Lifetime
30 Interferência Mozart
As forças de Lia já estavam se esgotando quando desistiu de retirar água do turbilhão em que se encontrava para usar a do Mar que havia ali perto. O meteoro atingiu o mar antes que ela pudesse fazer algo, mas não por muito tempo. Conseguiu unir a água que subiu formando um tsunami e voltar ela contra o mar. Depois de um tempo a água se estabilizou e Lia estava no chão inconsciente e sendo acolhida por Ray que correu para pegá-la enquanto caía.
Mas uma vez a alegria dominava aquele local que ficou refém do medo por mais de uma hora com o risco dela nunca mais aparecer por ali.
Rapidamente Lia foi levada para casa de Levar Typh que ainda não tinha aparecido. E ali ficou por um dia, dormindo. Pessoas apareciam toda hora para dar coisas á ela por ser uma heroína. Oferendas como retribuição por suas vidas. Ray sempre atendia a porta e agradecia com um sorriso forçado no rosto quando alguém chegava, ele só queria ficar á sós com ela. Queria que ela tivesse paz, mas não conseguia pensar que talvez sua presença também estivesse afetando-a. Seus olhos preocupados vigiando ela toda hora, esperando que ela pelo menos se mexesse. Ray podia fazer muitas coisas com o tempo, mas não podia fazer nada em relação á morte.
Na noite do terceiro dia em que Lia continuava desacordada, a filha de Levar Typh bate no canto da porta que se encontrava aberta no quarto onde Lia estava.
– Posso entrar?
– Pode... – Uma voz sem vida veio de dentro do quarto, Ray.
Ela entrou e estendeu a mão para Ray, com algo nela. Uma espécie de bola de vidro com uma coisa que lembrava areia fluindo dentro dela, Glatons.
– Você conseguiu?
– Sim. – Respondeu com um sorriso enquanto sua visão só se limitava ao rosto de Lia descansando. – Retirei perfeitamente o núcleo de Glatons da Trogs. Após acabar com todos os motores de nitrogênio do meu pai.
Ali Ray dormiu quando ela foi embora, dormiu com a cabeça pousando no colo de Lia com os olhos sempre observando seu rosto.
A manhã do dia seguinte foi um dia mais feliz do que quando Lia salvou aquela dimensão de um cometa. Ela havia acordado enquanto Ray dormia no seu colo. Parecia realmente descansada. Todo o ar de tristeza havia desaparecido e em troca, Lia estava de volta e de acordo com o que Ray via. Mais radiante do que nunca. Eles já estavam partindo quando a filha de Levar os alcançou.
– Ray! Eu consegui achar o lugar que você me perguntou. Ele está agora na fenda entre dois universos paralelos! Entre o D49 e o E49. E você precisará dos três ces para conseguir chegar lá.
– Três ces? – Perguntou Lia antes que Ray o fizesse.
Ela continuou fazendo o número três com os dedos.
– Coragem, confiança e concentração.
– Está bem... Vou dar o meu melhor.
– Aé... – Ela disse interrompendo o enquanto se virava para o rasgo temporal.
– Pegue isto. Vai ajudar. – Entregou uma pequena máquina para Ray com uma coisa parecida com um fone de ouvido acoplado.
– O que é?
– Mozart! – Ela se despediu com uma piscadela, e foi para casa.
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