Notas iniciais
Oie! Aqui estou eu de volta com mais um capitulo nessa contagem regressiva, faltam apenas 3 agora (aaaa vou chorar) Antes de começarmos tem algo muito importante pra dizer sobre esse capitulo, ou melhor, pra aconselhar sobre ele: leiam com atenção, não pulem trechos, a grande magica nesse são os detalhes. A música tema dela é Play with Fire, se quiserem ouvir junto (tem link nas notas finais) Boa leitura!

• KANE BENNET •

Um mês depois...

A maioria das pessoas diz que a mentira é como um vício, e de fato é isso, quando alguém percebe que pode conseguir praticamente qualquer coisa com uma boa mentira as coisas tendem a sair do controle. A maior parte dos mentirosos compulsivos, no entanto, não mente para conseguir coisas, eles mentem por atenção...

Quando se é viciado em mentiras você é pego com facilidade dentro de uma, afinal vícios não são muito discretos. A pessoa começa mentindo por algo importante e acaba sendo pego em uma mentira idiota, é sempre assim. Já vi muitos mentirosos caindo por isso.

Ser um mentiroso profissional exige um certo talento para controlar a mentira, sem deixar que ela te controle. Quando se vive da mentira, como eu vivi por grande parte da minha vida, a gente aprende a ser honesto em todas as outras coisas.

É simples na verdade, por exemplo, se eu fosse um médico, eu não sairia por aí atendendo pessoas de graça... Sendo um golpista, eu não podia sair por aí gastando minhas habilidades por nada.

Eu sempre gostei de ver esse trabalho como algo quase artístico, cada golpe é uma peça de teatro em que eu sou o personagem principal. Eu monto o papel na minha cabeça e sigo o roteiro, sem nunca deixar aquilo de lado.

Durante um golpe eu sou a persona que eu interpreto, é como andar na corda bamba, um deslize e fim...

Claro que cada golpe é de um jeito, mas em geral todos requerem paciência e um longo planejamento, é como um jogo de xadrez.

Aquele golpe em questão foi algo que eu planejei cuidadosamente por um mês inteiro. Cada passo, cada palavra, cada conexão que eu fiz, cada lugar que eu fui naqueles dias... era tudo sobre o meu golpe.

Começou depois que eu voltei com Natalie do barco, ela me disse algo aquele dia que me fez perceber que eu precisava jogar uma última vez...

Os dias depois daquele foram de várias pequenas jogadas planejadas com cuidado, tive algumas oportunidades de completar meu objetivo durante aquele tempo, mas eu sabia que a paciência era essencial, era a diferença entre o golpe perfeito e um que podia me causar problemas no futuro.

Então, um mês depois, finalmente tinha chegado o momento de agir...

Acordei antes do Sol raiar e me vesti. Maggie tinha me cedido um trailer dentro de Hilltop, o que me dava alguma privacidade. Me sentei na cama e analisei todos os meus planos mentalmente pela centésima vez.

Haviam algumas jogadas arriscadas no caminho, eu sabia disso, também sabia que não seria fácil ou simples. Fora que certos movimentos só são possíveis de planejar até certo ponto, afinal os imprevistos acontecem e eu tinha certeza que acabaria me deparando com alguns naquele dia.

Peguei a carta que eu havia escrito na noite anterior e a coloquei no bolso interior da jaqueta, segura o bastante para que ninguém a visse antes da hora.

Deixei o trailer depois de respirar fundo. O dia começava a clarear, mas Hilltop já havia começado suas movimentações.

Não era uma comunidade ruim, eles tinham uma boa líder pra começo de conversa, Maggie era uma mulher descente e forte, eu meio que simpatizava com ela.

Talvez fosse apenas o fato dela ter perdido o amor da vida dela, e não ter conseguido vingança. Ou talvez ela me lembrasse um pouco de Lexie... Eu não tinha parado tempo o bastante pra pensar sobre isso.

Segui direto para o carro, já fazia semanas que eu vinha ajudando as outras comunidades a se reerguerem, era minha rotina de todos os dias. Claro que no começo não foi fácil furar o bloqueio natural que eles tinham comigo, afinal eu era um Salvador.

Mas acima disso eu sempre foi muito bom em conquistar pessoas, chame de charme natural, se quiser... então foi apenas uma questão de tempo até eu me conectar com as pessoas certas e isso me dar acesso a todas as comunidades.

Era algo essencial para o meu plano.

Sendo assim, naquele dia em particular eu tinha preparado tudo pra seguir até Alexandria, sob o pretexto de ajudar na reconstrução do lugar.

Notei uma movimentação a minha esquerda e virei a cabeça a tempo de perceber Daryl Dixon se dirigindo para sua moto.

Ele também revezava o tempo entre as três comunidades, por isso eu tive que prestar muita atenção na rotina que o caçador tinha, era essencial que ele estivesse o mais longe de Alexandria no dia em que eu colocasse meu plano em prática...

— Bom dia, Dixon. — Cumprimentei casualmente, enquanto ele se aproximava.

O caipira resmungou algo incompreensível. Não era novidade pra ninguém que ele não era meu fã, o pouco respeito que tinha por mim havia sido conquistado com muito esforço.

Era um tanto ridículo, mas não importava realmente, agradar Daryl Dixon não estava na minha lista de prioridades. Eu o respeitava como homem pelo que Natalie sentia por ele, mesmo que o achasse meio bosta nesse quesito, e o respeitava como pai, porque ele era de fato um dos bons...

— Seu mau-humor matinal é adorável. — Apontei sarcástico e vi Daryl revirar os olhos, remexendo em algumas coisas em sua moto.

Parei por um momento e visualizei todo o meu plano, eu sabia que quando terminasse minha jogada, não teríamos uma oportunidade como aquela outra vez.

— Posso te falar uma coisa? — Perguntei me encostando no carro.

— Preferia se não falasse. — Daryl resmungou, mas isso não me impediu de continuar.

— Somos bem parecidos você e eu, Sabia? — Comentei, e ele me encarou como se eu tivesse acabado de falar que tinha três cabeças. — Bom, claro que eu sou mais bonito e muito mais inteligente, mas você entendeu.

Sorri debochado e Daryl revirou os olhos, era nítido que me achava um idiota. Era até engraçado na verdade.

— O que eu quero dizer é: você é um cara legal, Dixon. — Declarei, me aproximando alguns passos dele.

O caipira estreitou os olhos desconfiado e confuso, como se eu tivesse acabado de falar alguma coisa em uma língua desconhecida.

Uma das moradoras de Hilltop passou por nós com uma cesta de verduras e sorriu.

— Bom dia, Daryl. — Se dirigiu ao caçador, que limitou-se a assentir com um mover de cabeça desajeitado.

Era quase irônico que ele não tivesse um pingo de tato com as pessoas e ainda assim tivesse conquistado alguém como Natalie Cooper.

— Bom dia! — Cumprimentei a mulher, mas ela me encarou como se eu fosse um intruso e se afastou, o que obviamente me fez rir.

Ninguém ali confiava em mim de verdade, não que eu me importasse com isso.

— Parece que mesmo com toda essa "beleza" e inteligência, você não é o tipo dela. — Daryl alfinetou superior, e aquela era certamente a maior frase que ele me dizia em semanas.

Sorri de canto e dei mais dois passos para perto dele.

— Eu sou o tipo de todo mundo. — Respondi apoiando a mão no ombro dele. — De todo mundo, Daryl.

Levei um safanão irritado e violento pela audácia, mas admito que foi muito divertido.

— Idiota. — Daryl subiu em sua moto, enquanto resmungava.

— Tchau pra você também, Dixon. — Acenei debochado e ele deu a partida sem olhar para trás.

Fiquei parado ali por um tempo ainda, olhando para a fachada da grande casa central de Hilltop. Eu realmente queria ver Natalie antes de sair, mas havia uma parte de mim que aconselhava o contrário.

Eu sabia tudo que aconteceria depois que o plano começasse, sabia que não haveria volta... Na verdade seria muito mais confortável permanecer em Hilltop, cedo ou tarde as coisas se resolveriam sozinhas. Mas eu não podia fazer isso. Esperar ou simplesmente não agir podia gerar consequências inesperadas...

Não, eu não podia mais voltar atrás, não depois de tudo que tinha acontecido, não depois do que Natalie tinha me dito aquele dia que fomos ao barco.

Eu tinha que fazer minha jogada.

Entrei no carro e dei a partida finalmente, deixando Hilltop, e seguindo por um caminho diferente de Alexandria. Havia um lugar que eu precisava parar antes...

Não tinha sido tão complicado conseguir aquela localização, trabalhar na construção das comunidades havia me colocado em contado com pessoas muito falantes, uma dúzia de perguntas bem feitas e eu descobri exatamente onde a batalha final contra os Salvadores fora travada.

Logo eu parei o carro no vale, quase não dava para perceber que tivera uma batalha ali, cada comunidade tinha recolhido os corpos de deu pessoal, os errantes já tinham dissipado e o mato havia crescido por toda parte naquele último mês. Tive que procurar por algum tempo antes de finalmente encontrar o que eu procurava, mas obtive sucesso.

Escondi o objeto debaixo do banco do motorista e segui em frente, no entanto escolhi um caminho alternativo, que me daria acesso a parte de trás da comunidade.

Parei o carro em um local estratégico e abri o porta-luvas, eu tinha deixado uma arma ali guardada, uma que eu tinha preparado antes, usando informações muito especiais que eu conseguira com meu novo amigo de Alexandria.

Chequei a arma e então a guardei novamente, aquilo só seria usado na segunda parte do meu plano. Desci do carro finalmente e então verifiquei minhas próprias armas, duas delas, antes de seguir para a comunidade.

Dei a volta a pé, chegando aos portões de Alexandria, forçando uma respiração pesada de quem tinha caminhado muito.

— Senhor Bennet. — Eugene me saudou na entrada. — Está a pé hoje?

— Como vai, amigo? — Dei um tapinha amigável nas costas dele. — Meu carro quebrou lá atrás da estrada, tive que continuar a pé... Achei que estivesse no Santuário hoje...

Eugene e algumas outras pessoas ficavam de olho no Santuário na maior parte do tempo, assim os Salvadores não saiam da linha. Mas é claro que eu sabia muito bem que naquele dia em particular Eugene não estaria por lá, ele teria que voltar para Alexandria por causa de uma ideia que eu mesmo tinha plantado na cabeça dele.

Meu comentário era apenas para despistar.

— Eu estava, mas resolvi seguir seu conselho, falei com Rick sobre as meninas e ele concordou que não era mesmo o lugar ideal para elas. — Eugene começou a explicar e eu fingi que não sabia de nada daquilo. — O Santuário é terra de ninguém agora, as coisas por lá não estão nada boas sem um líder e aquelas moças corriam muito risco com todos aqueles brutamontes.

Ele se referia as Esposas, ou melhor as pobres coitadas que Negan tinha aliciado e massacrado em seu harém de merda...

Eugene foi a primeira pessoa da qual me aproximei quando montei meu plano, ele era um elo fraco e eu precisava de alguém assim para que as coisas andassem.

Não foi difícil contaminá-lo com minhas ideias, foi mais fácil ainda arrancar dele algumas informações que me seriam muito uteis.

Depois eu só tive que sincronizar tudo, Daryl indo para o Reino, Eugene deixando o Santuário sem supervisão e tirando as esposas de lá... Cada peça estava no lugar.

Mas é claro que o primeiro imprevisto logo surgiu a minha frente, quando Rick Grimes acenou de longe. Mas que merda!

— Achei que o Grande Kahuna tinha uma missão no reino hoje. — Comentei com Eugene, afinal eu estava contando com a ausência de Rick.

— Ele tinha, mas preferiu ficar, disse que estamos em um ritmo bom na reconstrução da comunidade, e quer manter assim, por isso só a Michonne foi com Carl e mais um pessoal da escolha dela. — A resposta veio casual, enquanto seguíamos para o outro lado.

— Isso é bom, o pessoal sempre trabalha melhor quando o chefe está por perto. — Também usei um tom casual, que era apenas uma mentira bem contada.

A presença de Rick não estava nos meus planos, e isso dificultaria muito todos os meus outros passos. De cara, quando o analisei de onde eu estava, vi que ele levava preso no cinto algo que eu precisaria.

Mas que bosta!

O certo seria abortar a missão e recomeçar outro dia, mas eu sabia bem que a vulnerabilidade do Santuário, a ausência de Daryl e o fato de todos estarem ocupados o bastante aquele dia, eram fatores que poderiam não se repetir novamente tão cedo. Eu teria que remontar o plano e esperar por outra oportunidade, isso podia levar mais um mês.

Lembrei exatamente o motivo de estar fazendo tudo aquilo e era inaceitável deixar as coisas como estavam por mais todo esse tempo...

Eu tinha que prosseguir.

Sendo assim, me envolvi em minhas atividades normais, esperando uma oportunidade de causar distrações. Analisei o ambiente e notei o melhor lugar para manter as pessoas ocupadas.

Do lado oeste de Alexandria uma parte do muro tinha sido reconstruída recentemente, era a parte que os Alexandrinos haviam derrubado com o caminhão quando fugiram. Foi ali que meus esforços se concentraram, só tive que conseguir um momento sozinho e movi a trava de sustentação o bastante para causar um problema.

Então esperei... Não demorou muito para que alguém viesse avisar Rick que o novo muro podia ceder a qualquer momento. O líder de Alexandria juntou uma equipe, e fomos até os portões.

Deixei que ele examinasse a estrutura, procurando pelo problema e tive uma ajudinha da sorte quando a placa resolveu ceder exatamente no instante que Rick estava sob ela.

O puxei para o canto e rolamos pra longe, segundos antes que a placa de metal pesada atingisse a cabeça do líder de Alexandria.

Fui furtivo o bastante naquele momento e peguei o que precisava.

Com o muro caído e os errantes aparecendo atraídos pelo barulho, eu só tive que esperar a oportunidade exata e saí de fininho.

Ganhei as ruas de Alexandria em passadas rápidas, mas ainda assim contidas, para não atrair suspeita dos poucos moradores que caminhavam ali.

Quando cheguei ao meu destino dei de cara com Siddiq fazendo a segurança. Aquilo era outro imprevisto, eu não esperava dar de cara com o médico ali, mas não me intimidei com isso.

— Rick precisa de ajuda nos muros a coisa toda desabou. — Fui vago o bastante para que isso me desse tempo, afinal quando Siddiq chegasse ele não saberia exatamente para o que teria sido chamado e com sorte a confusão atrasaria o máximo aquela descoberta.

O médico, prestativo como era, assentiu rapidamente, pensei que seria o bastante, mas então ele estancou onde estava.

— Mas e ele? — Apontou para a casa atrás de si em um tom preocupado.

— Ele está trancado, a chave está com o Rick. Ele não vai a lugar nenhum. — Respondi casualmente e Siddiq se deu por vencido.

— Você não vem? — Questionou, quando notou que eu não o acompanhava.

— Em alguns minutos, tenho que pegar umas ferramentas. — Apontei para o lado oposto e dei alguns passos naquela direção, Siddiq por fim seguiu seu caminho e esperei que ele sumisse na esquina antes de voltar.

Abri a porta da frente da casa que o médico guardava e segui direto para o porão, era um lugar escuro e úmido com uma pequena janela apenas.

Havia uma cela com grades de ferro construída ali, e lá dentro, sentado em uma cama sem qualquer luxo, escondido pela penumbra do cômodo, estava o homem que um dia já tivera um império. O Rei. O chefe. O déspota, assassino e manipulador.

Negan.

— Olha só quem o vento trouxe... — Seu sorriso ferino se abriu na escuridão — Kane Bennet.

Até aquele momento eram apenas planos, ações mínimas que eu podia contornar. Mas estar frente a frente com Negan tornava as coisas mais reais e definitivas, era a última chance de voltar atrás.

— Veio aqui pra rir da minha desgraça? — Ele debochou em um tom cínico, enquanto eu permanecia parado ali, com uma expressão neutra encarando a cela. — Ou vai me dizer que veio aqui pra me matar?

Respirei fundo. Então é isso, disse a mim mesmo, são as jogadas finais agora.

— Nenhum dos dois. — Respondi, abrindo um sorriso que era um reflexo do dele. — Eu vim fazer um acordo, Chefe.

Tirei a mão do bolso e ergui no ar o objeto que eu tinha tirado de Rick Grimes no momento que o salvei. A chave da cela de Negan.

— E por que infernos eu acreditaria em você, Bennet? — Ele riu debochado, mas se levantou da cama e se aproximou das grades. — Por que você me soltaria?

Tinha a cicatriz na garganta ainda bem vermelha, mas estava totalmente recuperado.

Eu esperava que desconfiasse de mim, afinal Negan era um líder, seria estupidez não desconfiar de alguém que já o tinha traído uma vez.

Andei de um lado para o outro do pequeno cubículo em frente a cela e então suspirei pesado.

— Você estava certo. — Declarei, erguendo as mãos em rendição. —Natalie nunca vai me escolher. Sempre vai ser o Daryl.

Parei de andar e encarei Negan por alguns segundos, então deixei que a verdade nos meus olhos fosse claramente visível para ele.

Sempre seria o Daryl mesmo.

— Então a minha Coração está brincando de casinha com o meu Caipira Caçador e você veio aqui como um fracassado do caralho cheio de dor de cotovelo. — Negan riu, claro que ele não perderia a oportunidade de debochar daquilo, mas não me importei com isso naquele momento.

— Ela não está com ele ainda, mas é só uma questão de tempo... — Respondi paciente, sem esconder a verdade.

Talvez a própria Natalie não soubesse ainda, talvez ela tivesse feito a escolha sem perceber no dia que fomos ao barco. Foi naquele dia que as coisas ficaram muito claras para mim. Durante uma curta conversa eu entendi plenamente em que lugar cada peça se encaixava, e então eu soube exatamente o que eu tinha que fazer...

— Então você veio aqui porque quer que eu faça seu servicinho sujo, e mate o Daryl pra você? — Negan tombou a cabeça de lado e sorriu.

Para alguém tão esperto, ele era muito burro ás vezes.

Respirei fundo. Um golpe é uma peça de teatro, e eu estava no palco principal naquele momento. Era o grande ato. Não havia espaço para falhas...

— Não. — Respondi, colocando os braços atrás do corpo e arrumando minha postura. — Se ele morrer, esse amor nunca vai acabar.

Negan estreitou os olhos, me encarou por alguns segundos e eu vi perfeitamente a dúvida em seu semblante, por mais que ele estivesse interessando no que eu dizia.

— O que exatamente você quer me propor, Kane? — Havia uma curiosidade cautelosa na voz dele. Negan não confiava em mim ainda, mas eu sabia que não confiaria tão fácil, então não me preocupei com isso.

Era hora de começar a colocar algumas cartas na mesa.

— Eu te dou sua liberdade, voltamos para o Santuário, você recupera seu exército... — Comecei enumerando cada benefício. — Eu também de dou o trunfo para destruir a Natalie e o Daryl. Se você fizer do jeito que eu estou falando eles nunca ficarão juntos outra vez. Você fica com ele se quiser, mas eu vou fugir com a Natalie, já tenho tudo pronto. Depois você faz o que quiser com o resto das comunidades.

Cerrei os punhos atrás das costas e esperei pela reação de Negan, enquanto exibia um sorriso que era o equilíbrio perfeito entre sadismo e desinteresse.

— Parece que você já tem tudo planejado... — Ele ainda não estava confiante.

— Eu tenho. — Concordei movendo a cabeça — Eu só preciso de um bom carrasco, bastante manipulação e algumas mentiras.

— Manipulação? — Ele repetiu quase lisonjeado.

Eu sabia bem que o ego de Negan era o ponto fraco dele.

— Eu quero uma das suas cenas, todo aquele showzinho de apresentação, a morte planejada que você faz parecer culpa de outra pessoa... — Gesticulei com as mãos e Negan sorriu por um segundo.

Ele amava a violência, amava a sensação de poder que subjugar e humilhar pessoas trazia, mas é claro que Negan era hipócrita, ele não admitia isso...

— O que te faz pensar que matar alguém vai separar o casalzinho vinte? — Ele soou desinteressado. — Eu matei um ruivo e um japonês e aqui estou, e eles lá mais firmes que nunca.

Negan não era burro, ele está me testando, ele não confiava em mim e por isso não cederia tão fácil. E com ele dentro daquela maldita cela eu nunca terminaria aquele jogo como eu deveria.

Eu sabia que pra alcançar o prêmio em teria que apostar alto...

— Eles têm um vínculo inquebrável, se tirarmos esse vínculo da equação eles não terão nada. — Dei de ombros como se fosse algo simples. — Se você fizer parecer que foi culpa do Daryl, você acaba com ele e com qualquer chance da Natalie continuar apaixonada pelo idiota.

— O único vínculo forte o bastante para fazer isso com eles seria... — Negan matou a charada, vi nos olhos dele quando aconteceu. — O filho deles está morto... — Cada palavra dele estava repleta de dúvida.

Eu soube que o ganhei ali, Negan abaixou as defesas e abriu a guarda, esqueceu da desconfiança porque tinha sido confrontado com algo real demais para duvidar.

— Achei que você fosse mais esperto que isso, Chefe. — Respondi simplesmente, sem confirmar nem negar nada.

Mas foi o bastante para Negan, eu vi que ele finalmente entendeu porque tudo aquilo tinha acontecido, vi quando ele notou onde tinha falhado em quebrar Natalie.

— Filha da puta... — Xingou baixinho, andando de um lado para o outro da cela.

— Então, temos um acordo? — Perguntei impaciente, sabia que não tínhamos todo o tempo do mundo para conversar.

— Colocar a cabeça de um garoto a prêmio desse jeito... soa cruel pra caralho, Kane, eu não sabia que tinha essa porra toda dentro de você. — Negan respondeu em um tom de crítica, mas seu sorriso sádico não escondia sua aprovação.

— O importante é vencer o jogo. O garoto é um sacrifício necessário. — Declarei friamente. — Além disso, é só um filho, eu faço outro nela quando isso acabar.

Negan riu, aparentemente achou muita graça no que eu disse. Caras como ele sempre achariam graça nesse tipo de idiotice cruel...

— Então? — Tornei a perguntar.

— Você me dando tudo que eu sempre quis. — Ele riu de canto de um jeito nefasto. — Eu seria burro pra caralho se não aceitasse.

Colocou a mão para fora da cela, como se quisesse fechar um acordo, mas eu apenas girei a chave na fechadura e abri as grades, dando um passo para o lado para que Negan saísse.

Eu sabia que a partir dali todos os meus movimentos teriam que ser mil vezes mais cuidadosos.

— Parece que eu subestimei você, Bennet. Isso sim é o que eu chamo de uma puta surpresa! — Negan esfregou uma mão na outra e riu enquanto jogava o corpo para trás em um gesto teatral.

Não me importei, apenas apontei a direção.

— Fique perto de mim e não faça nada estúpido. — Orientei e o líder do Santuário obviamente não gostou nada de ouvir aquelas palavras.

No entanto Negan não teve tempo de retrucar, os passos e vozes exasperadas se aproximando me disseram tudo que eu precisava saber.

Rick já havia descoberto que as chaves tinham sumido e naquela altura meu envolvimento já devia estar mais do que claro.

Não tínhamos tempo e eu sabia disso. Eu não podia deixar que Negan fosse pego e colocado na cela outra vez, não depois de tudo que eu tinha dito para ele.

O puxei para a esquerda, subindo os degraus que davam acesso direto a porta, atravessamos a sala correndo e saímos pela janela de trás no momento em que a voz de Rick ecoava no cômodo com a cela.

Ele tinha mandado as pessoas se separarem e procurarem, o que significava que não tínhamos muito tempo.

Preparei a arma em uma mão enquanto segurava Negan com a outra o obrigando a correr comigo e o mantendo ao meu lado para evitar imprevistos.

Estávamos de frente para o muro quando demos de cara com Eugene. Foi um segundo apenas. Eu sabia que não tínhamos tempo e que qualquer movimento errado podia colocar tudo a perder.

Eugene abriu a boca confuso e notei que Negan estreitou os olhos ao meu lado como se esperasse por uma reação.

Não precisei pensar muito, eu sabia o que tinha que ser feito...

Abaixei minha mira e atirei na perna esquerda de Eugene, o fazendo cair no chão gritando de dor. Depois disso acenei para que Negan pulasse o muro junto comigo, e nem sequer olhei para trás, mesmo sabendo que Eugene era a coisa mais próxima de um amigo que eu tivera naquele último mês.

— Eu confesso que não estava muito confiante da sua porra de baboseira, mas agora... Bom, na verdade ainda não sei. — Negan exclamou enquanto corríamos. — Quer dizer, eu estaria mais impressionado se você tivesse matado o gordinho gênio. Não me diga que tem medo de sujar suas mãozinhas de moça, Bennet?

— Matar era a jogada errada. Alguém vivo e ferido significa uma comunidade mobilizada para salvar uma vida, Rick não vai deixar um dos seus morrer. — Respondi prático, era a verdade afinal, eu tinha observado Rick por tempo o bastante pra ter certeza disso.

— Você é esperto de verdade, caralho! — Negan riu, então viu o carro parado no meu ponto estratégico.

Entrei no banco do motorista e ele se jogou no banco do passageiro. Eu já tinha ganhado a pista, cantando pneus, enquanto Negan ainda ria.

Idiota.

— Então, me diz, senhor "Eu Tenho Todos Os Planos", como vai explicar para sua musa inspiradora que atirou no gordinho e, ainda por cima, estava comigo? — Ele sorriu de canto, como se sentisse um prazer pessoal em imaginar que eu falharia.

Negan não sabia de nada.

— Vou dizer que você me obrigou, ela vai estar devastada demais sobre o filho para pensar nisso. — Respondi com a primeira coisa que me veio à cabeça e acelerei o carro.

— Jogada muito arriscada... — Negan me encarou desconfiado. — Eu acho que você está perdendo o controle, Kane...

É, atirar em alguém de Alexandria não estava exatamente nos meus planos, mas todos ali sempre foram risco baixo pra mim, eu não me importava realmente. Concluir meu plano era mais importante naquele momento.

Decidi que era hora de tirar um pouco o foco de mim, para que Negan parasse de fazer perguntas.

— Eu te trouxe um presente, está debaixo do banco do motorista. — Apontei o banco onde eu havia escondido o objeto que eu recuperara na clareira.

Negan franziu as sobrancelhas, mas se moveu para ver o que era.

— É a minha Lucille! — Ele exclamou assim que viu o taco envolto em arame farpado, e por um segundo me pareceu genuinamente feliz.

A coisa estava um tanto judiada pelo tempo que passara jogada no meio do mato, em baixo de sol e chuva, mas aquilo não parecia importar para Negan, e também não importava pra mim.

O símbolo e a ilusão eram o que importavam realmente naquele plano...

— Achei que a dupla tinha que estar de volta pra causar impacto. — Respondi no tom animado que Negan costumava usar.

— Eu quase gosto de você agora, Kane. — Ele disse em um tom debochado, acariciando o taco como eu acariciaria uma mulher.

Revirei os olhos para aquela atitude doentia e abri o porta-luvas, entregando para Negan a arma que eu tinha guardado ali mais cedo:

— Aqui, caso as coisas saiam do controle.

Negan franziu levemente as sobrancelhas e pegou a arma, me encarou fixamente por mais três segundos, como se desconfiasse de cada movimento meu e então checou a munição do pente, parecendo satisfeito e surpreso quando o viu realmente carregado.

Claro que ele verificaria a munição, eu tinha certeza que isso aconteceria assim que eu entregasse a arma, afinal Negan tinha me dado uma arma sem munição pouco tempo atrás, era exatamente essa jogada que ele tinha usado para me derrubar.

Seria poético encurralá-lo na mesma armadilha.

Negan riu de canto, colocando a arma no cós da calça e eu acelerei um pouco mais para que chegássemos ao Santuário mais depressa, afinal cada segundo contava e eu tinha que fazer minha jogada final o mais rápido possível.

Quando estacionei o carro na frente do Santuário, uma porção de olhos curiosos foi se aproximando.

— O papai está de volta, crianças! — Negan desceu do veículo com as mãos erguidas, balançando a Lucille de um lado para o outro.

Deixei que ele tivesse seu momento de glória, deixei que desse seu discursinho de rei e colocasse todos os Salvadores no bolso, era exatamente o que eu tinha imaginado que aconteceria e exatamente o que eu queria...

Enquanto Negan reunia todo o pessoal no saguão principal e falava sobre vingança, a nova ordem mundial e foder com meio mundo eu tinha outra pequena peça para colocar no lugar.

Segui para meu antigo quarto em passos rápidos e arrastei a cama para o canto, tirando um dos pisos do assoalho e revelando meu esconderijo secreto. Eram algumas garrafas de bebida que eu havia guardado para uma "ocasião especial" e um pequeno frasco de remédio que eu coloquei no bolso interno da jaqueta.

Peguei todas as garrafas, seis ao todo, e estava no caminho do saguão quando vi sobre a mesa de uma das salas, dentro de uma caixa junto com várias outras coisas, uma filmadora, notei que tudo ali pertencia a Alexandria e que aquilo provavelmente estava separado para ser levado de volta, quando Eugene fizesse a próxima visita.

Encarei a filmadora por um instante e tive uma ideia que imediatamente pareceu uma ótima adição para o meu plano, então entrei na sala e peguei o objeto, vendo que ainda havia um pouco de bateria. Era o bastante.

Voltei para a área comum quando Negan estava finalizando seu discurso.

— Aqui, comemorem a volta do nosso Chefe. — Saí distribuindo a bebida, enquanto os Salvadores me cumprimentavam como se eu fosse algum tipo de herói.

Eu tinha trazido o Salvador supremo para casa afinal.

Era como se o Santuário abrigasse um culto, e eu sempre tive uma opinião forte sobre esse tipo de coisa. Pessoas abitolas são pessoas idiotas e perigosas.

— Posso saber o que é isso? — Negan apontou contrariado, vendo o que eu tinha acabado de fazer.

— Kelvin e eu costumávamos guardar algumas garrafas. — Respondi simplesmente, estendendo a última garrafa para ele como um presente. — Achei que a volta do nosso líder merecia uma comemoração à altura. Ou acha que não é digno de um brinde?

Negan ergueu a garrafa para todos e disse algumas palavras que eram puro floreio e motivação barata, observei as outras garrafas serem passadas de mão em mão, enquanto todos bebiam.

O líder do Santuário, no entanto, sequer abriu a dele.

— Melhor reunir os generais, não temos muito tempo. — Declarei, sabendo que estávamos no limite.

— Tão eufórico. — Negan apontou com seu jeito de sempre, estar de volta no Santuário fazia com que o comportamento dele fosse dez vezes mais presunçoso. Negan sozinho era um covarde, mas Negan acompanhado fingia muito bem. — Ela é boa, não é?

Eu ignorei o comentário e Negan fez um gesto para que os generais nos seguissem enquanto o restante do Santuário ficava ali bebendo e se preparando para o que estava por vir.

Eles não faziam ideia...

— Eu ainda me lembro de cada vez que fodi com ela. — Negan comentou malicioso, obviamente querendo me provocar. — Já bati uma várias vezes pensando nisso...

Ri como se tivesse acabado de ouvir uma piada, frio o bastante para não me deixar levar pelo joguinho de Negan. Já estava tudo planejado, não tinha necessidade de agir no impulso e arriscar estragar as coisas...

— Falando nisso, onde estão minhas esposas? — Ele perguntou olhando ao redor.

Agradeci mentalmente por Eugene ter tirado todas aquelas mulheres dali. Negan no entanto não ficou nada satisfeito, e apenas disse que depois pegaria "suas garotas" de volta.

Nos reunimos na sala de sempre, todos ao redor da grande mesa retangular.

— Então, Chefe, qual é o plano? — Um dos generais perguntou e Negan me encarou por alguns segundos.

— Primeiro vamos fazer um brinde aos velhos amigos. — Eu recuperei a garrafa que tinha dado a Negan e ele sequer tinha aberto.

Notei que era encarado com olhares desconfiados e entendi perfeitamente do que se tratava. Eles pensavam que estava envenenado.

Claro que pensariam, não eram tão estúpidos assim...

Ah, pelo amor de Deus! — Revirei os olhos como se aquilo fosse uma ofensa e então tomei um gole direto da garrava.

Estendi a garrafa para Negan e ergui as sobrancelhas como quem diz "satisfeito?". Ele pegou a bebida e deu um longo gole e assim a garrafa foi passando de mão em mão.

Me sentei, satisfeito com o rumo das coisas e sorri.

— Então... como foi da outra vez? — Perguntei casualmente, eu não precisava saber, na verdade eu não tinha planejado saber, mas quando vi a câmera achei que as coisas podiam ficar ainda mais poéticas. — O que vocês fizeram com o Daryl? Eu quero repetir a dose pra ser poético o bastante.

Aquela era a única parte da história que eu não tinha conseguido arrancar com detalhes dos Alexandrinos, eu não estava no dia da emboscada e depois só tinha ouvido a história por cima, e eu queria detalhes, falas, tudo.

Enquanto contavam a bebida rodou a mesa mais três vezes, sendo aceita por Negan em todas elas. Eu, por outro lado, virei a garrafa nos lábios e não bebi, estavam distraídos demais contando atrocidades pra notar isso.

Quando Negan terminou de contar, com requintes de detalhes e a crueldade brilhando em seu olhar, exatamente como tinha assassinado Glenn e Abraham na frente de todos os amigos deles e na frente de Maggie grávida eu me levantei.

— Entendi. — Sorri, finalmente, olhando cada um deles nos olhos e sentindo a euforia tomar conta dos meus batimentos cardíacos. — Bom, então eu acho que é isso, é hora de começarmos.

Um segundo. Apoiei minhas mãos na cintura e encarei os olhos de Negan, ele sorria satisfeito. Um rei em seu trono. Eu tinha devolvido tudo para ele, a liberdade, o poder, o exército, o Santuário, Lucille, ele podia sentir o gosto da vitória na ponta da língua. Negan estava no topo do mundo novamente...

Mas é como dizem, senhoras e senhores, quanto mais alto você sobe, mais feia é a queda. E a vingança... bom, a vingança é um prato que se come frio.

Em um movimento rápido e planejado, eu tirei as duas armas da parte traseira do meu cós e sistematicamente atirei na cabeça dos seis generais ali na sala, dois por vez.

Nenhum deles teve tempo de reagir, além disso o santuário não tinha mais armas para revidar.

No entanto eu não atirei em Negan, e nesse ponto ele já tinha se levantado e me apontava a arma que eu mesmo lhe dera.

— Que porra você está fazendo? — Ele perguntou olhando os cadáveres mortos ainda sentados em suas cadeiras.

— Essa é a minha jogada, Negan. — Abri os braços enquanto dava de ombros e então sorri o meu melhor sorriso vitorioso.

Negan ainda pareceu surpreso por um segundo, então segurou a arma mais firme, perfeitamente apontada pra mim e estava pronto para dizer alguma coisa quando teve uma crise intensa e inesperada de tosse.

Quer dizer, inesperada para ele, porque para mim era perfeitamente calculada.

— Eu estava guardando isso para o Kelvin, todas as garrafas de bebida misturadas com veneno de ação média. — Expliquei meus movimentos e Negan me olhou em choque.

Aquilo não era para o líder do Santuário realmente, mas quando comecei a planejar tudo eu incluí as garrafas também, queria desestabilizar Negan e além disso, carregar munição para matar todos os Salvadores seria inviável.

Eu podia ter deixado os generais de Negan morrerem daquele jeito, mas sete pessoas contra mim dentro de uma sala, mesmo que sufocando em veneno, não era um risco que eu correria. Além disso, acabaria com todo o impacto que eu queria ver nos olhos de Negan.

Comecei a tossir também, e o líder do Santuário me encarou como se eu fosse idiota.

— Eu sabia que Kelvin também me mandaria beber primeiro, por isso o veneno tinha que ser de ação lenta, assim eu teria tempo pra tomar o antidoto. — Tirei o pequeno frasco que eu tinha colocado no bolso da jaqueta e o abri sem pressa. — É a única dose, só pra constar.

Negan ajeitou a postura e não pensou muito antes de atirar.

Mas eu também já tinha previsto aquele movimento.

O tiro teve o efeito contrário, quando a bala explodiu no pente ao invés de vir na minha direção, isso fez Negan soltar o objeto enquanto tentava entancar o sangue da mão.

— Seu filho da puta! — Ele xingou caindo de joelhos, enquanto eu calmamente bebia o antídoto do frasco.

— Esse foi um melhoramento da sua jogada com a arma. — Apontei com um sorriso superior, enquanto o rodeava. — Foi difícil sabe? Tive que me aproximar de Eugene pra descobrir onde estavam as balas que ele tinha começado a sabotar na época da guerra. Então eu enchi um pente com elas e te dei a arma.

Contei mais uma parte das minhas jogadas sob o olhar raivoso de Negan, que acabava de entrar em outra crise de tosse.

Eu sabia que tinha mais algum tempo, o veneno agia devagar e Negan perderia as forças aos poucos...

— Também precisei da confiança de Rick pra entrar em Alexandria, mas eu o queria afastado de lá hoje, porque seria mais seguro pra ele e mais fácil, no entanto tive que improvisar pra roubar a chave dele. — Dei de ombros, rodeando Negan enquanto contava cada parte do meu plano. — Também não imaginei que Eugene fosse aparecer na nossa frente, o tiro foi uma infelicidade necessária, mas ele não vai morrer, tem um bom médico em Alexandria.

Cada pequena parte dos meus movimentos aquele dia tinha sido planejada, ou executada apenas para chegar naquele momento. A vingança perfeita.

— Você deve estar se perguntando porque eu estou fazendo isso... — Comentei, olhando o déspota de cima. — É bem simples na verdade. Natalie realmente escolheu o Daryl, essa parte não era mentira. Ela o escolheu quando foi pra mim que contou que não conseguia dormir por sua causa...

Me lembrei de nossa conversa no carro, ela parecia tão assustada e frágil, com tanto medo de perder o homem que amava. Eu soube que era o Daryl naquele momento... Natalie não foi capaz de dizer a verdade a ele, porque estava com medo da reação explosiva que o caipira teria.

Ela tinha medo do plano de Maggie dar errado, tinha medo de Daryl fazer besteira, tinha medo de tudo desmoronar. Porra, ela sequer dormia porque Negan ainda estava vivo.

Acho que de alguma forma uma parte de mim sempre soube que era o Daryl, não se compete com um amor daqueles.

Mesmo assim eu tentei, eu lutei, a outra parte de mim sempre teve esperanças que ela me escolhesse. Talvez eu ainda tivesse.

No entanto, se Natalie nunca escolhesse, eu ainda assim podia dar a ela a paz de espirito que ela tanto merecia, eu podia dar a ela a vingança que ela havia me dado um dia.

Por isso eu esperei que Daryl estivesse afastado no Reino, deixá-lo longe do perigo era uma das minhas prioridades naquele plano.

Natalie tinha deixado bem claro que temia pela vida dele quando foi para mim que contou sobre Negan. Não foram as palavras, eu nunca precisei de palavras para entender Natalie Cooper.

E se ela queria Daryl Dixon seguro, então isso era uma prioridade na minha lista.

— Natalie nunca teria paz enquanto você estivesse vivo, você e todos os Salvadores tinham que morrer. — Declarei como se fosse a coisa mais simples de todas.

E pra mim era, para mim sempre seria, Natalie era minha prioridade, se ela não podia dormir porque Negan estava vivo, então Negan tinha que morrer.

Ele me encarou no meio de outra crise de tosse, sabia que estava morrendo, tentou lutar ou revidar, mas o veneno já havia feito efeito o bastante para enfraquecê-lo.

Seu olhar era confusão, ele não entendia. A versão em que eu destruía a vida de Natalie para ficar com ela fazia sentido para Negan, mas a versão em que eu aceitava que ela escolheria outra pessoa e mesmo assim fazia tudo por ela não era compreensível para ele.

— Você não entende, porque nunca amou alguém como eu amo a Natalie, ela não é um jogo pra mim. Eu não pretendo mentir ou machucar alguém que ela ama pra que ela me escolha, não é assim que as coisas funcionam. — Expliquei me abaixando perto dele. — Mas você nunca vai ser capaz de entender isso...

Negan agarrou minha jaqueta e tentou me socar, mas eu revidei facilmente, o fazendo cambalear para trás.

— Você acreditou em mim tão facilmente, porque é exatamente isso que você fez com todas as meninas do seu harém, você enganou e manipulou todas elas, você ameaçou as pessoas que elas amavam. — Afirmei o olhando com asco. — Elas foram as únicas que eu fiz questão de tirar daqui porque sei que eram inocentes. Eu tirei suas preciosas esposas de você Negan, assim como estou tirando todo o resto. Eu te dei tudo, só para que você sentisse a dor da perda. Esse gosto amargo na sua boca não é apenas veneno, é justiça, foi isso que você causou em todos ao seu redor. Você está sofrendo a dor deles agora.

— Era tudo mentira... — Negan resmungou enquanto balançava a cabeça. O fato de estar perdendo pra mim, a pessoa que ele sempre subestimou devia ser demais para processar. — O garoto ao menos está vivo?

Sorri de canto e me aproximei dele, a informação sobre a vida de Petter tinha sido a que mais demorei pra aceitar colocar no plano, afinal arriscar o garoto estava fora de cogitação, mas percebi que se não desse algo real ao Negan ele nunca sairia comigo daquela cela, e eu podia mata-lo lá dentro, mas então seria apenas a execução de um pobre coitado.

Eu queria ver a derrota nos olhos dele. Aquilo sim era justiça.

Matar Negan dentro daquela cela seria um favor pra ele, tirar Negan da cela, além de ser uma vingança mais poética, faria Rick ver que cedo ou tarde o déspota escaparia, faria toda a Alexandria ver que tinha errado em manter Negan vivo.

Mas prometi a mim mesmo que se Negan tentasse fugir ou fizesse algo fora do planejado, depois que eu desse a informação sobre Petter, então eu o mataria sem pensar duas vezes, eu não me importaria com o jogo.

— Você nunca vai saber, Negan... — Respondi de um jeito frio. — Você nunca vai ter certeza sobre o garoto. Você nunca mais vai tirar o sono da Natalie. Você nunca mais vai ameaçar alguém que ela ama. Você nunca mais vai ter pensamentos sujos com ela. Acabou pra você, Coração. — Usei o apelido que ele dera para Natalie. — Checkmate.

Me afastei alguns passos dele e o encarei de cima, dando um suspiro. Finalmente tinha acabado. Eu tinha vencido o jogo.

Meus planos originais acabavam ali, eu assistiria Negan agonizar com o veneno e morrer lentamente, mas então eu vi aquela filmadora e percebi que podia tornar aquela vingança ainda mais poética. Talvez eu pudesse vingar mais algumas pessoas também...

— Bom, chega de papo. — Declarei, tirando a filmadora do bolso e a colocando sobre a mesa.

Apertei o botão de gravar, ajustando a posição da câmera e pegando a Lucille que repousava sobre a mesa.

Negan estava ajoelhado no chão, preso em outra crise de tose. Eu o rodeei devagar, balançando taco de um lado para o outro e entoando uni-duni-tê, exatamente como o tinha visto fazer algumas vezes. Exatamente como ele tinha feito com o grupo de Rick.

Mas é claro, ali só havia Negan, não tinha concorrência, aquela brincadeira macabra só podia terminar de um jeito...

Ouvi o som dos ossos se quebrando quando dei a primeira porrada. Era horrível e cruel. Embrulhava o estômago. E isso considerando que Negan era um homem terrível, um assassino frio que tinha me humilhado desde que eu colocara os pés no Santuário.

Pensar que ele tinha feito aquilo com dezenas de pessoas e não sentia remorso ou culpa tornava tudo ainda pior...

Negan era um monstro, e talvez eu fosse um monstro também por estar fazendo aquilo daquele jeito. Ninguém mais faria, não daquela forma, não com aquela frieza.

Rick nunca mataria Negan, o manteria preso em uma cela, seguro e alimentado. Criando seus filhos ao redor dele. Talvez as crianças Grimes acabassem amigas de Negan, as pessoas esqueciam com o tempo, principalmente crianças de bom coração. Talvez o próprio líder de Alexandria encontrasse um destino trágico bem antes de Negan...

Daryl, Natalie, Maggie e qualquer outro dariam a Negan uma morte limpa, honrada de certa forma. Eles eram heróis apesar de tudo. Eles precisavam daquela morte para seguir em frente, mas se fizessem com suas próprias mãos, aquilo seria algo que os assombraria para sempre.

E então havia eu. Eu nunca pretendi ser um herói. Eu não era um homem bom como o Daryl... Então sujar minhas mãos de sangue, violência e crueldade não importava pra mim.

A morte de Lexie povoava meus pensamentos todos os dias. Nada podia ser mais cruel que isso.

Negan tentou se erguer do chão, mesmo com o grande ferimento na cabeça e eu voltei ao meu teatro, me lembrei de cada detalhe e cada fala...

— Nossa, olha só, aguentando como um campeão! — Repeti o que o próprio Negan tinha contado ter dito para o ruivo amigo de Rick.

Esperei mais um pouco e me abaixei perto dele, não dei outra porrada. Não ainda.

— Amigo, você ainda está aí? — Perguntei cinicamente, assim como sabia que Negan tinha feito com o marido de Maggie. — Eu não sei, mas parece que você está tentando falar, só que você levou uma porrada e tanto, não é?

Ele entendeu o que eu estava fazendo, viu toda a poesia daquela vingança e pela primeira vez em todo aquele tempo ele realmente teve medo de mim...

— Eu acertei você tão forte que seu olho saltou pra fora, e é nojento pra caralho! — Imitei a postura dele, jogando meu corpo para trás e balançando o taco de um lado para o outro. — Lucille está sedenta, ela é uma vampira!

E então, depois de repetir todas as coisas cruéis que ele tinha dito quando matou os amigos de Rick na noite da emboscada, eu dei o último golpe.

Negan estava morto, seu crânio aberto no chão, exatamente como ele tinha feito com tantas pessoas inocentes.

Talvez algumas pessoas dissessem que foi justiça divina, mas Deus não fazia aquele tipo de coisa, Deus não se vingava das pessoas, isso era para os seres humanos. Isso era para homens como eu...

Peguei a câmera e deixei a sala. Fui andando pelos corredores do Santuário, vendo todos corpos caídos no chão. Dezenas de Salvadores mortos por causa do veneno, espumando pela boca.

Inocentes ou culpados, eu não distingui nenhum, eram todos uma ameaça para Natalie naquele ponto. Então todos tiveram que morrer...

Atirei nas cabeças para me certificar que não se tornariam um problema quando voltassem, quando minha munição acabou eu tive que usar uma faca, mesmo que a Lucille estivesse na minha mão.

Uma cabeça esmagada era o bastante por toda uma vida.

Já estava no fim do trabalho quando ouvi os carros de aproximando. Eu sabia que Rick e companhia não aceitariam tudo aquilo muito bem. Além disso eles não sabiam do meu plano, eu era um traidor, então eu tinha que sair dali, mas antes disso precisava fazer mais uma coisa...

Revirei algumas coisas e achei um galão de combustível. Derramei todo o conteúdo no taco e acendi o fogo. Deixando que Lucille ardesse em chamas, como uma bandeira que eu deixei bem visível no saguão antes de sair pelos fundos. O símbolo da destruição do Santuário.

Pensei que conseguiria escapar por aquele lado, mas não esperava dar de cara com algumas pessoas de Hilltop bem ali. Eu devia saber que Alexandria pediria ajuda.

Eram espertos, tinham me cercado pelos dois lados.

— Parado! — A mulher apontou a arma na minha direção e eu sabia que ela não hesitaria em atirar.

— Maggie. — Sorri amigável e ergui as duas mãos. — Você chegou rápido.

— Você atirou no Eugene e ajudou o Negan a fugir. — Ela parecia irritada.

Ninguém gosta de traidores afinal.

Fez um gesto para que seu pessoal vasculhasse a área, mas manteve a arma erguida na minha direção.

— Foi. — Concordei calmamente. — Eugene meio que foi um efeito colateral, diga que eu sinto muito por isso, Negan por outro lado... Acabar com ele dentro daquela cela seria fácil, simples, ele sequer sentiria. Quando alguém não tem mais nada, a morte não é um castigo. Uma vingança precisa de poesia.

Ela estreitou as sobrancelhas, confusa, surpresa, desnorteada e um tanto desconfiada ainda.

— Ele está morto? — A voz dela tremeu três tons. — Tudo isso foi pra matar o Negan?

Assenti devagar e vi que ela não sabia como agir, não sabia se acreditava em mim ou não.

— Eu trouxe um pouco da minha poesia pra você. — Tirei a filmadora da jaqueta e estendi para ela.

Ela manteve a arma apontada, mas se aproximou cautelosamente e pegou a câmera.

Seus olhos se encheram de lágrimas assim que minha encenação começou, ela assistiu cada segundo, não desviou os olhos da pequena tela em momento algum. Eu podia ver todas as suas emoções através das lágrimas que rolavam soltas, enquanto sua respiração saia aos trancos de seu peito.

Quando a gravação acabou ela suspirou aliviada, como alguém que finalmente tem uma conclusão na vida, como alguém que se sente vingada.

— Considere o vídeo um pagamento por tudo que você fez por mim nesse último mês. — Declarei, quando ela finalmente ergueu os olhos na minha direção. — Obrigado pela hospitalidade, Maggie. Ela não será mais necessária.

Fiz uma meia referência, mas não me movi, Maggie ainda tinha a arma apontada para mim.

— Você vai embora... — Ela deduziu certeiramente.

— Se você não atirar em mim é claro. — Sorri de canto, mas não tinha qualquer graça na verdade.

Era indiferente pra mim se Maggie atiraria ou não, como eu disse: Quando alguém não tem mais nada a perder, a morte não é um castigo.

— Maggie! — Ouvi a voz de Rick chamar.

Eu sabia que o líder de Alexandria não deixaria barato eu ter ido contra tudo que ele queria, eu tinha destruído tudo que ele achava certo...

Maggie também soube disso, vi bem claro nos olhos dela. A líder de Hilltop pareceu em conflito por um instante, então abaixou a arma.

— Vai. — Declarou, dando um passo para o lado.

Não esperei uma segunda palavra, apenas segui o caminho.

— Kane? — Ela chamou e eu me virei. — Obrigada.

— Foi uma honra. — Fiz outra meia reverência. — Boa sorte pra você e para o seu bebezinho. Eu sei que você vai ser uma ótima mãe, assim como você é uma ótima líder.

Maggie assentiu uma única vez e eu me coloquei a correr. Peguei uma das motos na parte de trás do Santuário e ganhei a estrada em alta velocidade.

Não demorou muito mais que uma hora para que eu estivesse nos arredores de Hilltop. Ainda havia algo que eu precisava fazer.

Deixei a moto ali por perto e entrei por um lugar estratégico nos muros. Eu sabia que a maior parte das pessoas tinha saído na missão com Maggie, por isso eu consegui me esgueirar pela comunidade sem ser notado devidamente.

Logo vi quem eu queria, ali mesmo perto dos muros. Bolt foi o primeiro a correr na minha direção.

— Hey, Carinha? — Acenei para Petter.

— Kane! — Ele levantou abruptamente, aliviado em me ver, mas então parou, como se tivesse acabado de lembrar de alguma coisa. — Estão dizendo coisas ruins de você. É verdade?

— Mais ou menos. — Admiti, dando um passo para trás, quando notei o receio do garoto.

Eu não queria assustá-lo.

— O que você fez? — Ele perguntou, mas seu tom não era tão desconfiado, como seria um mês e meio atrás.

— Eu terminei o jogo. — Declarei como se fosse simples.

— Que jogo? — Petter perguntou estreitando os olhos.

— Não importa agora, Carinha, tudo que importa é que você e a sua mãe estão seguros, nada mais vai atrapalhar a paz de vocês, e o seu pai não vai mais precisar correr riscos e deixar sua mãe preocupada. — Expliquei calmamente e então tirei a carta que eu tinha mantido guardada em meu bolso durante todo o dia. — Eu tenho que ir agora, pode entregar isso pra sua mãe?

— Você está partindo? — O garoto deu alguns passos na minha direção e pareceu preocupado. — Mamãe saiu com Maggie e os outros, acho que estão procurando por você. Talvez devesse esperar.

Pensar que por um triz eu não tinha visto Natalie no Santuário me entristeceu. Claro que eu queria vê-la outra vez, talvez a última vez... Mas quem sabe fosse melhor daquele jeito...

— Eu não posso ficar depois do que eu fiz... — Respondi e a tristeza no rosto de Petter era visível.

— Mas se você fez por nós, as pessoas vão entender. — Ele retrucou em seu melhor tom "sabe-tudo".

Ri de canto e baguncei seu cabelo claro. Petter era a mistura perfeita entre Daryl e Natalie, ele era um bom garoto e eu não tinha pensado que seria tão difícil me despedir dele...

— Quando você for um pouco mais velho você vai entender. — Garanti, dando um sorriso calmo que era apenas outra mentira, então estendi a carta novamente. — Pode entregar isso pra sua mãe?

Ele assentiu devagar e pegou o papel da minha mão, se jogando nos meus braços em seguida e me dando um abraço apertado.

— Adeus, Carinha. — O abracei também, tentando não ser levado pela emoção.

Dei alguns passos para trás e acariciei o pelo de Bolt uma última vez, até mesmo o cachorro parecia entender o que estava acontecendo ali.

— Adeus, Kane. — Petter acenou e eu parti sem olhar para trás.

Pulei o muro de volta e segui para a moto, tomando cuidado para não ser visto.

Então era isso, era o fim do jogo, hora de sair do tabuleiro... Antes de dar a partida coloquei a mão no bolso interno da jaqueta e tirei dali uma foto. Era a foto que Natalie havia tirado de nós no barco. Olhei para o rosto da mulher que eu amava e soube que tudo tinha valido a pena.

Natalie Cooper valia o risco e a dor, ela merecia o mundo e toda a felicidade nele.

Claro que ainda havia uma pequena esperança, a carta de despedida deixava aberta essa possibilidade... Estava tudo nas mãos de Natalie.

Dei a partida na moto e ganhei a estrada. Pela primeira vez ganhar o jogo não significava levar o prêmio para casa.

➷•➷•➷•➷•➷

Para a mulher mais forte e extraordinária que eu já conheci na vida.

Natalie, eu não sou bom nessa coisa de escrever, você é a jornalista aqui, não eu, então, me perdoe qualquer erro ou falta de poesia.

Acho que no momento em que você ler essas linhas já vai estar a par de tudo que eu fiz. Eu terminei o jogo. O Rei finalmente caiu.

Sei que tinha uma lista grande de pessoas fazendo fila para matar aquele cretino, e eu também sei que você tinha preferência por tudo que ele te fez passar, mas acredite quando digo que não terminei esse jogo só por mim. Eu fiz por você, fiz para te dar algo mais valioso do que a vitória, eu fiz pra te dar paz e acima disso, eu fiz pra te dar uma escolha...

Alguém já te deu isso na vida?

Porque, toda vez que eu olho em seus olhos, eu suspeito que todas as situações foram empostas a você, que nunca houve de fato uma escolha. Mas eu quero te dar isso...

Se eu bem te conheço você talvez você esteja um pouco brava agora com o rumo das minhas jogadas, com os riscos que eu assumi, por não ter dito nada a você. Mas veja as coisas por outra perspectiva: você, Maggie e Daryl não serão mais consumidos pelo ódio. Acabou.

E agora você tem duas opções; você pode ficar, e nesse caso você pode dormir tranquila todas as noites, sabendo que seu filho não corre perigo algum, sabendo que Negan não vai mais assombrar sua vida e sabendo principalmente que você não tem que ver seus amigos conspirarem contra seus outros amigos para matar o canalha que tirou tudo de você...

E mais que isso, se você escolher ficar, e se escolher ficar com Daryl, você nunca vai ter que se preocupar que ele seja consumido pela culpa e que ele tenha que ir contra a família que ele construiu para acabar com Negan.

Vocês poderão deixar o passado para trás e não haverá uma sombra pairando nele.

Se você ficar, eu ficarei feliz em saber que contribui para a segurança e paz de espirito daqueles que você ama.

Mas você tem mais uma opção...

Você pode vir comigo, você e Petter, desbravaremos o mar juntos. A vingança não te prende mais em Alexandria, você está livre Natalie, e eu gostaria que você fosse livre comigo.

Fuja comigo, Natalie Cooper, eu serei o motorista do seu carro de fuga e te levarei aonde você quiser... Na verdade eu serei o capitão da seu barco de fuga, mas você entendeu.

Eu gostaria que você escolhesse a segunda opção, porque a missão da minha vida seria apenas te fazer feliz todos os dias, e não há ninguém nesse mundo que merece ser mais feliz do que você.

Mas se você não escolher, só quero que saiba que isso não muda nada, eu ainda te amo, e nunca vou me arrepender de ter terminado esse jogo por você.

Sabe onde me encontrar, estarei lá até o Pôr do Sol.

Não importa o que aconteça, você sempre será minha rainha e tudo o que eu quero é que você seja feliz...

Eu te amo.

Do seu eterno Valete de Copas: Kane.

Notas finais
Música: https://www.youtube.com/watch?v=yzVQkO92wNw Ai, mas se o Kane não é o melhor personagem dessa fic eu não sei quem é kkkk (me deixa puxar sardinha pro lado do meu bebê kkkk) Brincadeiras a parte, eu espero que tenham gostado desse capitulo, porque eu estava muito ansiosa pra ele, também espero que tenha dado pra visualizar tudo. Sei que não vai agradar tudo mundo afinal tinha toda uma lista de personagens com todos os diretos de acabar com o Negan... Mas essa nunca foi minha intensão, não queria nenhum deles sujando as mãos com isso desse jeito como o Kane fez. E não, nunca passou pela minha cabeça deixar o Negan vivo, aqui em Lifeline não teria como. É isso, acho que o próximo é o capitulo decisivo neh? O titulo é "O que você escolhe?" e vai ser narrado pela Natalie. E aí, que vocês acham que vai rolar? Ela vai atrás do Kane? Vai rolar uma fuga? Ela vai ficar com o Daryl e nem vai se despedir? #TeamDaryl ou #TeamKane? (todo mundo sabe que eu queria um Surubão de Noronha, mas não vai rolar, isso eu já posso dizer kkkkkkk) Eu só posso dizer que o proximo é muito emocional, mas nem todo mundo vai gostar então preparem os corações. Bjss e até sábado que vem.