Lifetime

10 Pedaço de trem Parte 1


Como se um sopro de esperança fosse lançado ao vento, Ray consegue escapar indo parar em outro universo paralelo, havia vida nele, milhões e milhões de pessoas percorriam pelo solo do seu lar, daquilo que se chama Terra. Ainda não acostumado, Ray se viu completamente estranho, não sabia se o que sentia era alegria, ou tristeza por saber que aquilo poderia acabar a qualquer momento, a humanidade suicidava-se toda hora em outros universos, por que não nesse? Podia acontecer qualquer coisa que acarretaria na destruição em massa de tudo que se mexia por vontade própria. Depois de certo tempo aquele mundo movimentado ficou silencioso. A vida desapareceu como que nunca havia estado ali. Tudo ficou branco, ali se tornou um lugar onde nem o céu era azul. Confuso. Foi o que Ray ficou. Não sabia o que estava acontecendo, então percebeu um leve volume em um dos bolsos de sua calça, o mapa. Ativou-o e então pasmou-se quando viu que não estava em lugar algum ou em todos ao mesmo tempo. O mapa mostrava algo que não podia se esperar, todos os universos estavam indicando como se Ray estivesse neles, mas como? Não poderia estar em todos os lugares ao mesmo tempo. Agora Ray estava sozinho em um espaço vazio, sem vida, sem qualquer tipo de forma, só o silêncio e o velho e calmo branco puro que estava em todos os lugares. Perdido era o que se podia dizer sobre Ray naquela hora, não tinha pensamentos o bastante para dizer algo, o que não tinha sentido já que ninguém o ouviria, até nem mesmo a sua mente.

Depois de certo momento um Trem antigo apareceu em meio ao nada, pelo menos a sua parte frontal seguida de uns três vagões que depois se desfazia no branco infinito. Ray foi até ele e olhou dentro da sala do maquinista onde não tinha nada que era para ter lá, em vez de fornalha e um painel de controle, lá havia um computador e um menino sentado em frente a ele. — Minha mãe disse para nunca conversar com pessoas estranhas... — Foi o que o menino disse enquanto se virava para poder ver Ray. – Então como podemos fazer amigos? – Agora sua cabeça estava levemente envergada para a esquerda, com os olhos olhando fixamente para Ray como se quisesse saber tudo sobre ele. Ray continuou em silêncio. — Engraçado... Eu me lembro dela ter falado isso, mas... Eu nunca tive uma mãe. Você tem uma mãe?- Continuou, mas nada se ouviu de Ray. O menino se aproximou de Ray e o tocou na testa ainda sentado em uma cadeira de rodas. – Por que você não fala? É um vírus? Tenho que configurar melhor o Harim... — Voltou ao seu computador. — Há-Harim...?- Ray conseguiu falar. Mas com dificuldade quase se esqueceu de como fazer isso. — AH! Você fala... – A atenção do menino se voltou para Ray novamente. — É... Harim, o nome de um universo que criei. — Um universo que criou? Como assim? — Bem... Eu quase sempre vivi aqui, nesse plano. Então desenvolvi um programa no meu computador que simula um planeta com vida, e o meu se chama Harim apesar de parecer com o planeta Terra... — Terra? Você já esteve nela? — Já... Antes de ela explodir estranhamente e virar isso... – Levantou os braços meio que mostrando o espaço onde ele e Ray estavam. — E isso foi há quanto tempo? — Acho que... Uns 50 anos no tempo normal da terra. — 50 Anos? A Terra se destruiu ou foi destruída a 50 anos? — Foi... Parece que ouve uma falha em um calculo sobre a distância de um buraco negro da terra e quando a terra estava completando uma volta em torno do sol, ela entrou no horizonte de eventos deum buraco negro e foi sugada... Basicamente, isso é estar dentro de um buraco negro. — Mas não era para tudo virar energia? Até você e esse... Trem? — Era. Mas perece que como o buraco negro era recém-formado, devia ter alguns erros ou coisas do tipo que me permitiu viver aqui. — Está bem... Voltando para o seu universo... Por que o criou? — Por que se for pra não fazer nada, prefiro ver como humanos se desenvolvem, acho que a solidão faz isso com as pessoas, fazer com que elas queiram pelo menos ver como as pessoas vivem... E também para dar continuidade ao meu planeta terra. — Como assim?

– Você já se perguntou... se tudo que você viu, ouviu, tocou ou fez, não passa de um programa?