Ligações de Sangue
1 Prólogo
Notas iniciais
Victória sentia o peso do próprio arrependimento deitada em uma cama improvisada de palha. Estava num porão escuro com apenas um pequeno lampião a iluminar, refletindo nas gotas de suor que caiam de seu corpo. A única pessoa além dela presente era uma serviçal, aquela que tinha medo o suficiente para nunca abrir a boca. Apesar da dor excruciante no seu corpo, se esforçava para pensar com clareza e medir as possíveis consequências do estava fazendo. Tentara abortar de inúmeras maneiras: chás, receitas, exercícios, até o ponto em que quase se mutilar, mas nada funcionou: sua barriga continuava crescendo. Ponderava se era um preço justo a se pagar pelo prazer de uma noite. Se lembrava da pele morena e do sorriso torto do rapaz; todavia se lembrava mais vividamente dos enjoos e dos meses quando não podia sair do palácio. Sentia que suas costelas estavam sendo puxadas com força, a dor se tornou mais insuportável.
Finalmente, depois de momentos de agonia, viu a menina a qual acabara de dar a luz. Ela era morena, apesar de ter herdado suas sardas no rosto; era rechonchuda e gritava a plenos pulmões. Não conseguiu deixar de notar que tinham muitos dos seus próprios traços. “Desejo-lhe sorte, criança”, disse antes de entrega-la rapidamente a mulher que a ajudou. Era a escolha certa a ser feita, continuava repetindo para si mesma. Se ficasse com a criança, ela seria maltratada e seria conhecida como a menina bastarda. Além do mais, estava noiva de seu rei, e ele talvez não aceitaria bem e terminaria tudo, destruindo tudo que havia sido planejado para si desde que era uma criança.
A menina que saiu de seu ventre agora ficaria à mercê do mundo. Isso mexeu com o seu espirito profundamente, a futura Rainha Victória da Inglaterra nunca mais foi a mesma. Sua sede natural por poder cresceu de tal forma que obscureceu seus sentidos e deixou o restante de suas características na penumbra.
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