Life and death - Bella Swan & Edythe Cullen
13 capítulo 13
Notas iniciais
Eu estava anestesiada.
Desde que Edythe fora embora, eu não sentira a dor que eu realmente achei que sentiria.
Para mim, a qualquer momento, ela apareceria de repente ao meu lado, com seu característico sorriso convencido e provocador. Logo depois, entrelaçaria nossos dedos e me chamaria para algum lugar isolado, onde nós poderíamos ficar horas e horas, sem nos verdadeiramente nos preocupar com coisas ao nosso redor.
Mas, ela se foi.
Por um momento, eu observei McKayla sorrir para Allen, que parecia constrangido, Érica filmando Jeremy que fazia caras e bocas e Logan revirando os olhos com um sorriso pequeno no canto dos lábios.
Apertei a bandeja em minhas mãos e senti meus olhos arderem.
Eu queria estar feliz, queria estar leve, queria estar com ela.
Eu queria.... Queria muitas coisas.
Surpresa, vi Jeremy desviar seus olhos e me encarar e com um sorriso no rosto, e me chamar de uma forma exagerada.
Érica sorriu ao me ver, McKayla me cumprimentou ao longe, Allen sorriu contido e Logan deu um longo suspiro, me chamando com a cabeça.
Eu sorri, feliz por ter amigos como eles.
***
— Bella? –
— Hm...
— Bella.... – Ouvi um cantarolar e resmunguei, me virando para o lado, tentando dormir. – Vamos lá.... –
A coberta foi tirada de meu corpo e eu suspirei, irritada, abrindo meus olhos.
— O que você está.... – Minha voz se perdeu ao ver que o rosto de Jules estava perto demais do meu.
Ela sorriu.
— Vamos para a praia? – Se afastou, provavelmente notando meu rosto vermelho, mas, não se incomodando com isso.
— Que horas são? – Resmunguei, fechando os olhos com força.
— Nove horas. – Me respondeu. – Vamos lá Bella, nem está tão cedo assim. –
— Jules, eu não.... – Soltei um suspiro. – Eu quero ficar sozinha. –
Seu sorriso se perdeu e por um momento eu me arrependi de tê-lo tirado.
— Você não pode fazer isso. – Olhou-me de uma forma preocupada. – Não pode ser isolar assim, eu não vou deixar. –
— Eu preciso de um tempo. –
— E eu dei um tempo a você. – Se jogou na cama, deitando-se ao meu lado. – Já se passou duas semanas Bella. –
Eu tampei meu rosto com as mãos, frustrada.
É claro que eu não notaria o tempo passar. Para mim, fora ontem que Edythe prometera que voltaria, que ela sorrira para mim.
Meus olhos começaram a arder.
Todos os dias, eu me arrependia de não ter dito.
Não disse que a amava.
Em nenhum momento naquele dia, eu consegui expressar o quanto sentiria sua falta.
Eu somente disse o que não queria que acontecesse, para que ela nunca mais voltar, para que me esquecesse. E eu torcia fervorosamente para que ela não o fizesse.
O arrependimento corroía-me, eu queria encontra-la, dizer para ela voltar o mais rápido o possível.
O quanto ela não deveria estar machucada com as minhas palavras?
— Bella. – Virei meu rosto para o lado e, novamente, Jules estava perto demais. – Você está pensando nela, não é? –
— Sinto muito. –
Jules suspirou.
— Quero levar você a praia. – Franziu o cenho. – Você precisa sair desse quarto. –
Assenti, vencida e, novamente, vi um sorriso nascer em seus lábios e foi impossível não sorrir de volta.
Jules era assim, parecia uma fonte de felicidade, é impossível não ser influenciada por ela.
— Não vou deixar você se afogar em memórias. – Entrelaçou sua mão com a minha e eu assenti. – Então, vamos lá! –
***
— Parece séculos. – Murmurei, me referindo a quanto tempo parecia ter passado desde que voltamos aqui, na mesma praia.
— De fato. – Assentiu, mordendo os lábios. – Aconteceram tantas coisas. – Pareceu perdida em pensamentos.
Eu virei meu rosto, observando o mar se mexer violentamente, as ondas se quebrando sobre as enormes pedras que se dispunham aleatoriamente sobre a imensidão azul.
— Por que você desapareceu? – Murmurei e vi ela franzir o cenho. – Por que disse pra me afastar? – Perguntei novamente ela suspirou.
— Queria proteger você. –
— Me proteger? – Levantei uma sobrancelha, irritada por sua falta de palavras. – Ou você somente se cansou de mim? –
— O que? Bella, não distorça minhas palavras, tente entender. –
— Então me ajude a entender Julie. – Parei de andar e ela suspirou.
— Não quero causar problemas. – Encolheu os ombros. – Você é especial demais para se meter nisso tudo. –
— Jules, você está usando drogas? –
Ela pareceu por uns instantes e depois riu, um tanto mais relaxada.
— Não Bella, eu não estou usando drogas. – Entrelaçou nossas mãos novamente, um sorriso cruzando seus lábios. – Mas, eu prometo contar a você. –
— Quando? – Pedi, com um falso ar ansioso.
— Não vai demorar, eu prometo. –Apertou nossas mãos e eu assenti, olhando para cima.
— Você não vai me abandonar, não é? –
— Uh? – Ela me olhou surpresa.
— Edythe era cheia de segredos, e no final, acabou me deixando, e você Jules? –
Jules não me encheu de promessas, não dissera que iria fazer algo que era incapaz, nunca disse que não me machucaria.
— Sabe Bella, se eu ter que abandona-la pra protege-la, eu faria sem questionar. –
Eu sentira o carinho que ela direcionara a mim, eu senti o quanto ela era imperfeita, eu senti quanto ela sofria.
Jules escondia algo que eu não conseguia alcançar, algo que eu queria descobrir, que estava fazendo-a sofrer.
O que seria tão horrível?
Eu fixei meu olhar nos olhos negros tão familiares de Jules e a abracei.
— Obrigada. –
***
— Jules, você tem certeza? –
— Holly não vai se importar, vamos Bella. – Sorriu e eu suspirei, enquanto entrávamos na casa de madeira.
— Sam! Cheguei! – Disse Jules, entrando dentro da enorme cozinha.
— Jules! Você demorou! – Sam estava do lado de dentro de um balcão, com um avental branco e cabelos amarrados, ela sorriu para nós.
Ela parecia bem menos ameaçadora que da última vez.
— Essa é a sua namorada? –
— Paula... – Resmungou Jules, com um sorriso no rosto, enquanto Paula colocara seu braço ao redor de seu pescoço e bagunçara seu cabelo. – Essa é a Bella. –
— Bonito nome. – Estendeu a mão duas vezes maior que a minha, dando um sorriso enorme.
Paula tinha seus cabelos curtos castanhos, os olhos expressivos e boca carnuda, bochechas magras e um nariz mediano, que deixava seu rosto um tanto mais feminino,
Ela, de fato, era linda.
Peguei em sua mão e ela apertou de um jeito gentil.
— Sabe, você nunca falou que estava namorando. –
— Não estamos, Quil. – Jules falou para outra pessoa atrás de mim.
Quil Ateara, meu pai muitas vezes falara dele quando ia pescar, eu o imaginava como um garoto de no máximo quinze anos, que adorava pescar, mas, para minha surpresa, Quil era uma garota.
Ela tinha cabelos até os ombros e uma franja que era deixado de lado. Olhos castanhos claros, como mel, um tanto mais baixa que Jules, lábios finos e bochechas marcantes.
— Eu sei, nome estranho, não é? – Resmungou, quando viu meu olhar surpreso sobre ela. – Pode me chamar de Quinn, se você achar mais confortável. –
Sorri, corando.
Eu me virei e Jules sorriu.
— E esse é o Lee. – Apontou para o lado, e eu, novamente, me virei.
Lee era alto, muito alto, tinha a pele mais escura dentre todos, olhos negros e sem emoção, cabelos bem curtos, mas, não completamente raspados. Ele estava sem camisa, então, era possível ver a sua barriga definida e seus braços enormes e fortes.
Eu corei novamente.
— Uh.... Lee deixou alguém constrangida. – Paula cantarolou e eu baixei minha cabeça, envergonhada.
Lee me olhou por alguns segundos intermináveis, sem mostrar expressão e emoção alguma, suspirou e se virou, saindo da cozinha.
Eu franzi o cenho. Eu o tinha aborrecido?
— Ele é assim. – Sam murmurou, ocupada com algo que estava cozinhando. – Não se preocupe. – Sorriu.
— Bella, quer um bolinho querida? – Holly, que eu nem ao menos tinha notado, estava ali, sentada ao lado do balcão, me estendendo um bolinho.
— Obrigada. – Murmurei, pegando o bolinho que era duas vezes maior que minha mão.
— A comida está pronta. – Sorriu Sam, satisfeita.
Em segundos, todos estavam em volta do balcão.
— Não se assuste, elas são assim mesmo. – Holly deu um risinho baixo e Jules sorriu, culpada.
— Eu também quero um bolinho. – Resmungou Paula, com a boca cheia.
— Termine de comer então. – Jules disse, segurando o riso ao ver a cara emburrada de Paula em minha direção.
— Nunca vi você na reserva. – Comentou Quil, olhando para mim, interessada.
— Não moro em La Push. – Mordisquei o bolinho e vi Quil assentir e se debruçar sobre a mesa.
— Você é filha de Charlie Swan, não é? – Murmurou Sam, com um leve sorriso nos lábios, Quil olhou para mim, surpresa.
— Seu pai é legal. – Assentiu e eu sorri.
Um braço se estendeu ao meu lado, me empurrando.
— Desculpe. – Murmurou Lee, a sua voz era suave e rouca ao mesmo tempo.
Virei-me minimamente e vi que ele estava completamente vestido agora, usando uma camiseta branca e larga.
— Você foi rápido essa vez. – Paula sorriu de lado. – Sabe Bella, acho que ele gosta de mostrar o quanto é “saudável” para as garotas. –
— Uhm. – Resmungou Lee, sentando-se ao meu lado, com um prato de comida em mãos.
— Cuidado para não se apaixonar. – Paula piscou o olho esquerdo e eu corei, abaixando minha cabeça.
Jules riu ao meu lado e eu sorri para ela.
Nenhuma delas sabia sobre Edythe.
— Vocês estão deixando ela constrangida. – Holly murmurou, os olhos negros me observando.
Holly já tinha cabelos totalmente brancos, rugas espalhadas por seu rosto, pele levemente morena e uma bochecha marcada, como Jules.
Sua mão fora ao meu rosto e ela sorrira, marcando mais suas rugas.
— A quanto tempo não nos vemos? –
— Desde meus nove anos. –
— Parece que foi ontem. – Sorriu nostálgica e eu encolhi meus ombros sobre seu olhar avaliativo.
Eu desviei meus olhos para Jules, que ria de algo que Quil tinha dito.
— Você vai ir? –
— Desculpe? – Murmurei, me virando novamente para Holly, que sorriu, paciente.
— Amanhã à noite terá uma festa em La Push, você gostaria de ir? –Inclinou a cabeça levemente para o lado e eu franzi o cenho.
— Bonnie está de aniversário. – Quil murmurou. – Mas, como ela não gosta deste tipo de coisa, nós vamos fazer uma comemoração pequena, se você quiser vir... – Deu de ombros.
Eu olhei para Jules, que sorriu para mim.
— Vai ter muita comida. – Jules assentiu e Paula sorriu atrás dela.
— Por isso eu vou chegar mais cedo. – Piscou um olho.
— Paula?! –
— O que? Qual o problema? – Paula desviou do pano que fora jogada contra ela.
Senti uma mão em cima da minha e desviei meus olhos para Jules.
— Se você não quiser.... – Olhou-me de uma forma preocupada.
— Não, tudo bem. – Forcei um sorriso, assentindo. – Que horas? –
— Buscarei você as sete, ok? –
— Perfeito. – Assenti.
***
Você me ama, não é Bella?
Diga que sim.
Bella, eu amo você, você me ama?
Ofeguei, soltando o ar com força. Abri meus olhos e me vi em meu quarto. Olhei para o lado encontrando o outro lado da cama vazio, meus olhos foram a janela e a vi fechada.
Passei minha mão por minha testa úmida e suspirei.
Minhas mãos serpentearam para debaixo do cobertor, pegando de lá a foto que Edythe tinha deixado.
Eu procurava lá, alguma pontada de arrependimento, tristeza, ou qualquer sentimento ruim que Edythe poderia ter direcionado a mim, que ela poderia estar mentindo esse tempo todo.
Procurava algo para que meu arrependimento parasse de me corroer.
Mas, eu simplesmente não achava nada, e, a cada segundo olhando para os olhos dourados e misteriosos dela, eu sabia que ela já sofrera com tantas coisas, e eu, em um ato completamente egoísta, fiz com que a dor dela fosse maior.
Eu queria que ela me perdoasse.
Queria que ela não estivesse sofrendo esse tempo todo, queria que ela ignorasse completamente minhas palavras.
Por favor.
Por favor.
Escutei os passos pesados de meu pai.
Batidas na porta.
— Bella? –
— Sim, pai? – Murmurei, já me levantando de uma forma lenta da cama.
— Vou pescar com Holly, você quer alguma coisa? –
— Não pai, tudo bem. – Murmurei. – Eu só estou um pouco cansada. –
— Está doente? – Uma ruga de preocupação apareceu em sua testa.
— Não se preocupe, é só uma dor de cabeça, já vai passar. –
— Certo, se cuide. – Murmurou, fechando a porta silenciosamente, me deixando sozinha em meu quarto.
Suspirei, virando meu rosto para a janela de meu quarto.
Meus olhos observaram a cadeira de balanço no canto do quarto, e eu quase podia ver Edythe ali, me observando com um olhar perdido.
Bella, eu amo você.
Me levantei da cama, a foto esmagada em minhas mãos.
Com rapidez, vesti meu casaco e sai de meu quarto, depois de ter certeza que Charlie já tinha ido embora.
Desci as escadas com pressa, nem me incomodando a arrumar meus cabelos ou colocar alguma roupa mais quente.
Eu precisava sair dali.
Eu precisava, de algum modo, me aproximar dela, mesmo que indiretamente.
Você me faz sentir com que.... Com que a eternidade na qual vivo por 109 anos, faça sentido
Meu passos nunca foram tão decididos como naquele momento, e, enquanto eu caminhava pela floresta, eu sentia minha ânsia por mais memórias aumentar.
Eu queria senti-la, uma única e última vez.
Então, quando finalmente eu pisei na clareira, no nosso refúgio, no lugar onde eu disse várias vezes que a amava, senti a decepção inundar-me.
As flores estavam secas e mortas, a grama, antes tão verde, dera o lugar para uma terra pálida e sem vida.
Sem acreditar realmente naquilo, caminhei até o meio da clareira, meus olhos passando por todo o lugar, na falsa esperança de encontrar alguma coisa viva, qualquer coisa que dissesse que aquilo um dia fora real.
Mas, não sobrara nada.
Senti meus joelhos vacilarem, e, sem conseguir me manter em pé, me ajoelhei sobre o solo morto.
Minhas mãos soltaram a foto, e eu apertei meus olhos com força, enquanto meu rosto se contorcia em tristeza.
Eu nunca conseguiria esquecer você, Bella.
Meus punhos se apertaram sobre a terra seca e minha cabeça tombou para a frente.
Os soluços machucavam meu peito, as lacrimas queimavam meus olhos, e minhas unhas furavam as palmas de minhas mãos.
Nada parecia doer o suficiente para encobrir o arrependimento em que eu sentia.
— Por que uma garota tão bela, está chorando? – A voz era suave, as mãos que foram ao meu rosto eram frias e os olhos vermelhos, assustadores.
Levantei meus olhos e vi um sorriso cruzar nos lábios da vampira negra em minha frente.
Não me lembro de já ter a visto, nunca vi Edythe em sua companhia, muito menos os outros Cullens.
— Meu nome é Lauren, e o seu? –
— Isabella. –
Eu não sabia por que a respondia e simplesmente não corria – mesmo sabendo que seria inútil -.
— Isabella. – Sussurrou, o rosto se aproximando perigosamente do meu.
— Por que está aqui? – Murmurei e vi seu cenho franzir.
— Eu que deveria estar fazendo essa pergunta. – Olhou-me de uma forma divertida. – Tão indefesa, ao mesmo tempo tão... triste. –
Meus olhos caíram e eu encolhi-me.
Eu iria morrer?
— Está com medo? – Seus dedos ergueram meu queixo, a fazendo olha-la. –
— Edythe.... – Sussurrei seu nome, enquanto meu rosto se contorcia novamente.
A vampira não parecia tocada por meu evidente sofrimento, no entanto, parecia entende-lo, então, ela somente suspirou, impaciente.
— Também sofro por amor. – Em um movimento sobrenatural, estava sentada ao meu lado, os olhos nunca deixando meu rosto. – Por que ele não aceita como eu sou. – A expressão se tornara irritada e magoada. –
Seu rosto se aproximou mais do meu.
— Por que ele prefere ser como vocês...
Encolhi mais meu corpo.
— Mas, por que estou falando isso para você? – Indagou a si mesma, dando um sorriso de lado. – Você não pode fazer nada a respeito. –
Meus olhos caíram sobre as folhas mortas, e eu apertei-as entre minhas mãos machucadas pelo aperto.
Minha mão direita se mexeu, desdobrando a foto que estava parcialmente rasgada.
Eu iria morrer.
Um mundo sem você, é meu inferno Isabella Swan.
— Por que você não fala? – Ela puxou meu rosto novamente. – Por que não corre? –
Eu a olhei sem emoção.
Seus olhos desviaram-se para a foto em minha mão, e antes que eu tentasse impedir, ela já a tinha pego.
— Então, é ela? – Observou a foto atentamente. – Edythe...?
Minhas mãos agarraram seu punho com desespero.
Ela franziu o cenho.
— Me devolva. – Ela levantou uma sobrancelha. – Por favor. –
Ela sorriu.
— Eu fiz você falar. –
— Devolva. –
Ela deu de ombros e estendeu a foto para mim.
Eu a peguei, a amassando entre meus dedos novamente.
— Eu a conheço. –
— O que? –
— Edythe Cullen, uh? Eu a reconheceria ela em qualquer lugar. – Riu sem humor. – Essa vadia é cruel. –
O que?
Minha Edythe? Cruel?
Então, um estalo soou.
Edythe nunca, jamais, falara de seu passado. Na verdade, eu a mal a conhecia.
Minhas mãos foram a minha cabeça.
Mas que porcaria de namorada eu era?
— Fico surpresa por você ama-la. – Seu rosto começou a se aproximar, e antes que eu notasse, eu estava no chão, com a vampira negra em cima de mim. – Mas, nada surpreendida por ela ter magoado você. –
— Você não a conhece. –
Lauren deu de ombros.
— Não importa. – Suas mãos serpentearam para meu pescoço, o acariciando. – O que importa é que ela não está aqui para defender a namorada frágil dela. –
Então, as mãos frias começaram a pressionar meu pescoço.
Minhas mãos foram automaticamente para seu pulso, tentando, de qualquer jeito, me salvar.
Mas, era inútil.
— Eu realmente sinto muito. – Sussurrou, a voz calma e doce. – Mas você me pegou com muita fome, e seria divertido saber que me vinguei dela. –
Então, seria isso?
Eu morreria aqui, sem nem saber se Edythe cumpriria sua palavra, de voltar ou não?
Morreria sem tirar o arrependimento que me corroía. Morreria sem ver, uma última vez, o sorriso alegre de Jules, o olhar preocupado de Charlie ou os olhos azuis carinhosos de Renée.
Bella.
Lágrimas começaram a sair de meus olhos.
Edythe...
Não desista, Bella.
Eu quase conseguia ouvi-la, conseguia sentir seu cheiro suave que parecia desaparecer gradativamente de minhas memórias. Podia sentir seus lábios tocarem os meus, seus dedos finos e frios acariciarem minhas bochechas.
Quase.
Por que ela não estava ali.
Você não pode fazer isso comigo.
Meus dedos se afrouxaram, e meus braços caíram ao lado de minha cabeça.
Minhas mãos se abriram lentamente, dormentes.
A foto caiu de minha mão, e eu não consegui pega-la de volta.
Por que está desistindo, Bella?
— Eu amo você, Edythe.... – Sussurrei com o ar que me faltava, enquanto sentia os lábios frios de Lauren tocarem meu pescoço.
Por alguns segundos, tudo parou. Os movimentos de Lauren, a minha agonia, tudo.
Somente sobrou ela.
Não, Bella.
Eu sinto muito Edythe.
Não.... Não!
Desculpe por faze-la sofrer.
Lute Bella! Eu imploro!
Mesmo que eu lutasse, seria inútil.
— O que é isso? – Ouvi o sussurro apavorado de Lauren, e sua mão deixou meu pescoço.
Tossi e respirei fundo.
Um rosnado alto e furioso tomou minha atenção, e ainda deitada, olhei para o lado.
Lauren não estava mais sobre mim, e sim em posição de ataque. Os olhos vermelhos olhavam temerosos em um ponto específico, e ela deu várias passos para atrás, para longe de mim.
O que estava acontecendo?
Corra, Bella.
Levantei-me, e com surpresa, vi olhos negros brilharem sobre os arbustos altos que circulavam a clareira.
Em segundos, Lauren se virou, e um lobo negro se revelou, pulando de uma forma assustadoramente alta, causando um estrondo.
Outros dois estavam em seu encalço.
Arregalei meus olhos e me encolhi, mas, eles passaram diretamente por mim, sem nem ao menos desviarem seus olhos.
Me levantei de uma forma rápida.
Virei-me para atrás e eles tinham sumido de minha vista.
Minhas mãos foram ao meu pescoço, e eu olhei novamente para a frente.
Ofeguei e dei várias passos para atrás.
O lobo rosnou, como se estivesse zangado comigo, de alguma forma.
Corra.
Seus pelos estavam eriçados, os enormes dentes mostrados, sua respiração estava pesada e frenética, ofegante.
Por favor.
Os olhos eram negros e inteligentes, quase humanos, ele me olhava fixamente, dos pés à cabeça, e não fazia nenhuma menção de se aproximar.
Ele não fez nenhum movimento ofensivo, somente rosnou, mal-humorado e começou a correr, para longe de mim.
— Obrigada. – Murmurei, alto o suficiente para que ele ouvisse.
Eu não tinha ideia se ele tinha consciência, mas, ao parar de correr e olhar para atrás, eu sabia que ele me entendera.
Com um movimento na cabeça, como se assentisse, começou a correr novamente, rosnando furiosamente, enquanto sumia por entre as árvores.
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