Life and death - Bella Swan & Edythe Cullen
11 Capítulo 11
Notas iniciais
Eu olhava hesitante para o telefone em cima da mesinha, mordendo os lábios insegura, tomando coragem.
Certo, eu conhecia Jules, sabia que ela nunca me magoaria por intensão, mas, ela estava tão diferente, que a dúvida me corroía entre ligar ou não. Eu queria saber se ela estava bem, que mudanças eram aquelas que ela estava sofrendo, e por quais motivos eu me afastaria. A cena do estacionamento semanas atrás se remoía em meus pensamentos, me deixando preocupada.
Respirei fundo e peguei o telefone, subindo rapidamente para o meu quarto, sentando-me confortavelmente na cama.
Mas, antes de começar a discar o número no telefone, em segundos, ele já não estava em minhas mãos.
— O que você está fazendo? – A voz suave de Edythe se fez presente e eu fechei os olhos com força.
Suspirei, me recuperando do susto.
— Ligando para Jules. – Murmurei, tentando pegar o telefone, mas, ela somente levantou uma sobrancelha e o colocou mais distante de mim.
— Por que você faria isso? – Perguntou, parecia incomodada.
— Estou preocupada com ela. – Confessei. – Ela está diferente, e não nos vemos a alguns bons dias. –
— Ela não disse para você se afastar? – Resmungou. – Por que está querendo fazer o contrário? –
— Por que ela é minha melhor amiga Edythe. – Disse, me colocando em cima dela. – E eu me preocupo com as pessoas que eu me importo. – Pontuei e ela revirou os olhos.
— Eu sou sua namorada, você deveria se importar comigo. – Resmungou como uma criança e eu sorri.
— Eu não somente me importo com você Edythe, eu amo você. – Sussurrei sobre seus lábios e vi seus olhos brilharem em minha direção. – Eu só.... Não quero que ela mude, entenda, ela me ajudou muito nesse processo de cidade nova. – Tentei convence-la.
— Não gosto de ver você perto dela. – Suspirou.
— Ela nunca faria isso conosco. – Observei seu olhar um tanto ciumento. – Você precisa confiar em mim. -
— Eu nunca duvidaria de você, Bella. – Não parecia aliviada ao dizer isso. – Mas, não é isso que me incomoda. – Sussurrou, me abraçando.
— Eu só quero falar com ela. –
Edythe não me respondeu, somente ficamos lá, abraçadas.
— Quero convidar você para jantar em minha casa. — Seu olhar subiu para o meu. –
— Ótimo, serei a única na mesa a comer. – Brinquei e vi um sorriso contorcer seus lábios vermelhos.
— É uma forma de eu punir você. – Franzi o cenho. – Não me contou que seu aniversário era semana que vem. –
Eu revirei os olhos.
— Não achava isso importante. –
— Mas, eu acho. – Sussurrou, os dedos finos, como de costume, acariciavam minhas bochechas. – Comemorar o dia em que a minha felicidade veio ao mundo. –
Eu corei e seu sorriso aumentou.
— Archie quer ver você novamente. – Suspirou. – Nas palavras dele, você é o ser humano mais adorável que ele já conheceu. – Olhou para mim carinhosa. – E Earnest insiste em querer fazer você provar seus pratos. – Revirou os olhos dramaticamente e eu ri contida.
— Eu adoraria. – Sussurrei e vi seu sorriso aumentar.
***
Certo, eu realmente nunca fui do tipo de garota que se preocupava com o que vestir, mas, como eu nunca fora em um jantar de família, e existia um pequeno medo de eu me constranger na frente de todos.
Edythe me ajudara um pouco nesse quesito – vantagens de namorar uma garota – mas, isso não deixava a insegurança ir embora.
Eu suspirei para meu guarda roupa, frustrada.
Então, escutei um vulto na janela, e, por puro costume, sorri para a pessoa ao lado da cadeira de balanço, mas, não era quem eu pensava que era.
— Taylor? – Sussurrei, depois de ter levado um susto por sua presença.
— Olá Bella. – Um sorriso suave entortou seus lábios. – Me desculpe a entrada tão repentina. – Se aproximou alguns passos de mim, e eu, automaticamente, dei alguns passos para atrás. Ela franziu o cenho.
— Não precisa ter medo de mim Bella, eu estou no controle. – Seus olhos alaranjados sorriram para mim e eu engoli em seco.
— Não é isso. – Sussurrei. – Eu só me assustei. – Minhas mãos se contorceram.
Ela sorriu novamente, mais aliviada.
— Eu queria conversar com você. –
— Conversar? – Murmurei confusa. – Bom, claro. – Sorri hesitante, me sentando na cama, ela me acompanhou.
Ela me olhou por alguns segundos, parecia realmente feliz ao me ver.
— Desde aquele dia eu não pude conversar direito com você. – Se remexeu, desconfortável. – E queria pedir desculpas por ter mentido que você iria ao baile comigo. –
— Está tudo bem. – Afirmei. – Eu só fiquei surpresa, nenhuma garota antes tinha me convidado. –
Sua mão fria tocou a minha e eu não me afastei. Pensativa, ela olhou para mim profundamente.
— Eu vou sair de Forks. – A falta de surpresa em minha expressão denunciou que eu já sabia do fato. – Mas, não antes de dizer-lhe os meus sentimentos.
Uh?
A minha mão automaticamente se afastou da dela.
— Ser como eu sou.... – Começou. – Gostar de garotas, nunca foi uma vantagem para mim. – Murmurou, os cabelos negros formando uma cortina em seu rosto. – E sabe, existiam garotos, como Logan, que não me deixavam em paz. –
— Eu sinto muito. – Sussurrei.
— Então, você se mudou para cá, e sabe, não é como se eu estivesse ligando muito. – Brincou e um sorriso pequeno tomou meus lábios. – Você era tão.... Desajeitada, com olhos que pareciam chocolates derretidos, bochechas que sempre pareciam vermelhas. – Automaticamente eu corei e um sorriso bobo entortou seus lábios. – E, surpreendentemente, não me olhava como se eu fosse de outro mundo, você.... Sorria pra mim. –
Eu a observei atentamente e vi que ela suspirou.
— No dia em que eu basicamente obriguei você a ir ao baile comigo. – Olhou pra mim sem graça. – Era uma forma de dizer que eu não desistiria facilmente. – Seu rosto se aproximou do meu, hesitante.
— Taylor…-
— Eu amo você. – Soltou e eu prendi a respiração.
“Nós, vampiros, temos os sentimentos dobrados do que um ser humano normal”
Eu me lembrava das palavras de Edythe, que pareciam ser a única explicação para o que estava acontecendo.
— Não, Taylor você precisa entender, isso não é real. – Sorri, trêmula. – Isso são resquícios do sentimento que você sentia por mim, e graças a sua transformação isso foi intensificado. –
Ela me olhou confusa.
— Eu não consigo imaginar isso... – Sussurrou, se aproximando mais alguns centímetros de mim. Me afastei, dando vários passos para atrás. – Bella, quem quer que tenha te dito isso, mentiu. –
— Edythe nunca mentiria pra mim. – Soltei, me arrependendo ao ver seu olhar magoado e raivoso.
— Por que simplesmente não aceita e fica comigo? – Se aproximou com sua velocidade sobrenatural. Eu prendi a respiração ao sentir suas mãos agarrarem minha cintura e sua boca ficar perigosamente perto da minha.
— Por que eu amo outra pessoa. – Sussurrei, engolindo em seco e vi ela franzir o cenho.
— Ela vai magoar você. –
— Você não tem como saber disso. –
— Eu sei, ela vai magoar você. – Ela encostou sua testa na minha. – E eu quero proteger você disso. – Murmurou, com os olhos fechados.
— Taylor. – Sussurrei seu nome e seus olhos alaranjados abriram-se. – Você tem a eternidade, vai conhecer tantas pessoas...
— Você também vai ter a eternidade.... – Vi confusão em seus olhos e eu abaixei meus olhos. Compreensão passou por seu rosto. – Ela não vai.... Não vai transforma-la? –
— Edythe não quer isso pra mim, ela acha melhor eu ter uma vida normal como humana. –
— Isso é um absurdo. – Se afastou de mim, parecia contrariada.
— Vai faze-la feliz. –
— Mas, não vai fazer você feliz. – Disse de supetão. Eu me calei com a afirmativa. – Eu posso fazer você feliz, posso leva-la a vários lugares. – Sua mão pegou a minha e eu suspirei. – Posso transforma-la. – Os olhos dela brilhavam, sonhadores. – Podemos conhecer e aprender várias coisas, juntas. –
Eu olhei para seu rosto esperançoso por alguns segundos.
— Eu sinto muito. –
Taylor suspirou, derrotada.
— Quando você for jantar na casa dos Cullens, vá para o quarto de Edythe, lá estará um envelope dentre os livros dela. –
— Um envelope? –
— Leia o seu conteúdo e depois você me diz sua resposta. – Sorriu tristemente. – Até depois Bella. – Deu um sorriso relaxado e desapareceu pela minha janela.
***
Eu estava pensativa, pensando incansavelmente na pequena conversa que Taylor e eu tivemos essa tarde. Eu não entendia realmente no que ela quis dizer com me proteger de Edythe, não conseguia ver como ela poderia me magoar.
E que carta era aquela que ela falara?
Deus! Eu não conseguia conter a minha ansiedade.
— Ei, no que está pensando? – Murmurou Edythe suavemente, olhando para mim com um sorriso gentil.
— Só estou nervosa. – Menti, não olhando para os olhos dourados de Edythe, com medo que ela, por algum momento, conseguisse ler meus pensamento por detrás dos meus.
— Pensei que já tínhamos passado dessa fase. – Mordeu o lábio, divertida.
— Me desculpe. – Sussurrei, suspirando. Edythe somente deu de ombros, parando o carro.
— Tudo bem. – Abriu a porta do volvo e em segundos, abrindo o meu lado do carro.
Eu suspirei ao observar seu olhar amoroso em minha direção e corei furiosamente ao ver que ela tinha notado e sorria convencida.
— Vocês demoraram. –Archie murmurou, já na porta da grande casa. –
— Eu ainda não estou convencida disso. – Resmungou Edythe, enquanto entrávamos dentro da casa.
Archie olhou divertido para nós duas. Eu franzi o cenho e Edythe deu de ombros.
— Bella, ei. – Eleanor sorriu para mim quando chegamos na cozinha, o rosto levemente contorcido. – Qual é a diferença de sal e açúcar mesmo? – Pendeu a cabeça para o lado.
— O que vocês estão fazendo? – Indaguei, observando as diferentes panelas, com uma quantidade desnecessária de comida.
— Earnest teve a ideia de fazer uma sopa de legumes, mas, uh, não tínhamos legumes, e ele me deixou aqui, dizendo que eu deveria salgar os bolinhos de carne. – Olhou para os dois potes. – Mas, eu.... Faz tanto tempo. – Franziu o cenho. – É tão estranho não.... Lembrar.
Eu sorri gentil, assentindo.
O que aconteceu a seguir foi divertido. Eleanor deu a mim a missão de salgar a carne enquanto Eleanor fazia em uma velocidade incrível as bolas de carne, Edythe, apesar da visível cara de desgosto, cuidava do processo de cozimento delas. Jessamine parecia realmente curiosa, dizia que aquilo lhe causava uma nostalgia desconhecida. Archie previa quando eu iria derrubar alguma panela, ou se Edythe se convencesse a me levar a algum lugar e me sequestrar tendo minha atenção só para si.
Carine chegou algum tempo depois, sorrindo orgulhosa para todos nós, dizendo que estava feliz ao ver o sorriso animado deles de novo.
Earnest chegou com os legumes, cortando-os em segundos e os jogando na panela.
Royal chegou de seu quarto minutos depois, olhando carrancudo para Edythe, que deu de ombros e sorriu de lado.
O loiro, por alguns momentos, ficou encarando-me, mas, sua expressão se suavizou ao ouvir as gargalhadas que Eleanor soltava ao me ver tentar acompanhar Earnest ao cortar os legumes. Ele sorriu para Eleanor, que sorriu de volta com todos os dentes e piscou.
Depois do jantar, todos nós fomos para a sala por pedido de Edythe, que dissera que tinha um presente de aniversário adiantado para dar-me.
Edythe se sentou no banco do piano, me chamando com um sorriso leve nos lábios. Sentei ao seu lado.
A olhei curiosa.
— Fazia algum tempo em que eu não tocava. – Murmurou Edythe, os olhos brilhando alegria. – Não existia motivo para tal. – Suspirou lentamente. – Mas agora, vejo como uma obrigação. – Deu um sorriso pequeno. – Uma obrigação de demonstrar meus sentimentos da melhor forma que eu consegui.
Seus olhos foram para as teclas do piano, suas mãos se posicionaram. Eu observei seu rosto, seus cabelos bagunçados que lhe davam um ar selvagem, os olhos dourados e os lábios finos que eu tanto amava provar.
(https://www.youtube.com/watch?v=WtLsnIFySwg)
A música começou calma, como uma canção de ninar agitada, e então, a música finalmente tomou forma e seus dedos dançaram sobre as teclas suavemente, criando um tom suave, que gradativamente ia se tornando rápido e intenso. A música acalmou novamente, como um cantarolar suave, tirando um sorriso bobo do rosto de Edythe. A música evoluiu em questão de rapidez, e logo depois, tornou-se intensa novamente, e os dedos de Edythe se mexiam em uma sequência, como uma dança firme.
A música terminou e eu suspirei, não notando que minha cabeça estava deitada em seu ombro.
Ela virou sua cabeça para me observar.
— Foi lindo. – Murmurei e Edythe sorriu, orgulhosa.
— Você finalmente notou o quanto eu amo você? – Suas mãos brincaram com os dedos de minhas mãos.
Beijei seu pescoço, em agradecimento.
— Bella? – Chamou-me. – No que está pensando? –
— No quanto você pode ser inacreditavelmente perfeita. – Mordi meus lábios, ficando ereta. – E como sou sortuda demais. –
Sua testa se encostou com a minha e ela soltou o ar.
— Eu não sei.... – Franziu o cenho. – Não sei se vou conseguir manter a promessa de nunca transforma-la. –
Abri os olhos.
— Não acho que conseguiria viver sem você. – Suas mãos foram a minha cintura. – Eu sou egoísta demais. –
Eu sorri e seus lábios acariciaram minha bochecha.
Só então, eu notei que estávamos sozinhas.
— Vamos para o meu quarto. – Me puxou, e em segundos, já estávamos subindo as escadas. –
Chegamos ao seu quarto, e foi impossível não me relembrar de Taylor naquele momento. Foquei meus olhos na estante de livros e eu corei de nervosismo.
Edythe sorriu suave, me empurrando para a cama.
Espera, cama?
— Comprei a algumas semanas, achei mais confortável. – Sorriu, se colocando em cima de mim, as mãos prendendo meus braços acima de minha cabeça.
Seus olhos dourados brilharam, maliciosos e eu mordi meu lábio. Ela se aproximou de mim devagar, a respiração batendo em minha bochecha, eu lambi os lábios e ela sorriu.
Seus lábios acariciaram os meus e eu ronronei, ondulando o corpo. Edythe suspirou, os lábios frios passando por meu pescoço, eu mordi o lábio, apertando suas nádegas com força, enquanto senti sua respiração prender e ela rosnar baixinho em meu ouvido.
Deus, ela era tão sexy.
Suas mãos foram rápidas, e logo depois, seus dedos serpenteavam por minha barriga, indo em direção aos meus seios cobertos pelo sutiã, apertando-os logo depois de uma maneira forte. Eu fechei os olhos com força e ouvi sua risada baixa.
Suspirei forte, sentindo sua boca abocanhar a minha, e logo depois, ela lutando contra o fecho do meu sutiã.
Apertei novamente suas nádegas e ela resmungou, friccionando-se contra minha perna.
— Deus.... – Sussurrou sobre meus lábios e eu gemi baixinho por seus movimentos lentos contra minha perna.
Minhas mãos foram ao seus cabelos, e eu suspirei sobre a textura gostosa entre meus dedos.
Edythe acariciou meus seios agora descobertos por debaixo da minha camisa, parecia um tanto hesitante.
Eu somente a beijei em consentimento e ela gemeu em antecipação, brincando com o bico dos meus seios entre seus dedos. Eu resmunguei e seu quadril rebolou mais forte contra o meu. Joguei minha cabeça para atrás, me contorcendo.
— Eu amo você. – Eu sussurrei e vi um sorriso apaixonado contorcer seus lábios, amplificando a sua beleza já tão perfeita.
Aos poucos, seus beijos foram ficando mais calmos, e meu sutiã colocado no lugar.
Eu abracei seu corpo e ela escondeu seu rosto em meu pescoço.
— É possível alguém morrer de felicidade? – Ela sussurrou, e eu a apertei mais em meus braços. – Por que eu sou capaz de morrer nesse instante.
Eu fiquei silenciosa, absorvendo as palavras de Edythe como um bálsamo para minha inquietação.
Não tinha do por que duvidar dela, sabia que, se possível, ela daria a vida por mim.
Seus olhos se fixaram-se nos meus e eu desviei-os
Edythe franziu o cenho e sua mão foi ao meu rosto.
— Você está estranha. – Afirmou, o rosto se aproximando. – Aconteceu algo? –
E, por mais que eu repetisse aquilo como uma mantra, eu precisava saber, precisava ver com meus próprios olhos. Taylor, apesar de tudo, também não tinha motivos para mentir para mim. Teria?
— Não, na verdade, eu estou com um pouco de sede, você.... Você poderia pegar um copo d’agua? – Acariciei seu rosto.
Ela franziu o cenho e logo depois sorriu.
— Claro, mais alguma coisa? –
Ela era uma vampira, rápida demais, eu precisava de algo para atrasa-la enquanto eu procurava a carta.
— Eu estou com um pouco de dor na cintura. – Murmurei e vi seus olhos irem preocupados para meu quadril. Me senti culpada. – E eu esqueci de trazer meus analgésicos....
Ela suspirou e com um sorriso amoroso e um beijo na testa ela se foi.
Eu respirei fundo e olhei ao redor. Fixando meus olhos na estante de livros no final do quarto.
Foco Bella, procure a carta o mais rápido possível!
Fucei os vários livros, abrindo todos, folheando da forma mais rápida que conseguia.
Então, um mais ao canto me chamou atenção. Era de tamanho médio, feito de couro desgastado. Peguei-o com todo cuidado, e, por pura curiosidade, li a primeira página.
Yakutsk – Rússia 1920.
Tudo é tão confuso, mas, em parte, maravilhoso. Carine disse que o começo é a melhor parte de ser quem somos, e eu realmente espero que isso dure....
Aquilo era um diário? De Edythe?
Folheei mais algumas páginas, e logo depois, e um envelope flutuou para o chão. A peguei de forma rápida e avaliei o formato de “V” na cera vermelha derretida. Tirei a folha de dentro do envelope.
Seria considerável ajuda-la nessa busca a Victor, mas, a ideia de uma convocação pareceria tentadora e impossível de ignorar. Apesar disso, tenho certeza que essa ideia não lhe agrada, mas, ficaremos imensamente felizes se aceitasse esses anos como, novamente, uma “prestadora de serviços”. Bom, em parte, lamento dizer, mas, no quesito de chamar atenção, você e seu clã falharam miseravelmente, não apontando a culpa diretamente a vocês, de fato, recém criados são um risco. E como sei que sua família não se contenta com a ideia de mudar-se de cidade, você seria bem vinda para se “desculpar-se” do acontecimento anterior, visitando-nos aqui em Volterra, ao mesmo tempo em que podemos ajuda-la com o empecilho chamado Victor. Estaremos esperando sua resposta.
— Volturi Athenodora.
Senti meu estômago embrulhar, e, por mais que eu me recusasse, eu peguei a outra carta, provavelmente a resposta que ela enviaria futuramente.
Agradeço a futura ajuda, e, se terei que ir a Volterra para continuar no anonimato e segurança, acho que a ideia não soa tão desagradável como nas outras vezes, mas, temo dizer que Victor talvez não seja nosso único empecilho, vários recém criados se mostraram a humanos, e receio que a notícia de que um assassino chupador de sangue esteja à solta por Seattle possa se espalhar para outras cidades, e, como não queremos alardes, ficaria aliviada se Hilary fosse convocada para apagar a memória das pessoas, eu mesma cometi um erro com uma humana, e você sabe que não é do nosso feitio matar algo que não seja animal. Estarei em Volterra em breve, mas não ficarei por muito tempo, espero que entenda.
— Cullen, Edythe.
Ofeguei.
“Eu mesma cometi um erro com uma humana” Essa era a frase em que eu lia várias vezes, tentando entender.
Minha respiração começou a acelerar, e novamente, eu li as duas cartas, tentando assimilar, tentando me convencer de que estava lendo errado.
Mesmo de costas, ouvi a movimentação de Edythe. Eu me virei e vi seus olhos dourados que eu tanto amava me olhando preocupados. Doeu.
— Bella, o que você.... – Seus olhos foram para minha mão e eu deixei o diário, junto com as cartas em cima da cama e a olhei, sentindo a raiva borbulhando em meu peito.
— Você ia apagar a minha memória? – Rosnei, me levantado. Ela se aproximou. – Você... Você me acha um erro? – Minha voz saíra trêmula nessa frase, fechei os olhos com força.
— Eu posso explicar. – Começou. – Mas, para isso, eu preciso de você calma.
Eu observei seu rosto impassível e calmo e senti uma lágrima cair de meu olho esquerdo.
— Taylor estava certa, você me faria sofrer. – Minha voz saiu fraca e vi seu rosto vacilar.
— Então.... Foi ela? – Soltou um rosnado, seus olhos ficando selvagem. – Ela não tinha esse direito. –
— Era você que não tinha esse direito! – Gritei, sem conseguir aguentar. – Você.... Você iria me fazer esquecer, e iria embora. – Sentei na cama. – Quem é você? — Tampei meu rosto com as mãos.
Edythe tentou se aproximar, mas, seu toque frio não parecia como a de minutos atrás.
— Me perdoe.... – Sussurrou, a expressão completamente derrotada.
Eu não olhei para seu rosto.
— Taylor.... – Sussurrou novamente. – Ela vai pagar por isso. -
Ela sumiu em um vulto, me deixando sozinha.
Fiquei alguns segundos no quarto, tentando absorver tudo aquilo, tentando.... Me construir novamente. Mas, mesmo que eu quisesse simplesmente me trancar em um quarto e nunca mais sair eu precisava fazer algo a respeito.
Sai do quarto de Edythe com passos rápidos, descendo as escadas sobre tropeços.
— Eleanor. – Chamei com a voz fraca e, logo depois, a vampira enorme apareceu na sala com um ar preocupada. – Me leve até Edythe. –
Ela estava atrás de Taylor, e eu não deixaria as duas brigarem por um erro, por mim.
Eleanor suspirou e assentiu, estendendo a mão para mim, me pegando no colo com facilidade e correndo sobre a floresta.
— Edythe é mais rápida. – Consegui ouvir sua voz distorcida. – Chegaremos tarde. –
Eu solucei, abraçando seu ombro, Eleanor acariciou minha cintura, como uma acalento.
— Minha humana favorita. – Sussurrou, com um ar brincalhão, me deixando somente por alguns segundos melhor.
Demorou alguns minutos para chegarmos onde elas estavam. Eleanor por algumas vezes errava o caminho graças a chuva que caía sobre nossas cabeças, que dissipava o cheiro. E, a cada vez que ouvia seu rosnado irritado, sentia meu peito se encher de angústia. O que Edythe estaria fazendo?
Quando finalmente chegamos saltei de seu colo ao conseguir ver os cabelos acobreados de Edythe.
— Tome cuidado. – Murmurou Eleanor, olhando temerosa para Edythe, que, para a minha total surpresa, tinha o pescoço de Taylor nas mãos.
Eu ofeguei, sentindo minhas mãos tremerem e minhas pernas vacilarem.
Edythe virou sua cabeça em minha direção, os olhos ainda mergulhados em profundo ódio, os dentes a mostra e o corpo tenso.
Seu olhar se suavizou aos poucos.
— Bella. – A voz soou doce e preocupada. – O que está fazendo aqui? –
— Tentando impedir você de machucar Taylor. – Olhei preocupada para a vampira que ainda se debatia. Era possível ver que Edythe não era forte o suficiente, mas, seus dedos apertavam de uma forma estratégica seu pescoço, lhe causando uma dor profunda.
— Ela tentou nos prejudicar. – A dor que resplandecia em seus olhos fazia a minha aumentar.
— Você nos prejudicou Edythe. – A olhei magoada. – Ela não tem nada a ver com isso. –
Edythe me observou por alguns segundos, como se estivesse tendo uma luta interna dentro de si.
Para meu alívio, ela deixou Taylor cair no chão. E antes que eu percebesse, seus braços já me circulavam.
— Você precisa me ouvir. – Sussurrou, os olhos pedintes. – Aquilo.... Era para seu bem. –
Abaixei meus olhos, desacreditada.
— Mentiras. – Cuspiu Taylor. – Desde o começo, você mentiu para ela. – Se levantou.
Edythe se virou.
— Você não tinha esse direito. – Edythe rosnou, os olhos dourados se tornando negros. A face ficando sombria.
— Você não é o suficiente para ela, nunca foi. – Taylor mostrou os dentes.
Edythe sorriu, debochada.
— E você, por acaso é? –
— Eu posso entende-la. – Seus olhos foram aos meus carinhosos. – Você não sabe mais o que é ser um humano, você não se lembra. – Eles voltaram a Edythe. – No final, você é só um monstro egoísta, que quer sentir alguma coisa, quer que alguém ame você, mas, você sabe que isso nunca vai acontecer. –
Dor passou nos olhos de Edythe.
— Você não sabe quem eu sou, não sabe pelo o que eu passei. –
— Eu não me importo. – Taylor rosnou alto. – Eu só me importo com ela, Bella merece alguém melhor. – Seu corpo se curvou em posição de ataque.
— Edythe, não faça isso. – Sussurrei, um tanto desesperada, as minhas mãos entrelaçadas fortemente com as dela. – Você não é obrigada a provar nada.
Ela se virou, e com um sorriso reconfortante se aproximou de mim.
— Eu preciso provar.... Por você. – Então, deu meia volta.
Edythe ficou frente a frente a Taylor.
— Você não é a primeira, nem a única que eu vou matar. – Seus olhos estavam perdidos. – Fuja…- Sussurrou.
Mas, Taylor não fugiu, e, como um vulto, Edythe se moveu entre as árvores.
Duas mãos fortes agarraram minha cintura.
— Bella, vamos, você precisa sair daqui. – Eleanor sussurrou em meu ouvido.
— Eu.... Eu preciso saber se ela vai ficar bem.... – Minha voz saíra trêmula.
— Eu sinto muito Bella. – A vampira murmurou em meu ouvido.
A última coisa que vi, antes de Eleanor me levar para longe, foi o olhar escuro, vazio e determinado de minha namorada.
***
Quando cheguei novamente a casa dos Cullens eu estava ensopada, tremendo sobre os braços frios de Eleanor.
— Você... Poderia me levar até La Push? – Perguntei para Eleanor, que fez uma leve careta.
— Claro, uh. – Suspirou. – Mas, talvez seja melhor você se secar....
— Eleanor, por favor. – Pedi novamente e vi seus ombros caírem, derrotados.
Eu precisava ver Julie, ela era a única que me confortaria, a única na qual confiava naquele momento.
Eleanor conversou com Carine, que somente me olhou tristemente e assentiu. Royal tinha uma expressão impassível, Jessamine tentava ao máximo me acalmar, mas, nada parecia fazer a raiva e a mágoa sumir.
Archie murmurou algo para Eleanor, que olhou para mim por alguns segundos e assentiu.
— Vamos? –
Assenti, sem dizer mais nada, entramos dentro do volvo de Edythe.
Ficamos o caminho todo em silêncio, não por opção, mas, simplesmente por não termos fala pelo o que acabara de acontecer. Eleanor não parecia preocupada e sim muito confusa e pensativa.
Ela parou o carro a alguns quilômetros de La Push e olhou indecisa para a chuva que agora caía torrencialmente.
— Você tem certeza? – Perguntou-me, eu somente assenti, abrindo a porta, mas, antes que a fechasse, Eleanor olhou-me culpada.
— Bella? – Mordeu o lábio. – Eu sinto muito. –
Eu somente neguei com a cabeça e fechei a porta do carro com força, correndo por entre a chuva.
As luzes dos postes eram precários, e mesmo que eu me esforçasse para ver, era quase impossível ver além de meus pés na estrada.
Andei rápido. Rápido até demais.
Tropecei sobre meus próprios pés, caindo sobre o chão molhado. Eu solucei e me encolhi sob a chuva, sentindo as gotas frias acariciarem meu rosto, como a carícia dos dedos de Edythe.
Doía.
Eu queria odiá-la. Mas, parecia tão impossível...
Respirei fundo e me levantei, determinada em chegar logo na casa de Julie.
Depois de alguns bons minutos caminhando sobre a chuva, me vi na frente da casa de Jules, hesitante entre tocar ou não a porta.
Vamos Bella, você não chegou até ai por nada!
Respirei fundo e bati três vezes na madeira maciça.
Ouvi alguns resmungos e passos pesados no chão.
A porta se abriu em um rompante, revelando uma Jules alta – maior do que da última vez – olhos sonolentos e cabelos arrumados desajeitadamente em um rabo de cavalo.
— Bella? Cara, você está ensopada! – Olhou para mim surpresa, com um leve sorriso nos lábios.
Senti meu rosto se contorcer e logo depois, as lágrimas começaram a cair, me lancei sobre seu corpo, enquanto os soluços escapavam dos meus lábios.
Ela não disse nada, somente fechou a porta e me levou até o andar de cima, e com rapidez, tirou minhas roupas, me colocando sobre a água quente do chuveiro.
Corei sobre seu olhar preocupado.
— Relaxe. – Murmurou, enquanto eu tentava controlar a minha crise de choro.
— Obrigada. – Sussurrei, coçando os olhos infantilmente.
Ela somente suspirou, observando os vários pontos roxos de meu corpo.
— Eu vou preparar algo para você. – Disse, e logo depois saiu, me deixando sozinha.
Ela não tirara minhas roupas íntimas, talvez tentando me deixar confortável e a agradeci por isso.
Fiquei por longos minutos lá, querendo aproveitar ao máximo a água quente.
Quando meus dedos já estavam enrugados e meu corpo relaxado o suficiente, sai do banheiro, me secando rapidamente e colocando o pijama três vezes maior que eu, que Jules tinha colocado em cima da pia.
Respirei fundo e sai do banheiro, sentindo o inconfundível cheiro de chocolate quente.
Desci as escadas com passos lentos e curtos, indo em direção a cozinha.
Observei Jules cantarolar enquanto mexia na caneca enorme de líquido quente. Ela estava diferente da última vez que a vi, não tinha um olhar sério, e, mesmo que a sombra de preocupação fosse visível, ela continuava feliz.
Eu suspirei e ela se virou.
— Ei Bells. – Seu sorriso se aumentou e eu encolhi os ombros. – Fiz chocolate quente. – Mordeu a língua, sorrindo.
Me aproximei, silenciosa.
— Seria.... Seria desconfortável perguntar o que aconteceu? – Murmurou, hesitante. Eu assenti, me encolhendo, enquanto lágrimas começaram a inundar meus olhos.
Ela chiou, me abraçando fortemente.
Ela era quente, confortável, intensa e calorosa. Eu suspirei e senti seus dedos acariciarem minha cintura.
— Vai ficar tudo bem. – Murmurou, a voz acolhedora. – Vai passar. –
Eu não acreditava naquilo.
Ao ver meu silêncio, ela me afastou, somente o suficiente para meus olhos se encontrarem com aquele mar negro.
— Eu vou estar aqui Bella, sempre. – Pendeu a cabeça para o lado e sorriu. – Eu vou ajudar essa dor sumir.
Eu sorri, verdadeiramente naquela vez.
Ela me puxou para a sala, me fazendo sentar no grande sofá.
— Onde está Bonnie? –
— Está na casa de Holly, sabe, assuntos de mulheres mais velhas. – Revirou os olhos, entediada.
Eu assenti e ela se jogou no sofá, colocando seu braço ao redor do meu ombro.
— Vamos assistir o que? – Perguntou e eu dei de ombros, bebericando meu chocolate quente. Ela franziu o nariz, e um flash apareceu em minha mente.
Os profundos olhos negros de Jules pareciam tanto com....
Balancei a cabeça, tentando dispersar esse pensamento.
— Charlie sabe que você está aqui? –
Fiz uma careta e vi um sorriso travesso cruzar seus lábios.
— Isabella Swan está em sua fase rebelde? — Eu franzi o cenho. – Certo, você poderia ter me avisado talvez...
— Se eu quisesse fugir de casa, talvez eu não viesse para o lugar mais óbvio possível. – Levantei minha sobrancelha e ela fez uma careta.
— Certo, você continua a mesma chata de sempre. – Fingiu um olhar decepcionado e eu bati em seu ombro, ela estalou a língua.
Respirei fundo. Aquilo tudo parecia um tanto surreal. Em um momento, eu e Edythe estávamos felizes, e no outro....
Espirrei.
— Parece que alguém pegou um resfriado. – Jules se levantou. – Vou ir lá pegar uma aspirina. –
Eu observei Jules subir as escadas e fechei os olhos com força, desejando que tudo naquele momento passasse de um sonho, um pesadelo.
Por que, naquele momento, eu não conseguia me imaginar perdoando Edtyhe.
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