Lifeline — Destiny Don't Give Up
41 Amor Épico - parte II - Final
Notas iniciais

• DARYL DIXON •
Caçar é sobre paciência; caminhar devagar, seguir rastros com cautela, aguardar o momento certo de agir. Às vezes é necessário observar um animal por minutos sem fim antes de finalmente dar o tiro fatal.
Por esse motivo esperar nunca que foi um grande sacrifício ou ao menos eu pensei que não seria....
Confesso que naquele último ano eu me vi ansioso várias vezes, me peguei pensando que Natalie voltaria atrás naquela decisão de se afastar de mim. Os primeiros meses foram os mais complicados...
Então eu percebi que ela precisava daquilo e que talvez eu precisasse também, resolvi fazer algo útil com o meu tempo, me dediquei a ser o melhor pai possível.
Aquele tempo me ajudou a refletir melhor, encarei meu passado de frente e vi onde cada ponto me afetava. Descobri muito sobre mim mesmo...
Percebi que Natalie estava certa sobre o afastamento, precisávamos daquilo, daquele tempo para lidarmos com nossos próprios problemas. Encarei minhas falhas, lidei com a culpa, percebi que precisava abrir mão de certas bagagens do passado para seguir em frente.
Admito que Petter ajudou muito nesse processo, ter meu filho ao meu lado me impeliu a ser alguém melhor todo o dia, a não empurrar as coisas com a barriga ou negar tudo, assim como eu tinha feito nos últimos dez anos. Então eu me esforcei para ser um bom exemplo, afinal eu não queria ser um pai como o meu.
Eu provavelmente não teria conseguido sem Petter, não teria enxergado certas coisas se ele não estivesse ali todos os dias para me manter focado. Ser pai me tornou alguém melhor... e eu não precisava que ninguém me dissesse isso, porque eu mesmo conseguia ver essa verdade.
Então depois de alguns meses a ansiedade passou e eu compreendi que precisava ter paciência. Enquanto isso, descobri que construir coisas era algo que me fazia bem, eu não era nenhum perito, mas vai ver fosse algum tipo de terapia, Natalie tinha seus grupos de apoio e eu construía coisas.
Redescobri minha paciência, entendi que precisava esperar o tempo dela, por isso sequer falei sobre meus projetos, no primeiro caso porque o campo de girassóis são estava totalmente pronto e no segundo caso porque... bom, paciência.
Mas caçar também é sobre saber a hora certa de agir, se o momento perfeito passar toda a paciência terá sido em vão.
Eu não esperava Natalie na minha porta, primeiro porque ela nunca aparecia em Alexandria, segundo porque eu não queria que ela descobrisse sobre o meu segundo projeto antes da hora. Na verdade, eu sequer tinha pensado sobre o que dizer quando chegasse a hora...
Mas então ela estava ali, talvez fosse a hora.
— Eu fiz pra você. — Falei de uma vez, quando ela já estava quase no fim do gramado.
Natalie se virou na minha direção e franziu as sobrancelhas.
— É, você disse isso... — Assentiu devagar e notei que ela não tinha entendido.
— Eu não estou falando do campo de girassóis. — Esclareci e vi que Natalie ficou ainda mais confusa. — Quer dizer, ele é pra você também... e pro Petter e pra Luka. Mas não é sobre o campo.
Droga, eu devia ter gastado uma parte daquele último ano pensando no que diria quando o momento chegasse...
Respirei fundo sob o olhar atento de Natalie e dei um passo para a frente, soltando a maçaneta e ultrapassando o capacho na entrada.
Eu não queria falar sobre o campo antes da hora, assim como eu também não pretendia falar sobre aquele assunto... Eu não queria precipitar as coisas, estava esperando que Natalie estivesse pronta, mas então ela estava ali e eu sabia que deixá-la ir embora com a impressão errada mancharia tudo que aquele lugar deveria representar.
— Eu construí pra você... a casa. — Apontei o imóvel atrás de mim, tentando não me enrolar com as palavras. — Eu e o Petter, na verdade.
Natalie franziu as sobrancelhas, como se estivesse confusa.
— Vocês dois construíram essa casa juntos? — Ela perguntou e eu assenti.
— É no que vínhamos trabalhando nesse último ano...
Não tinha sido uma tarefa fácil, mas tivéramos tempo, e com os materiais da reforma de Alexandria tínhamos disponível quase tudo que precisamos. Na verdade, acabou sendo uma ótima forma de passar o tempo, de estreitar meus laços com Petter e de sentir que eu estava fazendo algo realmente produtivo enquanto Natalie ajudava pessoas de todas as comunidades.
— Por que construir uma casa, quando já tinha tantas pra reformar em Alexandria? — Ela questionou interessada, dando outro passo na minha direção.
— Não dá pra construir algo bom em cima de alicerces velhos e rachados. — Repeti algo que ela tinha me dito um ano antes, naquela noite na praia.
Natalie olhou ao redor devagar, analisando os detalhes da fachada da casa com os olhos ganhando o brilho do entendimento pouco a pouco. Estava claro que ela estava se lembrando da nossa conversa e notando que a casa tinha alguns dos detalhes que ela citara para mim aquele dia.
Outro relâmpago cortou o céu, que aos poucos escurecia cada vez mais. Logo a chuva cairia sem piedade, mas era o normal da estação.
Natalie umedeceu os lábios e encarou o chão por alguns momentos, como se procurasse por algo para dizer. Senti que eu devia esclarecer que aquilo não era alguma tentativa de forçar as coisas.
— Isso não é algum tipo de pressão, eu prometo. Nem era pra você saber de nada agora. — Expliquei mais rápido do que imaginei que era capaz de falar, senti que minhas mãos estavam suando. Eu realmente não tinha me preparado para aquela conversa. — É só que você está aqui e...
Não soube como terminar ou o que dizer, passei a mão pelo rosto e Natalie continuou calada, com os olhos em mim e a expressão indecifrável.
Me lembrei da pergunta dela sobre ter alguém comigo lá dentro da casa.... E ainda disse que era bom seguir em frente. Quase ri daquela ironia, afinal eu tinha esperado Natalie por dez anos, sem qualquer esperança, contra todas as probabilidades, então, com ela tão perto de mim, ter olhos para qualquer outra pessoa seria ridículo. Colocar essa pessoa dentro da casa que era da Natalie era mais absurdo ainda.
Eu tinha feito uma promessa, e eu já mantinha essa promessa mesmo antes de colocá-la em palavras.
— Não tem ninguém, nunca teve. É só você e... — Engoli em seco, não era para eu estar dizendo aquilo em voz alta, mas estar perto de Natalie sempre me deixava nervoso, como se eu ainda fosse o mesmo jovem idiota de Dawsonville... Como se eu fosse o maricas que Merle sempre me acusou de ser. — Eu pensei que quando você estivesse pronta e quisesse parar de pular de comunidade em comunidade... Você tem um lar aqui. Seu. De mais ninguém. Com o Petter e o Bolt... e eu, se você quiser, é claro. Por que eu posso me mudar. É sua casa.
As palavras saíram todas de uma vez só da minha baca, sem filtro ou controle, eu sequer sabia se devia mesmo ter dito tudo aquilo. Me calei, encarando meus próprios pés por algum tempo, querendo mesmo é andar de um lado para o outro para aplacar meu nervosismo.
Natalie permaneceu em silêncio, até que aquilo me incomodou e eu ergui os olhos. Ela tinha as íris negras em mim, como se estivesse esperando, então sorriu calmamente, como se estivéssemos no meio de um conversa casual, não envolvidos em algo que podia mudar nossas vidas.
— Eu posso ver? — Ela perguntou, e por um instante tive a impressão que estava empolgada com isso.
— Ver a casa? — Quis ter certeza, afinal Natalie tinha se tornado perita em se esquivar de coisas sérias naqueles últimos tempos.
Imaginei que ela sairia correndo assim que soubesse da casa, mas ao invés disso ela assentiu positivamente, suas feições leves, seus olhos brilhantes, muito minha Bochechas de onze anos atrás para que meu coração não errasse uma batida.
— Claro... — Assenti devagar, dando um passo para trás e abrindo a porta, ainda um tanto incerto de que aquilo estava mesmo acontecendo.
Me afastei o bastante para que Natalie pudesse entrar e então a esperei absorver todos os detalhes do ambiente. Eu realmente não fazia ideia de como lidar com aquela situação, quer dizer, eu sempre imaginei que Petter estaria comigo naquele momento, que ele mesmo falaria sem parar sobre cada coisa ali.
Tínhamos feito um grande trabalho ali, era uma combinação do que Natalie tinha dito, com o que Petter me dissera que queria em uma casa, com o que eu achava que devia ter.
Não era grande como as outras casas de Alexandria, nem tão luxuosa. No piso de baixo havia uma sala de estar integrada com a sala de jantar e a cozinha de plano aberto, duas grandes janelas na frente e duas no fundo.
Os móveis eram uma mistura do que tínhamos achado em outras casas em Alexandria, alguns que eu e Petter tínhamos recolhido com a ajuda de Carl em algumas rondas e várias coisas que havíamos recolhido do apartamento de Natalie, local em que tínhamos voltado pouco tempo atrás.
No andar de cima haviam dois quartos e dois banheiros um no corredor e um no quarto maior.
No entanto, com Natalie estava ali parada na sala, ter feito um quarto de casal parecia muito inapropriado. Engoli em seco, voltando meus olhos para ela, que por sua vez caminhava lentamente passando os dedos pela estante, enquanto suas íris negras estavam na parede acima do sofá...
Eu tinha feito questão de pegar as fotos no apartamento e colocá-las todas na parede, exatamente como Natalie tinha feito em sua casa e como Petter fez questão de dizer que ela gostava.
Haviam muitas fotos dos dois, outras tantas com Luka e algumas com os avós de Petter.
Meu filho tinha um amor especial pela avó, mas o "vovô Daniel" parecia o preferido pelo modo como ele falava.
Natalie se aproximou das fotos devagar, observando cada uma delas com lágrimas nos olhos e um sorriso saudoso nos lábios. Passou os dedos pela imagem em que Luka, Petter, Daniel e Deborah estavam reunidos.
— Nós fomos no seu apartamento. — Expliquei, roendo a lateral do polegar direito em expectativa.
Natalie apenas assentiu suavemente e continuou encarando cada detalhe da casa sem dizer palavra nenhuma.
Eu não sabia o que dizer ou o que esperar, queria que Natalie falasse alguma coisa, qualquer coisa. Naquele momento eu sequer sabia do que podia estar passando na mente dela, Natalie podia estar gostando ou odiando...
Pensei em perguntar, mas eu tinha perdido minha voz no fundo da minha garganta. Engoli em seco, porém Natalie parecia alheia ao meu nervosismo, foi nesse momento que a porta se abriu repentinamente.
Petter e Bolt entraram feito furacões, como se houvesse algo muito importante a ser dito, mas meu filho parou bem ali, quando viu a mãe no meio da sala. Ele abriu o maior e melhor dos sorrisos, um daqueles que fazia qualquer coisa na vida valer a pena.
Petter tinha o sorriso da mãe, aquele sorriso hipnótico que Natalie tinha em Dawsonville.
— Mãezinha! — Exclamou, imediatamente empolgado.
Ele sabia bem que tínhamos que guardar segredo sobre a casa, mas vendo Natalie ali ele entendeu que finalmente os segredos tinham acabado.
— Então você já sabe da nossa casa? — Ele perguntou eufórico.
— Sei sim, Pequeno Gafanhoto. — Ela sorriu, amorosa como sempre era quando se tratava do nosso filho.
"Nosso filho", eu nunca cansaria de me orgulhar disso.
No começo tinha me causado medo, pavor na verdade, nunca quis um filho, porque nunca quis ser um pai, principalmente por temer ser um pai terrível como o meu.
Mas então Petter venceu todas as minhas barreiras e eu enfim percebi que ele era a melhor coisa que já tinha acontecido na minha vida. Prometi a mim mesmo que seria um pai muito melhor que o meu, era como minha missão diária, algo que eu nunca esquecia e do qual eu não desistiria nunca.
Eu tinha que fazer melhor com Petter, tinha que ser melhor.
Natalie o recebeu de braços abertos e felizmente Petter preencheu todo o silêncio desatando a explicar cada pequena coisa nos mínimos detalhes.
Ele contou tudo que tinha feito, cada foto que tinha colocado na parede, cada piso que tinha escolhido, a dificuldade de arrumar a fiação, onde tínhamos encontrados as janelas, as ferramentas que tínhamos usado... E eu apenas me afastei e deixei que os dois conversassem.
Depois Petter levou Natalie para o andar de cima, empolgado demais sobre o próprio quarto, ouvi os dois conversando sobre o batente da porta, algo que eu tinha feito questão de trazer do apartamento, afinal era uma lembrança muito importante da infância dele.
— Pai! — Ouvi o garoto gritar do andar de cima. — Vem cá!
Respirei fundo e subi as escadas, sem saber muito bem o que os dois podiam querer comigo.
Parei no corredor e Natalie tinha um sorriso emocionado nos lábios.
— Você trouxe o batente. — Ela apontou, enquanto Petter nos olhava com o maior dos sorrisos.
— Parecia importante. — Movi os ombros como se não fosse nada demais.
— É sim. — Natalie assentiu lentamente e então voltou os olhos para o batente.
Passou os dedos pelas marcações devagar, como se houvesse um mundo de lembranças naquele gesto.
— Mas vocês não marcaram nada. — Ela voltou os olhos pra mim e seu ar era tão leve quanto suspirar em uma manhã de verão depois de uma noite bem dormida.
— Papai não queria fazer sem você. — Petter respondeu por mim, afinal eu tinha perdido as palavras em algum lugar, porque minha atenção era toda de Natalie.
Percebi que os dois tinham os olhos em mim e soube que esperavam que eu dissesse alguma coisa.
— Achei que você tinha que fazer, era uma tradição sua afinal. — Apontei sem jeito.
— A gente pode fazer agora, todo mundo junto. — Petter sugeriu todo animado.
Natalie sorriu. Aquele sorriso amoroso e materno que ela tinha e que fazia meu amor por ela aumentar ainda mais.
— Acho que é uma ótima ideia. — Ela respondeu arrumando o cabelo do nosso filho.
Petter era pura empolgação, se encostou no batente todo cheio de pose, esperando que a mãe marcasse sua altura. Natalie tirou uma faca do cinto, mas ao invés de marcar a madeira a estendeu na minha direção com um sorriso.
Aceitei a oferta, porque a verdade é que aquilo era algo que eu queria muito fazer. Minha mão tremia quando eu finalmente posicionei a faca e fiz a marca.
Senti que aquilo era algum tipo de marca que não ficaria apenas na madeira, ficaria em mim também.
Petter sorriu pra mim e se afastou do batente, enquanto Natalie marcava "11 anos" ao lado da minha risca.
— Olha só! — Ela sorriu acariciando o cabelo dele outra vez. — O que você anda comendo menino? Olha como você espichou.
— Eu vou ficar alto igual meu pai. — Petter respondeu todo orgulhoso e foi impossível não sorrir.
Eu tinha aprendido a amar aquele menino mais do que qualquer coisa no mundo.
— Seu pai não é tão alto assim. — Natalie riu, dando de ombros.
— Eu sou sim. — Protestei e os dois riram.
Eu queria aquilo, queria todos os dias e pra sempre. Nunca imaginei que era algo com o qual eu sonharia, mas a verdade era que aquilo tinha se tornado meu único objetivo naquele último ano.
— Então, mãezinha, você vai ficar? — Petter perguntou do nada e eu neguei algumas vezes, sem que Natalie pudesse ver. Não era hora de falarmos sobre aquele assunto. Eu não queria pressionar as decisões dela. — Porque vai chover...
Petter deu o sorriso mais inocente de todos, se eu não soubesse que ele tinha emendado aquele final de improviso eu até acreditaria.
— Ah... — Natalie passou os olhos por mim rapidamente e então os focou no filho. — Eu ainda não pensei nisso.
— 'Tá bom, então... — Ele deu de ombros com a maior naturalidade, mas eu vi a decepção em seus olhinhos azuis escuros. — Posso dormir no Carl hoje?
— Dormir no Carl? — Repeti, achando aquela pergunta, naquele momento, um tanto estranha.
Quer dizer, Carl e Petter eram sim muito amigos, mas meu filho jamais escolheria deixar a mãe de escanteio daquele jeito.
— O Rick e a Michonne vão fazer macarrão com queijo caseiro hoje, e depois vão ficar de guarda, daí eles me convidaram pra jantar e eu me ofereci pra ajudar o Carl a cuidar da Judith depois. — Ele respondeu dando de ombros, como se não fosse nada demais.
— A sua mãe está aqui hoje, Petter. — Comentei, lançando um olhar que ele não viu, ou fingiu não ver.
— Mas eu combinei antes de saber que ela estaria aqui. — O garoto deu de ombros, como se fosse a coisa mais natural de todas.
Eu sabia que não era verdade, aquilo tinha sido algo combinado de última hora, afinal se eles tivessem combinado antes Petter também teria contado antes.
Mas Petter parecia muito à vontade com tudo aquilo.
— Posso ir, mãezinha? — Ele se voltou para Natalie, com aquela carinha de coitado eu só ele sabia fazer. — Se você for embora hoje não vai fazer diferença, mas se você for ficar a gente vai ter tempo pra ficar juntos amanhã cedo.
— Bom, você tem todos os argumentos, não é? — Natalie riu. — O que mais eu posso dizer?
— Vocês podem dizer sim. — Petter apontou para nós dois, abrindo um sorriso inocente.
Senti que o menino estava querendo me deixar sozinho com Natalie.
— Eu não sei.... — Ergui minhas duas mãos e me virei para Natalie. — Melhor você decidir.
Ela olhou para mim por alguns segundos e então para Petter.
— Pode ir, Pequeno Gafanhoto. — Sorriu, dando um beijo no pequeno, toda cheia de ternura como sempre era com nosso filho.
— Eba! — Ele se afastou imediatamente, todo saltitante. — Então tchauzinho! Amo vocês dois, daqui até a Lua ida e volta.
Saiu correndo escada a baixo, deixando a casa em seguida, quase como se temesse que mudássemos de ideia de uma hora para outra.
Apenas neguei algumas vezes, o menino não tinha jeito mesmo.
Natalie por sua vez parecia muito à vontade, se afastou um pouco do quarto e se debruçou no corrimão da escada, me encarando por longos segundos, enquanto eu não fazia ideia do que dizer.
Ainda era muito estranho estar com ela ali. Era o que eu vinha sonhando há tempos, mas mesmo todos aqueles sonhos não tinham me preparado para a realidade.
Me encostei no corrimão oposto e voltei a roer a lateral do polegar.
— Então você constrói casas e jardins agora... — Natalie comentou depois de algum tempo, e me lançou um sorriso de canto.
— Eu tive tempo. — Respondi movendo os ombros.
— Eu também tive tempo e não construí uma casa. — Ela devolveu, alargando o sorriso.
— Você ajudou pessoas, parece bem mais importante. — A encarei por alguns segundos e facilmente me perdi naqueles olhos negros.
— Acho que cada coisa é importante a seu próprio modo. — Natalie declarou como se fosse simples e eu podia mergulhar no sorriso dela o dia todo.
A vi se afastar do corrimão e caminhar até o quarto de Petter novamente, dando uma olhada no lugar uma vez mais. Por um segundo minha mente vagou para tudo que podia ser... Uma vida toda que podíamos ter ali dentro, felizes.
— Então... — Pigarreei para trazer minha voz de volta e para chamar a atenção de Natalie. — O que você achou?
Ela mal havia pousado os olhos em mim quando eu me dei conta que tinha sido uma pergunta idiota e inapropriada. Eu não podia pressionar Natalie daquele jeito.
— Deixa pra lá... — Acenei rapidamente, como se não fosse nada demais e dei várias passos para trás. — Fica à vontade.
Virei às costas, sentindo que tinha feito a maior besteira.
— Daryl? — Natalie me chamou de volta e eu me virei, parando na escada. — Eu amei. É linda.
A sinceridade era evidente no olhar dela e isso foi como um imã pra mim. Voltei três passos e ela se aproximou dois. Tudo que eu queria naquele momento era tocar Natalie, era como se meus dedos formigassem pra isso.
Demos outro passo juntos e o som de um trovão foi tão intenso que foi como se as paredes tremessem. A chuva caiu de uma vez só, forte e barulhenta.
Do lado de fora podíamos ouvir a comunidade em polvorosa. Eu sabia que durante uma tempestade haviam algumas providências que tínhamos que tomar, mas naquele momento eu não sei se teria força de vontade para me afastar de Natalie.
— Vou lá ajudar. — Ela sorriu, se esquivando de mim antes que eu pudesse reagir.
Saiu da casa logo em seguida, e eu demorei tanto pra reagir que, quando cheguei onde o grupo estava, Natalie já estava envolvida com pelo menos três tarefas.
A ouvi mandar Petter e Carl ficarem dentro de casa com Judith e algumas outras crianças para que não se resfriassem e resolvi ajudar em alguma coisa também.
Não demorou muito, mas chuva era tão intensa que no fim daqueles curtos vinte minutos já estávamos todos encharcados, mas pelo menos havíamos guardado tudo que não podia ser molhado e também tínhamos coberto a horta.
Parei na varanda de Rick, vendo Natalie ainda envolvida com outras pessoas, ajudando a tirarem seus pertences pessoais dos gramados.
— Então ela veio... — Rick parou ao meu lado logo depois.
Não era segredo para a maioria ali o motivo pelo qual eu tinha construído aquela casa. Digamos que construir uma casa dentro de uma comunidade onde haviam várias disponíveis chamava atenção e despertava curiosidade.
Era complicado conter os boatos. E por algum motivo as pessoas achavam aquilo um gesto super romântico. Eu não via como um gesto assim.
Era mais simples pra mim, algo que a Natalie queria... Não pensei muito sobre ser um gesto, apenas fiz, mesmo assim as pessoas começaram a criar expectativa ao redor daquilo como se fosse algum tipo de evento.
— Não é nada disso... — Revirei os olhos para o sorriso de Rick — Ela passou na frente do campo de girassóis e...
— E está aqui. — Ele soou prático, como se tudo fosse simples. — Não vejo oportunidade melhor de vocês se entenderem.
Vi Natalie rindo de alguma coisa que uma das senhoras de Alexandria disse e então correr para ajudar outra pessoa. Eu podia me acostumar com tudo aquilo, na verdade, eu ansiava ter Natalie ali todos os dias, mas...
— Não é assim, Rick. Ela resolveu se afastar e eu... — Neguei alguns vezes e suspirei. — Eu estou esperando.
— É, você já contou essa história, Daryl. — Rick fez um gesto banal com a mão. Não era a primeira vez que conversávamos sobre aquele assunto, na verdade Rick e Carol eram as únicas pessoas com as quais eu me sentia confortável para falar. Eles eram mais que meus amigos, eram minha família. — Mas essa não é a mesma Natalie de um ano atrás, amigo. Ela está diferente. Carol acha que já passou da hora.
Minh mente piscou em alerta, montando todas as peças rápido demais.
— Carol? — Repeti, sabendo que Natalie ter passado do nada naquela estrada era algo totalmente improvável. — E você convidou o Petter pra comer macarrão com queijo justo hoje?
Aquilo não era coincidência, claro que não era. Rick abriu um grande sorriso culpado.
— Ah, Daryl, pelo amor de Deus, todo mundo sabe que você precisa de um empurrãozinho. — Ele retrucou bem-humorado.
Pensei em retrucar, mas Natalie estava se aproximando, então tive que deixar o assunto morrer.
"Empurrãozinho", que absurdo! Eu podia muito bem lidar com meus próprios assuntos.
— Obrigado pela ajuda, Natalie. — Rick agradeceu quando ela se aproximou e se juntou a nós na varanda.
— Não custou nada. — Natalie fez um gesto com a mão e acenou para alguém que passou correndo.
Ela tinha ganhado a simpatia das pessoas, não só por causa da história da casa que atraia os curiosos, mas as notícias corriam entre as comunidades e alguns faziam questão de se deslocar para Hilltop apenas para participar dos grupos de apoio de Natalie.
— Eu estava pensando; você devia fazer um daqueles seus grupos aqui amanhã. — Rick sugeriu naturalmente. — Afinal não tem como você ir embora com essa chuva hoje.
Natalie respirou fundo, encarou a chuva e então passou os olhos por mim. Por um segundo pensei que ela se esquivaria, como se esquivava sempre, mas não foi isso que aconteceu.
— É, acho que vai ser bom. — Ela sorriu amigável e eu franzi as sobrancelhas, surpreso com a naturalidade.
— Ótimo. — Rick assentiu satisfeito e então se despediu de nós dois, me lançando um olhar cheio de significados antes de entrar na própria casa.
Fiquei ali parado com cara de tacho enquanto Natalie comentava algo sobre a chuva ser uma boa coisa para as plantações, mas eu não prestei atenção.
Minha mente estava no que Rick tinha dito, será mesmo que já tinha passado da hora de me resolver com a Natalie?
— Você não vem? — Ela perguntou casualmente, prestes a deixar a segurança da varanda de Rick e cair na chuva novamente.
Claro que ela estava se referendo a voltar para casa, mas achei um tanto inapropriado que ficássemos juntos lá dentro sozinhos e sem o Petter.
— Pode ir. — Apontei como se não fosse nada demais. — Como eu disse, a casa é sua, eu vou arranjar outro lugar pra...
— Para de besteira, Daryl. — Natalie me cortou, revirando os olhos. — É a sua casa também, lembra?
— É só que... — Tentei responder alguma coisa coerente, mas a verdade é que não havia como explicar que ficar sozinho com Natalie talvez fosse um pouco demais para a minha sanidade.
Mas ela não esperou uma resposta, quando me dei conta Natalie já havia se jogado na chuva e corria em direção a casa. Não tive outra escolha a não ser segui-la.
Ou talvez eu simplesmente quisesse mesmo ir atrás dela.
Ela me esperou na varanda, tirando os sapatos ali mesmo. Abri a porta e a deixei passar primeiro.
— Tem toalhas no banheiro do quarto. — Apontei, tirando meus próprios sapatos, também ali na entrada.
Natalie assentiu rapidamente e subiu as escadas correndo, rindo de qualquer coisa que eu não sabia o que era, como se fosse engraçado tomar aquela chuva toda.
Ainda fiquei ali parado por vários minutos, sem saber muito bem como agir... Ainda era estranho ter Natalie ali e era ainda mais estranho estar sozinho com ela.
Subi as escadas também e me enfiei no banheiro do corredor, usando todo meu autocontrole, para me manter ali mesmo e não pensar no que acontecia no banheiro do quarto.
Minhas mãos não paravam de tremer. Nunca pensei que pudesse ficar tão nervoso com alto tão simples. Não era a primeira vez que eu ficava sozinho com a Natalie afinal.
Que besteira...
Me joguei debaixo da água gelada por pura opção, já que tínhamos água quente em Alexandria, e tentei não imaginar o que Natalie estaria pensando no cômodo logo ao lado.
Dez minutos depois eu já estava vestindo uma roupa seca, esperando no meio da sala.
Eu não conseguia parar quieto, andando de um lado para o outro, não sabendo se roía o polegar ou se abria e fechava a mão freneticamente.
Por que eu estou tão nervoso assim?
— Sabe, eu já tinha esquecido totalmente da maravilha que é água quente. — Ouvi a voz de Natalie no andar de cima e ergui meus olhos para vê-la se aproximar da escada toda sorridente. — Acho que acabei demorando demais, não é?
Parei onde estava, os olhos presos nela, o coração disparado. Natalie usava apenas uma camisa negra que mal cobria suas pernas.
— Ah, eu... eu... — Desviei os olhos e tentei controlar meu nervosismo.
— Eu peguei uma das suas camisas, espero que não se importe... — Ela veio descendo os degraus, usando um tom casual e ameno. — Não tem roupas minhas aqui.
Era um detalhe no qual eu não tinha pensando, quer dizer, a casa não estava inteiramente pronta, faltavam alguns detalhes. E as poucas roupas restantes no apartamento de Natalie não eram do tipo práticas para um apocalipse, por isso as deixei por lá mesmo.
— Ah, é. Eu tinha me esquecido disso. — Virei de costas pra ela, caminhando em uma direção qualquer para disfarçar. — Mas eu posso ir buscar alguma coisa pra você na...
— No meio dessa chuva? — Natalie riu, como se eu tivesse acabado de falar besteira. — As roupas vão chegar aqui todas encharcadas já.
Ela estava certa afinal, a chuva seguia violenta do lado de fora e o vento soprava alto, jogando os pingos grossos de água contra as janelas.
A vi passar por mim e desviei os olhos dela novamente.
— A menos que você se importe por eu usar as suas roupas... — Natalie se sentou no sofá despreocupadamente, usando um tom bem-humorado.
Fiz um gesto banal com a mão como se não fosse nada demais e murmurei qualquer coisa.
Eu sabia que todas aquelas minhas reações eram estúpidas, mas a verdade é que era impossível ser imune a Natalie Cooper. Ela mexia com a minha sanidade como ninguém jamais havia mexido.
Eu a amava demais e a desejava na mesma intensidade.
Tentei me lembrar que estávamos separados e que aquilo era apenas uma casualidade.
— Então. Você trouxe minhas bebidas também? — Natalie perguntou, com o cotovelo apoiado no encosto do sofá.
A observei por alguns segundos, procurando não pensar no fato de que ela estava vestindo apenas a minha camisa... Rick tinha razão Natalie estava diferente, ou melhor, ela tinha voltado a ser um pouco mais como ela mesmo.
Era quase como uma visão de dez anos antes, com o mesmo humor casual e aquela mania de estar sempre à vontade na minha presença.
Assenti devagar para a pergunta dela e segui para a cozinha, peguei uma garrafa de vinho em cima do armário e dois copos, então voltei para a sala.
Coloquei a garrafa sobre a mesinha de centro e nos servi, ainda sem me sentar. Tudo isso sob o olhar atento de Natalie.
— Vamos beber a que? — Perguntei, querendo fugir do silêncio e do impacto que os olhos negros tinham em mim.
— Você precisa de um motivo pra beber? — Riu de canto, virando um gole do próprio copo e sorvendo o vinho com uma expressão de puro deleite.
Ela estava linda, quer dizer, Natalie era linda, mas aquela noite em especial ela estava ainda mais linda. O último ano tinha lhe feito bem; enquanto todos ao redor, inclusive eu, envelheciam, Natalie parecia mais jovem, os cabelos levemente ondulados um pouco abaixo dos ombros e a pele mais corada, os olhos mais brilhantes e um sorriso singelo sempre nos lábios.
Um ano atrás ela nunca sorria, suas feições estavam sempre tristes, seus olhos apagados, como se o simples ato de viver fosse um grande fardo.
Aquela mudança tão evidente valia uma vida toda de espera.
Caminhei até a estante e procurei por um maço de cigarros que eu guardava ali por cima. Eu não costumava fumar dentro de casa, principalmente quando Petter estava ali, mas algumas noites, quando a saudade era muito grande, eu gostava de pegar um cigarro e me sentar na varanda...
Traguei e soltei a fumaça no ar, meus olhos fixos em Natalie, porque mesmo que eu quisesse não acho que seria capaz de olhar para outro lugar. Minha atenção era toda dela, sempre seria.
— Posso? — Ela estendeu os dedos na minha direção pedindo o cigarro.
Sorri, entregando-lhe a bituca e me sentando na ponta oposta do sofá.
Natalie tragou sem pressa, brincando com a fumaça como costumava fazer quando éramos mais novos.
Era estranho, porque parecia uma outra vida, mas ao mesmo tempo era como se tivesse acontecido ontem. Cada detalhe ainda estava perfeitamente vivo na minha memória, mas era como se eu fosse uma outra pessoa desde então.
Continuamos em silêncio por um longo tempo, fumando sem pressa e esvaziando nossos copos no mesmo ritmo.
Aos poucos eu fui ficando menos tenso, afinal a companhia de Natalie sempre me agradava. Era confortável estar com ela, mesmo que fosse em silêncio daquela forma.
Nossos olhos raramente se deixavam, talvez estivéssemos tentando ler o pensamento um do outro.
Pensei no que Rick tinha dito, sobre ser a hora de resolver as coisas... Talvez ele estivesse certo.
— O que você está pensando? — Natalie perguntou e foi como um milhão de lembranças em um só segundo.
Ela estava parcialmente virada na minha direção, os olhos negros nos meus e a expressão calma.
— Eu acho que a gente devia... — Engoli em seco, sabendo que se fosse o momento errado eu estava correndo o risco de estragar tudo. — Conversar.
Natalie nos serviu um pouco mais de vinho e deu um gole em seu copo.
— Claro. Quer conversar sobre o quê? — Ela voltou a se encostar no sofá e eu encarei a garrafa de vidro.
Não tínhamos bebido quase nada, nem um quarto da garrafa ainda. Ou seja, não estávamos nem perto de ficarmos bêbados, o que era bom, afinal aquele tipo de conversa tinha que acontecer quando estivéssemos de cabeça limpa.
Tínhamos decisões importantes para tomar.
— Você sabe... — Mesmo assim virei meu copo para conseguir o pouco de coragem que me faltava quando se travam de palavras. — Sobre... nós.
Analisei a expressão de Natalie e não vi qualquer perturbação, nem sequer uma gota de surpresa, quase como se ela já estivesse esperando por aquilo.
— Estou ouvindo. — Declarou neutra e eu pigarreei.
— Eu... Eu... — Engoli em seco e respirei fundo. — Eu não quero parecer uma vitrola quebrada. Sei que você não gosta que eu fique repetindo e sei que você quer esperar, eu só...
Eu sabia que era hora de ser um homem de verdade e dizer o que precisava ser dito. Eu já havia esperado tempo demais por aquele momento...
— Eu amo você, Natalie. E eu quero que você pare de pular de comunidade em comunidade, eu quero que você fique aqui, na sua casa, com o Petter.... Comigo. — Coloquei tudo pra fora de uma só vez, sem tirar os olhos dos dela. — Eu quero uma família com você.
Natalie piscou algumas vezes, sua expressão ainda leve. Meu coração parecia prestes a escapar do meu peito, levei o polegar esquerdo a boca e roí a lateral freneticamente, esperando a resposta que parecia demorar uma eternidade.
— Você nunca quis uma família. — Apesar do conteúdo, não havia qualquer tom de crítica na voz de Natalie, era apenas uma constatação.
Uma constatação verdadeira. Eu realmente nunca quis uma família, eu fugia disso como se fosse de um pesadelo. Achei que ter uma família despertaria toda a podridão do meu pai dentro de mim, achei que seria esse evento que destruiria cada pessoa ao meu redor.
Mas então eu conheci Petter e finalmente entendi que eu não era meu pai, eu não precisava ser, tudo dependia das minhas ações e decisões e todos os dias eu decidia ser melhor para o meu filho.
E então, naquela noite no apartamento de Natalie, eu descobri que queria uma família... queria uma família para amar e cuidar, queria dividir minha vida com Natalie Cooper porque eu a amava mais do que já tinha amado qualquer outra mulher.
— É... mas eu quero agora. Já faz um tempo na verdade. — Respondi, preferindo ser direto ao invés de entrar em detalhes. — Eu quero você, o Petter, a casa, o cachorro e... tudo que eu nunca pensei que podia querer. Você me fez querer tudo isso.
Desviei os olhos de Natalie, claro que ela podia dizer não, pedir mais tempo, simplesmente não me querer...
— Eu sei que você ainda está tentando se encontrar e não quer isso agora... — Tentei esclarecer que não estava pressionando nada. — Eu prometi que ia esperar e vou, eu só...
— Por que? — Natalie me interrompeu e eu voltei meus olhos para ela sem entender a pergunta. — Por que você vai esperar? Por que construir uma casa? Por que eu te fiz querer uma família?
Senti que as perguntas dela eram totalmente neutras, como se ela honestamente só quisesse saber minhas respostas, mas já tivesse decidido o que faria.
— Porque é você Natalie. Você é a mulher da minha vida. Eu amo você, nunca vou amar nenhuma outra mulher assim, isso não é o bastante? — Joguei de volta um tanto impaciente. —Eu descobri que provavelmente posso ser feliz sem você, mas não quero isso, não existe uma versão da minha vida que seja completa sem você.
Natalie sorriu de canto, abaixou a cabeça e assentiu algumas vezes.
— Meu pai costumava dizer que só o amor não é o bastante, lembra? — Ela perguntou com um olhar nostálgico.
Assenti com um suspiro longo, Peter dizia aquilo de forma amarga e no fim ele estava certo, o amor não tinha sido o bastante da primeira vez. Não havia qualquer garantia que ele seria o bastante novamente e de certo era motivo o suficiente para Natalie não querer nada daquilo.
— Mas... — Ela ergueu os olhos pra mim finalmente. — A gente tem mais que isso, mais que "só amor".
Estreitei os olhos sem entender direito e Natalie se arrastou pelo sofá para se aproximar de mim.
— A gente tem, um filho, um cachorro, amigos... — Ela enumerou se aproximando tanto que nossas pernas se tocaram. — Temos uma história muito longa e agora também temos o que talvez seja mais importante: maturidade. Temos alicerces firmes, saudáveis e estáveis e temos muita...— Sorriu de um jeito travesso e passou a perna direita sobre o meu colo, pairando sobre mim apoiada nos joelhos. — Von-ta-de.
Ri da forma insinuativa como ela disse a palavra, dando um duplo sentido total a ela. Meu peito se enchendo de felicidade e meu corpo se enchendo de algo muito mais quente...
— Então eu acho que vai ter que ser o bastante. — Declarei, tocando as duas coxas de Natalie e deslizando as mãos por ali.
— Vai ser... — Ela afirmou, deixando o corpo descer e se sentando no meu colo.
— Vai, é? — Perguntei e sequer fazia ideia do sentido exato das palavras.
Minhas mãos queimavam em contato com a pele quente de Natalie, eu já segurava o quadril dela naquele momento, notando que não tinha qualquer peça de roupa por baixo da camisa.
— Vai, sim. — Ela moveu a cabeça em um gesto positivo e aproximou o rosto do meu.
Tirei uma das mãos de debaixo da camisa dela e envolvi sua nuca, a puxando na minha direção, sem sentir qualquer resistência.
Nossos lábios se encontraram finalmente, devagar, em um beijo que era quente e tão lento quanto todo aquele tempo de espera.
As mãos de Natalie, que estavam apoiadas no meu ombro, desceram por meus braços e subiram de volta, puxando meu rosto para mais perto, se é que tinha como nos aproximarmos mais.
Meus dedos emaranhados no cabelo dela a apertaram contra mim, enquanto minha mão oposta deslizava por sua pele macia.
Todo meu corpo estava em combustão, queimando em brasas ardentes, que ficavam mais intensas a cada segundo. Os dedos de Natalie em contato com a pele do meu pescoço arrepiavam cada poro meu.
Puxei sua cintura de encontro ao meu corpo, sentindo Natalie se moldar a mim, aprofundando o beijo na mesma velocidade que o frenesi da excitação se espalhava pelo meu corpo.
Apertei sua coxa, sentindo-a gemer contra meus lábios, então em um movimento rápido, que era puramente instinto, eu inverti nossas posições e joguei Natalie no sofá, deitando por cima dela, sem que nossos lábios se soltassem.
Estar com Natalie Cooper era sempre uma experiência única, aquela mulher tinha um efeito inexplicável no meu corpo, cada toque dela era como fogo, incendiava meu interior, levava minha mente para um lugar onde havia apenas nós dois.
Era como se fossemos feitos um para o outro, nossos corpos se conheciam, se completavam...
— Daryl? — Ouvi a voz rouca de Natalie me chamando, enquanto eu tinha as mãos por debaixo da blusa dela e os lábios em seu pescoço.
— Hum? — Murmurei, descendo os beijos e sentindo o gosto da pele dela na ponta da língua.
— A gente tem um filho.... — A frase não fez sentido algum para mim, minha mente estava anestesiada de desejo, minhas mãos apertavam a pele macia de Natalie com lasciva.
Murmurei qualquer coisa inteligível, e estava pronto para me ocupar dos botões da camisa de Natalie, quando ela colocou as duas mãos no meu ombro.
— A gente tem um filho de onze anos que pode entrar por essa porta a qualquer momento. — Explicou devagar, a voz rouca e a respiração ofegante, de modo que mesmo aquilo me pareceu bastante obsceno.
— Está chovendo. — Reuni autocontrole pra responder.
— Acha que isso impediria ele? — Natalie ergueu uma sobrancelha e sorriu.
— Não impediria. — Ri também e neguei algumas vezes, saindo de cima dela, e ajeitando minha postura no sofá, tentando não olhar para as coxas tentadoramente expostas.
Natalie riu, segurando os lábios com os dentes como se tivesse acabado de ter uma ideia nada inocente.
Se colocou de pé e pegou a garrafa de cima da mesinha de centro, dando um longo gole direto do gargalo e caminhando para a escada, enquanto eu continuava sentado no sofá, hipnotizado belo bambolear de seus quadris, sabendo que o tecido daquela minha camisa velha era a única coisa cobrindo aquele corpo delicioso.
— Será que você foi esperto o bastante pra colocar fechadura no nosso quarto? — Ela questionou do alto do quarto degrau, dando outro gole na bebida e me lançando um olhar que era quase uma promessa.
"Nosso quarto", um sorriso involuntário nasceu nos meus lábios quando ouvi essas simples palavras.
— Pode apostar que eu fui... — Declarei, me colocando de pé ao mesmo tempo em que Natalie dava um passo para trás, subindo mais um degrau.
Caminhamos para o quarto lentamente, passo a passo, olhos nos olhos... Éramos como presa e predador, poucos metros nos separando, cada movimento calculado.
Nossas respirações estavam equiparadas, nosso desejo evidente no clima que pairava no ar.
Natalie entrou no quarto primeiro, eu o fiz em seguida, fechando a porta atrás de mim e girando o trinco. Os olhos dela faiscaram de desejo e me aproximei os metros restantes, tirando a garrafa das mãos dela e deixando em cima da cômoda.
Natalie deu um passo para mais perto e deslizou as mãos pela gola da minha camisa, cuidando de cada botão lentamente, sem pressa, com os olhos fixos nos meus. Teve que se aproximar um pouco mais para escorregar a peça por meus braços, tocando cada músculo enquanto roçava os lábios nos meus.
Então deu um passo para trás antes que eu conseguisse capturá-la em um beijo, fechei os olhos enquanto ela escorregava os dedos pelo meu tórax, sentindo os arrepios que isso espalhava pelo meu corpo.
Nossos olhares se encontraram novamente quando Natalie alcançou o cós da minha calça, ela sorriu de canto antes de abrir o botão e descer o zíper, cuidando de me deixar nu em uma lentidão quase torturante.
Então deu um passo para trás novamente, as íris negras fixas nas minhas, enquanto começava a abrir a camisa que usava. Mas não deixei que ela terminasse, cortei o espaço entre nós com duas passadas rápidas e segurei a camisa com ambas as mãos, dando um puxão firme e violento, abrindo a peça de uma só vez, fazendo os botões arrebentarem e voarem para todos os lados.
Natalie riu, enchendo o quarto de vida e ficando ainda mais linda e eu finalmente a trouxe para perto de mim, tomando seus lábios com todo o furor que dominava o meu corpo naquele momento.
Ela era doce e perfeita, tinha gosto de desejo. Aquele corpo era meu paraíso e minha ruína...
Quando nossos corpos finalmente se acomodaram na cama eu beijei cada pedacinho dela, sentindo a pele quente na ponta da minha língua e ouvindo os gemidos da mulher que eu amava se espalharem pelo quarto, aumentando ainda mais meu desejo.
Cada vez mais afoitos, éramos instinto e luxuria, pura paixão em cada pequeno gesto ou som, Natalie inverteu nossas posições e ficou por cima, seus olhos nos meus de um jeito que sequer precisávamos falar para nos entendermos. Nos completávamos, não havia outra forma de descrever.
Ela sorriu doce, beijando meu rosto com cuidado, um momento apenas...
Paramos. Nossos corpos em êxtase, nossos olhos grudados, nossas respirações conjuntas... Um segundo. Congelados no tempo como se quiséssemos que durasse pra sempre, como se quiséssemos que a magia daquele momento nunca se perdesse.
Acredito que tenhamos viajados juntos ali naquele instante, de volta para a pedreira, de volta para a primeira noite em que nos pertencemos. Não sei dizer se Natalie já sabia naquela noite, talvez ela soubesse, no fundo ela soube bem antes de mim, éramos pra sempre...
Eu gostaria de ter percebido antes, de ter me dado conta do tamanho daquele sentimento, gostaria de ter admitido aquele amor para mim mesmo e aceitado que nada na minha vida seria mais importante que aquilo, gostaria de ter me dado conta que nenhuma cicatriz ou trauma era mais forte que aquele amor.
Nossa vida teria sido diferente, mas eu era apenas um garoto imaturo que foi obrigado a crescer muito cedo e encarar muita dor, eu não entendia a vida, eu tinha medo dela. Eu tive medo da melhor coisa que me aconteceu e estraguei tudo.
Levou anos para que eu aceitasse e admitisse meu amor, e mesmo assim eu fiquei bem perto de estragar tudo outra vez, não havia uma justificativa. Eu tracei um caminho de erros e mágoa, eu não lutei o bastante por aquilo que eu amava, porque no fundo eu sempre acreditei que não merecia.
E então eu parei de pensar no que eu merecia ou não e aceitei aquilo que a vida me dava, decidi me esforçar dia a dia pra ser digno, pra ser melhor, pra ser alguém que merecesse Natalie Cooper e, principalmente, pra ser a pessoa que ela merecia.
Porque aquela mulher incrível e maravilhosa merecia o mundo e toda a felicidade, merecia alguém que a tratasse como a rainha que ela era, que vivesse para fazê-la feliz todos os dias...
Levei onze anos para aprender que eu podia sim ser esse homem, mas eu aprendi, eu me comprometi. Eu prometi a mim mesmo que essa seria a minha missão.
Foi um caminho longo, não nego, foi turbulento e cheio de buracos e obstáculos que eu mesmo fiz... A maior parte das pessoas não tinham a sorte de uma segunda chance, quem dirá de uma terceira. Mas eu tive. E eu agarrarei aquela chance com tudo que eu tinha... Era uma promessa.
— Obrigado. — Eu declarei e Natalie franziu as sobrancelhas minimamente como se não entendesse o motivo do agradecimento. — Por voltar pra mim.
— Eu é que agradeço. — Ela sorriu, beijou meus lábios de leve e acariciou meu rosto.
— Pelo quê? — Foi minha vez de franzir as sobrancelhas.
— Por construir portões na sua fortaleza, só pra finalmente me deixar entrar...
Nossos lábios se uniram de novo, assim como nossos corpos, quando eu a penetrei lentamente, como se estivéssemos selando uma promessa muda. Porque conosco sempre foi mais que só sexo, sempre foi entrega e redenção...
Natalie inclinou o corpo sobre o meu enquanto nos movíamos, mais rápido, mais quente. Éramos paixão nua, suor fervendo e amor sublime.
Eu inverti nossas posições novamente, fazendo de cada estocada um prazer diferente. Os meus lábios no pescoço de Natalie e as unhas dela nas minhas costas, minhas mãos nela, pura loucura. De novo e outra vez...
Não precisamos de muito para chegar ao ápice; intenso, febril e perfeito. Como se o amor fluísse de nós e por nós, como se fossemos o centro do universo por um segundo...
Nossas respirações ofegantes se acalmaram juntas, com alguns beijos enquanto isso, até que Natalie se moveu debaixo de mim, me fazendo deitar na cama para então se deitar no meu peito, enroscando as pernas nas minhas.
— Eu te amo, Daryl Dixon. — Ela ergueu a cabeça para me beijar uma vez mais.
— Eu te amo, Natalie Cooper. — Respondi, segurando o rosto dela para que me visse dizendo. — Eu nunca, nunca, deixei de te amar. Nenhum só dia desses onze anos. Mesmo quando eu ainda não admitia pra mim mesmo que te amava.
Ela riu de canto e voltou a se deitar nos meus braços. Natalie se encaixava ali como se fossemos feitos pra isso. Feitos um para o outro.
— Eu não tive qualquer outra mulher depois de você. — Declarei de repente, antes mesmo de pensar melhor sobre isso.
Não era algo que eu tinha planejado contar um dia, mas apenas saiu naturalmente.
Natalie voltou a erguer a cabeça e me encarou um tanto incrédula.
— Isso é sério? — Ela perguntou com um sorriso que era um misto de dúvida com... orgulho talvez?
Movi a cabeça positivamente, olhando nas íris negras para expressar toda a verdade.
— Você não existe, Daryl. — Ela negou algumas vezes e me beijou rapidamente.
Então estreitou os olhos, encostando o corpo ainda mais no meu
— Agora só tem uma coisa que eu posso fazer sobre isso... — Declarou e seu tom cheio de segundas intenções me vez sorrir de canto
— O que? — Resolvi entrar na brincadeira.
— Tirar seu atraso. — Natalie murmurou no meu ouvido, antes de capturar meus lábios e escorregar a mão pelo meu corpo, não demorando muito para acender tudo em mim novamente.
Eu podia fazer aquilo a noite toda...
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Abri os olhos com os primeiros raios de Sol entrando pelas frestas das cortinas. A chuva torrencial da noite passada tinha trazido um dia claro e enrolado.
Sorri igual um idiota ao lembrar de tudo que tinha acontecido durante a noite, meu corpo ainda cansado e meu coração pleno. Fazia muito tempo que eu não dormia tão bem...
Natalie ressonava levemente, enroscada em mim como um gatinho. Observei seu rosto sem qualquer pressa, ela era linda, era perfeita.
Tínhamos nos vestido durante a noite, quer dizer, o mínimo para ficarmos descente caso Petter chegasse. Natalie usava a minha camisa, quer dizer a minha mesmo a que estivera no meu corpo antes, já que a outra estava no chão com os botões espalhados por toda a parte, e eu usava a parte de baixo.
Me levantei sorrateiramente para não acordá-la e terminei de me vestir, ao mesmo tempo em que ouvia sons na porta de entrada.
Deixei o quarto sem fazer qualquer barulho e dei de cara com Petter e Bolt nas escadas.
— Minha mãe está aí? — Ele apontou a porta que eu tinha acabado de fechar. Parecia ansioso e empolgado, imaginei que sequer tivesse dormido a noite. — Ela vai ficar?
Baguncei o cabelo dele e ri de canto. A verdade é que eu não tinha muita certeza de como seria a dinâmica das coisas dali pra frente, mas estava otimista sobre isso.
— Você pode perguntar direto pra ela depois. — Declarei, passando por ele e descendo alguns degraus — Vem, vamos fazer o café da manhã.
Petter deu um pulinho de empolgação e me acompanhou, seguindo minhas instruções de não fazer barulho.
Cortamos algumas frutas, eu fiz café e algumas panquecas. Petter arrumou uma bandeja de uma forma que eu provavelmente nunca teria arrumado e então subimos a escada novamente, com Bolt na frente, parecendo tão ansioso quanto seu dono.
Petter abriu a porta devagar e sorriu ao ver a mãe dormindo, então se aproximou cautelosamente e deu um beijinho no rosto dela, chamando bem baixinho umas duas vezes, até que Natalie se espreguiçou e o puxou para a cama.
Bolt se enfiou com eles ali em baixo e a coisa virou uma bagunça por três segundos, até que Natalie empurrou o cachorro para o chão, enquanto ria dele e falava algo sobre Bolt estar sujando os lençóis.
O cachorro pareceu entender perfeitamente, por isso se sentou no chão e colocou apenas a cabeça em cima da cama.
Me aproximei, colocando a bandeja sobre os lençóis e Natalie sorriu, enquanto Petter ainda estava pendurado em seu pescoço.
— Café na cama, sério? — Ela se ajeitou na cama toda sorridente. — Vou ficar mal-acostumada.
— Foi ideia do papai. — Petter declarou animado, se arrumando também, apontando tudo que tínhamos feito.
Natalie me procurou com o olhar, enquanto eu os observava há alguns metros de distância da cama. Aquela era a imagem perfeita de tudo que eu queria, quase como se eu estivesse no meio de um sonho naquele momento.
Ela sorriu de leve e apontou o outro lugar na cama, como um convite para que eu me aproximasse.
Tomamos café juntos, com Petter tagarelando todo o tempo sobre mil assuntos diferentes por minuto, enquanto eu jogava pedaços de panqueca para Bolt e ele pegava tudo no ar.
Era mesmo um sonho, a felicidade que eu sempre quis, mas nunca achei que merecia. A família que eu queria pra mim, mas nunca tive. Eu queria ser o garoto tomando café com os pais, no entanto das raras vezes em que isso aconteceu terminou de um jeito horrível que sequer valia a pena lembrar...
Olhei para Natalie e sorri. Era tudo por causa dela; da garota teimosa que tinha chegado em Dawsonville e quebrado todas as minhas barreiras, ela tinha mudado minha vida para sempre, ela tinha me feito crescer, evoluir. Era tudo por ela e para ela.
Sempre seria ela...
Quando terminamos, coloquei a bandeja sobre a cômoda ali ao lado e Petter se aconchegou na frente da mãe, com as pernas cruzadas como um índio.
— Mãe? — Ele perguntou com cautela, quase como se tivesse medo da resposta e eu me encostei na cômoda para observá-los conversar. — Você vai ficar? Quer dizer, com a gente, pra sempre?
Natalie sorriu daquele jeito maternal e acariciou o rosto de Petter.
— Você quer que eu fique? — Ela devolveu em um tom carinhoso.
— É tudo que eu mais quero! — Petter respondeu imediatamente, com toda a empolgação que tinha em seu peito.
— Hum... — Natalie pareceu pensar por um tempo, batendo o indicador na lateral do maxilar. — Então eu vou ficar sim.
Petter deu um pulo, mas se conteve por um segundo.
— Sério? Pra sempre? — Ele quis confirmar.
Natalie sorriu e me procurou com o olhar.
— O que você acha, Daryl? Pra sempre? — Ela perguntou como se a decisão fosse toda minha.
— Pra sempre. — Confirmei, sorrindo também.
— Você ouviu seu pai. — Natalie apontou e nosso filho abriu o melhor dos sorrisos.
— É! — Ele gritou enquanto pulava na cama, como se tudo fosse uma festa. — É! É! É!
Natalie riu, negando algumas vezes como se o garoto não tivesse jeito.
Nosso filho. Uma parte minha infinitamente melhor que eu. Sorri pra ele que repentinamente pareceu se lembrar de alguma coisa e pulou pra fora da cama, dando um beijo estralado na bochecha da mãe e correndo até mim pra fazer o mesmo, tendo que me puxar para baixo pra isso.
— Eu amo vocês! — Gritou já na porta do quarto, chamando Bolt com um estralar de dedos.
— Daqui até a Lua? — Natalie perguntou rindo
— Ida e volta! — Ele respondeu, mas já estava correndo em direção as escadas. — Agora eu tenho que ir!
— Onde você vai, menino? — Gritei, movendo a cabeça em negativa.
— Eu vou contar pra todo mundo que minha mãe vai ficar! — Petter devolveu e claramente já estava na saída.
Ouvimos a porta bater e rimos, enquanto Natalie dava de ombros.
— Parece que ele ficou feliz. — Ela declarou, puxando os lençóis como um convite para que eu voltasse para a cama.
— Parece... — Concordei, tirando os sapatos de qualquer jeito e me deitando ao lado dela.
Natalie se aconchegou nos meus braços, se enrolando em mim de novo, parecendo plenamente relaxada ali, enquanto usava a mão esquerda para brincar com os raios de sol que se infiltravam através das cortinas.
— E você? — Perguntei, alcançando a mão dela no ar. — Você está feliz, Natalie?
Ela moveu a cabeça para me encarar.
— Completamente. — Respondeu abrindo o melhor dos sorrisos.
O meu sorriso. Aquele que eu tinha guardado na memória por todos aqueles anos.
— Eu senti falta desse sorriso. — Declarei, sorrindo também. — O sorriso da minha Bochechas.
— Sua é? — Natalie riu, se ajeitando um pouco mais nos meus braços.
— Minha Bochechas. — Reforcei, acariciando o rosto dela.
Natalie se moveu, de modo que ficasse em cima de mim.
— Eu também senti sua falta, Baby Dix. — Sussurrou no meu ouvido antes de me beijar ardentemente.
Percorri o corpo dela com as mãos, desejando que Petter ainda tivesse que conversar com muita gente, porque eu e Natalie claramente não sairíamos daquele quarto tão cedo...
Minha Bochechas. A mãe do meu filho. A pessoa mais forte e extraordinária que eu já havia conhecido. A mulher da minha vida.
Um presente que o destino havia me dado. Meu único e verdadeiro amor...
FIM
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