Life Or Death
2 Bloqueio mental
Notas iniciais
A eternidade pode ser considerada como uma maldição para uns, ou com uma benção para outros. No meu caso, era uma maldição. Minha vida baseia-se em quase cem anos de sede interminável, de solidão e tédio profundo, resistir a isso não fora nada fácil. Tive momentos de rebeldia na minha... Vida. Onde desobedeci meu pai, meu criador e também mentor, apenas porque não me sentia confortável com a maneira que ele vivia, segurando sua sede, esgueirando-se entre os humanos e tentando ter uma vida humana. Depois de um certo ponto, eu comecei a aceitar o que eu era, e finalmente compreendi o que Carlisle fez desde o início. Dedicar a eternidade para aperfeiçoar minhas habilidades e amplificar o conhecimento era a melhor forma de não morrer de tédio, ou ter recaídas como tive na minha "juventude". Então, procurei estudar. Estudei direito, artes, música, literatura. Frequentei óperas, peças de teatro, vi filmes antigos serem feitos, li incontáveis livros, aprendi a tocar piano, violoncelo, violino, violão, contra baixo, entre outros instrumentos. Tive o costume de compor, o que particularmente agradou minha mãe, Esme. Ainda assim, ouvir os pensamentos e ver os momentos mais felizes dos meus irmãos e irmãs, e até mesmo dos meus pais, começou a ser triste para mim. Eu não sabia o que procurava, mas estava a procura desde sempre. E até então, não fui capaz de encontrar. Foi bastante solitário por muito tempo.
Esta manhã não era diferente das outras. Esperávamos o horário para ir à escola, fingir que somos humanos e tentar ocupar nosso tempo. Bem, não dormir é parte do castigo que a eternidade me deu. Eu poderia apenas deitar e passar a noite, pular algumas horas do dia, e me sentir descansada. Sinceramente, eu não tinha ideia de como isso era, porque eu era incapaz de lembrar.
Ter uma família certamente era um grande motivo para estar viva. Eu amava meus pais, irmãos e irmãs, apesar de as vezes me sentir como uma intrusa. Há algumas décadas por exemplo, me afastei por poucos anos simplesmente porque não podia mais aguentar ouvir os pensamentos apaixonados dos meus familiares. Às vezes, é complicado e eu começo a me sentir péssima por ser quem sou... O que eu sou. Ficar murmurando sobre isso não deixava Carlisle feliz, muito menos Rosalie, que compartilhava o meu sentimento de infelicidade de ser o que sou.
Eu esperava no Volvo, esperando que chegassem logo, quando ouvi de longe suas vozes.
"Espero que esteja usando a roupa que lhe separei."
Sorri sozinha e olhei para Alice que havia acabado de descer as escadas.
— Bom dia, irmã.
Alice primeiramente olhou para minhas roupas, então sua expressão de desconfiança passou para um sorriso divertido. O cabelo de pontas espetadas balançou quando ela desceu a escada da frente da nossa casa com um pulo gracioso. Em olhos humanos, acredito não ser possível acompanhar todos os movimentos sem ficar tonto, ou encantado.
— Edythe! Eu fico tão feliz em poder vesti-la sem que reclame, como...
Rosalie nunca estava de bom humor antes de irmos à escola. Isso era comum até demais, então nenhum de nós ficávamos incomodados, não mais.
Ela entrou no carro e fechou a porta com um baque talvez um pouco forte demais e cruzou os braços.
— Não sou sua boneca, Alice.
Minha irmã menor apenas revirou os olhos.
"Mas certamente poderia ser comparada com uma Barbie."
Dei um leve sorriso com o comentário interno de Alice.
Logo, Emmett e Jasper já estavam no carro.
Vi Esme dar um leve beijo no rosto de Carlisle quando ele entrou no seu carro. Apenas acenamos e dei a partida no Volvo.
O clima em Forks estava como sempre, nublado, frio e úmido. A maioria dos visitantes de Forks não se agradavam muito com a paisagem, mas para meus olhos, tudo era simplesmente incrível. O verde das árvores era vívido, o cheio de chuva era quase sempre presente para meu olfato. Além da vegetação, tinha a fauna, claro. Era o que mais nos agradava. Por motivos complicados, não podíamos caçar em todo o território, mas mais para o norte da pequena cidade era possível caçar quase que livremente, sem nos preocupar muito em sermos vistos, a não ser que algum de nós cometa o erro de caçar perto da trilha onde humanos costumam explorar.
Sem demorar muito, chegamos na escola que não era muito cheia, como a que já havíamos frequentado no Alaska. Estacionei o carro praticamente só virando o volante. O local estava razoavelmente vazio, comparado a como ficaria alguns minutos depois.
Quando já era possível ouvir corações batendo e sentir o cheiro de sangue que emanava das veias dos humanos no estacionamento, pude ver pelo retrovisor do carro como Jasper mudou sua postura para mais rígida e cautelosa. Seus pensamentos eram agonizantes. Eu entendia bem que era mais complicado para ele ter que conviver com humanos todos os dias. Mas, na minha opinião, ele estava indo muito bem. Apesar de precisar prender a respiração em determinadas situações. No estacionamento, um lugar aberto, por exemplo, ele não precisava se conter tanto, era mais fácil para ele.
Ao sair do carro, Alice segurou sua mão e deu um leve aperto, com compaixão, encorajando seu parceiro. Ele sorriu e os dois encostaram brevemente seus rostos. Eu não quis ser invasiva, então foquei em Emmett, que fez questão de acrescentar algo mentalmente diretamente para mim.
"Poderíamos caçar no fim de semana, ir mais ao norte, alguns ursos e leões da montanha..."
Dei um sorriso e concordei com a cabeça, dando um leve soco no seu braço. Leões eram meio que meus favoritos. Talvez pelo desafio de caçá-los. Já Emmett tinha a preferência pelos ursos. Sua mente se preencheu de memórias dele mesmo caçando ursos, o que pareceu um adolescente de 15 anos se vendo comer um cheeseburguer.
Todos entramos na escola e fomos para suas respectivas aulas, que procurávamos não dividir para não chamar atenção demais, como já chamávamos no almoço por andarmos juntos. Com a exceção de Jasper e Alice, ficávamos separados quase o dia todo.
É meio irônico como nós atraímos olhares o tempo todo. Não precisei me esforçar ou focar na mente de alguém aqui. Seus olhares nos seguiam, alguns só encaravam o Volvo. Eu podia ouvir suas opiniões como se estivessem sussurrando no meu ouvido.
"São tão lindos..."
"Tem que ser muito babaca para querer se amostrar com o carrão assim."
"Deve ser estranho, todos eles juntos... Ou solitário para a garota."
A maioria dos comentários não me interessavam, apesar de eu não poder escolher ouvi-los ou não. Isso é complicado. Posso ouvir mas também posso ignorar, pensar em outra coisa ou focar no pensamento de outra pessoa. Não é como se eu fosse capaz de fazer as vozes desaparecerem, é como não prestar atenção na bronca de uma mãe. Você escolhe ignorar.
Este ano, minha primeira aula deveria ser Educação Física. Mas como sempre, Carlisle nos dava uma espécie de declaração que nos permitia ficar longe de atividades físicas na escola. Então, consegui trocar a primeira aula para História.
Para ser sincera, acompanhar a lentidão humana era irritante. Para um vampiro recém civilizado isso poderia ser quase impossível, mas eu já estava acostumada. Andei no ritmo humano e entrei na sala da minha primeira aula e me sentei na frente, perto da porta.
Não esperei muito e a sala foi se preenchendo aos poucos, depois com o professor chegando e instalando-se na sua habitual cadeira na frente da turma.
A aula foi praticamente como todas as outras que se seguiram. Bastante monótonas e tediosas. Para ser sincera, eu não precisava estar ali. Com a quantidade de vezes que me formei no ensino médio, eu mesma poderia dar aula das matérias para os alunos. O pensamento me deixou escapar um sorriso irônico durante a última aula antes do almoço.
Pude notar alguns alunos inquietos com alguma coisa. Eram vozes demais, então foquei em só uma, que já me era um pouco conhecida. Eric Yorkie tinha pensamentos felizes e animados. Logo, um nome surgiu. Isabella Swan. Nova, vinda da Flórida, filha de Charlie Swan, chefe de polícia. O nome me era familiar, porque outras mentes o trouxeram nos últimos dias. Isso explicava a animação e entusiasmo de uns. Cidades pequenas costumam ficar animadas demais com a chegada de um estranho, principalmente as escolas.
Quando me encaminhei para o refeitório, ouvi mais pessoas trazendo o nome da garota nova. Eu nunca compreenderia o entusiasmo de um humano por ter algo diferente na vida monótona, simples e temporária deles. Eu já estava familiarizada, porque quando nós mesmos éramos novidade quando nos mudávamos, eu ouvia demais os pensamentos felizes. E ser o centro das atenções sempre incomodou, mas acho que a gente se acostuma.
Agora, eu tentei focar em pensamentos a respeito da tal Isabella Swan. Novidades eram interessantes até para mim. Ninguém a conhecia, então eu ainda não tinha um rosto definido, nem coletei muitas informações, porque ninguém sabia muito da aluna recém chegada. Ao tentar ouvir os pensamentos de um garoto da minha turma de Línguas Estrangeiras, acabei ouvindo demais. Tive que me segurar para não rir.
Ele literalmente se imaginava comigo. Em um momento... Íntimo. Seus olhos percorreram meu cabelo e meu rosto, depois pude ouvir ele engolir em seco.
Ah, a respeito do meu cabelo, ouvi outro comentário. Uma garota, Jessica Stanley. Ela parecia sinceramente intrigada e com uma leve vontade de passar os dedos no meu cabelo, o que fiquei feliz que ela apenas controlou a vontade.
"Como ela consegue manter a cor? Nunca desbota ou mostra a raíz. Qual é a tinta que ela usa? Não é possível que esta seja a cor natural do seu cabelo. Não. Impossível."
Mais uma vez segurei meu sorriso. Os pensamentos humanos eram engraçados demais, aleatórios até. Isso me divertia bastante.
A hora do almoço era mais uma luta para parecer humana. Alice, Rosie e Jasper sentaram-se na nossa mesa de sempre, que os humanos não se sentavam por acreditarem que nós mandávamos naquele lugar, como se faríamos um escândalo caso alguém sentasse ali. Alguns tinham medo de Emmett, mas na verdade eles não imaginavam que nós somente mudaríamos de lugar.
Emmett não se demorou muito quando encheu a sua bandeja, colocou algumas frutas, duas garrafas de suco e foi sentar-se. Minha bandeja quase estava vazia na verdade, eu havia apenas pegado qualquer coisa e colocado nela. Sorri para a atendente e fui me sentar ao lado de Alice, que trocava carinhos delicados com Jasper, que se mantinha duro feito pedra, sofrendo internamente com o cheiro de cada humano no local.
Rosalie deu uma mordida falsa demais em uma maçã e se manteve mastigando por um curto período de tempo antes de engolir.
"Nojento."
Eu tive que concordar. Nós podemos comer, porém, não é muito agradável. Não sentimos ou vontade alguma de comer, nem nos sentimos satisfeitos quando ingerimos comida. Porém, nós podemos comer. E o gosto é... Ruim, de certa forma. Bem, nós não sentimos fome exatamente, nós sentimos sede. A garganta fica seca, é quase impossível de suportar, mas sabemos que é impossível morrer caso tentarmos parar de nos alimentar.
Do outro lado da cantina foi quando a vi pela primeira vez.
Ali, no meio de todo mundo, era difícil identificar apenas o seu cheiro. Ela era... Linda.
Seu cabelo era chocolate, tinha a estatura baixa, talvez um pouco mais baixa que eu, mas era mais alta que Alice. A pele era pálida demais para uma humana. Estava acompanhada de Jessica e outros alunos que eu sabia quem eram, um deles era Eric, que sorria demais ao lado dela.
Quando corri pela mente dos presentes na mesa, eu me paralisei. Minha mão sobre a mesa fechou-se em um punho. Quase quebrei a mesa com a outra mão, que segurava a borda dela.
"Edythe?" chamou Alice mentalmente, cautelosa e curiosa.
Eu arfei, surpresa, e arregalei os olhos por um breve instante.
Eu conseguia ouvir todos naquela mesa, cada um deles reclamando de alguma coisa, fazendo comentários maldosos ou ambiciosos. Jessica expressava sua frustração e animação com a garota nova, Mike Newton expressava a sua atração por ela, Eric estava meio... Entusiasmado demais com a presença dela, entre outros daquela mesa.
Mas ela... nada.
Alice tocou minha coxa, eu lancei um olhar para ela e ela notou minha frustração. Me forcei a relaxar a expressão e dei um sorriso bem falso, porém caloroso.
— Não é nada. — falei em um tom baixo demais para ouvidos humanos, mas era o suficiente para ela e meus irmãos ouvirem.
Ela me olhou confusa, mas acabou deixando passar. E eu agradeci mentalmente, mesmo sabendo que ela não podia ouvir, mas eu sim.
Me concentrei em ouvir o que estavam falando e pude ouvir a conversa da garota nova com Jessica.
Alice levantou rodopiando e jogou toda a comida fora, sem demorar muito para se juntar a nós de novo.
Isabella Swan analisou os movimentos de Alice com curiosidade, pareceu intrigada conosco (talvez com o quanto éramos esquisitos) e perguntou.
— Quem são eles?
Jessica nos lançou um olhar curioso e maldoso, mas com um pouco de inveja.
— São os Cullen e os Hale. Alice, Emmett e Edythe Cullen. Os loiros são Rosalie e Jasper Hale.
Fiz o maior esforço do mundo para não encarar a garota, mas a frustração ficou evidente até para meus irmãos, porque fiquei inquieta o suficiente para brincar com um pãozinho na minha frente, desfazendo-o em pedacinhos.
"O que foi?" perguntou Rosalie, impaciente.
— Esperem. — sussurrei sem quase mover meus lábios.
Olhei para a mesa deles e analisei seu rosto, sua expressão. Ela estava olhando também. Acho que não consegui esconder minha frustração, porque Alice apertou de leve minha mão, mas não desviei o olhar para ela, apenas não consegui parar de encarar.
Eu tentei me concentrar o máximo que pude, isolar as outras vozes, focar na dela, mas foi impossível. Eu não ouvia nada. Absolutamente nada. Isso estava me matando. Quem é ela? De onde ela veio e por que eu não era capaz de ouvi-la? Em toda a minha existência, eu jamais tinha me deparado com uma situação dessas, e isso me deixava frustrada, principalmente porque eu não tinha respostas.
Isabella desviou o olhar e ficou bastante interessada na fala da sua colega, que citou Rosalie, Emmett, Jasper e Alice, acrescentando comentários maldosos, mas acho que ela ficou impaciente e perguntou de mim.
— E ela?
Jessica não respondeu em voz alta. "Edith não acha ninguém bom o suficiente para ela... Metida, isso que ela é. Com esse cabelo tingido e o carro caríssimo."
Mike se preocupou em responder por ela.
— Ah... Essa é Edith Cullen. — segurei o sorriso quando ele pronunciou meu nome errado — Ela é bem gata e está sozinha até onde sei, mas é boa demais pros caras daqui. — ele deu uma risada alta que logo se tornou sem graça.
Lembrei-me da falha e vergonhosa tentativa dele de falar comigo e conseguir meu número há um ano atrás, quando ele tinha gaguejado quando eu apenas sorri para ele, achando graça do coitado. Bem, ele não foi o único mas talvez tenha sido um dos mais marcantes. Desviei o olhar para sorrir sozinha, mas pude sentir seus olhos em mim.
Nos próximos minutos eu procurei não olhar muito, a essa altura ela já deveria ter percebido meu interesse e frustração... Apesar de que não havia como saber, porque eu não conseguia ouvir seus pensamentos de forma alguma.
Isso estava quase me matando, logo fiquei feliz que a aula já ia começar, assim eu ficaria longe da tal Isabella Swan.
— Edythe? — disse Emmett, baixinho.
— Ah.
Eu levei alguns segundos para passar a limpo a minha situação, ergui as sobrancelhas e mordi a pontinha do meu polegar direito.
— Bem... Aquela garota. A nova.
Eles me encararam, esperando a continuação da minha explicação.
— Eu não... Não consigo ouvi-la.
Alice fez uma expressão de curiosidade e refletiu um pouco. Ela pensou sobre isso, tentou lembrar se já se deparou com alguém que ela não pudesse ver.
— Eu sei. — respondi os pensamentos dela — Eu também nunca encontrei alguém que fosse, ãh, imune.
Discutimos um pouco sobre isso, cada um deles respondendo em voz baixa. No fim, nós resolvemos falar isso com Carlisle. Não era comum alguém imune às habilidades de um sobrenatural, principalmente um humano, que geralmente não tem defesa alguma contra a nossa espécie.
Passamos o resto do tempo apenas refletindo sobre isso. Alice não tinha visto nada sobre a tal Isabella Swan, isso me tranquilizou, de certa forma, porque assim eu sabia que ela não me traria nenhum problema futuramente. Fiquei relaxada quando pensei isso.
No fim do almoço, me despedi de meus irmãos e irmãs com um breve aceno e caminhei calmamente até a sala de Biologia enquanto eles se separavam pelos corredores. Alice e Jasper, Rosalie e Emmett. E eu, sozinha.
Quando entrei na sala, estava confusa demais para prestar atenção nos pensamentos de outras pessoas. Continuei refletindo sobre o bloqueio mental da garota estranha. Sentei-me feliz na minha carteira vazia. Não ter que fazer parceria com algum aluno era a melhor parte desta aula. Eu não precisava perder a paciência com nenhum humano aprendendo as fases da mitose pela primeira vez, quando eu já havia aprendido este assunto milhares de vezes, até mesmo acompanhei a evolução do estudo da mitose.
Observei o tempo nublado pela janela enquanto esperava a aula começar. Acho que já estava acostumada a viver em lugares frios. Forks era como o lugar perfeito, quando o sol nunca aparecia. Isso facilitava nossa vida. Algumas pessoas achavam que vampiros não poderiam sair de manhã, na luz do sol, ou morreriam queimados. Mesmo com as nuvens cobrindo as luzes solares, poderíamos morrer assim. É um dos mais antigos mitos da nossa lenda... Mas, também não é inteiramente mentira. De fato não podemos sair no sol, mas não por causa de queimaduras e sim porque chamaríamos atenção demais, coisa que já fazíamos sem sair no sol.
Assim, perdida em pensamentos, que fui pega de surpresa. Eu a vi entrando na sala. O jeito que andava era meio suspeito, parecia que a qualquer momento ela tropeçaria no próprio pé e cairia de cara no chão. Só agora pude prestar atenção nela direito. Tinha as feições delicadas e um nariz empinado. Ela entregou alguns papéis para o professor.
— Isabella Swan.
— Só Bella.
Ele assinou os papéis enquanto ela analisava brevemente a turma e seus olhos pararam em mim. Só então eu pude sentir seu cheiro, isolado dos seus outros amigos.
Uma onda impulsiva me atingiu em cheio. Minha garganta secou em uma fração de segundo, como se eu não estivesse me alimentando há semanas. O cheiro dela era simplesmente indescritível. De todos os cheiros, todas as pessoas que infelizmente já matei, todos os animais... Aquele cheiro era o mais apetitoso. Era difícil de explicar. Ouvi os batimentos cardíacos dela acelerarem quando o professor gesticulou para que ela sentasse ao meu lado. Engoli em seco e tentei manter a postura.
Senti meu dente espetando levemente minha língua. Mas que inferno, pensei.
Em um movimento comum, ela veio para sentar-se na cadeira vazia ao meu lado. Quando ela se sentou, foi muito pior.
Ela colocou os cabelos encaracolados e cor de chocolate de lado, deixando seu pescoço pálido à mostra para mim.
Prendi a respiração na hora e cobri a boca e o nariz com a mão, afastando a cadeira o máximo possível da dela, mas eu quase podia ver o sangue fluir em suas veias através da sua pele branca... O coração o bombeava com força.
Parecia que um século de treino e prática não era o suficiente naquela hora. Eu pensei em milhões de maneiras de matar essa garota, mas eu não podia fazer isso. Não com Carlisle, que lutou tanto para nos fornecer a vida mais normal que nossa condição podia nos permitir.
Lutei várias e várias vezes para ouvi-la. Qualquer coisa, uma palavra, um rosto. Mas eu não pude ouvir simplesmente nada.
Fiquei a aula inteira a encarando, o nariz tampado. Ela pareceu desconfortável, mas eu não podia evitar. Seu cheiro era convidativo demais... Era suculento.
E ela parecia uma presa tão fácil. Eu poderia atraí-la até outro lugar, longe dali, da escola... Talvez para dentro da floresta. É, era isso. Eu iria levá-la lá. Mas não... Toda a cidade ficaria mobilizada para tentar encontrar a filha desaparecida do chefe Swan. Isso atrairia atenção demais, mesmo que não diretamente para nós.
E o pior, eu quebraria a minha dieta. Isso apenas para ter uma refeição melhor, algo variado.
Até então eu não havia notado, mas os lábios dela eram lindos. Formavam um delicado coração rosado, que eu sabia que não era maquiagem. Eu arfei. Seu cabelo me deixaria hipnotizada se fosse humana. Ela mordeu o lábio, me olhando de canto de olho.
Ela era linda, e eu não conseguia focar nisso, apenas no seu cheiro.
Olhei para o relógio acima da lousa. Decidi contar o tempo mentalmente.
Faltavam 15 minutos para a aula acabar.
Isabella Swan parecia curiosa, mas também enfurecida. Me perguntei o que ela estava pensando...
Faltavam 10 minutos.
Ela tomava anotações em seu caderno, a mão deslizava no papel de forma pouco suave, mas ela segurava a caneta com os punhos forçados.
5 minutos.
A veia da mão dela se mostrou através da pele pálida quando ela pousou a mão na mesa e eu me perguntei como seria mordê-la ali. No pulso mesmo. Eu queria... Não, eu precisava experimentar seu gosto, ao menos uma vez...
Contei os segundos e antes do sinal tocar eu peguei meu livro rapidamente e levantei com pressa assim que a próxima aula foi anunciada pelo sinal, querendo sair de perto da garota nova antes que eu fizesse alguma besteira que eu me arrependeria mais tarde.
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