Life and death - Bella Swan & Edythe Cullen
8 Capítulo 8
Notas iniciais
Quando eu acordei no dia seguinte, tateei a cama em busca de Edythe mas, ela não estava lá. Abri um olho e vasculhei o quarto, a encontrando sentada, na cadeira de balanço, olhando para mim com uma expressão indecifrável.
— Edythe....? – Sussurrei e ela se levantou, parecia incomodada com algo.
— Você.... Você está sentindo alguma dor? – Se sentou na minha frente, a expressão em seu rosto se tornando arrependida.
— Uh.... Não, eu estou bem. – Sorri de lado, chegando perto de seu rosto, mas, para a minha total surpresa ela se afastou, suas mãos rapidamente mexeram em direção a minha camisa de pijama, a levantando. Eu corei levemente e Edythe passou os dedos frios delicadamente nos machucados roxos que eu tinha distribuídos por quase toda a minha cintura.
— O que eu fiz com você? – Sussurrou amarga. –
— Edythe, eu estou bem. – Me aproximei dela, mas, ela não parecia satisfeita, suas mãos serpentearam para a coberta, destampando minhas pernas com alguns machucados também.
— Não, você não está. – Fechou os olhos com força. – Me perdoe Bella. –
— Não á o que perdoar. – Resmunguei, finalmente conseguindo alcança-la, prende-la entre meus braços e abraça-la.
— Eu te amo. – Sussurrou em meu ouvido, me apertando contra ela. – Me perdoe. – Pediu novamente, a voz angustiada.
— Edythe, por favor. – Resmunguei. – Não é sua culpa. – Murmurei, distribuindo pequenos beijos em seu rosto.
— Não é culpa minha? – Olhou-me incrédula. – Bella, você não está vendo? – Levantou minha blusa novamente. – Eu fiz isso com você. – Seus olhos dourados fixaram-se nos meus. – Você.... Você não está com raiva de mim? –
Ver Eythe daquele jeito tão inseguro e magoado me fazia querer abraçar ela e nunca mais soltar. Apesar de anos de experiência, Edythe ainda tinha suas dúvidas e, ás vezes eu me perguntava se ela tinha mesmo 109 anos.
— Não. – Eu neguei, pegando em sua mão. – Mas, ficarei com raiva se você continuar com isso. –
— Bella, você não sabe do que está falando. – Se levantou da cama, exasperada. – Eu te machuquei e você.... Está bem com isso?! –
— Não Edythe! Eu não estou bem com isso! – Me levantei também, ficando de frente a ela. –Mas, eu estou perdoando você. –
— Não deveria. –
— Não é você quem pode falar isso. – Resmunguei. – Isso.... Isso vai passar. – Me aproximei dela. – Por favor, não se afaste por causa disso. –
Edythe negou e respirou fundo.
— É melhor você ir para a escola sozinha hoje. – Murmurou.
— Edythe, espera.... – Tentei dizer, mas, ela já era um vulto, sumindo pela janela do meu quarto.
Eu grunhi irritada, eu odiava quando Edythe fazia isso.
— Eu sei que você pode me ouvir. – Falei para o nada. – E sei que você se sente arrependida. – Suspirei. – Mas, eu te amo Edythe, é impossível eu culpar você por alguma coisa. – Terminei, já me achando idiota o suficiente para uma manhã.
Quando não tive resposta somente resmunguei e comecei a escolher algo para vestir.
Quando finalmente cheguei na escola, não encontrei o volvo de Edythe e muito menos seus irmãos, e tentei ao máximo não ficar pensando sobre isso uma boa parte da manhã.
— Oh! Aqui está ela! Isabella Swan! – Uma Érica com uma câmera disse animada. – E então Bella, como é namorar umas das garotas mais quentes de Forks? –
Eu sorri de lado e neguei com a cabeça, passando por ela.
— Èrica, por que está fazendo isso? – Eu perguntei, enquanto abria meu armário.
— Jornal da escola. – Deu de ombros e se filmou logo depois. – Ei Bella, você não respondeu minha pergunta. –
Eu corei diante a câmera e desviei o olhar.
— Ela é maravilhosa. – Confessei e vi Èrica sorrir pra mim.
— Então Edythe Cullen é mesmo quente em todos os sentidos? – Fingiu sussurrar e eu arregalei os olhos.
— Intimo demais. – Avisei.
— Ah, qual é Bella. – Deu um zoom no meu rosto. – Todos estão curiosos sobre isso. –
— Pois vão continuar ficando. – Tampei a lente da câmera com a mão. – Tenho que ir pra aula agora. – Ri da sua careta e virei-me pra ir embora.
— Eu ainda não desisti! – Ouvi Érica dizer e eu sorri de lado, negando com a cabeça.
Eu franzi o cenho ao ver que muitos alunos estavam aglomerados no mural escolar, parecia agitados e preocupados.
— O que aconteceu? – Perguntei para Jeremy, que estalou a língua e suspirou.
— Desaparecimentos estão acontecendo aqui e em Port Angeles. – Me aproximei do mural e vi várias fotos de desaparecidos. – E a polícia achou melhor espalhar as fotos de todos os desaparecidos para avisar os adolescentes. –
Observei todos os adolescentes desaparecidos, alguns eu conhecia de vista, eram colegas de sala e outros eu não tinha a mínima ideia de quem eram. Foi quando eu fixei meu olhar em uma foto de uma adolescente que eu conhecia muito bem.
Taylor Crowley.
Eu franzi os lábios e passei os meus dedos sobre o rosto sorridente de Taylor.
Eu estava preocupada.
— Faz três dias que Taylor não volta pra casa, nenhuma ligação, mensagem. – Jeremy parecia cansado quando dizia isso. – Nenhum movimento em seu cartão de crédito. – Ele suspirou. – Ela sumiu, completamente. –
— Quando? – Perguntei, saindo do aglomerado de adolescentes. – Quando ela desapareceu? –
— Na noite de La Push. – Arrumou a alça da mochila. – A mãe de Taylor disse que ela nunca voltou pra casa. – Bufou, parecia frustrado. – Mas eu tenho certeza, eu me lembro de eu entregar ela na porta da casa dela. – Ele parou no armário dele. – Ela parecia um tanto triste esse dia, e disse que queria ficar sozinha por um tempo. – Suspirou e abriu o armário. – Por isso que eu e o resto do pessoal ficamos despreocupados com o súbito desaparecimento dela, é típico esse tipo de ação vindo de Taylor, quando está chateada ela some. – Suspirou, fechando o armário. – Mas, ela sempre avisa, manda alguma mensagem ou algo do tipo. – Apertou os livros contra o peito. – Eu só.... Só estou preocupado. – Resmungou e eu suspirei, dando um sorriso reconfortante pra ele.
— Eu vou perguntar para Charlie sobre isso. – Murmurei mordendo meu lábio inferior. – Se ele tiver qualquer informação ou pista sobre os desaparecimentos eu aviso a você. – Sorri de lado.
— Valeu Bella. – Jeremy deu um sorriso triste. – Agora, eu tenho aula de Trigonometria, até o intervalo. – Disse, se afastando de mim.
***
Não vi Edythe e seus irmãos na escola o resto da manhã.
Eu não sabia o que tinha acontecido e duvidava que eles sumissem por que Edythe tinha resolvido que não me veria.
Enquanto andava pelo estacionamento da escola, concentrada demais em meus pensamentos para notar qualquer outra coisa, sinto uma mão pousar em meu ombro.
Me viro rapidamente e dou de cara com Jules.
Mas, não era a Jules que eu conhecia.
Os cabelos que iam até sua cintura, agora mal chegavam em seu ombro, era possível ver seus braços mais definidos, a expressão séria e um tanto torturada.
— Jules...? – Sussurrei confusa.
Ela não falou nada, estava séria.
Era estranho não ver o sorriso dela.
— Bella. – O meu nome saiu rouco pela boca dela. – Tome cuidado. – Ela disse simplesmente.
— Uh? Do que você está falando? – Perguntei, me aproximando dela, mas, ela se afastou bruscamente de mim. – Jules, o que aconteceu com você? –
— Isso não importa. – Rosnou em minha direção e eu dei alguns passos para atrás, confusa com seu comportamento. – Eu preciso que se afaste de Edythe. –
— Você está me deixando confusa. – Disse e vi ela desviar seus olhos para o chão, parecendo pensativa.
— Por favor Bella. – Pediu novamente. – Eu não podia nem estar aqui. – Olhou ao redor. – Só me prometa que vai ficar bem. – Ela colocou suas duas mãos nos meus ombros e me olhou fixamente. – Que não vai se machucar. –
— Eu vou ficar bem. – Prometi, mesmo não entendendo o que ela queria dizer. – Só diga, o que aconteceu com você? – Murmurei, olhando para ela preocupada.
— Você não vai entender. – Se afastou.
— Á algo que eu possa fazer? – Peguei em sua mão e vi ela fazer uma careta torturada.
— Sim. – Assentiu. – Se afaste de mim. –
— Jules.... – Comecei a falar.
— Não. – Negou. – Eu tenho que ir. – Mas, antes de ir, me deu um forte abraço.
Vi ela se afastar de mim com passos largos, colocar seu capacete, ligar sua moto e sumir das minhas vistas.
“Se afaste de mim”
Jules não foi a primeira pessoa a me dizer isso.
***
Eu estava distraída, limpando a minha caminhonete, quando escuto um estrondo.
Dou um pulo pelo susto que levei e olho para cima.
Edythe tinha um sorriso relaxado enquanto olhava para mim de cima da caminhonete.
— Os vizinhos. – Murmurei, olhando ao redor, ela somente deu de ombros e pulou na minha frente, aterrissando suavemente no chão. – Por que não foi a aula hoje? – Perguntei e ela suspirou.
— Não estava no clima. – Deu de ombros.
— “Não estava no clima”? – Falei, incrédula. – Eu fiquei preocupada. – Resmunguei.
— Ei, sinto muito. – Suspirou. – Eu decepcionei você não é? – Murmurou, dando um sorriso triste.
— Não, é que.... – Balancei a cabeça franzindo o cenho. – Andou acontecendo alguns desaparecimentos, eu fiquei com medo. – Confessei e seus dedos passaram lentamente pela minha bochecha.
— E eu não estava lá. – Suspirou, parecendo frustrada. – Carine tinha razão quando disse que eu sou irresponsável demais. – Se aproximou mais de mim e me abraçou.
— Está tudo bem. – Sussurrei. – Só.... Só estou com medo. – Suspirei. – Taylor desapareceu. – Disse.
— Taylor? – Parecia um tanto surpresa. – Quando? –
— Depois que voltamos da praia de La Push. – Murmurei.
— Eu vou ter que tomar mais cuidado com você. – Acariciou meus cabelos. – Prometo não te deixar sozinha. – Eu assenti e ela sorriu.
— Preparada para conhecer meus pais? –
— Nervosa, talvez. – Dei um sorriso acanhado e o seu sorriso aumentou.
— Vai dar tudo certo, comigo e com Charlie foi tranquilo. –
— Por que você leu a mente dele! – Exclamei, e Edythe riu.
— Ok, eu trapaceei. – Levantou as mãos, rendida. – Mas, eu tinha que fazer aquilo, não aceitaria um não. – Se aproximou e agarrou minha cintura. – Eu não conseguiria não ser sua namorada. – Ela piscou um olho, marota.
Eu sorri boba e escondi meu rosto em seu pescoço.
— Vá se arrumar. – Murmurou atenciosa. – Eu vou estar aqui. – Me prometeu e eu suspirei.
— Volto em vinte minutos. – Eu disse, já entrando dentro de casa.
***
A casa de Edythe era um tanto longe do centro de Forks, então, eu tive bastante tempo para me sentir nervosa.
Meus olhos foram para Edythe e eu não conseguia deixar de pensar em quantas vezes ela já passou por isso, quantas vezes ela viu o mesmo sorriso nervoso, as mesmas palavras, os mesmos temores, e, por algum motivo, aquilo me deprimiu.
Eu deveria estar tão óbvia.
Quantas pessoas não deveriam já ter conhecido Edythe, quantas pessoas já não viram o seu sorriso.
Mas, não qualquer sorriso.
O meu sorriso.
— No que está pensando? – Perguntou Edythe, parecia curiosa.
— Uh, nada de importante. – Sorri de lado, tentando esconder minha decepção descabida.
— Uh, não gosto quando diz isso. – Resmungou, fazendo um leve bico. – Faz eu pensar que não eu tenho importância. – Sorriu divertida.
Eu revirei os olhos.
— Pois eu não estava pensando em você. – Revirei os olhos ao ver o seu sorriso convencido.
Estava sim.
Mas, ela não precisava saber.
Quando Edythe parou o carro eu fechei os olhos e respirei fundo.
— Madame. – Disse Edythe, abrindo a porta do carro para mim.
— Cavalheira. – Revirei os olhos sorrindo e ela me deu um beijo longo na bochecha.
Olhei em volta e vi a enorme casa dos Cullens.
— Vamos. – Edythe murmurou, me empurrando pela cintura até a porta da casa, abrindo-a para mim.
Mal entramos e demos de cara com Royal.
Eu senti meus músculos travarem ao ver aquele vampiro incrivelmente belo e muito perigoso olhar para mim com ódio. Seus olhos negros me avaliaram e ele se movimentou suavemente até perto de nós.
— Seja bem- vinda, Isabella. — A sua voz suave, mas, cortante como uma navalha, soou em meus ouvidos e me fez me encolher.
Senti os braços frios e fortes de Edythe circularem a minha cintura e ela olhou fixamente para Royal.
Por alguns segundos os dois trocaram olhares, Edythe tensa, parecia que queria me fundir com ela de tanto que apertava seu abraço, os seus olhos dourados brilhavam e ela parecia prestes a atacar Royal a qualquer segundo. Já os olhos negros de Royal me olhavam com amargura e....
Fome.
Foi quando, finalmente os olhos negros desviaram-se dos meus e Royal bufa, contrariado.
— Vamos Bella. – Edythe disse, sem desgrudar seus olhos de Royal, que somente rosna baixinho para ela e se vira, sumindo dali em uma velocidade sobrenatural.
Quando chegamos na sala de estar dou de cara com Carine Cullen e com um adolescente de cabelos curtos e olhos dourados.
Archie.
Ele sorri e se levanta, estando em uma velocidade sobrenatural na minha frente.
— Bella. – Sorri e faz um consentimento com a cabeça. – É bom ver você por aqui. – Então ele respira funda e fecha os olhos. – Seu cheiro é maravilhoso. – Falou em um tom de voz baixo, franzindo o cenho
— Uh, isso é um elogio? – Archie sorriu grande e Edythe ri baixinho entre meus cabelos.
— Você é adorável. – Pegou minha mão e deu um leve beijo. – Espero lhe encontrar muitas vezes por aqui. – Brincou, galanteador.
Eu corei fortemente e Archie piscou para mim e se afastou.
— Bella, você foi muito esperada por aqui. – Um homem de cabelos cor de mel arrumados e rosto amável murmurou, vindo em minha direção.
E para minha surpresa ele me abraçou fortemente.
— Uh, oi. – Murmurei, dando um sorriso de lado.
— Earnest. – Resmungou Edythe ao ser abraçada pelo pai adotivo.
Ele somente sorriu, como se já estivesse familiarizado por aquele tipo de comportamento vindo de Edythe.
— Bem- vinda Bella. – Carine falou, a voz suave lhe dava um ar bondoso, o que combinava com seu rosto bonito demais para qualquer ser humano normal. – Edythe falou muito sobre você. –
Edythe resmungou algo inaudível e eu entrelacei nossas mãos.
— Bella! – Uma voz alta demais disse e eu me virei para o lado, dando de cara com uma adolescente alta.
Mas, não era somente alta.
Ela podia ser facilmente descrevida como uma jogadora de futebol americano feminino, com seus ombros largos e braços um tanto fortes. E, apesar de sua aparência intimidante, ela sorriu para mim.
— Eu sempre quis te conhecer! – Sorriu ainda mais, me abraçando.
Um verdadeiro abraço de urso.
Eu fiz uma leve careta e perdi o ar ao sentir que o abraço durava tempo demais e meu corpo, a cada segundo, era mais esmagado.
— Eleanor, chega. – Resmungou Edythe e eu ofeguei ao sentir os braços me soltarem.
— Ei, foi mal. – Sorriu Eleanor e ela deu uma batida no meu ombro.
— Ouch! –Eu arregalei os olhos e senti meu ombro latejar.
— Ei, sinto muito.... – Eleanor ia se aproximar, mas, uma mão pequena e delicada a impediu.
— Não acho que seja necessário. – A voz parecia um sussurro, de tão suave que era.
Meus olhos viraram-se para a vampira loira, de olhos dourados e sorriso gentil.
— Bella já se machucou o bastante hoje. – Falou novamente e Eleanor a obedeceu, dando um sorriso culpado para mim. – Olá Bella. – Jessamine não se afastou, mas, também não se aproximou, somente ficou em uma distância segura o bastante de mim.
— Obrigada. – Eu murmurei, ainda massageando meu ombro.
— Espero que isso não aconteça de novo. – Edythe falou, entre dentes para Eleanor, que se encolheu de medo.
— Ei, está tudo bem. – Eu disse, segurando o riso ao ver a cena. – Tenho certeza que Eleanor não fez por mal. – Era engraçado o fato de Edythe ser muitos centímetros mais baixa que Eleanor, mas, a outra parecia respeitar muito a minha namorada.
— Vamos Bella, eu quero te mostrar o resto da casa. – Murmurou Edtyhe, me puxando em direção as escadas que levavam para o segundo andar.
— Edythe é sempre tão impaciente. – Resmungou Eleanor, observando-nos subir as escadas.
— Não acho que Royal goste muito de mim. – Eu murmurei e Edythe suspirou, parecia um tanto decepcionada.
— Um dia ele vai notar que você é especial demais para mim e vai entender. – Sorriu amorosa, mas, logo depois uma careta apareceu em sua face.
— O que foi? –
— Eleanor é muito curiosa. – Deu um risinho. – Ela gostou de você. – Acariciou minhas mãos.
Passamos por um corredor com vários quadros e um acabou me prendendo.
Ele era feito de tinta, mas, parecia uma fotografia já que continha tantos detalhes e expressões de rosto tão reais que era impossível não chamar atenção.
— Quem são eles? – Perguntei, mas, Edythe não respondeu de imediato.
— Os Volturi. –
— Volturi? – Indaguei e seus olhos dourados fixaram-se no quadro, pensativa.
— Os Volturi são um clã muito poderoso no meu mundo. – Começou a explicar calmamente. – Tão poderoso que é capaz de controla-lo. – Suspirou. – Eles vivem na Itália, e de lá, cuidam do nosso segredo. –
— Como isso.... Como isso funciona? – Desgrudei meus olhos do quadro e olhei para Edythe, que agora tinha um olhar perdido.
— Existem três líderes, Sulpicia, Athenodora e Marcus. – Suspirou novamente. – A liderança foi dada a eles muitos anos antes de eu sequer nascer. – Seus olhos correram por cima da pintura. – São rígidos, mas, se não fossem por eles, nós não viveríamos do jeito que estamos. – Sorriu levemente. – Mas, apesar de tudo, somente algumas regras são impostas por eles. – Olhou para mim. – Guardar nosso segredo é a principal. –Me abraçou pela cintura. – Se alimentar silenciosamente, chacinas ou qualquer movimento que chame muita atenção dos humanos é estritamente proibido. –
— E as punições...? – Indaguei e vi medo em seus olhos.
— A morte. –
— Uh?! – Exclamei, me virando completamente em sua direção. – Mas, não existe outra forma.... –
— Em alguns casos você pode ser perdoado se se juntar a eles e tiver um poder que lhes vai favorecer em algum momento. – Lambeu os lábios. – É impossível esconder algo de Sulpicia. – Um sorriso de lado. – Com um toque, ela pode entrar em sua mente e ver todas as suas lembranças, pensamentos e experiências. – Sua mão subiu lentamente até a pintura. – Athenodora é uma lutadora talentosa, até eu, uma leitora de mentes, tenho baixas chances contra ela. – Seu indicador parou em uma parte da pintura, perto de uma mulher com olhos vermelhos expressivos. – E Marcus consegue ver nossos laços sentimentais com alguém. – Então, ela ficou silenciosa.
— Edythe? – A chamei e seus olhos dourados foram de mim para a pintura.
Ela tirou o dedo indicador de lá lentamente, como se não quisesse me deixar ver o que tinha naquela parte na pintura, e então, eu finalmente vi o rosto tão familiar para mim.
Edythe, com olhos vermelhos brilhantes, a expressão um tanto entediada, os cabelos mais selvagens, roupas negras, com uma capa elegantemente colocada em seus ombros.
— Eu.... Por algum tempo, participei dos Volturi. – A expressão dela se transfigurou em amargura. – Eu.... Eu era uma das mais temidas de lá. – Um sorriso de lado. – Até por que, eu nunca lutei justamente. –
— Foi tão.... Horrível assim? –
— Eu me sentia entediada com tudo, revoltada com o que eu me tornara. – Suspirei pesadamente. – Mas, a frustração nunca passava. Matar vampiros, sugar pessoas, nada, nem ninguém, fazia isso parar. – Seus braços foram ao redor da minha cintura e ela me apertou contra seu corpo. – Eu não aceitava as condições de Carine de viver sobre sangue de animais, não existia diversão, não existia luta. –
— Não pode se culpar por isso. — Me virei para ela, acariciando sua bochecha. – Não pode se culpar por querer um motivo para viver eternamente. –
— Tanto quanto eu quis eu achei. – Sorriu de lado, aproximando seu rosto do meu. – Só faz cinquenta anos que abandonei os Volturi, e de todos esses anos, somente você fez com que eu não me sinta um monstro. – Ela acariciou minhas bochechas com o nariz em um carinho inocente. – Você.... Você me faz sentir com que.... Com que a eternidade na qual vivo por 109 anos, faça sentido. –
Eu fechei os olhos e franzi o cenho.
— Eu não acho que mereça isso. – Suas mãos apertaram minha cintura e eu acaricie sua nuca, nossas testas coladas. – Não acho que eu mereça tanta devoção. –
— E você não merece. – Edythe suspirou. – Você não merece eu como sua namorada, não merece um monstro que matou por prazer. – Abriu os olhos e eu fiz o mesmo. – Por isso, eu tento compensar você com meu amor infinito. –
— Mas.... Mas eu não entendo. – Neguei levemente com a cabeça. – Você deve ter conhecido tantas pessoas, tantos lugares. – Edythe franziu o cenho, parecia confusa. – Quantos já não se apaixonaram por você? –
— Bella. – Edythe me chamou, os olhos dourados transbordando sentimentos. – Você ainda não entendeu? – Sorriu trêmula. – Você foi e sempre será a única. –
***
— Bella! – Ouvi a voz de Eleanor na cozinha e, alguns segundos depois, ela estava na minha frente. – Earnest está preparando algo que vocês humanos chamam de comida. – Fez uma careta e eu sorri de lado. – Ele quer que você prove. –
— Uhu, não quero que minha namorada morra de intoxicação. – Edythe disse, me puxando pelo braço, me impedindo de andar.
— Não fale assim de seu pai Edythe. – Carine disse com um leve sorriso nos lábios. – Ele só está tentando agradar. – Cruzou as pernas.
— Matando a Bella de dor no estômago? – Archie levantou uma sobrancelha após falar. – Bella, seu futuro comendo o que Earnest preparou para você não é muito promissor. – Carine riu de leve e Eleanor gargalhou.
— Eu estou ouvindo vocês da cozinha! – Earnest gritou do cômodo ao lado.
— Por que estamos tentando fazer você desistir disso, não é óbvio? – Archie revirou os olhos, colocando seu braço ao redor de Jessamine.
— Archie, seja gentil. – Murmurou Jessamine e Archie fez uma leve careta.
— Bella, por favor. – Edythe fez um biquinho adorável. – Não qualquer coisa que Earnest preparar. –
— Não influenciem ela assim. – Earnest revirou os olhos, aparecendo em um piscar de olhos na sala, e logo depois sorriu angelicalmente. – Eu só estava preparando um agrado para você Bella, mas, parece que meus filhos não são educados o suficiente. – Terminou de falar dando um leve tapa no braço de Eleanor que sorriu culpada e coçou a nuca.
— Uh, eu tive uma ideia melhor do que cozinhar. – Archie murmurou, dando um sorriso de lado. – O tempo de Forks vai estar propício hoje. –
— É uma boa ideia. – Carine assentiu levemente.
— Eu topo! – Elanor disse, com um sorriso enorme. – Vou procurar Royal. – E saiu em um vulto diante dos meus olhos.
— Uh, do que eles estão falando? – Perguntei e Edythe suspirou, arrumando uma mecha do meu cabelo lentamente.
— Que vamos jogar Baseball. – Sorriu de lado e eu franzi o cenho.
— Vamos? Eu estou inclusa? – Murmurei e Edythe riu.
— Vem Bella. – Edythe sorriu de lado, me puxando pela cintura, me tirando do chão e correndo em uma velocidade sobrenatural até o seu quarto.
Eu pisquei, confusa e Edythe riu de leve, me deixando perto de uma cadeira de couro no canto de seu quarto e abriu o seu closet.
— Aqui. – Jogou um boné em minha direção e pegou um casaco.
— Vamos.... Agora? –
— Sim, Archie previu uma tarde de trovões. – Sorriu de lado. – Forks chove muito, mas, na maioria das vezes é passageira e nem ao menos chove, usamos isso para nos divertirmos.
— Uh.... – Franzi o cenho. – Por que vocês precisam de um mal tempo para jogar? –
Edythe somente sorriu de lado, beijando minha testa e pegando em minha mão.
— Você já vai entender. – E me colocou sobre suas costas. – Se segure-se! – Pediu e eu prendi meus braços ao redor de seu pescoço e ela pulou da janela do seu quarto.
Eu ri quando vi Eleanor olhar estranhamente para nós em cima da árvore.
— Pensei que iríamos todos juntos. – Ela disse e eu escondi meu rosto no pescoço de Edythe.
— É mais divertido assim. – Edythe deu de ombros e Eleanor franziu o cenho, parecia estranhar esse comportamento vindo da minha namorada, e, antes que ela falasse alguma coisa, Edythe pulou para outro galho e pousou no chão, começando a correr.
***
— Eles precisam mesmo de um juiz? – Indaguei a Earnest, me encolhendo no casaco de Edythe, observando Jessamine girar o taco de basebol sobre uma mão, Archie mais a frente com uma bola sendo girada entre seus dedos, mais ao longe estava Edythe e Eleanor, que correriam atrás da mesma.
— Você não sabe o quanto Eleanor e Edythe roubam. – Revirou os olhos e, ao longe Edythe sorriu de lado e Eleanor deu de ombros, como não se importasse pelo fato. – E, brigas entre vampiros nem sempre são tão.... Silenciosas. –
— Elas roubam uh? – Olhei para Edythe acusatoriamente, que somente me dá um sorriso charmoso.
Carine, a alguns passos de nós, dá um sinal com a mão e Jessamine assente, fixando seus olhos na bola.
Em um movimento que eu não consegui ver, Archie jogou a bola em direção a Jessamine segundos antes de um trovão estourar no céu e encobrir o enorme barulho que a bola e o bastão fizeram ao se encostar.
Agora eu realmente entendia o porquê dos trovões.
Eu olhei para atrás, não encontrando mais Eleanor e Edythe.
— Home run. – Murmurei, vendo que a bola não estava mais a vista.
— Espere. – Murmurou Earnest, completamente concentrado em Jessamine, que corria entre as bases. – Fora! – Gritou.
Meus olhos voltaram-se para entre as árvore e eu vi, surpresa, Edythe sair de lá com uma bola na mão e um sorriso vitorioso, e logo atrás dela, Eleanor com um bico emburrado no rosto.
O show continuou na frente dos meus olhos incrédulos. Era impossível acompanhar a velocidade com que a bola se movia o compasso com que seus corpos corriam no campo.
Edythe rebateria agora e, com um movimento ágil e suave, como um felino se movimentando, ela rebateu e, segundos depois, estava correndo.
Vi Jessamine correr, dando um pulo sobrenaturalmente alto para pegar a bola, mas, falhando, já que Royal tivera a mesma ideia e os dois se chocaram no ar, causando um estrondo, fazendo- os cair no chão e darem tempo o suficiente para Edythe pontuar.
— Eu estou decepcionada. – Eu disse, com um sorriso enviesado, enquanto a observava se aproximar de mim.
— Uh? – Edythe franziu o cenho e me abraçou pela cintura.
— Bem, seria legal encontrar pelo menos uma coisa que você não faça melhor do que qualquer outra pessoa no planeta. – Resmunguei e um sorriso charmoso entortou seus lábios.
Foi então que Archie ofegou, Edythe parou de sorrir e seu rosto ficou concentrado.
— Eu.... Eu não sabia, não tinha como eu saber. – Sussurrou Archie, parecia apavorado.
— Bella. – Sussurrou Edythe, os olhos me olhando temerosos.
— Recém criados? – Archie murmurou. – Como....
— Os lobisomens. – Carine falou, andando em minha direção. – Archie não consegue vê-los, provavelmente atacaram-nos e o restante está fugindo.
— Mas, e o tratado? – Royal murmurou, parecia pensativo.
— Eles não são tão racionais quando caçam, provavelmente uma grande quantidade foi vista e eles não tiveram escolha. –
— Não á tempo para suposições. – Rosnou Edythe. – Temos que fugir.
— Archie, temos tempo? – Perguntou Jessamine, colocando suas mãos delicadamente no ombro do companheiro.
— Archie?! – Rosnou Royal, parecia preocupado.
— Eles.... Eles estão aqui. – Archie sussurrou.
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