Ligadas pelo destino

47 Reticências- Um fim que vira outro começo?


Notas iniciais
Hey, mafagafos! Sinto muito pela demora, meu computador fez charme e tinha engolido esse capitulo. Eu não estou em condições de escrever outro, então, graças a santa Cher, eu o encontrei. Espero que gostem do final dessa primeira parte. Leiam as notas finais, por favor.

Atenção todos os guardas do forte e, comandante Fabray, por favor, me diga que está aí.

—Sim, soldado... Estou aqui, pode falar.

Ok. Foram avistados veículos e helicópteros se aproximando e não fazem parte de nosso comboio e muito menos aparentam ser alguma polícia local...— Russel arregalou os olhos, assustado pela notícia e rezando para que realmente estivesse enganado pelo que acabara de ouvir.

—Você poderia repetir a mensagem, por favor, soldado?

—Positivo. Foram avistados veículos com armamentos pesados em nossa área. Repito... Armas de calibres altos apontadas em nossa direção— houve uma pequena pausa-Senhor, é um esquadrão de extermínio russo. Todos procurados pela Interpol, FBI e outras entidades estrangeiras. Conseguimos verificação facial. Devemos atacar primeiro, senhor? Qual manobra defensiva devemos dar início agora? Eles estão em posição ofensiva.

—Nenhuma, soldado.

—O que? Senhor, são os homens mais perigosos do mundo, devemos atacar preventivamente.

—Negativo, soldado. Não faça nada que eu não ordenar- Fabray se aproximou de um dos guardas. O outro soldado ao rádio parecia bestificado e totalmente confuso. Se aqueles homens decidissem atacar, eles estariam em maus lençóis agora se não fossem os primeiros a levantar armamento — Coloque com a câmera da frente do forte, por favor.

—Sim, senhor. Aqui está- o operador do sistema de segurança lhe apontou na tela onde o guarda havia acionado sobre a movimentação. Tinha uma porção de carros ostentando grande poder de fogo que poderiam muito bem por todo forte abaixo em poucos segundos. Embora a equipe de Fabray também possuísse um eficiente armamento e defesas que os poderia atrasar por um bom tempo até que houvesse a retirada dos demais, ele resolveu tomar uma atitude que poderia assustar até ele próprio, porém era por uma boa causa.

—Senhor, a prisioneira está passando por todos os guardas em direção ao portão... O que fazemos?- Russel refletiu por alguns segundos.

—Deixe-a ir- o guarda ficou perplexo. Russel observava Santana correr por entre seus guardas, desarmando-os e os imobilizando sem muito trabalho e sem seque estar portando alguma arma, então suspirou. Se a latina já era forte antes, agora era impossível medir seu grau de habilidades. E apesar disso parecer demais, maravilhoso, uma evolução para a ciência, para Russel era demasiadamente preocupante. Aquilo tudo estava se tornando nocivo para o lado humano de Santana, Carter mexeu demais no que não deveria, logo o corpo da latina se tornaria uma bomba e só tinha duas opções caso o processo não fosse parado: Ela iria perder a humanidade e a sanidade de vez, e isso possivelmente não teria como retroceder o processo e por fim, se auto destruiria de dentro para fora... Como uma bomba orgânica fatal. Isso era de longe o mais alarmante, embora uma terrível guerra entre soldados russos sanguinários e os homens de Russel possivelmente selasse a vida de muitos homens. Apesar disso, Russel também sabia que apenas Santana poderia por fim nisso tudo, a única capaz, e era a única também que podia chegar tão perto de Carter e findar com seu reinado de maldade.

—Como é? A prisioneira não pode deixar o forte. É isso que eles querem, comandante.

—E é o que vão ter. Deixe-a ir. É uma ordem- após a sentença, Russel se manteve em sua postura segura, tendo seus seguidores fiéis lhe olhando com certa intriga. Era o mesmo olhar de: “Ele vai mesmo deixar essa criatura, que quase dizimou a todos de uma vez, ir embora assim... Por nada?”. No entanto, apesar do pesares, era o que Russel achava que deveria ser feito e não lutou contra- Ela é nossa única esperança agora.

—Santo Deus! Senhor, isso parece loucura— o soldado gemeu do outro lado- Liberem a saída da prisioneira— pela câmera notou-se o semblante de susto dos demais guardas pela ordem vindo do outro, pelo rádio. A latina estava por trás de um carro, observando toda movimentação ao seu redor e pôs-se logo de pé quando ouviu sua liberação pelos auto falantes— Russel liberou a saída dela. Afastem-se, homens. Abram os portões agora— os demais presentes foram se afastando logo, um a um, deixando uma passagem de caminho livre para que Santana pudesse sair dali sem problema algum. Ela olhou cada um dali e fez um gesto amigável de cabeça, entrou no veículo do qual usava como proteção agora e partiu, sem contar mais segundos- Senhor, seja o que esteja planejando, espero que essa não seja a nossa sentença de morte saindo pelos portões de nosso forte.

—Nem eu, homem... Nem eu.

O comandante, cientista, pai, avô e sempre seguro de suas convicções, Russel Fabray,respirou profundamente ao observar Santana ganhando caminho pelas estradas de Dallas e se sentiu esperançoso, mas ao mesmo tempo receoso pelo o que poderia ocorrer se por acaso Carter conseguisse pegar novamente o controle da mente de Santana, ou pior, se conseguisse matá-la. Seria realmente um desastre não tê-la ao seu lado, e Russel poderia arrepender-se amargamente pela escolha de tê-la deixado ir tão facilmente.

Logo os soldados do time inimigo a interceptaram ainda próximo a alguns metros da base. Houve um breve debate entre ela e os capangas de Carter, que por fim, deram meia volta e foram embora com a latina.

—Onde está Santana?- ouviu a voz da filha, ofegante, na porta, acabara de chegar, e mais uma vez respirou profundamente.

—Observe!-seu pai apontou para um tela pequena de notebook onde podia-se ver o veículo que portava a latina e mais alguns outros, por saírem de alcance de seus sinais de vídeo.

—Oh céus... Não me diga que...

—Sim, filha... Ela vai- fechou a tela do notebook e voltou-se para a filha, da maneira mais tranqüila que pode- Tem um carro esperando por você lá fora. Pegue Beth, a senhora Lopez e Kitty e siga para longe. Nilo vai com vocês. Aqui não é seguro.

—Mas, papai...

—Quinn... – Russel a interrompeu antes que continuasse, tocando em seus ombros e os acariciando- Você tem a quem cuidar- tocou na barriga da filha e esboçou um fraco sorriso.

—E eu vou... Definitivamente.

***

Havia vários homens reunidos no grande pátio da base de Carter. Todos muito bem munidos estavam à postos somente na espera de que seu comandante os desse a grande ordem que tanto aguardavam desde o dia passado: O grande e memorável ataque ao forte de Russel Fabray. Não havia ser humano no mundo que eles odiassem mais senão o loiro pai de Quinn, que foi a causa por muitos deles terem sido presos e procurados por varias entidades de segurança, assim perdendo seus negócios de contrabando e tráfico pelo país.

Carter estava do topo,como sempre preferiu, observando toda movimentação. Esboçou um sorriso de canto assim que avistou sua Scorpius descer de um veículo qualquer. Preferiu voltar para sua sala e esperar que ela fosse até ele, teriam uma longa conversa, aliás.

—O bom filho sempre a casa torna... Sempre acreditei nesse ditado- o cientista abriu os braços, bem receptivo, na entrada de sua pupila, que a vê-lo, somente o olhou, de cima a baixo e manteve um semblante inóspito. Ele ergueu uma sobrancelha- Ajoelhe-se- a latina lutou para não retorquir, aquele homem realmente merecia um freio. Calmamente se pôs de joelhos no chão e fitou o mesmo, evitando contato visual com o criador.

—Aqui estou, mestre. De volta para casa.

—Foi capturada, Scorpius? Não é de seu feitio- ele deu alguns passos para frente e passou a observá-la, sempre com um sorriso misterioso nos lábios carnudos.

—Apenas por experiência, senhor. Precisei me infiltrar.

— Que eficaz! E o que descobriu, minha preciosidade? Russel pediu clemência quando você arrancou o coração dele?- levou a mão ao peito e simulou o ato, com evidente desequilíbrio mental de sua parte.

—O fiz clamar por sua vida- a latina olhou pelas laterais. Se fosse agir agora, precisava do momento certo e o lugar certo para sair dali sem ser abatida. Carter estava bem ali a sua frente e não seria difícil matá-lo ali mesmo e se livrar dos guardas presentes.

—Que bom... Realmente queria presenciar essa cena tão sublime- o homem foi então até sua mesa e de lá pegou uma seringa. O líquido lilás brilhou assim que fora sugado para o objeto em grande quantidade- Realmente fiquei preocupado por seu sumiço, porque, WOW, você é bem complicada de criar e demoraria anos para recriar seu sistema e DNA... Fico feliz que tenha voltado para mim, minha mais perfeita obra- Santana somente soltou um ruído pelo nariz, algo como uma risadinha- Agora vamos a sua recompensa pelos ótimos serviços... PODER!

—Será que eu não poderia descansar um pouco primeiro? O dia foi enfadonho.

—Ah, não, não, não... Scorpius nunca tem descanso. Sei que, com toda certeza, Russel mexeu em seu organismo, mesmo que muito brevemente. Não sou idiota para deixar que ele me passe a perna mais essa vez. E, minha querida, sua luz está se apagando- Santana sabia e muito bem ao que ele se referia. Ela não possuía mais os olhos lilases, sinal do controle mental de Carter, e, claro que ele perceberia logo a falta disso, mesmo se Santana chegasse toda submissa e disciplinada, como Scorpius faria.

—Não provei minha fidelidade voltando até aqui, desarmada? Eu poderia muito bem ter ido para bem longe, senhor. Mas voltei a ti, meu amado criador- segurou-se para não vomitar ali mesmo.

—Você nunca será livre, minha cara... Acho bom aceitar esse fato- chegou até a latina e tirou um pouco de cabelo de seu rosto, em um gesto até carinhoso- Sabe aquela história do cavalo de Tróia? Pois é. Se fosse eu naquela época a governar Tróia, aquele cavalo seria o menor dos problemas. Segurem-na!- dois dos três guardas ali presentes na sala, agarraram a latina pelos braços. Ela, sem pestanejar, em um ato habilidoso e rápido, usando a mão de um deles, o girou para o lado fazendo com que caísse por cima do outro. Chutou a perna do que havia restado mais a frente e, quando o mesmo se prostrou para frente, Santana o desacordou com uma joelhada no rosto. Com um chute frontal jogou Carter sobre sua própria mesa de mármore caro, fazendo com que diversos objetos fossem atirados para longe e muitas papéis se espalhassem pela sala. Agarrou o homem pelo pescoço com uma mão e com a outro tomou a injeção para si e a atirou no chão, pisando-a até que se estilhaçasse.

—Bem que poderia ser sua cabeça aqui debaixo do meu pé, não é, Carter?

—Mas que belo cavalo de Tróia temos aqui, homens? Santana Lopez voltou... E trouxe consigo todo a sua rebeldia inexpugnável. Seja bem vinda, minha querida- Carter comentou, cordial. Observou seus homens se retorcerem de dor no chão, sem abandonar seu sorriso doentio. Santana desferiu um soco em sua face e, apesar do grande impacto, ele não abandonou o mesmo semblante.

—Quer saber, voltou sim. Voltou forte. E aposto que não vai ficar com esse sorrisinho depois que eu fizer um igual na sua garganta- passou o indicador pela garganta de Carter.

—Aposto que nem dará tempo.

—OK, eu pago pra ver...

~SANTANA~

Puxei uma faca buttterfly que trouxe escondida na cintura, girei-a com maestria, e posicionei na garganta de Carter, com um sorriso diabólico no rosto. Era agora que eu me livrava daquele encosto

—Adeus, “mestre". Dê um oi ao dito cujo por mim. Sei que ele vai se gamar em você.

Mas antes que pudesse findar a vida de Carter, cortando sua garganta, tiros estouraram pela porta da sala, bem na minha direção, que por imediato soltei o cientista e me joguei no chão, indo para detrás de uma poltrona enquanto o homem rastejava até um certo ponto da parede, perto de uma enorme lareira, e apertava um botão escondido que abriu uma passagem secreta ali mesmo.

—Acho que alguém aqui perdeu a aposta que fez- gargalhou debochadamente e entrou pela passagem que se fechou assim que corri para tentar puxá-lo de volta.

—Filho de uma vaca leiteira!- resmunguei enquanto socava a parede. Mais tiros rompiam o cômodo, o que me fez optar por derrubar a mesa e me proteger por ali, pois o móvel era bem espesso. Estava desarmada, teria que pensar rápido- Pensa, Santana... Ou acho bom você passar a fazer cosplay de peneira, porque é nisso que eles vão te transformar. Cacete! — algo explodiu atrás de mim, o que me assustou- Hum... Não será uma má ideia- olhei um pedaço do móvel, que se partiu pela explosão, caído no chão, e ergui uma sobrancelha, tendo uma ideia mirabolante... Pelo menos eu achava que era- Pensando bem, é uma ideia horrível, que cocô de ideia...ahhhhh- eu estava agora fora da janela, em um espaço entre o telhado. Posicionei a mesinha com pedaços faltando bem firme e desci escorregando por onde via espaço, ainda sendo alvo de muitos tiros. Boa hora para lembrar que eu me cago de medo por altura- Senhor, me ampara lá embaixo, pelo amor- rezei, de olhos arregalados,vendo que tinha pego muita velocidade- ONDE QUE EU FREIO ESSA BUDEGA?!!!- gritei, de olhos esbugalhados por estar muito rápido ao ponto de meus cabelos estarem querendo fugir da cabeça. Era como uma montanha russa maligna da morte cruciante de tortura. Consegui arrancar um pedaço da madeira e usar para retardar um pouco da velocidade e assim também mudar a direção que eu tomava- Ihaaaaaa....Acerta isso aqui, seus bundões!- mostrei o dedo do meio para os atiradores atrás de mim, sem perceber que bem na frente um teto de vidro me esperava- Eita, Geovana!- levei os braços ao rosto para protegê-lo dos vidros que se partiam ao meu redor e dei por invadir uma parte do teto de vidro que dava a uma grande área de lazer com piscina, onde nesta fui parar dentro.

A água estava absurdamente gelada, meu corpo inteiro travou assim que me dei contra ela. Grande merda!

Emergi daquele gelo e, ao olhar pra cima, de onde caí, um helicóptero sobrevoava cada vez mais baixo. Notei um pontinho preto saindo de sua porta e arregalei aos olhos ao perceber que um homem segurava um lança granadas e estava prestes a atirar em mim.

—Nada... Nada cachorrinho!- gritei pra mim mesma e me Danei por nadar o mais rápido que pude. Meu corpo estava congelando de frio, mas caso eu ficasse por ali, logo ele esquentaria naquela explosão dos infernos. Cheguei a sentir quando o projétil atingiu o fundo da piscina, assim conseguindo sair poucos segundos antes que ele explodisse. Fui atirada pra longe, parando em uma espécie de espreguiçadeira em uns 5 metros dali. Sorte que tinha aquilo pra amortecer minha queda, embora de nada adiantou muito para que eu me machucasse em suas madeiras.

—Entregue-se, Santana. Scorpius precisa voltar, então prometo que em nada doerá essa evolução.

—Vá se ferrar, seu demente! Você precisa é de um psiquiatra e eu de um chocolate quente- resmunguei de frio, enquanto tentava sair dos entulhos formados pela explosão, ouvindo Carter cocorocar por um alto falante incrustado na parede. Minhas costelas latejavam, devia haver trincados em pelo menos duas delas pelo jeito que cai de lado e como elas doíam agora. Respirei fundo e juntei um pedaço de madeira deveras pesado que encontrei por lá.

—Tem que admitir que eu sou o melhor pra você agora, Santana. Um ótimo pai... Quero...— atirei o pedaço de madeira de forma certeira no auto falante, o partindo em vários pedaços.

—Não vou ser o seu Louro José, Ana Maria Braga dos infernos!- gritei para o alto-falante, como se Carter pudesse me ouvir, então ouvi barulhos de botas mais próximos.

—ALI ESTÁ ELA!- um dos homens gritou e os demais correram na minha direção, atirando. Fui zanzando entre os escombros e a poeira que ainda cobria quase todo o espaço, fugindo como podia, até dar de cara com uma enorme porta e passar por ela, trancando-a com a ajuda de uma cadeira, que eu pus um de seus pés metálicos entre os puxadores da porta.

—Céus, eu escapei. Uh!- em uma lufada de ar, eu comemorei fracamente, apoiando uma das mãos na porta enquanto a outra acariciava a nuca, mais aliviada.

—Não contava com isso se fosse você... Ela esta aqui, senhor- levantei a cabeça rapidamente, com cara de espanto. Ao me virar, me deparei com uns três homens somente usando uma toalha na cintura, cada. Todos me olhando sinistramente perversos, um deles com um rádio nas mãos, tentava contato com Carter.

—Diós!- gemi, frustrada.

Ao olhar melhor para o lugar, notei se tratar de uma sauna, das mais luxuosas que já vi. Tinha até pole dance... Eu hein!Havia apenas duas portas no lugar em que eu pudesse sair e fugir: uma delas eu acabara de trancar e a outra... Estava bem atrás deles.

— Belo dia para uma sauna, não é, rapazes?- sorri amarelo.

—Daqui você não escapa, latina.

—A quero com vida, homens!

—Sim, senhor- o capanga concordou com a ordem de Carter ao rádio.

—Vocês ouviram o moço... Com vida- apelei, fazendo alguns gestos com o dedo indicador como uma professora exigente. Me olharam mais feio ainda.Dei alguns passos para trás, analisando cada ponto do lugar, tinha uma janela há uns três metros, mas esta eu não passaria nem se tomasse um banho de lubrificante. Os homens estavam cada vez mais próximos, cada um com uma bela cara de quem queria me esganar.

—Pois é... Mas ele não disse nada sobre alguns ossos quebrados- todos os capangas riram diabolicamente e eu sorri, sem graça- Vamos nos vingar da humilhação que nos fazia passar nos treinos, queridinha do Carter.

—Aquela não era eu. Estava sendo controlada.

—Azar o seu... Esse corpo é dela também... E nós vamos acabar com ele antes que ela volte- apertou os punhos e cerrou o maxilar. Aquela vadia fudeu mesmo com a minha vida. Quantos “amigos” ela havia me arrumado!

—Sabe... Vocês estão tão fofinhas combinando com essas toalhinhas coloridas... Parecem até uma versão mais feminina das Spice Girls- provoquei, já tendo algo em mente para executar.

—Quebrem ela!-o cara zangado ordenou e todos vieram a minha direção. O primeiro a chegar foi o esquentadinho, desviei de seu soco direito e me abaixei, tomando sua toalha- Vai, me empresta sua toalhinha- brinquei, passando a torcer a toalha, girando-a com uma mão só e depois acertando no traseiro de cada um, que fizeram um “Au"doloroso. Nada como o velho golpe ninja da toalha molhada- Nossa... Pra quê tanto pano escondendo esse pedacinho de Maria mole aí, hein?- caçoei das partes íntimas dele, o que fez seus parceiros rirem, mas quando ele os olhou feio, pararam na mesma hora. O agora peladão não gostou muito da brincadeira e voltou a me atacar. Girei o corpo para o lado assim que sua perna vinha na minha direção com um chute frontal, aproveitando para enrolar a toalha em seu pescoço, fazendo-o se prender a minhas costas, de igual posição, usando-o assim de apoio para acertar os dois últimos homens de uma vez só com chutes em seus rostos, o que fez com que caíssem desacordados. Assim que meus pés tocaram o chão, usei do embalo e impulso com o ombro para a minha frente, a fim de que o homem a minhas costas fosse para a mesma direção, caindo de rosto colado no chão.

—Espero não ter ferido seus sentimentos, Baby Spice... Você sempre foi a minha preferida-dei umas palmadinhas em sua bunda branquela e ele rosnou, mas não teve chances de retrucar, pois o fiz dormir com um soco no rosto.

Sequer tive tempo de comemorar, pois já estavam pondo abaixo a porta que eu havia lacrado. Corri para a saída e sumi pelos extensos corredores brancos até me perder por suas imensidões. Precisava encontrar alguma planta do lugar para me basear na caçada até Carter e atrás de uma fui mais rápido que pude, revirando salas e mais salas até que dei de cara com quem eu menos esperava nos cosmos aparecer ali.

—Rachel?

—Scorp? Lembrou do meu nome, finalmente?- ela pôs a mão na cintura, e sorriu irônica- Por onde você andou?

—Como ainda não aprendi a voar, foi pelo chão mesmo- segurei seu braço e a arrastei para longe, entrando em outro enorme corredor felizmente vazio.

—Aaaai... Você está me machucando, Scorp- ela reclamou, joguei-a contra uma parede sem pudor nenhum.

—Que Scorp o quê, sua bruxa, sou eu, Santana. O que você faz aqui?

—Tana? Você voltou? Isso é tão bom, meu amor... Vem cá- Rachel pulou para me abraçar, porém sai da frente no exato instante e ela acabou caindo de bunda no chão- Ai!

—Levanta dai e me responde- a puxei sem nenhuma delicadeza pelo braço e a fiz levantar- O que você faz aqui no covil de Carter?

—Vendendo meus produtos de beleza- dei um tapa na sua mão quando foi tentar me tocar de novo.

—Vai virar o primeiro anão voador do mundo quando eu te jogar da primeira janela que eu encontrar, se não me falar o que está fazendo aqui.

—Vamos dizer que eu sou útil para o mestrinho Carter e a Scorp tesão- revelou, maliciosamente.

—Ah, então agora você é puta paga, senhorita? Realmente estava demorando para você se prestar a isso, Berry- levei as mãos a cintura, em uma pose repreensiva.

—A gente usa o que tem, não é?- cruzou os braços, como se isso fosse a coisa mais natural do mundo.

—É, é sim. Você sempre foi profissional mesmo em dar, e agora, está fazendo isso com maestria a bandidos. Meus parabéns!

—Achei que você fosse a mais delicada. Está fazendo eu sentir falta da Scorpius- fez bico.

—Faça alguma gracinha que eu te levo rapidinho para fazer uma visita a ela no inferno- empurrou Rachel para andar enquanto ia mais atrás com uma arma apontada para ela o tempo inteiro.

—Por que está apontando isso para mim?

—Minha avó me ensinou que nunca devemos confiar em vacas. Acho que deve ser porque elas conseguem dar coice até no ar, tipo a Kill Bill- deu mais um empurrão em Rachel para que continuasse andando e a mesma rolou os olhos.

—Você não vai conseguir sair daqui tão facilmente, se quer saber.

—E quem disse que eu quero sair?- cinicamente ela sorriu, Rachel se virou para ela intrigada.

—Não?

—Claro que não. Quero é a cabeça do Carter bem aqui- apontou para uma de suas mãos- Ele vai pagar por tudo que fez a mim e a minha família. Ele matou meu pai.

—Na verdade foi o Dave Karofsky.

—Como é?

—Eu não devia ter dito isso. Que boca, Rachel!- a pequenina tampou a própria boca, percebendo o deslize que acabara de cometer.

—Me explica isso, Rachel- a mesma balançou a cabeça negativamente várias e várias vezes.

—Eu disse da boca pra fora- sorriu, amarelo. Peguei-a pelo braço e a acertei contra a parede. Nunca fui tão indelicada quanto agora, mas aquela mulher já me fez tanto mal, e agora parecia guardar outro maior ainda, sobre a pessoa mais importante da minha vida, que eu acabei por perder a noção de pensamento sensato e fui violenta.

—Eu não vou sentir pena de quebrar seu braço, Rachel... Não vou. Desconheça aquela Santana que conheceu na adolescência e coopere com ela se quiser sair daqui respirando- a encarei no profundo de seus olhos, e por seu olhar assustado, notei o quanto amedrontadora eu estava sendo agora- Você sabe sobre a morte do meu pai?

—Escuta, eu não sei isso por completo, eu ouvi por acaso. E por mais que eu gostasse do Tio Tony, não poria o meu na reta por algo que ficou tão no passado, se fosse você.

—Pois é, Rachel, mas que bom que você não sou eu, agora... – bati o punho contra um pedaço da parede que estava ao lado da cabeça dela- Me conte o que sabe- ordenei, firme.

—Ok, mas vai com calma, está me deixando assustada- meneei a cabeça- Você ainda estava na ala hospitalar da base. Em processo de recuperação dos tiros que o Karofsky te deu naquele dia do galpão. Eu ouvi umas coisas que o Karofsky dizia a você lá, ainda em coma, algo como se fosse por ele você nem estaria ali e de como tinha sido divertido fazer a mesma coisa com o seu pai. Eu nem entendi direito aquilo, havia acabado de ser recrutada por Carter... Bem, eu praticamente fiz com que eu fosse recrutada- franziu os lábios, pensativa. Olhei-a com confusão. Que história era aquela do Karofsky? Ele não podia estar la.

—Como assim? Você quis se unir a eles por vontade própria? A esses monstros? Rachel Berry, eles poderiam tê-la matado!

—Hey, vai com calma, eu sabia o que estava fazendo. Fiz isso por você. Bom, por mim também, ganhei tanta coisa, mas foi por te amar tanto que eu fiz isso.

—Você não me ama, Rachel. Você tem uma obsessão questionável onde o que tudo que faz é me machucar- soltei seu braço e dei as costas a ela. Apesar de tudo, de meu amor por Quinn ser maior que qualquer coisa, lidar com Rachel ainda era algo delicado pra mim. Ela foi a primeira pessoa que eu havia gostado na vida e foi minha primeira em tudo.

—Eu sei que sou uma idiota as vezes...

—Só de vez em sempre, não é?- cerrei o olhar pra ela, que deu de ombros.

—Enfim, eu nunca soube expressar direito o que eu sentia... Sou ambiciosa demais. Achei que o Enzo pudesse me fazer alcançar o que você nunca me deixaria ter. Você sempre foi tão amável, boazinha e heróica demais, para meus propósitos.

—E isso era ruim porque dos irmãos Lopez, só Enzo era tão ganancioso e mau caráter como você e os dois faziam um belo casal ordinário, certo?- ironizei.

—Se colocar dessa forma vai parecer que eu não tenho um coração.

—Que é isso! Que injustiça com a pequena Berry!- empreguei sarcasmo, deixando uma piscadela cínica.

—O marco aqui é sobre o que eu fiz, mudei. As pessoas mudam, Santana. Eu me sinto outra pessoa.

—Você ainda está aqui, não está? Não te vejo fazendo nada de promissor estando com Carter.

—Mas posso não estar se você fugir comigo.

—Ah, fala sério...

—Não, San. Daremos certo. Eu sei onde está guardado todo o dinheiro do Cárter. Podemos ser ricas e felizes, começar uma nova vida longe daqui e...

—Eu amo a Quinn- ao dizer isso, Rachel parou, com a boca entreaberta.

—Não ama, não- sorriu, perturbada.

—Eu amo sim, Rachel. Como eu nunca amei nada na vida.

—Está enganada. Você acha que ama aquela inglesa mimada, mas é a mim que você quer- ela se aproximou, tentando me beijar, porém eu dei um passo para trás e a olhei firme.

—De você, Berry, eu não quero nem um aperto de mão-cruzei os braços, contendo meu estupor- Sabe aquele desejo que corrompe toda a sua mente e você só quer aquela pessoa? Pois bem, com Quinn é assim. Sou louca pela forma que ela me toca e como isso me faz sentir... Sou louca por ela toda, na verdade- Rachel repentinamente me acertou um tapa forte e tentou me agredir, mas eu segurei suas mãos.

—E quanto a mim, sua maldita? Olha o que fiz por você.

—VOCÊ NÃO FEZ NADA POR MIM, SUA EGOISTA. EU PERDI BOA DA MINHA VIDA SENDO FEITA DE TROUXA POR VOCÊ ENQUANTO EU DARIA MINHA VIDA PELO O QUE TÍNHAMOS. VOCÊ SABIA DISSO DO MEU PAI E NEM ME CONTOU. MAS É TÃO FALSA QUE EU NEM SEI DEVO ACREDITAR EM VOCÊ- gritei, estarrecida. E a empurrei de mim. Tentei me manter tranqüila- Por que você é assim, Rachel?

—San... As coisas são como têm que ser.

—Essa é sua desculpa? Você estava transando com a droga do meu irmão que me odiava e fazia o inferno da minha vida enquanto estava comigo.

—Essa garota, Quinn, também te faz sofrer.

—Mas pelo menos eu sei que ela me ama, de verdade. E me deu coisas boas na vida para recordar, me deu uma filha que é minha vida agora... Me deu um sentido. E quanto a você? Você controlou a porra dos meus sentimentos e os esmagou com aqueles seus sapatos de hobbit ridículos. E a agora vem com essa? Cai na real, garota.

—Sim, eu posso ter feito isso, mas...

—Eu não quero saber. Me responda o que eu te perguntei antes, nem devíamos ter falado sobre isso. Não quero mais saber de desculpas suas porque você pra mim não existe mais.

—Ah, é? Então eu Só tenho uma coisa para te dizer, Santana- ela se pronunciou, levantando-se do chão. Os olhos castanhos estavam banhados em lágrimas de amargura. Rachel tinha um olhar de puro ódio.

—Estou esperando- disse com insignificância. Ela chegou bem perto de mim e sorriu com raiva.

—Eu desejo que você vá para o inferno, para o mesmo lugar onde seu pai está e onde aquela loira mimada vai parar quando Karofsky matá-la com toda crueldade de seu coração... Assim como ele atirou na cabeça do seu pai e depois ateou fogo a seu corpo- disparou, com perversidade. Meu corpo inteiro enrijeceu, não sabia se aquilo era ódio ou tristeza, mas eu estava a ponto de explodir pelas palavras daquela anã idiota.

—Você vai pagar por tanto mal, Rachel... Ouça as minhas palavras- antes que eu a segurasse, tiros estouraram pelo corredor. Tive que me jogar em uma sala para não ser atingida, assim perdendo Rachel de vista. Deixa ela, agora minha prioridade era outra... Carter e Karofsky. Hoje nossos destinos seriam cruzados e eu não estava dando a mínima se não saísse viva daqui para poder destruir um por um, incluindo aquele maldito pônei da Berry.

***

Do outro lado da cidade:

—Esta era a última mala?

—Acho que sim- Quinn respondeu a pergunta de Nilo, sentindo-se triste ao olhar para trás e ver que estava de alguma forma abandonando o melhor lar que já teve em toda sua vida. Mas não tanto quando Maribel Lopez, que não pode conter a emoção ao olhar para o lugar onde criou seus filhos, se tornando palco de desesperos e vidas sendo tiradas. Quinn entrou no carro e se sentou ao lado de Maribel, pegando em sua mão. Beth estava deitada no colo de Kitty, chorando baixinho porque sua mamãe San esteve perto e ela não pode vê-la. O clima inteiro no carro era de pura melancolia.

— No eto ne spravedlivo ! YA dumal, chto ona mne ponravilas', dazhe prikhodila ko mne . Eto ne mozhet ... Vy ne mozhete! YA khochu, chtoby moya mama San- Beth resmungava em plena chuva de lágrimas, onde seus olhinhos esverdeados já estavam irritados.

—Fica calma, meu amor. Isso tudo logo acaba- Quinn passou a mão pelos cabelos da filha, que se afastou nesse momento. Ela estava inconsolável.

—Eu queria poder ajudar, Q- Kitty disse entristecida, abraçando a pequena que não dava sinal de querer se acalmar- Mas ela só está falando em russo e eu ando longe de entender isso. Eu ainda arranho no espanhol por causa do Danilo, mas só.

—Tudo bem, Kitty. Ela só está triste porque soube que Santana esteve aqui e não pode vê-la- sorriu, tenra- Beth vai ficar bem. Ela só está sensível.

—Não é à toa que Santana a chama de bonequinha- Quinn concordou. Maribel suspirou, cansada.

— Hey, tudo bem?

—Eu só queria que isso tudo fosse um sonho- Maribel respondeu, tristonha.

—Eu sinto tanto, dona Maribel. Queria que fosse diferente- choramingou Quinn.

—Não fique assim, querida. Isso não foi culpa sua. O vilão aqui é outro.

—E ele vai cair- Nilo complementou, entrando no carro, à frente do volante. Um soldado ia ao seu lado, devidamente armado. Seria mais uma segurança de que chegariam bem ao seu destino.

Logo deram partida e saíram. A frente ia uma ambulância, do qual Nilo havia raptado de um hospital privado, levando Rob com todos os aparelhos necessários para mantê-lo estável e junto com ele, sempre com todo cuidado ia Alec, o agora médico da base. Russel iria ficar e defender aquele forte com sua vida, caso precisasse, mas ele tinha a mais profunda certeza de que o campo de batalha estava bem longe dali, e pensando profundamente sobre isso, resolveu sentenciar qual seria seu próximo passo. Juntou-se aos melhores homens de seu grupo que havia sobrado e uma importante reunião fora iniciada... Esse seria o grande e decisivo dia para cada um ali.

XD

Um barulho de porta abrindo com um estrondo rompeu pela sala de reuniões onde portava Karofsky e seus possíveis compradores das ogivas. Alguns homens armados entraram pelo local, pegando cada negociante pelo braço e o tirando dali.

—Chto, chert voz'mi, zdes' proiskhodit?(O que diabos está acontecendo aqui?)- Karofsky perguntou, no tom extremamente irritado e em um forte russo . Ele estava quase fechando negócio com o embaixador Turco.

— Yavlyayetsya li Santana Lopes, ser. Ona vernulas' i budet pytat'sya poymat' yego. (É Santana Lopez, senhor. Ela está de volta e vai tentar pegá-lo)- seu guarda costas respondeu, fazendo-o descompassar os sentidos e engasgar com as palavras. Engoliu toda sua raiva e deu lugar para o receio.

— Vytashchi menya otsyuda seychas. Eta zhenshchina s uma (Me tirem daqui, agora. Aquela mulher é maluca)- ordenou. Pegou com seu protetor uma pistola e colocou atrás da calça social, seguindo os soldados para um lugar seguro e longe de Santana. Ele iria, junto dos demais sócios, ser retirado da base por helicópteros luxuosos, a fim de mantê-los confortáveis durante a retirada. Logo todos estavam posicionados no hangar, onde já se dava para avistar os helicópteros começarem a descer e assim não tardou todos estarem à bordo. Faltava apenas Karofsky, que reclamava do porte de seu veículo aéreo, por parecer simples demais comparado aos outros. Enquanto ele discutia isso com o piloto, os outros helicópteros levantavam vôo, mas antes que saíssem do modo planar, escutou-se vários zumbidos e por fim, um a um dos helicópteros no ar explodiu, não sobrando pedaço algum para contar historia. Karofsky teve que se jogar no chão para não ser atingido pelos restos das aeronaves. Ele arregalou quanto pode os olhos ao ver as chamas alaranjadas no céu dançarem como se fossem bailarinas aéreas, engolindo cada parte das aeronaves.

Karofsky? FIIIU! Hey Karofsky! Gostou dos fogos?— a voz de Santana soava pelos auto falantes do hangar, fazendo Karofsky levantar-se rapidamente, de arma em punho. Seus homens fizeram o mesmo- Sabe, foi uma coisa bonita de se ver. Melhor que 4 de Julho, não acha? E, Nossa, eu realmente adorei esse brinquedinho explosivo que é guiado por calor... É um belo rapaz. Faz bastante bagunça... Lindo!

—De onde é transmitido isso?-Dave perguntou ao guarda que lhe acompanhava, olhando para todos os lados à procura da latina.

—Acho que do controle aéreo.

—Mande homens para lá agora.

—Sim, senhor- saiu correndo, deixando Karofsky bem perturbado.

—Não fica assim não, Kaká. Me espera aí que eu tô descendo para a gente bater aquele papo cabeça entre amigos... Aquele em que eu estouro seus miolos no final— soltou uma risadinha, sapeca- Nossa, estou sendo tão indelicada, esqueci minha educação em casa, sinto muito. Como vai seu dia hoje? O meu vai bem, obrigada por perguntar. Tive um dia bem cheio, sabe? Alguns lugares para ir, pessoas para visitar...- a porta de acesso a sala de embarque se escancarou, mostrando Santana que portava uma granada na mão e um microfone na outra, trazendo pendurada nas costas por uma alça uma AK-47 e um sorriso sapeca -...O que me leva a meu saudoso amigo russo David Karofsky. Trouxe presentes, me senti muito mal por tudo isso... Deve ser difícil ter alguém tão melhor que você traçando sua linda esposa.

—Você vai me pagar por isso, sua maldita. Quinn é minha!- Karofsky caiu na provocação, se exaltando. Porém não saiu do seu esconderijo, mas há quem diga que isso era o suficiente para aquela latina tão obstinada.

—Olha ele aí, que rapaz boa pinta. Adoro esse sotaque russo de batata entalada na garganta... Tão sexy- revirou os olhos.

—Vá se ferrar!

—Você me adora. E sei que vai adorar o seu presente aqui... -Sorriu de canto, soltando o pino de segurança da granada que trazia-... É um estouro.

—Cuidado, senhor- um soldado gritou, no momento que Santana, como um lançador de bola no basebol, arremessou a granada contra os russos, bem entre onde eles estavam e seu chefe. Dave foi atirado para longe por um de seus guarda costas, que foi o que sofreu o efeito catastrófico do explosivo. Sobrou-lhe mal as botas. O que restou da segurança passou a atirar contra Santana, que rapidamente se jogou atrás de uma moto estacionada para se proteger, tirando a AK-47 das costas e a usando para atingir o inimigo bem nas pernas. Aproximou-se e chutou sua arma para longe. Procurou Karofsky com o olhar e o mesmo já havia desaparecido.

—Esses russos de hoje em dia... Lisos feito sabão... Vou ter que ser mais rápida da próxima vez- assobiou, e passou a cantarolar enquanto se retirava do lugar, com a arma apoiada no ombro. Parou repentinamente ao sentir algo, caindo de joelho, prostrada. Pôs as mãos na cabeça e a sentiu ser prensada como por uma morsa. Cuspiu um pouco de sangue no chão e respirou fundo. O corpo inteiro tremeu. Levou a mão ao rosto e suspirou- Que belo dia estou tendo hoje, não?

***

—Ela está atrás de mim!- Karofsky conseguiu chegar no topo da base subterrânea secreta, quase chegando a um estacionamento de iates. Carter estava presente e havia mais alguns homens ao seu lado, dos quais prestavam atenção nas ordens dada pelo cientista.

—Acalme-se, David. Tudo está sob controle- apesar da firmeza que ele empregou as palavras, até mesmo Carter parecia preocupado. Relatórios da base indicavam que muitos de seus níveis haviam sido destruídos, muitos de seus homens estavam desaparecidos e não seria mais seguro que ele ficasse ali, pois depois de várias tentativas, não conseguiu em nenhuma delas retomar o controle de Santana e ela estava se tornando cada vez mais nociva a quem quer que fosse. Suas atividades neurais estavam nas alturas, era como se outra coisa a movesse agora, outra força.

—Ela vai nos matar. É o demônio.

—Discordo!- a latina estava sentada a uma janela, observando tudo o tempo inteiro, com a arma apoiada na perna e o contínuo sorrisinho brincalhão- Eu sou bem pior que o demônio.

Houve uma tentativa de resistência. Os soldados de Carter atiraram rapidamente contra ela, e a mesma abusou de suas habilidades para desviar de todos os ataques, se esgueirando por entre alguns móveis do lugar, mesmo que tivesse sido atingida por pelo menos três tiros de raspão pelos braços e pernas, ela não parou, concentrada a cada alvo até nenhum dos agressores sobrar com vida. Um por um foi caindo, todos com tiros na cabeça até sobrar somente David e Carter ali, sobre um mar de sangue banhando seus calçados. Ao contrário de Karofsky, que estava sofrendo do mais puro temor por sua vida, Carter estava contente pelo o que presenciava. Santana estava se saindo melhor do que esperava. No fundo, podia não ser tão fundo, sua Scorpius ainda imperava naquele corpo. Dava para ver pelo seu olhar.

—Somos tão sortudos, não é? Paramos todos aqui, no mesmo lugar, todos prontos para morrer pelo o que precisam... É algo tão bonito de se ver, não é, mestres dos mestres? O que acha, Karofsky, seu menino levado?- indagou, cinicamente. Os outros dois a encararam estáticos- O que, vocês não estão? Minha nossa, esperava mais de vocês. Não era você, Karofsky, que era considerado como demônio russo? Francamente, que decepção... Isso tudo deveria soar tão divertido e excitante- soltou uma risadinha irônica. Santana mostrava um evidente descontrole emocional, o que podia não ser uma boa ideia para a ocasião. Seus olhos negros estavam úmidos, era como se no seu interno uma batalha por controle fosse travada e ela sofresse amargamente. Até suas pupilas estavam dilatadas, a pele ficando esbranquiçada e sem vida.

—Então você nos achou?

—Um grande viva para mim, papai- ela caçoou.

—O que acha que ela vai fazer com a gente?- Karofsky perguntou baixo para Carter, que sorriu em retorno.

—Olhe em seus olhos- pediu para David- Vai nos matar.

—E você diz isso assim, tão naturalmente?

—Você desiste fácil demais, Karofsky... Boa sorte com ela- Carter então apertou um botão de um aparelho que trazia consigo e uma pequena aeronave surgiu sobre sua cabeça, lançando um campo magnético que o puxou para dentro. Santana ainda tentou atirar, mas as balas foram repelidas pelo magnetismo adulterado e voltou contra ela, onde um dos projéteis acertou a lateral de sua cintura.

—Droga! Que merda!- ela caiu com a mão no local, dolorosamente. Sua calça azul agora estava por grande parte machada de vermelho vivo, o sangue de Santana Lopez quase espirrava sem controle. Karofsky aproveitou a oportunidade para fugir dali. Ele faria de tudo para sair com vida e triunfante dessa confusão toda- Ah mas ele não vai sair daqui mesmo- Santana correu até um dos soldados feridos e de lá pegou um rifle com um armamento especial. Eram nano robôs que corroíam todo e qualquer metal que entravam em contato. Ela só precisaria de um tiro perfeito. Leu sobre isso em algum manual na sala de armamentos. Santana então correu até a plataforma móvel que auxiliava na manutenção das aeronaves e ergue-se a vários metros do chão. Carter já estava longe, mas a precisão da mira da arma avançada tecnologicamente a daria uma grande vantagem- Vamos lá, Santana... Se concentra- ela esperou alguns segundos, seguiu lentamente na direção que a aeronave de Carter se dirigia, depois direcionou para alguns centímetros longe da mira e foi, com um tiro certeiro que a bala com os nano robôs atingiram sua hélice. Não demorou para se ver ao longe o helicóptero se desfragmentado aos poucos até cair no mar e por lá se perdeu- Acho que um certo cientista vai se atrasar para seu compromisso- soltou uma risadinha de escárnio- Hasta la vista, Carter.

***

Rachel estava com pressa. O barulho de seus saltos pelos corredores da base denunciavam isso. Ela entrou rapidamente na sala de Carter e foi direto até o compartimento secreto e por lá ficou algum tempo, só saindo quando levava consigo uma mala cheia de riquezas que pertenciam a Carter. Embora mal conseguisse carregar aquilo, ela não poderia estar mais satisfeita.

—Bom, San, você não quis ficar comigo e rica, agora vai morrer sem ter nada- sorriu, de soslaio.

—Eu discordo totalmente!- Quinn apareceu mais atrás, pegou Rachel pelos ombros e lhe joelhou forte no estômago. A pequena Berry mal teve tempo de pensar e já estava no chão se contorcendo. Sim, a loira deveria estar bem longe com seu pai ordenara, mas algo pediu que ela estivesse ali, agora. E foi bem difícil convencer Nilo a levá-la para lá, não podia estragar essa chance- Isso foi por corromper a minha garota, vaca.

—Droga, de onde você saiu, garota?

—Pode acreditar, querida, eu vim de seus piores pesadelos- Quinn caminhou até a mala que Rachel arrastava e fez um bocado de força para puxá-la.

—Fique longe disso- a baixinha alertou. Quinn já sabia bem do que se tratava e ela impediria com certeza os planos de Rachel se safar dessa, então foi próximo ao elevador, o acionou e jogou a mala no vácuo. Rachel gritou desesperada, e se jogou contra Quinn. As duas entraram em luta corporal, Rachel conseguiu ficar sobre Quinn e a acertar com alguns tapas- Está vendo, inglesinha metida. Você não é páreo para mim. Pena Santana não estar aqui para ver a melhor em ação. Se prepare para pagar os milhões que acabou de me fazer perder.

—Sai de cima de mim.

—Eu vou acabar com você, loira- apontou diversas vezes para o rosto de Quinn- E sabe, você devia ter visto as noites de sexo que eu tinha com a “sua garota” enquanto você chorava sua morte. Ela é insaciável, sabe? Repetíamos várias e várias vezes- aquilo subiu uma fúria sem limites na loira, que, como em um flashback, lembrou-se das aulas de defesa pessoal que Santana lhe dera, posicionando o joelho de uma das pernas entre as de Rachel e a jogou para trás, tomando o controle da situação. A judia fora castigada com vários tapas, o que a deixou completamente vermelha. A loira apoiou uma das canelas contra o estômago de Rachel e fez pressão, fazendo-a soltar seus fios dourados entre os dedos da judia, então assim pode se levantar e finalizar toda a batalha com um chute no rosto da morena, que veio a desmaiar quase que instantaneamente.

—Sabe, eu odeio violência, mas isso foi revitalizador- limpou as mãos em seu vestido, pousando a mão na barriga e a acariciou- Me desculpe por isso, bebê- escutou Rachel gemer- Isso, Berry, foi por ter destruído a vida de Santana. Mas só tenho a te agradecer... Você com isso mandou-a direto para mim- Quinn se agachou, se aproximando do ouvido de Rachel- E agora seremos muito feliz enquanto você apodrece na cadeia.

Nesse meio tempo, Nilo com seu parceiro se aproximou e ambos ficaram surpresos ao ver Rachel naquele estado e Quinn ao seu lado, totalmente sorridente.

—Está tudo bem aqui, Quinn?- o irmão mais velho de Santana indagou, intrigado.

—Não poderia estar melhor- Fabray sorriu, observando o soldado analisar Rachel ainda gemendo no chão.

—O que faço com ela?

—Leve para Brittany... Diga que é um presente meu.

***

Karofsky alcançou a garagem e entrou no primeiro carro que avistou, onde por sorte a chave já estava no contato. Ao sair dali, durante o caminho, percebeu estar sendo perseguido por Santana, em uma moto. Ele gritou para os homens do portão que estava sendo ameaçado e apontou a direção, logo Santana era recebido por muitos tiros, um deles, atingiu o tanque da sua moto, o que fez saltar de lá antes que ela explodisse. Os soldados inimigos já se aproximavam, Santana estava no chão, sua arma fora parar bem distante.

—E tudo só melhora!- ela olhou para céu, estava limpo. Com poucas nuvens. Alguns passáramos a sobrevoavam, como se a convidassem para voar com eles. Seria uma bela visão para se morrer, pensou ela. Por sorte, antes mesmo que os soldados a alcançassem, tiros amigos a envolveram, expulsando seus agressores. Uma mão se estendeu a ela, e com o Sol forte nos seus olhos, não deu para ver de quem era, mas sabia que devia confiar. Acabou por aceitar a ajuda, se dando de frente a olhos extremamente azuis e amigáveis- Olha se não é a Britt Britt.

—Achou que estava sozinha, Lopez?- a loira crispou os lábios, e piscou, de maneira brincalhona.

—Nunca tive muita sorte com garotas bonitas, sabe?- Brittany trocou o pente de sua pistola e entregou a Santana.

—Esse seria um belo começo, não acha?

—Não sei... A gente só transou.

—E você fugiu logo então... Deveria ter atirado em você por isso, principalmente quando estava na forma de uma psicopata- as duas se olharam, séria.

—Essa Brittany é sinistra... Mas está me agradando loucamente- ambas se entreolharam, e instantaneamente, começaram a gargalhar- Você é muito especial para mim, Britt- Brittany abraçou forte a latina, o quanto pode, mas prevendo algo pesado vir à tona, Santana logo soltou a loira e pôs a andar a passos firmes pelo rastro que Karofsky deixou.

—Não precisa ser assim, San. Vingança nunca é o certo a se fazer- Brittany gritou, fazendo Santana parar e olhá-la por alguns segundos.

—Não é por vingança, Britt... É por justiça- seguiu seu caminho e não olhou mais para trás. Ela não estava nem um pouco a fim de retroceder com seus planos. Era por seu pai, seu herói, ela devia isso a ele, a sua memória.

***

Depois de um tempo, Karofsky estava seguro de que já havia escapado eminentemente de Santana, porém, mal contava ele de que ela, por ventura, pularia no capô de seu carro e o faria quase perder a direção do mesmo.

—Para o carro, Karofsky.

—Como diabos você veio parar aqui tão rápido?- ele se surpreendeu.

—Vai ver você que é lento demais- zombou- Agora pare o carro e vamos conversar.

—Se eu fosse você, não ficaria aí em cima- Karofsky alertou, com um ar perverso, e antes que Santana sacasse sua arma, ele apertou um botão no painel do carro que fez saltar o capô onde a mulher estava de joelhos, e ela só não caiu no meio da estrada, pois rapidamente saltou sobre o teto, perdendo sua arma nesse processo. O russo aproveitou o momento para sacar uma arma, que devia estar repousada no banco ao seu lado e passou a atirar pelo teto, Santana desviou como podia,rolando de um lado para o outro no intuito de não ser atingida- Você só está adiando o inevitável, latina. Eu vencerei no final disso tudo.

—Vai sonhando, Karofsky!- a latina gritou lá de cima, observando que a janela do passageiro ao lado de Karofsky estava aberta e,assim que notou que as balas dele acabaram, ela escorregou pela abertura- Enfim sós!

—Caramba, você não morre, não?- ele disse, irritado.

—Há quem diga que é quase impossível- ela tomou a arma de sua mão, desmontando a parte de cima. Rapidamente o russo tentou pegar o aparelhinho que continha as coordenadas para lançar as ogivas e assim ativá-las, mas Santana foi mais rápida, percebendo o que era, e chutou o detonador para fora do carro.

—Você tem noção do que acabou de fazer? Me fez perder milhões.

—Você supera- deu de ombros, tentando puxar o freio de mão do carro para Pará-lo, Karofsky a empurrou contra a porta, lhe dando um tapa extremamente forte. O carro oscilava pela estrada.

—Eu devia ter te matado quando tive chances. Eu teria realizado meu sonho agora, teria Quinn de volta.

—Você não a merece.

—EU A AMO!- gritou, tentando acertar outra tapa em Santana, que segurou sua mão e devolveu com um soco.

—Foi por isso que batia nela?- outro soco. O nariz de Karofsky sangrou- Foi por isso que a humilhava?- segurou a cabeça do russo e a empurrou contra o vidro da janela, chegou a trincá-lo com o impacto pelas vezes que bateu- Você tinha a mulher mais linda e agradável que se pode querer.

—Ela foi relapsa com seus deveres de esposa, por isso mereceu aquilo- Karofsky tentou argumentar, mas só piorava sua situação. Santana agora acertou seu estômago com um soco. Isso fez com que ele batesse com a mão no volante e o virasse, o carro se desestabilizou mais e invadiu o outro lado da estrada, derrubando uma placa que alertava a existência de uma ribanceira.

—Você vai pagar por cada coisa que fez. Principalmente por ter matado o meu pai.

—Eu não matei seu pai.

—É mentira- ela lhe daria mais um soco, porém ele segurou seu braço.

—É sério, eu não o matei. Eu tentei, é fato, até acertei um tiro em suas costas, foi de raspão,mas não tive coragem de terminar.

—Rachel falou...

—Escuta, eu falo muitas coisas por aí, tá? Tenho uma imagem a zelar. A fama que tenho é banhada em mentiras. Não fiz nem metade do que eu já falei por aí que fiz. A morte de seu pai foi uma delas, porque ele sim matou o meu.

—Aonde está meu pai, então?- perguntei, encabulada, ignorando a explicação de Karofsky. Parecia que quanto mais eu buscava a verdade, mais ela fugia de mim. Se David não matou meu pai, e pelo visto foi a última pessoa que o viu depois de toda a confusão, onde ele foi parar?

—Não sei seu pai, mas você está sabendo demais para sair daqui com vida- ele tirou uma faca de um compartimento que ficava na porta do carro, aproveitando o estado de choque de Santana. Desferiu um golpe para acertar a cabeça da morena, porém, por reflexo, ela levantou o mão, o que fez o objeto cortante atravessá-la.

—Que droga, Karosfky- ela puxou a faca atravessada em sua mão e a atirou em qualquer canto, o sangue escorria por seu braço, mas ela nem deu atenção para isso. Só queria respostas- O que mais sabe sobre meu pai?

—Ah, vai se ferrar. Espero que ele esteja no fundo do mar agora- nessa discussão dos dois, Karofsky não percebeu que estava chegando aos últimos metros de terra, e com o soco que a latina novamente lhe acertara, só piorou a situação. Logo o carro pendia para dentro do mar. A porta do lado de Santana estava mal trancada, e na hora que o carro deu uma batida na ponta do barranco, ela se abriu e jogou a latina para fora, onde ela caiu no limite da queda. Já o russo não teve a mesma sorte, não conseguiu tirar o cinto a tempo, acabou indo parar na água com carro e tudo. No momento que bateu contra a água, o airbag se abriu, porém, isso não foi um alento, o pescoço de David Karosfky sofreu um grande dano pelo impacto e acabou quebrando, matando-o instantaneamente, sobrando apenas Santana e seus demônios.

***

Algum tempo depois:

A latina tinha um olhar perdido para as águas, como se estivesse em transe, com uma das mãos estendidas para a enorme queda enquanto observava o sangue de um ferimento, que aparentava ser profundo, na palma de sua mão, ir pingando aos poucos até se perder no ar. Nos olhos castanhos escuros, gotículas de lágrimas molhavam seu olhar, triste, contrito, querendo que tudo aquilo logo tivesse seu fim, como em um telão, seu tormento era retratado.

E foi assim, nesse evidente sofrimento interno, que ela, Santana Lopez, deu um passo grande até mais perto do ponto de queda da barreira, e logo mais outro. Quando mais próxima, inclinou o corpo e esperou a brisa ir aos poucos lhe tomando para enfim se jogar naquele grande azul que lhe chamava agora.

—San, não!- foi no último instante, quando Santana já estava perto de se atirar no mesmo lugar da queda de David, que Quinn apareceu, agarrou-a pela cintura, e a puxou para trás com toda força que tinha, até pô-la em segurança, deitada na grama- O que você pensa que estava fazendo?- a latina não disse nada, apenas encarou Quinn e caiu em lágrimas dolorosas, levando a mão ao rosto, perturbada- San, amor... Está tudo bem. Tudo está acabado agora. Graças a você.

—Não... Não- era só o que ela falava, em meio a soluços e revoltas, onde ela bateu diversas vezes o punho contra o chão, da mão sangrando. Quinn tentou segurar seus braços, mas foi em vão. Russel se aproximou ao lado de Brittany, Nilo e mais alguns agentes. Todos ficaram observando o quanto um ser humano pode ser afetado por escolhas alheias e o quanto pode ser sofrível lidar com as conseqüências das ações usadas para consertar tudo. Olhando ao redor, para todos aqueles corpos espalhados, cartuchos vazios, projéteis, coisas explodindo e tornando-se cinza, só perceberam que tudo havia chegado a seu limite. Santana havia chegado no seu limite e agora tudo desmoronou de uma vez para ela. Estava inconsolável.

—Elas precisam de um tempo... Vamos, pessoal- Russel pediu, todos acataram, com pena da cena que viam. Brittany sentiu seu coração apertar pelo estado machucado de Santana, Nilo derrubou algumas lágrimas pelo sofrimento da irmã, do qual ele não tinha mais dúvidas de que era a verdadeira.

—Amor, eu estou aqui. Eu amo você- a loira acariciava os cabelos negros da outra, mantendo-a em seu colo ao beijá-la com extremo carinho- Por que você está assim?

—Eu fiz isso... E-Eu destruí pessoas defendendo uma mentira- respondeu, em meio a soluços.

—Como assim?

—Meu pai não morreu naquele ataque. E eu sequer sei onde ele foi parar- a latina então se sentiu- Eu quase enlouqueci para limpar sua honra quando na verdade eu nem sei se ele tá morto de verdade. Por que todos só metem para mim, Quinn?

—Suas questões serão respondidas em breve, querida. Agora só temos que juntar nossos cacos e seguir em frente- acariciou o rosto de sua amada, deixando um selinho demorado em seus lábios. Assim que acabou, Santana a olhou incrédula.

—Você fala como se fosse fácil. Eu matei Carter, matei a maioria de seus soldados e depois matei o Karofsky. Manchei minha consciência... Não me sinto mais à mesma depois disso. E o que me sobrou? Que sentido tem a minha vida agora? Meu corpo inteiro arde em chamas- Santana se levantou, com a mão no estômago, se sentia muito enjoada. Quinn repetiu o gesto, visivelmente inquieta e preocupada pela quantidade de ferimentos que Santana aparentava ter- Anda, Quinn, você não tem as respostas? O que mais pode vir a acontecer agora?

—Eu estou grávida!- saiu quase como um murmuro, porém foi o bastante para que Santana se paralisasse quase por completo. Não tinha mais o que esperar, esse era o agora ou nunca para Quinn.

—Espera... O que?

—Eu estou grávida, San. E eu posso explicar tudo direitinho, se você me der uma chance- tentou um abraço com Santana, mas a mesma segurou seus braços, com um olhar de pura confusão no rosto.

—Como você teve coragem de fazer isso comigo?- os olhos da latina pararam na loira, avermelhados depois do choro compulsivo- Por favor, não me diga que é do meu irmão... Na verdade, me diga que é mentira.

—Deus, San, pare de falar por um instante, por favor. Não é mentira e tampouco é de Rob.

—Sai da minha frente.

—Você não vai sair daqui- Quinn segurou firme os ombros de Santana e a encarou no profundo de seu ser.

—Me solte, por favor. Eu não quero ter que machucar você- fuzilava a outra com um olhar sentido. Além de tudo isso, ela estava com muita dor.

—Teria coragem de machucar a mãe de seu filho?

— Meu... Filho?- os ombros de Santana caíram, tão quanto suas pernas ficaram bambas- Que loucura é essa agora?

—É uma longa história, San, mas resumindo: papai tinha um pouco de seu material genético que ele combinou ao meu e mais a outros materiais de fertilização, então aconteceu. Eu só queria ter um pedacinho de você comigo, quando achei que tinha te perdido, papai conseguiu isso para mim- pegou a mão de Santana e levou a seu ventre- Eu vou ter um bebê seu.

—Minha nossa senhora!- a latina balbuciou, com os lábios tremendo, os olhos úmidos. Ficou paralisada ao olhar para Quinn, com a mão em seu abdômen, já sentindo uma pequena, quase imperceptível, protuberância. Ela sabia que havia sentido alguma coisa vindo do ventre de Quinn, que ela estava diferente e que seu corpo havia se transformado, mas nunca na vida ela imaginaria que seria um bebê ali, muito menos que fosse um bebê SEU também- Uau!

—Eu sei, San. Não é incrível?- a loira chorava emocionada, levando a mão livre de Santana para seus lábios, beijando-a com amor. O semblante da latina era de extrema confusão, incredulidade e outra coisa que Quinn não muito se agradou... Temor!-Amor, fala alguma coisa...

—I-Isso...- sua voz faltou- O que você fez, Quinn? Santo Deus. Você não tem noção do que fez- as duas se encararam assustadas... Quinn sentiu uma angustia no peito, Santana mordeu os lábios com força. O grito de um Soldado mais atrás assustou a todos.

—TEM HELICOPTEROS VINDO EM NOSSA DIREÇÃO!

Ele alertou. Algumas aeronaves começaram a sobrevoá-los, assim como vários carros pretos os cercaram de uma maneira pouco amistosa e de lá saíram homens bem equipados, de armas apontadas para o grupo sobrevivente de Russel, onde repetiram o gesto, formando um escudo de frente a Santana e Quinn. De dentro de um dos carros saiu um rapaz de estatura mediana, pele clara, cabelo escuro moldado em gel, e apesar do colete a prova de balas, notava-se que tinha uma maneira peculiar de se vestir, com uma delicada gravatinha borboleta vermelha adornando o pescoço. Brittany logo o reconheceu.

—Anderson? O que faz aqui?

—Vim terminar o que você começou, querida- ele disse, sorridente. Três homens armados o escoltaram até o grupo- Vim levar Santana Lopez em custódia... -todos se entreolhavam, surpresos- Com o poder a mim investido, Santana Lopez, você está presa.

Notas finais
EEEEEEITA< PREULA! E AGORA? O que vocês acham que Santana fara sobre essa gravidez de Quinn? E essa prisão? E a pergunta que não quer calar: Onde estará Antony Lopez, pai de Santana? Aguardem a proxima temporada muhaha É, gente, acabou. Meu coração está jogado aos lobos nesse fim de fic, porque eu queria que fosse algo melhor, mas melhor não os posso dar. Se acompanham minhas outras fics, sabem do meu estado de saúde e que ta chato para mim continuar, por isso dei uma pausa para me recuperar. Mas enfim, espero que tenham gostado e que estejam comigo na segunda parte da história... A segunda temporada de LPD ehhhhhhhh Prometo quando tiver melhor, eu lhes entrego a segunda parte, por enquanto, vou repousar minhas costas cansadas para voltar com todo gás para vocês. Foi uma honra escrever essa estoria e uma honra maior ainda saber que vocês gostam e sentem carinho pelo o que escrevo. De certa forma, eu me sinto especial por isso. Já amo cada um de vocês. Um grande beijo no coração. obs: o título provisório da próxima temporada se chama: Ligadas pelo destino- A ameaça orgânica esperem de tudo um pouco para essa segunda parte da fic.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!