Life was a Shit
17 Reecontro Desagradável
Notas iniciais
Marcos. Como assim? porque ele faria uma coisa dessas? Ele parecia ser tão legal... Eu... Eu acho que eu gostava dele. Tola. Eu sou mesmo uma tola. Porque eu criei tanto afeto em tão pouco tempo? PORQUE EU ME METI COM AQUELE DESGRAÇADO?! Se eu pudesse voltar no tempo... Eu teria escutado ela, eu teria me encontrado mais cedo com ela... Eu teria aproveitado mais tempo com ela. Eu ia dizer mais alguma coisa desmotivante, mas fui interrompida pela voz daquele desgraçado.
—Porque você está chorando tanto, querida?- Disse com aquele mesmo sorriso assustador do pai dele, só que com olhos sem brilho.
—Seu... SEU DESGRAÇADO! VOCÊ VAI PAGAR POR ISSO!
—Não, eu não vou, eu já fiz tanta coisa errada e não paguei, assim como meu pai, ele já fez o que fez com você com tanta gente, e ele não pagou. O máximo que pode acontecer é ele ser odiado por um monte de gente por alguns dias, logo eles vão esquecer dele. E de você. E essa pequena quantidade de ódio que essas pessoas depositaram nele, ha- Disse se abaixando e chegando perto do meu ouvido- Eles não vou chegar nos ouvidos dele, porque ele vai estar se divertindo muito, estrupando outras vadias inúteis como você, "querida"- Disse sussurrando e logo depois se levantando.
—Eu...
—Você é uma vadia usada.
—Eu odeio você.
—Eu não me importo com o seu ódio, você é uma inútil mesmo. Ninguém se importa com você. E ninguém vai se importar com essa vadia jogada do seu lado- Disse enquanto chutava o cadáver da Chloe.
Cada palavra que ele dizia me cortava como se ele estivesse me cortando com a mesma faca que ele acabou de matar a Chloe.
—Olha, eu já estou cansado de você, eu só não te matei ainda porque eu quero ver seu sofrimento. Fuja logo
—Me mate.
—A vai se ferrar, não vou te dar o luxo de esquecer tudo e morrer. Não mesmo.
Então eu fuji dali, tudo que eu queria fazer era chegar em casa e chorar até eu morrer afogada nas minhas próprias lágrimas, mas aquilo não era possível. Depois de muito tempo trancada lá dentro eu escuto a campainha. Eu simplesmente ignorei, até que eu escuto uma voz fina no corredor, como se não tivesse como ficar pior: Helena. Eu não sei se eu já disse isso, Mas eu tenho uma irmãzinha por parte paterna. Ela tem nove anos, cabelos curtos pretos que estão quase sempre presos em chiquinhas com fitas, e olhos verdes que ela obviamente puxou da mãe. Ela era muito, MUITO mimada. Todo mundo gostava mais dela e tratava ela melhor, ela estava sempre sendo mimada entupida de presentes e etc. Mas mesmo ela tendo essa vida boa, ela largou tudo isso. Ano passado, quando ela ainda tinha oito anos, ela arrumou um tal de namorado chamado Gabriel, um outro mimado igual ela. Eu não acredito que ela abandonou tudo o que ela tinha por uma bunda mimada como a dele, ela é realmente muito, muito idiota, e burra. Agora que ela voltou, todo mundo vai voltar a mimar essa vadia que não precisa de ajuda nenhuma, só pra estourar mais a felicidade dela. Eu acho que com tudo isso que anda acontecendo, eu descobri que não existe melhor consolador pra mim do que eu mesma. Ultimamente todas as vezes que alguém tenta me consolar, não muda nada. As pessoas que realmente poderiam me ajudar se tornaram os problemas então, dane-se tudo isso, eu não preciso de alguém pra me ajudar, ela só vai acabar piorando. Eu não preciso de mais ninguém, todas as pessoas que eu crio afeto, todas elas acabam me traindo ou me abandonando. Cada uma. Se todas as pessoas me machucam de alguma forma, pra eu não me machucar mais apenas devo parar de criar amizades. Meus pensamentos são cortados pela porta batendo, e quando eu abro:
—Olá irmã vadia, me devolva meu quarto. Agora.
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