Notas iniciais
Oieee pessoas maravilhosas desse Nyah lindo! Advinha quem apareceu com atualização relâmpago, pra comemorar o note novo? (Eu neh, uahsuahsuahs) Um capitulo super especial sob o ponto de vista do caipira caçador mais sexy do mundo das séries e das fic, tem drama, tem um cenas fofas, tem cenas fodas, tem tretas, tem o Daryl sendo Daryl, enfim, tem de tudo uashuashuhs Antes de começar acho que vale dizer que os dois últimos capítulos acontecem quase ao mesmo tempo (Natalie deu um tiro no Kane, mais ou menos quando Daryl estavam naquela missão com o Richard) só pra vocês terem uma noção de em que pé está a cronologia da história. Dito isso eu vou aproveitar para agradecer a todos os comentários do capitulo passado, fique muitooo contente com o retorno de vocês, então: NandaNascimento, Dreamer Girl, Duda Borges, Aquarius, Amy Manson, isnotme, Menta, Mary Noleto e Rafa Black, obrigadaaaaa de verdade!!! Antes de começarmos, esse capitulo tem uma musica tema (ela é desse e do proximo na verdade) se chama "Killing me to love you" do "Vancouver Sleep Clinic" Acho que é só. Nos vemos lá embaixo. Boa leitura. PS: Capitulo de tamanho normal, finalmente uahsuahsas

• DARYL DIXON •

A floresta sempre foi meu lugar preferido, era como um refúgio, um lugar para onde eu podia ir quando tudo mais estava desmoronando. E então, de repente, ela se tornou um inferno como qualquer outra parte da minha vida, e eu não digo isso por causa dos mortos, digo por causa dos vivos que estavam me perseguindo como se eu fosse algum animal.

Apenas mais um motivo para fortalecer meu ódio pelos malditos Salvadores, eu sentia como se eles tivessem destruído qualquer coisa que eu tinha pensado ser boa. E sim, eu estou me referindo a Natalie também, ou melhor, estou me referindo a Bochechas, aquela garota incrivelmente boa que eu sempre levava na memória. O Santuário e seus malditos Salvadores, tinham conseguido corromper todas aquelas lembranças boas.

Pare de pensar nela Daryl. Você tem que seguir em frente.

Tentei focar no caminho, atento com qualquer som suspeito. Voltar para Hilltop era um risco, afinal aqueles cretinos podiam aparecer por lá a qualquer momento, mas eu não podia mais ficar no Reino.

Não pude fazer o que Rick queria. Eu até estava disposto a tentar, mas depois que eu conheci aquelas pessoas, depois que eu vi como viviam, e depois que conversei com Carol... Não dava, simplesmente não dava pra envolver toda aquela gente em uma guerra.

Metade deles não sabia de nada e eu percebi que, talvez, a ignorância fosse uma benção. Quer dizer, eu sempre soube disso. Era aquela velha história "quando você coloca em palavras, se torna verdade, e a partir do momento em que você sabe a verdade não tem mais como fugir dela".

Então eu menti para Carol sobre Glenn e Abraham e sobre tudo que aconteceu depois disso. Ela merecia um pouco de paz. E se eu falasse e algo ruim acontecesse... bom, eu simplesmente não podia ser responsável pela morte de outro amigo.

Assim como também não podia ser responsável pela morte daquele molequinho. Respirei fundo e neguei algumas vezes, eu era mesmo um maricas.

Eu mal conhecia o garoto e estava preocupado com ele e não, isso não tinha nada a ver com o fato dele ser só uma criança, não inteiramente pelo menos, tinha a ver com aquela sensação que ele me trazia, como se já nos conhecêssemos. Havia algo de muito familiar nele...

Besteira. Ri sem humor, enquanto continuava caminhando. Não tinha a ver com o menino. Tinha a ver com ela. Porque o garoto me fazia lembrar da Natalie, ou melhor, ele me fazia lembrar da Bochechas. Droga, até o sorriso dele me lembrava o dela...

Talvez fosse aquele jeito amigável demais que o garoto tinha, aquela coisa que beirava o irritante, mas que não tinha como resistir. Ou talvez fosse apenas eu, vendo coisas onde não tinha.

Claro que tudo ficou muito estranho quando eu vi o colar... Era tão parecido com o colar que dei para Natalie que até me assustou um pouco.

Mas sejamos honestos, aquela peça fajuta nunca duraria tantos anos.

Eu precisava parar de pensar em todas aquelas besteiras e focar no presente. Estávamos prestes a declarar guerra aos Salvadores e eu tinha que estar cem por cento focado nisso.

Chega de pensar em Natalie Cooper.

Foi quando ouvi um barulho suspeito vindo de algumas árvores, alguns metros a direita de onde eu estava. Me escondi atrás de um tronco e esperei.

Por algum tempo eu fique em dúvida se era um errante, porque o som lembrava o de algo sendo arrastado nas folhas secas do solo. Mas não haviam grunhidos, na verdade, quanto mais a pessoa se aproximava mais claro eu podia ouvir a respiração entrecortada e ofegante.

Seja lá quem fosse, estava ferido. O que me dava vantagem. Tentei ver quem era, mas as folhas atrapalhavam minha visão, então esperei o melhor momento para o ataque.

Quando ouvi o som perto o bastante, preparei a besta, e saí de minha posição pronto para atirar. Mas graças a Deus eu não soltei aquela flecha...

— Natalie? — Se eu fiquei surpreso, ela ficou ainda mais, meu coração batia aos saltos.

Agiu rapidamente e já tinha uma arma apontada para mim, assim como eu ainda tinha minha besta apontada para ela.

— Onde estão seus amigos? — Perguntei seco, alternando rapidamente o olhar entre ela e as árvores, atento para que nenhum outro Salvador me pegasse desprevenido.

Eu diria que ela estava em uma das esquipe de buscas que me caçavam, mas a surpresa dela ao me ver deixou claro que ela definitivamente não estava procurando por mim.

Então o que ela estava fazendo ali?

A examinei dos pés à cabeça e percebi que estava péssima, havia sangue nela, e machucados por toda a parte, como se ela tivesse se envolvido em uma briga. Além da perna com um curativo mal feito e que já tinha sangue seco por toda a parte.

Meu primeiro pensamento foi que os Salvadores haviam sido atacados durante a busca. Será que encontraram Rick e os outros, quando eles estavam voltando para casa?

— Parece que eu tenho algum amigo agora? — Respondeu um tanto irônica e apenas baixou a arma. — Você não devia estar aqui fora, tem equipes de busca por toda a parte.

Ela não parecia ter qualquer intenção de me capturar, ou de me impedir de ir embora e confesso que quase suspirei aliviado por isso.

Já era ruim o bastante que estivéssemos de lados opostos, eu não queria que isso nos fizesse lutar um contra o outro. Eu não conseguiria fazer isso. Mas de jeito nenhum eu voltaria para o Santuário.

— Você está bem? — Abaixei a besta, mas continuei atento para as redondezas.

Era como se estivéssemos parados no tempo ali, um na frente do outro. Uma enxurrada de perguntas inundava minha mente, mas eu não conseguia formular nenhuma delas.

— Eu vou ficar. — Natalie tornou a responder e percebi que ela não estava passando bem.

Dei um passo na direção dela por puro instinto, mas me lembrei que havia um abismo entre nós quando ela se esquivou.

Seus olhos negros focaram no caminho atrás de mim, no caminho pelo qual eu tinha vindo. Havia uma certa urgência neles, como se ela desejasse correr por ali.

— O que aconteceu? — Questionei, dando um passo para a esquerda, a fim de entrar novamente no campo de visão dela.

Talvez eu só devesse seguir em frente, fingir que aquele encontro nunca tinha acontecido e continuar meu caminho de volta para Hilltop, mas eu não conseguia, era como se eu estivesse preso ali, orbitando ao redor de Natalie.

Ela estava impaciente, mas era como se não conseguisse ir também.

— Isso importa? — A resposta dela foi vaga e distante, percebi que Natalie estava um tanto letárgica, talvez aqueles ferimentos a estivessem afetando mais do que imaginei no princípio.

— Por que você está ferida, e por que não tem uma daquelas malditas equipes com você? — Continuei bombardeando perguntas e acabei por dar alguns passos para mais perto dela.

Natalie voltou os olhos negros pra mim e daquela vez não se afastou, simplesmente manteve as íris em mim, analisando o meu rosto como se estivesse perdida nele.

Eu daria qualquer coisa pra saber o que ela estava pensando.

Piscou duro algumas vezes, estava claramente exausta e parecia em uma luta interna, como alguém que quer a todo custo se manter acordado.

Natalie deu um passo para frente, e riu sem humor algum, uma risada um tanto débil, na verdade.

— Às vezes você é tão cego, Dar... — Ela ainda estava no meio da frase quando todo seu corpo pareceu ficar mole e ela deu um passo em falso.

A segurei antes que atingisse o chão, amparando-a com os dois braços, sem pensar duas vezes antes de largar a besta.

— Hey. Hey. Tudo bem, eu te peguei...

Natalie realmente estava muito mal, ela suava frio e tremia levemente. Nossos olhos se encontraram e ela me pareceu só aquela garota de Dawsonville novamente. Tinha o mesmo olhar apavorado de quando recebeu a ligação dizendo que o pai estava no hospital.

— Eu estou bem, eu só preciso... — Tentou se desvencilhar de mim, mas simplesmente não teve forças para isso, e tudo que ela balbuciava parecia um tanto sem sentido — Eu tenho que... Eu não posso desistir agora, eu tenho que continuar...

Eu não conseguia entender aquele desespero dela, e nem tive tempo pra isso, porque no instante seguinte ela desmaiou nos meus braços.

— Natalie! Natalie! — Chamei nervoso, sem obter nenhuma resposta.

Percebi que ela ardia em febre, certamente aquele ferimento em sua perna estava muito infeccionado. Rezei pra que fosse apenas isso mesmo, enquanto examinava os ferimentos dela em busca de qualquer mordida. Felizmente não havia nada assim.

Eu não podia ficar parado ali no meio da floresta com ela em meus braços, e não era só por causa dos errantes, os Salvadores podiam aparecer ali a qualquer momento. Mas eu também não podia deixar Natalie ali, não naquele estado. Eu estaria assinando o atestado de óbito dela.

Eu tinha que achar um lugar seguro, perto o bastante, e tinha que achar rápido.

— Tudo bem. Vai ficar tudo bem. — Fiz algum esforço para pegar minha besta do chão enquanto ainda segurava Natalie com um só braço. Ainda estávamos perto do Reino e eles podiam ajudar, eu tinha que voltar.

Depois de acertar a arma nas minhas costas, peguei Natalie no colo e comecei a andar. Era estranho ter ela em meus braços depois de todo aquele tempo, estranho e desesperador dada a situação.

Não que fosse fácil carregar o corpo desmaiado de Natalie pela floresta, mas eu nunca a deixaria para trás, mesmo que ela estivesse do lado dos Salvadores.

Aquele pensamento me assustou, eu não podia oscilar minha lealdade daquele jeito, Rick e os outros precisavam de mim e eu devia aquilo para Maggie.

Vou pensar em tudo isso quando Natalie acordar.

Com o passar dos minutos ficava cada vez mais difícil carregá-la e desviar dos errantes, eu precisava parar por alguns instantes, porque ainda faltavam, ao menos, uma hora de caminhada até o Reino.

Felizmente encontrei uma velha cabana de caça depois de andar alguns quilômetros. O lugar parecia inabitado há muito tempo, as janelas estavam quebradas e a porta arrombada. Lá dentro fedia há mofo e certamente não tinha nada de útil, pois estava na cara que já tinha sido saqueado.

Mas eu precisava parar, talvez Natalie acordasse nesse meio tempo.

Coloquei seu corpo no sofá, se é mesmo que dava pra chamar aquele negócio de sofá, e apoiei meus braços nos joelhos por um segundo para recuperar as forças.

Foi só então que eu me dei conta do significado daquela situação, era a primeira vez que eu e Natalie estávamos sozinhos, longe de paredes com ouvidos, desde que ela tinha partido de Dawsonville.

Era como se o destino estivesse brincando com a gente, ou talvez fosse só meus pensamentos de maricas assumindo o controle.

Respirei fundo e me aproximei, pousando as costas dos dedos em sua testa e percebendo que a febra dela não tinha baixado em nada. E esse simples movimento me deixou incapaz de tirar os olhos dela.

Me lembrei da primeira vez em que havíamos dormido juntos, na pedreira, dentro da minha caminhonete velha. Natalie havia caído no sono primeiro e eu passei parte da madrugada apenas encarando seu rosto delicado e velando seu sono pacífico, enquanto tentava entender por que ela me fazia tão feliz...

— Meu Deus, Bochechas, eu senti tanto a sua falta... — Lamentei, enquanto acariciava levemente seu rosto.

Sua pele ainda tinha exatamente a mesma textura de antes e eu me dei conta que nunca tinha sentindo tanta falta de um toque, como eu sentia do dela.

Aquilo não era certo, nem justo. Era cruel que eu tivesse amado aquela garota minha vida toda, sem nunca ter dito isso, e agora estivéssemos frente a frente, como se fossemos dois estranhos.

Dois estranhos que se conheciam bem demais...

Não era hora de pensar aquelas besteiras, eu tinha que focar no presente, por isso me concentrei no ferimento na perna de Natalie, realmente estava muito infeccionado, o que explicava a febre e o desmaio.

Eu precisava fazer alguma coisa, talvez encontrar alguns antibióticos, e precisava fazer isso rápido ou ela acabaria... Não! Eu não queria pensar no que acabaria acontecendo.

Vasculhei a cabana inteira o mais rápido que eu podia, e não encontrei nada, sequer água tinha naquele lugar maldito.

— Merda! — Xinguei de frustração, enquanto jogava uma caneca suja através do cômodo e ela se espatifava na parede bem ao lado da janela.

Foi só então que o mato alto do lado de fora me chamou a atenção. Havia algo ali, coberto com uma lona e escondido na vegetação que tinha crescido de mais. Pelo formato eu podia deduzir muito bem o que era: Uma caminhonete. Graças a Deus!

Porém era cedo demais para comemorar. Tirar o mato que havia ao redor me custou um tempo precioso demais, e me deixou ali exposto e desprotegido. Tudo isso apenas pra descobrir que o veículo não pegava e que os quatro pneus estavam furados.

Quando voltei para dentro, mais frustrado do que eu tinha saído, Natalie se revirava de um lado para o outro no sofá. Seus cabelos estavam grudados em seu rosto por causa do suor, o que me fez pensar que a febre tinha aumentado.

— Petter... Petter... — Balbuciou em meio a um tipo de delírio febril.

Se Natalie estava chamando pelo pai morto, então a coisa era pior do que eu previra. Ela precisava de um médico, e precisava bem rápido.

Logo ela desmaiou novamente, me deixando ainda mais preocupado.

Tínhamos que continuar.

Eu estava pegando o corpo dela, para seguirmos viagem, quando o som de um motor chegou aos meus ouvidos.

Mas é claro que os Salvadores passariam por ali, será que tinha como aquela merda toda ficar pior?

Não. Não. Isso é bom. Eles podem salvar a Natalie, ela é uma deles...

Eu podia sair pela janela dos fundos, e deixar que os Salvadores a levassem de volta, e isso ainda me daria alguma dianteira.

Mas por alguma razão, eu não me senti confortável em deixá-la sozinha e desacordada com os dois cretinos que vinham em direção a cabana naquele momento.

Me abaixei ao lado de Natalie, ainda fora da visão deles, e peguei a arma que ela levava em um coldre na cintura. Chequei a munição, haviam apenas três balas...

Ainda abaixado, encontrei uma posição entre a janela e a porta e, discretamente, consegui ver que dois homens se aproximavam portando rifles de assalto. Eu estava claramente em desvantagem, mas os Salvadores não tinham certeza se tinha mesmo alguém na cabana, então o efeito surpresa teria que bastar.

Deixei a besta no chão ao meu lado e destravei a arma, meus tiros tinham que ser certeiros, porque eu só tinha três balas. Foi quando eu tive uma ideia, era arriscada, mas podia dar certo.

Respirei fundo e saí da minha posição para dar o primeiro tiro, atingi um dos homens direto na cabeça, exatamente como eu queria. Em seguida tive que me jogar rapidamente no chão, para não ser atingindo pela saraivada de tiros que o outro disparou.

Me arrastei pelo piso de madeira, em direção a janela dos fundos, enquanto o cretino atirava sem parar, assumindo uma posição segura atrás de um tronco grosso de árvore.

Cada disparo perfurava a madeira da cabana e o que deixaria Natalie e eu bastante vulneráveis, mas meu plano não era ficar ali parado, esperando as balas dele acabarem.

Lancei um último olhar para Natalie, pra me certificar que o local onde ela estava ainda era seguro, e pulei a janela. Dei a volta na cabana e me escondi perto da picape, de onde eu podia ver o Salvador, mas não tinha uma boa chance de acertá-lo.

— Você está cercado, cretino, renda-se agora e talvez você viva. — Ameaçou, fazendo sua voz irritante ecoar por toda parte.

Ele ainda pensava que eu estava na cabana. Por isso não imaginava que naquele instante, eu me aproximava sorrateiramente por entre o mato. Porém ainda não estava perto o bastante para acertá-lo, quando o vi pegar o rádio.

— Eu encontrei ele. Mitchel está morto e eu preciso de reforços. Estamos em uma cabana a quinze quilômetros do Reino. Câmbio. — Merda! Ele denunciar nossa posição não estava nos meus planos.

Corri a distância que faltava e o surpreendi atrás da árvore, enquanto ele carregava.

— Tchau. Tchau. Babaca. — Disparei bem na cara dele sem remorso algum, não esperando sequer que o idiota demonstrasse alguma surpresa.

Estava acabado. Eu só tinha que pegar Natalie e o carro e estaria no Reino em minutos.

— Entendido. Estamos na rodovia 76, a dez minutos daí. Câmbio. — A primeira voz respondeu pelo rádio, um pouco antes da segunda começar: — Estamos nos arredores do Reino também, vamos pela 85. Cinco minutos. Câmbio.

Merda! Aquelas eram as duas rotas para o Reino, se eu levasse Natalie para lá daria de cara com eles no caminho.

— Carlos, está me ouvindo? O reforço está a caminho. Câmbio. — Uma das vozes tentou outra vez e certamente a falta de resposta os deixaria ainda mais rápidos e alerta. Eu precisava sair dali imediatamente.

Corri de volta para a cabana e carreguei Natalie para o carro dos Salvadores. O Reino não era mais uma opção e ela ainda precisava de um médico, ou seja, só me restava uma saída: Hilltop

Confesso que não pensei em todas as implicações daquilo, enquanto exigia o máximo do carro na estrada. Minha preocupação naquele instante era não ser pego.

Mas assim que avistei os portões da comunidade, percebi a burrada que eu tinha feito. Maggie e Sasha estavam ali, ainda se recuperando das mortes de Gleen e Abraham, como eu justificaria estar ajudando uma Salvadora?

Você sempre pode mentir... Foi como se eu pudesse ouvir a voz de Merle na minha cabeça, contudo como eu teria coragem de olhar nos olhos de Maggie e mentir para ela sobre isso, quando eu era o responsável pelo que tinha acontecido com Glenn?

Respirei fundo. Eu não sabia o que fazer, mas talvez ninguém perguntasse nada, certo?

Aquela tinha sido a maior tolice que eu já havia pensado. Assim que Maggie me viu tirar o corpo de Natalie do carro as perguntas começaram:

— Daryl? — Ela pareceu surpresa em me ver — Jesus e Sasha disseram que você ficaria no Reino... Quem é essa?

Eu mal conseguia olhar nos olhos dela, era vergonhoso demais.

— Eu não podia ficar mais lá, então... — Dei de ombros e ajeitei Natalie nos braços. — Ela está ferida e precisa de cuidados médicos.

Maggie já tinha me dado passagem, sem se preocupar em me fazer perguntas, quando Sasha apareceu.

— Quem é essa? — Apontou com a cabeça, analisando o corpo em meus braços.

Eu me sentia cometendo o pior dos crimes, era quase sufocante. Eu não podia mentir pra elas, não depois de tudo, mas eu também não conseguia dizer que tinha ajudado uma Salvadora.

— Essa é aquela garota dos Salvadores? — Enid surgiu quase no mesmo momento, acompanhada de Jesus.

Eu não sabia se ficava com raiva da garota ou se simplesmente agradecia por ela ter contado tudo de uma vez.

— Você trouxe uma Salvadora aqui pra dentro? — Maggie questionou e não pareceu nada satisfeita.

Eu preferia que ela tivesse me dado uma facada. Teria me afetado menos.

— Eu... Eu só... — Tentei encontrar uma explicação plausível, mas cada coisa que eu pensava parecia ainda pior.

— Ele foi esperto, ela certamente tem informações valiosas. — Sasha foi mais rápida que eu, trazendo uma boa solução para o meu dilema, isso até ela completar a frase... — Depois que ela disser o que sabe, acabamos com ela e os Salvadores nem vão saber o que aconteceu.

Mas que merda, isso só piora.

— Espera Sasha, você está sendo extremista. — Jesus interveio e me arrependi de ter socado a cara dele um dia.

— Ela ajudou a Judith, talvez não seja como os outros. — Enid argumentou e eu quase suspirei aliviado.

Talvez Natalie não fosse como os outros do grupo de Negan. Talvez aquela garota de Dawsonville ainda pudesse ser salva...

Tudo dependia de Maggie, afinal, se ela dissesse "não", talvez Natalie não resistisse o bastante para que sua parte boa viesse à tona.

— Levem-na para o porão onde armazenamos as coisas, tem uma cadeira de dentista velha lá, vamos amarrá-la. — Ordenou séria depois de pensar por uns instantes, e eu achei um pouco desumano, mas entendia totalmente a desconfiança. — Enid você chama o doutor Carson. Boa ou má, ela só vai poder nos dar informações se ficar viva pra isso.

Graças a Deus!

— Então vamos confiar em uma Salvadora, é isso? — Sasha retrucou contrariada, ela não estava nada feliz com aquela situação.

— Eu não disse isso. — Maggie respondeu apática, estava na cara que Natalie seria tratada como uma inimiga, mas desde que ela ficasse viva, podíamos concertar as coisas depois. — Melhor irem antes que o Gregory saiba de alguma coisa.

Eu odiei ver Natalie amarrada naquela maldita cadeira, mas felizmente o doutor Carson tratou dela sem fazer perguntas.

Era inegável que Maggie estava se tornando a líder do lugar, suas decisões nunca eram questionadas, mesmo quando isso significava esconder coisas de Gregory.

— Ela vai ficar bem, o curativo na perna dela estava péssimo, e ela claramente perdeu muito sangue, mas a inflamação pode ser controlada com antibióticos. Então, apesar de todas as escoriações ela vai se recuperar e deve acordar em breve. — O doutor explicou, guardando as coisas dentro de sua maleta.

Sasha, que estava encostada em um dos cantos, não parecia satisfeita, na verdade ela encarava Natalie como se pudesse pular no pescoço dela a qualquer instante.

— Era mesmo necessário gastar tantos suprimentos médicos com... essa aí? — Apontou com a cabeça, deixando evidente seu desprezo.

— Eu fiz o necessário para que ela acordasse. — Carson deixou claro, antes de retirar.

Maggie, Jesus e Enid, estavam chegando no porão nesse momento.

— Então, o que vamos fazer com ela? — Sasha questionou impaciente.

— Esperá-la acordar. O primeiro passo será perguntar por que ela está tão machucada. Rick e os outros ainda podiam estar na rua, precisamos saber se foi um confronto com eles que fez isso com ela. — Maggie respondeu, deduzindo a mesma coisa que eu a princípio.

Eu esperava honestamente que Natalie não tivesse sido tão idiota ao ponto de machucar alguém do nosso grupo. Seria difícil defendê-la daquilo, seria difícil perdoá-la...

— E se ela estivesse fugindo? Está machucada. porque lutou com eles e estava fugindo quando Daryl a encontrou. — Enid teorizou e eu realmente gostei daquele jeito de pensar.

Era como uma luz se acendendo no fim do túnel, uma prova de que Natalie ainda era ela mesmo. Tinha que ser isso.

— Daryl? — Jesus chamou, esperando pela minha opinião.

— Foi essa impressão que eu tive também. — Apontei para Enid, era mentira em partes, mas era a verdade na qual eu queria acreditar.

Pensei em contar tudo, que a ajudei porque nos conhecíamos e acabar com aquilo de uma vez. Eu podia aguentar os olhares de decepção de Maggie e Sasha quando soubessem que alguém que eu conhecia tinha ligação direta com o assassino de Gleen e Abraham, mas era sufocante continuar mentindo.

Talvez elas não me perdoassem, mas eu não acreditava que podia ser perdoado, mesmo antes de saber que Natalie estava envolvida.

— Ou ela é uma armadilha. — Maggie devolveu muito séria. — Eles observaram a gente por algum tempo, conhecem você, sabem que você ajuda as pessoas... Colocar alguém ferido no seu caminho pra saber onde você está se escondendo faz sentido.

— Um maldito cavalo de troia! — Sasha exclamou com um olhar assassino.

Então eu percebi que contar a verdade sobre nosso passado não era mais uma opção, assim que soubessem que tínhamos uma ligação a teoria de Maggie faria ainda mais sentido.

Mas Natalie não seria capaz de fazer aquilo, seria?

— Hey, gente, calma. Olhem o estado da moça, acham mesmo que ela aceitaria levar um tiro e uma surra só pra servir de espiã? É insanidade. — Paul Rovia tentou argumentar, usando um pouco de sensatez.

Eu não sabia mais no que acreditar, menos de dois dias antes eu estava crente que Natalie estava com os Salvadores e era plenamente leal a Negan, então eu só precisei vê-la ferida pra esquecer de tudo. Estava na cara que o meu julgamento de caráter não funcionava com ela.

— Você não acha Negan insano o bastante pra isso? — Maggie retrucou mórbida e um arrepio percorreu minha espinha.

E se fosse verdade? E se Natalie fosse mesmo o inimigo ali? Como eu lidaria com aquele conflito de interesses?

Eu queria e tinha que ser leal a Maggie, era o mínimo que eu podia fazer depois de ser responsável pela morte da família dela, responsável pelo bebê dela nascer sem um pai... Eu queria ser leal ao meu grupo, a todas aquelas pessoas que tinham se tornado uma família pra mim, Rick merecia minha lealdade.

Mas como eu conseguiria ser leal a eles, quando meu coração nunca tinha deixado de ser leal a Natalie Cooper?

— Gente, ela 'tá acordando... — Enid apontou e todos nós olhamos naquela direção.

Então era isso. Era hora da verdade e eu esperava desesperadamente que Natalie cooperasse. Por que não sabia se podia viver em um mundo onde ela seria minha inimiga.

Notas finais
Reencontro (ou re-reencontro) DixChechas, e cenas amorzinho protagonizadas pelo Daryl que é pra sempre lembrar quem é o OTP dessa fic neh gente ahsuahsuhs Mas claro que não seria tão fácil, e se antes eles tinham o Santuário entre eles, agora eles tem Maggie e companhia. Também não podemos esquecer que talvez a Natalie não goste muito de ter sido feite prisioneira e que a Sasha está com sangue fervendo nas veias. E o coitado do Daryl bem no meio disso tudo, não sabendo no que acreditar, e totalmente dividido. Vamos ver no que isso vai dar neh gente... ai ai (ela tava pertinho do Reino uashuashuhs eu admito que me supero nas sacanagens que faço com ela as vezes aushauhsush) Acredito que agora que eu sou uma garota computadorizada novamente, minha rotina de postagens volte ao normal, então nos vemos na semana que vem. Bjss e até.