Os flocos de neve geralmente não me faziam sentir mal, mas depois de tudo o que aconteceu, até mesmo eles feriam minha pele.

Watari era o homem velho que cuidava das finanças da minha família, acho. Watari sempre conversava muito com meus pais, as vezes sobre negócios e outras vezes apenas sobre dicas de como criar uma garota mimada como eu. Uma vez, meu pai me falou que Watari tinha uma filha também, mas parece que foi assassinada. Eu gostava dele, mas foi por sua culpa, que minha vida mudou drasticamente.

Eu tinha cerca de 12 anos, quando Watari disse que ia me levar para uma escola, não uma escola comum. Porém, a escola ficava muito longe de onde moro, e como tinha muitas amigas, me recusei imediatamente. Meus pais sempre me apoiavam, mas naquele dia, eles não fizeram isso. Enquanto eu gritava e choramingava para que Watari não me levasse, eles olhavam para mim, com olhos mortos, nunca me esquecerei daquele olhar estampado no rosto deles, um calafrio correu pelo meu corpo. Mal sabia eu que era a ultima vez que eu os via.

Quando entrei no carro preto, parei de chorar. Watari tentava falar comigo, mas eu não respondi uma só vez. Tentei teorizar o que tinha acontecido, mas não havia explicação alguma.

-Por favor, não faça essa cara Ayumi... — Ele tentou sorrir, mas nada me afetou. – Você é uma garota especial e sabe disso, seus pais só querem seu melhor.-

Watari se voltou para o volante, eu me encostei-me à porta do carro e fiquei vendo as ruas passarem por entre a neve.

Depois de vários bairros e ruas estranhas, o carro preto finalmente parou. O local mais parecia um orfanato, cheguei a pensar que meus pais haviam me largado. O som que ecoava era de um sino, como os de uma igreja, a neve estava mais densa, tive que encolher em minhas roupas e esconder meu rosto no lenço. Watari pegou na minha mão enquanto tocava a campainha.

-Não se preocupe. Você os verá novamente, por enquanto só deve saber que tudo o que estamos fazendo é para seu bem.-

Não respondi. Eu estava realmente chocada, é certo que há alguma coisa por trás disso. Para uma escola, ela estava completamente vazia, não tinha criança alguma no lado de fora. De repente um outro homem velho saiu do casarão.

-A senhorita Matsumoto finalmente chegou. –Falou ele. Estranho, parece que eu estava sendo esperada, então, Watari e meus pais devem ter tramado isso a muito tempo. O outro homem velho abriu a porta de grades, e juntos, eu e Watari entramos.

-Bem vinda a Wammy’s House!- disse Watari, empolgado.

-Quillsh, talvez seja mais promissor, deixar a senhorita Matsumoto não estudar hoje, afinal ela mal chegou, creio que ela deve conhecer o lugar.- disse o velho. Mais estranho ainda, o velho chamou Watari de Quillsh. Esse era o nome dele, Quillsh Watari?

-Talvez, mas infelizmente eu não posso ficar, logo logo terei que sair.- disse

-Entendo... então tudo bem, acho que posso mostrar o orfanato a ela.-

Orfanato. Tinha medo que dissesse essa palavra, mas agora terei que me conformar, sou órfã. Watari com certeza ia ver meus pais. O velho homem estendeu a mão para que me levasse para dentro daquele lugar, eu a segurei, apenas por pena. Watari virou as costas e nem sequer deu um “adeus”. O velho homem olhou para mim esperançoso.

-Você ficará bem, Ayumi Matsumoto. — ele sorriu.

O velho pegou as chaves e abriu as portas do orfanato. O frio passou. O lugar era enorme, havia crianças por toda parte, brincando em qualquer canto do local, havia também vários quartos e salas.

-Antes de lhe apresentar a Wammy’s House, quero lhe fazer umas perguntas.- falou o velho.

-Pergunte.- finalmente falei.

-Só observando o local, você consegue imaginar que tipo de orfanato é esse? Consegue perceber as crianças? São iguais ou são diferentes?-

-Bom, quanto ao local, creio que seja um orfanato particular, bem bancado e com uma diversidade de ensinamentos, mais me parece uma escola, quanto as crianças, infelizmente não posso tirar nada delas, são seres animados, não posso saber o que são sem conhecê-las.-

-Incrível você realmente é muito inteligente, mas deve prestar bem atenção ao que disse. Você deve conhecê-las, deve brincar com elas, se divertir, não se isole, você não conseguirá nada sozinha.-

-Eu não estava sozinha antes de vir para cá. — olhei para ele zangada.

-Assim como você, todas essas crianças são especiais. -

-Especiais do tipo que são abandonadas por seus pais?- ele riu no momento que disse isso.

-Vamos Ayumi, assim você me mata de rir. -

O velho me mostrou as salas de aula, os quartos das crianças, o escritório dele e respondeu todas as minhas perguntas, mesmo que a maioria fosse perguntas sobre localização de banheiros. Ele também me mostrou a ala para crianças mais jovens, era um “miniparque de diversão”, mas eu sentia que havia alguma coisa incomodando, pois quando passamos pela ala das crianças mais jovens, o velho pareceu atordoado.

-O que houve?- perguntei a ele.

-Nada de mais Ayumi.- ele respondeu, mas não pareceu muito seguro pelo que disse.- Vamos lá para cima, é lá onde você ficará.-

Subimos a escadaria e enfim chegamos ao andar de cima, era apenas um corredor pequeno com algumas portas, seis para ser mais exata, porém, cinco quartos estavam abertos e pareciam desocupados, o velho me levou ao quarto a esquerda do único quarto que estava fechado, ele abriu a porta do meu quarto.

-Este será seu quarto a partir de agora Ayumi, cuide bem dele. — disse ele.

O quartinho era até bonito, com uma cama que parecia confortável, muitos quadros interessantes, um armário grande, uma escrivaninha com lâmpada e tudo e um tapete cor de rosa, suponho que eles devem ter pensado: ela é uma menina, deve adorar esse tapete rosa, errado. Acho que Watari deve ter preparado meu quarto, ele é o único que sabe meus gostos artísticos pela pintura. O velho então disse:

-Preciso que se acomode com ele Ayumi, tenho que preencher diversas papeladas agora, mas precisa de mais alguma coisa?-

-Eu tenho apenas mais uma pergunta.- respondi

-Qual seria?-

-Isto é um orfanato, mas... — pensei bem, mas perguntei mesmo assim.-Porque eu estou em um orfanato se meus pais ainda estão vivos?- O velho parou de sorrir, ele me encarou seriamente.

-Não passa pela sua cabeçinha inteligente que eles podem ter de deixado para trás?-

-Isso é impossível, nenhum dos dois seria capaz de me abandonar, eu os conheço sabia, conheço-os mais que você.-

-Nada neste mundo é tão impossível quanto pensa, agora descanse, senhorita Matsumoto.- ele com certeza me escondia muito mais do que possa pensar.

O velho foi embora, eu estava sozinha naquele corredor pequeno, em frente ao meu novo quarto, minha nova vida, mas a partir daí, me decidi que meu objetivo principal agora era desvendar toda essa historia. Antes que eu pudesse entrar no meu quarto, uma voz saiu de dentro do quarto vizinho, o que estava fechado:

-Ayumi Matsumoto... — a voz parecia de um fantasma.

-QUEM ESTÁ AÍ?!- gritei assustada.

-Você...- ele parou por um instante, parecia estar comendo alguma coisa.-Você devia ter mais cuidado, mais cuidado com seu nome.-

-Do que está falando?- parei de prestar atenção naquela voz, fechei a porta do meu quarto, deitei na cama rapidamente, tentei dormir.

Não consegui ficar muito tempo dormindo, muitas coisas giravam em minha cabeça, eram peças de um quebra cabeça difícil de resolver. Levantei apressada, abri o guarda roupa e vi que todas as roupas lá, eram novas, como se tivessem sido compradas recentemente, coloquei uma roupa cinza de mangas compridas e peguei um dos cachecóis que estavam lá. Saí do meu quarto, e antes de descer, percebi que a porta do quarto ao lado estava aberta, logo, seu dono havia saído, estava em aula talvez, desci as escadas.

Realmente, todas as salas de aula estavam ocupadas com muitas crianças sentadas, esquisito era o fato de em todas as salas, sem exclusão, as crianças prestavam bastante atenção, o normal seria uma sala com pelo menos um ou duas crianças bagunceiras, mas todas elas prestavam atenção nas aulas, sem fazer nenhum barulho, com isso, o andar de baixo ficou bastante silencioso. Pensei em falar com o velho novamente, mas a porta de seu escritório estava fechada e eu não queria incomoda-lo. Bom, eu não tinha nada pra fazer e com certeza não ia a aula hoje, aproveitei o tempo disponível, e fui começar a coletar coisas que me ajudassem a resolver meu problema. Estou em um lugar totalmente novo, é muito pouco provável que não encontre nada que vá me ajudar com o caso da minha família, porém, se eu descobrir mais sobre o velho, então acho que tenho chance de saber o que Watari está aprontando comigo, o único local que pareceu ter alguma ligação com o velho, foi... a ala para crianças mais jovens.

Corri para lá, o som das crianças começou a ficar mais forte. Cheguei ao lugar, havia crianças por toda parte, brincando em todos os brinquedos dali, me perguntei: onde diabos vou encontrar alguma coisa que me ajude aqui?! Vasculhei todo parque, mas realmente não tinha nada que me ajudasse, nem uma pista, mas de fato, tinha alguma coisa aqui que estava incomodando o velho. O barulho alto das crianças só atrapalhava, tentei lembrar de algo que ele deixou escapar mas tudo parecia normal, então me veio a cabeça, a primeira pergunta que o velho fez pra mim antes de me apresentar a Wammy’s House: “...você consegue imaginar que tipo de orfanato é esse? Consegue perceber as crianças? São iguais ou são diferentes?” As crianças, elas eram a resposta, “iguais” e “diferentes”, devo perceber a diferença aqui.

Olhei ao redor, todas as crianças brincavam, todas riam, todas se divertiam, todas eram iguais, é impossível, tem que ter uma diferente, olhei cuidadosamente de novo, prestei atenção aos mínimos detalhes. Quando quase perdi as esperanças, encontrei enfim uma coisa estranha, uma pessoa estranha, ela não brincava, não ria, não se divertia e principalmente, parecia diferente. Isolada de todas as outras, essa criança parecia ter uns 4 ou 5 anos talvez, mas ainda assim, ela era muito estranha.

Começando por seu cabelo, era totalmente branco como a neve do lado de fora do orfanato, seus olhos estavam fixados ao cubo mágico em sua mão, parece estranho, mas a criança resolvia aquele cubo, sua camisa era branca e ela usava uma calça azul escuro. O menino de cabelo branco se sentava totalmente encolhido, como um casulo de borboleta, mas a pergunta que não quer calar é: será que era por causa desse menino de cabelo branco que o velho ficou tão estranho ao passar por aqui? Se sim, por quê? Antes que eu pudesse falar alguma coisa, o menino de cabelo branco olhou para mim, seus olhos eram cinzentos, e com certeza, por de trás daquele rosto de criança, se escondia uma mente brilhante.

-Oi, eu sou Ayumi. — tentei ser carinhosa, mas o menino apenas voltou a atenção pro cubo mágico, me ignorando por completo. Recebi uma cutucada em minhas costas.

Quando olhei para trás, duas outras crianças me olhavam com cara feia, um era loiro e o outro ruivo.

-Você está incomodando ele.- disse o loiro.

-Mas eu nem falei direito com ele!- disse em minha defesa.

-Nem precisa! SAIA DAQUI AGORA SE NÃO EU AVISO AO RUVIE QUE VOCÊ NÃO ESTÁ NA AULA!- disse o loiro todo escandaloso.

Quando percebi, todas as crianças estavam olhando pra mim, com olhares tenebrosos. Sem querer causar confusão, eu sai daquele lugar. Mas ainda precisava saber mais sobre aquele menino estranho, antes de ir embora olhei mais uma vez para o menino de cabelo branco, o cubo mágico estava completo e o menino olhava pra mim, era um olhar triste e ainda assim orgulhoso.

Entediada, eu fui a biblioteca a procura de algo pra fazer. Não era um lugar grande e a maioria dos livros eram disciplinares, também não tinha ninguém observando o local, ou seja, os livros podiam ser facilmente roubados, uma estranha sensação correu pelo meu corpo, como se eu estivesse sendo espiada, mas não me preocupei muito. Procurei o mais ficcional possível, e encontrei um chamado “A Chave Para o Céu Estrelado”, era um pouco grande e a sinopse era boa, peguei o livro e saí da Wammy’s House. Estava infestado de neve, mas encontrei um bom lugar debaixo de uma arvore para ler o livro.

O livro conta a história de uma menina em busca de sua felicidade, disseram a essa garotinha que ela seria feliz se conseguisse reunir seis chaves especiais, então ela resolve sair para procura-las com a primeira pista que dizia “A primeira chave sai em uma viagem”. A menina peregrina para encontrar as cinco chaves restantes. E ela as encontra em vários lugares, as chaves que lhe daria direito a felicidade. No final, ela chega em uma igreja e encontra a sexta chave lá. No entanto, sua busca causou apenas infelicidade as pessoas ao seu redor.

Quando estava já terminando o livro, meu corpo estava totalmente congelado, eu estava com muito frio. Uma sombra humana se posicionou a minha frente, antes de olhar para cima eu imaginei que era Watari, mas a pessoa a minha frente era menor, parecia uma criança. Olhei para cima, a minha frente estava o menino de cabelo preto, ele usava um cachecol e um monte de roupas de frio, suas mãos seguravam um copo que pela fumaça, talvez seja café ou achocolatado. Seus olhos eram totalmente negros, mas não havia vida naquele olhar, ele parecia um zumbi com 15 anos.

-Este livro, é interessante, mas realmente falando, não há sentido em sua história. -

-Ou talvez, você que não entenda ele.-

-Talvez sim, talvez não, só depende de seu ponto de vista.- o menino de cabelo preto sentou ao meu lado, se escorando na arvore fria. Então, eu reconheci sua voz.-

-Espera... Você é o garoto que falou comigo através da porta!-

-E você deve ser Ayumi Matsumoto, certo?- ele respondeu sorrindo, de perto, percebo que ele é bem pálido.

-Posso saber por que você me assustou daquela maneira?!- perguntei com raiva.

-Eu só queria alerta-la, me desculpe se a assustei... — ele bebeu.-Você devia estar tomando chocolate quente agora Ayumi, neste frio, você é mais propicia a adoecer.-

-Não me importo com isso!-

-Mas devia, se estiver doente, não poderá pensar direito, e se não pensar direito, você não descobrirá nada.-ele disse confiante, como se soubesse de algo. Eu já estava com raiva e quando aquele menino de cabelo preto disse aquilo, não pude me conter. Agarrei ele pelo cachecol e me preparei para lhe dar um soco.

-Como você sabe disso?! Se tiver alguma coisa a dizer, diga logo!- o ameacei.

-Calma Ayumi, eu só quero ajudar você, acha que é a única que quer saber por que está aqui?-

-Como você descobriu isso?- eu o soltei, ele se ajeitou e voltou a beber o chocolate quente.

-É simples, a forma com que você perguntou a Roger Ruvie sobre seus pais já deixava bem claro que queria saber sua presença na Wammy’s House, mas tenho uma dica, não tente encontrar respostas para Roger com o garotinho de cabelo branco que você viu na ala das crianças menores, Near não lhe dirá nada.- Então do menino de cabelo branco é Near. Mas qual era o do menino de cabelo preto? Mas antes...

-Você está me espionando?! Está louco garoto?!- serrei meus punhos novamente, ele terminou de beber o chocolate quente, colocou a xícara na neve e levantou as mãos, como se estivesse sendo assaltado.

-Como eu já disse, eu só quero ajuda-la a achar suas respostas, que também são minhas.- disse ele calmamente.

-Mas, porque está me ajudando? Eu não lhe devo nada.-

-Bom, por enquanto você é a única pessoa que pode me ajudar, já que é bem próxima de Watari assim como eu.-

-Porque devo confiar em você?- ele parou para pensar.

-Faremos o seguinte, eu conto uma coisa que você não sabe e você conta uma coisa que eu não sei, é claro que se um de nos saber sobre o que o outro está falando, então não podemos confiar nesta pessoa, mas se os dois não souberem do que um ou outro está falando então a confiança é recíproca.- eu pensei um pouco, mas concordei com a ideia.

-Muito bem.- eu sentei ao lado dele.-Você primeiro.

-Você não deve confiar nos gerentes desse lugar, Watari e Roger podem ter feito você confiar neles mas nenhum dos dois é confiável.- ele disse seguramente. Porém, eu sabia disso. Então, não poderíamos trabalhar juntos, mas algo dentro de mim me fez dizer:

-Certo...- eu menti pra ele, talvez pra que ele me ajudasse a desvendar tudo isso. Agora tenho que dizer uma coisa que ele não sabe, mas devo ter cuidado com o que digo, ele parece estar aqui por muito tempo, ele sabe de muitas coisas, mas o jeito com que ele disse Watari, talvez ele não soubesse seu nome verdadeiro, então arrisquei.

-O nome verdadeiro de Watari é Quillsh Wammy.–ele pensou um pouco mais concordou.

-Certo.-ele olhou pra mim confiante.-Vamos á segunda rodada!- SEGUNDA RODADA?! Droga agora eu to ferrada. Eu não mais de nada relevante.

-Mas espere...-

-Primeiro eu: A Wammy’s House não é um orfanato comum, todas as crianças daqui são superdotadas, ou seja, aqui é um lugar onde Watari, ou melhor dizendo, Quillsh treina crianças muito inteligentes para se tornarem detetives no futuro, aqui é como uma escola da Justiça.- ele olhou pra mim. –Sua vez!- ele sorriu. Droga, minha única escapatória é uma mentira, mas deve ser uma mentira bem pensada, para que ele não desconfie.

-Meus pais financiaram este lugar, logo, eu também tenho direito sobre ele.- em parte eu apenas teorizei isso pelo fato de Watari tomar conta das financias dos Matsumoto, mas faria um pouco de sentido mesmo meus pais financiarem a Wammy’s House.

-Sério?! Incrível!- ele pareceu bem surpreso. –Então, acho que agora nos devemos trabalhar juntos não é?-

-Acho que sim.- respondi.

De fato eu não sabia o quanto aquele menino de cabelo preto era inteligente, eu não tinha ideia do tanto de coisas que faríamos juntos, não tinha ideia que iria sentir sua falta.

O menino se levantou e estendeu a mão para mim, eu segurei em sua mão e juntos, caminhamos pela neve rumo a cantina para saborear um delicioso chocolate quente.

-Espere! Ainda preciso saber de mais uma coisa...-

-Pode perguntar.- disse ele sorridente.

-Eu...- pensei um pouco se realmente perguntaria aquilo depois do que ele me disse, mas eu não devia chama-lo de menino de cabelo preto pra sempre não é?-Eu preciso saber: Qual seu nome?-

Ele olhou para baixo, achei que ele não ia me dizer mas então ele falou.

-Normalmente eu não revelaria nada sobre mim, mas...- ele pareceu estar pensando em algum nome falso.-Você pode me chamar de L.

A partir deste momento, percebi que as vezes, uma pessoa não pode montar um quebra-cabeça sem outra. Os sinos tocaram mais alto, eu acordei. Estava em uma maca, em um hospital, Armonia me olhava com desdém, quando me viu acordada, ele sorriu.

-Você escapou por pouco humana, quase morreu.-

-Não seria divertido se eu tivesse morrido Armonia, não seria divertido pra ninguém...-

Notas finais
Nome do Próximo Capítulo: Melhor e Pior
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.