Ligadas pelo destino

25 Capítulo 25- E que comece a festa! Parte 5


Notas iniciais
Hey, galera! Eu sei, demorei pacas, mas, que sufoco que eu tenho passado, sô. Esse ano promete pra mim, viu! Logo porque também acabei de encerrar meu curso, então as coisas ficarão beeemmm mais corridas. Só pra vocês terem ideia, já tenho quatro viagens marcadas só nesse iníciozinho de ano. Prometo fazer de tudo pra continuar postando. Agradeço pelo carinho de todos em comentar, favoritar, espalhar por aí essa bagaça coisada e estar sempre me motivando a continuar. Tá aí mais um capítulo e botem fé... As coisas só tendem a ficar mais arretadas.

Adoro chuva! Adoro mais ainda aquele friozinho que fica depois que ela se vai. Mas amo de verdade é aproveitar esse clima em uma calmaria gostosa com a loira mais linda e deliciosa dos cosmos. Depois de nossa incrível noite perfeita (UAU), Quinn adormeceu em meus braços, com a cabeça repousada a meu peito, em um sono sereno e profundo. Nada poderia ser mais especial do que ter a mulher que amo em meus braços, nessa tranquilidade divina e...

–RÁÁÁÁÁÁÁ RÁÁÁAÁÁ!

–VALEI-ME!- um corvo bateu gritando com tudo na janela que eu estava encostada, me assustando desgraçadamente e sem querer joguei Quinn no chão do carro.

–Você enlouqueceu, Santana? Por que fez isso? Nossa!- Quinn indagou meio perdida e confusa, tentando se levantar.

–Oh, minha nossa senhora! Me desculpe, Quinn. Foi aquele pássaro do Satanás que me assustou- me desculpei agoniada pela situação da loirinha caída de mau jeito ali- Vem cá, deixa eu te ajudar- a puxei pela cintura, deixando-a sentada entre minhas pernas. Beijei o ombro exposto dela e escorreguei pelo pescoço- Desculpa mesmo. Você se machucou?

–Não, estou bem. Só me assustei- suspirei aliviada- Sei que não fez de propósito, portanto, não fique preocupada- a ouvi bocejar preguiçosamente e começar a acariciar minha mão em sua cintura- É a primeira vez que ouço falar em pássaros que atacam carros parados.

–Vai ver estava voando por perto, viu uma corvinha bonitinha, se distraiu e CATAPLOFT a cara na janela... Fêmeas e seus efeitos mortais- ela riu pelo nariz.

–Só você para pensar algo assim.

–Estamos no Texas, aqui tudo é possível.

–Pode até ser, mas não acredito em certas casualidades. Acho bom averiguarmos.

–Ah não, gatinha. Aqui está tão bom- choraminguei, lhe apertando mais contra meu corpo e afundando o nariz na curva de seu pescoço. Quinn riu baixo.

–Teremos muito tempo para momentos como esse.

–Eu discordo- sussurrei rouco no ouvido dela- Nessa situação, dificilmente teremos um momento de descontração como o que estamos tendo agora. Quero passar o tempo que puder com você, amor. Não estraga- ela calou-se e respirou profundamente.

–Nós vamos dar um jeito, tudo bem?- eu nada disse, apenas encostei a cabeça no vidro e encarei o teto suspirando- O que foi?

–Nada- ela se ajeitou no banco para poder me encarar.

–San, sabe o quanto eu quero ficar com você.

–Eu sei, desculpa- sorri fraco para ela- Vou ver o pássaro que bateu no vidro. Com licença- ela se afastou para que eu saísse. Abri a porta, pegando minhas roupas pelo chão do carro para começar a vesti-las. Quinn acompanhava tudo me encarando em silêncio. Eu estava frustrada, chateada, sei lá, preferi ficar quieta e evitar qualquer discussão. Isso tudo não é nada fácil. Querer se manter em um relacionamento enquanto está tentando salvar o país, sendo perseguidas por um sádico que quer nos matar, está longe dos parâmetros normais de uma relação. Então se eu quero que isso dê certo, tenho que me conformar com a situação.

Vi que o corvo se debatia no chão. O analisei com cautela e percebi que havia quebrado o pescoço. Mas também com uma batida da peste como a que deu no vidro de Francyne, não sei como não atravessou e me acertou no cocuruto. Esperei que ele morresse para pegá-lo e o examinasse melhor. Notei que em sua pata esquerda havia uma etiqueta com um desenho de facas formando um K. Fiquei intrigada com aquilo. Parecia coisa da máfia. Lembro-me de ter ouvido meu pai falar disso em nossos estudos, mas como eu dormia mais do que prestava atenção na aula, não tinha tanta força pra firmar tal coisa.

–O que foi, San?- Quinn perguntou saindo de Francyne.

–Esse corvo não é comum!- exclamei séria, encarando o corvo morto de olhos esbugalhados em minha direção- Ele é de alguém.

–San, solte isso. Ele pode ter alguma doença e... – Quinn paralisou de olhos arregalados quando viu a etiqueta na pata do pássaro.

–Quinn?- Franzi o cenho, lhe encarando- O que foi? Ficou quase transparente.

–Esse corvo.

–O que tem ele? Sabe a quem pertence?- ela confirmou- Quem?

–David.

–É do Karofsky? Mas como um corvo daquele russo escroto do caramba veio parar no vidro de meu carro?

–É um sinal- respondeu visivelmente assustada.

–Sinal de quê?- eu já estava quase azul de intriga e Quinn lilás de espanto- Ande, mulher, me fale. Isso é sinal de quê?

–De morte- meu estômago revirou pela forma sinistra de que ela falou. Em minha cabeça alguém girou nesse instante...

–Mamãe!

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Se Vin Diesel me visse agora, com certeza ficaria com inveja da velocidade que Francyne estava alcançando. Eu estava cortando o vento na direção da casa de meus pais, no intuito de chegar antes que alguma desgraça alcançasse minha mãe. Estava em um estado tão grande de agonia, que sentia o pé pesar uma tonelada naquele acelerador.

–San, vá com calma. Assim irá nos causar um acidente.

–Sem nenhuma calma agora, Quinn. Minha mãe está correndo perigo- eu podia estar magoada o que fosse com a dona Maribel, mas ela ainda era minha mãe.

–Eu sei, amor, mas precisa estar sob controle para obter êxito no que deseja . Sua mãe ficará bem- Quinn disse em um tom calmo de voz. E apesar de ser sempre firme, algumas vezes fria (que me machuca em maioria) e de narizinho arrebitado de granfina inglesa, ela sempre tentava me manter tranquila em momentos como esse, em que eu parecia uma bomba de pavio curtíssimo. Senti os dedos de Quinn passarem por entre meus cabelos, em uma carícia tenra e calma.

–Quinn, eu...

–Shiiiii, respira fundo- ela pediu, sussurrando próximo a meu ouvido. Apesar de meu estado catastrófico de agonia, ao fitar aqueles olhos tão lindos e serenos, pude sentir a tranquilidade repousar no peito e o aliviar aos poucos. Respirei fundo sem quebrar nossos olhares e retornei para a estrada, agora mais centrada- Então... Mais calma?

–Não sabe o bem que me faz, loirinha- ela sorriu levemente, beijando-me demorado a bochecha- Obrigada.

–Não precisa agradecer, meu bem. Estamos juntas nisso- pousou a mão sobre a minha no câmbio. Acariciei seu polegar.

–Estamos sim.

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Passei pelos portais da entrada da casa como um foguete, acompanhada por Quinn, que ia agarrada a todo momento a minha mão. Logo quando cheguei na sala, vi Danilo vir a minha direção com um sorriso malicioso nos lábios.

–Passeio demorado esse de vocês, hein!

–Cadê a mamãe?- perguntei sobressalta, ignorando seu comentário.

–Olha, quando eu a vi ainda agora pouco, me disse que ia alimentar os animais lá no fundo da casa.

–Perto do celeiro?

–Naquele rumo- ele respondeu me olhando em intriga- O que está acontecendo, Santana? Está mais estranha que de costume.

–Problemas, Nilo. Dos grandes e cabeludos- Nilo acariciou o queixo em confusão- Cadê o xerife da cidade? Ainda é o Trent?

–Trent morreu há quase dois anos.

–E quem o substituiu?

–Está olhando para ele- Nilo cruzou os braços, me enviando um olhar questionador. Também queria lhe fazer uma pergunta, como por exemplo, que conseguiu se tornar xerife da cidade. Ele nunca foi muito chegado a coisas como essa, acho que foi por isso que papai não encucou muito com os estudos de artes marciais e derivados com ele. Resolvi deixar isso de lado, porque não dispunha de muito tempo para conversa.

–Escute, Nilo, vamos precisar de todos os homens que tiver em sua delegacia e...

–Espera!- me interrompeu, fazendo um sinal de ‘’pare’’ com a mão- Primeiramente, pra quê precisa de tantos policiais? E segundo, mesmo se eu fosse concordar em chamá-los por sei lá que motivos você tenha, não seria possível agora. Eles foram para um treinamento de última hora no Arizona. Apenas eu fiquei na cidade.

–Deus, San. Foi ele- Quinn agarrou-se a minha blusa com um semblante temeroso- O que faremos?

–Não sei, mas preciso tirar todos daqui o quanto antes.

–Em nome de Deus, Santana, me diga o que está acontecendo.

–Quinn te conta tudo. Agora tenho que encontrar a mamãe. Onde está Kitty?

–Em casa dormindo, eu acho.

–Ligue pra ela e peça para que permaneça lá e não confie em ninguém- ele assentiu e eu corri em disparada para o quintal. Procurei dona Maribel por todo lugar, até encontrá-la no celeiro alimentando a prima da Rachel, dona vaquinha, e o bode feioso Fred III. Ela me percebeu ali.

–Oi, filha.

–Mãe, eu... Frederick? Ainda está vivo, seu ordinário?- ele se inquietou quando me viu- Ah, que se dane... Dona Maribel, a senhora tem que vir comigo.

–Algum problema, filha?

–Não tenho tempo para explicações. Só peço que confie em mim- ela balançou a cabeça aceitando e a peguei pela mão, tentando ser o mais delicada possível nisso. Fomos rápido para casa, encontrando um Nilo inquieto ao lado de Quinn.

–É verdade?- perguntou correndo até mim- É verdade isso que Quinn me falou? Um dos maiores traficantes mafiosos do mundo está vindo para cá?

–Quanto a ele vir eu não sei, mas que o bando de formiguinhas dele pode estar chegando, ah, mano, estamos bem fudidos com isso.

–Santana!- minha mãe e Quinn me repreenderam ao mesmo tempo. As duas me encararam de braços cruzados e olhares bravos. Me ferrei em dobro agora.

–Olha essa boca, filha.

–Desculpa, mamãe. Só falei a verdade- dei de ombros, virando-me para Danilo de celular em mãos- Falou com sua esposa?

–Falei. Lhe passei as instruções- guardou o celular no bolso traseiro da calça- Cara, ainda estou tentando entender isso tudo. Quinn me explicou a situação, mas nada entra em minha cabeça.

–Dois- elevei dois dedos em sua direção- Mas isso não importa nesse momento. O que devemos nos preocupar agora é que provavelmente um bando de russos dos infernos está vindo pra cá e estamos em pouco número.

–Pouco número de quê?- Rob perguntou descendo as escadas. Ele estava sem a blusa, com ela em seu ombro. Marley estava ao seu lado segurando sua mão. Não tive tempo pra fazer um comentário sacana sobre a cena, tinha que lhe pôr a par de tudo.

–Rob, ainda bem que apareceu. Fiquei preocupada com você, moleque- corri até ele e o abracei brevemente- Depois falamos sobre vocês dois- apontei para o cabeça de salsicha e a garota de meias estranhas coloridas e eles me enviaram um olhar constrangido. Aí tem coisa! Só observo essas zoeiras.

–O que foi, San?- perguntou mais vermelho que ele já era de nascença.

–Más notícias, moleque. Russos à vista- ele me encarou temeroso- Eu sei, o negócio está feio para o nosso lado.

–Devem estar atrás de mim. Eu sumi sem motivos- Rob disse ficando nervoso- Olha, eu saio daqui e todos ficarão bem. Fiz uma grande idiotice indo atrás de você. É claro que eles me encontrariam, desculpa. Eu sou muito burro, burro, burro!

–Hey, vamos manter a calma, cabeça de giz de cera- segurei suas mãos, que ele batia contra a própria testa, entrelaçando nossos dedos e o encarando profundamente- Primeiramente respira fundo. Como te ensinei para se acalmar- ele assentiu e pôs a mão no peito, respirando com calma- Melhor?

–Estou sim. Obrigado- sorri levemente em resposta.

–Rob, não acho que é por você que estão vindo- Quinn expôs, aproximando-se da gente- Encontrei um programa suspeito no rastreador e acredito que seja uma espécie de localizador de ondas curtas. Hataki não só retirou o programa que havia colocado no aparelho, como também inseriu a ele outro quase imperceptível.

–Aquele olho puxado safado!- praguejei- Eu juro que se pego ele faço uma desgraça.

–Calma, San- a loira pediu, abraçando minha cintura pela lateral- Precisamos estar calmos para pensar em uma saída para isso.

–Acha que conseguimos sair daqui antes que eles cheguem?- ela encostou a cabeça em meu ombro e puxou o ar pelo nariz.

–Podemos tentar- concordei com um gesto de cabeça, deixando um beijo casto em seus lábios e em seguida na testa. Eu estava tão assustada pela situação e ela sabia muito bem disso. Apesar de tudo que já nos aconteceu, Quinn sempre foi minha paz nessas tribulações. Se eu estiver com ela, sinto que posso tudo.

–Urgh!- Rachel disse, fazendo careta de nojo. Ignoramos isso.

–Nossa, pra quê tanto barulho à uma hora dessas?- Enzo perguntou aparecendo no topo da escada.

–Vish, tinha me esquecido do demônio daqui de casa- zombei, o observando descer a escada ao lado da anã vaca em uma saia curta, que a deixava muito gostosa, mas muiiiiito gostosa, não posso negar. Aquelas pernas, Diós! Acho que Quinn percebeu pra onde eu olhava, pois não hesitou em me dar um belo beliscão na barriga. Lhe enviei um olhar de ‘’foi mal’’ e ela se emburrou. Enzo rolou os olhos e foi na direção da porta. Escutei barulhos de carros na entrada- Hey, espera... Aonde você vai?

–Sair?- rolou os olhos novamente.

–Espera, não podemos sair daqui.

–Você não manda em mim, Santana. Vou aonde eu quiser- colocou a mão na maçaneta e foi girando-a. Minha reação foi de correr para tentar impedi-lo de sair. Quando a porta foi aberta, tiros estouraram em nossa direção e só não acertaram o idiota do Enzo, porque o puxei pela cintura, caindo no chão com ele.

–Todos pro chão agora!- gritei, chutando a porta para fechá-la novamente. Nilo rapidamente puxou nossa mãe para se abaixar e o restante foi fazendo o mesmo em desespero. Rob quase deita por cima de Marley para protegê-la.

–San!

–Estou bem, amor. Continue abaixada- tranquilizei Quinn, que tentava vir a minha direção. Ela acatou meu pedido e se deitou por completo de bruços, com as mãos nos ouvidos para abafar os barulhos dos tiros entrando pela sala e atingindo os móveis e objetos por toda sua extensão- Nilo?

–Também não sei o que fazer, San. Minhas armas ficaram na viatura.

–Ai, minha virgenzinha de Guadalupi- mamãe fez o sinal da cruz, com medo como eu nunca a tinha visto ficar. Nilo e eu nos olhamos compartilhando a agonia. Eu estava entrando em um completo desespero, olhando para os demais com expressões de pavor, tentando se protegerem dos disparos. Respirei fundo tentando me acalmar e de repente ouvi a voz de meu pai ecoar na mente ‘’Lembre-se, filha: Em momentos de desespero, a menor porta pode ser a saída para os maiores tormentos. A melhor defesa é um bom ataque’’.

–Droga, por que não pensei nisso antes?- bati com a palma da mão na testa- Hey, escutem- gritei, atraindo os olhares atentos dos demais- Tentem chegar até a cozinha o mais abaixados que puderem. Nilo, arraste o fogão da cozinha e irá encontrar uma porta secreta que vai dar em meu QTI.

–O que é isso?

–Onde papai me treinava- ele franziu o cenho e assentiu- Rob sabe a senha. Vão- indiquei para que eles fossem e Nilo foi o primeiro a ir se arrastando até a cozinha. Quinn seguia os demais, mas parou virando-se para mim.

–Você não vem?

–Daqui a pouco. Vá com eles, tá?- sorri para ela, que hesitantemente acatou meu pedido. Com cuidado fui arrastando os móveis e fiz uma barricada na porta. Pela janela pude ver alguns carros estacionados na entrada e vários homens de armas em punhos, atirando com vontade na casa- Bando de filhos da puta! Vão treinar tiro ao alvo no rabo da mãe de vocês- gritei da sala, mas com certeza eles não ouviram. Nem eu ouvi por tamanho barulho de pipoco dentro de casa- Boa hora pra se pensar em fazer um seguro de vida- eu disse enquanto me arrastava para cozinha. Ao chegar, vi Danilo auxiliando nossa mãe a passar pela passagem secreta que dava ao QTI.

–Tudo bem?- Rob perguntou quando me viu perto.

–Mais um dia, mais um tiro... Quem pode pedir vida melhor?- brinquei, fazendo-o sorrir- Vai lá, é a sua vez- gesticulei para que ele entrasse pela passagem e em seguida o segui, trancando a porta. Os demais observavam maravilhados a sala de treinamentos.

–Uau! Isso sempre esteve aqui?- Danilo perguntou, rodeando o lugar.

–Nada, ela aparece só quando quer. Como aquela sala nos filmes do Harry Potter, a sala precisa- caçoei andando até uma prateleira média, de cor marrom ao fundo- Apresento a vocês meu QTI, feito por papai exclusivamente para meu treinamento.

–Aqui parece um quartel inteiro em um quarto só.

–Por isso o nome, Nilo. O chamamos de quarto porque eu passava a maioria de meu tempo aqui e tinha todas as coisas que me eram especiais- expliquei, procurando pelo o botão de acionamento no armário- Eu me lembro de que era por aqui em algum lugar- fui alisando alguns livros enquanto tentava me lembrar aonde estava o bendito botão. Notei os olhares curiosos sobre mim e avistei uma pequena estátua de um soldado com a arma apontada para o alto, puxando sua cabeça onde se encontrava um botão circular vermelho e o apertei. No mesmo instante o armário se abriu ao meio e um compartimento secreto, cheio de prateleiras repletas de armas de todos os tipos apareceram, fazendo todos, menos Rob, arregalarem os olhos. Só não tinha um tanque de guerra porque não cabia- Papai e sua mania de grandeza.

–Deus, San. O papai por acaso estava pensamento em dar início a uma terceira guerra mundial?

–Não exagera, cabeção- baguncei os cabelos negros como os meus de Danilo e retornei ao armário de armas, me munindo de duas pistolas 9 mm. Coloquei as munições na parte interna da jaqueta e algumas Kunais (facas ninjas) na cintura.

–Não está pensando em ir lá fora, não é, Santana?- Quinn me questionou aflita- Por favor, não faça essa idiotice.

–Ela não vai- Nilo afirmou se aproximando de braços cruzados- Não é tão louca.

–Ah, eu sou- ri parecendo uma retardada nervosa- Uma vez um certo sábio, que por acaso chamamos de papai, me disse que se a necessidade nos aparecer, devemos atendê-la. Vamos acabar com esses idiotas no melhor estilo Lopez- dei o meu melhor sorriso sapeca e me voltei para os rapazes- Quem está comigo?

–Pode contar comigo- Rob veio até mim e tocou meu ombro. Danilo pareceu pensar.

–Nunca mais eu te deixo sozinha, tampinha. Pode contar comigo também- Nilo pegou minha mão e a beijou. Olhamos para Enzo ao mesmo tempo e o mesmo se inquietou.

–Nem ferrando eu vou lá fora- o chatonildo apontou para a porta que dava para a cozinha- Não sou tão idiota.

–Você é pior que isso- eu disse terminando de me preparar.

–É um frouxo- Rob, Nilo e eu dissemos ao mesmo tempo e rimos por isso.

–Pode ficar aí, princesinha. Com ou sem você vamos dar um jeito nessa bagunça- e eu achando que não poderia me surpreender com a coragem daquele ser. Minha mãe estava quieta, observando todo lugar- Hey!- chamei sua atenção, tocando-lhe no ombro- Tudo bem?

–Minha casa está sendo destruída, meus filhos sairão em batalha e não sei o que se dará disso- ela disse em uma tranquilidade gélida- Acho que não preciso responder a essa pergunta.

–Não se preocupe, dona Maribel... Não será agora que lhe darei o gostinho de me enterrar no quintal da casa- lancei um olhar superior e dei-lhe as costas.

–Não sou esse monstro que você pintou na mente, Santana- minha mãe disse, me fazendo parar- Eu sou sua mãe e sempre te amei. Errei, admito, mas você ainda é minha menininha e não quero te perder. A nenhum de vocês- senti o coração comprimir por suas palavras, mas optei em apenas manter minha postura de indiferença.

–Eu morro pelo o que me importa, dona Maribel- deixe-a com seus pensamentos aterrados e virei a tempo que a não a visse tombar sobre a poltrona do papai e começar a chorar. Rob e Danilo já estavam prontos e me aguardavam na porta que dava para o porão. Notei Quinn encarando a parede de braços cruzados- Quinn?

–Você não deve ir.

–Hey!- a puxei pelos ombros para que pudesse encará-la. A loira tinha o queixo trêmulo, como se segurasse um choro forte e desesperado- Não chora, gatinha. Eu volto.

–Me prometa isso, por favor- ela me segurou pelas duas faces, com suas mãos gélidas e trêmulas- Me prometa que tomará cuidado e que vai se centrar a isso sem brincadeiras ou descaso consigo mesma. Mas acima de tudo, prometa que vai voltar para mim.

–Quinn...

–Só prometa, por favor. Sei que não posso te impedir de ir, porque o propósito de estar aqui comigo é exatamente esse, você usar de suas habilidades para conseguir nos proteger e manter os chips em segurança. No entanto, isso não quer dizer que eu vá te sacrificar por esse motivo. Eu te amo, Santana. E apesar de me assustar dizer isso, você é minha vida agora- ela tinha lágrimas caindo em cascata de seus maravilhosos olhos esverdeados. Eu estava quase da mesma forma, mas me continha para não piorar a situação- Amor, me prometa que volta.

–Sim, eu prometo. Não precisa ter medo. Eu sempre volto, lembra?- sorri confiante para ela, que me abraçou esmagadoramente. Deus, agora quem disse que eu quero ir depois dessa?- Amo você, tá? Cuida da mamãe por mim?

–Cuido sim- ela disse contra meu pescoço- Amo você também, San- beijei-lhe os lábios demoradamente e totalmente contra minha vontade a deixei ali e fui ao encontro de meus irmãos que conversavam entre si.

–Quais são seus planos, San?

–Ficar viva é um bom começo- cocei a cabeça tentando sorrir- Bom, como você e eu conhecemos melhor o lugar, Rob fica na sala evitando que eles entrem na casa. Eu cuido do lado esquerdo e você fica com o outro lado, Nilo. Apesar de odiar ter que fazer isso, nenhum dos dois hesite em matar se for necessário. Antes eles do que a gente, entenderam?

–Sim, senhora- Nilo disse meio atordoado, não tão diferente de Rob e eu- Pela família!

–Pela família!- Rob e eu dissemos juntos e nos separamos. Assim que Rob passou por Marley, a mesma o parou e lhe tascou um beijo digno de cinema e aplausos. Nilo e eu nos entreolhamos maliciosamente.

–Volte e terá mais deste- ela sorriu se afastando, enquanto Rob ficava no mesmo lugar com cara de demente.

–Esse não nega o sangue- Nilo comentou encarando a cena orgulhoso do caçula, assim como eu.

–Não mesmo- batemos os punhos e Nilo foi até a porta para ver se estava tudo limpo por fora. Fui até a prateleira de armas e de lá retirei um rifle. Caminhei até Enzo e o olhei bem de perto- Se tocar em minha mulher, eu corto sua cabeça fora- o alertei com um olhar nada amigável e em seguida joguei a arma para ele- Sei que é bom com essa, era o melhor caçador daqui. As proteja ok?

–Tudo bem- ele confirmou encabulado. Dei uma última olhada para Quinn, tocando com o indicador no lado do coração e apontando para ela em seguida, e a mesma sorriu como resposta. Se eu fosse morrer hoje, que seja com a imagem desse sorriso lindo. Palavras tortas nunca são sentidas, mas basta um olhar tenro e verdadeiro para salvar um eterna vida de amargura.

–Está limpo!- Nilo avisou, aparecendo na entrada da sala.

–Ok, vamos. Tranquem a porta- falei para os que ficariam e saí com Nilo pelo porão escuro.

Ao sair, estava tudo quieto como antes do bombardeio contra a casa. Os tiros haviam cessado, ficando apenas os ruídos chatos de grilos escondidos nas folhagens das plantas. Uma brisa fresca tocou meu rosto e pude sentir por instantes um pouco de paz pelo o clima tranquilo daquela manhã.

–Matem todos que encontrarem! Os chips são os mais importantes, então destruam o restante. Quero aquelas duas vadias mortas- aquela ordem fria fez gelar minha espinha e o medo percorreu por todo meu corpo. Nilo me fez encará-lo e gesticulou que era pra eu ter atenção e cuidado mais a frente. Beijou-me a testa e se afastou para o lado oposto.

–Hey, vocês!- escondida atrás de uma planta, o vi chamar atenção de dois capangas próximos a janela lateral direita da casa- Mexeram com a família errada.

–Mata esse idiota- um deles gritou apontando para Nilo.

–IHHHAAAA- gritou como o bom texano que é e atirou contra os dois habilidosamente. Mais chegavam e essa foi minha deixa para seguir meu caminho. Ia rezando para que tudo desse certo e que saíssemos bem daquela situação. Já ouvia tiros e mais tiros por toda extensão da casa. Pela janela dava para ver brilhos de disparos assolarem aonde Rob ficou para tomar conta. Meu primeiro algoz não demorou a aparecer. Ele tentou me acertar com o cano da arma, porém fui mais rápida e me agachei, prendendo seu pé no chão com uma Kunai. O homem gemeu de dor, tentando retirar a faca onde eu o acertei e dali rasguei o mais rápido que pude. Logo em frente um disparou em minha direção. Me protegi atrás de uma carroça velha dos disparos, subindo nela para que caísse e me deixasse mais perto para saltar em cima dele. Cravei uma Kunai em seu ombro e quando ele tombou para trás de dor, dei uma cambalhota onde fui parar de joelho de frente a outro capanga que vinha correndo, acertando-o no peito. Não tive tempo de respirar, mais três pularam do nada e me alvejaram sem dar tempo de revidar. Saí correndo (bolando) pelas árvores, parando do outro lado do celeiro. Bati as mãos no jeans para retirar a sujeira, quando uma voz grossa e usando um sotaque russo enjoado, soou atrás de mim.

–Olha só quem eu dei a sorte de encontrar por aqui.

–Biba.

–É Bilbo, sua idiota.

–Pra mim dá no mesmo- dei de ombros e sorri zombeteira.

–Vire para que eu possa olhar para você antes de meter uma bala bem no meio da sua testa estranha- esbravejou irritado. Eu franzi o cenho, tocando na testa. Tá doido, minha testa é normal... Pelo menos eu acho ela normal... Agora eu fiquei encabulada- Coloque a arma no chão e chute-a para longe- fiz o que mandou e me virei para ele.

–Pronto, mais alguma coisa? Um vestido cor de rosa talvez?

–Você é muito petulante! Zomba de mim sabendo que posso acabar com esse sorriso em uma puxada de gatilho.

–Se tenho dentes bonitos, é mais que justo eu querer mostrá-los- fiz um bico indiferente-. Você tem dentes bonitos? Na verdade tem pelo menos dentes? Dizem que russos não têm lá o costume de escovar os dentes. Só fazem bochecho de manhã com petróleo roubado- ele bufou pela brincadeira.

–Pois bem, algum pedido antes de morrer?- ele perguntou apontando sua Colt na direção de minha cabeça. É gente, tchau pra todo mundo, porque agora eu já era. Agora fiquem com Ligadas pelo destino estrelada pela Gretchen. Ai, acho que eu vou dermaiarrrrrr... Mentira, pegadinha da Santana... Não vou assim fácil não, filha. Como dizem por aí: Pau que nasce torto... Mija para fora da privada... É, eu sei, nada ver. Eu e meus dizerem desconexos. Pois bem, vejo minha esperança em forma de bola peluda, fedida e com um chifre afiado pra cacete vir correndo a toda. Eu sorri de canto e o alertei.

–Hum, se eu fosse você, dava três passos para o lado.

–E por que eu faria isso?- dei de ombros- Bom, agora diga adeus, Santana.

–Adeus, Santana- brinquei acenando para ele. Em segundos, Fred o acertou em cheio no traseiro. Pulei rapidamente para o lado, pois Bilbo quase me atravessa com a cabeça, dando com ela a uma enorme pedra do jardim- Oh, seu bode maluco. Eu sabia que você gostava de mim. Muita obrigada, seu menino levado...

–BÉÉÉÉÉÉÉÉ!

–SANTA MADRE DE DIOS- saí correndo com as mãos levantadas, quando Fred foi em minha direção tentando me chifrar- Para, seu bode feio. Muito feio, feio, feio. Mãeeeeeeeeeee- eu gritava, querendo me salvar da chifrada daquele bode desmiolado. Vi uma árvore mais a frente e nela pulei, me grudando em um galho feito uma preguiça, no intuito de me manter o mais longe possível daqueles chifres. Ele começou a pular, querendo me morder agora- Alguém pelo amor de Deus atira nesse bode possuído... Oh merda de vida!- depois de minutos ali, ouvi que os tiros se intensificaram e pude ver naquela posição mais gente chegando por trás dos carros dos bandidos. Só que, nossa, era Finn e Puck liderando uma cambada de homens com roupa de caça, que vieram a nosso socorro. Eram tiros amigos. Pude ouvir as vozes de anjos cantando Aleluia... Aleluia... Aleluiaaaaaaaaa. Ao que me parece estávamos ganhando, mas algo que vi me deixou perturbada. Enzo agora corria por entre o confronto e como ele não atirava em ninguém, parecia fugir da casa. Um capanga o percebeu e foi a seu encalço para pegá-lo- Idiota!- praguejei dali de cima, olhando para Fred ainda pulando para me pegar. Tive uma ideia de que não gostei nem um pouco. Tirei um dos meus sapatos e hesitantemente o joguei para longe, fazendo Fred o seguir veemente. Quase chorei por ser um dos meus preferidos, mas precisava ajudar meu irmão bocó.

Saltei da árvore rapidamente e me pus a correr com um sapato faltando atrás do bandido que seguia Enzo, eles dobraram pela lateral da casa aonde daria o porão. O idiota o levaria certinho para onde estavam as mulheres, que por acaso eu mandei que ele protegesse. Oh, Dios, quando o capeta não vem, ele manda o Enzo como secretário, dai-me paciência. Acertei um na mão e o outro eu errei o tiro, usando o corpo do que estava caído no chão para me proteger de um disparo que acertou o peito de meu escudo humano. Morreu duas vezes o tadinho. Nilo acertou esse que me seguia .

–Valeu!- agradeci enquanto corria.

Continuei atrás de Enzo. Da distância que eu estava não os alcançaria e tinha que evitar que elas fossem descobertas. Assim então pulei a janela da casa e fui atravessando por dentro até chegar a da cozinha, saltando por ela até conseguir interceptar o bandido que tentava pegar o Enzo (bem que eu poderia ter deixado), o acertei no rosto com a coronha da pistola, que o fez desmaiar, mas não antes de me cortar um pouco abaixo das costelas com uma faca de caça. Enzo caiu sentado no chão, com a respiração desregular.

–Seu idiota! O que você tem nessa merda de cabeça?- gritei enraivecida. Minha vontade era de eu mesma acabar o serviço daquele vassalo de Karofsky. Antes que eu fizesse um dicionário de palavrões para Enzo, Nilo apareceu com um grande sorriso no rosto e me abraçou forte.

–Conseguimos. Eles foram rendidos- pude respirar aliviada agora- Nossa, San, você está ferida.

–Hey, relaxa. Foi apenas um arranhão- o tranquilizei, puxando a jaqueta para cobrir o lugar do machucado. Arranhão o cacete, aquela merda estava sangrando e doendo pra caramba. Apoiei as mãos nos joelhos, recuperando o fôlego. Iria ficar loucamente doída depois dessa correria dos infernos- Como eles vieram ajudar?

–Ouviram os tiros e correram achando que a temporada de caça chegou mais cedo- eu ri demorado, balançando a cabeça negativamente.

–Graças aos céus por eles gostarem tanto de matar patos. Quá quá.

–Quá quá- Nilo riu também- Vem, vamos soltar as mulheres- peguei sua mão estendida pra mim e corri para junto de minha loira, que ao me ver, quase me amassa do tanto que me apertou naqueles braços tão delicados, mas tranquilizadores. Depois de um tempo, algumas ambulâncias foram chamadas para os feridos do tiroteio desenfreado. Fred teve que ser levado pelo controle de animais e eu dei graças por isso. Ele realmente não gostava de mim, mas de alguma forma salvou minha vida, por isso não deixei que o sacrificassem. Eu agora estava sentada na varanda da casa, com Quinn ao meu lado cuidando de meus ferimentos das peripécias. Mais pontos fechavam alguma parte de minha pele, que daqui a pouco estaria mais costurada que a Emilia do Sítio do Pica pau amarelo. Dou graças por Quinn ser habilidosa com essas paradas de curativos.

–Será que eu nunca vou te ver sem estar toda arrebentada, Santana Lopez?- perguntou dando um último ponto na lesão. Eu fazia careta de dor, parecendo uma criança. Fazer o que se agulhas me assustam?

–É só largar isso tudo e passar o dia inteiro trancada comigo em um quarto de motel, fazendo sexo sem parar- elevei a sobrancelha e um sorriso safado desenhou meus lábios.

–Vale nada- comentou, balançando a cabeça negativamente- Fico feliz que tudo tenha dado certo.

–Em partes, porque o chip que é bom, ninguém acha- disse frustrada com esse fato. Quinn concordou- Só espero que isso tudo acabe logo. Quero ficar em paz com você.

–E já não estamos?

–Sinto que não por completo- ela parou o que fazia para me encarar- Eu te amo, Quinn, mas ainda acho que me esconde algo que parece que se me contar o mundo acaba.

–Não é bem assim, Santana. Só... – ela pausou, tocando meu ombro ralado com um algodão imerso a um líquido que ardia pra cacete.

–Só?

–Nada- mordeu o lábio inferior de forma nervosa- Já acabei aqui. Vou ver se sua mãe precisa de algo- ela fechou a maleta de primeiros socorros e levantou-se para sair, porém fui mais rápida e a parei, segurando-a pelo o cotovelo esquerdo.

–Volta aqui- disse séria, procurando seu olhar que se escondia a todo custo- Vai mesmo continuar com isso depois de tudo que dissemos, que sentimos e que agora nos tornaram uma só?

–Pára, San, eu...

–O que foi, Quinn? O que tem tão de sórdido escondido aí dentro?- ela inquietava o olhar para tudo quanto é canto, menos para mim. Algo estralou em minha cabeça e fez arder ali- Ah não... Não me diga que você já tem alguém.

–O que?- perguntou estagnada- Não, eu...

–Nossa, como eu pude ser tão burra? Por isso que mesmo com a química que rolava entre a gente, aquele clima de excitação e tudo mais, você me afastava e me fazia querer ficar longe- soltei Quinn e levei as mãos a cabeça- Não acredito que não percebi isso antes. Quis evitar, mas acabou no final me usando como uma idiota apaixonada... Mas que droga!- chutei a mesinha com a maleta, que a fez cair de lá.

–Santana, espera. Eu quero explicar a você, mas não consigo- ela juntava as mãos e se aproximava- Não vai me perdoar.

–Por que me enganou assim?

–Não é isso que está pensando, Santana. Por favor, me escuta- ela tentava me abraçar, mas eu segurei seus punhos e a afastei delicadamente.

–Sinceramente, Quinn, apesar de te amar tanto, eu tento, mas não consigo saber quem você realmente é- lhe lancei um olhar magoado e em seguida balancei a cabeça negativamente para ela, saindo dali sem olhar pra trás com ela gritando meu nome sem parar. Como sempre, fui ao único lugar que eu encontrava tranquilidade naquela casa e me pus de joelho diante a foto minha com meu pai, que enfeitava a parede em frente ao tatame de combate. Meu peito ardia, minha mente doía e eu sequer sabia o que pensar agora. Eu amo aquela mulher e sou dela, como o sol pertence ao dia e a lua a noite, mas não conseguia decifrá-la, entendê-la com esses segredos que diz ser tão ruim que eu nunca a perdoaria. Se tenta me poupar com isso tudo, só consegue me machucar cada vez mais.

–Droga!- eu gritei chateada- E ainda com tudo isso, tem a droga do chip que nunca aparece- soquei o chão até sentir a mão doer. Olhei novamente para a foto e flashes de meus dias nessa sala com meu pai atingiram minha mente. “Como aluna me inspira e como filha me deu o mundo’’. Não sei por que, mas essa frase ecoava e ecoava em minha mente, como se quisesse me dizer algo com aquilo. Ai, será que quer? Fechei os olhos por um instante, puxando da memória algo que batesse com aqueles dizeres que pudessem, de alguma forma, me ajudar a achar esse chip- “Como aluna me inspira e como filha me deu o mundo’’- eu repetia pela bilionésima vez aquela frase- Me deu o mundo... O mundo- concentrei minha mente nessa frase e de repente algo me bateu.

‘’Papai, o mundo!’’ eu pedia para meu pai na barraca de tiro ao alvo quando eu tinha uns sete anos, eu acho. Eu queria muito aquele globo com a terra em réplica incrustada em seu interno. Ele nem hesitou em tentar conseguir, e como era um exímio atirador, ganhou fácil o objeto para mim. Lembro-me que foi a melhor coisa que ganhei na vida e que no meu aniversário de dez anos (que também era seu aniversário), eu o presenteei com o meu amado globo de vidro que eu o chamava de o mundo.

–É isso. O Globo de vidro que eu dei pro papai- corri até a prateleira que ficava nossos objetos especiais e avistei o globo ainda intacto, com todo seu resplendor do universo em um único planeta em total ostentação de glória, jazia flutuando pelas estrelas reluzentes. Virei seu fundo para cima e com cuidado retirei a fita que estava ali, com o chip em uma capa transparente. Olhei nossa foto novamente e deixei que lágrimas de agradecimento e alívio caíssem por ali- Obrigada, papai.

Minutos depois, estava eu caminhando até Francyne para esconder o chip encontrado em um compartimento secreto que ficava abaixo de meu volante. Totalmente longe de suspeitas. Depois de guardá-lo ali, segui até o porta-malas e o ergui, elevando um sorriso zombando do que eu via.

–E aí, garotão?- Bilbo, o russo partidário do Farinhóvsky se debatia querendo se soltar e gritar, mas a amordaça em sua boca e as cordas bem apertadas a seus membros o impediam de tal coisa- Espero que goste de brincar, amigão, porque eu me amarro num joguinho.

Notas finais
E aêêê? Ficou uma bagaça esbagaçada boa? Me contem o que acharam que o próximo já está sendo maquinado em minha cabeça e podem esperar uma puta surpresa nele também. Sou muito bandida, então se preparem kkkkkk Então, depois de pegar uma puta queda da cama ontem e enfrentar uma viagem ordinária, chegando toda engembrada feito aquelas bonecas de crianças psicopatas que arrancam braço, pernas e riscam a cara toda que fica parecendo uma projeto do capiroto, deixo vocês aqui com um beijão e meu muito obrigada. Bica aqui, amor! S2 kkkkkk