Gostando? — Raven perguntou soando divertida, Blake apenas assentiu. — Quando você obedece direitinho, recebe boas recompensas. — Ela circulou os dedos na parte interna de sua coxa irritantemente perto de seu sexo.
— Sim. — murmurou Blake.
— Sim, mestre. — Raven passou as unhas arranhando a pele de sua perna e Blake estremeceu.
— Sim, mestre. — Sua voz saiu como um choramingo.
— Muito bem. — Raven abriu mais suas pernas, Blake sentiu o constrangimento lhe atingir com força, ela sabia que era ridículo sentir aquilo depois de tudo que ela já fez, mas ficar tão exposta em toda sua intimidade para outra pessoa e ainda de olhos vendados estava a fazendo se sentir estranhamente tímida.
Sua vergonha foi rapidamente esquecida assim que ela começou a sentir as mãos de Raven massagearem toda a extensão de sua vulva. Blake gemeu apreciativamente quando os dedos da outra mulher exploraram cuidadosamente as dobras dos lábios, movimentos lentos e metódicos, para cima e para baixo.
Blake mordeu o lábio sentindo sua excitação aumentar com força quando seu clitóris começou a ser estimulado com o polegar de Raven em círculos.
— Re-mestre, por favor?
— Impaciente. — A voz de Raven era tranquila, mas seus movimentos ficaram mais intensos e firmes friccionando contra seu ponto mais sensível. Blake apertou os lençóis com suas mãos e levantou os quadris rolando contra os dedos da mulher na vã esperança de ser tocada apropriadamente em vez daquelas provocações intermináveis.
Blake estava quente e cheia de desejo novamente, nunca imaginou que mesmo depois de ter tido um orgasmo tão forte em tão pouco tempo seu corpo estaria pedindo por mais. Mas a experiência de Raven estava se fazendo presente, a mulher sabia exatamente o que fazer para atear fogo em seu corpo, de diversas formas.
— Você está pronta? — Ela ouviu Raven perguntar, Blake já estava tremendo de luxúria, ela queria muito.
— Sim. — Sua voz saiu carregada de necessidade.
Raven riu, e de repente Blake ouviu um som diferente, algo que parecia um celular vibrando, mas era mais alto e rápido. Ela não teve tempo para imaginar o que seria isso quando algo tocou logo acima de seu ventre, vibrando intensamente.
— Aah! — Blake exclamou surpresa. — Isso é… Aaah!
Raven desceu o vibrador para o meio de suas pernas, o brinquedo deslizando facilmente por suas dobras molhadas e a fazendo se sacudir inteira. Blake não tinha forças para protestar, ela nem tinha forças para pensar. Seu cérebro parecia que tinha virado mingau enquanto o vibrador era deixado sobre o seu clitóris. Em segundos, ela estava sentindo um novo orgasmo se aproximar, seu ventre pegando fogo e suas costas erguendo enquanto ela tremia violentamente.
Blake ouviu uma risada de Raven, mas ela estava tão quente e sua cabeça flutuando com nada além de uma necessidade opressora feita apenas de desejo e luxúria, que Blake mal deu ouvidos. O brinquedo aumentou de velocidade e ela não podia mais se conter, era impossível, mesmo que usasse todas as suas forças, Blake não conseguiria suprimir o orgasmo poderoso que balançou seu corpo e a fez gritar o nome de sua amante.
Ela puxava o ar para dentro de seus pulmões tentando recuperar o fôlego perdido, mas Raven estava mais do que impiedosa com ela, não a deixou recobrar sua consciência, a mulher continuou a massagear sua intimidade com o brinquedo, Blake sentiu a ponta roçar na entrada de sua vagina e sem aviso ela foi penetrada.
Seus olhos viraram para trás quando ela sentiu todos os seus músculos se contraírem e um novo orgasmo balançar seu corpo, ela mal tinha deixado a sensação do anterior sumir. Aquilo continuou a vibrando fortemente dentro dela, Blake sentiu o brinquedo girar enquanto uma parte continuava apertando e vibrando sobre o seu clitóris e então outro orgasmo a fez gritar.
Blake se contorceu, seus gemidos altos se misturando com choramingos, novas ondas de prazer caíam sobre ela, não como simples ondas na praia, pareciam mais tsunamis devastando o seu ser e a reduzindo a uma massa suada e tremida que um dia foi Blake Belladonna.
Seu corpo inteiro ainda vibrava depois de minutos que haviam se passado, ou talvez tenham sido horas, ou quem sabe segundos. Não importava, Blake havia perdido todos os sentidos, sem visão, audição, nem seu tato. Ela não percebeu quando Raven saiu de perto dela, Blake só sabia ofegar e tremer, seu corpo ainda vibrava com as sensações pós orgásticas que ainda eram muito fortes.
Blake sentiu as mãos de Raven em seu cabelo, a venda foi tirada e ela conseguiu focalizar o rosto da mulher com sua visão turva. Raven se abaixou e beijou seu rosto, ela sussurrou frases amenas e calmantes. Blake não conseguiu entender o que eram, até seus ouvidos estavam zumbindo.
— O que? — Ela murmurou com uma voz fraca e tremida.
— Você precisa se limpar, eu te ajudo.
O que aconteceu a seguir foi um borrão completamente disforme na mente de Blake. Lembrava vagamente de ir ao banheiro e tomar um banho atrapalhado, Raven resmungando algo sobre ela ter a sujado, depois ela caiu na maciez da cama de sua amante e tudo ficou negro.
~**~
O dia já havia começado há algumas horas, Raven resmungou chutando suas pernas para fora da cama, ela normalmente era bastante mal-humorada assim que acordava. Ela ainda se deu ao trabalho de olhar por cima dos ombros e ver o corpo adormecido da garota na sua cama, o cabelo negro e sedoso dela estava espalhado por suas costas nuas, parecia até uma pintura pós-moderna.
Raven só soltou um bufo rabugento, ela se levantou e arrastou os pés até sua cozinha pegando um bule e pó para fazer seu habitual chá matinal, uma refeição para o café da manhã. Dez minutos depois, ela voltou para o quarto com a cara fechada e uma caneca bem grande nas mãos. Raven abriu as cortinas da janela deixando a claridade parcial de uma manhã cinzenta entrar, ela foi até a cama e olhou de cima para Blake.
A jovem estava abraçando o travesseiro com uma expressão serena no rosto de feições delicadas. A respiração tão leve quanto um suspiro de um anjo. Raven acabou sorrindo minimamente, seus olhos normalmente duros ficaram um pouco mais suaves.
Fofa.
Foi o único pensamento que sua mente lenta da manhã pensou.
Raven se inclinou e balançou o ombro de Blake até a garota abrir seus olhos amarelos tão expressivos e brilhantes.
— O que… O que houve? — Blake perguntou com uma voz grogue de sono, ela esfregou os olhos com as mãos. — Que horas são?
— Quase dez da manhã, mais do que na hora de você parar de bancar a bela adormecida — Raven provocou e sorriu ao ver ela contrair as sobrancelhas em aborrecimento pelo apelido.
Blake ergueu o corpo e de repente parou ao perceber que estava completamente nua, então seu rosto corou. Raven apreciou a cor vermelha em sua face.
— Minhas roupas? — Ela perguntou olhando em volta com olhos confusos.
— Eu deixei suas roupas ali. — Raven apontou para uma poltrona onde ela dobrou e guardou as roupas de Blake na noite anterior. — Se você não se sente bem estando nua, se vista e venha se juntar a mim na cozinha, preparei algo para o café da manhã, depois a levarei para casa. — Raven deu as costas e foi andando na direção da porta, mas parou e se virou lembrando-se de algo. — Ah, espere, seu carro ficou no Wabi-Sabi, não é? Bem, eu te deixo lá e depois você segue sozinha.
Blake a viu sumir virando no corredor. As lembranças da noite anterior lhe atingiram com tudo, ela sentiu seu rosto esquentar, aquilo definitivamente foi a coisa mais insana que ela já fez.
Ela tropeçou para fora da cama e se vestiu o mais rápido que podia, Blake saiu do quarto e caminhou meio desconfiada procurando a cozinha, não foi difícil achar e ela encontrou Raven fritando ovos no fogão atrás de um balcão. Blake se sentou quando a mulher assentiu com a cabeça para ela, foi quando percebeu que estava vendo Raven usando roupas informais pela primeira vez.
Raven estava usando camiseta leve de mangas longa e um short preto curto.
— Não tem café. — Raven falou repentinamente. — Eu tenho chá e uma garrafa de suco de laranja na geleira, vai querer?
— Sim.
— Sim o quê? — Raven colocou um prato na sua frente, duas fatias de pão torrado, dois ovos fritos e dois pedaços de queijo branco. — Chá ou laranja? — Ela perguntou abrindo a geladeira.
— Laranja. — Blake não pôde deixar de admirar as belas pernas de Raven, longas e bem torneadas, suas coxas apertadas no short preto enquanto ela se abaixava para pegar algo na geladeira.
Ela quase lamentou quando Raven se voltou com dois potes nas mãos que foram depositados na bancada onde Blake estava sentada, um era uma garrafa de suco de laranja de uma marca conhecida, o outro era um pote de vidro com geléia de frutas vermelhas.
Raven abriu uma gaveta e colocou talheres a sua disposição. Blake pegou um par e começou a comer, só foi quando ela colocou o primeiro pedaço de queijo na boca que percebeu o quanto tava faminta. Sua barriga soltou um ronco e ela se colocou a devorar a comida com afinco.
— Te esgotei ontem, não foi? — Raven falou soando divertida.
Blake sentiu-se corar novamente ao lembrar da noite passada.
— O que você fez comigo? Eu nunca me senti daquele jeito, nunca imaginei que sequer era possível… — Blake parou mordendo o próprio lábio.
— Você teve orgasmos múltiplos.
Raven se encostou na parte posterior perto da pia a olhando de frente, ela pegou uma grande tigela branca cheia de frutas cortadas, iogurte e cereais. Era um café da manhã bem saudável, ela não deveria se surpreender por a mulher se cuidar, afinal, Raven parecia em melhor forma que muitos colegas de turma que Blake tinha.
— Orgasmos múltiplos? Isso sequer é possível?
— Claro que é, tanto que eu fiz você ter um. — Raven puxou um sorriso arrogante no rosto. — Só não esperava que você ejaculasse em cima de mim.
— E-eu o quê?!
— Tudo bem, só foi uma surpresa. O importante é que foi bom para você.
Blake estava absolutamente chocada. Pela quantidade de prazer que ela teve, aquilo que Raven lhe disse fazia sentido, mas ela não podia acreditar que era verdade.
— Isso é inacreditável, eu mal me lembro do que aconteceu naquela hora.
— Eu sabia que brincar com você seria divertido, seu corpo responde tão bem.
Blake sentiu seu rosto queimar pelo elogio.
— Bem, eu gostei muito também.
— Podemos nos encontrar de novo, para jogar outra vez. — Raven deixou a tigela de lado e deu a volta na bancada ficando bem ao lado de Blake. — Posso te guiar nesse mundo fetichista, você seria uma submissa incrível. — Raven acariciou sua bochecha e Blake se inclinou ao toque dela. — Só precisa de treino e condicionamento.
Ela levou apenas alguns momentos para ponderar. Apesar das dúvidas, uma coisa era inegável, a noite que Blake passou com Raven foi o momento mais prazeroso que ela já viveu e voltar a se encontrar com a mulher significava mais noites como aquela, óbvio que Blake queria.
— Eu quero. — Raven sorriu de lado, sua mão pousou no topo de sua cabeça e ela afagou seu cabelo de um modo que fez Blake se arrepiar. — O que foi?
— Estava pensando que você vai ficar fodidamente sexy usando uma lingerie e orelhas de gato.
— O quê?!
Raven riu e se afastou.
— Tudo bem, você ainda não está pronta para isso, mas vai estar eventualmente. — Ela caminhou na direção do quarto. — Eu vou me trocar e já volto.
Blake ficou um tanto em choque, ela realmente fez aquilo, ela realmente estava disposta a entrar nesse mundo. Aquilo era loucura.
Quando ela acabou seu prato, Raven voltou já em suas roupas formais novamente.
— Vamos. Ainda vou passar no escritório essa tarde.
Blake se levantou rapidamente e seguiu a mulher na direção da saída.
— Desculpe a curiosidade, mas com o que você trabalha mesmo?
— Faço consultoria jurídica para empresas. — Blake riu alto, Raven se virou franzindo o cenho. — Posso saber do que você está rindo, mocinha?
— É que… — Blake teve de controlar a risada. — Quando te vi no restaurante ontem pensei comigo que parecia que você estava vindo de um escritório de advocacia, parece que eu acertei no final das contas.
Raven estalou a língua.
— Que coisa boba. — Ela se virou de costas escondendo um leve sorriso que enfeitou seu rosto.
— Mas você gostou. — Blake correu para ficar ao seu lado. — Você gostou, não é? Digo, de nossa noite. — Ela disse um pouco mais insegura.
— Por que eu não teria gostado?
— Eu não fiz nada por você.
Raven riu um pouco e colocou a mão em seu rosto compassivamente.
— Você realmente tem muito que aprender, não se preocupe com isso, você me agradou muito, e teremos muitas outras oportunidades para fazer tudo que você desejar.
Blake puxou um sorriso malicioso nos lábios, ela mal podia esperar por aquilo.
~FIM~
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