– Como vai fazer isso? Acho que ajudar pessoas normais á controlar Glatons não é uma boa ideia, irá haver distorções temporais absurdas. Todos que souberem sobre viagem no tempo vão querer mudar o mundo, fazer com que ele fique igual antigamente. – Lia disse depois de ficar frente a frente com Ray e soltar seu braço. Parecendo preocupada agora.

– É... Ainda não sei... – O rosto de Ray agora parecia realmente confuso.

“Quero salvar o mundo, mas como? Só consigo Glatons de volta se as pessoas que estiverem com eles estiverem mortas. Não posso deixar elas morrerem!” Pensou.

– Legal... Quer salvar o mundo, mas não sabe como. Vamos para casa, lá pensaremos em uma resposta.

Foram para casa e ao entrarem Ray foi para a sala e sentou no sofá. Lia sentou em seu lado e encostou sua cabeça no ombro de Ray, que logo colocou e braço por cima do ombro dela.

– Pensar em um modo devemos...

– Querer dar uma de Yoda não vai ajudar agora. Por que não pega todo mundo que sobreviveu aos Glatons e os treina sem saberem da viagem no tempo?

– Uma boa ideia... Ah! Não... Vai parecer X-men, e não quero acabar em uma cadeira de rodas nem nada disso.

O riso tomou de conta dos dois.

Até que uma brilhante ideia surgiu na mente de Ray.

– Já sei!! O menino do trem!

– Que menino do trem?

– Um menino que eu encontrei em outro universo... Ele conseguiu criar um universo do jeito que queria, então talvez, consiga arrumar ESTE universo!

Lia tentou disfarçar seu rosto confuso, tentativa falhada.

– Vamos! Você vai ver quando chegarmos lá.

– Heeey. Você não tem poderes para ir á outro universo se lembra?

– Aé... Droga! Temos que voltar para as ruas procurando as pessoas mortas e pegar os Glatons delas e tentar salvar as que ainda estão resistindo á isso.

Retornaram ao caos das ruas e ficaram vagando sem rumo. As vezes achando um ou dois corpos de pessoas mortas, mas nenhuma com Glatons. Então chegaram ao centro da cidade. Milhares de pessoas estavam lá. Uma típica cidade grande, todo o dia enfestada de pessoas. Seja a trabalho ou só passeando. Mas uma vez... Sem Glatons. Tirando uma menininha que chorava em um restaurante com seus pais mortos a sua volta, Glatons fluía dela e ela nem se importava. Continuava agarrada ao torso de seu pai com toda força, até que não resistiu e também faleceu. Pelo menos mais um pouco de Glatons era a única coisa que Ray poderia fazer para ajudar aquele mundo, e mesmo as pessoas mortas algumas vezes estão contribuindo para isso.

No final do dia voltaram para casa e já cansados, foram direto dormir. Lia deitou na cama de Ray esperando ele enquanto escovava.

Ray estava no banheiro de frente para o quarto. E pelo espelho que ali havia, conseguiu ver a Trogs que ficou parada por muito tempo. “Como eu sou burro! A Trogs ainda tem Glatons nela, pelo menos o suficiente para ir á outro universo. Não sei como vai ser à volta.”

Terminou de escovar.

– Lia! Estou indo para outro universo, volto depois pra te buscar.

– Não agora! Vai amanhã... Faz tempo que não durmo em uma cama descente. E quero dormir com você... – Sua voz falhou enquanto abaixava a cabeça.

“Droga! Ray seu retardado!” Pensou Ray consigo mesmo. Voltou para perto de Lia, sentou em sua cama e a abraçou. Começaram a se beijar e depois de um tempo pararam para Ray ir desligar as luzes e voltar para a cama logo em seguida. Lia já estava deitada então Ray também deitou de frente para ela, se beijaram novamente e se deram boa noite não parando de sorrir calmamente um para o outro. Logo após um tempo, Lia se virou de costas para Ray e fechou os olhos para dormir. Ray em seguida chegou mais parto dela e a abraçou, passando a mão pela sua cintura. E assim dormiram calmamente depois de um longo dia, e uma longa jornada separados.