Life and death - Bella Swan & Edythe Cullen
9 Capítulo 9
Notas iniciais
Eu não sabia realmente como iria morrer.
E existiam tantas suposições quanto a isso....
A mais viável seria Edythe perceber o quanto eu não valia a pena e me drenaria até a morte por seus lábios e dentes afiados.
Ou, eu morreria drenada por outros nove vampiros, que, naquele momento, saíam do meio das árvores com movimentos exageradamente bruscos e rosnando furiosamente para qualquer coisa que se mexesse.
E, naquele momento, a segunda opção estava vencendo.
Em segundos, toda a família Cullen estava a minha frente, como um muro de defesa. Ao meu lado, Edythe parecia um tanto furiosa, já que seus dentes eram constantemente mostrados e seus rosnados pareciam uma ameaça a qualquer coisa que se aproximasse dela.
— Você precisa tirar a Bella daqui. – Archie sussurrou, seus olhos com um brilho perdido, como se ele não nos visse por entre eles e sim outra coisa.
Uma onda de calmaria me atingiu e eu pisquei, letárgica.
— Poderemos conversar civilizadamente se o líder deles estiverem aqui, se não.... – Carine parou de falar, não completando a frase e somente trocando um olhar com Edythe.
Ao lado de Royal, Eleanor dá um sorriso de lado.
— Se não a parte divertida começa. – Seu sorriso aumentou.
— Agora não é hora de piadinhas Eleanor. – Rosnou Edythe e a outra encolheu os ombros.
— Edythe, se acalme. – Murmurou Jessamine. – Só.... Tire Bella daqui. –
— É impossível. – Murmurou Edythe e todos pareciam um tanto confusos. – Existe um.... Líder, ele conhece Carine e simpatiza com ela. – Seus olhos dourados fixaram-se nos vampiros que se aproximavam de nós com passos lentos. – Victor. – Sussurrou e, mais a frente, um ruivo com face inocente e olhos vermelhos intensos sorriu para todos nós. – Se eu fugir com Bella, o seu cheiro vai se propagar. –
— Uhum, eu consigo sentir o cheiro dela até no outro lado da clareira. – Resmungou Royal, levantando uma sobrancelha para mim.
— Victor, que surpresa. – Carine sorriu de lado e deu um passo à frente, com Earnest protetoramente ao seu lado.
— Desculpem- nos atrapalhar o jogo de vocês. – A voz dele não passava de um sussurro. – Mas, como pode ver, eu e meus.... – Sua face se contorceu. – Companheiros, estamos no meio de uma caça, e, infelizmente, topamos com certos animais repugnantes no meio do caminho. – Ao seu lado, uma mulher de cabelos loiros longos rosnou baixinho.
— Não, uh, está tudo bem. – Carine deu um sorriso tranquilizador. – Tenho certeza que vão encontrar algum lugar. –
— E, perdoem- nos também por nosso comportamento rude, Lauren acabou localizando um humano por aqui, mas, como podemos ver, não a nenhum aqui. – Sorriu amarelo, parecia desconfiado.
Eu engoli em seco e Victor fixou seus olhos em mim, automaticamente Edythe colocou seus braços ao redor de meus ombros.
— Edythe Cullen presumo. – Victor deu um leve sorriso. – Eu me lembro de você, nos Volturi, a cinquenta anos, quando você puniu Joss. – Um sorriso amargo transfigurou seu rosto. –
— Sinto muito. – Sussurrou Edythe, mas, não parecia arrependida.
— Tenho certeza que sente. – Victor desviou seus olhos.
— Agora, vejo que alguns de seus companheiros estão com sede. – Earnest sorriu gentil. – Eu recomendo as montanhas mais ao norte, muitos humanos acampam lá nos finais de semana. –
— Claro, isso vai ser de muito útil. – Victor não parecia interessado. – Agora, iremos ir....
Então, algo aconteceu.
Uma leve brisa fez com que meus cabelos mexessem levemente e, logo depois todos os Cullens travaram e os nove vampiros respiraram fundo.
— Trouxeram um lanchinho? – Um dos vampiros de olhos vermelhos disse, avançando em direção aos Cullens.
Carine rosnou com Earnest fazendo o mesmo, Royal somente mostrou os dentes e Eleanor ficou em posição de ataque.
Archie ficou ao lado de Edythe, que me colocara atrás de si, junto com Jessamine.
— Lauren, seja gentil. – Victor deu um sorriso de lado para a vampira negra que olhava para mim fixamente com desejo.
— Por que tememos? Estamos em maior número. – Uma vampira atrás do grupo disse. – Eu não aguento mais esperar. – Rosnou, então, atacou.
Um vulto passou diante dos meus olhos, mas, Eleanor impediu que a vampira avançasse em minha direção, e simplesmente a pegou pelo braço e a prendeu em um abraço de ferro, arrancando sua cabeça logo depois.
O grupo de vampiros exclamou, furiosos.
— Eu acho que você não tem vampiros muito controlados em seu clã, uh? – Resmungou Victor e Carine somente suspirou.
— Me desculpe, mas, Bella é da família. –
— Família? Ela é apenas uma humana. – Rosnou Lauren. – E humanos só servem para uma coisa. – Mostrou os dentes, rosnando.
— Melhor se calar. – Edythe rosnou silenciosamente, seus olhos dourados ficando negros lentamente.
— Bom, nós não somos uma família, muito menos um clã. – Victor sorriu de lado. – Então, não posso controlar os atos irracionais deles. –
— Victor.... – Murmurou Edythe.
— Minhas sinceras desculpas. – Sorriu de lado e desapareceu diante dos meus olhos, sumindo por entre as árvores.
Então, tudo virou um caos, alguns vampiros pareciam estar contrariados ao ver a morte da companheira de grupo morrer e avançaram novamente.
Royal chutou o peito de um vampiro enorme, que saiu voando, Carine rosnou para outro vampiro.
Jessamine sumiu das minhas costas, Archie estava lutando com dois vampiros mais a frente e Edythe era a única que me defendia fervorosamente.
— Ela é minha. – Rosnou uma vampira, fazendo um movimento rápido e surpreendentemente forte, mas, Edythe não parecia surpresa e nem teve dificuldade de desviar e pegar a vampira pelas costas e arrancar sua cabeça facilmente.
— Me desculpe fazer você ver isso. – Sussurrou Edythe, ainda atenta, seus lábios encostaram rapidamente em minha testa e ela se virou, pulando e chutando a cabeça de um vampiro.
Agora eu sabia do por que tantas pessoas temiam Edythe, que parecia dançar enquanto lutava com um e arrancava o braço de outro.
— Bella, corra. – Sussurrou Jessamine, a sua voz gentil soando em meus ouvidos. – Edythe vai te levar até certo ponto, eu dou cobertura. -
Eu assenti rapidamente e logo depois Edythe me pegava e colocava em suas costas, começando a correr com dois vampiros em seu encalço.
Edythe desviava deles, fazendo movimentos que me obrigavam fechar os olhos.
Eu estava com medo, apavorada, e eu sabia que Edythe também estava.
Em certo momento, Edythe falhou em um movimento e um vampiro pegou sua perna, a empurrando para uma árvore.
Ela até conseguiu se estabilizar novamente, mas, eu caí no chão, sentindo minhas costas estralarem e minha respiração ficar difícil.
Eu ofeguei.
— Bella! – Exclamou Edythe, correndo em minha direção, desviando de um ataque de um vampiro que a atacara. – Consegue se levantar? – Murmurou e eu assenti, engolindo em seco, tentando não demonstrar dor.
— Desculpe-me Bella. – Edythe sussurrou e eu neguei, me afastando dela e ela franziu o cenho. – Vamos estamos quase perto. -
— Vá Edythe! Eu seguro eles! – Gritou Jessamine mais ao longe e Edythe assentiu, me pegando no colo novamente e começando a correr.
Corremos por alguns segundos, Edythe estranhamente quieta e eu agarrada fortemente a ela.
Em certo momento, ela parou e eu abri meus olhos, encarando Edythe.
— Não posso passar daqui. – Murmurou, olhando para trás, parecia preocupada. – Você precisa correr.
Eu assenti e sai de seu colo, andando rapidamente para a frente.
Então, com surpresa, ouvi um estrondo e olhei para atrás imediatamente, e observei por alguns segundo Edythe ser jogada a metros longe.
Eu queria voltar, ajudar ela de alguma maneira, mas, eu precisava correr.
Então, com passos trôpegos, eu sai correndo, passando por alguns terrenos irregulares até sentir o ar salgado e frio tão característico de La Push.
— Ora, onde você acha que vai? – Eu levantei meu rosto para cima e consegui localizar Victor, sentado em um galho grosso de uma árvore, sorrindo levemente para mim. –
Eu engoli em seco e me virei, me preparando para correr, mas, em segundos, ele estava em minha frente, segurando meu pescoço com um aperto firme de sua mão.
— Eu realmente estou decepcionado pelo fato de que os meus recém- criados nem ao menos conseguiram capturar uma humana. – Estalou a língua, parecia chateado. – Mas, o que importa é que eu consegui, não é? – Um sorriso aumentou seus lábios pálidos.
— Por.... Favor. – Me contorci sobre seu aperto.
— Uh, não faça isso, não me julgue. – Seu nariz acariciou minha bochecha e ele respirou fundo, ronronando logo depois. – Seu cheiro é tão.... Delicioso. – Sua língua emudeceu seus lábios. – Eu não vejo a hora....
Eu fechei os olhos com força.
Mas, antes que eu percebesse alguma coisa, fui solta bruscamente e cai no chão.
Meus olhos se levantaram e vi Edythe segurando Victor pelo pescoço, impulsionando sua cabeça para atrás.
Nesse momento, os dois vampiros em minha frente não pareciam nem um pouco racionais, já que Edythe rosnava furiosamente e fazia movimentos bruscos contra o corpo de Victor, que rosnava e tentava se soltar do aperto de minha namorada com mordidas.
Então eu vi a outra face de Edythe.
O corpo de Victor foi jogado a metros longe e Edythe nem ao menos hesitou e simplesmente pegou o corpo que fora jogado no ar e impulsionou ele fortemente ao chão.
O rosto de Victor rachou e sua respiração falhou.
Edythe parecia ter entrado em um frenesi, já que seu rosto estava contorcido em uma face de raiva e seus dentes eram constantemente mostrados.
Então, sua face se tornou impassível e seu rosto se virou para um lugar atrás dela.
Não entendi seu ato até sentir o chão tremer.
Edythe olhou para mim rapidamente, parecia um tanto preocupada.
Então, eu vi.
Senti minha pulsação aumentar e minhas pernas falharem.
Um lobo enorme e negro olhava para nós duas, rosnando furiosamente.
Edythe deu alguns passos para trás, mas, o lobo não parecia entender o fato que ela não era a inimiga naquele momento.
— Edythe...? – Sussurrei e o lobo finalmente parecia ter me notado.
— Fique ai Bella. – Murmurou Edythe, não mexendo um músculo. – Eu.... Eu não deveria estar aqui – Murmurou e eu franzi o cenho.
— Do que você está falando? – Exclamei baixinho e ela suspirou.
O lobo rosnou para Edythe, que somente olhou para Victor, que ainda estava deitado, com o rosto ainda rachado, respirando pesadamente.
Então, eu olhei para o lado e encontrei olhos castanhos tão familiares.
Outro lobo, mas, esse era maior, com pelo castanhos avermelhados e dentes enormes.
— Eu não ia matar Bella. – Exclamou Edythe com uma face contorcida. – Aconteceram algumas coisas.... – O lobo rosnou alto e deu mais um passo em direção a Edythe. – Você precisa entender....
Victor se levantou em um rompante, tirando a atenção do lobo em Edythe.
Ele trocou um último olhar com Edythe e sumiu por entre as árvores, enquanto o lobo negro o perseguia.
Eu olhei para o lado e senti minha respiração parar ao ver o lobo castanho avermelhado estar mais perto de mim do que eu esperava.
— Bella. – Chamou Edythe, oferecendo sua mão a mim. –
O lobo bufou e mexeu sua cabeça, se aproximando mais de mim.
E, sobre todas as consequências óbvias e perigos que, provavelmente me fariam morrer, eu não sentia medo.
Eu simplesmente não conseguia ter medo do lobo avermelhado que me olhava com irritação. Eu tinha certeza que já tinha visto aquele olhar, aquele franzir de testa e nariz, e como ele bufava a cada segundo.
Eu só podia estar ficando louca.
Então, sobre todas as expectativas, eu estirei minha mão em direção a cabeça do lobo, que deu alguns passos para atrás.
— Bella, o que está fazendo? – Murmurou Edythe, finalmente agarrando minha cintura. – Precisamos ir.
Eu somente assenti, sem conseguir falar nada.
Então Edythe me levou longe daquele lobo marrom avermelhado que, bufou e virou-se, andando lentamente sobre o terreno irregular daquela floresta.
E, durante aquele momento em que fiquei silenciosa, perdida em pensamentos, senti minha visão falhar e minha cabeça pender para o lado.
— Bella? – Murmurou Edythe, parando de correr.
— Eu.... Eu estou bem. – Franzi os lábios ao sentir uma pontada no quadril. – Eu acho que.... Que me machuquei quando caí. – Edythe mordeu os lábios fortemente e assentiu, o rosto vincado.
Seus dedos passearam para debaixo do meu pescoço.
— Victor que fez isso com você? – Murmurou, passeando pelo desenho avermelhado de dedos que continha em meu pescoço. Eu somente suspirei, sentindo minha visão falhar novamente. Edythe me ajeitou melhor em suas costas e eu pude deitar minha cabeça no vão de seu pescoço.
Não consegui distinguir o tempo em que Edythe correu, que caminho ela levou, mas, para mim, demoraram segundos.
— Carine, ela está mal. – Eu escutei a voz distante de Edythe.
— Me dê ela aqui. –
— .... Ela fraturou o quadril. –
— .... Eu não deveria ter a levado....
— Ela vai ficar bem? –
— …E alguns dias de repouso ajudarão. –
— Edythe, fique, ela vai ficar feliz em acordar e te encontrar. –
— Não acho que consigo. –
— O que você quer dizer com isso querida? –
— Culpa Earnest, ela não deveria estar ali, ela deveria estar boa, saudável, eu deveria ter previsto. –
— Não coloque toda a culpa em seus ombros. –
— Eu.... Eu fiz de tudo.... –
— E ela está aqui, salva. –
Não escutei mais a voz de Edythe depois daquela frase.
***
Acordei sobre uma melodia suave que preenchia o quarto.
Meus olhos piscaram e eu olhei para o lado, encontrando uma Edythe sentada em frente a um piano, dedilhando suavemente o mesmo.
— Não sabia que tocava. – Sussurrei com a voz rouca e ela parou de tocar de repente, seus olhos desviaram-se para os meus e ela sorriu.
— Que bom que acordou. – Murmurou, aliviada. – Estava preocupada. – Sentou –se na beirada da cama improvisada que fizeram com o divã que ficava em seu quarto.
— O que.... Aconteceu? – Perguntei, preocupada.
— Recém criados nos atacaram. – Sussurrou, pensativa. – Archie, Eleanor e Carine mataram, ao todo, seis. – Pigarro. – Jessamine nos ajudou....
— Sim, eu me lembro. – Murmurei. –
— Nós.... – Franziu o cenho. – Nós pensamos que estava acabado, mas, Victor fugiu. –
— Fugiu? – Sussurrei, um tanto decepcionada.
— Sim. – Franziu o cenho. – Os lobos perderam ele de vista. –
— Espera. – Me levantei em um rompante. – Lobos.... O que era aquilo? –
— Bella, se acalme. –
— Não, eu preciso saber, o que eles são? –
Edythe suspirou.
— Eles são.... Transformos, lobisomens. – Explicou Edythe, os dedos frios dela passando delicadamente por todo o meu braço, em uma carícia. – São, basicamente, nossos inimigos naturais.
— Naquele momento, o lobo negro.... – Não consegui terminar de falar.
— Sim, mas eu estou bem. – Edythe sorriu de lado. –
— Você poderia estar morta. – Resmunguei e Edythe franziu o cenho.
— Está duvidando das minhas habilidades em batalha, senhorita Swan? – Brincou de leve, mas, eu não consegui sorrir, ela suspirou. – Eu não poderia te deixar a mercê de Victor. –
— Mas você fez algo a ele. – Acusei e ela franziu o cenho. –
— Você é muito observadora. – Resmungou e eu mordi os lábios. – Sim, eu.... Bem, eu matei a sua companheira, Joss. –
— Mas, por que? –
— Joss era uma vampira rastreadora, nunca perdeu uma presa. – Lambeu os lábios, pensativa. – Mas, em uma época, ela foi atrás de um humano, mas, se frustrou já que ele já tinha se transformado antes mesmo dela conseguir captura-lo. –
— E por que você a matou? – Sussurrei, me aconchegando em seu peito e ela suspirou.
— O humano era Archie. –
Levantei meus olhos rapidamente, surpresa.
— Archie não se lembra de sua vida humana, consequentemente, não sabia quem era Joss, só tinha a confiança de seu criador, que foi morto dias depois por Joss. – Suspirou, beijando o topo de minha cabeça. – Anos depois, quando já tinha conhecido Archie, ela voltou para contar-lhe a verdade, sobre a sua vida, sobre quão achavam-lhe louco por dizer a todos que via o futuro, e tudo o que dizia, se realizava. – Suspirou. – Que Archie foi mandado por um manicômio e, logo depois, foi sujeito a tratamentos de choques, que fraturou boa parte de seu cérebro. –
— Edythe. – Sussurrei, pegando seu rosto entre as minhas mãos. – Eu não vou lhe julgar. – Prometi e ela suspirou. –
— Archie ficou abalado, mas, Joss não estava satisfeita, queria mais, ele fora a única presa que escapara dela e eu.... E eu o defendi. – Desviou seus olhos dos meus. – E acabei a matando. –
— E Victor quer vingança? –
— Victor não poderia se vingar de uma vampira da guarda dos Volturi, muito menos de quem não amava. – Seus dedos passaram pela minha bochecha. – Ele queria que eu conhecesse alguém especial. – Suas mãos desceram a minha cintura. – Não tenho certeza se, transformar tantas pessoas tenha algum motivo especial além de diversão. –
— Então, ele quer me matar? – Cheguei logo ao ponto e vi uma leve careta aparecer em seu rosto.
— Basicamente, sim. – Suspirou, seus olhos dourados brilhando, preocupados. – Mas, não é isso que me incomoda. –
— Edythe...? – Sussurrei e vi ela desviar seus olhos dos meus.
— Ele chamou a atenção dos Volturi. – Minhas mãos agarraram a camisa de botões que ela usava nesse momento. – E talvez, só talvez, eu vou ser convocada. –
— Convocada? –
— Sim. – Deu um sorriso triste. – Quem sai dos Volturi não abandona o clã definitivamente, você é obrigado a jurar lealdade e aceitar qualquer missão que eles lhe derem. –
— As.... Missões, são muito perigosas? –
— Bella, não se preocupe com isso. – Murmurou Edythe. – Eu sempre voltarei para você, não importa como. – Seus lábios beijaram minha palma.
Eu engoli em seco e mordi meus lábios, sentindo meu coração apertar-se.
Edythe poderia se machucar seriamente, ficar fora dias, meses, anos....
E eu não sabia se era capaz de aguentar tanto tempo longe dela
— Me perdoe por isso. – Sussurrou Edythe. – Eu prometo que farei tudo que eu puder. – Seus lábios encostaram nos meus levemente.
Eu me apertei ao seu corpo frio e ela me empurrou gentilmente, fazendo com que eu me deitasse na cama com ela em cima de mim.
— Você precisa descansar. – Sussurrou sobre os meus lábios, eu resmunguei manhosa e um sorriso fraco entortou seus lábios. –
— Fique comigo. – Pedi e ela franziu o cenho levemente. – Fique para sempre. – Pedi mais uma vez e vi compreensão em seus olhos dourados.
— Não vou deixa-la. – Prometeu e eu suspirei, abocanhando seus lábios frios. Suas mãos acariciando minha barriga e braços.
Um toque na porta e Edythe se levantou rapidamente, enquanto eu suspirava e fechava os olhos fortemente.
— Entre, Eleanor. – Murmurou Edythe, e logo depois, Eleanor entrou com um sorriso preocupado no rosto.
— Ela está impaciente. –
— Diga para esperar. –
— Não acho que isso está adiantando. – Coçou a nuca e eu franzi o cenho, não tendo a mínima ideia do que elas estavam falando. – Ela quer ver Bella. – Edythe franziu os lábios em irritação.
— Quem quer me ver? –
— Os desaparecimentos. – Começou Edythe. – Você vai ficar surpresa quantos colegiais Victor transformou.
Eu franzi o cenho preocupada e curiosa.
— Mande ela subir. – Murmurou Edythe com uma voz calma, e, Eleanor sumiu em um vulto.
Olhei para Edythe, que se sentou no banco do piano e suspirou, dedilhando as teclas.
Meus olhos voltaram a porta e vi, surpresa, Eleanor dar um sorriso acolhedor para quem quer que seja e, logo depois, olhos vermelhos me olharam com surpresa.
— Taylor...? – Sussurrei.
***
— Eu não sabia direito o que tinha me acertado. – Começou Taylor, as mãos se contorcendo sobre o estofado, os olhos vermelhos jorrando insegurança e medo. – Mas, algo ardeu em meu pulso. – Seus olhos foram ao seu pulso, pensativa. – Depois, foi como.... Estar mergulhada em fogo. –
— Onde você estava esse tempo todo? – Perguntou Edythe, os olhos dourados avaliadores lhe deixavam com um ar extremamente sério e sexy.
— Eu.... – Franziu o cenho. – Não tenho certeza, eu só sentia aquela sede interminável, confusão, raiva, ódio, amor. – Seus olhos foram aos meus na última palavra e eu corei.
Edythe pigarreou, irritada.
— Ao ponto, por favor. – Levantou uma sobrancelha.
— Nós viajávamos a vários lugares, a maioria deles em florestas ou em cidades pequenas. –
— Mataram muitos? –
Vi punhos se formarem nas mãos de Taylor.
— Milhares. – Confessou e Edythe desviou os olhos, pensativa.
— Victor falou alguma coisa? Disse o objetivo daquilo tudo? –
— Ele disse que queria criar um clã, que o protegesse, que fosse mais poderoso que todos. – Suspirou. – Eu.... Não entendia direito, estava ocupada demais. – Vi dor em seus olhos. – Mas, ele queria possuir mais dons que qualquer outro clã pudesse ter. – Franziu o cenho. – Eu nunca entendi o que aquilo queria dizer. -
— Victor queria alguém como Edythe, Archie ou Jessamine. – Murmurou Carine, pensativa. Os olhos de Taylor foram a Edythe, que deu um sorriso vitorioso.
Eu franzi o cenho.
Eu não estava gostando daquilo.
— Mas.... Que tipo de dons? – Murmurou Taylor. – Como, ler mentes? – Franziu o cenho.
— Bingo. – Brincou Eleanor e Edythe soltou uma risada baixa, enfiando seu rosto em meus cabelos.
— Então, vocês tem super poderes? – Taylor franziu o cenho e Archie revirou os olhos, sorrindo de lado.
— Não diríamos super poderes, e sim uma característica que tínhamos quando humanos. –
— Tipo? –
— Eu posso ver o futuro, por exemplo. – Archie deu um sorriso leve ao ver a face surpresa de Taylor. – Jessamine. – Apontou para a companheira, que parecia estar em outro mundo. – Pode controlar os sentimentos de outras pessoas e senti-los também. –
Taylor olhou para Edythe, que brincava com as mechas do meu cabelo, distraída.
— E você? – Perguntou.
— Posso saber tudo o que você está pensando nesse momento. – Edythe sorriu de lado e Taylor abaixou seus olhos.
— E não, eu não sou capaz de “sair de sua cabeça”. – Franziu o cenho irritada.
Os olhos vermelhos de Taylor ficaram um tanto irritados e ela desviou os olhos de nós duas.
— Taylor? – A chamei pela primeira vez e vi sua cabeça girar sobrenaturalmente rápido para a minha direção. – Como está.... Aguentando a sede? – Perguntei, temerosa.
— Nessas semanas, aprendi muito com Victor. – Murmurou. – Ele disse que, se nos aprendermos a nos controlar, menos problemas ele iria ter. –
— Inteligente. – Edythe debochou. –
Taylor olhou com irritação para Edythe, que não parecia se abalar pelo olhar furioso da outra.
Edythe se levantou em um rompante e eu franzi o cenho. Sua mão foi estendida em minha direção e ela deu um sorriso sem graça.
— Prometi a Charlie que te levaria antes da meia- noite. – Eu arregalei os olhos em compreensão e me levantei rapidamente.
— Que horas são? –
— Cedo o suficiente. – Edythe me assegurou. – E, não se preocupe, contei a Charlie que se machucou, você caiu das escadas, certo? – Deu um leve sorriso de lado e eu resmunguei.
— Não teria uma desculpa onde eu não parecesse uma completa idiota? – Resmunguei e Edythe riu, balançando a cabeça.
— Estamos indo. – Edythe murmurou e Carine assentiu, dando um sorriso acolhedor.
Quando já estávamos dentro do volvo, a caminho da minha casa, senti a mão de Edythe acariciar a minha levemente, seu rosto estava concentrado.
— No que está pensando? – Perguntei e vi um sorriso de lado surgir em seus lábios.
— Sobre a nossa nova integrante. — Lambeu os lábios.
— Vocês.... Irão ajuda-la? –
— Uhm, talvez. – Um sorriso brincou em seus lábios. – Não tenho paciência para certas coisas. – Estalou a língua. – E não acho que irá ser difícil, por seus pensamentos, ela está amando ter o corpo de um vampiro. – Sorriu amarga. – Ela não se culpa pelas pessoas que matou.
— Ela disse que não se lembra. –
— É claro que não se lembra. – Desviou seus olhos. – Bella, se tem uma coisa que um vampiro nunca faz é esquecer. – Levantou uma sobrancelha.
— Então ela mentiu? –
— Eu não sei. – Franziu o cenho. – É como se a sua mente estivesse fechada, como se ela não conseguisse pensar nas lembranças. –
— O que você acha que é? –
— Alguém com um dom poderoso e confuso. – Mordeu o lábio. –
— E sobre Victor? – Murmurei. – Vocês vão procura-lo? –
— Os Volturi provavelmente estão investigando os inúmeros assassinatos que estão acontecendo. – Seus olhos foram aos meus e dessa vez, fui eu quem desviei o olhar. – E se isso perdurar, eu vou ajuda-los.
— Não quero você longe. –
— Não existe outra opção Bella. – Murmurou. – É o meu jeito de protege-la.
— Tem que existir outro jeito. – Insisti. – Você não pode ir embora.
— Bella, eu irei voltar logo. – Parou o carro, me olhando intensamente.
— Você prometeu que iria ficar. – Senti minhas bochechas corarem pelo nervosismo.
— E eu vou ficar. – Seu corpo se aproximou do meu e suas mãos foram as minhas bochechas. – Eu preciso fazer isso Bella, e não só por causa dos Volturi, se eu matar Victor, você ficará segura. –
— Você não tem certeza. –
— Bella, entenda. – Os olhos dourados jorravam dor. – Ficar longe de você vai ser doloroso, mas, é pela sua segurança. –
Eu bufei, abrindo a porta do carro.
Mas, em segundos ela estava em minha frente.
— Bella, por favor. – Pediu, mas, eu somente desviei de seu corpo e continuei andando, abrindo a porta bruscamente e a fechando em um estrondo.
— Bella, tudo bem? – Perguntou Charlie, franzindo o cenho ao ver a minha expressão irritada. –
— Sim. – Rosnei. – Eu estou bem. – Tirei o casaco de Edythe e o joguei para o sofá.
— Edythe disse que você caiu das escadas e machucou o quadril. – Murmurou ele, preocupado, ignorando o meu mau- humor tão aparente.
— Eu.... – Suspirei. – Tenho alguns analgésicos que a Dra, Cullen me receitou da última vez, eu vou ficar bem. – Eu disse apressadamente, enquanto subia as escadas.
— Bella, não está com fome? – Mas eu não respondi, só fechei a porta do meu quarto e olhei ao redor.
Apressada, eu fui em direção a janela, na intenção de fecha-la, mas, antes que eu sequer tocasse nela, um vulto passou diante de meus olhos.
— Você não pode me impedir de conversar com você. – A voz suave de Edythe se fez presente e eu fechei os olhos, respirando fundo.
— Me deixe sozinha. –
— Bella. – Murmurou Edythe, os braços dela circulando minha cintura. – Eu te amo. –
— Me solte. – Pedi, querendo me soltar dos braços finos de Edythe.
— Me perdoe, por favor. – A voz torturada dela me fazia querer ceder, mas, eu não podia, não ainda.
Eu sabia que ela faria de tudo para matar Victor, mas, eu não aceitaria se ela tivesse que se afastar.
— Faça o que tenha que fazer. – Sussurrei, finalmente me soltando de seu abraço.
— É por você. –
Eu não respondi, somente me deitei em minha cama.
Eu estava sendo egoísta, eu sabia disso, mas, o que eu poderia fazer? Eu ainda lembrava da face raivosa de Edythe, de como os olhos negros ficaram completamente selvagens, do seu sorriso prazeroso ao quase arrancar a cabeça de Victor.
Eu não queria que aquela Edythe voltasse.
Queria a minha Edythe, aquela com um sorriso de covinhas e expressão relaxada.
Senti os lábios frios de Edythe tocarem levemente a minha testa.
Abri meus olhos, mas, ela não estava mais ali.
Ela finalmente tinha me deixado sozinha.
E, por mais que eu realmente quisesse ficar sozinha naquele momento, foi impossível não sentir o vazio que a ausência dela causava em mim.
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