Life With Bitchfriends

1 Capítulo 1 - Acordando cedo


Notas iniciais
Ooi, eu sou a Bibs e eu vou escrever essa fic sobre mim e minhas amigas. Se estão lendo: espero que gostem =)

Capítulo 1 — Acordando cedo


Acordei com um peso em cima de mim e com certeza meu humor não melhorou ao ver as conhecidas mechas vermelhas.


– FERNANDA SUA CACHORRA, SAI DE CIMA DE MIM.


Ela ri e rolou para o lado, já que era uma cama de casal. Ela já estava vestida e sorria, me estendendo uma bala de hortelã.


– Tira o mau hálito – ela explicou, enquanto eu aceitava. Eu ri e logo um zumbi passou pela porta.


– Por que raios vocês estão gritando?


Eu e a Fer nos entreolhamos e caímos na risada. Nina estava com os olhos fechados, o bicho de pelúcia numa mão e o travesseiro na outra, e ainda de pijama. O travesseiro ela jogou na gente.


– Vadias – ela murmurou. Eu ri e fui até ela.


– Desculpa princesa – eu disse, usando o apelido que dei a ela sete anos atrás – A cachorra da Fernanda se jogou em cima de mim me acordando.


Eu disse, mandando um olhar cortante pra Fernanda. Ela riu.


– Hoje é sábado – Nina comentou, de mau humor. A Fer riu.


– Eu ia chamar a Bibs pra ir comprar comida comigo.


Ao ouvir a explicação, Nina pegou o travesseiro jogou-o no chão e dormiu ali mesmo. Eu e Fer nos entreolhamos e rimos baixo, para não acordar a Bela Adormecida.


– Vai se trocar vaca, te vejo na cozinha.


Eu ri e ela saiu. Fui trocar de roupa.


Eu, Fer e Nina morávamos num apartamento em Londres há dois anos, assim que eu completei dezoito. A Nina é três anos mais velha que eu e a Fernanda, mas se bobear é mais criança que a gente. Nossas divisões de tarefas eram que cada uma escolhia o café da manhã, a Nina era responsável pelo almoço, a Fer pelo lanche da tarde e eu pela janta. Nós revezávamos para lavar a louça, adorável.


Eu vim para cá a intercâmbio com dezesseis, então voltei ao Brasil e as meninas concordaram em vir morar aqui. Com toda a certeza, foi a melhor ideia que tivemos. Por exemplo: ninguém mandava em nós (Eu adorei isso, porque sempre quis colocar piercing e minha mãe nunca deixou. Hoje eu tenho um no canto da boca que é adorável), cada uma trabalhava de meio período para podermos pagar o lugar e estudávamos em horários diferentes. Eu e a Fer de manhã, e a Nina só trabalhava de tarde. Eu fazia jornalismo, a Fer fazia biologia marinha e a Nina trabalhava como estilista. Minha vida era incrível.


Depois que me arrumei, encontrei a Fer e saímos para o mercado mais próximo. Lá, enquanto eu escolhia quais e quantos chocolates eu ia comprar, uma mão me cegou.


– SOCORROOOO, VÃO ME RAPTAAAAAR.


Uma risada me calou e óbvio que eu conhecia aquela risada escandalosa.


– Daniel Jones, me deixe ver – Ele riu e me virou, tirando as mãos dos meus olhos e me puxando para um abraço.


– Oi criança – eu resmunguei e ele riu – Cadê o Dougie? – Perguntei.


– Também te amo – ele zombou. – Deve estar por ai com o Harry.


Dei um beijo na bochecha dele e puxei-o pelos corredores, encontrando a Fer e o Tom conversando.


– Ótimo – murmurei. – Sem sinal de Harry ou Dougie.


– Alerta de gayzisse ativado – Disse Danny. Eu ri alto, atraindo a atenção dos outros dois.


– Ah, oi Bibs – Disse Tom, me abraçando.


– Oi Tom. Como vai a Gio? – Perguntei.


– Ótima – ele disse – Ela te mandou um abraço.


– Manda outro pra ela – eu disse, rindo. – Vamos achar os dois gays logo.


E saímos correndo pelo shopping.


Tá, ok, ser amiga do McFly não é normal, até porque eles eram meus ídolos, mas eles nos ajudaram tão normalmente quando chegamos a Londres que nos acostumamos.


Peguei o chocolate (eu não ia sair dali sem meu chocolate) assim que Danny avisou que os meninos estavam lá fora. Depois de pagar, encontramos Doug e Harry e fomos para casa. Eu, Dougie e Tom fomos no carro do mesmo e o resto foi no outro carro. Eu e Doug passamos o tempo inteiro brincando um com o outro no caminho, o que foi bem divertido.


Quando eu era mais nova, eu era meio obcecada pelo Dougie, admito. Mas era aquele amor de fã pelo ídolo, e ele ainda estar namorando na época me fez perceber que eu não sentia nada além de amizade por ele.


Ao chegar em casa, pedi para os meninos me esperarem na sala. Fui até o meu quarto e vi a Nina bem onde eu a deixei: no chão.


– Acorda vadia! – Eu disse rindo e chutando-a. Ela não levantou. Então fui até o banheiro, peguei um copo na minha mesa de cabeceira, enchi de água e joguei nela.


– BEATRIZ SUA VACA DESALMADA!


Ela berrou, levantando e correndo atrás de mim. Eu ria histericamente enquanto íamos para a sala e ela via que tínhamos visita. Eu me escondi atrás do Tom e do Danny no momento em que ela tentou me acertar, dando uma travesseirada na cara do Tom.


– Bom dia também Nina – ele comentou.


Ela corou mais ainda e eu só gargalhei ainda mais alto. Ela me olhou furiosa, praguejou algo em voz baixa e saiu correndo para o próprio quarto.


– Alguém faz ela parar? – Pediu Tom, apontando pra mim. Eu ainda gargalhava em alto e bom tom.


– Ela vai parar daqui a pouco – Comentou a Fer. Eu parei.


– Francamente Tom, um ano e meio convivendo comigo e ainda não se acostumou?


Ele abaixou a cabeça e os outros três retardados começaram a rir. Como boa retardada que eu e a Fer somos, também começamos a rir.


– Pronto, Beatriz, feliz? – Era a Nina, agora propriamente vestida.


– Muito – eu disse, ainda rindo.


– Eu vou te matar – Ela disse, me olhando ameaçadoramente. Isso, claro, só me fez rir mais ainda. Ela avançou e a campainha tocou.


– Salva pela campainha – sussurrou Danny. Eu ri e fui atender.


– Hey morena, e ai?


Eu ri. A Louise nunca iria mudar.


Eu conheci a Louise na minha primeira vinda para a Inglaterra, na época de intercâmbio. Desde então ela virou amiga minha e das garotas. Junto com ela veio Thiago, Miguel e a Helena.


– Ah, os McFly estão aqui? – Perguntou ela. Eu ri.


– Estão. E vou agradecer a você porque a Nina estava a um passo de me matar.


Ela riu alto e sentou no sofá ao lado do Harry. Ouvi o telefone tocar e me perguntei o motivo da muvuca hoje. Fui atender. (N/A: Pra quem não entendeu, ‘muvuca’ significa algo como bagunça, uma linguagem informal).


– Sim?


– Beaaah?


Revirei os olhos porque eu sabia quem era a única pessoa que me chamava assim.


– Fala Matheus.


– Matheus? – Perguntou a Fer. Eles namoravam há mais ou menos sete anos, e eu ainda não entendo como ela aguenta ele. Revirei os olhos e voltei ao telefone.


– O que você quer?


– Saber se eu posso ir ai, estou dando uma volta por Londres.


– E posso saber por que você está pela cidade?


– Ele está? Onde? – Fernanda perguntou. Revirei os olhos.


– Fernanda sua vadia, cala a boca.


Ela fez biquinho e se virou para a janela, onde Danny a abraçou.


– Matheus, o Danny tá agarrando sua namorada.


– MENTIRA – ela disse, saindo do abraço – BEATRIZ SUA PUTA, PARA DE MENTIR.


Eu gargalhei e ela tomou o telefone.


– Ela precisa controlar essas risadas excessivas e fora de hora – Eu ouvi Tom comentar sobre mim, o que claramente só atiçou minha vontade de rir.


– Matheus? – Ouvi a Fer perguntar. Ainda rindo, revirei os olhos.


– Eu to com fome – Reclamei. Ouvi Danny, Thiago e Lena concordarem e Marina bufar.


– Alguém vai me ajudar.


– Eu vou – eu disse, me levantando e indo para a cozinha. Quando me virei, Nina sorriu e fechou a porta.


– Música? – Ela perguntou. Assenti.


– Música.


Peguei meu celular e deixei no aleatório, ouvindo Want U’ Back da Cher Lloyd preencher o ambiente.


– O que você quer de almoço? – Ela perguntou, dançando ao som da música.


– Sei lá, quer perguntar para os meninos e o resto? – Perguntei, também dançando. Ela riu.


– Não, eles que se fodam – ela disse – Vai querer bebida?


Eu dei risada, bêbada de felicidade. Eu era assim desde pequena e gostava disso.


– Claro – eu ri. – Comprei umas duas garrafas a mais de vodka, pega umas três porque esse povo não guarda.


– Pega você sua preguiçosa.


Eu ri, dando de ombros, e peguei uma, abrindo-a e tomando um gole. Ela pegou um pacote de macarrão e começou a fazer o almoço.


Eu, que não era lá suuuuper forte para bebidas apesar de acostumada, já estava um pouco alterada antes da metade da garrafa. Fiquei na cozinha dançando quando o Miguel chegou.


– O que é isso, uma festa?


Eu comecei a gargalhar alto e ele tapou minha boca, olhando a Nina.


– Marina, o que você fez com ela? – A Nina riu, sem olhar pra ele.


– Ela bebeu – ela disse, fazendo pouco caso.


– Você sabe que ela fica um pouco alterada demais quando bebe, por que você deixou? – Ele perguntou. Ela deu de ombros, rindo.


– Ela ia levar pra todo mundo mesmo.


– Alguém sabe cuidar dela bêbada? – Ele perguntou. Ela riu alto.


– Adivinha! – Ele revirou os olhos, abriu a porta e gritou:


– DOUGAAAY.


Eu gargalhei ainda mais alto, e acho que eles ouviram já que ouvi Dougie gritar com certo humor na voz:


– ELA BEBEU DE NOVO?


Ele apareceu na porta, me viu, pegou meu pulso e me levou até meu quarto, eu ainda com a garrafa na mão. Ele me jogou na cama e deitou ao meu lado, tirando a garrafa de mim.


– Chega Bibs.


Ele disse, e eu fiquei quieta.


– Você tem uma coisa pra contar.


– Você ficou sóbria – ele rebateu.


– Você sabe que eu não fico uma bêbada, eu só me animo.


– Bibs, eu e os meninos íamos contar, mas o dia estava animado, e...


– Doug – Perguntei inquieta. – Por favor, não esconde isso de mim.


– Eu e os meninos vamos viajar.


– Por quê?


– Estão correndo alguns boatos sobre nós e eu, Harry e Danny vamos sair um pouco daqui e ir para algum lugar afastado, talvez uma cidade afastada, não sabemos. O Tom tem família, não pode largá-los, mas eu não tenho nada que me prenda aqui.


Aquilo me atingiu de um jeito horrível. Dougie era meu melhor amigo e vice-versa, mas depois daquela frase eu comecei a duvidar.


– Bibs – ele disse, percebendo minha mudança de humor – Eu...


– Com licença – eu disse, pegando minha garrafa. – Eu tenho algo para fazer – Eu disse, sorrindo cínica.


Sai do quarto e percebi o quanto aquilo era ridículo. Sim, eu me irritei, mas quem o Poynter era para eu ficar mal por causa dele? Eu aprendi faz tempo que ninguém merece que eu fique mal. As pessoas são imbecis demais. (N/A: Filosofei agora).


– Bibs linda do meu coração... – começou a Fer, sorrindo, quando eu cheguei na sala. Lá vem merda.


– Fala – eu disse, rindo.


– O Matheus pode dormir aqui por uns dias? – Eu ri alto.


– Como se você já não tivesse o mandado vir – ela riu – Só avisa a Nina pra ela não acordar um dia só de blusa e calcinha e topar com o Matheus na cozinha tomando café com você.


Ela riu alto e foi para a cozinha. Eu me sentei entre o Thiago e a Louise, que riu e pegou a garrafa da minha mão, dando um gole.


– Nada melhor do que vodka na hora do almoço – Eu ri alto e ela me devolveu a garrafa. Ouvi Marina nos chamar para o almoço e seguimos para a sala de jantar (?).


– Cadê a bebida? – Harry perguntou. Nina riu.


– Tiramos pelo bem da Bibs.


Eu fiz bico e eles riram. Harry me abraçou, rindo.


– Eu quero o restante da sua garrafa – ele sussurrou no meu ouvido e eu ri. Vi Dougie me olhar feio e ignorei.


O resto do almoço correu bem e Louise e os outros foram embora. Os McFly ficaram.


– Bibs, posso falar com você? — Era o Doug. Assenti e subimos até o quarto.


– Desculpa – ele disse – Eu quis dizer que não tenho família, você estuda e trabalha e não tem muito tempo livre, e eu estou sempre tomando seu tempo e eu não quero ser um fardo.


Eu ri e abracei-o.


– Eu já desculpei você, seu babaca – eu disse rindo. – Vem meu gayzinho, vamos beber lá embaixo.


Ele riu e descemos. Enquanto bebíamos, ríamos e conversávamos, o telefone tocou. Eu, toda linda e diva com minha garrafa de vodka na mão, atendi.


– Siiim? – Eu disse, rindo.


– Ah Bia, você tá bêbada? – Eu gargalhei.


– Quem tá falando? – A pessoa suspirou.


– A Lu.


– Quem é Lu? – Eu disse, vendo graça nisso tudo.


– Luna. Ana – Ela respondeu. Eu sorri.


– Ana Lunaa, o que te faz me ligar, princesa?


– Não me chama de Ana Luna, você sabe que eu odeio. Mas enfim, preciso falar com você.


– Fale – eu disse, com evidente humor na minha voz. Ela riu.


– Você não muda mesmo. Eu preciso falar pessoalmente. Em uma semana eu chego ai, ok?


Eu ri, de tão engraçado que era o caso, e assenti. Então ela desligou.


A Ana Luna era uma amiga que eu conheci assim que acabei a oitava série (ou nono ano, o que preferir) e mudei de escola. Ela e o Andy me acolheram naquela escola e desde então nós mantemos contato a distância. A Ana ainda está no Brasil, mas eu vim para Londres e o Andy foi cursar cinema em Los Angeles.


Voltei para o sofá e a Fer perguntou quem era.


– A Ana Luna – eu disse, rindo. – Ela vem na próxima semana me falar algo.


Ela assentiu e a campainha tocou. Todos olharam para mim, e adivinhem quem foi atender? Exato, a Fernanda. Todos olhamos para o casal encontrado na porta se abraçando.


O Matheus não é o protótipo de namorado perfeito, com certeza, mas mudou muito ao longo desses sete anos. Ele continuava feio, claro, o que motivava minha frase de “o amor é cego, a Fernanda também”, mas dizem que o amor não vê rosto, e sim coração. Como sou romântica. Voltando pro Matheus, ele tinha um piercing no nariz e duas tatuagens que juntas formavam uma, um F em uma mão e um É na outra, que juntas formavam FÉ. Ele sorriu para mim.


– E ai Beah? – Revirei os olhos. Ele nunca mudaria.


– E ai Matheus – Ele riu e deu um oi coletivo. Dougie se levantou.


– Vamos? – Eu ri dele, que quase caiu, e segurei-o.


– Tom – eu disse. – Pode levá-los para casa?


Ele assentiu e foi. Despedi-me de todos e me virei para o Matheus.


– Uma semana? – Ele me sorriu amarelo e eu revirei os olhos, rindo.


– Fer, você avisou a Nina?


– Avisei – ela disse rindo. – Contanto que ele não fique fazendo comentários inúteis e fique longe de mim, tudo bem – disse Nina, entrando na sala.


– Tipo quais? – Eu e Fer perguntamos.


– Tá gostosa Marina, já arranjou namorado? – O Matheus disse, com evidente humor na voz. A Fer bateu nele e a Nina bufou.


– Tipo esse – Ela disse e eu ri, indo para o quarto.


Meu quarto era do jeito que sempre sonhei e nunca pude ter no Brasil. Em uma das paredes, havia minha escrivaninha com o computador e o mural de recados, com uma pequena mesa ao lado. Abaixo da escrivaninha, uma pequena geladeira. Na outra parede, minha cama, com a cabeceira lotada de pequenas coisas como meu celular e um copo, na outra era a porta para o meu closet e o banheiro e a última era a porta para entrar no quarto.


Quando cheguei lá, apaguei a luz, me joguei na cama e liguei música no celular. Eu estava morta. Começou a tocar o cover da Tiffany Alvold, da música The One That Got Away da Katy Perry. Fechei os olhos e deixei a música me invadir. Fiquei apenas relaxando enquanto ouvia a música, que me acalmava sempre que eu estava cansada. Quando acabou, meu pesadelo começou a tocar. A música era linda, mas era uma que pensei muito antes de não excluí-la. Era a nossa música. Fechei os olhos novamente e eu via aquele dia passando como filme na minha cabeça. Eu sentada em uma das mesas da escola, tocando aquela música no violão e olhando para ele, na minha frente. Daí, todas as lembranças voltaram.


(N/A: Pare a música agora)


Cansei delas e abri os olhos. O quarto continuava o mesmo. Eu estava em Londres, não no Brasil. Eu já havia o deixado há sete anos, e as lembranças eram apenas flashes do que um dia eu achei que seria eterno. Levantei da cama, fui até minha pequena geladeira e de lá tirei outra garrafa. Ri e rolei os olhos.


– Ah, a Nina é tão inocente de achar que eu guardaria minhas bebidas só na cozinha.


Dei um gole. Peguei o celular e coloquei para tocar Girlfriend, da Avril Lavigne. Sempre me animava. Subi na cama e lá comecei a dançar. O resto desse dia é nebuloso para mim.


Notas finais
se gostaram, bom, reviews!